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]]>Entoando palavras de ordem como “poder gay” e “sou bixa e me orgulho disso”, o conflito chamou a atenção nacional. Imprensa e políticos passaram a promover então debates sobre a temática e junho ficou conhecido como o mês do orgulho LGBTQ+ – e o dia 28 como o Dia do Orgulho.

Quase 50 anos depois, no mesmo dia, a Unisinos coloriu-se com as cores do arco-íris para receber oficialmente o UniDiversidade – Rede de Estudos e Debates sobre Diversidade LGBTQ+. O grupo surge no contexto acadêmico para promover o diálogo, fomentar pesquisas sobre a temática, abrir espaço para manifestações artísticas, eventos temáticos e produções de conteúdo.
Frente ao colorido da bandeira LGBTQ+, estendida na Claraboia da Biblioteca, o reitor da Unisinos, Pe. Marcelo Fernandes de Aquino, abriu o evento. “Eu peço perdão por todas as experiências de sofrimento, de gozação, de machismo e de intolerância. A vocês, que carregam o fardo da incompreensão e da discriminação, o perdão da comunidade da Unisinos”, disse.

Filipe Roloff, egresso da Unisinos e pilar importante na formação do UniDiversidade, falou, visivelmente emocionado, sobre a importância da criação do grupo e do sentimento de acolhimento que ele traz. “Esse fato histórico e simbólico de a gente estar aqui hoje, eu acredito que é só o começo, um primeiro passo, criando o compromisso com toda essa população que precisa ser ouvida e precisa achar o seu espaço”.

No início de 2018, um veículo tradicional de comunicação do Rio Grande do Sul realizou uma entrevista com Roloff, em alusão a sua nomeação como um dos 50 futuros líderes LGBT do mundo, pelo jornal britânico Financial Times. O vídeo foi compartilhado pela universidade em suas redes sociais. A partir do episódio, Roloff provocou a Unisinos a pensar na criação de um grupo que tratasse das questões LGBTQs.
Ele recebeu um convite do reitor para conversar e pensar a questão. Houve, a partir de então, um processo de entendimento da proposta, que passou por diversas reuniões e conversas sobre sua estruturação. Um grupo no Facebook surgiu para demonstrar o interesse de diversos acadêmicos, egressos e comunidade universitária no geral.
Depois de algum tempo, nasceu então o UniDiversidade, que tem como pilares o acolhimento e o compartilhamento de conhecimento. Acolhimento no sentido de estar aberto ao diálogo e debates sobre a temática LGBTQ+. Acolher também no que tange a criação de um ambiente seguro dentro da universidade. Ao almejar o compartilhamento de conhecimento, o grupo visa o fomento da pesquisa acadêmica, pautada pelas temáticas LGBTQ+, de forma multidisciplinar.

O UniDiversidade não trabalhará sozinho. Diversas instâncias da universidade são parceiras da iniciativa e atuarão em conjunto com o grupo no atendimento e acolhimento da comunidade LGBTQ+. Profissionais internalizados no grupo trabalham criando pontes entre o UniDiversidade e a ouvidoria e atendimento da universidade.
O papel destas pessoas é auxiliar os estudantes que chegarem com problemas e dúvidas ao grupo a encaminhar seus problemas a instâncias superiores da Unisinos. “Não somos responsáveis, não somos psicólogos, não somos pessoas que vamos resolver. Nós indicaremos o caminho certo, a forma correta de acontecer”, explicou Roloff.
O NAE, Núcleo de Assistência Estudantil, é mais um destes parceiros. O núcleo trabalha acolhendo e acompanhando a trajetória dos estudantes, em relação a questões sociais, psicológicas e pedagógicas. Suzana Moreira Pacheco, coordenadora do NAE, contou que a parceria com o UniDiversidade funcionará como uma mão dupla.
“Por vezes a gente atende alunos, em sofrimento por não ter um lugar para si, por não se identificar, por não se reconhecer. A relação com o NAE é de parceria, é pensar junto, é poder olhar e ver o que a gente pode avançar”, contou. Suzana falou ainda sobre a possibilidade de o UniDiversidade encaminhar ou sugerir o núcleo para alunos com dificuldades, assim como o NAE sugerir que estudantes procurem o grupo para apoio.

Quem passou pela Claraboia da Biblioteca no dia 28 deparou-se com provocações, poemas, fotografias, conversas e muita música. Cauê Rodrigues, aluno do curso de Psicologia da Unisinos, expôs uma série de poemas intitulada “Viadagens Catárticas”. Moacir Lopes, egresso do curso de Fotografia, trouxe seus projetos fotográficos “36” e “Existências”. O egresso do curso de Administração, Vinicius Oliveira de Lima, conduziu uma conversa sobre o movimento de moda sem gênero.
Karla Oliveira, do curso de Jornalismo, trouxe a instalação artística “O que te define? Diálogos sobre as corporalidades e as performances de gênero”. O manequim, trazido por Karla instigou os participantes do evento. Com a provocação para que as pessoas o vestissem pensando na identidade que ele teria, Karla questionou os padrões de gênero impostos na sociedade.
“A ideia era que a gente ocupasse o espaço com questões que estivessem relacionados com o tema LGBT, que estivessem algum tipo de representatividade pra gente, pensando no dia do orgulho. Eu pensei em trazer outros elementos, fora as fotos e poemas, que também levantassem alguns questionamentos”, explicou.
Quem embalou e animou o espaço foi a DJ Angel Mix, egressa do curso de Relações Públicas. Phelipe Caetano, estudante de Engenharia Metalúrgica na UFRGS, militante e ativista LGBTI’s, conduziu mais uma roda de conversa sobre a temática LGBTQ+. Finalizando o Dia do Orgulho e a abertura oficial do UniDiversidade, ocorreu uma sessão comentada do filme “Nós duas descendo a escada, produzido e editado por Milton Prado, professor da Unisinos e coordenador do curso de Realização Audiovisual da universidade.

GLS, LGBTTQ, LGBTI, LGBTQ+ e diversas outras siglas são usadas para referir-se à comunidade LGBT. Algumas delas mais abrangentes, outras mais fechadas, como a GLS, que significa gays, lésbicas e simpatizantes. As mudanças nas nomenclaturas e siglas demonstram a evolução ao referir-se a temática, procurando, de alguma forma, abranger e abraçar a todos.

Baseada no Manual de Comunicação LGBTI+, lançado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), em alusão ao Dia Internacional contra a LGBTQfobia, segue uma breve explicação de cada letra que integra, já integrou uma sigla LGBT, ou então é importante para o entendimento:
A= assexual: indivíduo que não sente nenhuma atração sexual, seja pelo sexo/gênero oposto ou pelo sexo/gênero igual;
A= androginia: termo genérico usado para descrever qualquer indivíduo que assuma postura social, especialmente a relacionada à vestimenta, comum a ambos os gêneros;
A= agênero: pessoa que não se identifica ou não se sente pertencente a nenhum gênero;
A= aliado: pessoas que independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero, promovem os direitos e a inclusão da comunidade LGBTQ+;
B= bissexual: pessoa que se relaciona afetiva e sexualmente com pessoas de ambos os sexos/gêneros;
C= cis gênero: termo utilizado por alguns para descrever pessoas que não são transgênero (mulheres trans, travestis e homens trans);
G= gay: pessoa do gênero masculino (cis ou trans) que tem desejos, práticas sexuais e/ou relacionamento afetivo-sexual com outras pessoas do gênero masculino;
H= heterossexual: indivíduo atraído amorosa, física e afetivamente por pessoas do sexo/gênero oposto;
H= homossexual: pessoa que se sente atraída sexual, emocional ou afetivamente por pessoas do mesmo sexo/gênero;
I= interssexual: descreve pessoas que nascem com anatomia reprodutiva ou sexual e/ou um padrão de cromossomos que não podem ser classificados como sendo tipicamente masculinos ou femininos;
L= lésbica: mulher que é atraída afetiva e/ou sexualmente por pessoas do mesmo sexo/gênero (cis ou trans);
P= pansexual: pansexualidade é uma orientação sexual, assim como a heterossexualidade ou a homossexualidade. O prefixo “pan” vem do grego e se traduz como “tudo”. Significa que as pessoas pansexuais podem desenvolver atração física, amor e desejo sexual por outras pessoas, independente de sua identidade de gênero ou sexo biológico.
Q= queer: adjetivo utilizado por algumas pessoas, em especial pessoas mais jovens, cuja orientação sexual não é exclusivamente heterossexual. O termo queer também é utilizado por alguns para descrever sua identidade e/ou expressão de gênero. Quando a letra Q aparece ao final da sigla LGBTI+, geralmente significa queer e, às vezes, questioning (questionamento de gêneros);
S= simpatizante: referente a aliado;
T= transgênero: terminologia utilizada para descrever pessoas que transitam entre os gêneros. São pessoas cuja identidade de gênero transcende as definições convencionais de sexualidade;
T= transsexual: pessoa que possui uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento. As pessoas transexuais podem ser homens ou mulheres, que procuram se adequar à identidade de gênero. Algumas pessoas trans recorrem a tratamentos médicos, que vão da terapia hormonal à cirurgia de redesignação sexual. São usadas as expressões homem trans e mulher trans;
T= travesti: pessoa que nasceu com determinado sexo, ao qual foi atribuído culturalmente o gênero considerado correspondente pela sociedade, mas que passa a se identificar e construir nela mesma o gênero oposto;
(Referência: Manual de Comunicação LGBTI+)
O Manual de Comunicação LGBTI+ pode ser acessado para maiores informações sobre terminologias.
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]]>Formado há dois anos pela Unisinos, Christian nasceu em Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre, onde passou os primeiros anos da infância. No início do Ensino Fundamental, mudou-se com a família para Sapucaia. Seus pais, sem estudo e com poucas condições financeiras, sempre trabalharam muito para não lhe deixar faltar o essencial: comida, roupa e educação.
É aqui que um traço marcante da personalidade de Christian começa a ser traçado. Mesmo com todas as dificuldades, ele sente-se privilegiado. “Eu sou um menino pobre, vim de uma escola precária. A única comida que meus colegas tinham no dia era a merenda, mas eu tive sempre alguns privilégios”, refletiu.

Mesmo criança, ele sempre soube quem era. A percepção de mundo que Christian carrega existe desde seus primeiros anos de vida, quando já tinha consciência do discurso social no qual estava inserido. E se no seu filme tivesse uma cena inicial, antes mesmo da introdução, seria a de uma “criança viada”, no sentido mais literal da palavra, brincando escondido com seus bonecos do Power Ranger, porque já sabia que aquilo seria mal interpretado pelas pessoas ao seu redor.
“É muito engraçado porque eu fui uma criança ‘super viada’. Desviada das normas, dos padrões masculinos. Eu sempre soube que era gay, e quando eu tinha cinco ou seis anos, eu já tinha essa noção, eu já percebia nos discursos pessoais, nos discursos midiáticos aquela coisa que ser gay é errado. Aí eu escondia, mas com os meus bonequinhos, do Ranger vermelho e do Ranger azul, eu fazia eles namorarem sem ninguém saber”, contou aos risos.

O consumo de produções da cultura pop começou a fazer parte de sua vida, quando ele desenvolveu práticas fãs e virou consumidor assíduo de Harry Potter, visitando diariamente sites de notícias, esperando eternidades na internet discada de casa para baixar pôsters em HD do filme, lendo livros e participando de comunidades nas redes sociais sobre a saga do menino bruxo.
Com jeito mais afeminado – modo de portar-se destinado às mulheres – aprendeu desde cedo que teria que enfrentar um mar de preconceitos por sua orientação sexual. Com 12 anos, em uma apresentação no show de talentos da escola, uma música do Rouge – grupo formado pelo programa Popstar, que Christian acompanhou incessantemente com sua mãe – o expôs a homofobia do ambiente.
“No final falaram ‘a gente vai colocar uma música para as meninas e uma para os meninos”. E aí, a música das meninas era justamente ‘Ragatanga’, e minha mãe super ingênua disse ‘vai lá, tu sabe a coreografia’ e eu fui na frente das meninas, de toda a escola, e comecei a dançar toda a coreografia. Todo mundo riu e foi a saída do armário porque depois disso não pararam de me infernizar”, relatou.
Aliás, um dos únicos assuntos capazes de tirar o brilho no olho de Christian é a adolescência conturbada. As agressões físicas e verbais foram desencadeadas diversas vezes a partir do consumo de produções da cultura pop. “ A primeira vez que apanhei de um colega, ele me perguntou se eu preferia comprar uma revista da Playboy ou um pôster do Harry Potter. Eu falei que o pôster do HP. Ele começou a dar tapas na minha cara, dizendo ‘tu é muito viadinho mesmo’”, contou, lembrando do episódio ocorrido enquanto ainda frequentava o Ensino Fundamental.
Sua mãe passou a ver que o consumo de produções como Harry Potter, incentivava o filho a buscar conhecimento. Sem condições de custear a graduação em uma universidade privada e tendo convicção que queria estudar, Christian decidiu que entraria no Ensino Superior por meio do Enem. Para isso, procurou instituições de Ensino Médio com boas colocações na prova.

Em sua busca, encontrou uma escola técnica em eletromecânica e eletrotécnica, que no ano anterior ao seu ingresso, esteve na segunda colocação entre as escolas estaduais no Enem. Para buscar o sonho de cursar o Ensino Superior, encarou o desafio de estudar em uma escola majoritariamente masculina, e decidiu tentar.
“Dada a forma como a sociedade sempre impôs um binarismo para as profissões, ela só tinha meninos. Nessa escola foi horrível porque eu me sentia muito excluído, eu não conseguia apresentar um trabalho, eu não conseguia falar, foi a pior experiência da minha vida”, confessou.
“Eu fazia coisas de me cortar, eu ficava muito triste e não podia falar nada pros meus pais porque se falasse pra eles eu teria que dizer que eu era gay. Eu já tinha aceitado pra mim mas é tanto preconceito que a gente tenta negar. ‘Eu não sou, é uma coisa da minha cabeça, vai passar’ ou ‘eu posso casar com uma menina e fingir que sou hetero’ eu dizia”, revelou.
Ainda no Ensino Fundamental, Christian decidiu desenvolver um trabalho na feira de ciências da escola sobre Harry Potter. Vestido como o protagonista e contando com a ajuda de uma amiga, que trajou a roupa de Hermione Granger, mudou a lógica que perseguia as feiras tradicionais da escola, que geralmente exibiam trabalhos sobre dinossauros, drogas etc. “Colocamos umas capas bem bregas de TNT mesmo, e foi o máximo, amaram. A partir daquilo minha mãe viu que Harry Potter me estimulava a estudar, porque ela sempre falou assim “se tu quer ser alguém, estuda’”, contou.

Ao ingressar na Iniciação Científica, já no seu primeiro ano no curso de Publicidade e Propaganda na Unisinos, o primeiro livro que recebeu para leitura foi o “Cultura da Convergência” de Henry Jenkins. A obra trata de produções como Matrix e o próprio Harry Potter , o que o fascinou e lhe deu a possibilidade de enxergar a cultura pop como pesquisa. O grupo de pesquisa foi encerrado no mesmo ano, mas já encantado pelo mundo acadêmico, Christian iniciou uma busca por professores com vagas na equipe.
“Foi aí que eu conheci o professor Ronaldo. Eu estava terminando o ‘Cultura da Convergência’ e não queria parar. Ele estava iniciando uma pesquisa sobre ciberacontecimento. Deu umas duas semanas e aconteceu um ciberacontecimento em torno de Harry Potter e essa foi a minha primeira apresentação em uma amostra de Iniciação Científica. Eu comecei a ver esses processos como uma possibilidade de trazer toda essa questão de gênero e sexualidade articulada a cultura pop”, contou.

Além da saga do bruxo em Hogwarts, Glee, uma série de televisão americana, participou ativamente da vida de Christian e apareceu na iniciação científica como pesquisa. Quando a série estreou, foi sua mãe que o incentivou a assistir, usando uma frase de quem conhece as preferências do filho: “Cris acho que tu vai gostar muito dessa série”.
“Tinha um adolescente que era gay, o Kurt, e tinha toda a representação da homofobia no ensino médio. Minha mãe amava o Kurt, ela defendia o Kurt, torcia pro Kurt. Aí eu pensei ‘peraí, se ela tá adorando o Kurt porque ela não amaria o próprio filho?’ Aí foi que caiu a ficha que havia uma brecha para que eu me aceitasse. Que contasse para as pessoas o que eu realmente era”, relatou. Coincidência ou não, o primeiro artigo científico produzido por Christian, foi em torno do universo Glee.

Os rostos que estampavam os pôsters que a mãe de Christian trazia para o filho, sempre muito fã de alguma coisa, tornaram-se nomes que ilustraram trabalhos acadêmicos, recheados pela convivência difícil com o fato de ter crescido homossexual em comunidades preconceituosas. Analisar produções de sentido e acionamentos que comunidades LGBTQs e demais minorias provocam nas redes sociais remete às interações dos fandoms no Orkut, lugar no qual Christian buscava apoio e um ambiente para se encaixar.
Justamente por pesquisar questões de gênero, sexualidade e o mundo pop – universos que ele conhece muito bem – traz para a pesquisa a vivência e intensifica a sua fala quando o assunto é tocado. Apaixonado pela sala de aula, teve a oportunidade de ministrar aulas para os alunos da graduação, em seu estágio docente. Na disciplina de Teorias da Comunicação, levou seu projeto e sua experiência para a sala de aula e foi capaz de inspirar diversos alunos.
“Queer” é uma expressão utilizada no inglês para denominar, de forma pejorativa LGBTQs, podendo ser traduzida como “bixa”, “viado” ou “sapatão”. Na tradução literal ela significa estranho. Seja por uma ou outra, queer é algo que Christian sempre foi, e faz questão de ser.

Publicitário por formação, sempre esteve próximo ao jornalismo. Desde o primeiro grupo de iniciação científica, no qual ingressou, sempre pesquisou assuntos jornalísticos. Mesmo no mestrado, também na Unisinos, essencialmente por estar envolvido na área de jornalismo pop, é visto como um estranho dentro do grupo. “As pessoas tendem a ler este jornalismo pop como não jornalismo. ‘Isso não é jornalismo, divulgar o clipe da Lady Gaga, isso não é notícia, não é acontecimento’, só que os fãs precisam disso, as comunidades da cultura pop consomem esse tipo de informação”, problematizou.
Em sua curta experiência no mercado de trabalho, foi a pessoa que não aceitou normas de produção das empresas. Questionou trabalhos e chefes. Levantou questões de gênero e preconceitos. Não foi refém da lógica de produção dentro da publicidade e nunca acreditou que questões incômodas para a sociedade devessem ser deixadas de lado em vista do lucro. Dentro de seus estágios afrontou assuntos que achasse pertinente debater. “Eu tive uma trajetória infeliz no mercado, mas que eu considero necessária. O incômodo é importante, a crítica perturba mas transforma, quando a gente está aberto a refletir”.
Neste ano, um dos grandes acontecimentos da vida de Christian foi uma viagem para a Europa, onde apresentou uma pesquisa em um evento exclusivo de Game of Thrones. Foram 15 dias de viagem acompanhado do namorado, Guilherme.

“A academia tem sido uma transformação para mim. Inclusive no sentido de ter esses privilégios de poder conhecer outras culturas, desenvolver outras pesquisas”. Ele conseguiu levar algo próximo do que pretende estudar em seu doutorado, que são os coletivos midiáticos feministas de cultura pop que fazem críticas sobre as produções midiáticas.
Além da visita mágica ao antigo continente, o mais gratificante foi ver o reconhecimento do trabalho pelos pesquisadores locais, que acharam fantástica a pesquisa que vem sendo desenvolvida por aqui. Aliás, internacionalizar a pesquisa é um dos grandes objetivos de Christian.

Christian finaliza o mestrado no final deste ano, mas já pode ser considerado mestre em ensinar empatia para as pessoas ao seu redor. Quando fala em minorias, sempre se coloca na fala, se referindo as lutas delas como “nossas lutas” e de suas vitórias como “nós conseguimos”. Ele coloca na mochila uma carga de sentimentos e experiências adquiridas ao longo de seus 24 anos. Pouca idade aos olhos de quem olha para a certidão de nascimento, mas para quem conhece sua história, parece que 1993 aconteceu há 50 anos atrás.
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