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Arquivos curtas gaúchos - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/curtas-gauchos/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 07 Sep 2022 04:53:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Curso de cinema da Unisinos volta de Gramado com vários prêmios https://mescla.cc/2022/09/02/curso-de-cinema-da-unisinos-volta-de-gramado-com-vario-premios/ https://mescla.cc/2022/09/02/curso-de-cinema-da-unisinos-volta-de-gramado-com-vario-premios/#respond Fri, 02 Sep 2022 17:28:50 +0000 http://mescla.cc/?p=16840 O 50º Festival de Cinema de Gramado, que aconteceu entre 12 e 20 de agosto de 2022, premiou 6 produções realizadas por estudantes e egressos do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (CRAV), sendo 3 curta-metragens e 3 longa-metragens. Ao total, foram 12 prêmios que os Cravianos (aqueles que são egressos do curso) levaram para […]

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O 50º Festival de Cinema de Gramado, que aconteceu entre 12 e 20 de agosto de 2022, premiou 6 produções realizadas por estudantes e egressos do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (CRAV), sendo 3 curta-metragens e 3 longa-metragens. Ao total, foram 12 prêmios que os Cravianos (aqueles que são egressos do curso) levaram para a casa. 

Na categoria longa-metragem gaúcho, as obras premiadas foram 5 Casas, Casa Vazia e Despedida. O longa 5 Casas levou as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Filme pelo Júri Popular. Bruno Gularte Barreto e Vicente Moreno, da turma de 2003 do CRAV, levaram o prêmio de Melhor Direção e Melhor Montagem pelo trabalho na produção do longa. 

Os egressos Tiago Bello, CRAV 2003, e Marco Lopes, CRAV 2006, foram premiados pelo Melhor Desenho de Som no longa Casa Vazia. Já Gabriela Burck, egressa de 2012, foi premiada pela Melhor Direção de Arte no longa-metragem Despedida 

Na categoria de curta-metragem gaúcho, ou seja, aquelas produções com o tempo até 15 minutos, as obras de egressos e estudantes do Curso de Realização Audiovisual foram Apenas para Registro, A Diferença entre Mongóis e Mongoloides e DRAPO A.  O curta Apenas para Registro, da estudante Valentina Ritter Hickmann, conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri da Crítica. Pelo trabalho no curta A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, Jonatas Rubert, egresso da turma de 2009, levou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Roteiro, junto com Gabriela Burck, da turma de 2012, que conquistou a estatueta pela Melhor Direção de Arte. Por último, Henrique Lahude, CRAV 2008, ganhou o prêmio de Melhor Produção Executiva pelo trabalho em Drapo A

“Meu pai tinha essas gravações e ninguém nunca parava para assistir de novo.”

Frame de divulgação do curta “Apenas para Registro” (Imagem: Valentina Ritter Hickmann / Divulgação)

“Foi quase que brincando, assim tipo, nada pretensioso, era só um trabalho.” foi assim que Valentina Ritter Hickmann descreveu o processo de criação do curta. O trabalho, que foi criado para a disciplina de Cinemas Experimentais do Curso de Realização Audiovisual, foi desenvolvido com base em antigos filmes de família em DVD, “Quando eu comecei a mexer nesses arquivos do meu pai, eu nem pedi permissão, era só um trabalho e eu queria usar as imagens de arquivo da minha família. Então fui usando, fui mexendo, fui descobrindo coisas. Tanto que as imagens ali dele divagando foram uma coisa que eu encontrei depois e que eu acho que é o mais vulnerável” contou Valentina. 

Valentina Ritter Hickmann comentou um pouco sobro o processo de produção do curta-metragem “Apenas para Registro”

A ideia para a construção desta obra sempre esteve na mente de Valentina, segundo ela “Eu já sabia que eu ia fazer alguma coisa com esses vídeos do meu pai, mas eu não sei dizer exatamente de onde veio essa ideia. Eu acho que é uma coisa meio da minha família que eu escuto desde que eu sou pequena, tipo aí bem que alguém podia compilar e selecionar os melhores momentos pra gente poder assistir.”   

Para Valentina e seu pai, Sergio Hickmann, é emocionante que tantas pessoas tenham se identificado com a produção. (Imagem: Valentina Ritter Hickmann / Arquivo Pessoa)

O trabalho se destacou na cadeira de cinemas experimentais e o colegiado decidiu submeter o curta ao Festival de Gramado. Para Valentina “Foi muito legal assim, porque desde que o colegiado já tinha me selecionado para eles enviarem meu filme para Gramado. Para mim aquilo já tinha sido tipo uma baita de uma vitória.”  A estudante sente que com essa conquista deixou a sua marca no CRAV algo que não tinha certeza se faria antes da premiação.  “Toda a experiência do festival foi muito incrível. Todas as pessoas que eu conheci e elas vindo falar do meu filme, o quanto tinha impactado elas e tocado elas de alguma forma, isso foi muito legal ouvir, porque tanto para mim quanto para o meu pai principalmente não era nossa intenção, sabe? Aquilo ali de fato é um arquivo de família” complementa Valentina. 

“´É um documentário que parte de uma jornada pessoal do diretor”  

“Acaba sendo um filme sobre coisas bem particulares, que também são universais”(Imagem: Bruno Goulart Barreto / Divulgação)

Dirigido por Bruno Goulart Barreto, egresso da turma de 2003 do CRAV, o longa-metragem revisita as memórias e a cidade natal do diretor, Dom Pedrito, e reencontrando pessoas que, de alguma forma, tiveram um impacto em sua vida. Segundo Vicente Nunes Moreno, responsável pela montagem do longa relatou “Então, acaba sendo um filme sobre Dom Pedrito, mas também acaba sendo um filme sobre coisas bem particulares, que também são universais”. O documentário aborda temas como luto, homofobia, racismo, especulação imobiliária e agrotóxicos.   

O longa é uma junção de professores e egressos do CRAV, contando com a participação de Vicente Moreno, que já foi estudante do CRAV e está na coordenação do   curso, Jessica Luz, produtora executiva, e Bruno Polidoro, um dos responsáveis pela direção de fotografia, todos professores do curso. O diretor Bruno Goulart Barreto é egresso da turma de 2003 e já participou do corpo docente. 

O longa estreitou no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), o maior festival de documentários do mundo, e a partir disso foi sendo exibido e premiado em diversos festivais. Já teve exibições na Itália, França, Portugal, Chile e no Ceará. No Festival de Cinema de Gramado, foi a primeira vez que a produção foi exibida em solo gaúcho. 

“O CRAV já é uma presença constante no Festiva de Gramado” 

Não é raro que múltiplos egressos do CRAV estejam concorrendo e sejam premiados no mesmo festival, principalmente quando a premiação envolve obras produzidas no Rio Grande do Sul. Segundo Vicente Moreno, “Quando os primeiros egressos começaram a entrar no mercado de trabalho foi se tornando cada vez mais comum ter cravianos presentes nas mais diversas equipes.  Então hoje em dia é muito difícil no Rio Grande do Sul, um longa-metragem uma série ou um grande projeto audiovisual que não tenha cravianos”.  

De acordo com o coordenador, as pessoas premiadas do curso, sejam alunos, professores ou egressos traz uma sensação do trabalho bem-feito, além de mostrar a excelência do curso dentro do cenário gaúcho e brasileiro de cinema, mostrando que é possível fazer cinema no RS. Para os alunos, saber que colegas e egressos estão marcando presença em peso nas premiações de festivais, tem um efeito muito positivo, pois eles se inspiram nesses colegas e veem que os próximos a estarem em festivais podem ser eles.   

Para os interessados em assistir as produções, haverá uma exibição com debate no Teatro Unisinos, dia 29 de setembro às 19h30. Serão exibidos DRAPO A, A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, Apenas para Registro e Nós que Fazemos Girar. A entrada não será cobrada.

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Cinema e publicidade lado a lado https://mescla.cc/2018/08/31/cinema-e-publicidade-lado-lado/ https://mescla.cc/2018/08/31/cinema-e-publicidade-lado-lado/#respond Fri, 31 Aug 2018 19:05:47 +0000 http://mescla.cc/?p=7484 No coração do mês conhecido como o mais longo do ano, o 46º Festival de Cinema de Gramado colocou nos holofotes do cinema nacional produções locais e independentes. Um dos filmes que integrou a seleta lista de curtas gaúchos exibidos no evento, foi “Abismo”, de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da […]

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No coração do mês conhecido como o mais longo do ano, o 46º Festival de Cinema de Gramado colocou nos holofotes do cinema nacional produções locais e independentes. Um dos filmes que integrou a seleta lista de curtas gaúchos exibidos no evento, foi “Abismo”, de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos.  Além de conquistar um espaço no Palácio dos Festivais, ele subiu o tapete vermelho para levar para casa o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som.   

Para entender a relação entre Lucas, a publicidade e o cinema é preciso rebobinar a história para antes mesmo da sua graduação em Realização Audiovisual na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA Canoas). Ele começou a cultivar a paixão por produções cinematográficas na infância, quando dedicava as férias escolares às fitas VHS locadas. Seu gênero favorito, o terror, seguiu com ele durante a graduação, inspirando seus dois primeiros filmes, de horror.   

 

Lucas Reis com o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som, vencido por Guilherme Cássio | Fotos: arquivo pessoal

 

Mas antes se tornar um realizador audiovisual, com direito a prêmio em festival, Lucas passou pelo sonho de ser ator. “Quando eu fiz cursos de atuação para a TV, eu comecei a ver que eu não era tão bom quanto imaginava. Então eu comecei a me envolver com o cinema de maneira profissional. Comecei a comprar livros para entender mais como funcionam as funções e fui me convencendo cada vez mais de que era isso que eu queria fazer”, conta.  

Com o diploma em mãos, deparou-se com um mercado de trabalho não consolidado, e apostou em uma nova graduação. Desta vez, em Publicidade e Propaganda. “Quem trabalha no mercado audiovisual nacional, se desdobra em muitos para trabalhar em todas as sessões.  É difícil você viver somente de cinema, então você acaba fazendo publicidade, que é o que se produz no mercado brasileiro, e acaba tendo essa troca do cinema e da publicidade muito forte com a galera que trabalha com produção audiovisual no rio grande do sul. 

 

“A publicidade é um campo que eu não tinha conhecimento, de como funciona o texto, o atendimento, o processo de pensar uma estratégia. Então o bônus é isso. Eu gosto da publicidade, não é um curso que eu escolhi por acaso, era um curso que eu realmente tinha interesse, então eu acho bacana por isso, são novas visões que acabam me agregando muito. ”

 

“Muitos cineastas têm formação de publicidade, porque em muitos lugares não existem cursos de cinema, então isso é bem entrelaçado, uma acaba andando do lado do outro”, comenta Lucas.   Ele ainda acredita que, de um modo geral, principalmente do Brasil, as áreas de comunicação andam juntas, o que acaba formando multiprofissionais, com capacidades de realizar diversas funções.  

Um áudio e os pesadelos da noite passada 

Foi por ver a publicidade e o cinema lado a lado que o desejo de continuar a produzir seguiu movendo-o. E, se muitos pensam que ele deixaria o cinema na estante para dedicar-se a nova graduação, Lucas provou o contrário. Neste ano, a paixão pela sétima arte virou produção: “Abismo”. O curta abraça um desejo já antigo dele: trabalhar com um estilo inspirado em seus diretores favoritos e falar sobre um assunto realista e político. E conseguiu. “Abismo” trata de uma questão social muito presente no Brasil, a violência contra a mulher.  

 

 

Para tratar de um assunto delicado, Lucas contou com a ajuda e opiniões de colegas, além de ter 50% da equipe composta por mulheres. “Como sou homem, não me senti, no início, preparado para falar desse assunto, já que eu nunca sofri nenhuma violência. Mas quando eu escrevi meu argumento, conversei com algumas amigas sobre o que elas achavam. Elas gostaram muito e me incentivaram a fazer, falando ser um tema super relevante, o que me deu confiança para escrever o roteiro”, conta.  

Mas nem só com feedback positivos e câmeras nos sets de filmagens se faz um filme, pelo contrário. Com orçamento limitado, cerca de R$1500, a realidade de uma produção independente mostrou-se complicada para o realizador. Com uma equipe reduzida, formada principalmente por amigos e ex-colegas do curso de Cinema, Lucas teve que se desdobrar para cumprir as diversas funções acumuladas (direção, roteiro, montagem e edição e produção executiva), além de acompanhar todos os processos envolvidos nas filmagens.

 

 

“É difícil você gastar todo o seu salário em um filme que você não sabe o que vai receber, não sabe se vai ser um bom filme. É uma aposta no futuro. “Abismo” foi um filme que acabou compensando esse trabalho: foi selecionado para o Festival de Cinema de Gramado e ganhamos um prêmio. Ele ainda está no início da jornada, tem um ano inteiro pela frente para festivais, mas o esforço já valeu a pena”, conta.  

 

 

Além e acreditar na ideia, cultivar o desejo pela realização audiovisual e apostar tudo na produção de um novo filme – apostar, inclusive, o salário inteiro nisso – o realizador precisa de uma equipe que acredite, tanto quanto ele, no trabalho. E disso Lucas sabe bem. “Quando um realizador faz um filme independente, as pessoas não estão recebendo, elas ajudam porque elas têm um carinho por você porque é um projeto que elas apostam também”, conta.

 

“Não é uma coisa que muda a minha vida (o festival) radicalmente, mas que é uma alegria estar participando disso, você vê que está no caminho certo. Vamos continuar tendo todo esse estresse, nos preocupando com essas questões. A persistência acaba fazendo isso valer a pena.”

 

Subir no palco de um dos principais festivais de cinema do país, ainda mais para buscar uma premiação, foi um momento único. “É algo que é extremamente gratificante, mas é cansativo e estressante também. Eu torcia muito para que fosse para Gramado, mas não contava muito com isso, porque os filmes lá são muito bons, com dinheiro e grandes atores. E a gente chegou lá e conquistamos um prêmio”, lembra. 

 

 

Apesar do roteiro parecer, realmente, de cinema, a história não termina no Palácio dos Festivais e Gramado, cidade conhecida pelos encantamentos do Natal, foi mais uma cena na vida do realizador. “Cinema é minha vida, então o meu desejo é ser um realizador profissional. Já estou entrando nesse universo da produção audiovisual, concorrendo com grandes profissionais da área, meu desejo é continuar nesse universo crescendo cada vez mais. Eu espero que eu consiga seguir essa linha crescente trabalhando com o que eu realmente amo fazer”, conta Lucas.  

 

Lucas Reis e Guilherme Cassio, responsável pela edição de som

Equipe completa:  Wagner Costa, Laura Hickmann, Caroline Genro, Luiz Gonzalez, Jéssica da Silva Alves, Renata Rezende, Nicole Persé, Guilherme Cássio, Gabi Kopp, João Henrique Mattos, Augusto Cruz, Eduardo Reis, Diovany Coutt, Sérgio Albeche, Felipe Oliveira dos Santos, Mayra Silva 

 

“Eu gostaria de fazer um agradecimento especial a todas as pessoas que tornaram esse filme possível e dizer o meu mais sincero muito obrigado, mesmo, porque foi uma experiência maravilhosa para mim e que eu gosto muito de todos vocês.”

 

O filme ainda não está disponível por estar circulando por festivais, mas o trailer pode ser visto aqui: 

https://vimeo.com/282756014

FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro: Lucas Reis
Elenco: Laura Hickmann, Caroline Genro e Luiz Gonzalez
Direção de Fotografia: Wagner Costa
Montagem e Edição: Lucas Reis
Produção Executiva: Lucas Reis e Wagner Costa
Produção: Nicole Persé
Assistente de Direção: Renata Rezende
Assistente de Camera: Eduardo Reis
Assistente de Set: Diovany Coutt, Sérgio Albeche e Felipe Oliveira dos Santos
Making Off: Mayra Silva
Direção de Arte e Figurino: Gabriela Kopp
Som Direto: Augusto Cruz e João Henrique Mattos
Edição de som e Mixagem: Guilherme Cássio

 

 

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