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]]>No ano passado, Sanches venceu na categoria júri popular com a obra “Ruanita”. Em 2018, ele retorna com a estreia de seu primeiro longa, citado anteriormente. O filme é coproduzido por João Fleck e Nicolas Tonsho, ambos responsáveis pelo festival.

A parceria entre o trio surgiu ano passado, após a vitória de “Ruanita”. “Eles queriam saber se eu tinha algum projeto para eles coproduzirem, aí veio à tona a ideia do ‘Pedra da Serpente’. Ver como eles tratam os diretores brasileiros e de fora é muito interessante. Estou com dois parceiros que já têm uma carreira extensa de longas-metragens de gênero”, conta Sanches.
Aragão comemora dez anos de parceria com o festival. Em 2008, estreou o primeiro filme, “Mangue Negro”. “Foi um marco na minha vida, e acredito que um marco também na Fantaspoa. Então eu estou muito feliz de dez anos depois estar lançando o meu quinto longa-metragem. Dos cinco longas, quatro abriram a Fantaspoa”, comenta Aragão.
Fernando Sanches nasceu em 1976. Adolescente dos anos 90, cresceu cultivando um amor pelo terror. Alugava filmes como “Sexta-feira 13”, “A Hora do Pesadelo” e “Brinquedo Assassino” escondido. Quando o pai comprou o primeiro VHS, Sanches pôs em prática o gosto por filmagem. Surgem os primeiros filmes trash que, anos depois, evoluem para longas-metragens.
O diretor lembra que “E.T.”, de Steven Spielberg, foi o primeiro filme assistido. Também viajava muito, quando criança, para Peruíbe, no litoral sul de São Paulo. “Meu vô tem casa lá, e a gente sempre ouvia relatos de disco voador”, diz.
Com o imaginário voltado para extraterrestres, o enredo de “A Pedra da Serpente” surgiu como uma forma de trabalhar o que é real e fantástico, e o que não é. “Filmar em uma cidade pequena, litoral, acho que fica tudo mais barato. São Paulo é uma cidade muito cara para filmar e a gente fez cinco diárias lá (Peruíbe) e duas aqui em São Paulo. Foi uma coisa super corrida”, fala Sanches.

Rodrigo Aragão, 41, descobriu a vontade de ser diretor ainda na infância. “Star Wars” foi a principal influência. “Eu sempre fui muito frustrado por não existir esse tipo de filme no Brasil, por a gente não ver heróis brasileiros lutando contra monstros. É o tipo de filme que eu sempre tive vontade de fazer”, revela o cineasta.
O enredo de “Mata Negra” existe há cinco anos e é uma continuação de “Mar Negro”. No novo filme, Aragão decide acrescentar magia na narrativa aterrorizante. Fugir do tema zumbi e entrar na fantasia, acrescentando um elemento brasileiro: a floresta tropical.
“Trabalhar com cinema no Brasil é, ao mesmo tempo, terrível e maravilhoso porque é muito difícil”, revela Rodrigo Aragão. O longa dele, que estreia no festival, teve um orçamento de R$ 600 mil. “É um filme, ainda, muito pequeno pros padrões internacionais, mas eu acho que a gente consegue fazer esse dinheiro multiplicar muito com criatividade e uma equipe maravilhosa”, comenta.

Fernando Sanches vê o mercado brasileiro cada vez mais propício para produções cinematográficas “devido a algumas coisas. A democratização dos meios tecnológicos, com as câmeras mais modernas e a parte de pós-produção se consegue finalizar de um jeito mais barato, mais fácil. As políticas de desenvolvimento, de investimento, de produção, eu sinto que está cada vez mais propício”, comenta.
Para Sanches, o streaming gera possibilidades. “O filme de baixo orçamento, às vezes, nem entra em uma sala comercial, ou quando entra fica uma semana e sai. Hoje você tem streaming, canais específicos, tem uma gama de coisas aí para fazer. Então, acho que tá cada vez melhor fazer cinema no Brasil”, conta.
De 17 de maio a 3 de junho, os filmes serão exibidos na Cinemateca Capitólio Petrobras, preço único de R$ 10, e na Sala Redenção Cinema Universitário, entrada gratuita, no prédio da antiga Biblioteca Central da UFRGS. A décima quarta edição do evento é uma apresentação do Ministério da Cultura com patrocínio do Banrisul e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
Três longas-metragens internacionais terão suas premières no evento. São eles “Após a letargia”, do espanhol Marc Carreté, “The Witch Files“, do americano Kyle Rankin, e “A Próxima Morte” do também americano Mike McCutchen. Será exibido o reboot (uma nova versão de uma obra de ficção) da franquia “Puppet Master: the littlest reich“, dirigido por Sonny Laguna e Tommy Wiklund.

Alguns filmes terão sua estreia latino-americana, entre eles “Os Garotos Selvagens”, do francês Bertrand Mandico, e “Os Tigres Não tem Medo”, longa que mostra a participação de crianças na indústria do tráfico. O filme foi dirigido pela mexicana Issa López.
De acordo com a equipe do evento, grande parte das obras terão exibição inédita na América Latina. Acompanhando as datas, serão feitas sessões especiais com debates com diretores e produtores. Também serão oferecidos cursos de formação no Santander Cultural e no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.
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]]>A abertura da mostra será com o curta-metragem “O dia em que Dorival encarou o Guarda”, de Jorge Furtado e José Pedro Goulart. Outros títulos importantes que integram a lista são: “Ilha das Flores (1989), o curta “Dona Cristina Perdeu a Memória” (2002), e o episódio piloto da série “Doce de Mãe” (2012), indicado ao Emmy Internacional.
A seleção das produções foi feita pelos quatro atuais sócios, Ana Luiza Azevedo, Giba Assis Brasil, Jorge Furtado e Nora Goulart, buscando contar a história da protura e dos sócios que passaram por lá.
A mostra ocorre de 20 de novembro à 21 de dezembro, na Casa de Cinema de Porto Alegre, que fica na rua Miguel Tostes, 860 – Rio Branco, Porto Alegre-RS.
Programação da primeira semana:
Pré-1987 – O dia em que Dorival encarou o guarda (14 min)
Direção: Jorge Furtado e José Pedro Goulart
Sinopse – Numa prisão militar, numa noite de muito calor, o negro Dorival tem apenas uma vontade: tomar um banho. Para consegui-lo, vai ter que enfrentar um soldadinho assustado, um cabo com mania de herói, um sargento com saudade da namorada, um tenente cheio de prepotência – e acabar com a tranquilidade daquela noite no quartel.
1988 – Barbosa (14 min)
Direção: Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Sinopse – Trinta e oito anos depois da Copa do Mundo de 1950, um homem volta no tempo a fim de impedir o gol que derrotou o Brasil, destruiu seus sonhos de infância e acabou com a carreira do goleiro Barbosa.
1989 – Ilha das Flores (12 min)
Direção: Jorge Furtado
Sinopse – Um tomate é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba no lixo. Acaba? Não. ILHA DAS FLORES segue-o até seu verdadeiro final, entre animais, lixo, mulheres e crianças. E então fica clara a diferença que existe entre tomates, porcos e seres humanos.
1990 – Memórias (14 min)
Direção: Roberto Henkin
Sinopse – No Brasil, cópias de filmes eram exibidas por 5 anos, e depois destruídas. Uma fábrica em São Paulo utiliza essas cópias na confecção de vassouras. Jânio Quadros volta a se eleger prefeito de São Paulo. Em 1989, o Brasil tem sua primeira eleição presidencial direta em três décadas. Alguns candidatos são velhos conhecidos. Mas ninguém lembra mais o que aconteceu da última vez.
1991 – O Vampiro de Novo Hamburgo (4 min)
Quadro do programa “Dóris para maiores”, da TV Globo
Direção – Jorge Furtado
Sinopse – Falso documentário sobre o falso cineasta Volker Freunden e seu falso e pioneiro filme de terror, falsamente rodado na década de 1920 na verdadeira cidade de Novo Hamburgo.
1992 – Esta não é a sua vida (16 min)
Direção: Jorge Furtado
Sinopse – Documentário sobre a vida de Noeli Joner Cavalheiro. Noeli mora num subúrbio de Porto Alegre, é dona de casa e tem dois filhos. Nasceu numa cidade do interior, foi pra capital, trabalhou numa padaria, casou. É uma pessoa comum. Mas não existem pessoas comuns.
1993 – Ventre Livre (46 min)
Direção: Ana Luiza Azevedo
Sinopse – Documentário sobre a vida de Noeli Joner Cavalheiro. Noeli mora num subúrbio de Porto Alegre, é dona de casa e tem dois filhos. Nasceu numa cidade do interior, foi pra capital, trabalhou numa padaria, casou. É uma pessoa comum. Mas não existem pessoas comuns.
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