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]]>As mídias sociais chegaram como um boom na vida das pessoas. Os smartphones se tornaram cada vez mais uma extensão do corpo humano. Assim, com toda essa interação e conteúdo produzido, tanto amador quanto profissional, alguns personagens destas redes acabaram recebendo notoriedade. É o caso dos influenciadores digitais, que movem, produzem e atraem pessoas para marcas, atividades e serviços. E o mais incrível disso tudo: qualquer um pode ser um digital influencer!
Pensando nisso, a Abicalçados reuniu especialistas na área da comunicação para falar sobre o assunto no 21º Seminário Nacional da Indústria de Calçados. Nesta terça-feira (13) pela manhã, no Anfiteatro Padre Werner, foram convidados diferentes palestrantes que explicaram quem realmente são estes influenciadores.
O jornalista Cristiano Santos foi um dos primeiros a mover uma massa de usuários no Facebook Brasil, ainda em 2011. Foi um caso da Voe Azul, na qual ele engajou milhares de pessoas numa campanha para que a empresa fizesse uma promoção de passagens a R$ 8 – em alusão aos 8 milhões de clientes comemorados pela companhia à época. “Quando vi as pessoas se movimentando para que aquilo acontecesse, me senti famoso. Foi diferente”, conta.

Segundo ele, através desta e outras experiências qualquer pessoa pode ser uma influenciadora digital e mobilizar pessoas a utilizar uma marca. “Qualquer um pode se tornar influenciador. Nem sempre é uma profissão. São momentos em que uma pessoa ganha visibilidade”. Para ele, são pessoas comuns que conseguem transmitir algo para outras. “Estamos falando de gente que produz conteúdo e consegue passá-lo adiante. Engajar pessoas. São gente como a gente e é exatamente por isso que fazem sucesso”, explica.
Cristiano Santos fez um apontamento importante: “As pessoas influenciam pela naturalidade e na produção de conteúdo delas. Não existe influenciador sem conteúdo. É assim que se projeta seu nome e consequentemente a sua empresa”, disse. De acordo com o jornalista, um digital influencer é referência naquilo que escreve, porém, é necessário ter conteúdo para trabalhar, investir e produzir nisso e, assim, engajar seu próprio nicho.
Seguindo o tema de influência da Web, Tiago Niederauer e Patrícia Angeletti, da Agência W3haus entraram no palco para falar sobre a visão de quem trabalha com esses profissionais. Os critérios escolhidos para optar entre um influenciador e não outro, as dificuldades, o mercado e o papel da agência em um cenário reconfigurado foram temas do debate.
A atenção do consumidor, hoje, é um recurso escasso. Centenas de informações e propagandas chegam diariamente a cada um. Segundo a diretora de mídia Patrícia, o segredo é descobrir “quais vão ser as marcas e propagandas que vão ficar em nossa cabeça e vão ser utilizadas e recomendadas por nós”, explica. É nesse cenário que entra o influenciador digital, ele é o upgrade das recomendações antes feitas por amigos de sua rede de contatos.
A tecnologia encurtou nosso relacionamento com as marcas, logo todos podem comentar ou falar sobre determinado produto. A internet faz parte de 80% da faixa etária economicamente ativa e ainda está em crescimento constante.
Relembrando o sociólogo Marshall McLuhan, Patrícia diz que “O meio é a mensagem. Então colocar o anúncio em um meio – internet – que faz parte da rotina do consumidor é mais fácil para vender determinado produto”. Ela ainda afirma que “Aceitamos melhor esse tipo de publicidade. O influenciador é como eu, é gente como a gente. As celebridades antes pareciam viver em um universo particular próprio, o influenciador é mais próximo, ele pode estar no mesmo grupo que nós, consumindo as mesmas coisas”, explica.
Antes as publicações eram simples de serem trabalhadas, a campanha era feita através de espaços publicitários, seja em um outdoor, jornal, revista ou televisão, agora são usadas pessoas para falarem e advogarem em nome da marca. As agências têm que entender como trabalhar com o influenciador como plataforma de mídia.

Uma das maiores dificuldades é que nem sempre o cliente entende os influenciadores digitais ou seu exato papel no mercado. Eles querem utilizar a linguagem mais tradicional da marca e isso não é aceito pois faz com o influenciador perca sua autenticidade e audiência. A agência surge para fazer esse meio de campo, convencendo o cliente que aquela forma de publicidade é válida e trabalhar mais com sugestões do que roteiros para os divulgadores.
Tiago, que trabalha na área de criação da agência conta que essa parte do trabalho foi reformulada. “Nós começamos a questionar o papel da agência. Quando temos duas forças criativas trabalhando juntas, agência e influenciador, fica confuso saber quem cria o que e quem faz o que. Não faz sentido criar roteiros para pessoas que fazem sucesso exatamente por causa disso”, explica.
Segundo Tiago “A publicação tradicional passa por diversas etapas, através do brainstorm surge o conceito que se transforma em uma sinopse, essa vira um storyboard e só então vai para a gravação. O influencer mudou isto, eles fazem tudo, então a agência tem que só dar insights e sugestões de conteúdo.” O processo que era natural e acompanhado de vários ângulos passa a ser mais tenso para a agência, pois a liberdade criativa se torna muito maior, assim como o número de pessoas envolvidas. O desafio é acolher tudo isso com naturalidade, não fazendo com que transpareça na campanha.
Patrícia diz que “A internet potencializa a divulgação das marcas, pois existem muitas pessoas parecidas comigo no mundo inteiro.” Os influenciadores representam essa potencialização. A realidade é que esse profissionais vieram para ficar e o poder de engajamento deles é forte e real, o destaque no mercado será dado pelo conteúdo autêntico e de qualidade.
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