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Carol Anchieta

“Minha formação foi completamente virada, eu pulei algumas etapas”

Postado em: 13/03/2017
Por: Carol Steques

(Texto: Natália Collor)

A conversa animada e o carisma de Carol Anchieta tornam fácil entender o sucesso que a jornalista, de 36 anos, conquistou ao longo da carreira. Militante, negra, amante da cultura e arte urbana, Carol já trabalhou com entretenimento e logo no começo da profissão já estava em bancada de telejornal.

Formada em Jornalismo pela Unisinos em 2011, Carol não tinha a comunicação como primeira e nem segunda opção para a faculdade. Ela começou a vida de universitária no curso de Educação Física, dava aulas de patinação e dançava hip hop. O amor pela cultura urbana, o skate e a música das ruas acabaram levando a jovem para outro rumo.

Eduardo Santos, naquele tempo apresentador do programa College na TV, na Band, foi quem encaminhou Carol para a área da comunicação. Na época, ela foi apenas participar de um programa que Santos produzia, a convite do produtor. Foi rápido para perceber que ela tinha jeito na frente das câmeras e foi questão de tempo para Santos aconselhar a jovem a começar o primeiro semestre de Jornalismo.

Carol começou a cursar uma cadeira de Jornalismo na Unisinos e uma de Educação Física na Ulbra. Entre o 2° e 3° semestres, a oportunidade de trabalhar na TV Unisinos a fez desistir da área esportiva e focar na comunicação. Carol Anchieta fazia a produção de programas, foi apresentadora e chegou ser âncora do telejornal do canal.

Lá, ela ficou por 8 anos. Foi a primeira estagiária contratada, antes mesmo de se formar. “Eu praticamente morava dentro da Unisinos na época da faculdade”, brinca a jornalista. O curso e o trabalho tornavam os dias cansativos para a jovem. “Um momento muito marcante para mim foi no fim do curso, eu estava desanimada e cansada, mas em uma aula o professor Eduardo Veras me apresentou o mundo dos quadrinhos e eu conheci um lado do jornalismo que eu não conhecia”, conta emocionada.

Depois de quase uma década na TV Unisinos, Carol participou de uma seleção para trabalhar no Canal Futura. Entre mais de mil concorrentes, ela foi a escolhida. Foi de mala e cuia para o Rio de Janeiro para ser editora e âncora, e ficou 2 anos e meio por lá. “Foi no Rio que eu cresci em questões como o feminismo e racismo, lá os movimentos sociais são muito mais fortes”, explicou.

Passou um tempo trabalhando como freelancer, em cerimoniais e na área política, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Foi quando entrou para o Encontro com Fátima Bernardes, como editora de textos no programa por 7 meses. No ano passado, Carol voltou para a capital gaúcha como apresentadora no OCTO, novo canal de televisão da RBS.

Ainda recordando a época de universitária, a jornalista lembra de ‘anjos da guarda’ na sua trajetória. “O professor Pedro Osório foi muito importante na minha carreira”, recorda. O professor aconselhava, apoiava e era um crítico do trabalho de Carol. A gratidão é perceptível quando a apresentadora lembra de outro professor, Daniel Pedroso.

Emocionada, Carol acredita que o ambiente acadêmico é o melhor lugar para relacionamentos profissionais e que se pudesse dar um conselho diria que é para aproveitar muito e questionar os professores. “O Daniel Pedroso foi um mestre fundamental na minha carreira, como pessoa e como professor”, conta. O professor orientou o trabalho de conclusão de Carol, foi seu chefe na TV Unisinos e hoje é um grande amigo da jornalista.

Foto: Jeff Carnelutti

A negritude no Jornalismo

Quando chegou ao Rio de Janeiro e teve contato com movimentos sociais, Carol teve mais acesso à informação sobre feminismo negro e racismo. Conhecendo estes assuntos mais de perto, hoje ela se diz militante já por estar fazendo seu papel dentro do Jornalismo. “Todo jornalista negro em frente às câmeras tem essa obrigação”, explicou.

Carol relembrou o episódio de racismo vivido pela jornalista Maju Coutinho, em 2015. “É triste que o negro só seja lembrado em episódios como esse”, lamenta. A jornalista também acredita que falta ter a cara do negro no jornalismo.

“Eu fui uma das únicas alunas negras dentro do curso na Unisinos e eles terem me escolhido muitas vezes para representar a Universidade é muito importante para mim”, conta. A jornalista se sente empoderada pela oportunidade de apresentar cerimônias dentro da acadêmia, como a do curso de Design, da Universidade.

Pingue-pongue

Um professor inesquecível: Eduardo Veras
Uma vez matei aula para cobrir um seminário na biblioteca
Um amigo de infância que fiz durante a faculdade: Cristiano Reckzigel, ex-colega da TV Unisinos e amigo para a vida
Um livro marcante: Revista Vista, de um colega da universidade
Um mico que paguei na faculdade: Um dia no estágio eu li a previsão do tempo como “freio histórico” e não “frio histórico”, todo mundo percebeu e eu não notei onde tinha errado
Meu lugar favorito na Unisinos: Biblioteca, o prédio é maravilhoso
Todo jornalista é distraído
Todo jornalista deveria ser plural
Um profissional na área que foi referência para mim: Daniel Pedroso

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