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Arquivos audiovisual - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/audiovisual/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Tue, 02 Aug 2022 19:50:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Recesso teve 16ª Mostra Unisinos e mostrou o fôlego da nova geração de cineastas https://mescla.cc/2022/08/02/recesso-teve-16a-mostra-unisinos-e-mostrou-o-folego-da-nova-geracao-de-cineastas/ https://mescla.cc/2022/08/02/recesso-teve-16a-mostra-unisinos-e-mostrou-o-folego-da-nova-geracao-de-cineastas/#respond Tue, 02 Aug 2022 16:58:30 +0000 http://mescla.cc/?p=16757 Por Paola De Bettio e Joana Troian A Mostra ocorreu logo após o término do semestre com a exibição de curtas, vídeo clipes e animações em stop motion feitas pelos alunos.  A edição pode ser feita novamente presencialmente, em uma icônica, clássica e querida sala de cinema portalegrense, na Cinemateca do Capitólio.   Neste semestre, novas produções […]

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Por Paola De Bettio e Joana Troian

A Mostra ocorreu logo após o término do semestre com a exibição de curtas, vídeo clipes e animações em stop motion feitas pelos alunos.  A edição pode ser feita novamente presencialmente, em uma icônica, clássica e querida sala de cinema portalegrense, na Cinemateca do Capitólio.   Neste semestre, novas produções serão realizadas e apresentadas em nova Mostra.


Foi o momento para prestigiar os novos cineastas cheios de talento e criatividade e homenagear o ator Clemente Viscaíno, que acompanha as produções dos alunos “cravianos” desde a primeira turma, iniciada em 2003 e formada em 2006. Clemente participou do curta “O Último Almoço de Domingo”, gravado em 2005. Para alguns estudantes também foi a chance de comemorar o fim de uma importante etapa – a graduação. Sem falar na retomada da vida nas ruas e das salas de cinema. Tudo isso trouxe a energia e a vitalidade da sétima arte.


A mostra incluiu vários gêneros  

Cada um dos dois dias contou com uma programação. Cada programa contava com cerca de três curtas e dois vídeos clipes ou dois stop motions. Ao fim de cada um deles os diretores (alunos) debateram com um professor mediador e um convidado especialista.   


Esta edição tinha trabalhos realizados desde 2020 que não puderam ser mostrados por conta da pandemia. Ao final do ano, está prevista mais uma edição com aproximadamente 28 curtas-metragens.


A escola de cinema do CRAV

O terceiro ano do curso é o momento de criar as produções maiores, onde todo o aprendizado da graduação até então culmina na realização de um curta-metragem de ficção. O quarto ano do curso é dedicado aos estágios supervisionados, quando o aluno experimenta o mercado de trabalho. Cada estudante escreve e dirige seu próprio curta. Além do processo de direção dos próprios filmes, eles ainda vão trabalhar como assistentes de direção e produtores no filme de outro colega. Estas são as funções principais que todos exercem. Para complementar a formação, cada estudante pode escolher duas áreas para se especializar, área esta que vai exercer no curta-metragem dos colegas. As especialidades são direção de fotografia, direção de arte, som, montagem, animação e roteiro.


Um dos coordenadores do curso, Milton do Prado, enfatiza esse aprendizado: “O 3º ano do curso é um ano muito intenso. Eles fazem os filmes nos finais de semana. Eles têm aula durante a semana e todo sábado e domingo eles estão ali. Todo sábado e domingo a gente tem um ou dois filmes sendo feitos e os alunos se revezando nas funções”, comenta Milton.


O gênero documental  

A sala já estava bem ocupada na abertura, para assistir aos documentários.  Ao longo da primeira tarde o gênero documentário foi dominante. De antemão, um dos coordenadores do curso, o Milton, frisou a importância de ocupar o Capitólio para prestigiar o audiovisual. O tradicionalíssimo espaço de cinema porto-alegrense, com arquitetura ímpar no centro da capital, e que vive tempos tenebrosos, por serem espaços públicos de arte e estarem recebendo pouco investimento, precisando sempre resistir.  


Antes dos primeiros documentários serem mostrados, foi a vez dos clipes das músicas “Deságua” pela Kaya Rodrigues e “Desilusão”, da banda Almirantes. Essas produções foram feitas pelos veteranos do curso.

Aliando a arte de contar histórias no teatro e a arte do cinema, foi apresentado “Começar, continuar e Permanecer”. No “cenário” de pandemia, quatro atores estiveram no Teatro de Arena de Porto Alegre para refletir sobre suas trajetórias histórias e como a arte aconteceu em meio ao cenário caótico da pandemia. 

O segundo curta documentário daquela sessão foi “Boombap: poesia viva”, que trouxe Tiatã, Elle P., Rainha Ju e Rafuagi para traçar ritmos da poesia marginalizada dentro do hip hop e do slam. Foi lindo escutar sobre união, representatividade, força e coragem com a sensibilidade destes artistas.   

Para finalizar a sessão, “Esse aqui é o meu lugar” trouxe três gerações para falarem sobre a cena do skate em Porto Alegre. Sérgio Marreta, Fabrício Souza e Clara Strack narraram suas histórias pessoais, e traçaram a jornada por afirmação de espaço na cidade de Porto Alegre.  


O arremate do primeiro programa foi o debate com a documentarista Thaís Fernandes, que trouxe sua veia jornalística para entender o processo de criação dos documentários, desde a concepção da ideia até a pós-produção.


A segunda parte da tarde contou com os clipes das músicas “Drink no Inferno”, da banda Fumaça Urbana, e “Amor Líquido”, do Projeto Hare. Logo depois veio “Geração da Consciência”, que trouxe de forma extremamente sensível e bem elaborada o relato de ex-integrantes de organizações militantes sobre como começaram a lutar contra a Ditadura Militar no final de regime. A grande sacada foi que estes relatos foram contados através do rosto e voz de quatro jovens atores, com a mesma idade que os militantes tinham no período. A música ficou com Nei Lisboa, que teve um de seus irmãos assassinado pela Ditadura Militar e cedeu os direitos para o filme.


Enquadradas pela câmera, Gladis e Julia refletem sobre como é a sua relação com a cozinha, as histórias e receitas familiares em “Histórias de Cozinha”. Por fim, “Uma Nova Sinfonia” trouxe a pulsação linda da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), onde o Maestro Evandro Matté e alguns músicos contaram como foram as atividades durante a pandemia e a retomada das atividades presenciais.   


O debatedor foi o pesquisador e crítico Maurício Vassali, que também quis entender sobre o processo de produção e da relação dos diretores com os atores e suas emoções, além dos desafios inesperados de uma produção audiovisual.  


Os documentários ficaram marcados pelas temáticas musicais, afetivas e poéticas, mostrando uma antítese importante na arte de contar histórias: sensibilidade com força. 



A vez da ficção 


As duas primeiras animações feitas em stop motion foram “Acendi ao vê-la”, da Eduarda Brum, que brinca com as palavras e traz um non-sense divertido e criativo; e “Atrás da Porta”, do Maicon Ferreira dos Santos, que trouxe o suspense e os delírios que os medos podem criar na gente. As duas animações tinham cerca de 1min30.  


“A Valsa” foi o primeiro curta de ficção a ser exibido. Com roteiro sensível, afetivo e amoroso, os personagens Lucrécia e Benedito decidem renovar seus votos de casamento no dia de suas bodas de ouro, mas não esperam os truques que a saudade pode pregar. A plateia também não esperava por esse truque, que ficou arrebatada com a história.

“Abissal” traz a personagem Dora, que encontra o corpo de um mergulhador na beira da praia. No entanto, ela é a única que o vê. Com o passar dos dias, ela não consegue discernir entre a realidade e sua paranoia.  

Por fim, “Pelos Olhos Teus”, também traz brincadeiras sutis com as ideias das palavras, já através do título. O curta traz uma história corajosa de amor e descoberta, através da personagem Amélia, que vive com a mãe cega. Após um encontro cheio de frustração, ela conhece Marjorie, uma mulher que desperta sentimentos nela.   


Estiveram presentes na sessão os atores Clemente Viscaíno e Vilma Loner, de “A Valsa”, Isabella Lacerda, Paulo Flores e Clélio Cardoso, de “Abissal”, e Gabriela Iablonovski, Arlete Cunha, Isadora Pillar e Juliano Rangel, de “Pelos Olhos Teus”, além dos músicos Rafael Kurai, Gabriel Thomsen e Madblush, que junto da diretora Natália Polla compuseram a trilha do curta.


Clemente Viscaíno recebeu uma homenagem, que contou com um clipe de suas participações em diversos curtas do CRAV, no qual ele colabora desde a primeira turma, em 2001, na qual um dos coordenadores do curso, Vicente Moreno se formou, inclusive. Clemente disse que adora colaborar com os alunos do CRAV, porque estes alunos são os diretores, roteiristas e produtores do futuro. Ele contou inclusive que já trabalhou com produções da Rede Globo onde encontrou alunos de outras turmas.  Clemente participou de cerca de 27 filmes, entre eles “Como Nascem Os Anjos”, “Memórias Póstumas”, “Carandiru” e “Nosso Lar” e de novelas como “Dancin’ Days”, “Por Amor”, “Anjo Mau” e “Caminho das Índias”.   


Os três curtas foram o trabalho de final de curso de três alunas-diretoras. Para compor o debate, a pesquisadora e crítica Juliana Costa trouxe questões e análises para a conversa.   


Dois dias de exibições 


O segundo dia de Mostra contou com as apresentações de animações e os curtas-metragens.


Stop motions e curtas ficcionais  


“Elevador”, é animação stop motion dirigido pelo Leonardo Kotz. A única sinopse possível é “Sobe ou desce?”. “Embaçados” é a animação dirigida por Luis Simioni, na qual “um olho” descobre que não enxerga bem. 


Os curtas-metragens exibidos na primeira sessão de quarta-feira foram Astronauta Azul, escrito e dirigido por Nicole Vaz, que conta a história de um menino autista que vive a perda da mãe e os desafios que o pai passa para compreender o filho; Livre Ária, com direção de Gabriel Thomsen e roteiro de Gabriel Thomsen e Felipe Trema, que aborda a história de um jovem que tenta escapar da realidade distópica através de memórias do passado; Esboço, escrito e dirigido por Gabriel Picinatto, sobre um homem que se encontra preso em uma sequência de histórias que confundem realidade com fantasia; e Élan, com direção e roteiro de Felipe Trema, em que o personagem André vive solitário até precisar tomar conta do cachorro da vizinha.   


Os debates tiveram foco nos curtas-metragens de ficção, sendo o principal da Mostra, onde foi foi possível conhecer um pouco mais das histórias e o processo de elaboração dos filmes. Autismo, ficção científica, realidades distópicas e reconexão com o mundo foram os temas principais dos curtas da primeira sessão do dia 13. O debate foi conduzido pelo diretor e roteirista Felipe Lesbick, e participaram Nicole Vaz, Felipe Trema e Gabriel Thomsen


Nicole Vaz, roteirista de Astronauta Azul, diz que se inspirou em seu irmão mais novo, que é autista. Para ela, a elaboração da história seria uma forma de homenagear o irmão e abrir espaço para conversas sobre o autismo: “Eu gostava daquilo e pensei em usar esse espaço para ele, para homenagear ele, colocar um pouco ele na tela. O autismo tem muitas variações, e eu quis botar a minha perspectiva como irmã e em como o autismo funciona com ele. Cada autista tem essa questão de ser muito diferente entre si”, comenta a diretora do curta.


No processo de direção, Nicole priorizou planos que deixassem a câmera na altura dos olhos do personagem, interpretado por Lorenzo Hoffman. Ela frisa o quando seria importante se colocar na altura dele para ouvir e compreender. A captação de som também foi pensada com cuidado, pois o som é percebido de forma muito particular: “A gente não queria somente captar som, porque o som é algo que vai ser percebido de forma totalmente diferente nessa questão do autismo. Quando a pessoa pode estar nervosa, o som aumenta, tudo fica muito alto. Tudo tem uma percepção diferente”, explica. 


A equipe de Astronauta Azul filmando uma cena de Lorenzo Hoffman, interpretando Edu. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



Élan foi o curta-metragem que contou com a Paçoca, a cachorrinha que viveu Peteca na história. André vivia solitário e a vizinha percebeu uma forma de ajudá-lo a se recuperar, com a ajuda de Peteca. O diretor e roteirista Felipe Trema conta que queria uma história que fosse de fácil identificação, que tivesse uma linguagem clara e econômica. Nos ensaios com os atores Fábio Castilhos e Ida Celina a conversa fluía e, para ele, parecia um encontro familiar. “Eles leram o roteiro e quando a gente foi fazer as discussões, eu estava vendo os personagens na minha frente. […] Às vezes eu tinha a sensação de que era um encontro familiar, parecia que eu estava encontrando pessoas que já tinha visto antes”, celebra Felipe.  


Paçoca foi a que mais improvisou, interagindo com um dos seus brinquedos, uma bolinha, em cena. “Quando a gente foi pra filmagem tudo funcionou. A cena da bolinha foi improviso. Ela foi lá e pegou a bolinha sozinha. E pensei “esse cachorro vai ganhar um Oscar”, comenta.  


Bastidores das gravações de Élan, escrito e dirigido por Felipe Trema. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



No curta Livre Ária, o diretor e roteirista Gabriel Thomsen contou que queria criar uma atmosfera futurista, distópica, e abordar a liberdade através da música. O principal, Levi relembrava suas memórias através de uma flauta, e Gabriel conta que o processo de ensaio foi importante para delinearem as intenções dos personagens. “Enquanto a gente revisava o roteiro e falava as falas, a gente conseguia melhorar mais ainda, dar mais nuance e profundidade às personagens”, explica. Pensando no som, Gabriel conta que a ideia era criar uma ambientação de futuro. “Era pra ter uma premissa mais futurista, daí sons que tinham a ver com uma dimensão mais robótica. E o lugar que a gente gravou também ajudava bastante porque dava uma ambientação mais futurista”.  


Para encerrar a programação  


A protagonista do stop motion Memento Mori é uma aranha. A animação teve direção de Ângela Roveda, e a sinopse é “sem essa, aranha”. Em seguida, um peixe atravessa o deserto no stop motion O Peixe, dirigido por Beatriz Potenza.  


A exibição dos curtas da segunda sessão do dia começou com Ruptura, escrito e dirigido por Júlia Heerdt, que conta a história de Sara, uma adolescente que convive com a sensação de não-pertencimento e, em uma festa, se aproxima de Pedro. Em seguida, o curta Eco, com roteiro e direção de Bárbara Lima, que retrata as histórias daqueles que habitaram. Utopia traz a história de Gregor, que vive sozinho e só conversa com Marge, um robô do setor de RH da empresa. Gregor um dia se espanta ao ver uma gravura de si mesmo. Para encerrar a Mostra, o curta Super-Guri trouxe risadas no público com uma comédia em forma de documentário, em que documentaristas acompanham o novo vilão de Porto Alegre, o Gado Gaudério, em sua tentativa de manchar o home do herói da cidade, o Super-Guri. O debate da sessão foi conduzido por Daniela Strack, assistente de direção e produção em diversos projetos de cinema, televisão e publicidade.


Ruptura, escrito por Júlia Heerdt, foi inspirado em uma história real de superação, que ela resolveu levar para as telas. Ela conta que tinha na cabeça algumas das imagens de como seriam as cenas e que quando o roteiro já estava encaminhado e estavam iniciando a pré-produção para as gravações, a pandemia alterou os planos. As filmagens foram adiadas e os estudantes se dedicaram ao TCC para, somente depois, retornarem às gravações. Para ela, a dinâmica de gravações foi desafiadora e ela contou sobre o trabalho em outras produções da turma. 


“A gente roteiriza o filme que a gente dirige, a gente produz um filme, a gente faz assistência de direção em um filme, e cada um participa nas suas especialidades. Eu escolhi arte, então fiz arte em outros filmes. É uma doideira. Enquanto a gente está fazendo nosso filme, já estamos produzindo outro, e já pensando em outro. Então foi meio que uma doideira, mas foi muito legal”. 


O curta Eco trabalhou a memória de um ambiente. A diretora e roteirista Bárbara Lima conta que quis trabalhar as diversas histórias que aparecem no filme a partir de fragmentos: “Eu busquei não explicar nenhuma história, mas dar fragmentos pensando nessa questão de como a gente não conhece a si nem aos outros completamente e quantas coisas não acontecem escondidas entre as quatro paredes que, de uma forma ou de outra, acabam ecoando tanto em outras pessoas como nos próprios ambientes. Então quando você entra num lugar novo, ou se muda, quantas pessoas já não passaram e deixaram pequenas marquinhas?”, explica.  


Filmagem de Eco (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos)



Utopia foi um curta-metragem que surgiu a partir de um desenho. Beatriz Lopes escreveu e dirigiu o curta, e conta que a ideia inicial surgiu de uma ilustração que fez do personagem principal, Gregor. “Eu gostava muito da estética de um filme de ficção científica. Comecei a pensar e surgiu o Gregor, e eu o desenhei”.  Buscando uma motivação para o personagem, ela percebeu que os desenhos poderiam ser uma chave. Na orientação aos atores, Beatriz propôs exercícios aprendidos durante o curso e, por também ser atriz, quis trabalhar a construção do personagem com o ator, Alexandre Vargas. “Sou atriz e gosto muito de direção, de pensar coisas pro ensaio. Eu queria muito trazer um pouco deste peso pro personagem, e no ensaio, deu para passar para ele o peso que eu queria que o personagem carregasse, e ele também contribuiu muito trazendo ideias”.  


Por trás das filmagens de Utopia, com roteiro e direção de Beatriz Lopes. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



O curta que encerrou a Mostra foi Super-Guri, uma comédia que conseguiu trazer risos da plateia com o formato de documentário. O diretor Telson Reis Júnior conta que, no processo de escrita, foi transformando os personagens para que fosse criada uma identificação, para que as pessoas gostassem do vilão Gado Gaudério e seu comparsa Quero-Quero. “No processo de tentar encontrar cada personagem eu tive reuniões online com os atores, pra entender mais ou menos a ideia da cena, qual é a personagem, qual a voz deles”, explica. Telson teve receio na hora da estreia, imaginando se as piadas dariam certo, mas as risadas da sala de cinema puderam comprovar. 


O impacto da pandemia nos roteiros 


Um dos coordenadores do CRAV, Milton do Prado, explicou que a pandemia fez com que muitos roteiros fossem adaptados e as gravações, adiadas. Atenta aos protocolos da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos, a produção tinha que estar sempre de máscara Pff2. se houvesse atores no curta, somente um poderia ficar sem máscara. Uma das produções incorporou as máscaras à história, como foi o caso de Astronauta Azul, em que os personagens as usavam em cena. 


Em alguns curtas, há cenas em que dois atores conversam, sem máscara, e Milton explica como foram gravadas: “Foram filmados separados e, depois, foram juntos na pós-produção. Foi filmado um ator com máscara e o outro sem, com a câmera na mesma posição, mesma luz, aí inverte e filma de novo”, explica Milton. Adaptar seus roteiros, repensar as histórias, tudo isso fez parte da realização das produções no meio de uma pandemia. “Essa turma está muito de parabéns! Eles foram absolutamente fantásticos para fazerem filmes legais apesar de todas essas restrições”, celebra o coordenador. 





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A televisão ainda é um dos meios de comunicação mais presentes nas casas brasileiras, alcançando audiência em locais onde a internet mal sonha em chegar. Esse papel ficou ainda mais claro no cenário de pandemia que vivemos. A presença e confiabilidade da televisão foram postas à prova quando todos os olhos se voltavam para os telejornais, esperando que eles pudessem, mais uma vez, indicar “a verdade”. 


Dentro desse cenário, a disciplina de Linguagens Artístico-Culturais II, do curso de Pedagogia, promoveu a live “A tv como objeto de estudo da escola”, na última quinta-feira, dia 5 de novembro. O encontro faz parte de uma trilogia de eventos para debater, com convidados especiais, temáticas interessantes à educação. 


Os convidados foram Daniel Pedroso, professor dos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos, e Carol Anchieta, jornalista e assessora de Diversidade da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac) do Governo do Rio Grande do Sul. A organização foi do professor Maurício Ferreira, responsável pela disciplina. A mediação ficou por conta das estudantes Bianca da Rosa, Eduarda Vieira, Gabriela Cela, Gabriela Mesquita e Isabela Ferreira.


“Ao invés de entrar em uma luta com a televisão, é melhor aprender como apropriar suas linguagens para poder usar isso na comunicação e na educação infantil”, explicou Maurício. Para ele, a percepção de que a televisão ainda é fonte importante de informações torna necessário que se pense, cada vez mais, na forma como ela influencia e educa, mesmo quando não é esse o intuito inicial. 


“Fazer TV é um desafio dobrado”, concordou Carol. “Exige responsabilidade e tem que disputar com a internet, que proporciona uma gama grande de conteúdos com trabalho de poucas pessoas. Mas, embora a TV tenha enxugado o seu quadro profissional e os orçamentos de produção tenham baixado, ainda há um espaço nobre de construção audiovisual”, avaliou a jornalista, que é mestranda em Design Estratégico pela Unisinos.


Na opinião das estudantes presentes na live, o espaço nobre da TV ainda não reflete os apelos das pessoas. Para elas, as emissoras produzem um conteúdo, sobretudo de entretenimento, que não consegue captar as nuances da sociedade. A representação na televisão não chega até a realidade. “Eu não me sentia representada, mas só fui ter um olhar crítico quando morei no Rio de Janeiro e fui trabalhar no Futura”, comentou Carol.


Para a jornalista, que participa ativamente de movimentos feministas e antirracistas, a desigualdade racial dentro das emissoras ainda é alarmante. “Em um país que tem a maioria de sua população formada por pessoas negras, não é estranho que se possa contar o número de jornalistas negros nos dedos das mãos? Não é porque eles não querem trabalhar na televisão. Não dá para pensar assim.”


“Um dia, assistindo televisão, comemorei quando vi que vários apresentadores em sequência eram negros”, comentou Daniel, que também é doutor em Comunicação pela Universidade do Texas. “Mas é um absurdo que nós ainda tenhamos que ficar felizes com essas pequenas coisas”, criticou. Carol observou também que é hora de todos se posicionarem: “Enquanto a gente não agir sobre a reflexão, as coisas não vão mudar”.


Esse sentimento se reflete também no universo audiovisual, que hoje, além da TV, têm a presença das plataformas de streaming e dos produtores independentes de conteúdo. “Mais do que assistir e desfrutar da linguagem, temos que colocar mão na massa e fazer junto”, incentivou Daniel. “Como o pesquisador argentino Mario Carlón fala, ‘a televisão tem dois dispositivos atuantes’. Não é só a transmissão, a empresa. É o fazer e praticar esse conteúdo.”


Para o professor, chamar crianças e jovens a participarem faz parte do novo modelo a se pensar. “Assistir um documentário não é mais o suficiente. É preciso colocar as crianças para construir esse produto, explorar o objeto audiovisual, entregar trabalhos em vídeo, entrevistar pessoas”, acredita Daniel.


Para assistir o debate na íntegra, acesse este link e conheça a primeira live da trilogia. Também não esqueça de ficar ligado no canal da Escola de Humanidades para ficar sabendo dos próximos eventos.

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Começa o Festival de Cinema de Gramado https://mescla.cc/2020/09/18/comeca-o-festival-de-cinema-de-gramado/ https://mescla.cc/2020/09/18/comeca-o-festival-de-cinema-de-gramado/#respond Fri, 18 Sep 2020 20:35:02 +0000 http://mescla.cc/?p=13967 Por Estephani Richter e Guilherme Machado Há mais de 40 anos, o Festival de Cinema de Gramado vem acompanhando a evolução do cinema brasileiro e, principalmente, gaúcho. Curte cinema? Porque essa pode ser a edição perfeita, ainda mais se você nunca presenciou nenhuma. Primeiro, os conteúdos estarão disponíveis no Canal Brasil Play, via streaming. Segundo, […]

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Por Estephani Richter e Guilherme Machado

Há mais de 40 anos, o Festival de Cinema de Gramado vem acompanhando a evolução do cinema brasileiro e, principalmente, gaúcho. Curte cinema? Porque essa pode ser a edição perfeita, ainda mais se você nunca presenciou nenhuma. Primeiro, os conteúdos estarão disponíveis no Canal Brasil Play, via streaming. Segundo, as mostras competitivas serão exibidas na TV pelo Canal Brasil. E ainda tem as redes sociais Facebook e Instagram. Sinta-se convidado ao universo cinematográfico latino-americano. Confira a programação do 48º Festival de Cinema de Gramado.

O Mescla conversou com Fatimarlei Lunardelli, vice-presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs) e que também já atuou como professora substituta do Curso de Realização Audiovisual (CRAV) da Unisinos. “Os filmes ainda são inéditos. Posso dizer que uma boa expectativa é em relação ao filme “Um animal amarelo”, sexto longa do diretor Felipe Bragança. Esse é um dos filmes brasileiros selecionados entre 146 inscritos”, diz Fatimarlei sobre a obra, que trata da herança do colonialismo português no Brasil de hoje.

Para ela, o Festival de Gramado deste ano está conseguindo administrar o enorme desafio de manter a continuidade em meio à pandemia, que impõe o isolamento social. “Praticamente todas as atividades estão mantidas e isso é muito bacana, porque, de certa forma, vai alcançar mais gente”. A crítica de cinema lamentou apenas não poder apreciar a beleza do evento na Serra gaúcha.

Mônica Kanitz, curadora da Cinemateca Paulo Amorim e integrante da Accirs, conta que sua expectativa é grande em relação a essa edição: “Há 20 anos, é sempre um momento aguardado de encontro com colegas jornalistas, amigos e realizadores do Brasil inteiro. Junto, vem a possibilidade de conhecer uma nova safra de curtas e longas nacionais, vivenciar a maratona do ‘gauchão’ (a mostra de curtas gaúchos) e ter algumas surpresas – boas e não tão boas – diante da competição de filmes estrangeiros”, diz. Uma de suas dicas para aproveitar o formato gratuito é “Aos pedaços”, do Ruy Guerra. “Trata-se de uma produção de um dos cânones do cinema brasileiro – ele está com 89 anos. A outra é ‘Todos os mortos’, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, dois diretores que vêm realizando projetos instigantes e inovadores no nosso meio audiovisual.”

Os cravianos no Festival de Gramado 

Sopa Noir” é uma animação de comédia feita totalmente por alunos do CRAV
(Foto: Divulgação / CRAV)

Como já é de costume, o CRAV também tem presença marcada no Festival de Gramado. Atuando nas mais diversas funções, desde montagem, produção, até roteiro e direção, os cravianos, como são chamados, são formados por professores, alunos e ex-alunos, que costumam deixar a marca do curso nesse que é um dos mais respeitados festivais de audiovisual da América Latina. Ao todo, são 15 filmes produzidos por cravianos selecionados tanto para os Curtas Gaúchos como para os Longas Gaúchos.

Uma dessas obras selecionadas foi a animação “Sopa Noir“. O curta foi produzido por acadêmicos do CRAV durante os dois semestres de 2019. O roteiro, a direção e a animação foram de Beatrice Petry Fontana, que contou com Thiago Dorsch na produção e direção de arte, Alice Sperb também na direção de arte e Guime na direção de foto. Julia Zoppas, João Cardoso e Luiza Zimmer foram os integrantes da equipe de som. O filme teve apoio da equipe do Laboratório Avançado de Tecnologias da Informação e Comunicação (Labtics). A orientação foi do professor James Zortéa. 

Ele explica que todo aluno que decide realizar um filme de animação precisa primeiro apresentar um projeto audiovisual para o colegiado do curso. Após aprovado, começa todo o processo de realização com a formação de uma equipe. Segundo James, a diretora Beatrice destacou-se com o aprendizado de um software 3D que usou na produção. “Todo o CRAV celebra a consagração exitosa do processo acadêmico, que culmina na exibição do filme junto ao circuito profissional, com visibilidade nacional”, destaca. 

Equipe do “Sopa Noir” durante apresentação do filme em mostra da Unisinos
(Foto: Arquivo Pessoal / Beatrice Petry Fontana)

Sopa Noir” é uma comédia policial. O filme se passa no mundo dos vegetais, e tem como trama o mistério do assassinato do Chuchu. Beatrice conta que entrou no curso com foco em animação e direção de arte, e que sempre gostou da estética de filmes noir estadunidenses e de comédias. “Pude colocar tudo isso nesse projeto. Foi desafiador, mas admito que o processo foi divertido”, revela Beatrice, que já participou do Festival como espectadora em anos anteriores. 

“Acho que não só para mim, mas para a equipe e dubladores do curta, significa o reconhecimento do nosso trabalho, dedicação e esforço posto na produção desse curta. Ser selecionada para o 48º Festival de Gramado mostra que o esforço valeu a pena e também significa de que estou caminhando no rumo certo para o meu futuro profissional”, observa a aluna.

Os egressos também estão no Festival 

Filmes de ex-alunos também serão exibidos no Festival. Entre eles está “Lacrimosa“, de Matheus Heinz, responsável por praticamente toda a produção da obra. O filme conta a história de uma menina que perde o irmão, e os pais são acusados pela morte dele. “Eu sempre quis falar sobre esse tema, a morte de um filho pelo seu próprio pai. Acho que, por ser absurdo demais, algo antinatural”, destaca o craviano. Matheus contou apenas com a ajuda do namorado, que ficou com a divulgação, e da irmã,  para a dublagem. Ele lamenta não poder participar do Festival de forma presencial. “Saber que mais pessoas terão acesso aos filmes me reconforta”, sublinha.

O céu da pandemia“, curta da ex-aluna Marina Kerber, também foi selecionado. A obra, que faz parte da série Quarantine Tales e também do festival Fantaspoa at Home, tem no Festival de Gramado a consolidação do reconhecimento. Marina comenta que a produção do filme foi muito caseira e sem uma narrativa linear. “Fiquei muito feliz que o Festival abriu a seleção para diversos tipos de expressão artística”. O curta mistura ficção com documentário e animação com live action, mostrando fatos históricos do momento que vivemos com metáforas visuais. Marina usou apenas o celular e o computador na produção. “O filme foi sendo criado dessa forma, um quebra-cabeça que fui montando aos poucos”, explica.

Daniel de Bem também foi um dos cravianos escolhidos, com o curta-metragem “Ver a vista“. Ele conta que quando era criança, em uma viagem ao interior, seu pai – falecido há quase 20 anos – o levou até um morro para observar a região. O momento, registrado em fitas VHS, foi sua inspiração para construir a obra. O filme foi feito apenas com a montagem e edição de imagens de seus filmes antigos, sobras de material bruto e gravações de celular. Daniel acredita que estar no Festival de Cinema de Gramado traz uma força coletiva com os outros participantes. “A seleção desse filme me inspira a pensar mais um cinema fora das narrativas ficcionais básicas”, comenta.

Jéssica Luz, professora do CRAV, também foi uma das selecionadas, junto dos já formados Pedro Clezar, Natasha Ferla, Jonatas Rubert, Fernando Polla e Higor Rodrigues. Ela é produtora executiva de “Portuñol“, filme que será exibido na categoria Longas Gaúchos. O documentário mostra as misturas culturais na região fronteiriça do Brasil, e tem direção de Thais Fernandes. A pequena equipe registrou a mescla de línguas, como espanhol, português e até o guarani nos diferentes países de fala castelhana. Jéssica explica que o filme foi financiado pela GloboNews e tem duas versões. “Uma é mais longa, de 70 minutos. Essa que a gente tá exibindo no festival é outra, de 50 minutos, que vai passar na televisão, depois de passar no cinema”, explica.

Para saber mais sobre o Festival

Tudo começou em 1973, com a oficialização do evento pelo Instituto Nacional de Cinema. Era uma parceria entre Embrafilme, Prefeitura Municipal de Gramado, Companhia de Jornalismo Caldas Júnior, Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado. Era a estreia do “Deus da alegria” (Kikito), concedido a todos os vencedores. Em 1992, houve a internacionalização do Festival, que passou a apresentar um panorama da produção ibero-americana. 

Kikitos de ouro, o Oscar do Festival entregue aos vencedores
(Foto: Cleiton Thiele / Agência Pressphoto)

O 48º Festival de Cinema de Gramado tem curadoria de Marcos Santuário, Pedro Bial e Soledad Villamil. Entre os homenageados estão Horst Volk, Marco Nanini, Laís Bodanzky, Denise Fraga e César Troncoso. Se você não conhece o Festival, a hora é esta. Não esqueça de acessar as redes sociais do evento, que ocorre entre os dias 18 e 26 de setembro. Tipo, começa amanhã.

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Projeto de ex-aluno do CRAV lança série de minidocumentários em parceria com a Mídia NINJA https://mescla.cc/2020/08/12/projeto-idealizado-por-ex-aluno-do-crav-em-parceria-com-a-midia-ninja-desafia-realizadores-a-produzir-durante-a-pandemia/ https://mescla.cc/2020/08/12/projeto-idealizado-por-ex-aluno-do-crav-em-parceria-com-a-midia-ninja-desafia-realizadores-a-produzir-durante-a-pandemia/#respond Wed, 12 Aug 2020 20:02:39 +0000 http://mescla.cc/?p=13671 Em meio ao novo coronavírus, todos os setores que movem a economia foram afetados, e com o audiovisual não foi diferente. Os segmentos de segurança impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tornaram a realização de produções de vídeo mais complicadas. Pensando nisso, a produtora gaúcha Casa Átomo Filmes lançou uma campanha com o lançamento […]

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Em meio ao novo coronavírus, todos os setores que movem a economia foram afetados, e com o audiovisual não foi diferente. Os segmentos de segurança impostos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) tornaram a realização de produções de vídeo mais complicadas. Pensando nisso, a produtora gaúcha Casa Átomo Filmes lançou uma campanha com o lançamento de minidocumentários produzidos por realizadores audiovisuais relatando suas vivências em quarentena. Daí vem o nome do projeto: Quarantine Tales. 

Sócio e diretor de cena da Casa Átomo, Vinícius de Barros foi responsável pelo gerenciamento do projeto. Ele conta que logo no início da quarentena começaram a surgir questionamentos sobre como produzir sem poder se reunir. Com todas as dúvidas que surgiram, tanto de clientes como entre eles mesmos, Bianca Chiaradi, uma das gerentes do projeto, instigou o grupo a criar uma campanha que trouxesse uma solução a tudo isso. Assim, com a ajuda do roteirista Keigiro Ueno, lançaram O Vídeo Aproxima. Mas ainda não era o suficiente. “A gente não queria parar ali, lançar um manifesto e pronto. Começamos a buscar outras maneiras de desenvolver um projeto na quarentena. E aí, junto do meu sócio, Tom Silveira, criamos o projeto Quarantine Tales”, observa Vinícius. 

Vinícius se formou na Unisinos em 2019 no curso de Realização Audiovisual. Atualmente, é sócio da Casa Átomo Filmes
(Foto: Arquivo Pessoal / Vinícius de Barros)

Com a proposta de minidocumentários retratando o distanciamento social, foram convidados a participar da primeira temporada 14 diretores de diferentes áreas do audiovisual de diversos locais do país. Vinícius, que é formado pela Unisinos no curso de Realização Audiovisual (CRAV), explica que cada um deles mostrou a sua rotina de quarentena, repensando o seu processo criativo. Ele conta que a ideia era promover um conteúdo que tivesse qualidade e deixasse uma reflexão. “Cada um está passando a quarentena de uma forma diferente e encarando ela de uma maneira diferente. O que isso pode mudar em você?”, questiona o diretor, observando ainda um outro ponto importante: a reinvenção no modo de trabalho, com limitação de equipes e equipamentos. 

Já para a segunda temporada, a Casa Átomo fechou uma parceria com a Mídia NINJA, uma rede de comunicação independente, que exibiu a série em suas redes. Vinícius explica que, com o final da primeira temporada, muita gente quis saber como poderia participar. Assim, surgiu a ideia da parceria, abrindo as inscrições para pessoas de todo o Brasil contarem suas histórias na pandemia. A curadoria foi realizada por uma equipe da Mídia NINJA, Casa Átomo Filmes e pela cineasta Kamila de Moraes.

A parceria com a Mídia NINJA surge com a segunda temporada, abrindo espaço para qualquer pessoa participar
(Foto: Reprodução / Mídia NINJA)

A coordenadora da TV NINJA, Ana Gonçalves, explica que eles já haviam aberto a grade para divulgação de outros realizadores audiovisuais. Então, quando o pessoal da Casa Átomo entrou em contato para divulgar o projeto, decidiram exibir também os minidocumentários. “Um projeto como esse é importante para manter a produção audiovisual do Brasil profundamente ativa, sem depender de grandes recursos, e também dá visibilidade a novos talentos, que muitas vezes não têm espaço para mostrar seu conteúdo”, destaca Ana.

Os vídeos da primeira temporada foram exibidos na TV NINJA e na Prime Box Brazil. Já os da segunda, apenas na TV NINJA, o que deu bastante visibilidade para os participantes, pois o site conta com mais de 5 milhões de seguidores em sua rede. Para Vinícius, esse projeto serve para repensarmos o nosso papel no audiovisual e no modelo de trabalho. “E também para refletirmos sobre nós mesmos, além de, claro, ter o Quarantine Tales como um retrato histórico sobre o momento que estamos vivendo”, destaca. 

O CRAV presente

O minidocumentário de Sofia fala sobre o significado do viver
(Imagem: Reprodução / Mídia NINJA)

Um dos realizadores selecionados para a segunda temporada de Quarantine Tales foi Sofia Vidor, estudante do CRAV e estagiária de audiovisual da Agência Experimental de Comunicação da (Agexcom) Unisinos. Ela conta que ficou sabendo sobre o projeto por meio do fotógrafo Angelo Bonini, que participou da primeira edição. A partir disso, decidiu tirar do papel a ideia que ela já tinha de produzir algo durante a quarentena, uma produção que trouxesse alguma reflexão. Sofia lembra que, a princípio, tinha dúvidas se faria um vídeo mais focado nela ou mais coletivo. Sofia acabou optando pela segunda opção. Assim nasceu o minidocumentário Ensaio do Viver.

Sofia conta que o projeto surgiu em meio ao movimento #BlackLivesMatter, desafiando-a a pensar sobre como as desigualdades vieram ainda mais à tona em meio a pandemia. Então, pensou em trabalhar com a ideia de algo que todos têm em comum, como o sentimentos.  

Aluna do CRAV, Sofia foi selecionada para participar da segunda temporada do projeto
(Foto: Arquivo Pessoal / Sofia Vidor)

A estudante mandou um questionário para diversas pessoas diferentes, que responderam por áudio, formando uma única voz. Para cobrir esses áudios, ela usou fotos antigas que guarda de seu avô, que era jornalista, além de imagens que já tinha de arquivo. Mesmo diferentes, Sofia pode perceber muito do que é comum: “Sobre essas coisas essenciais, as pessoas pensam as mesmas coisas, gente que nem se conhece, de diferentes áreas e classe social, tem muitas vezes a mesma opinião. Realmente, estamos todos conectados”, destaca Sofia.

Ela conta que se inscreveu no projeto com expectativa baixa, pensando que, se não passasse, seria tranquilo, pois usaria o trabalho como portfólio. Mas, quando viu que foi selecionada, ficou muito feliz, pois viu que existe espaço para produtos mais artesanais, sem precisar se submeter a um padrão do mercado. “Nesse momento em que estamos, se não nos apegarmos em pequenas coisas para ser feliz, ficamos loucos. A pandemia está nos ensinando a ficarmos bem com nós mesmos e transformar a solidão numa solitude”, sublinha a aluna do CRAV. 

Vinícius não descarta a possibilidade de haver outras edições, pois o projeto foi muito bem aceito. Caso aconteça, as informações serão divulgadas no Instagram @casaatomofilmes e @midianinja. Enquanto isso, confira o trailer da segunda temporada do Quarantine Tales: 

Quarentena Projetada

Além do Quarantine Tales, a Mídia NINJA ainda conta com outro projeto que incentiva a realização de trabalhos no audiovisual: o Quarentena Projetada. A ideia nasceu de uma convocatória do Instituto Moreira Salles (IMS) com o objetivo de manter artistas ativos durante a pandemia. A parceria surgiu justamente para que essa chamada a artistas fosse massiva, abrindo para que pudesse ser enviado fotos, vídeos, poemas e design. Para participar, bastava postar o trabalho com #QuarentenaProjetada, que ia diretamente para o site IMS Convida.

Coordenador da frente de fotografia da Mídia NINJA e gestor do projeto Quarentena Projetada, Oliver Kornblihtt explica que o processo foi dividido em etapas. A primeira foi a convocatória, que durou um mês e recebeu mais de 14 mil trabalhos. Seguindo, veio a etapa de projeções, que, por meio de uma curadoria, selecionou 430 obras levando em conta a diversidade entre os artistas. As projeções ocorreram simultaneamente em 11 cidades durante 2h. A terceira etapa foi a entrega do apoio econômico para 30 artistas selecionados. Para Oliver, o projeto teve um impacto bem grande para os artistas, que tiveram um espaço de visibilidade. “O resultado do produto também foi muito legal. Muita diversidade de obra, de produção artística. Para nós, foi um projeto muito impactante”, avalia.

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Em suas casas, alunos criam produções audiovisuais durante a pandemia https://mescla.cc/2020/07/20/em-suas-casas-alunos-criam-producoes-audiovisuais-durante-a-pandemia/ https://mescla.cc/2020/07/20/em-suas-casas-alunos-criam-producoes-audiovisuais-durante-a-pandemia/#respond Mon, 20 Jul 2020 19:41:20 +0000 http://mescla.cc/?p=13565 O curso de Jornalismo da Unisinos (Campus São Leopoldo) tem superado todas as dificuldades quando o assunto é fazer jornalismo à distância. Como você já viu aqui no Mescla, podcasts e até publicações impressas foram produzidos pelos alunos durante o primeiro semestre de 2020. Porém, quando o assunto é jornalismo audiovisual, os desafios podem ser […]

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O curso de Jornalismo da Unisinos (Campus São Leopoldo) tem superado todas as dificuldades quando o assunto é fazer jornalismo à distância. Como você já viu aqui no Mescla, podcasts e até publicações impressas foram produzidos pelos alunos durante o primeiro semestre de 2020.

Porém, quando o assunto é jornalismo audiovisual, os desafios podem ser maiores, principalmente no quesito captação de imagens, seja de entrevistados (ou fontes, como se diz no jargão jornalístico) ou de locais externos. Mesmo assim, as disciplinas ligadas ao audiovisual superaram às adversidades e produziram dois projetos: o telejornal “Prisma”, realizado pelos alunos de Jornalismo Audiovisual e Reportagem, e o documentário “Notas sobre o isolamento”, criado pelos estudantes de Projeto Experimental em Audiovisual. A principal dificuldade foi superada com êxito: todas as captações de imagens foram feitas pelos celulares dos alunos e das fontes.

Tendo como assunto principal a pandemia causada pelo novo coronavírus, os projetos procuraram abordar o tema sob diferentes perspectivas. Com um olhar mais jornalístico, o “Prisma” mostra como o coronavírus afetou a vida das pessoas, desde a violência doméstica até os comércio locais, em diferentes cidades do Estado – no caso, as cidades onde os alunos residem. Já o “Notas sobre o isolamento” parte da ideia de um “diário de confinamento”, em que os próprios estudantes gravam a si mesmos contando como tem sido a rotina durante o distanciamento social.

Escada virou tripé

“Uma preocupação com o telejornal ‘Prisma’ foi adotar uma estética. A estética da pandemia”, revela a professora da disciplina, Luciana Kraemer, ao falar sobre os desafios de organizar o método de trabalho. Divididos em grupos, os estudantes adotaram uma organização dividida em etapas. Usaram como referência o formato que os telejornais locais vem seguindo, nos últimos meses, para cobrir matérias e reportagens sobre o assunto. Um aspecto importante para o desenvolvimento do projeto foi a adesão e a participação dos futuros jornalistas: “A turma foi muito generosa e participativa. Houve muita vontade de se superar”, reforça Luciana.

Fazer contato com as fontes por WhatsApp e Skype e até usar uma escada como tripé. Os alunos tiveram uma experiência única na criação do telejornal. “Bem diferente do que a gente imaginou”, define o estudante Douglas Glier Schütz. A colega Tainara Pietrobelli transformou a sala de casa em um miniestúdio improvisado. “Fui pegando o que tinha mais próximo e tentei encontrar um enquadramento que ficasse correto”, conta a aluna, que atuou como âncora (apresentador-editor) do “Prisma”. “Eu acabei pegando uma escada para usar como tripé”, lembra. Para ela, tudo serviu como aprendizado para a profissão. “Acho que uma coisa muito importante pra todos nós é que isso tudo serviu para percebermos que o nosso desempenho enquanto profissional não depende apenas de um estúdio ou de um equipamento de qualidade”, avalia.

Na casa de Tainara, uma escada virou um tripé improvisado
(Foto: Arquivo Pessoal)

Relatos pessoais

A pandemia afetou a rotina das pessoas em diferentes modos. Pensando nisso, a turma de Projeto Experimental criou um “grande diário coletivo de início de quarentena”, como define o estudante Ângelo Gabriel. “Claro, sem deixar o perfil jornalístico de lado”, reforça.

A ideia inicial era fazer um diário de quarentena dividido por editorias (grandes temas). Porém, conforme o projeto foi se desenvolvendo, os alunos focaram mais no que gostavam e no que realmente estavam fazendo no dia a dia. “A gente entendeu que teria um valor muito importante em nossos relatos pessoais, como cada um está vivenciando isso”, explica o professor do projeto, Daniel Pedroso.

Um fator determinante para a criação do documentário foi o engajamento dos alunos, como comenta Daniel: “Uma coisa legal foi a gente ter conseguido terminar o projeto mais cedo. Assim, tivemos a oportunidade de discutir o programa já pronto. Isso é um procedimento muito importante em um documentário”.

As duas produções estão disponíveis no canal do Mescla no YouTube.

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Disciplina de PP promove bate-papos com profissionais https://mescla.cc/2020/06/15/disciplina-de-pp-promove-bate-papo-com-profissionais/ https://mescla.cc/2020/06/15/disciplina-de-pp-promove-bate-papo-com-profissionais/#respond Mon, 15 Jun 2020 20:07:58 +0000 http://mescla.cc/?p=13282 A atividade acadêmica de Projeto Audiovisual, do curso de Publicidade e Propaganda, está um pouco diferente neste semestre. Com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia de Covid-19, os alunos não puderam, até agora, realizar as gravações para o curta-metragem que estão produzindo. Com todas as outras etapas adiantadas – roteiro, conceitos de […]

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A atividade acadêmica de Projeto Audiovisual, do curso de Publicidade e Propaganda, está um pouco diferente neste semestre. Com a suspensão das aulas presenciais por causa da pandemia de Covid-19, os alunos não puderam, até agora, realizar as gravações para o curta-metragem que estão produzindo. Com todas as outras etapas adiantadas – roteiro, conceitos de arte e fotografia, som e montagem –, a professora Lisiane Cohen recebeu uma sugestão vinda dos estudantes. “Eles me perguntaram se eu podia trazer profissionais das áreas específicas para conversar”, conta. Lisiane, que também é cineasta, não teve dúvidas: acatou a ideia.


Por meio de aulas por videoconferência, os estudantes já tiveram a oportunidade de bater um papo com Maurício Borges de Medeiros, diretor de fotografia e professor nos cursos de Realização Audiovisual e Fotografia; Christian Vaisz, que, além de professor, trabalha profissionalmente com pós-produção de som; Carmem Fernandes, diretora de arte e maquiadora; e Kiwi Bertola, que faz parte do Plano9 Filmes e falou sobre o funcionamento de um set e o trabalho do assistente de direção. 


“Eu realmente me senti prestigiada com esses encontros virtuais”, conta Marislane Dapper, uma das alunas da atividade. “Tivemos profissionais da área nos orientando e tirando dúvidas. Me senti como se já fosse do ramo, afinal, tivemos contato com pessoas com grande bagagem na área do audiovisual”, diz a estudante.


Para a colega Vivian Abanus, o conhecimento prático de audiovisual é essencial para a publicidade. “Esse foco específico tornou para mim o aprendizado mais rápido e proveitoso. É muito bom ter a possibilidade de conversar com profissionais inseridos no mercado que conseguem traduzir esses conhecimentos”, expressa Vivian.


Lisiane confessa ter usado todo seu capital social para arrecadar esses profissionais. O esforço valeu a pena. “Além do pronto atendimento, eles se dedicaram a ler o roteiro e trabalhar com os alunos em cima do material que já haviam produzido. Uma experiência única que os estudantes estão se empenham em aproveitar”, comenta a professora. 

Professora Lisiane Cohen (à esquerda) organizou bate-papos com profissionais da área de cinema para a atividade acadêmica de Projeto Audiovisual (Foto: Reprodução)

Gravações adiadas


Na atividade acadêmica, uma das mais aguardadas do curso de Publicidade e Propaganda, os alunos produzem, passo a passo, um curta-metragem, trabalhando roteiro, edição e até arriscando algumas atuações frente às câmeras. Todos os detalhes de produção ficam à cargo dos alunos. Com a suspensão das aulas presenciais, tudo foi transferido para o ambiente virtual. Mas havia um problema: a captação de imagens e sons, utilizando toda a infra-estrutura e equipamentos da Unisinos, não poderia ser realizada. 


“No início, não sabíamos quanto tempo duraria o isolamento. Se pensava em duas semanas, então tocamos as tarefas normalmente”, conta Lisiane. Bastante acostumada à rotina de produção, a professora aplicou cronogramas para serem cumpridos pelos 27 alunos da turma. “Fomos desenvolvendo todas as atividades de forma online, sempre de olho no cronograma, para depois discutirmos em aula.”


Lisiane, em parceria com a coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda, Anais Bertoni, conseguiu negociar com a Unidade de Graduação da Universidade o adiamento das gravações para o próximo semestre, quando espera-se que parte da pandemia esteja controlada. “Eu brinco com eles que tudo tem um lado bom e um ruim. E o bom dessa história é que eles acabaram tendo mais tempo para amadurecer o projeto”, avalia a professora.

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Festival Kino Beat traz arte em movimento https://mescla.cc/2019/11/27/festival-kino-beat-traz-a-arte-em-movimento/ https://mescla.cc/2019/11/27/festival-kino-beat-traz-a-arte-em-movimento/#respond Wed, 27 Nov 2019 17:50:33 +0000 http://mescla.cc/?p=12376 Música, fotografia e vídeo são apenas algumas das linguagens que vão tomar conta da cidade de Porto Alegre durante o Festival Kino Beat. O evento, que teve início na terça-feira (26), vai até o domingo (1º de dezembro) com diversas atividades gratuitas em diferentes espaços da capital. Neste ano, o tema é “Arte em Movimento”, […]

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Música, fotografia e vídeo são apenas algumas das linguagens que vão tomar conta da cidade de Porto Alegre durante o Festival Kino Beat. O evento, que teve início na terça-feira (26), vai até o domingo (1º de dezembro) com diversas atividades gratuitas em diferentes espaços da capital. Neste ano, o tema é “Arte em Movimento”, o que mostra a natureza de constante transformação do Festival, que busca expandir ainda mais suas possibilidades de atuação.    

No primeiro dia, o Teatro Unisinos recebeu a visita da avatar digital Yona, uma auxaman (humana auxiliar) criada pelo iraniano Ash Koosha. Yona, a primeira de uma raça de seres virtuais, é uma artista virtual, que cria suas músicas usando dados da internet, inteligência artificial e ferramentas generativas. 

Uma das músicas desenvolvidas pela avatar Yona está disponível no YouTube
Vídeo: Divulgação

O evento também conta com uma intervenção urbana traduzida no projeto “A poética dos fungos”, desenvolvido pela fotógrafa Tuane Eggers. Foi a partir da observação que a artista criou um ensaio fotográfico dedicado à existência dos fungos. A ideia é ressaltar que nada é estático, tudo está em fluxo. Para poder apreciar as obras, é preciso estar ligado na agenda do Festival, pois foram escolhidos locais não usuais para a exposição. 

Tuane acredita que, para se fazer um novo mundo, é preciso de um antigo certamente
Foto: Tuane Eggers
Graduada em Jornalismo e mestranda em Poéticas
Visuais, Tuane foca sua arte na fotografia analógica
Foto: Tuane Eggers
Um dos temas mais presentes no trabalho da artista
são os fluxos da natureza e a impermanência da vida
Foto: Tuane Eggers

Tomaz Klotzel, fotógrafo, também apresenta seu trabalho no dia 1º de dezembro, às 18h, no Margs: Praça da Alfândega. Trata-se de uma palestra recital envolvendo a memória de pessoas que testemunharam ou sofreram indiretamente com os crimes de grilagem ligados à disputa de terras na região sul e sudeste do Pará. Além dessas atrações, o Festival conta com outros nomes, como o Linn da Quebrada, Dj Tata Ogan e Projeto Sonora

Confira tudo o que vai rolar navegando no site do evento. Lembre-se que serão distribuídas senhas uma hora antes de cada evento, na bilheteria ou entrada de cada espaço. Chegue cedo e aproveite! 

Vídeo mostra como foi a edição do ano passado
Vídeo: Divulgação

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Nossas Diásporas https://mescla.cc/2019/06/03/nossas-diasporas/ https://mescla.cc/2019/06/03/nossas-diasporas/#respond Mon, 03 Jun 2019 19:35:17 +0000 http://mescla.cc/?p=9638 Os graduandos do curso de Fotografia Larissa Hansen, Vitória Macedo e Henrique Bittercourt, em conjunto com a egressa Ursula Jahn foram selecionados para a residência artística com o intuito de produzir obras para serem expostas no FestFoto. Os professores do curso Tiago Coelho e Marco Antônio, ao lado das profissionais Maria Helena Bernardes e Letícia […]

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Os graduandos do curso de Fotografia Larissa Hansen, Vitória Macedo e Henrique Bittercourt, em conjunto com a egressa Ursula Jahn foram selecionados para a residência artística com o intuito de produzir obras para serem expostas no FestFoto. Os professores do curso Tiago Coelho e Marco Antônio, ao lado das profissionais Maria Helena Bernardes e Letícia Lampert, acompanharam todo o processo de produção dos alunos durante o período de três meses.

“A gente fez essa proposta para que tivéssemos artistas gaúchos produzindo sobre a temática do festival. O resultado foi melhor do que esperávamos”, diz Tiago. Ele conta que esta foi a primeira experiência para Larissa, Vitória e Henrique que já foram seus alunos e destaca que os trabalhos produzidos foram de grande importância para a carreira profissional de cada um.

“Eu sempre senti um certo deboche por ter um sotaque e por ser do interior, como se eu não pudesse ocupar aquele espaço na universidade” – Larissa Hansen

Larissa, 22 anos, está no quinto semestre de fotografia e veio do interior de Tuparendi (RS). Durante os três meses de sua residência artística, ela produziu um curta-metragem acompanhando a rotina dos pais que moram no campo. A ideia era justamente quebrar o estereótipo do homem do campo como uma figura desprovida de saber. Como resultado, Larissa foi convidada a participar de uma das mesas do evento.

“Quando eu vi os outros selecionados eu entrei num estado comparativo, tinha uma galera com um portfólio muito fod*. Inclusive, um deles era professor de universidade”, conta ela. “Expor neste festival me trouxe tanto autoconhecimento quanto confiança na minha identidade artística e fotográfica”. Larissa viu que não estava sozinha e mesmo artistas mais experientes também tinham suas inseguranças.

Para ela, foi indescritível expor no FestFoto. “Foi muito massa, porque meus pais estavam lá. Quando eu mostrei meu curta e reacenderam as luzes, vi a galera secando as lágrimas, foi muito emocionante!”, conta ela. Essa emoção também vem do processo árduo de deslocamento. “Muitas vezes eu tinha zero grana para ir à Porto Alegre. Então, eu tinha que me virar”. Este desafio e o contato com outros artistas fizeram a experiência de Larissa uma das mais marcantes.

“Definitivamente, foi um momento de transição entre ser uma estudante de fotografia e ser alguém que se posiciona como fotógrafa/artista” – Vitória Macedo

Vitória Macedo conta que cada minuto foi um aprendizado para todos, independentemente da experiência como fotógrafo: “Participar da residência artística foi ótimo, pois me permitiu trabalhar com vários artistas que eu nunca pensei em trabalhar, mas que eu já acompanhava e admirava há muito tempo”, diz ela. Compartilhar seu trabalho e acompanhar o processo criativo de cada artista foi uma barreira ultrapassada para Vitória.

“Durante a residência, desenvolvi o projeto intitulado Maafa, onde abordo os atos de suicídios dos africanos durante o período do tráfico negreiro, não como sinal de fraqueza, mas como um ato de insubmissão e resistência ao trabalho escravo. Abordo também a significação do oceano Atlântico como uma passagem a um território desconhecido, e à uma vida de sofrimento, desconectada de suas raízes”, diz Vitória.

Para ela, expor no FestFoto foi uma experiência incrível e desafiadora. “Você passa a produzir com uma carga maior de responsabilidade e comprometimento sabendo que o trabalho vai ser parte de um festival tão importante”.

“Foi pensando que Eva  está na origem do grande pecado, e que todas as mulheres são suas seguidoras, que propus brincar com os séculos e séculos de culpas atribuídas” – Ursula Jahn

Ursula é egressa do curso de Fotografia da Unisinos e já teve outros trabalhos expostos em galerias. “Participar da residência artística do FestFoto foi uma nova experiência linda, uma das coisas mais gratificantes que me aconteceu nesses últimos anos”, diz ela. Seu trabalho foi baseado no primeiro livro da Bíblia. Gênesis 3:5-6 é uma videoperformance sobre o fardo que as mulheres carregam até hoje, por terem provocado a primeira diáspora ao comer o fruto proibido do Paraíso.

“O ato de comer o fruto proibido, representado aqui em uma grande torta de maçãs, sugere devorar a culpa, satirizando os fundamentos da dominação masculina, em um gesto de se livrar de tudo isso. Permitir e aceitar ser Eva quando nos queriam Maria”, conta a fotógrafa. Para ela, participar da exposição foi gratificante por ampliar e dar visibilidade às intervenções feministas no campo da arte e da fotografia.

Em seus últimos trabalhos, ela conta que produziu muitos autorretratos, um processo criativo mais introspectivo e que a levava para uma zona de conforto. “A residência artística do Festfoto me fez experimentar outras possibilidades fotográficas, pensar em fazer outras coisas diferentes das quais eu fazia e dialogar e trocar conhecimentos com os demais participantes e com os tutores, o que foi essencial para o resultado final de meu trabalho”, relata.

Curtiu? o trabalho dos alunos está em exposição na Fundação Iberê Camargo até o dia 23 de junho. Não perde essa oportunidade.

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Oficina de Roteiro de Cinema em Porto Alegre https://mescla.cc/2018/12/18/oficina-de-roteiro-de-cinema-em-porto-alegre/ https://mescla.cc/2018/12/18/oficina-de-roteiro-de-cinema-em-porto-alegre/#respond Tue, 18 Dec 2018 19:42:30 +0000 http://mescla.cc/?p=9054 Quer aprender a fazer roteiros para seriados, curtas e longas-metragens? Em janeiro, Marcelo Cortez, formado em Letras pela UFRGS, ministrará, na capital gaúcha, a Oficina de Roteiro de Cinema. Cortez estudou roteiro audiovisual na Vancouver Film School e, hoje, trabalha como tradutor, escritor e roteirista para televisão, cinema e videogame.  A oficina irá contar com sete encontros presenciais, sempre nas terças-feiras, à noite. Os participantes terão […]

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Quer aprender a fazer roteiros para seriados, curtas e longas-metragens? Em janeiro, Marcelo Cortez, formado em Letras pela UFRGS, ministrará, na capital gaúcha, a Oficina de Roteiro de Cinema. Cortez estudou roteiro audiovisual na Vancouver Film School e, hoje, trabalha como tradutor, escritor e roteirista para televisão, cinema e videogame. 

A oficina irá contar com sete encontros presenciais, sempre nas terças-feiras, à noite. Os participantes terão aulas expositivas, leitura de roteiros, análises de filmes, estudo de textos e acompanhamento individual no desenvolvimento de um projeto. 

As aulas irão ocorrer de 8 de janeiro a 26 de fevereiro no Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo (Rua dos Andradas, 1223). O valor do curso à vista é de R$ 460. Os inscritos irão receber certificado e uma apostila em PDF. Mais informações podem ser obtidas no site da oficina. 

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