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“Nesta exposição, escolhemos trabalhar apenas com produções que vêm de mãos e mentes negras. Essa é uma posição política que se refere à necessidade de conceber a arte afro-brasileira não como um tema, um estilo ou conteúdos preestabelecidos, e, sim, como a parcela da arte brasileira produzida por sujeitos negros”, sintetizam os curadores da mostra Izis Abreu, Igor Simões e Caroline Ferreira.
Antes da mostra, um evento importante aconteceu: a realização de uma residência artística (o MARGS serve de apoio para o desenvolvimento e criação do trabalho de artistas, ajudando na inserção do contexto cultural e social) com a participação de 23 artistas negros e negras atuantes no Estado.
Segundo a mediadora do Núcleo Educativo do MARGS, Amanda Barcelos, o acervo do Museu tem cerca de 1,1 mil artistas, no entanto, apenas 22 são negros. “Se a gente entrar na questão de gênero, fica ainda pior a situação, porque são 21 homens e uma mulher”, ponderou Amanda.
“Presença Negra” conta com cerca de 250 obras, organizadas em núcleos, renovados com periodicidade durante a mostra. “Como é muita coisa, a curadora Ízis Abreu criou essa divisão para uma melhor compreensão do público”, explica a mediadora.
Tem núcleos voltados para temas religiosos, de artistas transexuais, de maternidade, indígena, entre outros. A exposição está instaladas nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, no 1º andar do Museu. Desde maio, a exposição central foi “Relaxamento Afro”. “Traz essa questão de que negros nunca são vistos ou retratados em situações de relaxamento, fazendo algo para o seu bem-estar”, pontua Amanda.
Giuliano Lucas é um dos artistas negros que está na exposição do MARGS, com dois vídeos reproduzidos e fotografias expostas nas pinacotecas central e lateral. “Sentimento de conquista, mas também é um sentimento de que é tardio demais”. Para ele, que trabalha com fotografia, cinema, videografismo e outras artes visuais, o processo de entender que fazer arte era uma possibilidade de profissão foi cruel.
Giuliano conta que, para comprar sua primeira câmera, precisou de um empréstimo, que durou dois anos. “Para uma pessoa preta chegar a ter uma câmera nas mãos, é uma caminhada muito longa”, frisa o artista. “Eu comecei na fotografia muito influenciado pelo trabalho de um fotógrafo negro chamado Januário Garcia”, conta. Januário é autor de capas de discos famosas, como os de Raul Seixas, Leci Brandão, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Belchior e Tom Jobim.
Nos últimos anos, Giuliano conta que começou a desbravar o audiovisual. “Além do Mérito” e “Operárias” são dois documentários seus, sobre médicos negros no Rio Grande do Sul e as relações de trabalho em um prostíbulo de Minas Gerais, respectivamente. Também trabalhou como diretor de fotografia do filme “Pereio, eu te odeio”, que deve ser lançado em breve.

Para o artista, o sobrenome herdado abre portas de forma quase automática. “Um conceito de arte que chamo de ‘arte cosmética’, simplesmente ligada à questão plástica e à etimologia da palavra”. “Cosmética” tem origem no termo grego kosmetés, que descrevia um servo designado para cuidar da beleza dos senhores.
“As pessoas falam em visibilidade, isso me incomoda demais, porque nós não somos invisíveis, o que a gente sofre é silenciamento”, sublinha. Para Giuliano, a geração de novos artistas negros, com cada vez mais nomes, é uma esperança. Para ele, a caminhada é longa e os passos são curtos, mas frisa: “Eu não dou um passo atrás nem para pegar impulso”.
Ele conta que Januário Garcia dizia que a fotografia é um veículo de transformação social. Sua inspiração aponta a necessidade de promover uma ruptura contra o sistema e de fortalecer novos circuitos. O artista é parceiro do projeto “CapaciTrans”, que promove capacitações para transexuais. Inclusive, uma das alunas faz Libras em um dos vídeos de Giuliano expostos na exposição.
O jovem negro e egresso da Unisinos Leonardo Farias, que trabalha como designer de imagem de moda, visitou a exposição em diversas ocasiões desde que ela foi inaugurada. “Tem várias formas de expressão em que eles contam, pela perspectiva de artista, a questão do contexto e trajetória deles nesse atravessamento de ser negro”, explica.
A expressão “Obá Oritá Metá”, escrita na etnia africana Iorubá, diz “boas-vindas” e está inscrita na parede em frente à porta de acesso da galeria principal do Museu. A simbologia é de identidade e ancestralidade. Questionado sobre “ancestralidade” ser tema recorrente quando se fala em negritute, Leonardo responde que, para ele, representa a questão da unidade e o “tecido do tempo” no Brasil em diáspora.

Existe um senso de comunidade na negritude, acredita Leonardo. “A gente não sabe exatamente de onde nós temos descendência no continente africano, mas a gente sabe, quando se fala de diáspora, que, aqui no Brasil, (os que foram sequestrados e trazidos para cá) criaram esse senso de identidade nacional”, pontua.
“Muitas ideias, reflexões e filosofias estão atrelados às religiões de matriz africana, que são, também, meios que a gente teve de ter ainda um elo com o continente matriz”, argumenta. Leo, como é chamado por onde passa, acredita que isso salvou a comunidade negra da derrota de verdade. “Tu não derrota um povo quando tu usa a força e a violência contra ele. Tu derrota, de fato, quando tu mata mentalmente ele. Foi o que tentaram fazer com a gente.”
Leonardo acredita que a maior parte do público visitou a exposição “Presença Negra no MARGS” no evento Noite dos Museus, que aconteceu no dia 21/5. No entanto, afirma: “A impressão é de que a galera pensa que, por ser uma exposição de pessoas negras e artistas negros, e ter essa questão política muito forte nas obras, não é para elas”. Leonardo se diz incomodado com a falta de repercussão no próprio círculo de conhecidos. “Nós somos artistas antes de sermos negros”, assinala ele, que também se considera artista.
Para ele, assim como uma pessoa branca vai falar sobre alguma coisa que atravessa ela na arte dela, o mesmo acontece com os artistas negros. “Às vezes, também é um processo de cura a gente validar a nossa dor, falar sobre o que nos aflige e, dessa maneira, conseguir refletir, deixar um peso de lado”, comenta.
Exposição “Presença Negra no MARGS”
Curadoria de Igor Simões e Izis Abreu, e assistência de curadoria de Caroline Ferreira
Quando: em exibição até 21/08/2022
Onde: nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, localizados no 1º andar do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Endereço: Praça da Alfândega, s/nº, em Porto Alegre.
Visitação: de terça-feira a domingo, das 10h às 19h (último acesso às 18h30), sempre com entrada gratuita, sem necessidade de agendamento. O MARGS também oferece ao público visitas mediadas para grupos de até seis pessoas, de quinta-feira a sábado, em duas faixas de horários (10h30 às 12h e 14h às 15h), mediante agendamento prévio no site do Sympla (www.sympla.com.br/produtor/museumargs).
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Neste semestre, a cadeira firmou parceria com o Centro de Cidadania e Ação Social Unisinos (CCIAS), que desafiou a turma a contar uma história que pudesse servir como pauta para um cinedebate na Década Afrodescendente, evento global promovido pela ONU, que vai de 2015 a 2024.

A disciplina, que é optativa de alguns cursos, contou com 24 alunos de Publicidade e Propaganda (PP), Relações Públicas (RP) e Administração. “O curta, que geralmente é feito durante o semestre todo, tinha que estar pronto até o dia 20 de outubro, dia do evento”, explica Sandrine Liége Martins dos Reis, estudante do 4º semestre de RP.
Apesar da correria, deu tudo certo. Além do curta-metragem, os alunos produziram podcasts, material para as redes sociais e a identidade visual para a Década Afrodescendente, que o CCIAS pode utilizar até 2024.
A atividade, que abrange toda a produção e edição do curta, permitiu aos alunos desenvolver habilidades em setores diversos. “Cada um escolheu a função que se considerava mais apto, mas, no dia da gravação, todos ajudaram na maquiagem dos atores, no figurino e na montagem das cenas”, comenta Sandrine. “É uma cadeira bastante prática. Aprendemos a trabalhar como um coletivo. Apesar de todos termos uma função, precisávamos uns dos outros para que o curta e as transmídias dessem certo.”

Lisiane, que também é cineasta, contribuiu com sua experiência no projeto e auxiliou os alunos a desenvolverem suas próprias habilidades. “O audiovisual é um trabalho em equipe, então, se não houver envolvimento, não acontece”, explica a professora. “Eles desenvolveram todas as competências relacionados ao audiovisual: roteiro, produção, direção de arte, direção de fotografia, edição, som, finalização. E também as habilidades interpessoais, como o respeito ao outro.”
A história, protagonizada pelos atores Fernando Silveira e Manuela Berndt, “busca servir como provocação a vários preconceitos velados que vivemos sem perceber”, diz o material de divulgação do projeto. Conforme os produtores, “a ideia é abordar um assunto denso de forma leve, colocando uma lente otimista num dos debates mais polêmicos da nossa era”.


O curta tem uma página no Instagram, onde podem ser conferidos fotos do projeto e um making of com os alunos e os atores. O lançamento ocorre dia 4 de dezembro, às 19h30min, no Labitics, que fica no prédio D02 do campus São Leopoldo. Além do curta, também serão lançados os dois primeiros episódios do podcast, que debate os desafios do trabalho.
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]]>Com o objetivo de ampliar o diálogo sobre a representatividade racial e proporcionar a troca de experiências entre públicos que vivem realidades distintas, alunos e professores do curso de Jornalismo da Unisinos realizaram na segunda-feira (11/11) uma roda de conversa com participantes de movimentos sociais ligados à causa negra. O encontro, promovido pela turma da disciplina de Jornalismo Impresso e Reportagem do campus Porto Alegre, faz parte do lançamento da 13ª edição do jornal Lupa (Leia Unisinos Porto Alegre). A publicação, lançada no mês de novembro, tem o tema “vidas negras” como foco das reportagens.
Ao abrir as discussões, a coordenadora do curso, Débora Gadret, frisou: “O jornalismo está inserido no campo das Ciências Sociais, e que, sendo assim, debater pautas como a representatividade racial no ambiente acadêmico é não apenas uma obrigação de professores e alunos, mas também uma necessidade”. Para a professora Taís Seibt, responsável pela atividade que produz o Lupa, iniciativas como essa “são uma forma de não deixar o jornal cair no esquecimento e criar algum legado dentro da universidade sobre a abordagem das questões raciais”. Taís, que acumula a função de repórter com a de professora, ainda revelou que em sua trajetória jornalística nunca havia se sentido tão provocada a pensar e se questionar sobre o assunto como durante a produção do Lupa “vidas negras”.
A socióloga Carolina Montiel, que atualmente trabalha com saúde reprodutiva feminina, ressaltou a importância da sociedade e a imprensa fornecerem espaço para temas raciais durante todo o ano, e não apenas em novembro, época em que o assunto naturalmente ganha mais visibilidade. Carolina, que participou da reportagem sobre as altas taxas de AIDS em mulheres negras, observou que o Lupa “conseguiu fugir do óbvio com reportagens variadas” e mencionou aos estudantes a infinidade de histórias existentes na capital gaúcha e região metropolitana que estão à espera de alguém para contá-las.
Durante a produção do Lupa, uma das principais dúvidas dos estudantes foi a legitimidade e a maneira de abordar questões raciais sendo uma pessoa branca. Na visão dos convidados, todos os jornalistas devem falar sobre representatividade independentemente de sua cor. “’Vidas negras’ é sim um tema que deve ser falado por brancos”, afirmou Carol. Ela apontou que os profissionais da imprensa não necessariamente dominam todos os assuntos nos quais trabalham no dia a dia, e que nem por isso deixam de abordá-los.
A mesma opinião tem Marcelo Fróes, um dos criadores do Núcleo de Estudantes Afro para Representar e Acolher (Neara). “Quando o branco silencia sobre o racismo, ele está contribuindo para perpetuar o preconceito”, salientou o estudante, que também participa do MilTons – coletivo que já teve um especial no Mescla. Outra ação que Marcelo desenvolve é a oficina de programação AfroPhyton – voltado à inclusão digital –, sendo Phyton uma linguagem de programação.
Para Vitória Nascimento, estudante de Arquitetura e Urbanismo e uma das primeiras participantes do Neara, a importância do grupo na universidade é representada pelo fim da sensação de solidão em um lugar com predominância de pessoas brancas até a aceitação de suas próprias características físicas.
Por Paulo Albano
O jornal Lupa nasceu como uma forma de anunciar a chegada do curso de Jornalismo na Unisinos Porto Alegre, e o nome foi uma sugestão do aluno Luís Felipe Matos. Lupa é um instrumento óptico para ampliar imagens, mas a palavra remete também ao detalhamento, ao cuidado com que o jornalismo deve olhar para seus temas. Na verdade, trata-se de um acrônimo, ou seja, uma palavra formada pelas iniciais de outras palavras. Lupa pode ser também Leia Unisinos Porto Alegre.
Na sua primeira edição, o Lupa falou sobre a Cidade Baixa, um dos bairros mais efervescentes da capital. Ao longo das primeiras 12 edições, foram contadas as mais diversas histórias, algumas ocultas aos olhos dos moradores de Porto Alegre, como as de abandono, de aprisionamento, de pecados, de ruas e avenidas, e também de notícias boas. A 13ª edição marca a primeira vez que o tema “vidas negras” é abordado. Denilson dos Santos Flores, o único aluno negro da turma, comentou sobre a sua expectativa para as próximas edições:
“Espero que as próximas edições do Lupa tragam assuntos tão importantes como este, da negritude, que possam provocar efeitos positivos tanto dentro da academia quanto fora. A aceitação do nosso jornal está sendo muito grande. Digo “nosso” porque tenho um sentimento de orgulho daquilo que fizemos. Espero que não fique apenas no papel, e que todos vejamos atitudes concretas da universidade. Espero também que alguns dos nossos personagens retornem à um próximo número do Lupa para vermos o que mudou em suas vidas desde o nosso jornal” – Denilson dos Santos Flores
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]]>The post Representatividade do negro na mídia é tema de evento appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Airan Albino, jornalista e um dos fundadores do grupo MilTons. Ele discutirá as masculinidades negras.
Iarema Soares, jornalista integrante do coletivo Nonada Travessia, da Rede de Ciberativistas Negras do RS. Ela é também voluntária do AfroPython.
Ketlyn Couto, relações públicas. Em seu trabalho de conclusão de curso, tratou sobre a construção identitária de negros a partir das representações das religiões afro-rio-grandenses na mídia.
O Big Talks tem entrada gratuita e ocorrerá em novembro, dia 28, das 19h às 22h, na Bighouseweb (Rua da República, 433, Porto Alegre). As inscrições devem ser feitas pelo e-mail philipe.bhw@gmail.com.
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]]>The post Feira do Livro de Porto Alegre abordará feminismo e política appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Temas como meio ambiente e política também terão espaço para debate na Feira. Entre as atividades previstas estão: “Leituras de História Cultural: memória, patrimônio e políticas culturais”; “Cidade e democracia: aprendizados de vida. Homenagem póstuma a Cezar Busatto”; “O Clímax da década de 1960” e “Precisamos falar sobre 2013”.
Em sua 64ª edição, a Feira do Livro terá também a República Tcheca como o país convidado de honra. Datas marcantes do país serão lembradas com exposições temáticas, como “50 anos da Primavera de Praga” e “100 anos da fundação da Tchecoslováquia”, além de recitais de poesia, saraus, exibições de filmes e um estande próprio no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul.
Para conferir a programação completa, acesse o site.
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]]>The post #TEDxUnisinos : Gladis Kaercher appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A história de Gladis com as questões étnico-raciais veio à tona após a recusa de um convite para palestrar na Semana da Consciência Negra, em 2000, por achar que não sabia falar sobre o tema. “Desde que comecei na UFRGS, trabalhava como orientadora dos estagiários da pedagogia. Eu não me dava conta que já estava me envolvendo bastante com essas questões. Toda vez que surgiam questões raciais com os estagiários, como crianças xingando e brigas, eu era convidada a ajudar, intervir, dar opiniões, sugerir livros de história, etc”, comenta.
Com a formação focada no trabalho com crianças, Gladis resolveu direcionar seus estudos e projetos para a formação de professores da rede de ensino fundamental. Em 2012, por meio da ex-aluna Tanara Furtado, Gladis teve a oportunidade de desenvolver suas propostas, através de uma pesquisa feita pelo Ministério da Educação.
“O MEC fez um levantamento pelo censo escolar de quais temas os professores sentiam mais falta de receber informação. E um dos temas era colocar em prática o artigo 26A da lei de diretrizes e bases, especificamente a lei 10639, que é aquela que altera o artigo 26A e diz que tem que ensinar a história africana e afro-brasileira”, explica. A iniciativa acabou resultando na primeira edição do curso de extensão UniAfro, no ano de 2013, formada por uma coordenação inteiramente de mulheres negras.
A proposta inicial foi de um curso direcionado para professores, pensando em cargas horárias que encaixassem na rotina de educadores que têm aulas o dia inteiro. Gladis tinha a intenção de promover um curso direto de sala de aula, onde os profissionais pudessem estabelecer diálogos e ações com os alunos, com a possibilidade de voltar para o UniAfro e passar um feedback. “Foi muito importante porque o racismo se mostra quando tu se debruças sobre essa temática da história do negro, das diferenças entre negros e brancos no Brasil, as diferenças de acesso à educação e de como o racismo funciona nas relações cotidianas. O curso fez as crianças pensarem bastante, e, sempre que tu colocas filhos a pensar, os pais vão junto” conclui Gladis sobre o retorno da primeira edição do curso.
Após uma primeira edição satisfatória, Gladis Kaercher e a colega Tanara Furtado pensaram que seria interessante oferecer um material para os professores que participassem do curso, algo que pudessem trabalhar em sala de aula com os alunos. Foi então que surgiu a questão da cor da pele de uma outra maneira.
“O curso terminou, e tinha uma coisa concreta que nos incomodava muito e que sempre me incomodou, que era a história do lápis cor de pele. Quando as crianças pintavam figuras humanas ou faziam autorretrato não tinham o lápis correto”, comenta ela. Na época, Gladis e Tanara já conheciam estojos de giz de cera em tons de marrom, mas tinham que lidar com a questão da importação. Após testes em diversas tonalidades, o giz finalmente tomou forma.
“Esse giz ocupou um lugar que é, como é que tu problematizas essas questões raciais, com uma criança pequena? Discutir racismo, discutir todas essas questões às vezes é bastante abstrato pra criança, pra entender as relações sociais, entender as relações de poder, entender o quanto é importante se sentir representado. Ou seja, poder pintar-se para uma criança na cor que eu tenho, na cor que é a cor da minha pele”, explica ela.
Com repercussão do estojo de 12 tons de giz de cera cor de pele, produzido pelas coordenadoras do UniAfro em parceria com a gráfica PrintKor, Gladis Kaercher avalia o material como necessário para fomentar a discussão do racismo com as crianças. “Conseguir pensar as questões do racismo sempre a partir de uma concretude e também sem culpa. Porque discutir o racismo com uma criança branca pode ser uma discussão leve, ela não precisa colocar essa criança num sentimento de culpa de ‘nossa que horror o que minha raça fez com os negros’. Eu acho que é um tema que é necessário”.
Os trabalhos de Gladis e suas experiências serão apresentados em mais uma edição do TEDxUnisinos, no mês de Agosto, que neste ano traz como tema as fronteiras. “Eu gosto de olhar a fronteira nessa potência, um lugar de intercessão. As fronteiras geográficas, culturais, eu acho que as fronteiras de gênero estão sendo construídas desse modo, contemporaneamente. Vejo a fronteira dessa discussão racial como esse lugar de potência, onde não há ‘lá estão os brancos e aqui estão os negros’, mas onde brancos e negros vão habitar e construir essa intercessão”, conclui Gladis Kaercher.
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]]>The post 1ª Copa de Futsal LGBTI appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Além da competição esportiva, dra. Maria Berenice Dias ministrará um workshop sobre homoafetividade e direitos LGBTI. Advogada especializada em direitos homoafetivos, a palestrante é autoridade internacional no assunto e promete integrar, ainda mais, os competidores com a comunidade.
As equipes Quero-Quero, de Gramado, Magia e Pampacats, de Porto Alegre, Sereyos, de Floripa, Taboa, de Curitiba, Diversus e MBB, de São Paulo, já confirmaram presença.
“Teremos equipes com jogadores gays, bis, lésbicas, trans. As equipes técnicas podem ser formadas por héteros. Ou seja: ninguém estará excluído. É a união pelo esporte promovendo a inclusão”, aponta o organizador do evento, Flávio L. Prestes.
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]]>The post #LeiaMulheres: porque precisamos dessa hashtag? appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Durante os encontros, as integrantes do grupo começaram a perceber que haviam poucos livros de mulheres publicados, e que os publicados acabavam sendo a maioria “romances água com açúcar”, enquanto os livros publicados por homens abordavam diferentes temáticas. “Precisamos bater na tecla de que as mulheres podem escrever (e escrevem) tão bem quanto os homens”, declarou Clarissa.
Além da pouca representatividade de mulheres escritoras, o grupo constatou que somente 29% das escritoras publicadas são negras, contra 68% de mulheres brancas. “Nós estamos vivendo duas lutas diferentes: representatividade feminina e representatividade de raça”, declarou Maurem.
Durante o bate-papo, uma estudante do 3º ano do Ensino Médio falou para as palestrantes que, de 12 leituras obrigatórias para o vestibular deste ano, somente 2 são femininas, e que isso deixou-a muito chateada. Elisete, professora de literatura e participante do grupo, ao ouvir a situação contada pela estudante, exclamou: “Cabe a nós mudar isso!”. Segundo a professora, a questão do #LeiaMulheres é cidadã, é uma questão que está reivindicando um espaço que já é nosso por direito. “Eu acho que os professores devem ter essa meta de trazer outra visão, de trazer essas mulheres para dentro da escola”, declarou.
Todo último sábado do mês ocorre um encontro do #LeiaMulheres na Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, e todos estão convidados a participarem das reuniões. Dia 25 de novembro será o próximo encontro, onde abordará o livro de ficção científica “A mão esquerda da solidão”, de Ursula K Le Guin.
Para 2018 o grupo estabeleceu 4 metas principais: maior representatividade; 50% autoras negras ou mais; abordar escritoras brasileiras de outros estados; e multiplicar a iniciativa.
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]]>The post Representatividade e diversidade foram debatidos no encontro de comunicação em rede do Canal Futura appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Alunos e profissionais de comunicação participaram de um dia intenso de palestras, no qual puderam debater o tema principal do evento, “Como Construir espaços de diálogo com os jovens?”. Conforme a jornalista Carol Anchieta, é importante o espaço que ela tem e as questões que aborda dentro de um programa como o Jornal do Almoço, que tem grande audiência. “É difícil falar sobre comunicação voltada para o entretenimento, para a cultura e a diversidade no horário do meio-dia,” comentou. Para ela é importante ter alguém que tenha domínio e aproximação com essa diversidade.
Para a gerente do Canal Futura Ana Paula Brandão, a representatividade é o principal fator na hora de falar sobre o assunto. Ela comentou que na sua trajetória sempre foi a única negra nos lugares que frequentou. “Não conheço outro gerente das organizações Globo que seja negro. Não podemos falar com distanciamento. Não tem como tratar, falar ou representar não sendo daquele determinado grupo. Você não pode ter apenas empatia, você tem que ter amigos negros, trans para dialogar”, abordou a gerente de mobilização e articulação do Futura.
Como olhar o ser humano e falar no olho dessa pessoa? Como tirar a linguagem que vem carregada de preconceitos? Foi a reflexão do consultor Marcelo Wasem.
“Reconheço que minha interface carrega privilégios. Estou o tempo todo pensando o que eu sou e o que não carrego comigo. Me reconheço um preconceituoso o tempo todo por que emitimos pensamentos. Como tratar a diferença com alguém que não quer tratar disso? Acredito que seja um desafio que temos que encarar e reconhecer a possibilidade de entendimento do outro”, abordou Marcelo. Ele comentou ainda que o debate da diversidade deve ser uma luta diária e um compromisso pessoal.
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