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]]>Lisiane Cohen e Crystom Rodrigues apresentaram a edição TEDx Unisinos Salon Criatividade, evento que foi voltado para os alunos da Escola da Indústria Criativa (Foto: Marcos Pereira Feijão)
As “talks”, como são chamadas as palestras, foram direcionadas aos alunos e professores da Escola da Indústria Criativa (EIC). A curadoria do evento foi realizada em conjunto com o Conselho da EIC, com o objetivo de possibilitar uma abordagem ampla do tema “criatividade”. Os convidados (speakers) tinham 10 minutos para falar sobre as suas visões de o que é ser criativo e contar as suas experiências e desafios na indústria criativa.
Graduada em Artes Visuais e Gestão Cultural, especialista em Museografia e Patrimônio Cultural, e coordenadora do Programa RS Criativo, da Secretaria Estadual da Cultura, Carol Biberg foi a responsável por abrir as talks. Ela falou sobre a economia criativa, ressaltando a sua diversidade e importância para o mercado de trabalho, tanto em nível estadual quanto em nível global.
Carol Biberg: “A gente tem a possibilidade de mudar vidas e transformar realidades” (Foto: Luísa Bell)
Ela também trouxe exemplos de projetos criativos que geram fontes de renda e acesso à cultura no Rio Grande do Sul, como o “Cozinha Campeira”, em Mostardas, o “Redeiras”, de Pelotas, e o projeto “Vila Elizabeth”, em Porto Alegre.
Por fim, Carol terminou a sua fala convidando todos os presentes a fazerem parte do desenvolvimento da criatividade em prol do desenvolvimento social.
O segundo speaker da noite foi PC Dias, mestrando em Design, sócio e head de criação e estratégia da Eyxo Content Co. Ele começou a sua apresentação trazendo para a plateia uma pergunta: “Quem aí já teve um líder babaca?”. PC Dias abordou, então, sobre a questão do ego, de como ele é, na maioria das vezes, a principal causa de um “líder babaca”.
PC Dias: “A criatividade é a busca eterna pela quebra de padrões” (Foto: Luísa Bell)
PC Dias deu dicas de como ser um líder bacana, como, por exemplo, não tentar ser uma “estrela” e não criar “clones”. “Você não é um plano a ser replicado”, destacou.
Ele também trouxe dados do Fórum Econômico Mundial para demonstrar como os profissionais criativos são necessários, e como a criatividade, na maioria das vezes, é erroneamente deixada de lado na etapa de tomada de decisão.
Bacharel em Moda, stylist, figurinista, diretora criativa, produtora executiva de moda e elenco e representatividade no meio da moda, a terceira speaker da noite, Desiree do Valle, foi egressa da Unisinos. Ela aproveitou o espaço para compartilhar com a plateia a trajetória da sua carreira, desde quando entrou para a faculdade, em 2016, até a criação da sua agência de moda, a Black Barbie Agency.
Mulher negra periférica, criada de uma forma muito humilde pela mãe, que sempre a incentivou estudar muito, Desiree disse ter crescido acreditando que espaços como o do TEDx Unisinos Salon não pertenciam a ela, mas acreditava muito que, com a educação como ferramenta, poderia transformar sua vida.
Entre os assuntos de sua fala, Desiree do Valle destacou o tema do seu TCC, “Afro Turismo Pertencimento Feminino na Moda”, movimento que busca ressignificar histórias de pessoas negras marginalizadas para um futuro em que elas podem contar as suas próprias histórias (Foto: Luísa Bell)
Desiree relatou que sempre levou pautas raciais para dentro da sala de aula, e contou que foi ao longo da graduação que se descobriu e entendeu o que realmente queria fazer. Foi durante esse período em que ela criou o editorial de moda “Black Barbie” (que hoje em dia é a sua marca), portando apenas uma mala de mão cheia de roupas suas – a ajuda de amigos. A ideia principal era resgatar memórias efetivas da sua infância.
“Na época, eu não imaginava nem um pouco aonde isso ia me levar, mas o editorial acabou impactando muitas pessoas nas mídias digitais, que compartilharam. Recebi muitas mensagens de meninas negras que se identificaram com essa imagem também”, destacou Desiree, que relata sempre ter tido o desejo de se ver nesses lugares.
A stylist terminou a sua fala reforçando o quão importante é se sentir representado e pertencente. “Eu estou aqui para provar para vocês que sei que, hoje em dia, posso pertencer a qualquer lugar que quiser, e que narrativas podem ser contadas de outras formas por pessoas de diferentes lugares”, ressaltou.
Graduado em Publicidade e Propaganda e cursando mestrado em Gestão e Negócios, Kim Trieweiler também é egresso da Unisinos, e trabalha com estudos de “futuros”, para ajudar empresas a entenderem como navegar na complexidade.
Foi exatamente sobre isso que Kim abordou em sua talk: o futuro da criatividade. “Nós devoramos o futuro ou é o futuro que nos devora?”, questionou. Para ele, absorver movimentos e ideias na arte é ter a capacidade de criar futuros alternativos.
Kim Trieweiler: “Devoremos o futuro, para criarmos futuros alternativos”, disse o speaker, citando frase do filósofo Bayo Akomalafo (Foto: Marcos Pereira Feijão)
Para explicar a ideia de que existem lugares onde as tendências se difundem, Kim citou uma frase do escritor de ficção-científica William Gibson, que disse ser muito usada por quem trabalha com estudos de futuros: “O futuro já está aqui, só não está muito bem distribuído”.
Para Kim, precisamos olhar para essa frase com um olhar crítico, pois a ideia de que tem lugares que acumulam mais futuro do que outros é real. “Existe uma única linha do tempo que nos divide, uma linha entre nós (sul global) e eles (norte global), que nos divide em presente e futuro”, ressaltou.
O speaker apontou que nós temos a tendência de só olhar para os grandes projetos, como, por exemplo, os nano robôs, considerados um grande avanço da medicina. Mas, no Brasil, já existem projetos futuristas e que são pouco conhecidos, como o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimaduras.
Dessa forma, Kim terminou a sua fala convidando o público a olhar o futuro como um cone, e não como uma linha reta. “Existem várias possibilidades, várias linhas alternativas que podem ser utilizadas por nós”, destacou.
A dupla de diretores e roteiristas de reconhecimento nacional e internacional Filipe Matzembacher e Marcio Reolon ficaram responsáveis por fechar a rodada de talks.
Eles tratam em seus trabalhos temas universais e contemporâneos, como, por exemplo, a representatividade LGBTQIAPN+, ao fazer cinema queer, através de narrativas envolventes, estéticas refinadas e uma forte direção de atores.
Filipe Matzembacher e Marcio Reolon: ““A gente usa a paixão do outro como motor para a criatividade e para o resultado que a gente vê no final” (Foto: Luísa Bell)
Filipe e Marcio, que trabalham juntos há 15 anos, utilizaram o palco do TEDx Unisinos Salon para falar sobre cinema, arte e como é desenvolver um processo criativo em dupla.
Para eles, trabalhar em dupla é poder contar um com o outro. Um dos pontos mais importantes, segundo destacaram, é saber administrar as diferenças de cada um e se inspirar um no outro. Filipe disse que a criatividade, no seu conceito mais amplo, vem de um trabalho em equipe com o seu parceiro. “A gente usa a paixão do outro como motor para a criatividade e para o resultado que a gente vê no final”.
Marcio também reforçou a importância de investir em tempo: “É preciso ter tempo para se dedicar em criar uma ligação especial, pois parcerias criativas dificilmente surgem magicamente da noite para o dia”.
Para encerrar a noite de muita troca e aprendizagem, o evento contou com a apresentação da cantora, compositora, produtora musical e cultural Pietra Keiber , que vem se destacando na cena artística do país. Pietra dedicou o show para a sua avó, que está passando por um momento difícil de saúde.
Pietra Keiber disse esperar que a sua mensagem chegue nas pessoas e que ela se converta em ações mais amorosas das pessoas umas com as outras (Foto: Luísa Bell)
Com um repertório recheado de músicas autorais que falam de diferentes tipos de amor, em uma pegada MPB e rock, a artista, que utiliza da sua arte como forma de expressão e reflexão, cativou os corações do público presente no Teatro Unisinos.
Não conseguiu acompanhar o evento no dia? Fica tranquilo, pois em breve serão publicadas todas as talks no YouTube do TEDx Unisinos e no site oficial do TEDX.
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]]>Desta vez, as “talks”, como são chamadas as apresentações dos convidados, serão direcionadas aos alunos da Escola da Indústria Criativa. A curadoria do evento foi realizada pelo Conselho da Escola, com o objetivo de possibilitar uma abordagem ampla do tema “criatividade”.
Áreas como comunicação, design, moda e artes serão contempladas nas palavras dos palestrantes – os speakers –, e também por meio da atração cultural, que ficará por conta de Pietra Keiber. Cantora, compositora, produtora musical e cultural, Pietra tem se destacado na cena artística em todo o país.
Farão parte do TEDx Unisinos Salon Criatividade os seguintes speakers:

Todas as palestras estarão disponíveis no Youtube. Para assistir os vídeos, você pode acessar o canal TEDx Talks no Youtube, ou acessar o canal “TEDxUnisinos”. (Imagem: arquivo pessoal)
Gratuito, o evento é exclusivo para os estudantes da Indústria Criativa da Unisinos. Para aqueles que desejam participar presencialmente, é preciso se inscrever neste site. Os alunos com aula no campus de São Leopoldo e do EaD poderão assistir por meio da transmissão ao vivo, em aula, com seus professores.
O TEDx Unisinos Salon Criatividade será realizado no Teatro Unisinos, no campus da Universidade em Porto Alegre (Av. Nilo Peçanha, 1600 – Boa Vista).
TED é uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de promover ideias. Sobre um palco, cada palestrante (speaker) tem 20 minutos para expor suas experiências profissionais ou de vida. TEDx é um programa do TED, em que são realizados eventos locais, voluntários e de organização independente. A primeira edição do TEDx Unisinos ocorreu em 2011. Desde então, é organizada uma conferência por ano, além de edições do TEDx Unisinos Salon (formato menor, mais intimista e com tema mais focado).
Confira mais informações em https://www.ted.com.
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]]>The post <strong>Revolução digital: como a Inteligência Artificial está transformando a Indústria Criativa</strong> appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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Nas últimas semanas, o avanço frenético no desenvolvimento das Inteligências Artificiais resultou em imagens e cenários intrigantes, como a polêmica foto do Papa Francisco em um vestuário que normalmente não associamos a um líder religioso; ou, então, o surgimento de apresentadoras de telejornais totalmente geradas através da IA. Isso causa sérias dúvidas sobre quais são os reflexos dessas tecnologias na sociedade, e se elas realmente representam progresso. A verdade é que respostas para essas questões ainda não existem. Talvez por essa mesma razão, uma série de empresas de tecnologia e personalidades, incluindo o controverso bilionário Elon Musk, tenham assinado uma carta aberta à Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo uma pausa no desenvolvimento da Inteligência Artificial.
Esse movimento, no entanto, parece contraditório, uma vez que grande parte desse núcleo de companhias e investidores é responsável pelo financiamento desses avanços tecnológicos. Por isso, para tentarmos entender a complexidade desse cenário tão novo, repleto de perguntas – muitas delas até então retóricas –, precisamos compreender o que de fato são as Inteligências Artificiais.
Decifrando a Inteligência Artificial – o que é isso?
Muito ainda se discute sobre o conceito de Inteligência Artificial, se ela é uma ferramenta que pensa como o ser humano ou que apenas atua como tal. Contudo, ao contrário do que parece, apesar das recentes discussões, essa tecnologia vem sendo desenvolvida há mais de 50 anos. Quem aí conhece o caso do enxadrista Garry Kasparov, que foi derrotado por um computador em uma partida de xadrez? O memorável supercomputador da IBM, Deep Blue, é só um dos tipos de Inteligência Artificial que foram desenvolvidos ao longo dos anos. De modo geral, a IA é classificada em três tipos: Inteligência Artificial Limitada, Inteligência Artificial Geral e, por fim, Superinteligência Artificial.
A primeira delas, a Limitada, diz respeito a um tipo de IA que não se molda aos requisitos de determinado sistema. Sua função é focar e dedicar-se em uma única tarefa complexa. Dentro da IA Limitada, existem duas subcategorias: máquinas reativas e memória limitada. O supercomputador que venceu o campão de xadrez é um exemplo de máquina reativa. E, no nosso dia a dia, os melhores exemplos de IA de memória limitada são os assistentes virtuais, como Alexa e Siri, ou até mesmo serviços de streaming, uma vez que armazenam mais informações do que as máquinas reativas, conseguindo, assim, gerar um banco de dados a partir do histórico de interação com o usuário.
O segundo tipo de IA, a Geral, é considerado mais potente. Isso porque tem a capacidade de pensar e aprender. Dessa forma, consegue se adaptar a diferentes cenários, e isso faz com que exerça uma atividade muito próxima a da mente humana.
E, por fim, o terceiro tipo de Inteligência Artificial – a superinteligência – é a mais “completa” de todas. Esse tipo de tecnologia, que estamos vendo ser desenvolvida desenfreadamente, pode replicar e até superar a inteligência humana por ser um sistema de alto rendimento. Esse é o tipo de tecnologia retratado em “O Exterminador do Futuro”, de 1984..
A Inteligência Artificial é o fim das artes ?
Sempre que uma inovação tecnológica surge, levantam-se inúmeros receios e pensamentos apocalíticos sobre qual será o seu impacto na humanidade. “As máquinas vão substituir o homem? Minha profissão vai deixar de existir? Até quando ainda teremos controle sobre as máquinas?” São essas algumas das principais perguntas que norteiam esse temor. E, como a Inteligência Artificial está reconfigurando cada vez mais diferentes áreas, com o campo artístico não seria diferente.
Contudo, enquanto alguns veem a IA como uma ameaça à originalidade e autenticidade da arte, outros argumentam que a tecnologia pode ampliar e potencializar a criatividade humana, oferecendo novas possibilidades para a expressão artística. “Vejo a utilização da Inteligência Artificial em projetos de artes visuais como parte do processo. Todo artista possui seu método de trabalho, algo que não é estático e está sempre em transformação, por isso, percebo as IAs como ferramentas de auxílio nesse desenvolvimento”, diz o pesquisador e designer UX Carlos Donaduzzi.

Carlos é mestre e doutor em artes visuais, e está em dois Grupos de Pesquisa (GP) com foco em arte e tecnologia nas áreas de fotografia e vídeo: GP Processos Híbridos na Arte Contemporânea, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e GP Arte e Tecnologia, do laboratório de pesquisa Labart, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Quando falamos da relação entre arte e IA, questões sobre a propriedade intelectual são imediatamente levantadas, uma vez que é difícil definir quem é o criador da obra gerada por uma máquina. Em março, o artista alemão Boris Eldagsen inaugurou uma grande polêmica ao vencer o Sony World Photography Awards, na categoria Melhor Fotografia. Detalhe: a obra foi gerada inteiramente através de Inteligência Artificial.

Boris foi acusado de ter “mentido deliberadamente”. As críticas pesaram e, mesmo alegando ter se mantido transparente sobre a origem da fotografia, o artista acabou recusando o prêmio. Mas por que o choque, já que – segundo ele – o processo de produção da foto nunca foi escondido? Em entrevista ao The Guardian, os organizadores do prêmio disseram que, no momento de submeter a obra, o artista a registrou como uma produção construída com auxílio da IA, e não gerada inteiramente por ela. E, segundo as regras da competição, a categoria Criativa aceita diferentes abordagens experimentais para a criação de imagens, desde cianótipos e radiografias até práticas digitais avançadas. “Após nossa correspondência com Boris e as garantias de que ele forneceu, sentimos que sua inscrição preenchia os critérios para essa categoria e apoiamos sua participação”, afirmaram ao jornal britânico.
O debate acerca dos direitos autorais de uma obra é complexo, segundo o designer Carlos Donaduzzi. “Ela ou isso é a autora das obras? Ou a equipe que desenvolveu o projeto é que deve levar os créditos? Me parece que é algo muito mais coletivo do que individual, assim como qualquer imagem gerada por alguma plataforma ou app”, indaga Carlos ao usar a AI-DA – primeiro robô artista com feições humanas a ser desenvolvido –, para exemplificar a discussão.

AI-DA cria pinturas e esculturas através de ferramentas como câmeras instaladas em seus olhos, seus braços robóticos, e, é claro, os algoritmos. E se modelos como ela se difundissem, e se os mecanismos da IA se tornassem cada vez mais autossuficientes, que espaços sobram para a originalidade e os processos criativos?
Para o pesquisador, o que o artista ser humano produz não pode ser necessariamente dito como original. “Muitas vezes, essa produção é um remontar de referências e pequenas cópias (o que eu acredito que não diminui a importância de um trabalho em arte). E o que as IAs fazem é quase a mesma coisa, porém de maneira automatizada”, acrescenta.
Nesse mesmo sentido, o professor da Escola de Humanidades da Unisinos Celso Cândido Azambuja, que ministra várias disciplinas sobre ética, retoma o princípio do debate sobre o que de fato é ser original e autônomo: “Não existe um indivíduo apartado da sociedade. Então, todas as decisões que tomamos foram anteriormente mediadas por livros que lemos, por influência familiar, formação acadêmica, entre outros. Ou seja, a nossa decisão ´autônoma´ é sempre mediada por relações que construímos ao longo da vida”, explica.
Um exemplo de como a parceria entre homem e máquina pode dar (muito) certo é o da marca brasiliense Airtificial. Fundada pelos designers Igor Borges, Max Rocha e Pedro Hermano, a fashion label fez seu primeiro lançamento em janeiro deste ano. Desde o começo, o desejo dos artistas era contar histórias que conectassem tecnologia e natureza em cenários alternativos dentro de uma estética futurista. Como uma série de livros, o storytelling da Airtificial consiste em apresentar ao público um novo capítulo da história a cada coleção lançada.

“Não precisamos mais de uma superprodução ou superlocação para conseguir um produto bom”, explica Pedro. Mesmo com uma bagagem extensa em fotografia, os designers viram na Inteligência Artificial um “motor para o seu negócio”, especialmente por serem uma marca muito nova e pequena dentro de uma indústria que exige produção diariamente.
Se a forma de se produzir arte está em constante transformação, a maneira como a consumimos também não estaria? “Estamos no meio da onda e não sabemos para onde ela vai. Há menos de um ano, pessoas do mundo da arte achavam que as NFTs (token não fungível – tradução literal da sigla em inglês non-fungible token –, que funciona como um certificado de autenticidade digital e que não pode ser copiado ou replicado) iriam revolucionar a maneira de produzir, expor e vender arte, mas passado esse período, quase ninguém mais fala sobre isso”, acredita Carlos Donaduzzi.
Ética e transparência: pilares fundamentais para o uso da IA
Dentro dessa discussão entre direitos autorais, autenticidade e processos criativos, é extremamente importante reforçar os compromissos éticos que a Inteligência Artificial assume – ou pelo menos deveria assumir – ao produzir e reproduzir conteúdo. Como a foto manipulada do Papa Francisco, mencionada no início da reportagem, ou então a proliferação dos deep fakes, a credibilidade daquilo que vemos na internet é cada vez mais questionável, e, assim, expressões populares como “uma foto vale mais que mil palavras” perdem a validade e tornam-se vagas.

A fotografia como documento é uma discussão extensa e cada vez mais ampla. “Já vimos casos recentes no Brasil onde pessoas foram presas injustamente após serem ‘reconhecidas’ em fotos de banco de dados policiais”, relembra Carlos. Além disso, a disseminação de fakes e desinformação apoiadas em imagens mostram que as pessoas podem ser facilmente manipuladas e que acabam por acreditar naquilo que é conveniente. “As imagens do Papa geradas por IA ativaram outro alerta. E, possivelmente, uma saída para essa falta de confiabilidade seja cobrar as próprias empresas que fornecem esse serviço de gerar imagens uma opção de checagem”, complementa o designer.
Para a jornalista Iara Lemos, especialista em relações governamentais, direitos humanos, política e Inteligência Artificial, a maior urgência para o equilíbrio e uso sensato das IAs é uma regulamentação pensada e aplicada pelo governo. Em seu recente artigo publicado sobre as discussões acerca da IA, Iara diz que “o Brasil ainda está tão atrasado no que diz respeito ao uso da Inteligência Artificial, que nem mesmo há legislação que traga balizas ao tema”.

Nesta semana, a votação para o projeto de lei das fake news na Câmara de Deputados foi adiada novamente. O objetivo do PL 2630/20 – como foi registrado – é estabelecer normas relativas à transparência de redes sociais e de serviços de mensagens, sobretudo no que diz respeito à responsabilidade dos provedores, como o Google, por exemplo, pelo combate à desinformação, bem como estabelecer sanções para o descumprimento da lei. De acordo com Iara, esse é o início de uma ramificação extremamente necessária para que a Inteligência Artificial no Brasil seja regulamentada.
“Temos também o Marco da Inteligência Artificial, que igualmente está engavetado há mais de um ano”, salienta a jornalista. De maneira geral, a proposta do marco estabelece que o uso da IA fundamenta-se no respeito aos direitos humanos e aos valores democráticos, a igualdade, a não discriminação, a pluralidade, a livre iniciativa e a privacidade de dados.
A aprovação do PL citado acima tem causado também grandes discussões acerca do futuro do jornalismo. Entre um boato e outro, criou-se a ideia de que o Projeto de Lei contribuiria para a censura, o que não é verdade. A própria Associação Brasileira de Imprensa entende o PL como um “importante instrumento no combate à desinformação”.
No que diz respeito ao futuro do jornalismo na era da Inteligência Artificial, Iara entende que o profissional precisa ser amplo e, mais do que nunca, saber trabalhar com análise de dados. “A IA não vai acabar com o jornalismo, assim como não vai acabar com a medicina. Não vai ser um robô que realizará cirurgias, ainda que esteja a máquina atuando ali. Ela depende de uma inteligência humana para que o trabalho possa ser realizado”, complementa.
As proporções que a Inteligência Artificial está tomando – e ainda tomará – já estão remodelando a Indústria Criativa. Apesar do desenvolvimento constante nos apresentar cenários inusitados, já conseguimos presumir alguns de seus impactos. Lutar contra o avanço dessas tecnologias é inútil, é perder tempo, isso porque é impossível interromper pesquisas e investimentos para manter-se estagnado.
O maior desafio que essa e as próximas gerações terão que encarar é estimular e desenvolver habilidades essencialmente humanas, comportamentais, e, claro, estimular cada vez mais o seu senso crítico. Seja na moda, no design, na música, literatura ou no jornalismo, a IA estará presente, isso é um fato. O que precisamos é estar abertos às novas formas de sermos criativos.
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