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Egressa do curso de jornalismo de Porto Alegre, Gabriela Gonçalves é uma das responsáveis pela empresa Amazing Studio, que mantém com duas sócias. Na conversa que teve com o Mescla por videochamada contou como se apaixonou pelo mundo do design, apesar de sempre ter gostado de escrever. Foi na agência de publicidade que trabalhava, que ela conheceu as amigas – e agora sócias – Nicole Werllang – diplomada em design estratégico e Naiara Giotto que é designer gráfica. As três tinham um sonho em comum: montar a própria empresa para fazer as coisas do jeito delas, “diferente e inovador”, explicou .
“Gostava de Rádio e TV, porém não era algo que eu queria fazer todos os dias. Claro que não sei mexer nos softwares de design, mas tenho um olhar apurado, crítico, que considero valioso e é um diferencial”, reflete a jornalista.
Gabriela diz que a inauguração da Amazing foi em 2017 mesmo, ano em que se formou. Antes disso, trabalhou com endomarketing, revistas e em outros setores da comunicação. Ela afirma que chegou a ter dois empregos, um com carteira assinada e o outro de empreendedora, porém a rotina começou a ficar bem cansativa, já que durante o dia ela se dedicava à produção de conteúdo e à noite no seu projeto pessoal: “Isso durou cerca de 6 meses até eu sair e me dedicar inteiramente à nossa empresa”, revela.

Segundo ela, ser mulher e estar no ramo como empreendedora é um desafio: “a gente se cobra mais, ganha menos e isso é comprovado nas pesquisas. A gente trabalha mais e somos muito autocríticas”, fala.
Apesar desses desafios, Gabriela sente-se realizada e celebra as pequenas conquistas que as três tiveram ao longo desses anos, como quando contrataram a primeira funcionária, por exemplo.
No início quando a Amazing foi criada, Gabriela diz que elas trabalhavam no quarto da amiga Nicole e depois expandiram para os fundos da casa dela até conseguirem ter o próprio escritório no Bairro Petrópolis em Porto Alegre. Hoje, as sócias contam com uma equipe maior de dois jornalistas, vários freelancers, uma publicitária, 3 designers e diversos parceiros. O propósito deles é unir o jornalismo com o design para que as marcas conversem com o público além do comercial e exponham sua essência com o consumidor.
O primeiro cliente que as meninas conseguiram foi a Leiteria 639 que é uma cafeteria, confeitaria, servem drinques, parrilla e possui um restaurante. O foco é cuidar das redes sociais, fazer o material impresso e o cardápio. O objetivo é transformar a empresa em uma marca amada pelos clientes
Alguns dos projetos que elas fizeram estão no site da firma. Um exemplo disso é o Poza Café localizado na Gonçalo de Carvalho, na qual as meninas realizaram todo o branding da empresa, idealizada através de conceitos de viagens com cardápios sazonais de vários países. Outro projeto em destaque é da consultoria financeira “SÓLIDO”, na qual a sócia Naiara criou uma fonte para a marca completamente nova, que fosse elegante, minimalistas e passasse a ideia de solidez.

O reconhecimento da Amazing, para Gabriela, é quando as pessoas reconhecem a qualidade do trabalho desenvolvido por elas através de indicações de clientes e conhecidos. “O sentimento é de gratidão e de certeza de que estamos no caminho certo”, explica.
Quanto ao nome, ela aborda que precisava de algo urgente, estavam sem tempo para pensar muito sobre: “Não foi algo testado, pesquisado, sabe? Então a gente escolheu AMAZING pois tem as letras A, M e Z que dá para fazer um logotipo bacana”, enuncia.
Gabriela vive atualmente em São Paulo, e trabalha em home office, vindo de vez em quando para Porto Alegre. Mas no momento, não prevê que a companhia tenha uma sede na capital Paulista.
As três sócias têm sede de desenvolvimento e aprendizado: “Queremos entregar projetos cada vez mais surpreendentes em termos de design e conteúdo e continuar com nosso serviço diferenciado com a expansão da equipe, tendo uma boa remuneração em comparação com o mercado”, assegura.

Hoje, a Amazing atua em Curitiba, Porto Alegre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de possuírem um cliente da Itália. Para o futuro? Gabriela e as sócias têm uma certeza, a de que querem seguir expandindo a empresa.
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Nesse sentido, segundo ela, é importante que se tenha um networking para ajudar a pensar qual a melhor mídia para aquele momento. “Embora pensemos que a maioria das pessoas têm acesso às tecnologias atuais, muitas delas realmente não têm esse conhecimento ou a obtenção desses recursos”, explica.

É preciso, antes, saber o que comunicar, entender tanto quem é o público como qual mensagem será passada. “Quanto mais opção tivermos, mais temos que pensar sobre. Hoje, não se tem mais desculpa, sempre haverá um meio de chegar no coletivo”, comenta Nadege, que ainda observa: “O excesso de informação pode ser um grande problema”.
A professora comenta que, no curso de Relações Públicas, há várias disciplinas que trabalham a questão das redes sociais, para que os alunos entendam os potenciais que essas mídias proporcionam para as organizações se comunicarem com seus públicos: “Nós (comunicadores) somos quase uma organização, por conta da profissão e da necessidade de se colocar no mercado de alguma forma”, diz. Para Nadege, é importante usar esses meios a favor da organização e de si mesmo.
Outra questão pontuada pela professora é a preferência atual pelo uso do WhatsApp como ferramenta para os contatos profissionais. “O e-mail ainda é relevante e tem o seu valor, mas é um meio que requer um esforço que precisa ser levado em conta. Ele é um canal mais formal. Apesar disso, nenhuma mídia substitui a outra”, avalia.
A supervisora de Relações Públicas da Agexcom, Cristiane Herold, concorda que tudo depende do trabalho que será desenvolvido: “Por exemplo, um convite para um evento aberto, em que se usam vários canais de divulgação: empresa, mídia, redes sociais etc. Para cada canal, deve haver uma comunicação diferente”, explica. “Na empresa, podemos fazer news, murais, reuniões para convite pessoal; para a mídia, é preciso entrar em contato com o veículo de imprensa para negociar a divulgação; já nas redes, devemos preparar outro tipo de material, além de levar em conta a questão da interação, em que terei que falar com as pessoas pelos comentários”, ensina a profissional.

Segundo Cristiane, muitas organizações têm um protocolo para ser seguido quando é necessário se comunicar com os públicos, tanto nas redes sociais como em outros meios. É necessário, antes de qualquer coisa, entender o que a pessoa está dizendo, para somente depois manifestar-se de acordo com as normas da instituição. “Muitas vezes, comunicadores saem respondendo qualquer coisa, de forma ríspida, sem ter autorização da empresa para tal ato, o que pode acabar denegrindo a imagem da corporação. É importante ter em mãos o código de ética e segui-lo. É preciso ter esse tipo de responsabilidade e cuidado”, observa.
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]]>Em entrevista ao Mescla, ele conta um pouco sobre a sua formação, os primeiros passos no mercado publicitário e o brilho nos olhos ao acompanhar a evolução dos alunos no curso e na vida. Esse bate-papo faz parte de uma série de conversas com profissionais que passaram por estes corredores antes de nós e ainda marcam as memórias dos 50 anos da Comunicação Unisinos. Você pode conferir neste link outras entrevistas publicadas.
Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Mescla – O que é a Indústria Criativa hoje?
José – Na minha época, o curso era um só: Comunicação Social. Havia uma vertente, em que tínhamos algumas disciplinas introdutórias das três áreas (PP, RP e Jornal), e mais algumas disciplinas comuns. Depois, cada aluno se direcionava a uma ênfase. A grande ênfase da Publicidade era a criatividade. A criatividade era uma palavra e uma atitude que estava no auge, na época. Valiam – e os clientes também aceitavam – os delírios dos criativos. Deixando de lado tudo que nós consideramos hoje, os nichos, o planejamento, a importância do briefing, a intenção mercadológica. Essa é a grande diferença que vejo em relação ao curso hoje: é muito mais científico, propõe uma série de conteúdos que vieram acompanhando o tempo e alguns ainda propondo cenários futuros.
Mescla – Uma disciplina que marcou a sua trajetória?
José – Todas (risos), mas fundamentalmente a antiga Expressão Gráfica, que foi atualizada e hoje é chamada de Representações Visuais, pelo fato de ser uma disciplina quase introdutória, ofertada no segundo ou terceiro semestre. É fantástico ver os rostinhos bem novinhos adquirindo a consciência de que a prática da comunicação publicitária integra também cultura, história, arte… e é uma linguagem. Quanto mais ela se diferenciar na argumentação, em termos de linguagem verbal e visual, mais ela vai atingir seus resultados. É uma disciplina que me motiva muito, os alunos terminam o semestre brilhando. É muito legal ver isso, me enche de orgulho.
Mescla – Um professor especial?
José – Jim Pompeo. Ele chegou a fazer parte da Agexcom. Foi ele o responsável pelo início da minha carreira profissional, nos anos em que trabalhei em agência. O Pompeo foi um ser humano maravilhoso. Fui monitor dele na época, durante uns quatro semestres. No segundo semestre, ele me convidou para trabalhar com ele em Porto Alegre. “Esteja lá antes das 8h”, ele disse, e às 7h30 eu estava parado no portão. Ele contou que gostava do meu traço, do meu jeito de lidar com as pessoas e tinha vaga no estúdio e na área de tráfego, que eu podia juntar as atividades. E eu só saí de lá para vir para a aula à noite, comecei a ir todos os dias. Foi meu grande mentor. Fui ficando, me formei, e ele continuava aqui, assumiu a coordenação do curso. Um ano depois de formado, ele avisou: “vai abrir concurso para a Unisinos, tu tens que te inscrever”. Fui aprovado e comecei. É um anjo da publicidade que está lá em cima nos olhando.
Mescla – Um amigo que o senhor fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
José – Vários, que permanecem até hoje. Sou padrinho dos filhos e de casamento de ex-alunos que se conheceram nas salas de aula. Mas uma colega que me acompanhou muito desde o início do curso é a Sônia Haas. Entramos juntos, fazíamos todos os trabalhos juntos. Ela entrou uns três ou quatro anos depois que eu já lecionava. Foi coordenadora do curso algumas vezes. Em função de relacionamento e outras coisas, ela se mudou para a Bahia, antes de 2005. Começou a dar aula na Federal. Hoje está aposentada, mora em uma daquelas praias, na Ilha de Itaparica, e a gente conversa, se visita… é também uma das minhas “ídolas”. É uma mulher que admiro muito.
Mescla – Um lugar especial na Uni?
José – O caramanchão, na Sede. Era um pergolado totalmente coberto de trepadeiras, vários bancos e um laguinho artificial lotado de peixes dourados. Ali, a gente se sentava para falar sobre a vida, para sonhar os nossos futuros, para fazer os trabalhos. É um lugar que me marcou muito durante a fase de estudante, em função da convivência e da intimidade que a gente tinha com as pessoas. Isso se tornou uma espécie de refúgio. A minha filha, quando pequena, chegou a conhecer. Adorava, eu ficava sentado vendo ela ver o laguinho e assim por diante. De vez em quando, ainda me vem à memória o velho caramanchão da Unisinos.
Mescla – Um acontecimento que lhe marcou no período?
José – Um encontro de ex-alunos em que, inclusive, houve uma participação bastante grande de ex-professores, o Pompeo já tinha partido. Foi um dia inteiro, nos reunimos na Sede, a partir de pequenos encontros. A [professora] Luiza Carravetta começou a organizar, então nos reuníamos lá na Sede, primeiro com um grupo pequeno. As memórias foram voltando, os afetos foram sendo retomados, as lembranças… E resolvemos tentar um grande encontro. Foram mais de 70 pessoas que acabaram vindo nesse dia. Almoçamos, rimos, conversamos, alguns choraram. Alguns professores que estavam em São Paulo e vivos ainda, vieram. Foi muito legal. Se não estou esquecido, foi em 2011. Já dá para nos reunirmos de novo (risos).
Mescla – O que a graduação na Uni representou na sua vida?
José – Vida. A graduação não existe sem vocês. Vocês [estudantes] são tudo, a nova geração, o futuro. Vocês são inquietos, têm uma energia contagiante. É por isso que sempre que me perguntam qual o significado e o porquê de ainda continuar dando aula e orientando, eu digo que os alunos me dão vida, é uma troca de energia, de conhecimento e de experiência, tão rica e tão grande que acho que não deixa nenhum de nós, professores, parar no tempo. Nos motiva a sempre buscar mais. Também, esse prazer de estar lá, ver vocês se formando, a evolução do curso, o despertar de novos interesses. É vida.
Mescla – A quais livros, filmes e séries o senhor tem se dedicado recentemente?
José – A continuidade de Game of Thrones, claro, que está imperdível. Inclusive, reli os quatro volumes durante a pandemia. Terminei de assistir RuPaul’s Drag Race. Vi também Crônicas de São Francisco. Fiquei muito apaixonado por Coisa Mais Linda, uma série brasileira que se passa na década de 1950. O Tempo Entre Costuras, que é uma série espanhola que se passa durante a guerra civil, muito legal. Nos livros, voltei aos escritos do Jung, no sentido de retomar alguns conceitos em termos de arquétipos e assim por diante. Li algumas biografias de grandes designers, como o Saint Laurent, a própria Chanel… E, também, peguei um que fazia muito tempo que eu queria retomar: Teoria das Cores, do Goethe. Renovou meu conhecimento. E, claro, vi muitas outras coisas, li coisinhas curtas também, isso não dá para parar. Dancei muito quando a ansiedade batia. Colocava a Cher e pulava pela casa (risos).
Mescla – Por fim, assim como as memórias, a criatividade também se renova?
José – Com certeza. A gente está se renovando o tempo inteiro, a vida inteira. Tudo são novas referências, novos conhecimentos, novas curiosidades, novas buscas. Falei do livro do Goethe, a primeira vez que tive contato com ele foi na disciplina de Psicodinâmica das Cores, no meu tempo de graduação. Acho que já reli umas cinco ou seis vezes depois. E a gente sempre descobre coisas novas, porque a gente não é mais aquela pessoa, em termos de processo criativo – que nada mais é do que a forma que a gente vê o mundo. A gente enxerga o mundo como se permite. Nos permitimos enxergar o mundo com liberdade, aceitando tudo que ele tem para nos colocar, em termos de realidade e absorvendo essa realidade, ou carregados de preconceitos, não aceitando algumas coisas que estão aí, isso está relacionado com tudo. Só que o grande filtro são os nossos valores que foram crescendo e evoluindo, a partir daquela base que nos foi dada na infância e foi crescendo e florescendo. A criatividade vai se renovando, porque o mundo se renova, a vida se renova.
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“O maior desafio que qualquer jornalista enfrenta, independentemente da complexidade da pauta, é sobreviver dentro da profissão. Ser jornalista implica ter uma resiliência muito grande, muito mais do que atos heroicos, mas também saber levantar quando cair” – enfatiza Demétrio. O egresso ainda menciona as constantes transformações da profissão, e como as competências exigidas desses profissionais estão se relacionando com a necessidade de ter uma ampla visão do mundo.
Demétrio é jornalista, professor universitário, escritor, cicloturista e “aprendiz de surf”, e diz conseguir reunir todas essas versões de si mesmo através da comunicação. “Eu busco trazer aspectos da comunicação em um diálogo estreito com a minha vida. As coisas não se diferenciam, não se distinguem. Quando faço uma viagem de bicicleta, por exemplo, registro minha experiência através de livros, documentários ou da ambientação nas minhas redes sociais.” – acrescenta.

Ao longo desses 50 anos de Comunicação da Unisinos, Demétrio fez parte dessa história não apenas como professor, mas também como aluno. O egresso concluiu sua graduação em Jornalismo em 1989 e compartilhou com a equipe do Mescla algumas de suas lembranças.
Confira a entrevista:
Mescla- Uma disciplina que te marcou no curso de Comunicação da Unisinos:
Demétrio- “Lembro que, certa vez, o professor Sérgio Farina pediu para que nós, seus alunos, escrevêssemos, em aula, creio, uma notícia, ou algo que o valha. O nome da disciplina me foge, mas, no lugar de um texto objetivo com dois ou três parágrafos, escrito do mais importante para o menos importante, entreguei ao professor uma crônica francamente inspirada em Kafka; no lugar de insetos, no entanto, falei em roedores. Sabia que havia feito bobagem e me preparei para o zero. Na semana seguinte, ao receber o texto corrigido, uma observação, ao fim do texto, me fez perceber a grandeza do professor que estava à minha frente: ‘Demonstras pendores literários; continue’. Jamais esqueci disso”.
Mescla- Um professor especial?
Demétrio- “Sérgio Farina”.
Mescla- Um amigo que você fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
Demétrio- “Carlos Leite de Oliveira. Moramos e estudamos juntos. É meu amigo até hoje”.
Mescla- Um lugar especial na Unisinos?
Demétrio- “O matinho atrás do DCE”.
Mescla- Um acontecimento que te marcou no período?
Demétrio- “O Varal Literário que realizamos no saguão do Centro 3, quando a professora Rosane Adamy era a coordenadora do curso”.
Mescla- O que a graduação na Uni representou na sua vida?
Demétrio- “A graduação em jornalismo me habilitou para a profissão que exerci por 25 anos; dela, tirei meu sustento e criei dois filhos. Mas, também, serviu de base para todo meu processo de formação acadêmica superior – do mestrado ao pós-doutoramento. Ainda hoje, professor de jornalismo, valho-me do conhecimento adquirido desde a graduação para formar pessoas. Então, não é pouco o que se aprendeu nesse caminho”.
Mescla- Quais livros, filmes e séries você tem se dedicado recentemente?
Demétrio- “Leio muito, incansavelmente. Neste momento estou lendo “Escutar, dialogar e compreender: jornalismo em tempos de incertezas” (Appris, 2022), de Carolina Moura Klautau, e “Pensar Nagô” (Vozes, 2021), de Muniz Sodré. Filmes e séries escolho aleatoriamente, quando encontro tempo pra assistir tevê”.
Mescla- Por fim, que conselho tu darias para quem está dando seus primeiros passos na profissão?
Demétrio- “Leia muito, estude muito, inquiete-se muito. Sobretudo, resista. Jornalismo é resistência, sob todos os aspectos. Quem não desenvolve a capacidade de resistir, não sobrevive na profissão por muito tempo”.
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Assim como nas edições anteriores, a Semana de Imagem de Comunicação contará com convidados internacionais. Peter Krapp (Universidade da Califórnia Irvine) dá início a rodada de palestras programadas com o tópico “Seria a internet um museu da computação?” (Is the internet a museum of computing). Já no dia seguinte, Lori Emerson (Universidade do Colorado), integrará a mesa com o tema “Práticas situadas na arqueologia da mídia” (Situated practices in the media archaelogy).
Além desses convidados, farão parte do evento: Bruno Moreschi, que irá analisar as imagens que treinam máquinas e seus processos, com a palestra “Ver e praticar a visão computacional”; Julherme Pires e Analu Favretto com a exibição dos curtas-metragens “É assim que eu me lembro” e “Meu pai vestido de trabalhador” para falar sobre o processo que envolve desde a pesquisa até a produção do filme.
Como o encerramento do PPG reflete em um evento como esse
Recentemente, a Unisinos anunciou o encerramento de 12 Programas de Pós-Graduação, entre eles o PPG em Ciências da Comunicação. Dessa forma, a 20ª Semana da Imagem e Comunicação será a primeira edição desde essa decisão. Contudo, o professor do PPGCC da Universidade, que integra o grupo de pesquisa TCAv, o Dr. Gustavo Fischer, reitera o comprometimento com a Ciência.
“Independente das informações recentes, nosso entendimento é que o PPG está ativo, na medida em que estamos nos desenvolvendo, orientando nossos atuais alunos de mestrado e doutorado e, claro, realizando nossos eventos. Nosso compromisso é com a pesquisa, a formação e o compartilhamento do conhecimento (em especial com a graduação, como é tradição na Semana da Imagem), tudo está sempre em atualização, tanto na pesquisa como na vida” – acrescenta o professor.

Para conhecer um pouco mais sobre as pesquisas que estarão sendo apresentadas na semana que vem, o Mescla reproduz trechos de entrevistas feitas pelos alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação com alguns dos palestrantes que estarão presentes na 20ª edição do evento:
> Palestrante: Peter Krapp
> Discente que entrevistou: Camila de Ávila (doutoranda)
Peter Krapp busca saber se a história da computação pode ajudar na evolução da tecnologia e nos faz a seguinte provocação: “para que serve a história da computação?”. Krapp aponta que, ainda que a história da computação seja um campo de pesquisa bastante jovem, “a abordagem antiquada que ‘musealiza’ o legado dos dispositivos de computação é fascinante, mas os museus de computação são ainda mais jovens do que os estudos sistemáticos na história da computação, e colocar dispositivos antigos sob tampas de vidro protetoras pouco auxilia na compreensão das contribuições feitas ou das oportunidades esquecidas.”

> Palestrante: Lori Emerson
> Discente: Augusto Bozzetti (doutorando)
“Desde 2009, quando fundei o Laboratório de Arqueologia da Mídia (LAM), o laboratório ficou conhecido por desconstruir muitas suposições sobre o que os laboratórios deveriam ser ou fazer. Ao contrário de laboratórios que são estruturados hierarquicamente e dirigidos por uma pessoa com uma única visão, o LAM assume muitas formas: um arquivo para trabalhos originais de arte/literatura digital inicial com suas plataformas originais; um aparato através do qual passamos a compreender uma complexa história da mídia e as consequências dessa história; um local para intervenções artísticas, experimentos e projetos; um espaço flexível e fluido para estudantes e professores de várias disciplinas realizarem pesquisas baseadas na prática; um meio pelo qual os alunos de pós-graduação treinam de forma prática em áreas que vão desde humanidades digitais, estudos literários, estudos de mídia e estudos curatoriais até educação da comunidade”

> Palestrante: Bruno Moreschi
> Discente: Aline Corso (doutoranda)
Comentando sobre quais seriam as principais contribuições da Inteligência Artificial na mudança da nossa forma de ver e estudar as imagens, o pesquisador Bruno Moreschi afirma que “hoje não vivemos mais em um mundo apenas da reprodutibilidade técnica, mas também da padronização algorítmica. Isso pressupõe que o estudo da imagem é também o estudo de dados, de suas escalas e de possíveis metodologias para dar conta de ver essas imagens para além de seus discursos visuais mais aparentes. Isso não é pouca coisa.”

> Palestrante: Julherme Pires
> Discente: Priscila Boeira de Lima (mestranda)
“Participo da Semana da Imagem desde 2015, e sempre saio do evento muito animado e cheio de ideias. No ano passado, fiz uma participação como conferencista sobre a minha tese, o que me deixou bastante feliz pela valorização dos nossos trabalhos pelo programa. É um importante meio de comunicação do que fazemos na linha de pesquisa e um meio precioso de encontro entre a ciência e a graduação. Este ano, ao debatermos produtos audiovisuais que pensam entre outras coisas conceitos que estudamos, estaremos fazendo um movimento curioso de desdiscretização de nossos procedimentos de criação. Estou bastante curioso sobre como será essa dinâmica, o que virá dos espectadores.”

Serviço:
O que: 20ª Semana da Imagem de Comunicação
Promoção: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Escola da Indústria Criativa, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCC), Instituto de Cultura Digital e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos)
Mediador: Dr. Gustavo Fischer, Dr. João Ricardo Bittencourt, Dr. Tiago Ricciardi Correa Lopes
Público: destinado em especial à alunos de pós e de graduação, acadêmicos e demais interessados nos temas
Quando: de 7 a 10 de novembro, das 17h às 19h30
Formato: Online
Onde: Canal do TCAv no YouTube ou via Zoom
Zoom: Mesa 1 – Peter Krapp (07/11)
Mesa 2 – Lori Emerson (08/11)
Mesa 3 – Bruno Moreschi (09/11)
Mesa 4 – Julherme Pires e Analu Favretto. (10/11)
A tradução simultânea português-inglês e vice-versa está prevista apenas para os dois primeiros dias de evento apenas pelo YouTube. Para assistir no idioma original, basta acessar as reuniões através do Zoom.
Investimento: Gratuito
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Os destaques da entrevista estão disponíveis também na revista Fronteiras do Pensamento, encartada na edição deste sábado (16), no jornal Zero Hora.
Gustavo Borba – Em sua obra Smart, publicada em 2015, você afirmou que um fenômeno mainstream, muito popular em uma rede global e conectada, ainda não produzia uma conversa global significativa, pois a internet não teria limites, mas conta com múltiplas fronteiras. Com as novas tecnologias e as crises ideológicas que vivemos nos últimos cinco anos, você acha que alguma coisa mudou na sua conclusão?
Frédéric Martel – Talvez precisemos atualizar um pouco o que eu disse. Meu ponto de vista tanto em Mainstream quanto em Smart era o seguinte: existe uma tecnologia global, na qual todo mundo usa Facebook – exceto na China e talvez na Rússia e no Irã –, todo mundo está conectado à internet e compartilha algum conteúdo, da Beyoncé ao Ricky Martin. Então, não nego a importância desse tipo de controle da globalização. Ao mesmo tempo, em todos os lugares nos quais eu estive fisicamente identifiquei que havia conteúdo regional de um grande grupo – como a TV Globo ou a TV Record no Brasil –, e essas corporações de telecomunicações são nacionais: você tem muita produção regional, como música e livros locais. Então é mais ou menos assim: nós temos duas culturas. Existe um tipo mainstream global – que é, a propósito, diferente em cada lugar, mas também funciona como um conteúdo global – e outro nacional, regional e local. Então, a ideia de a globalização ser culturalmente um tipo de uniformização não é inteiramente verdadeira. É claro, eu não subestimo o poder das grandes corporações, dos grandes estúdios, como a Disney, a Universal, a Paramount. Mas existe uma tentativa de prover a tecnologia, o software, e não necessariamente o conteúdo. Basicamente, Facebook, Twitter e Google não são provedores de nenhum conteúdo. E os meus estudos mostram que é o conteúdo que você quer, e de um tipo bem local. Se você está no Facebook, por que você não fala com pessoas que estão na Coreia do Sul, quando você está no Brasil ou na França? Você pode compartilhar o que você quiser com qualquer pessoa de qualquer lugar. Mas você não faz isso porque não fala a mesma língua, não compartilha os mesmos interesses, e também porque está em Paris ou no Rio de Janeiro e quer se conectar com seus amigos. Se você for a um restaurante chinês ou japonês, vai querer comer na sua rua, não no Japão. Então, é por isso que precisamos considerar que a globalização não é uma uniformização, pelo menos em um sentido geral, mesmo que possua alguns elementos disso.
Borba – Gostaria de abordar um dos seus conceitos que considero mais interessantes, a ideia da curadoria inteligente – a conexão entre curadoria e algoritmos. Você poderia explicar como poderíamos entendê-lo em 2022?
Martel – Muitas pessoas acreditam que no futuro o controle e as recomendações serão baseados em algoritmos pela máquina, basicamente. Alguns pensam que você só precisa de criticismo humano, aquela resenha tradicional de um livro, de uma música, de um filme no jornal. Eu penso que estão certos e errados. Creio que nós precisamos de uma mistura, porque hoje na Netflix você tem centenas de filmes para assistir; no YouTube, milhares de vídeos sendo postados a cada hora; e no Spotify, milhões de músicas novas toda semana. Então, o conteúdo é tão amplo que precisamos de algoritmos que façam a seleção, mas nós também precisamos de humanos que façam as adições à máquina. É por isso que a “curadoria inteligente” é a soma da inteligência do algoritmo e da máquina com a curadoria humana, e você terá os dois podendo oferecer recomendações muito boas. A propósito, já vemos isso em algumas playlists no Spotify, por exemplo, feitas por humanos e pela máquina, as chamadas “Descobertas da Semana”. Ou no Facebook, quando você curte postagens e mensagens fazendo uma validação humana do conteúdo.
Borba – Aproveitando, permita-me encaixar aqui o que aconteceu em maio deste ano, quando muitos artistas usaram suas redes sociais para reclamar sobre as gravadoras e seus pedidos de conteúdo mainstream para redes sociais específicas. De alguma forma, a internet torna artistas e músicos livres para celebrar e compartilhar sua arte, mas, por outro lado, eles precisam atender a certos padrões da indústria. Como você vê esse processo dialético hoje em dia na internet?
Martel – Veja, em primeiro lugar, se você observar os conteúdos que se tornaram mainstream eles frequentemente são profissionais, não iniciantes. Às vezes você pode ter um cara novo que não é completamente profissional, mas você verá o quão rápido ele se tornará, e esse é um processo tradicional. O mainstream do início é algo independente, você pode se tornar uma superestrela sendo ninguém, o que era bem difícil antes da internet. Mas, depois de um tempo, se profissionaliza. Existem muitos problemas nisso, mas um elemento positivo é que você pode criar sua comunidade. É como uma bolha no nosso próprio mundo, você talvez queira estar em contato e discutindo com pessoas que jogam o mesmo jogo que você. Então, eu não estou muito convencido da bolha como um problema, porque penso que, em primeiro lugar, a bolha não existe, é você que vive a sua bolha.
Borba – Você levantou a hipótese de que estamos diante de uma mudança na civilização, provocada pela transformação da cultura e da informação na era da reprodução digital. E ouvimos hoje ao mesmo tempo a promessa de metaversos e a tendência de uma produção de cultura mais lenta, feita para não durar tecnologicamente neste mundo pós-pandemia. O que você teria a comentar sobre esses dois extremos?
Martel – É como você está dizendo: existem dois extremos. Não sou tecnofóbico ou tecno-ingênuo! Penso que a verdade se encontra entre os dois. Eu diria que a transição digital, adicionada à transição ecológica, são as duas principais evoluções do nosso século. O século do verde digital. Eu gosto de desacelerar – por exemplo, nesse verão vou dar um tempo das minhas contas no Facebook, Twitter, Instagram e LinkedIn. De qualquer forma, não estou julgando a coisa em si como boa ou ruim: apenas é o que é. Nós adentramos o século digital e não penso que possamos ou devamos voltar atrás. Os que criticam os GAFAs [acrônimo de “Google Amazon Facebook Apple”] serão os primeiros a ficarem chateados se os mecanismos de busca ou Google Maps pararem de existir; se tiverem que entrar em uma fila para comprar uma passagem de trem ou fazer uma reserva de avião em uma agência de viagens. Como [o personagem] Don Draper diz em Mad Men – “Escute, eu tenho uma vida, e ela anda em uma única direção: para frente”.
Borba – Você diz que as indústrias de conteúdo parecem preceder movimentos profundos que logo acabam envolvendo a economia como um todo… O que você acredita que elas estariam “antecipando” com seus movimentos nesta segunda década do século 21?
Martel – As pessoas da nossa geração não poderiam adivinhar, sonhar ou temer uma invenção como o smartphone, e é incrível quando você pensa sobre isso. Então, é claro que existe o metaverso, a inteligência artificial, a nuvem… Essa nuvem está conectada ao big data, que mudou o jogo, mas nós também temos muito mais material do que tínhamos sobre a internet. Em termos de regulação, a Europa é líder do setor. A propósito, Dilma Rousseff há muito tempo dizia que precisávamos regular a internet e ela aventou a necessidade de uma internet brasileira. Na época, todos pensaram que ela era louca mas, atualmente, vê-se que ela estava certa por conta do processo de estarmos geolocalizados na internet. Então, você continua globalizado, conectado; mas localizado em um campo ou lugar em especial. A sensação de lugar é algo importante, é até mais importante do que onde você está na internet, e também mais do que o metaverso, provavelmente. Por quê? Porque você vive em algum lugar. Você precisa das coisas de onde você vive. Nós continuamos humanos e ainda que adoremos estar em uma conversação global, não faz sentido se não estivermos em algum lugar específico. A ideia das pessoas vivendo em qualquer lugar… isso não existe. Mesmo com um comissário de bordo mundial, no fim, você volta a algum lugar. E é por isso que falam português no Brasil, porque é um país com história, idioma, território. E isso significa que você não é como os argentinos ou os persas, mesmo que possa dialogar com eles. Esse é o lado bom da internet: você está mais perto, mas você também é você mesmo.
Borba – Aproveitando, vamos falar um pouco sobre o Brasil… Você comentou que de todos os países emergentes, o Brasil foi um dos que considerou mais empolgantes em termos de promessa de uma economia criativa em desenvolvimento. Você ainda está apostando no país hoje? Você acha que desenvolvemos competências para usar a internet como ferramenta inclusiva para a educação e no combate à desigualdade?
Martel – Quando eu estiver em São Paulo e Porto Alegre em agosto trarei uma atualização sobre este tema, mas eu penso que esse tipo de territorialização de conteúdo, especialmente na internet, existia ainda mais do que antes. E nós ainda vemos um tipo de reterritorialização da internet. É claro que na Rússia isso está sendo fechado, eu diria a “borda da internet”, como na China e no Irã, mas mesmo nos países que não possuem um regime ditatorial – e o Brasil é um bom exemplo disso. As pessoas no Brasil podem falar inglês ou espanhol, mas falam principalmente o português brasileiro. A parte majoritária da população não está buscando conteúdos que sejam em inglês, espanhol ou francês, porque não são bilíngues. Então, acho que nós estamos na direção de uma maior territorialização, e acho que esse é um ponto importante. Eu fui mais de dez vezes ao Brasil, é um país que amo, e é claro que eu estava observando isso antes do [governo] Bolsonaro. Aliás, o que quer que você pense sobre Bolsonaro, também é uma extensão de um tipo de ponto de vista nacionalista e cultural na internet. Não sou um “souverainiste” [apoiador da doutrina de preservação da soberania nacional], como dizem na França, mas penso que nós somos – e essa é uma palavra muito importante para mim – geolocalizados na internet. Somos geo, que significa global. Somos parte da conversação global, mas essa conversação é territorializada. Pode ser a mesma conversa em todo o globo, mas também pode conter elementos diferentes ou, ainda, pode ser uma conversação totalmente diferente, porque estamos interessados no que está acontecendo na nossa região, no nosso país, ou mesmo na nossa cidade, na nossa rua.
Borba – Permita-me perguntar algo relacionado a isso no Brasil, porque eu estava pensando sobre os efeitos da internet especialmente sobre as pessoas mais velhas. Aqui, considerando a segurança e outras questões, não temos a cultura de sair com frequência. Passamos horas dentro de nossos apartamentos usando as redes sociais, e 97% das pessoas com 60 anos ou mais têm acesso à internet. Ainda assim, muitas vivem dentro de bolhas virtuais e compartilham fake news. O que você acha disso?
Martel – Sim, é um problema complexo. Por um lado, temos que reconhecer o quão difícil a internet pode ser para os idosos. Você não sabe como acessar, a qualquer momento que você use seu celular há um problema com o som, a imagem, a rede, a conexão… E você está perdido. Vejo pela minha própria mãe, que tem 78 anos, e às vezes não consegue ouvir a mim e meus irmãos porque ela não sabe coisas muito básicas, como levantar o volume. Então, é muito importante certa “direção” para uma alfabetização digital, pois precisamos ensinar as pessoas. Levei duas horas essa manhã para comprar uma passagem de avião para ir da Venezuela à Nicarágua, foi um pesadelo! E eu sei como funciona, então acabei encontrando a solução, depois de duas horas, com o serviço ao consumidor nos Estados Unidos. Mas muitas pessoas não podem fazer isso, então é necessário adicionar serviços para os idosos que sejam mais rápidos, mais eficientes, mas, além disso, precisamos ter alguma alternativa para ajudar as pessoas que não são capazes de acessar. Agora, por outro lado, mesmo para os idosos ou as pessoas que vivem em áreas rurais a internet é ótima, porque oferece muitas oportunidades de conexão – e aí novamente vejo minha mãe usando o telefone para falar comigo de maneira fácil diariamente, o que era muito caro na minha juventude, sem o vídeo. Por isso não sou contra a tecnologia, não sou ingênuo nem antiquado. Tecnologias são “globalmente boas”, mas existem vieses ruins e nós precisamos cuidar disso. É por isso que sou a favor da regulação, não em função de um anticapitalismo ou por ser contra a economia de marketing, mas apenas porque a economia de marketing também oferece liberdade aos competidores e regulações para o bem das pessoas, e também pede que as pessoas e companhias paguem taxas e, no fim, lutem contra uma posição dominante abusiva.
Borba – Você já respondeu várias vezes aos críticos que não podemos mais falar de cultura como um conceito elitista e patrimonialista, e que não podemos mais ter apenas uma definição única de cultura. Agora, com o 6G extremamente rápido, a internet das coisas e uma crise sem precedentes na própria compreensão do que é humano, como você imagina que explicaremos o que é cultura na próxima década?
Martel – Ontem a produção artística era rara, o número de artistas era limitado, e os gatekeepers vigiavam o produto. Era difícil penetrar o mundo da arte, que era tão filtrado, opaco, hermético e dissociado do gosto do público. Muitas vezes, os críticos de arte tradicionais jogavam juntos no jogo da “distinção” e “reprodução” social. Essa hierarquia, às vezes artificial, foi sendo atenuada na era digital. Eu estou entre aqueles que aceitam esse enfraquecimento. Os gatekeepers foram sendo desvalorizados e sobretudo multiplicados. Hoje, com a ascensão dos influenciadores, eles não são mais os espertos. Não que os influenciadores tenham a mesma expertise ou a mesma legitimação, mas eles são mais numerosos e legitimados da sua própria forma, pelo número de seguidores, postagens e cliques – e acima de tudo, são mais segmentados. Nós suspeitamos por muito tempo que a hierarquia cultural era artificial. Era mesmo de cima para baixo, elitista, arbitrária, às vezes peremptória ou condescendente – se não paternalista, sempre supostamente universal; e em última análise centralizada no Ocidente e Europa. Por mérito próprio, influenciadores destroem isso, a hierarquia cultural estática, para fazer com que seja algo mais dinâmico. Formas não-legítimas são valorizadas, os efeitos de raça e gênero são mitigados, cenas, artistas independentes e culturas excêntricas encontram seu lugar ao lado do mainstream – enquanto ontem eles batalhavam para existir em maior quantidade. É claro, os partidários da democracia iluminada, os apoiadores de uma forma de elitismo cultural e os conservadores de listras lamentam esse achatamento, essa dualidade de gostos. Mais uma vez, contudo, não é sobre julgar essa transição do criticismo, que não é nem boa nem ruim em si. Ou como o famoso slogan do movimento queer: “Estamos aqui, somos queer, acostumem-se”. Nós vamos ter que conviver com os influenciadores, gostemos ou não. Essa mutação do criticismo, o poder crescente dos influenciadores – um fenômeno que é mais importante do que imaginamos, porque diz respeito a julgamento, gosto, e todos os valores – ainda está na sua infância. Vejo futuro aqui, combinado com a “curadoria inteligente”, pois dada a abundância das ofertas culturais, ela me impressiona como um dos futuros de criticismo e recomendação. No Spotify, podemos acessar 70 milhões de músicas, mais de 2 milhões de podcasts e 4 bilhões de playlists. Na Netflix, milhões de filmes e episódios de séries estão espalhados por mais de 76 mil gêneros. No Amazon Prime, podemos escolher entre 40 mil filmes toda noite, enquanto mais de 600 mil livros estão disponíveis no Kindle, Scribd ou Google Play Books. Finalmente, mais de mil vídeos são publicados no YouTube a cada minuto. Como conseguir navegar nesta abundância? Precisamos de algoritmos, mas também de curadoria humana. Então, sou bastante otimista: isso será o futuro da cultura. Quando Leonardo da Vinci deixa a Itália, ele produz algumas das suas melhores pinturas. Quando Rimbaud quase foi morto por Verlaine e teve que ser hospitalizado até voltar para casa, antes do exílio em Londres, ele escreveu dois dos melhores textos da literatura francesa: Uma temporada no inferno e Iluminações. Mais recentemente, quando Margaret Thatcher foi contra a cultura, Damien Hirst emergiu como um artista novo, radical e jovem. Artistas estão sempre aptos à mudança, adaptação e transformação da realidade. Eles farão algo também com o metaverso, com a inteligência artificial e com a nuvem!
Borba – A música é uma grande parte da sua vida, então, qual você acha que é o papel dela na educação? Você poderia compartilhar conosco seus artistas favoritos?
Martel – Fico feliz que você tenha perguntado isso. Responderei com Nietzsche: “Sem música, a vida seria um erro”. Algumas pessoas não ligam para a música, que é importante para todos, especialmente para a nova geração. Eles se identificam com um grupo pela música, é diferente de como acontece comigo. Então eu diria que, no começo, a internet poderia ter sido algo destrutivo para a indústria da música – e de certa forma foi. Eles lutaram com o cara mais novo que baixava as músicas ilegalmente, mas a solução acabou sendo dar conteúdo legalizado na internet para as pessoas. Afinal, como você quer punir alguém por baixar músicas que não estão disponíveis online? As corporações queriam que comprássemos CDs, quando ninguém mais compra CDs. Então, a resposta foi muito simples: criar o Spotify, Deezer, Apple Music. Gastei este mês, por exemplo, pelo menos dez horas diárias ouvindo música: os novos álbuns do Kendrik Lamar, Florence and the Machine e Arcade Fire. Sou um grande fã de Leave the door open, de Bruno Mars, do ganhador do Grammy Anderson Paak, e acompanho a carreira do poeta, cantor e rapper francês Gael Faye. Agora mesmo estou escutando uma playlist muito boa de música brasileira moderna… e descobri recentemente Fado Bicha, um tipo de novo fado queer. Não posso viver sem música.
Tradução: Marília Port e Vitória Arruda

Frédéric Martel é um dos escritores franceses mais lidos da atualidade, é autor de Mainstream e Smart, obras fundamentais para refletir sobre as indústrias criativas e a cultura digital em mais de 50 países. Doutor em ciências sociais pela EHESS, França, o jornalista é mestre em ciências sociais, filosofia, ciência política e direito público pelas Universidades de Paris I e II e professor na ZHdK, Suíça. Publicou também o polêmico best-seller do New York Times, No Armário do Vaticano, livro mais vendido em 12 países e traduzido para 20 idiomas.
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A história do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCom) da Unisinos se funde com a dos pesquisadores Antônio Fausto Neto e José Luiz Braga. Há 23 anos, os doutores em comunicação fizeram parte da dinâmica que ampliou o estudo em comunicação na universidade, que até então só tinha cursos de mestrado. Indicados como dois dos 10 mil pesquisadores mais influentes da América Latina, os professores fazem parte da lista de 28 docentes da Unisinos indicados no ranking. Mais do que uma vitória pessoal, o trabalho desenvolvido por mais de duas décadas indica bons frutos, pois o PPGCom é um dos três programas no país com nota 6 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Primeiro a receber o título de professor emérito na área de Comunicação da Universidade, o professor José Luiz Braga começou a atuar como docente em 1970. Redigiu as obras Comunicação e Educação: questões delicadas na interface e A sociedade enfrenta sua mídia, entre outros livros de destaque. É doutor em Comunicação pela Université Paris II e Mestre em Educação pela Florida State University.
Autor do livro O impeachment da televisão – como se cassa um presidente, entre outras obras de referência na área da comunicação, Antônio Fausto Neto atua no PPGCom desde 1998. Doutor em Ciências da Comunicação e da Informação pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS- França), possui Mestrado em Comunicação pela Universidade de Brasília (UnB) e Pós-Doutorado em Comunidade pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Apesar da qualidade dos estudos realizados nas instituições, o cenário atual da pesquisa no Brasil é dramático. Desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020, as bolsas de pesquisa vêm sofrendo cortes financeiros. O orçamento é o menor do século XXI. Ao mesmo tempo, mais de 100 pesquisadores da Capes já deixaram suas funções na instituição por não terem condições de produzir avaliações de qualidade. “Toda a produção científica, o sistema universitário público e o sistema público de educação estão em uma situação de beira de abismo. É problemático”, denuncia o professor José Luiz Braga.
Entretanto, a indicação na lista de pesquisadores mais influentes pode ser um estímulo para o desenvolvimento da pesquisa no país. Para prestigiar a indicação de Antônio Fausto Neto e José Luiz Braga, nomes renomados na Escola da Indústria Criativa da Unisinos, o Mescla conversou com ambos sobre os anos dedicados ao estudo do campo da Comunicação, a importância e o contexto da pesquisa no Brasil. As entrevistas foram realizadas pelo Teams entre os meses de outubro e novembro.

Atualmente professores, onde vocês estão vivendo e o que os senhores vêm pesquisando na área da Comunicação?
Antônio Fausto Neto: Há um ano e meio eu vim visitar a minha companheira que mora em Santa Maria e, logo depois de um fim de semana em que tive uma crise de apendicite e fiz uma cirurgia de emergência, veio a pandemia. Em função das orientações que recebemos da Universidade em consonância com as autoridades sanitárias, aqui estou trabalhando de forma remota, dando aulas, orientando alunos, participando de bancas e desenvolvendo a pesquisa que tenho sob financiamento do CNPq.
No ano passado eu apresentei um projeto em cima da eclosão da pandemia, que tem como tema o coronavírus e a circulação de sentidos. As condições através das quais o vírus se instala na organização sócio-biológica vão sendo disseminadas segundo processos comunicacionais, gerando uma circulação de sentidos que emerge justamente dessa tensão e interação de discursos de diferentes instituições, que se defrontam com a questão do vírus e sua propagação. Como este trabalho contempla 5 anos, eu vou estudar várias fases deste fenômeno. A fase atual é a do desencadeamento do vírus, os modos como ele se instala na organização social.
José Luiz Braga: Circunstancialmente eu estou em Brasília em consequência da Covid-19. Aqui era o lugar que estava mais tranquilo, porque tenho um duplo endereço, aí no sul e aqui em Brasília. Como a Unisinos estava funcionando em processo remoto, concluí que seria mais fácil o recolhimento aqui. Mantive-me trabalhando durante todo o ano passado, e em janeiro me aposentei. Continuei com algumas atividades no primeiro semestre porque tinha duas orientações, mas com aulas e reuniões à distância.
No PPG eu atuava especificamente na linha de Midiatização e Processos Sociais, o que significa que a gente pesquisa questões de midiatização que estão sendo atravessadas por processos sociais. Não se trata exclusivamente de discutir processos da mídia, mas como a sociedade em geral aciona a mídia – seja como usuária ou como produtora. Mesmo na época em que tínhamos apenas o rádio e a televisão, a sociedade agia sobre a mídia. Claro que, com as redes sociais, ela passa a atuar diretamente como produtora. Então, a nossa observação é sobre o que a sociedade está fazendo diretamente com as mídias.
Como é para os senhores estarem na lista dos 10 mil pesquisadores mais influentes da América Latina?
Antônio Fausto Neto: Essa lista resulta de processos de mapeamento a que estão subordinadas várias áreas do conhecimento. Eu chamo isso de “a sociedade da classificação”. Existe um conjunto de instituições nacionais e internacionais que tratam de classificar, de mapear dados das diferentes entidades visando gerar arquivos que possam ser vendidos, que podem ter forte circulação para, de alguma forma, produzir diferentes efeitos. Dentre os efeitos, influenciar nas políticas educacionais, nas políticas públicas, na orientação das agências quando financiam pesquisas e, também, influenciar em algo que passa inevitavelmente na nossa categoria de humanos com emoções, que é a questão das vaidades. Ser classificado e reconhecido toca a vaidade de qualquer um de nós.
Agora, particularmente, eu quero lhe dizer que eu tenho duas posições sobre essa questão que você me faz. De um lado, é uma situação de fato em que, sem conhecer quais são as metodologias que essas instituições utilizam, colocam-nos em uma posição dos 10 mil mais influentes entre as “N” pessoas mais influentes da pesquisa no continente. Bom, chegou-se a esse resultado. À margem disso, é uma questão que pertence à minha rotina de trabalho, de não trabalhar para disputar dados, mas para estar em circuitos que possam influenciar políticas de comunicação. Então, eu vejo isso como um estímulo à orientar o meu ofício para repercutir sobre as minhas crenças éticas, os meus fundamentos pedagógicos, a minha condição de professor e pesquisador, para que isso possa ser útil a um processo de compartilhamento. Então, eu coloco como uma questão de rotina. Não faço disso nenhum trunfo extra.
“Agora, por outro lado – é a segunda observação – acho que esses índices, dados e classificações deveriam não ser fins em si mesmos, mas meios para nos orientar, ajudar e estimular a levá-los adiante e colocar o que eles constroem – sobretudo o insumo sob o qual eles se apoiam – à disposição dos circuitos sociais em processo de formação, de pesquisa, de estudo. Esses prêmios deveriam ser apenas meios para que pudéssemos usufruir de possibilidades compartilhadas com a sociedade.”
José Luiz Braga: É claro que é interessante e lisonjeiro para o nosso trabalho, mas se a gente olha do ponto de vista de uma certa sensatez comunicacional, é evidente que isso depende muito do ambiente em que a gente trabalha. Tenho conversado a respeito disso, inclusive com o Fausto. Um ambiente estimulante estimula a nossa produção. E ele não estimula simplesmente porque a gente tem que produzir, mas estimula a qualidade da produção.
Se você está produzindo sozinho, sem interlocução com colegas, simplesmente em função do que você estuda, dos seus problemas e publicações, a potencialidade do que você faz é muito menor do que se você estiver discutindo com colegas que, antes mesmo de você publicar, já estão colocando: “mas isso não tem um outro ângulo aí que você não colocou?”. E aí o pesquisador pode pensar por outros ângulos.
O fato de que a Universidade tenha nessa listagem 28 ou 29 professores entre 10 mil nomes, indica que este é um ambiente muito produtivo e forte. O PPG responde por grande parcela da dinâmica. Claro, Fausto e eu somos os mais velhos ali, então, tivemos mais tempo para nos organizarmos e aparecermos mais. Mas, creio que essa qualidade produtiva é compartilhada por todos nós, inclusive os mais jovens. Talvez a única diferença é que tenham menos quantidade de produções, por menos tempo de trabalho. Apenas isso. Qualitativamente, eu acho que é o padrão geral do ambiente.
Quantos anos os senhores têm dedicados à pesquisa e à Ciência da Comunicação? Vocês conseguem mensurar em números? Têm alguma ideia de quantos artigos, teses ou até mesmo orientações já realizaram?
Antônio Fausto Neto: Sinceramente, eu estaria falseando se dissesse dados precisos sobre a minha produção. Mas, evidentemente, é uma produção que contempla livros publicados, artigos, missões científicas nacionais e internacionais e eventos. Essa é uma das vantagens dos bancos de dados, porque nós, os professores universitários, também ingressamos em plataformas de artigos. As universidades têm arquivos de dados sobre os seus professores e sua produção científica. Então, esse acesso é público a quem se interessar na plataforma Carlos Chagas e na plataforma Lattes.
Do ponto de vista da Unisinos, eu estou aí há 23 anos e eu vim para colaborar com a criação do doutorado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação. Viemos eu e mais um colega, o professor José Luiz Braga. Ao lado da professora Ione Bentz e do professor Pedro Gilberto Gomes, fomos o grupo de trabalho que ampliou o estudo e a pós-graduação em comunicação na Universidade, que na época, só tinha o mestrado.
Então, criamos em 1998 o Doutorado em Ciências da Comunicação da Unisinos, cujo marco, como resultado, é o que nós somos hoje: um programa nota 6. Essa nota resulta da avaliação que é atribuída aos trajetos de cada professor que contribui com a sua pesquisa, o seu ensino, os seus artigos.
José Luiz Braga: Quantitativamente, tem que olhar o Lattes. A gente vai preenchendo aquilo a cada ano por causa da avaliação da Capes e ficamos muito preocupados com o que fizemos naquele ano, prestamos muita atenção ao quantitativo. Eu estou na estrada há quase 60 anos, mas em termos de trabalho, não na Comunicação. Eu comecei como professor secundário, trabalhei uns 6 ou 7 anos. E aí comecei a trabalhar em um programa de produção de TV educativo.
Fui trabalhar em PPG de comunicação em 1987, quando fui reintegrado na UnB. Ali eu comecei a ter uma produção mais significativa, porque antes a gente não tinha muita pressão para publicar.
“O trabalho docente toma um bom espaço e é importante. Para mim, ele continua sendo o núcleo do trabalho de produção. Por quê? Porque a gente tem uma interação com a diversidade de problemas, tanto pedagógicos como de pesquisa, de teoria da comunicação, de metodologia que vem de intensa renovação, o tempo todo, com as questões e os problemas que os alunos trazem. Ser docente é absolutamente fundamental.”
De 1987 para cá, a minha produção varia bastante e é mais intensa nos anos de Unisinos, nesses 22 anos em que passei na Universidade. Mas, rigorosamente, eu não sei dizer a quantidade para vocês.
Para os senhores, qual a importância do PPG em Ciências da Comunicação da Unisinos, tanto para a Universidade e o ambiente acadêmico, quanto para a pesquisa nacional e internacional?
Antônio Fausto Neto: A importância de um PPG se destaca por vários aspectos. Quando a universidade se candidata para ouvir um coletivo, significa dizer que ela tem uma maturidade, tanto do ponto de vista de conhecimento acumulado, como de sensibilidade para incorporar pesquisadores que venham se associar a este projeto e dar um salto de qualidade para o seu desenvolvimento. Ou seja, um programa de pós-graduação é uma soma de fatores: capital acumulado na instituição, mais os efeitos daquele capital que são por ela absorvidos – e que viram uma espécie de vitrine, a reputação. Esta faz com que um programa de pós-graduação seja creditado, e faz os estudantes a procurarem – antigamente, com mais ênfase; hoje são os índices.
Quanto mais um programa é bem estruturado, mais passa a receber notas elevadas. Então, qual é a nota do programa da Unisinos de comunicação? Nota 6. É a nota imediatamente anterior a 7, que é a nota máxima. Essa média é avaliada de 4 em 4 anos. Então, os alunos que procuram o Programa, o fazem em decorrência do capital, da reputação. Isso é muito importante, porque gera na comunidade um efeito de reconhecimento. A comunidade sabe que, mandando seus filhos fazerem estudos, pós-graduação e pesquisa, ali há um potencial imenso para desenvolver a formação.
“O fato de ela ser uma Universidade com bons programas, professores competentes, experimentados, com produção científica, com vínculos nacionais e internacionais, ajuda a captar recursos e reconhecimento de agências multilaterais e internacionais.”
Não importa se um programa esteja instalado no interior do Brasil, importa que ele esteja em sintonia com dois aspectos: capacitação interna e de múltipla abrangência e um processo de interação com a sociedade que repercute com bons resultados.
José Luiz Braga: Eu acho que o nosso PPG é importante. Sem querer sobrevalorizar a avaliação da Capes, que às vezes não consegue captar a qualidade de alguns programas, nós já somos um Programa 6 há um bom tempo, e são poucos os programas 6, sendo que apenas um é 7. [As Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e Fluminense (UFF) são nota 6, e a Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) possui nota 7].
As universidades do sul são muito bem cotadas, elas têm pelo menos nota 5. É claro, se você tem uma boa produtividade, você imagina que estatisticamente acaba tendo seleções de qualidade. Em termos nacionais, nós estamos muito bem colocados. Um aspecto importante, é que desde os anos 90 criamos uma associação dos programas de pesquisa, e eu atribuo isso ao fato de que havia poucos programas na época. Essa entidade tem incluído todos os novos programas que têm se interessado em se associar. A Compós estimulou índices de interação, fora o congresso anual que é muito concorrido. Nesse espaço tem havido muitos convênios interuniversitários, o que é importantíssimo, porque você deixa a sua bolha e interage com o país.
A gente tem tido oportunidade de convênios com outras universidades que têm sido muito estimulantes mutuamente.
Uma última pergunta, professores: como os senhores enxergam hoje o cenário da pesquisa em comunicação no Brasil, principalmente, com os últimos cortes e também com a falta de investimentos no setor?
Antônio Fausto Neto: A questão do conhecimento está distribuída em várias áreas. Elas são estruturadas nas agências financiadoras da pesquisa. Então, a Capes, o CNPq, a FAPERGS, por exemplo, quando estruturam seu montante de recursos, os aplicam em áreas do conhecimento diferentes. A comunicação é uma área muito jovem do ponto de vista da pós-graduação no Brasil. Ela tem no máximo 40, 50 anos – o que é nada diante da tradição do conhecimento. Muito jovem, mas uma área muito inquieta e que gera muitos impactos, porque é da sua natureza. Comunicação, mídias, publicidade, produção simbólica – essas várias instrumentalizações e o fato de vivermos em uma sociedade em midiatização -, isso faz com que os programas encontrem de fato um eco muito grande em estudantes que estão ingressando.
Eu acho que existem hoje no Brasil em torno de 60 programas de pós-graduação, espalhados na geografia acadêmica das diversas regiões brasileiras. Há uma concentração de recursos e custos no sudeste, depois no sul, nordeste, centro-oeste e norte. Então, essa divisão geográfica brasileira ampara e situa a instalação dos programas, onde há campus, edificações e fluxo. Mas, evidentemente, aí se coloca um problema: o efeito do desenvolvimento dessas regiões nas universidades, e vice-versa. Ainda assim, a pós-graduação em comunicação é muito vital. Ela tem boa energia, uma boa capilarização de processos, elaboração e produção acadêmica. Ela sofre pelo fato das universidades hoje abrigarem excelentes recursos humanos que não são potencializados como deveriam, porque não há recursos suficientes repassados pelas agências de educação pública para financiar pesquisas – inclusive as emergentes.
José Luiz Braga: Esta é uma problemática geral do conhecimento científico no Brasil. Em todas as áreas. Eventualmente, as ciências humanas podem até sofrer mais. As mais técnicas têm condições de convênios no mercado para conseguirem apoios e recursos. Mas, em geral, toda a produção científica do Brasil, o sistema universitário público e o sistema público de educação, estão em uma situação de beira de abismo. É problemático. Isso pesa sobre todas as universidades públicas e privadas, e aí, claro, a pandemia ajudou a prejudicar a situação.
“Decisões públicas de governo, do Ministério da Educação, do Executivo Federal têm sido consistentemente – e, não tenho dúvida, intencionalmente – de depreciação do sistema educativo nacional. Esse governo não valoriza a educação. Nós não temos, através de toda a história do Brasil, uma grande valoração da educação em geral. Mas esse governo atual não é apenas omissivo, ele é pior. Ele trabalha diretamente contra a ampliação de oportunidades. Isso torna difícil o processo. De um modo geral, todas as universidades públicas e privadas estão sofrendo muito com essa situação. Cria um desapreço pela aprendizagem, um desinteresse por parte da população. É realmente à beira do ultraje.”
Todo mundo está resistindo bravamente. As instituições públicas estão em uma situação… Eu falei da Capes há pouco; ela está numa situação de desmonte por incompetência, por decisões equivocadas. Entre todas [as instituições], eu cito essa porque interessa diretamente aos PPGs, a formação de pós-graduação e pesquisa do país, mas em geral, todo o sistema público está sendo muito mal conduzido.
A expectativa é juntar os pedaços quando isso passar. Eu diria que se a gente tiver que aguentar mais quatro anos disto, a gente não se levantará em menos de meio século. Vai precisar de 50 anos. Na situação atual, eu diria que o sistema educacional vai precisar de 10, 12 anos para se recuperar e chegar ao ponto em que estava em 2018. Isso é lastimável. Há muitíssimo pouco tempo nós estávamos em um ritmo dinâmico de crescimento e de qualidade crescente. E muitas coisas que foram feitas nesse período anterior são o que nos dão restos de dinamismo para continuar.
As universidades, que estavam num ritmo de crescimento, estão usando até o osso esse dinamismo para poder enfrentar as circunstâncias. Mas, por mais que a situação seja desesperadora, eu diria o seguinte: há razões para não se deixar levar pelo pessimismo, porque temos que manter essa dinâmica à tona e, depois, redirecionar para a retomada. E aí esse estímulo vai gerar novos ânimos pra gente recomeçar. Primeiro a gente vai sobreviver, e depois vai reconstruir. Virão novas oportunidades, quem sabe a gente reconstrói melhor ainda? Ah, não é pra recuperar o que a gente tinha há 6 ou 7 anos, é pra fazer melhor. Eu tenho bastante convicção que a energia da retomada vai permitir isso.
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Prestes a completar cem anos, esse momento precisa ser revisitado: “O conceito que se destaca no Modernismo é a Antropofagia, o fato de efetivamente eu entrar em contato com outras culturas, de eu trazer esses elementos, não negar eles. Eu acho que isso é crucial, dar a eles uma nova perspectiva. É ‘engolir’ e depois ‘botar para fora’ alguma coisa que seja totalmente brasileira”, destaca a professora do curso de Letras da Unisinos, Márcia Lopes Duarte.
Olhar para o legado do movimento nas mais diferentes áreas da indústria cultural e, ao mesmo tempo, enxergar novos ângulos e possibilidades para essa reflexão, é o desafio de duas reportagens que o Mescla produziu. Para isso, além de Márcia Lopes Duarte, foram convidadas a professora de Letras Rita Lenira de Freitas Bittencourt (UFRGS) e a doutora em História da Arte Thiane Nunes. Nesta primeira reportagem, mostraremos as marcas deixadas pela Semana e a grandiosidade do Modernismo brasileiro; na segunda matéria, seguiremos uma investigação: onde estavam as mulheres modernistas da Semana de 22?
(Para ler esta reportagem, te convidamos a ouvir o álbum “Tropicália ou Panis et Circenses“, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Nara Leão)

O evento foi formado por palestras de escritores, apresentações musicais, exposições artísticas e leituras de poemas. Já no segundo dia, a leitura de “Os Sapos”, de Mário de Andrade, realizada por Ronald de Carvalho, foi acompanhada de vaias, urros e batidas de pé. Contam que quanto mais o público reclamava das apresentações, mais Oswald de Andrade, um dos seus principais idealizadores, sorria e comemorava: a intenção era provocar, e as armas eram a ironia, o deboche, a irreverência e a contestação em forma de linguagens artísticas.
Para Márcia, 1922 fez fervilhar o espírito provocador e viabilizar o Modernismo brasileiro. Imerso a tantos fatores, o movimento é a representação de um marco, porque pincela (desculpem a repórter pela analogia), ao longo do século XX, novas possibilidades de falar, de criar e até de viver, influenciando desde o fazer artístico até as discussões políticas e de hábitos sociais.
“Tanto para a literatura como para a cultura brasileira em geral, é o Modernismo que realmente vai apontar novas possibilidades, porque, até aquele momento, existia uma perspectiva muito ‘europeizante’”, comenta Márcia. “A grande questão do Modernismo é a Antropofagia, proposta pelo Oswald, e que eu acho que está muito evidente na obra do Mário de Andrade. A questão não é se distanciar totalmente das ideias europeias, não é romper, mas é trazer elas, deglutir e transformar em algo que faça sentido para o Brasil”, completa a professora.
O movimento surge em meio a uma eclosão política e social, que culminou com o fim de um período, a República do Café com Leite. Esse é um contexto de renovações almejadas. Além disso, esses movimentos inovadores são influenciados pelas vanguardas europeias. Diversas questões sociais surgem, algumas estouram, o Tenentismo logo encabeçaria a Coluna Prestes, que mais adiante resultaria na eleição de Getúlio Vargas. Na arte, o Movimento Antropófago grita a necessidade de se repensar os signos da comunicação, seja ela artística ou social. Fervilhava mundo afora manifestações sociais, novas tecnologias sendo apresentadas, o feminismo dando seus primeiros passos nas lutas políticas, a belle époque. Tudo culmina em um sentimento a ser devorado e digerido: a Antropofagia, que brota de todos esses eventos.

Nos últimos anos, críticas ao movimento e, em especial, à Semana de 22, têm ocupado lugar, uma vez que o movimento que fala em celebrar o Brasil e cultuar nossa diversidade, sem erudição e estrangeirismo, foi encabeçado por homens héteros brancos da elite de São Paulo e do Rio de Janeiro. A República do Café com Leite, tão criticada pelos modernistas, se mostrava ali, com o eixo geográfico da elite brasileira ditando os rumos (e financiando o próprio movimento). O argumento é válido, mas para melhor prosseguir no fluxo da história, não podemos desprezar ou ignorar o grande impacto que esse momento teve para nossa história.
“Eu sei que tem toda essa questão de ter sido algo feito pela elite cafeeira de São Paulo, eu não sou ingênua de achar que foi um movimento popular. Mas em termos de definição da nossa cultura, eu acho que é extremamente importante. É por causa desse Modernismo que a gente tem autores como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Clarice Lispector”, observa Márcia.

Para Rita Lenira de Freitas Bittencourt, professora de Literatura Comparada da UFRGS, esse Modernismo inicial é uma espécie de teorização sobre uma nova linguagem, que vai permitir, anos depois, o surgimento do Tropicalismo, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, além do Cinema Novo, a poesia concreta, ad infinitum. “Onde é que se consolida realmente esse pensamento modernista? Bem mais tarde, lá na Tropicália e no Cinema Novo. Aí que vão ter frutos desse “pensamento antropofágico”, essa questão voltada para uma cultura nacional, para o uso da comunicação de massa, também, que aqui era muito frágil.”
Márcia reitera que todo o fazer cultural do século foi influenciado pelo que surge em 1922: “Olha só toda ‘essa coisa’ do Cinema Novo. Ele deve muito ao Modernismo, assim Glauber Rocha não seria possível sem o movimento modernista. Também Caetano Veloso. Então, é assim, acho que esses autores sabem o legado do Modernismo, e isso é evidente.”
“Macunaíma”, de Mário de Andrade, e a representação do anti-herói, é uma história subversiva, que rompe com a lógica capitalista. A preguiça do personagem é, de certa forma, um “tapa na cara” da sociedade produtiva, do moralismo dos costumes tradicionais. Não é à toa que, anos mais tarde, em 1969, Joaquim Pedro de Andrade transformou o clássico em filme, e acabou sofrendo diversas imposições de censura pela ditadura militar. Alguns anos antes, em 1967, Zé Celso Martinez montou a primeira encenação nos palcos de “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, escrito 30 anos antes, também em tempos ditatoriais. Em 1937, o Brasil vivia sob o Estado Novo de Vargas. A peça estreou em vésperas do AI-5, renasceu o espírito anárquico e paródico, e coube bem naquele outro contexto.

Para Rita, a Semana de 22 “encena” esses movimentos, sugerindo e lançando ideias, que vão brotar em algo genuinamente brasileiro alguns anos depois. “Ali se espalha uma discussão de que as artes no Brasil deveriam se atualizar em relação ao que estava acontecendo em outros lugares. Se repensar, porque, na verdade, o Modernismo é o repensar do próprio fazer. Existia uma pintura muito acadêmica, existia uma literatura parnasiana, um romance muito preso às normas do romance europeu. Então, quando o Oswald (de Andrade), o Mário (de Andrade) e o Raul Bopp propõem um outro tipo de escrita e de literatura, eles estão pensando não só em atualizar as artes no Brasil e acertar o pé com o resto do mundo, mas também pensar uma arte nacional. Dizer ‘a gente tem essa herança europeia, colonizadora, mas a gente tem uma realidade diferente dessa’. Então, a gente tem que incluir isso na dicção de uma literatura que se quer nacional”, explica.
Mas, naquela época, o movimento encontrou um núcleo muito conservador e reacionário. Uma das primeiras artistas a ser execrada foi Anita Malfatti, chamada de louca, paranoica, tendo seus traços comparados à insanidade ou ao de uma criança por ninguém menos do que Monteiro Lobato. “Paranóia ou Mistificação” foi publicado no jornal Estado de São Paulo em 1917 detonando Anitta (e todos os modernistas), uma vez que, para o escritor de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, a arte deveria representar o real e o belo. Malfatti morou alguns anos em Berlim. Lá, estudou na Escola de Belas Artes, onde foi apresentado ao trabalho de diversos ícones da pintura expressionista.
Apesar de não ser a única artista expressionista no Brasil, caiu em Anita o peso da crítica. Porém, são poucos os nomes de artistas mulheres modernistas que lembramos. Muitas foram ridicularizadas, taxadas de loucas, proibidas, censuradas ou, então, apagadas da história. A doutora em História da Arte, Thiane Nunes, conta que as mulheres estão acostumadas a serem representadas de uma forma, mas não serem representadas quando elas são as produtoras. “Elas estão na arte sempre representadas como as mulheres nuas, posando etc, mas enquanto produtoras imagéticas culturais, meio que somem”, avalia. Thiane escreveu a tese “Misoginia Modernista e invisibilidade da mulher artista”, em que investigou a história de 23 mulheres artistas, em contexto mundial.
A historiografia falhou? Acompanhe aqui, em breve, a segunda parte deste Especial, em que o Mescla escutou estas três pesquisadoras para compreender onde estavam as mulheres nesse movimento.
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A coordenação da disciplina está nas mãos da professora Sonia Montaño, e será ministrada por diferentes professores, de sete programas de pós-graduação diferentes, integrando as áreas de Comunicação, Computação, Design, Arquitetura, Biologia, Geologia e História. A atividade curricular está embasada em três eixos: patrimônio histórico cultural, patrimônio natural e experimentação audiovisual.
“Cidades Audiovisuais, Inteligentes e Sustentáveis” surgiu a partir do projeto “Ver Osório: Rotas que Contam Histórias”, iniciativa do grupo de pesquisa Audiovisualidades e Tecnocultura: Comunicação, Memória e Design (TCAV), ligado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos, em parceria com a Prefeitura de Osório.
A disciplina, explica Sonia, nasceu para engajar os alunos em um projeto transdisciplinar. “Ela vai muito na direção que a Unisinos está buscando, um trabalho bem transversal entre as áreas do conhecimento, para ter um impacto social real, nesse caso no município de Osório. Esse é outro grande desafio, que cada vez questiona mais as áreas de diferentes pesquisas. É uma boa oportunidade para que a sociedade cada vez mais entenda os benefícios que a pesquisa em diferentes áreas traz para o bem comum, para dialogar com os pares”, conta a professora.
Conforme Sonia, o eixo do patrimônio histórico cultural será trabalhado principalmente pelo olhar da Arquitetura e História, o do patrimônio natural pela Geologia e Biologia, e o de experimentação de mídias audiovisuais pela Comunicação, Design e Computação. “Osório é uma cidade com um grande potencial. Tem o patrimônio natural, além de ser uma cidade histórica, apesar de muita coisa ter sido destruída e esquecida. O audiovisual vai entrar com as diferentes formas de tecnologias do ’ver e do ouvir’, articulando todos os eixos”, comenta a professora.
O projeto propõe que os alunos dessas áreas dialoguem em conjunto sobre as possibilidades de explorar o território a fim de “redesenhar” a cidade, enxergando a si própria com mais propriedade, comunicando-se de forma mais intensa e clara. Uma das propostas da disciplina é criar uma plataforma em que as pessoas possam transitar entre quatro rotas diferentes de Osório – Rota dos Bons Ventos, Rota das Águas, Rota da Terra e Rota das Artes e Cultura –, com base nas experimentações feitas pelos alunos na região. O aplicativo funcionará como um repositório, que servirá de itinerário para o pós-pandemia, mostrando um espaço lúdico, de interação e conhecimento.
Dessa forma, como observa Sonia, o projeto transdisciplinar também é de impacto social, aliado com uma parceria entre universidade e gestão pública, além de possibilitar uma educação ambiental. “Podemos criar uma série de tipos de visualização, algo como, por exemplo, os peixes se apresentando para ti, com seus nomes, suas espécies e com o lugar que ocupam em determinada lagoa, explicando porque eles são importantes para que a gente respire”. Assim, na opinião da professora, a educação ambiental se torna mais natural, porque as pessoas terão a oportunidade de conhecer melhor os outros “habitantes” da região. “Geralmente, não respeitamos o que não conhecemos, e quando se cria toda uma relação, já há nisso uma educação, que é feita de modo lúdico e inteligente”, avalia Sonia.
A disciplina, que será realizada às segundas-feiras, a partir das 19h30min, está com as inscrições abertas. Ela vale quatro créditos na graduação e três na pós-graduação. Os alunos realizarão as aulas teóricas à distância, e as saídas a campo serão realizadas na cidade de Osório nos finais de semana. Caso as normas de distanciamento não permitam essas saídas, o trabalho de campo será realizado também a distância. Além disso, a disciplina terá uma parceria com a Unesco, para compreender seu conceito de cidade criativa e conhecer algumas experiências inovadoras no Brasil e no mundo.
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