wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Angústia e silenciamento no Conto da Aia appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Na história, os Estados Unidos passaram por um grande desastre ambiental e a fertilidade se tornou um problema. O ambiente instável aliado as crises políticas e econômicas se tornaram o cenário perfeito para um golpe de estado. Assim, o que era EUA se transforma em Gillead, uma teocracia extremista.

“Eu quase engasgo. Ele disse uma palavra proibida. Estéril. Isso é uma coisa que não existe mais, um homem estéril não existe, não oficialmente. Existem apenas mulheres que são fecundadas e mulheres que são estéreis, essa é a lei.” pág. 75 – O Conto da Aia
A constituição não existe mais e a sociedade é regida por critérios bíblicos. Os homens representam o topo da hierarquia e as mulheres, divididas em castas, são propriedade do estado. As “Esposas” são casadas com os comandantes e, nesse mundo de privações, são as que possuem mais liberdades; as “Martas” são responsáveis pelos serviços domésticos na casa dos Comandantes; as ‘Tias” são senhoras responsáveis pela doutrinação das mais jovens e as “Aias” são as mulheres férteis que restaram e se tornaram objetos para reprodução.
“Éramos as pessoas que não estavam nos jornais. Vivíamos nos espaços em branco não preenchidos nas margens da matéria impressa. Isso nos dava liberdade. Vivíamos nas lacunas entre as matérias.” pág. 71 – O Conto da Aia
Atwood transmite a narrativa por meio de uma dessas mulheres que perderam todos os direitos, uma aia. A personagem principal é Offred. Ela já teve um nome, uma família e um emprego, hoje, nada disso existe mais. Na sociedade de Gillead, perdeu sua identidade por ainda ser fértil. Além da rotina de abusos e silenciamento constante, tiraram-lhe também seu individualismo. Seu nome representa propriedade “Of Fred”, que em tradução literal significa “de Fred”, o Comandante que é seu dono.

“Melhor?, digo, em voz baixa, apagada, Como ele pode pensar que isto é melhor?
Melhor nunca significa melhor para todo mundo, diz ele. Sempre significa pior, para alguns.”
pág. 251 – O Conto da Aia
O livro é uma experiência angustiante e dolorosa. Em cada página, o leitor se perde tentando encontrar uma solução para essa realidade e acaba caindo em um beco sem saída. Protagonista e leitor compartilham o sentimento de confusão sobre como as coisas terminaram dessa forma. O terror psicológico, as privações e a violência são marcas constantes durante a história.
Essas marcas foram devidamente apropriadas pela adaptação televisiva do livro que estreou em 2017. Produzida pelo serviço de streaming Hulu, a série contou com 10 episódios em sua primeira temporada. A segunda, estreou esse ano e conta com 13 episódios.
The Handmaid’s Tale recebeu oito prêmios Emmy em 2017 e, em 2018, ganhou dois prêmios Globo de Ouro. Assista o trailer da primeira temporada abaixo.
https://www.youtube.com/watch?v=NaPft-MFj38
“Eu me ajoelhei para examinar o piso do armário e lá estava, escrito em letras minúsculas, bem recentes, parecia, riscadas com um alfinete ou talvez apenas uma unha, no canto, onde caía a sombra mais escura: Nolite te bastardes carborundorum.” pág. 65 – O Conto da Aia
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]]>São 480 páginas narradas por aquela que mesmo tão presente, encontrou-se somente três vezes com Liesel e, por afeiçoar-se pela menina, seguiu seus passos entre 1939 e 1943.

Mas para quem espera morbidez na narração da ceifadora de vidas, surpreende-se com a simpatia transferida pelas palavras. Dona Morte conheceu Liesel na primeira vez em que a menina lhe escapou. Filha de pais comunistas e perseguidos pela guerra, a menina viu o caçula morrer nos braços da mãe enquanto viajavam para conhecer a família que abrigaria os irmãos.
OBS 1: Apesar de parecer, a morte do irmão de Liesel não é um spoiler, ela acontece logo nas primeiras páginas do livro e é indispensável para o rumo da história.
No enterro do irmão, o coveiro deixa cair um livro na neve. O “O Manual do Coveiro”, é o primeiro furto da garota, que nem sequer sabe ler, mas vê o objeto como o único apego a família que lhe resta. Depois de estabelecida na nova casa, com a ajuda do pai adotivo Hans Hubermann, Liesel aprende a ler e, aos poucos vai decifrando a obra que tem em mãos.

Constantemente assombrada por pesadelos, Lisel encontra nas palavras um conforto. A lista de livros furtados pela garota aumenta com o desenrolar da história, passando por obras como “Mein Kampf” – “Minha Luta”, de autoria do próprio Hitler. O roubo de livros passa a acontecer em bibliotecas privadas e em pilhas de livros queimados, e, mesmo quando Liesel os ganhava, a emoção não era a mesma de quando ela conseguia surrupiar as obras.
OBS 2: O Guerra não deixa de atormentar o cotidiano de Liesel, que é obrigada a conviver com cenas e histórias que, por vezes, podem ser pesadas para o leitor.
Entre a escola, um amigo colorido, que vive pedindo beijos para a menina, e as tarefas domésticas que Liesel deve desempenhar para ajuda mãe adotiva a manter os negócios, uma visita inesperada bate à porta da família cobrando uma dívida de honra. O judeu Max muda a rotina dos Hubermann e desenvolve uma grande amizade com a menina.

OBS 3: Max também tem uma ligação muito forte com os livros, mas está é uma história para o leitor descobrir.
Como toda história que acontece durante uma Guerra Mundial, mesmo as que, supostamente, tenham finais felizes, contém um encerramento trágico. Mais do que uma história sobre uma menina vivendo nos horrores do confronto, “A menina que roubava livros” mostra a própria Dona Morte surpresa com a crueldade do ser humano. Para o leitor, fica o conselho de insistir na história, que pode ser cansativa no início, e mergulhar na história, porque mesmo com a ressaca literária iminente vale a pena.
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Morte Súbita conta a história da pequena cidade britânica de Pagford, que, apesar de parecer pacata ao primeiro olhar, esconde grandes conflitos. Com a morte repentina de Berry Fairbrother, uma pessoa inicialmente querida por todos, acontece uma “casual vacancy” (nome original do livro), ou seja, uma abertura de vaga no conselho da cidade, no qual Faibrother era membro. A história passa, então, a girar em torno da escolha de um novo membro da instituição.
OBS: A morte de Barry Fairbrother não é um spoiler, porquê acontece logo nas primeiras páginas do livro e é o fato chave para o desenrolar da história.

O modo como as pessoas reagem a morte de Fairbrother dá o gancho para a autora introduzir os personagens da história, apresentando a cada capítulo um novo núcleo familiar. As famílias são, de algum modo, interligadas através de suas relações com o morto, que foi professor de uma das crianças, melhor amigo de alguém, chefe ou conhecido.
J.K. Rowling descreve de forma detalhada os indivíduos e situações relacionadas a estes núcleos familiares. O leitor se vê escolhendo e torcendo para algum dos personagens, e se flagra rindo, chorando ou gritando de raiva durante a leitura. Inclusive, é possível que conforme o folhar das páginas, sejam necessários alguns momentos de pausa e reflexão, porque os temas que a autora traz são carregados de críticas sociais.
Morte súbita é, definitivamente, um livro adulto. Depois de superadas as apresentações das famílias e as reações dos personagens à morte de Fairbrother, o lado mais sombrio da cidade vem à tona. Trazendo assuntos como bullying, agressões físicas e sexuais, violência doméstica e conflitos familiares, a narrativa faz questão de lembrar ao leitor que os seus personagens são todos humanos.

O livro traz, nas entrelinhas, uma grande história de perdas. Mas isto é uma descoberta para a leitura. Ao contrário de um final feliz, com casais em uma estação de trem, enviando seus filhos para a escola de magia, Morte Súbita traz um encerramento dramático e promete uma ressaca literária para quem acaba a leitura.
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