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“O maior desafio que qualquer jornalista enfrenta, independentemente da complexidade da pauta, é sobreviver dentro da profissão. Ser jornalista implica ter uma resiliência muito grande, muito mais do que atos heroicos, mas também saber levantar quando cair” – enfatiza Demétrio. O egresso ainda menciona as constantes transformações da profissão, e como as competências exigidas desses profissionais estão se relacionando com a necessidade de ter uma ampla visão do mundo.
Demétrio é jornalista, professor universitário, escritor, cicloturista e “aprendiz de surf”, e diz conseguir reunir todas essas versões de si mesmo através da comunicação. “Eu busco trazer aspectos da comunicação em um diálogo estreito com a minha vida. As coisas não se diferenciam, não se distinguem. Quando faço uma viagem de bicicleta, por exemplo, registro minha experiência através de livros, documentários ou da ambientação nas minhas redes sociais.” – acrescenta.

Ao longo desses 50 anos de Comunicação da Unisinos, Demétrio fez parte dessa história não apenas como professor, mas também como aluno. O egresso concluiu sua graduação em Jornalismo em 1989 e compartilhou com a equipe do Mescla algumas de suas lembranças.
Confira a entrevista:
Mescla- Uma disciplina que te marcou no curso de Comunicação da Unisinos:
Demétrio- “Lembro que, certa vez, o professor Sérgio Farina pediu para que nós, seus alunos, escrevêssemos, em aula, creio, uma notícia, ou algo que o valha. O nome da disciplina me foge, mas, no lugar de um texto objetivo com dois ou três parágrafos, escrito do mais importante para o menos importante, entreguei ao professor uma crônica francamente inspirada em Kafka; no lugar de insetos, no entanto, falei em roedores. Sabia que havia feito bobagem e me preparei para o zero. Na semana seguinte, ao receber o texto corrigido, uma observação, ao fim do texto, me fez perceber a grandeza do professor que estava à minha frente: ‘Demonstras pendores literários; continue’. Jamais esqueci disso”.
Mescla- Um professor especial?
Demétrio- “Sérgio Farina”.
Mescla- Um amigo que você fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
Demétrio- “Carlos Leite de Oliveira. Moramos e estudamos juntos. É meu amigo até hoje”.
Mescla- Um lugar especial na Unisinos?
Demétrio- “O matinho atrás do DCE”.
Mescla- Um acontecimento que te marcou no período?
Demétrio- “O Varal Literário que realizamos no saguão do Centro 3, quando a professora Rosane Adamy era a coordenadora do curso”.
Mescla- O que a graduação na Uni representou na sua vida?
Demétrio- “A graduação em jornalismo me habilitou para a profissão que exerci por 25 anos; dela, tirei meu sustento e criei dois filhos. Mas, também, serviu de base para todo meu processo de formação acadêmica superior – do mestrado ao pós-doutoramento. Ainda hoje, professor de jornalismo, valho-me do conhecimento adquirido desde a graduação para formar pessoas. Então, não é pouco o que se aprendeu nesse caminho”.
Mescla- Quais livros, filmes e séries você tem se dedicado recentemente?
Demétrio- “Leio muito, incansavelmente. Neste momento estou lendo “Escutar, dialogar e compreender: jornalismo em tempos de incertezas” (Appris, 2022), de Carolina Moura Klautau, e “Pensar Nagô” (Vozes, 2021), de Muniz Sodré. Filmes e séries escolho aleatoriamente, quando encontro tempo pra assistir tevê”.
Mescla- Por fim, que conselho tu darias para quem está dando seus primeiros passos na profissão?
Demétrio- “Leia muito, estude muito, inquiete-se muito. Sobretudo, resista. Jornalismo é resistência, sob todos os aspectos. Quem não desenvolve a capacidade de resistir, não sobrevive na profissão por muito tempo”.
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Com uma programação diária, a TV Unisinos passou a contar com um novo integrante na equipe em 2002, ou seja, pouco tempo após ingressar no curso, Cristiano deu início ao seu estágio na TV da universidade. “Minha trajetória no Canal Futura começou com a oportunidade de ser o repórter da TV Unisinos, que produzia reportagens locais sobre Porto Alegre e a região do Vale do Sinos para exibição em rede nacional no Futura.
O estágio como repórter do Uninews abriu portas para Cristiano. “Depois de um ano nessa função, surgiu uma vaga na equipe São Paulo e a chefe do jornalismo do canal na época me chamou para fazer parte da equipe fixa do Futura” – explica o jornalista. Sua trajetória no Canal Futura foi de quase 20 anos, tendo encerrado esse ciclo no último mês.

Mesmo depois de tanto tempo, Cristiano ainda lembra de algumas pautas especiais que cobriu enquanto repórter do telejornal da Unisinos. “Uma cobertura que sempre me lembro foi a do Fórum Social Mundial. Além dessa, tem inúmeras outras histórias de personagens que eu lembro por me levarem a conhecer a fundo a realidade do Vale do Sinos. Conheci municípios que, até então, eu nunca havia visitado: Picada Café, Ivoti, Estância Velha, Campo Bom, Sapiranga, entre outros. Toda essa bagagem eu carrego em cada reportagem que faço até hoje”.
Já como comunicador do Canal Futura, eventos marcantes como Rio 2016, Jogos de Inverno Pyeongchang 2018, Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018, Olimpíada e Paralimpíada de Tokyo 2020 e Olimpíada de Inverno Beijing 2022, fazem parte da bagagem do jornalista. Cristiano diz que participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos está entre as experiências mais incríveis de sua vida.

“Estar em meio aos maiores atletas do mundo, testemunhar a história do esporte ser escrita diante dos seus olhos, registrar esses fatos em entrevistas e roteiros que são editados como reportagens exibidas ao redor do mundo, ter a experiência de trabalhar com alguns dos melhores jornalistas e cinegrafistas do mundo, colocar em prática todo o aprendizado que adquiri ao longo dos anos” – acrescenta Cristiano.
Em meio a tantas histórias e vivências, alguns desafios marcaram a carreira do jornalista. “Um caso que eu gosto muito de lembrar foi a entrevista exclusiva que eu fiz com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In. Aquela foi a primeira edição das Olimpíadas que reunia times unificados do Sul e Norte da Coreia, desde a separação em dois países. Eu fazia a cobertura para o Comitê Olímpico Internacional, o que possibilitou o acesso” – revela Cristiano.
O jornalista acrescenta dizendo que se tratava de um percurso ensaiado com o cerimonial da Presidência onde o encontraria com o tempo limitado para duas perguntas e respostas. “Mr Moon não falaria em inglês, então nossa comunicação seria intermediada por um tradutor coreano. Era uma daquelas situações superdelicadas, em que qualquer deslize poderia gerar um conflito diplomático” completa Cristiano.
Confira a entrevista:
Mescla – Uma disciplina que te marcou?
Cristiano – Fotojornalismo.
Mescla – Em que ano tu começou o curso de jornalismo?
Cristiano – Entrei em 2000/1.
Mescla – Um professor especial?
Cristiano – Só um? Preciso registar pelo menos 3: André Machado, de rádio, Thais Furtado, de projeto experimental, Pedro Osório, de teorias da comunicação.
Mescla – Um amigo que você fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
Cristiano – Felizmente, fiz muitos amigos na Unisinos que me acompanham até hoje! Mas vou citar apenas um: Daniel Pedroso, ex-editor-chefe na TV Unisinos, que se tornou um dos meus melhores amigos.
Mescla – Um lugar especial na Unisinos?
Cristiano – Para mim, a biblioteca do campus São Leo é um lugar mágico.
Mescla – Um acontecimento que te marcou no período?
Cristiano – Os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA aconteceram enquanto eu estava em aula. Lembro que eu ligava para um personagem para agendar uma entrevista e ele me informou sobre o que acontecia.
Mescla – O que a graduação na Uni representou na sua vida?
Cristiano – A graduação na Unisinos representa até hoje uma fase muito especial na minha vida. A partir dessa experiência, tive acesso ao conhecimento, amadureci o pensamento crítico, consegui oportunidades de trabalho, fiz amigos para a vida.
Mescla – Quais livros, filmes e séries você tem se dedicado recentemente?
Cristiano – Série: Veneno (HBO Max), série baseada em fatos reais e na biografia que uma jovem estudante de jornalismo pública sobre vida da estrela da TV espanhola Cristina ‘La Veneno’. Detox (Netflix), comédia francesa deliciosa, sobre passar menos tempo nas redes sociais. Livro: no momento, estou relendo O Animal Agonizante, mas recomendo qualquer um do Philip Roth. Filme: sou apaixonado por música e por documentários, então recomendo Mistify: Michael Hutchence (Netflix) – filme que trata da obra, da vida e do legado do vocalista da banda australiana INXS.
Mescla – Por fim, que conselho tu darias para quem está dando seus primeiros passos na profissão?
“Leia muito, veja muitos filmes e séries. Converse com todo tipo de pessoa, principalmente, com quem você discorda – isso vai te ajudar muito ao longo da profissão”.
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