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Nossa maior meta ainda é reduzir a branquitude no Portal. Esta é uma das conclusões a que se chega após realizar o segundo levantamento que pretende fazer um mapa da representatividade de fontes entrevistadas pelo Portal Mescla em 2021. Se em 2020 o Portal foi 95% branco, em 2021 foi para 91%. É uma redução baixa, mesmo levando em conta o processo de sensibilização que a equipe vem experienciando para tentar garantir maior equilíbrio de visibilidade não branca
Indo diretamente aos números, de abril de 2021 a abril deste ano, foram 150 fontes consultadas pelo Mescla, mais da metade delas em matérias sobre acontecimentos provocados pelos cursos de graduação da Unisinos; E aí vem uma questão necessária de ser levada em conta do ponto de vista metodológico. No ano passado, começamos a enviar um Formulário para as fontes entrevistadas, após a publicação ir ao ar. Ele questiona como a fonte se identifica em relação a raça, gênero e orientação sexual. Das 150 fontes, bem menos do que a metade (46) respondeu ao questionário. A fonte responde voluntariamente, não sendo obrigada a preencher com o e-mail ou mesmo o nome, ou seja, pode escolher ficar totalmente anônima. O número de respostas que obtivemos (as 46 respondentes) equivale a 30% de todos os entrevistados
Desta amostra, cerca de 91% são pessoas brancas. Pretos e pardos somam cerca de 9%. Vale ressaltar uma constatação da edição anterior: como o Mescla é um Portal que traz muitos assuntos ligados à Escola da Indústria Criativa da Universidade, uma universidade particular, sabemos que estamos inseridos em um contexto extremamente privilegiado (e branco).

Em relação ao gênero, cerca de 61% dos respondentes se declararam mulheres cis e outros 35% homens cis, ou seja, 96% das vozes ouvidas pelo Mescla fazem parte da cisgeneridade. Este é outro desafio que o levantamento mostrou: como escapar do padrão cis.

Diferentemente da primeira edição, nesta foi incluída uma questão referente à orientação sexual. Neste primeiro levantamento acerca do tema, os autodeclarados bi e homossexuais somaram quase 22%, e o predomínio é de heterossexuais (78,3%).
No entanto, o Portal considera este um resultado positivo em relação as porcentagens das outras categorias. Ainda mais, como contraposição ao levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de 2019, que aponta que apenas 2% da população brasileira se autoidentifica como homo ou bissexual no país.

Outra questão que as fontes respondem diz respeito à faixa etária. Aqui, o Portal fica contente em saber que escuta pessoas que vão dos 19 aos 82 anos. Pessoas em diferentes etapas da vida, que vai desde aquelas que estão ingressando na universidade até aos experientes sêniores acadêmicos e profissionais da indústria criativa.
Apesar de os números mostrarem novamente uma realidade não tão diversa como o Portal deseja, continuaremos confrontando com nós mesmos. Como jornalistas, somos inquietos, e a inquietação é chave fundamental como ferramenta de transformação social.
Algumas observações precisam ser feitas para que se possa interpretar melhor os dados encontrados. Como trata-se de um levantamento customizado, ou seja, organizado pelo Mescla sem referência prévia, a metodologia de coleta de dados precisou ser aprimorada. Na primeira edição (referente à 2019 e 2020), as fontes foram classificadas por gênero (homens e mulheres) e raça (brancos, negros ou não identificados). “Não identificados” foi a forma encontrada para resolver a falta desta informação, já que não houve envio de questionário para as fontes. A categorização foi realizada a partir da visualização dos repórteres que conversaram com as fontes presencialmente, via videochamada. (pandemia) ou telefone. Neste sentido as fotos nas redes destas pessoas entrevistadas também ajudaram.
Dessa forma, a grande mudança neste segundo levantamento, é que em 2021 passou a ser prática interna obrigatória (por parte da reportagem) enviar o formulário para as fontes que ajudaram a construir as matérias, conforme já explicado. Este formulário é um pedido, portanto, nem todas as fontes podem ou querem responder. Ele passou a ser enviado no mês de julho, em 2021. Também conforme já citado, se obteve apenas 46 respostas até este segundo relatório.
Em 2020 foram contabilizadas 336 fontes ouvidas nas diferentes produções jornalísticas do Mescla e todas elas contaram para o levantamento. Nossos resultados não são positivos, apesar de entendermos que eles mostram apenas uma parcela. Esta é uma construção, um projeto maior do Mescla, por isso, iremos sempre “prestar contas”. Nosso dever e responsabilidade de diversificar e inclusificar nos desafia e exige mudanças.

Em março de 2020, quando a equipe que produz o Portal Mescla parou para refletir e realizar uma autocrítica sobre o nosso papel e responsabilidade como grupo para garantir mais diversidade de raça, gênero e classe em todos os espaços, e como um portal jornalístico, entende-se que se trata de um dever relacionado a um direito humano de lutar por uma sociedade menos discriminatória. Portanto, é preciso manter a coerência com o que se acredita e compartilhar a reflexão sobre as práticas profissionais incluídas na rotina de trabalho do grupo. Naquele momento, começamos a “olhar com lupa” nossas produções, e o foco foram as três principais editorias abastecidas por nós: Por Dentro, Deu Certo e Especial. Os resultados estão aqui.
De lá para a cá, foram diversos debates e momentos de autocrítica e planejamento de ações para aumentar as vozes representativas no Portal. Para além do trabalho como sujeitos mediadores da informação, aprendemos muito sobre nosso papel como cidadãos, e continuamos refletindo sobre nossas posições sociais. Como jornalistas, a inquietação não acaba. Entramos em 2021 analisando nosso processo de produção de conteúdo e resolvemos produzir um Levantamento de Raça e Gênero, inspirados pela iniciativa do Grupo Matinal Jornalismo, para que pudéssemos identificar quem eram as fontes escolhidas pelo Mescla para falar sobre os mais diversos assuntos e quem eram os profissionais que convidávamos a “ocupar a cena” do Portal.
Nesse sentido, os números servem para acompanharmos e entendermos como o Portal Mescla tem se relacionado com a diversidade de gênero, étnica e racial em relação às suas fontes. Para transformarmos a percepção em números, e os números em ações que ampliem nosso papel contra a desigualdade social e racial.
Além de convidarmos à todes para dialogar com o Mescla, nos dando dicas de conteúdos e atividades e apontando quais podem ser nossas falhas, criamos um banco de fontes interno. Além da inclusão de fontes que ampliem a diversidade, estamos pensando em pautas mais inclusivas e qual a melhor forma de trabalhar com elas, visto que o Mescla é feito por pessoas em posições privilegiadas e normativas. Dessa forma, uma espécie de banco de pautas foi também criado.
Em nossas reuniões de pauta semanais comentamos sobre publicações, eventos, espaços de formação e debates sobre o que tem acontecido ao nosso redor. Além dessas pesquisas e diálogos, a Agexcom – agência na qual o Portal está inserido – tem abraçado este compromisso também. Dessa forma, participamos de uma oficina sobre diversidade na comunicação com a Alteritat e um bate-papo com a professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos, Maria Cláudia Dal’Igna.
Conforme escreveu a filósofa, professora, pesquisadora e escritora Djamila Ribeiro, em seu livro “Pequeno Manual Antiracista”, “Fala-se muito em empatia, em colocar-se no lugar do outro, mas empatia é uma construção intelectual, ética e política”.
Por fim, convidamos a todes a acompanhar nossos próximos passos e a conferir nossos conteúdos do Portal. Toda e qualquer observação é bem-vinda.
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O evento, que já soma quase 300 visualizações até o momento desta publicação, reuniu professores, estudantes de graduação e pós-graduação, entre demais interessados no debate sobre a temática racial e interseccional, a partir da comunicação. A apresentação foi coordenada pela docente da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da UFRGS Elisa Reinhardt Piedras, que integra a liderança do Grupo de Pesquisa Comunicação e Práticas Culturais da universidade. A seleção das perguntas ao final foi realizada pela discente Valesca Silva de Deus.

A professora Elisa, que coordena o Projeto de Pesquisa “Rumos da pesquisa em publicidade e propaganda: mapeamento da produção acadêmica”, abriu a transmissão com uma reflexão sobre a importância da aula como um lugar para, nas palavras dela, “demarcar uma posição no campo de disputas que é o campo científico”, tudo isso sob a intenção de apontar para políticas alinhadas com os valores defendidos pelo Programa de Pós-Graduação proponete da atividade. Elisa pontuou ainda o orgulho em receber a convidada em um espaço de escuta e debate, a fim de que cada vez mais professores e pesquisadores dedicados a estudos de raça e gênero, como Laura, possam ocupar espaços de visibilização e representatividade no debate e reparação do ambiente universitário.
Laura Guimarães Corrêa é professora associada na UFMG e, desde 2018, líder do Coragem – Grupo de Pesquisa em Comunicação, Raça e Gênero (UFMG/CNPq). Também organizou o livro “Vozes negras em comunicação: mídia, racismos, resistências” (Autêntica, 2019). Em sua fala, Laura conduziu os espectadores por um caminho permeado por questões raciais, frente a inúmeras esferas sociais, simbólicas e comunicativas. Trazendo exemplos de intelectuais negros nacionais e internacionais, abordou desde Lélia Gonzalez, escritora feminista e pioneira nos estudos sobre Cultura Negra no Brasil, até Aimé Césaire, poeta francês que usou o termo “negritude” pela primeira vez, na década de 30, em questionamento à cultura francófona colonizadora, como explicado por Laura.
A apresentação foi elucidativa também do ponto de vista da história, não apenas para os pesquisadores da comunicação, como para todos aqueles que se propõem a refletir sobre identidade, raça e cultura. A problemática culmina na discussão da interseccionalidade, surgida no fim do século passado, cuja ideia central relaciona as opressões cruzadas, sobretudo sofridas por mulheres negras, indígenas, queer e latinas. Nas palavras de Laura, esse conceito se consolida com a chegada dessas mulheres nos lugares de poder e conhecimento, como universidades e movimentos sociais e políticos. Em 2019, o Instituto Humanitas Unisinos (IHU) reproduziu um artigo sobre interseccionalidade, escrito pela pesquisadora e ativista do feminismo negro no Brasil Carla Akotirene, em alusão aos 30 anos do conceito.
Laura, que ainda acumula a função de patrona da associação Black British Academics – voltada para a equidade e justiça social no ensino superior – desde 2020, discorreu sobre fenômenos e conceitos pertinentes para entender a estruturação das desigualdades, como a ideologia do branqueamento e o mito da democracia racial, que operam em uma lógica de negação da existência do racismo. “Quem não vê ou não considera raça tende a não ver e não considerar também quando acontece a discriminação, gerando o estranho fenômeno do racismo sem racistas”, explicou a pesquisadora, que atuará como professora visitante na Goldsmiths University of London. Com duração de aproximadamente uma hora e meia, o evento teve dois momentos fundamentas – a fala de Laura, seguida pelas sessão de perguntas coletadas do chat, postadas pelo público que assistia a palestra ao vivo. O evento completo pode ser assistido através do canal do PPGCOM da UFRGS no YouTube.
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Este Especial é, acima de tudo, uma peça de reflexão e (auto)crítica sobre a responsabilidade de cada um para garantir mais diversidade de raça, gênero e classe em todos os espaços. E o espaço em questão é o próprio Mescla, que agenda e repercute os caminhos da Indústria Criativa. Pensando nisso, trocamos a terceira pessoa do singular, forma mais comum da narrativa jornalística, pela primeira do plural. O nós representa não apenas as repórteres que assinam este texto, mas também a equipe de demais estagiários, professores e funcionários que fazem o Portal Mescla.
As manifestações antirracistas que varreram o mundo no ano passado, nos provocaram ainda mais a pensar sobre esta responsabilidade da mídia. A inquietação revelou que precisávamos melhorar a formação nos temas de branquitude e negritude, e, neste sentido, realizamos uma oficina com o Núcleo de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas (Neabi). O encontro, que foi aberto para a comunidade Unisinos, nos deu elementos para pensar a partir do nosso lugar, uma redação branca, dentro de uma universidade privada majoritariamente branca. Qual seria o nosso papel nesta luta antirracista?
A oficina foi o início da caminhada para viramos a chave, e incorporarmos o enfrentamento à discriminação racial para além das datas comemorativas ou eventos ligados a protestos contra a violência racial. O que poderia ser feito de concreto pela redação para mudar? Paramos, então, para analisar todo o nosso processo de produção de conteúdo. Identificamos quem estávamos escolhendo como fontes para se pronunciarem sobre os mais diversos assuntos do Mescla e quem eram os profissionais que estávamos convocando a ocuparem a cena do Portal.
Após diversas discussões girando em torno desse tema, e inspirados pelo Grupo Matinal Jornalismo, um projeto gaúcho e independente de comunicação digital, achamos que seria necessário produzir um Levantamento de Raça e Gênero das matérias do Mescla. Marcela Donini, editora-chefe do Matinal, conversou com o Mescla no ano passado sobre o levantamento realizado pelo grupo que rendeu a eles a percepção de que precisavam aumentar a diversificação das fontes. A jornalista entende que estar ligada às questões raciais é fundamental, mas não basta. Marcela também acredita que nem o próprio editorial, escrito em julho de 2020, fará o Matinal ser exemplo de diversidade. “Procurei, ativamente, jornalistas negros pra me colocar a disposição”, explica. Segundo o levantamento, 87% dos autores e entrevistados da Parêntese – revista semanal do Grupo Matinal – são brancos.
O levantamento, no Portal, nos motivou a olhar com lupa para nossas produções. Tendo como foco as três editorias que concentram a maioria dos assuntos tratados no Mescla – Por Dentro, Deu Certo e Especial -, fizemos uma busca por todas as fontes consultadas nas matérias publicadas a partir de maio de 2019 (quando o Mescla foi reestruturado) até dezembro de 2020.
Classificamos os entrevistados por gênero (homens e mulheres) e raça (brancos, negros ou não identificados). Esta categoria, não identificados, foi a forma que encontramos para resolver a falta desta informação, já que nossa categorização foi realizada depois das matérias estarem no ar, ou seja, nunca perguntamos para os entrevistados como eles se autodeclaravam. Ela passou a ser usada nos casos em que, pela foto dos entrevistados, ou ainda pelo conteúdo da matéria, não era possível identificar cor ou raça. Estávamos cientes, desde o início, que essa forma de realizar o levantamento possuía falhas, mas acabou sendo a maneira mais eficiente de realizá-lo.
O levantamento mostrou 230 matérias publicadas neste período. Entre fontes inéditas e recorrentes do Mescla, 655 pessoas foram ouvidas em dois anos.

Nestes dois anos, a maioria das fontes ouvidas pelo Portal é do gênero feminino. Foram 346 mulheres, mas destas, apenas 19 são negras. Dos 304 homens, só 17 não brancos foram ouvidos. Podemos afirmar que 90% das fontes acessadas pelo Portal em 2019 são de pessoas brancas. Já em 2020, mesmo com o esforço da redação em trazer mais assuntos sobre a desigualdade racial para o Mescla, este percentual aumentou. Foram 95% de fontes brancas.


Como o Mescla traz muitos assuntos ligados à prática da sala de aula, produtos realizados e eventos, os professores da Escola da Indústria Criativa são as principais fontes do Portal. Nesse contexto, nós também não lembramos de ter aulas com algum professor ou professora negros durante o curso, o que explica, ao menos em parte, os números apresentados. Mas não nos isenta da responsabilidade de buscar uma maior diversidade.
Se o levantamento nos mostrou o perfil racial e de gênero de fontes que estamos acessando, uma maioria esmagadora branca, o que temos agora é um alerta para a realização das futuras matérias: Como garantir mais diversidade nesta busca?
Para sabermos como agir, é necessário entender os sentidos do racismo estrutural, que permeia todos os setores da sociedade, e é um obstáculo ao acesso ao estudo. A Agência Brasil publicou uma matéria onde aponta o crescimento de jovens universitários negros no país, 400% (entre 2010 e 2019). Apesar do aumento ser importante, o número está longe de ser o ideal. Os negros e pardos são 38% do total dos estudantes, mas a população negra brasileira é superior à branca, representa 56,10% do total. Isso se reflete no número de profissionais graduados que chegam ao mercado de trabalho.
O IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2018, mostra que alunos negros ainda são minoria tanto em universidades públicas, quanto em privadas. 53,4% dos alunos que estudam em instituições privadas são brancos. O Mescla é um produto realizado pela Agexcom, uma agência experimental de comunicação majoritariamente branca. Por estarmos inseridos dentro da Unisinos, somos o reflexo dessa pesquisa.
Se menos de 40% dos jovens negros chegam até a faculdade, muitos menos chegam aos papéis de professores ou especialistas. Por isso, quando, aqui no Mescla, procuramos esses profissionais que se tornam fontes confiáveis para nossas matérias, não chegamos imediatamente aos profissionais negros. Se não nos preocuparmos em encontrar essas fontes não brancas, elas não aparecem diretamente onde possamos vê-las, já que todo caminho até esse local de destaque é dificultado pelo racismo. Neste sentido, as listas de fontes não brancas, que circulam nas redações, como o Guia de Fontes para um Jornalismo antirracista, ajudam a dar projeção para estes profissionais invisibilizados pelo racismo.
Se o racismo é estrutural, como nos ensina Silvio Almeida, qual o papel dos brancos para reduzir a violência racial, seja ela simbólica ou física? Entendemos que trata-se de um processo de conscientização gradual, e que passa por identificarmos os privilégios e a hegemonia da branquitude em todas as esferas da nossa sociedade. Foi o que tentamos fazer com este Levantamento de Raça e Gênero, que mostrou uma diferença exorbitante entre fontes brancas e negras acessadas. Não nos orgulhamos destes números, mas assumimos o compromisso de lutar para aumentar a diversidade e a representatividade neste espaço.
E, para isso, estamos revendo uma série de procedimentos que formam a nossa rotina produtiva, passando pela escolha dos temas, das abordagens, enquadramentos, e, claro, das fontes. Acreditamos ainda que os nossos leitores podem nos ajudar muito nessa mudança, e vamos trabalhar para aumentar este diálogo.
O levantamento quantificou a realidade para que possamos enfrentá-la melhor. Agora que sabemos os “comos” e “os porquês” deste processo, precisamos mudar. Sem transformações práticas, a teoria não vale muito mais do que um sonho distante. Não é tarefa fácil, mas é urgente.
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]]>The post Conexão Unisinos | Desigualdades de Gênero e Raça | Marília Veronese e Miriam Vieira appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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https://soundcloud.com/unisinosfm/conexao-unisinos-desigualdades-de-genero-e-raca-marilia-veronese-e-miriam-vieira
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]]>The post Cine Gênero & Sexualidade debate sobre raça, gênero e identidade appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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A estudante Paola Lopes Costa tinha expectativas altas para o evento. Ela cursou a disciplina de Gênero e Sexualidade no semestre passado e desde então participa sempre das exibições dos filmes. “O evento abre a mente para várias coisas. A gente sai de algumas sessões incomodada porque o tema começa a te incomodar, tu começa a reparar no que está acontecendo”, conta.
Paola diz que essas reflexões provocadas pelo Cine Gênero e Sexualidade transformam a visão dos alunos em vários aspectos “Essas mudanças, a gente leva isso para a vida”, complementa.
O filme “Garotas”, lançado em Cannes em 2014, conseguiu prender os quase 50 espectadores em aproximadamente duas horas de filme. O longa traz a história de Marieme, uma garota negra francesa de 16 anos que vive rodeada de proibições e começa a se descobrir. Ela vive no subúrbio da França e sofre restrições de personalidade por seu irmão mais velho e colegas de aula, porém isso começa a mudar quando ela encontra três meninas que a deixam ser ela mesma. A amizade entre as quatro garotas mostra que nem sempre é preciso seguir pelo caminho pré-estabelecido pela sociedade.

O debate começou logo após o término do filme. A mesa debatedora era composta por Winnie Bueno e o professor e especialista em Gênero e Sexualidade, Alexandre Almeida. Ambos buscaram a participação do público composto por alunos e professores para iniciar o debate.
A plateia falou sobre o sentimento de pertencimento a um local e estereotipização do negro em filmes em geral. A debatedora, Winnie Bueno chamou atenção para que o filme, além de trazer reflexões sobre a vida, também mostrou divergências sobre o tema do debate em si.
“O filme é muito mais sobre controle de gênero do que controle racial, muito mais sobre machismo do que racismo. Os controles que a protagonista passa, são aqueles que as mulheres brancas, que estão sentadas aqui, também já passaram e talvez não tenham conseguido se identificar porque está em uma narrativa que ocorre com negras”, disse ela.

Após, o debate seguiu por sobre como não conseguimos perceber as semelhanças pela simples troca de raça. “Mesmo quando estamos igualados, nós enxergamos primeiro a raça”, disse Winnie.
O Cine Gênero & Sexualidade é um projeto promovido pelo núcleo de estudos em Gênero, sexualidade e saúde (EGSS) da UFCSPA. São seis eventos durante o ano, sempre no formato filme acompanhado de palestra, todos são abertos ao público e com entrada gratuita. O próximo evento será no dia 22 de junho. Será exibido “Tudo sobre a minha mãe”. Informações: na página do EGSS no facebook.
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