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Tássia decidiu cursar jornalismo logo após finalizar o ensino médio. “Fui aprovada na UFSM e de fato me encontrei. Gostei muito do curso”, revela a doutora, que hoje não se enxerga fazendo outra coisa, que não esteja ligada à área da comunicação e do jornalismo.
Após trabalhar durante um período em um jornal e também com assessoria de imprensa, ela foi percebendo que este caminho fugia um pouco do que tinha idealizado ainda jovem. Foi aí, então, que uma amiga, que na época estava fazendo mestrado em jornalismo, começou a incentivar Tássia a seguir o mesmo caminho.
Decidida a entrar na área da pesquisa, em 2012, Tássia idealizou um projeto para ingressar na Unisinos, porém não foi aprovada. Como ainda estava cercada por muitas incertezas, decidiu pesquisar e conhecer mais sobre os PPGs. Após ouvir alguns ‘não’ e justificativas, como, por exemplo, a de que ela era muito nova para realizar um mestrado, foi aprovada na UFSC, em 2014.
Após o período de mestrado em Santa Catarina, Tássia voltou para Porto Alegre. Motivada a seguir carreira na área da pesquisa, ela se inscreveu e foi aprovada na seleção para doutorado na Unisinos, em 2016. No início, a ideia da pesquisadora era falar sobre a produção de conteúdos de telejornais em smartphones e tablets. Porém, com o passar do tempo, ela percebeu que o audiovisual poderia ser apenas uma parte de um projeto maior. “Vi que poderia focar a pesquisa no jornalismo móvel, de uma maneira geral. Por isso, minha proposta foi pensar nesta linguagem e em como estabelecer parâmetros que pudessem ajudar tanto profissionais, quanto estudantes”, explica Tássia, que defendeu com sucesso, no dia 26 de março, sua tese intitulada Linguagem jornalística autóctone para dispositivos móveis.
Com a perspectiva de realizar uma pesquisa aplicada, a agora doutora elaborou os parâmetros necessários para realizar uma etapa experimental e usou como base os conteúdos produzidos na Beta Redação, Laboratório de Jornalismo com diferentes editorias, disciplinas finais do curso de Jornalismo na Unisinos: “Fiz como se fosse um site e aplicativo móvel pensado para a Beta Redação, adaptando esses materiais. Isso me ajudou a acelerar o projeto de pesquisa, tanto na parte de interface, como de identidade”, completa.
A ideia de pesquisar conteúdos jornalísticos voltados para dispositivos móveis começou no mestrado. Na época, Tássia estudava sobre o telejornalismo e, aos poucos, foi migrando para a segunda tela, que é quando usamos os smartphones como televisão, com o ganho da interação. “Comecei a me questionar em como podíamos produzir jornalismo para dispositivos móveis. Com isso em mente, fui avançando e pesquisando mais”, esclarece.
No final da tese, Tássia observa alguns apontamentos sobre as especificidades dos smartphones e tablets, em relação até mesmo a outros meios de publicação. Além da elaboração de um guia, como ela mesmo define, a pesquisadora traz alguns hábitos de consumo de estudantes de graduação e pós graduação. “Vejo que é um consumo sob demanda, de acordo com as preferências, também focando muito na objetividade e na agilidade. Eles (os estudantes) querem consumir conteúdos rápidos e que sejam acessíveis de forma gratuita”, conclui.

Parte da tese de doutorado de Tássia foi realizada na Universidade de Múrcia, localizada na Espanha, após participar de uma seleção para um Doutorado Sanduíche. Durante seis meses, a pesquisadora acompanhou as aulas e se envolveu em atividades ligadas ao Mestrado de Comunicação Móvel da universidade. Além disso, Tássia desenvolveu parte da pesquisa lá, através da realização de uma pesquisa de campo com oito estudantes, sobre o uso de smartphones e o acesso às notícias. No fim, todo o material acabou entrando para o projeto.

Mesmo após passar pela banca avaliadora e até mesmo já entregar a versão final da tese, tudo ainda parece muito recente para Tássia. “Acho que ainda estou nesse processo de entender tudo. Mas, estou muito feliz também porque a banca foi um momento muito interessante de troca de ideias. Achei muito bacana. Mesmo assim, ainda demora um pouco até realmente cair a ficha…para dizer, tipo, ‘ah, agora eu sou doutora’”, brinca a mais nova doutora em comunicação, que foi orientada pela professora do PPGCom e da Indústria Criativa da Unisinos, Maria Clara Aquino Bittencourt.
Apesar da situação política e econômica não ser muito favorável para a pesquisa, como a própria pesquisadora lembra, Tássia pretende seguir carreira na área. “Se eu tiver a oportunidade, quero seguir na área da docência e da pesquisa. Vou me dedicar para concursos, para ser professor substituto ou até mesmo em seleções para professores, de um modo geral. Ou, se não, tentarei um pós-doutorado na área, algo que me permita continuar aprendendo e continuar pesquisando mais sobre o tema”, finaliza.
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]]>Na noite do dia 24 de abril, o Campus Unisinos Porto Alegre recebeu professores e alunos que participaram do festival South by Southwest (SXSW), em Austin (Estados Unidos). Para apresentar as ideias do evento, os professores Porã Bernardes e Daniel Bittencourt comandaram a palestra “Grandes Ideias SXSW by Unisinos”. O evento mostrou as últimas novidades do festival. O SXSW é um encontro que abrange cinema, música, design, inovação e tecnologia.
Porã apresentou aos presentes um panorama sobre o festival, o que está mudando no mundo das mídias, da comunicação e dos negócios. Na edição deste ano foram apresentados mais de 4 mil conteúdos em uma semana de evento, e o Brasil foi o quarto país que mais levou temáticas para a edição deste ano.
O professor e radialista deu início à palestra falando sobre sua percepção na revolução do mundo das mídias: “Em 1992, quando eu entrei no rádio, as coisas eram muito diferentes. Quando entrou o CD, digitalizou. E logo, as empresas começaram a se dar conta que não era mais necessário a presença do operador no estúdio, das rádios FM, as que tocavam música. Os locutores tiveram que assumir essa função de falar, produzir, fazer a programação e ainda operar a mesa e mixar os comercias e música. Era só o início de uma revolução no mundo das mídias”.
De acordo com Porã, professores e alunos foram ao SXSW pra entender o que está acontecendo no mundo das comunicações. Para ele, o mundo digital impactou não só a maneira que a gente consome mídia e música, mas a maneira como somos. Mudou comportamento.

“Era só o início de uma revolução no mundo das mídias”
Porã Bernardes
Entre os convidados da noite estava Ramiro Martins, da Cinco TI Viagens. Ele falou sobre o Austin Experience e como a cidade se prepara para a chegada desse grande evento de tecnologia. Conhecida por ser a capital da música ao vivo, Austin foi escolhida para sediar o SXSW por ser uma cidade onde qualquer pessoa se sente incluído e acolhido. Cada um tem sua percepção da cidade e do festival, e isso é o que faz o SXSW ser o que é.
Para ilustrar melhor o conceito, Ramiro fez comparações entre Porto Alegre e Austin, tanto na questão cultural quando de cidadania. “Na capital do Texas, seu slogan é “Keep Austin Weird” (“Mantenha Austin estranha”), a população tem acesso ao dilúvio da cidade como uma piscina natural, algo inimaginável para Porto Alegre”. Para mostrar ainda as diferenças entre as duas cidades, é de costume dos habitantes ficar até tarde na rua, em estabelecimentos e praças.
Logo após a apresentação de Ramiro, o professor Daniel Bittencourt se juntou ao aluno de Comunicação Digital Shahin Nasrabadi. Na apresentação, eles falaram sobre a participação de grandes personalidades atuais no festival e o uso de assistentes pessoais, deixando de lado os smartphones. Segundo o professor e o aluno, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, tem como objetivo tornar a capital do Reino Unido o lugar mais inclusivo do mundo. Além do prefeito, também assistira à palestra do CEO da Waymo , empresa de carros autônomos, John Krafcik, e do ator Mark Hamil.
Shahin abordou a questão do uso dos assistentes pessoais nos Estados Unidos e o futuro da tecnologia sem telas. Nos Estados Unidos, as pessoas estão deixando de comprar celulares novos para comprar os assistentes pessoais, seja do Google, da Amazon, da Samsung ou qual seja a marca. As interfaces estão conquistando cada vez mais espaço no mercado tecnológico.
Em seguida, a professora do curso de Gestão, Inovação e Liderança (GIL) Melissa Iesnovski apresentou o Brand Experience, a respeito das marcas na nova era da tecnologia. A professora apresentou um case da marca de roupa Amaro, em que o seu CEO, Dominique Oliver, afirmou que “O design de moda é guiado por dados”. Para a marca, desde o projeto das roupas à forma de ofertar o produto, vai ser guiado por dados, ou seja, tudo é data driven, tudo é orientado por uma base de dados.

Além das roupas que são mostradas, a partir de base de dados segmentadas, ou seja, quem estará em determinada cidade, as modelos são diferentes tanto na pose, na etnia quanto na expressão facial. E tudo isso é feito a partir de testes A/B.
O evento também contou com a participação de ex-alunos da universidade que atualmente atuam no ramo de negócios. Formados em Gestão da Inovação e Liderança pela Unisinos, Felipe Stumpf e Rafael Bohrer fundaram a empresa Banana Nude em 2017 e foram até o SXSW para aprofundar o conhecimento sobre anúncios, marketing e serviços.
Para falar a respeito de moda e comportamento nas mídias sociais, a noite recebeu os diretores criativos e de conteúdo Dudu Rodrigues e Sarah Feltes, da empresa WT.AG. Os diretores afirmaram que houve uma necessidade da empresa, que já tem mais de 10 anos, de ver coisas novas e tiveram como oportunidade de conhecimento, o SXSW.
Sobre influenciadores criativos, os palestrantes afirmaram encontrar um olhar refinado sobre o que de diferente acontece ao nosso redor. “É importante encontrar verdades nos influenciadores e a gente quer gente que fale como a gente, ou que fale com pessoas mais próximas do possível. Mas ser digital também é legal”, disse Dudu ao questionar as marcas sobre a distância com o seu público.
Ao pensar no futuro, os diretores questionaram o porquê de as marcas de roupas famosas não usarem avatares, uma identidade virtual invés de ainda se comunicar por texto de redes sociais.
“E se as marcas não tivessem só mais influenciadores e sim tivessem avatares? E se as marcas não falassem no seu Instagram em texto? E se a gente olhasse pro futuro e começasse a pensar na voz dessa marca? Comando de voz é o futuro. Em um mundo de moda, que a gente fala basicamente sobre imagem, pensar na voz para as marcas, é um grande desafio e é o futuro”, afirmou Dudu.

Seguindo as apresentações dos palestrantes convidados, o professor de Design da Unisinos e sócio da empresa MPQuatro, Cesar Paz exibiu o Design Experience do SXSW. Uma explosão de experiência nada linear e isso é o mais importante de tudo. Na fala do professor, ele apresentou o momento que o design ganha liberdade a partir da discussão de design thinking.
“A visão do design como um pensamento, como solução de um problema complexo, como uma forma diferente de pensar, começa a se libertar e vai na visão da inovação e da inovação organizacional. Isso vai acontecer de uma forma definitiva para prosperar o design de pensamento, a partir das novas estruturas, novas morfologias de sociedade que a gente está construindo”, afirmou o professor
A respeito das novas interfaces, Cesar afirmou que o fim dos smartphones está próximo. Segundo ele, estamos dando início a uma construção, em grande escala, das novas interfaces. “A internet das coisas está entrando com essa visão, do design computacional e com um redesenho completo da relação como objeto, como marca. A forma que a gente acessa conteúdo, informação”.

Para o professor Daniel Bittencourt, falta um questionamento das marcas sobre os seus propósitos. ” É preciso ser autêntico, é preciso ser genuíno nesse discurso de marca, nesse posicionamento que a gente vive hoje. Campanhas em que a legitimidade do público ou da marca é reforçada”. Segundo o professor, é necessário haver três momentos: o primeiro de encontrar uma causa, o segundo sobre a questão cultural, e o terceiro em que a marca não se posiciona apenas no ponto de vista de um manifesto.
E para encerrar a noite, estiveram no palco os apresentadores de rádio Mari Martinez, da Marquise 51, e Edu Santos, da agência de música Loop Reclame. Os convidados fizeram uma breve apresentação sobre o SXSW, antes de apresentarem a banda Cartolas.
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