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]]>Apesar do clima de tensão em que a Europa, Ásia e o Oriente Médio se encontram, Álvaro Paes Leme, um dos coordenadores do curso de RI, explicou que, em Genebra, o clima era tranquilo. Segundo o professor, apesar dos registros de protestos em frente à sede da ONU, tudo ocorreu de forma pacífica e respeitosa, sem preocupação das autoridades em relação a isso.
Álvaro relata que não sentiu nenhum tipo de preocupação e que tudo ocorreu da mesma forma que outras edições do intercambio curricular. “Nossa única ressalva foi em relação ao fim de semana livre que os alunos têm. Só dissemos para eles que, se fossem para lugares como Paris ou outras cidades maiores, que ficassem atentos, mas não houve nenhuma preocupação maior.”
De acordo com o coordenador, a ONU tem um papel importante para o sistema internacional. “O fato de que, no Conselho de Segurança, muitas resoluções acabam não sendo aprovadas em razão do poder de veto dos membros permanentes, pode fazer com que se questione a eficácia do Conselho e do próprio Sistema ONU”, ressalta o professor. No entanto, segundo ele, “o Sistema das Nações Unidas ainda é o fórum multilateral por excelência onde são debatidos temas de natureza variada e de impacto global, tais como segurança, saúde, educação, trabalho, desenvolvimento, migrações e refúgio e direitos humanos, entre outros. Igualmente no âmbito da ONU, por meio de seus diferentes programas, são articulados projetos de financiamento para áreas como meio-ambiente, desenvolvimento, educação, cultura, trabalho e infância, entre outras”, avalia.

Protesto pró-Palestina em frente à sede da ONU, em Genebra (Fotos: Natan Couduro)
O egresso de Jornalismo da Unisinos Natan Cauduro estava no grupo. Agora estudante de Relações Internacionais, ele contou que o grupo teve a primeira semana voltada para visitações às sedes dos órgãos que compõe as Nações Unidas, como a da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Meteorológica Mundial (OMM), da Organização Mundial do Comércio (OMC), do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos e, por último, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).
Além disso, os alunos também tiveram a oportunidade de visitar as duas Missões Permanentes do Brasil. “São cinco dias com manhãs e tardes de visitas constantes, para aproveitar ao máximo esse período, para que a gente conseguisse ver e conhecer tudo”, aponta Natan.

Em Genebra, os estudantes visitaram as sedes da ONU, OMC, OMM e a missão permanente do Brasil na ONU (Fotos: Reprodução / Instagram do curso de Relações Internacionais)
Já a segunda semana foi voltada para os estudos na Escola de Diplomacia e Relações Internacionais de Genebra. O egresso explica que durante esse tempo, o grupo estudou com alunos de várias turmas diferentes, tanto de Graduação quanto de Mestrado, de acordo com um cronograma montado pela organização para que eles pudessem escolher as disciplinas que funcionam melhor para cada um.

Alunos de RI com os certificados de conclusão de curso entregues pela Escola de Genebra
(Foto: Arquivo pessoal/ Reprodução: Instagram da escola)
“A gente teve a oportunidade de conversar com muitos brasileiros que trabalham como funcionários internacionais do Sistema ONU em Genebra. Um momento sem igual foram as palestras realizadas por dois funcionários do Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos”, ressalta Natan.
Para o egresso, os pontos altos do intercâmbio foram as visitas ao Palácio das Nações, que é a sede da ONU, e à OMM, que não é muito conhecida, mesmo sendo responsável por vários estudos utilizados em notícias e trabalhos acadêmicos. “Foi uma coisa que me surpreendeu, porque eles são provavelmente a instituição da ONU que lida com mais frequência e mais peso com questões climáticas do mundo, além das relacionadas ao aquecimento global”, evidência Natan
Para ele, que já atuou como repórter na Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) da Unisinos, em um nível de coleta de dados, de produção de informação, a OMM é um agente da ONU muito importante, mas que, infelizmente, não é muito conhecida. “Normalmente, a gente vê dados publicados ou produzidos por eles, mas sem muito destaque, mas ela é uma organização superimportante”, completa.
Natan contou ainda que um momento de destaque foi poder acompanhar a eleição do Brasil para o Conselho de Direitos Humanos da ONU juntamente com o embaixador Tovar Nunes e o conselheiro Eduardo Souza. “Foi no dia em que fomos conhecer o escritório da missão do Brasil na ONU. Bem no momento da nossa visitação, acontecia a eleição do Brasil para o Conselho de Direitos Humanos. O embaixador ligou a TV da sala e, assim, a gente acompanhou a eleição junto com ele. E o Brasil foi eleito. Foi uma experiência única no nosso intercâmbio, da minha turma de 2023”, orgulha-se.

Alunos e o coordenador do curso de RI Álvaro Paes Leme com o embaixador Tovar Nunes no escritório da missão brasileira na ONU (Foto: arquivo pessoal)
Conforme Álvaro, que coordena o curso de juntamente com a professora Nádia Menezes, o curso de RI construiu uma rede de contatos para montar parcerias que viabilizam o intercâmbio. Com a Escola de Diplomacia e Relações Internacionais de Genebra, por exemplo, a aproximação foi pensada junto com o Escritório de Internacionalização da Unisinos. “Inclusive, nós sediamos aqui na Universidade, em 2013, um seminário em que cinco representantes da ONU vieram da sede de Nova York para Porto Alegre para apresentar oportunidades de trabalho na organização. Foi um momento importante, que nos aproximou das Nações Unidas”, explica o coordenador.

À esquerda, o coordenador Álvaro Paes Leme em uma visita com os alunos
(Foto: Reprodução/ Instagram Relações Internacionais)
Para Natan, o intercâmbio curricular tem como objetivo proporcionar aos alunos uma aproximação com a prática, além de inseri-los em um cenário mundial. “É uma forma de fazer com que a gente se conecte um pouco mais com essas instituições e, ao mesmo tempo, da gente se inserir num cenário mais global, porque dá a chance de falarmos inglês ou outra língua que a gente domine caso necessário.”

Natan no Palácio das Nações (Foto: arquivo pessoal)
Além de Natan e o coordenador, compuseram a comitiva da UNISINOS, 25 estudantes dos campi Porto Alegre e São Leopoldo e ainda a professora do curso Bruna Gorgen Zeca e Álvaro Augusto Stumpf Paes Leme.
Ficou interessado pelo curso de RI ou quer saber mais sobre o intercâmbio curricular? Então, siga o perfil de RI no Instagram para ficar por dentro das novidades, e acesse o portal da graduação para mais informações.
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“Eu estava entrando no meu último semestre de jornalismo e aí comecei a botar certas coisas na mesa e a pensar o que faria no meu futuro. Porque infelizmente nessa área, gente sabe que a possibilidade de trabalharmos como repórter numa grande redação é relativamente baixa”, explica Natan. Ele se refere à concorrência acirrada, a redução de vagas nas redações jornalísticas, sem falar na exigência de habilidades digitais. Além disso, há ainda a pressão por produzir conteúdo de qualidade em prazos apertados.
A bagagem como jornalista, no entanto, foi essencial para Natan conquistar uma vaga na ONU, que veremos a seguir. E olha só, a primeira experiência dele no jornalismo foi onde? Como Repórter na Agexcom– Agência Experimental de Comunicação! Quem já é leitor do Mescla há algum tempo, com certeza se lembra de algumas de suas publicações, como a história do documentário “Pastor Cláudio”, que traz o relato de um ex-agente da repressão sobre os anos de chumbo.

“Estagiar na Agex talvez tenha sido uma das coisas mais inteligentes que eu fiz na minha vida”, garante. Natan descreve a agência como um ambiente de aprendizado muito diferente de qualquer outro tipo de estágio por estar literalmente trabalhando com os seus colegas de aula. “Isso torna o ambiente de trabalho muito mais alegre deixa e muito mais tranquilo. A outra vantagem que a gente tem, é ter nossos professores que admiramos como os nossos chefes”, complementa Natan.
Além da experiência como repórter, a assessoria de imprensa também faz parte do seu currículo. Na vaga para o Conselho Estadual de Cultura, órgão vinculado à Secretaria de Cultura do Governo do Estado, Natan tinha que “se virar” para fazer tudo o que precisava porque a equipe era pequena. “Não tínhamos exatamente um supervisor de assessoria, então a gente tinha que conversar entre nós e ver o que poderia funcionar ou não”, esclarece.
Segundo Natan, foi uma boa oportunidade para estimular a criatividade para o trabalho de assessoria. Além disso, ele entende que foi interessante compreender o funcionamento do Estado e suas burocracias, coisas que não funcionam, mas também coisas que são importantes que funcionem de determinada maneira.
Os receios sobre o futuro da profissão levaram Natan a desenhar três possíveis cenários para o futuro dele. O primeiro e mais natural era continuar no mercado de trabalho no campo do jornalismo; o segundo, quase um desdobramento, era iniciar um mestrado em Comunicação. E o terceiro, mais radical, era iniciar uma nova graduação. “Uma das coisas que acho que me motivou bastante para entrar em R.I foi justamente alguns descontentamentos com o próprio jornalismo”, revela Natan. A famosa expressão ´jornalista é um especialista em generalidades´ o incomoda profundamente. “Não quer dizer que isso seja uma mentira, mas eu realmente não gosto”, complementa.

“No trabalho como repórter, de modo geral, o que me incomodava era que apesar de todo treinamento e preparação para fazer uma entrevista e montar uma matéria, eu não fazia a menor ideia do que os meus entrevistados realmente me respondiam”, explica.
Por fazer textos de diferentes editorias, desde esporte até economia, Natan se sentia incomodado com esse desafio dos jornalistas de escrever sobre um assunto sem um conhecimento aprofundado. A sensação é de que estava quase sempre em dívida com o tema: não dominava determinado assunto e isso fazia com que se sentisse perdido. “Estou há anos estudando para conseguir montar um texto com hierarquia bem-feita, respeitando o esquema ´o que? Quem? Quando? Onde? Como? Por quê? ´, mas ao mesmo tempo, eu não entendo realmente sobre o que que eu estou falando”.
Uma das editorias jornalísticas que sempre despertou interesse em Natan foi a de assuntos internacionais. Ele explica que para fazer uma matéria na editoria de internacional é preciso basicamente incluir todas as outras (cultura, esporte, economia, saúde, entre outras), só que com relação a outro país.
Para produzir uma matéria sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, é preciso entender de política Internacional, geopolítica, cultura e linguagem. Foi exatamente isso que tornou o curso em Relações Internacionais tão atrativo para ele.
Depois de alguns semestres na rotina intensa do curso de RI, surgia mais uma oportunidade única para Natan: a mobilidade acadêmica. Seu interesse pela cultura asiática o levou para a Universidade Dankook, na cidade de Yongin, na Coreia do Sul. Durante a viagem de quatro meses, Natan fez amizade com pessoas diferentes partes do mundo, aperfeiçoou suas habilidades em inglês, mas também aprendeu muito sobre coreano, já que eles falam em inglês.

Natan conta que foi uma experiência muito interessante também porque a noção acadêmica deles de estudo de Ciência Política e a relação de aluno com o professor é muito diferente da que existe no Brasil. Dentro disso, o estudante destacou as diferenças nas visões e noções de mundo e de política que seus professores lá tinham. “Acho que temos (universidade brasileira) o nosso próprio ´jeitinho´ de estudar Ciência Política que ainda me parece mais interessante, mais envolvente, enfim, mais legal”, revela Natan.

Depois de viver esta experiência no outro lado do mundo, Natan conseguiu uma forma de se manter conectado com assuntos de relevância internacionais. Isso porque hoje é estagiário de comunicação na ONU, mais especificamente no Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime (UNODC), com sede em Brasília.
Este braço da ONU no Brasil é responsável por combater o tráfico de drogas, o crime organizado transnacional e a corrupção. Suas ações incluem prevenção e tratamento de drogas, combate ao tráfico ilícito, enfrentamento do crime organizado e promoção do desenvolvimento sustentável. Além disso, o escritório fornece assistência técnica, promove a cooperação internacional e realiza pesquisas sobre tendências criminais.
Lembra daquela passagem do Natan pela assessoria de comunicação no Conselho Estadual de Cultura? Segundo ele, esta experiência contou muito durante o processo seletivo para este novo estágio. “Uma das preferências que eles tinham (não que isso fosse uma obrigação) era de contratar pessoas também que já tivesse trabalhando no poder público”. Sobre o futuro, Natan acredita que o ideal para sua carreira seria conseguir alinhar suas duas graduações, em Jornalismo e Relações Internacionais, mas de qualquer forma não quer se restringir a esta única opção.
“Prefiro não me limitar a ponto de dizer eu só vou trabalhar com uma área que consiga corroborar com as duas formações, por que de modo geral, para fazer isso, ou eu trabalho com algum tipo de assessoria de imprensa numa empresa que seja multinacional, ou num órgão Internacional, como é o caso da ONU, ou vou ser repórter correspondente”, conclui.
Como dá para ver, o presente e o horizonte seguem promissores…Nós, do Mescla, ficaremos na torcida, e à espera de novas notícias deste inquieto e curioso egresso do Jornalismo.
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