wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Exclusão da arte em debate appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>
Rosana Paulino é bacharel em gravura e doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), e tem especialização em Gravura pelo London Print Studio, de Londres. Ela conta que, na época em que iniciou a graduação, havia um “achatamento da formação” em que não se questionava o papel da arte na sociedade brasileira.
“Quando eu entro na USP, eu percebo que não há essa presença do simbólico na formação do artista, ou não era aceitado que o artista trouxesse outras camadas dentro da sua obra”, conta. Para ela, esse achatamento de origens artísticas era inconcebível. As raízes católicas e africanas e suas respectivas materialidades faziam parte de quem Rosana era e, assim, também de sua produção. Ao tentar trabalhar com obras manuais, ela ouvia que a questão da manualidade na arte contemporânea “já estava superada”. Então, questionava: “superada por quem?”

O simbolismo virou marca da arte de Rosana. Usando tintas, linhas, costura, esculturas e fotografia, ela abraça questões sociais, étnicas e de gênero. Nesse contexto de tensionamento das obras da artista, surgem trabalhos que colocam o papel da mulher negra no centro da discussão. Um dos exemplos é a série “Bastidores”, em que Rosana utiliza de forma irônica o bordado.

“Quando a gente pensa em uma mulher bordando, surge uma imagem idílica de um ambiente protegido. Mas o que acontece dentro dessas quatro paredes? Qual a violência vivida que não se vê?”, questiona. Rosana transformou essa dúvida em arte ao utilizar fotografias de mulheres de sua família e bordar por cima de bocas e olhos para representar o silenciamento da violência doméstica. “Como são imagens da minha família, são mulheres negras e a gente vai tomar outra faixa de leitura para eles, que é a questão do racismo institucional”, complementa.

O racismo também é foco da obra de Rosana no livro ¿História Natural?, lançado em 2016. Segundo ela, o livro representa uma confluência de seus 23 anos de trabalho. Ao analisar as imagens que representavam o Brasil no período da colonização, ela percebeu que ciência e arte ajudaram a construir o racismo que perdura até hoje.
“Nós somos um país que se formou a partir dos olhos dos outros. Essas imagens eram feitas para ser enviadas, muitas vezes, para fora do país”, explica a artista. Dividido em três capítulos, nomeados “O Progresso das Nações”, “A Salvação das Almas” e “O Amor pela Ciência”, o livro mistura fotografias com costuras, tecidos e linoleogravura.

Ela explica que as abas costuradas por cima das imagens representam as questões do racismo vedado no país, mas também sobre realidades díspares “suturadas” a força nas mesmas páginas da história. As gravuras também são uma forma de trabalhar a imagem do país, quesito que a artista considera não estruturado. “No Brasil, a gente desconhece um pouco o contexto que a imagem tem sobre a formação de identidades”, comenta.
The post Exclusão da arte em debate appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>