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]]>A Maratona é fruto de uma parceria entre os cursos de Jornalismo e Direito da Unisinos, e se insere no Programa de Combate à Desinformação do STF, do qual a Unisinos é uma das universidades parceiras. Além de ser gratuito e aberto à comunidade, o evento também integra as atividades das disciplinas de Análise de Dados para Tomada de Decisão e Jornalismo de Dados. Para entender melhor como a Maratona funcionará, incluindo a programação e horários, você pode acessar este link. O evento fornecerá certificados aos participantes.
A professora de Jornalismo Taís Seibt, uma das idealizadoras do evento desde a primeira edição, lembra que a Maratona foi pensada como um espaço para interação entre organizações que produzem dados, comunidade acadêmica e interessados em geral. “O desafio é compreender como são coletadas e estruturadas as informações sobre políticas públicas e atividades do poder público, e como os usuários de dados podem transformar essas informações em histórias ou projetos que façam sentido para a comunidade”, explica.

Para ela, a Maratona é uma oportunidade de as instituições perceberem as dificuldades do acesso e limitações de suas bases de dados. “Ao mesmo tempo, os usuários terão a possibilidade de tirar dúvidas direto da fonte, já que o evento contará com representantes das instituições”, comenta Taís. O encontro contará com a presença de especialistas convidados e professores da Unisinos, que estarão à disposição do público para consultas. “É um debate sobre transparência pública seguido de uma experiência prática colaborativa”, observa a professora.
A egressa do curso de Jornalismo da Unisinos Juliana Coin irá compor a equipe como monitora. A jornalista sublinha que a Unisinos propicia vários eventos gratuitos que potencializam o aprendizado dos alunos. São sempre ações que se conectam com as demandas do mercado de trabalho. “Eu mesma já participei de muitos eventos como a Maratona de Dados. É o que me fez gostar tanto do que faço hoje, que envolve análise de dados e métricas”. Juliana diz que as expectativas dela para o evento são altas: “Espero que os discentes aproveitem a oportunidade de conhecer novas ferramentas e pensar de forma disruptiva. Eu tenho certeza de que, mesmo como monitora, vou aprender muito lá”.
O que: “Maratona de Dados Unisinos – Corte Aberta para Monitorar Ações e Decisões do STF”
Promoção: cursos de Jornalismo e de Direito da Unisinos.
Público-alvo: alunos da Unisinos e interessados no tema.
Quando: 21/10/2023 (sábado), das 9h às 13h0
Participantes convidados:
Formato: híbrido (presencial na Unisinos Porto Alegre, com transmissão simultânea via plataforma Microsoft Teams)
Onde: 8º andar da Torre Educacional da Unisinos Porto Alegre (TEDU) – salas TEDU 809 e 810. Av. Nilo Peçanha, 1600 – bairro Boa Vista, Porto Alegre (RS).
Investimento: gratuito.
Inscrição: https://eventos.asav.org.br/event/mrtdadosun/site/content/programacao.
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]]>Professor da Universidade Harvard, sediada em Cambridge, nos Estados Unidos, Michael é autor de livros muito utilizados na área do Direito, como “Justiça: o que é fazer a coisa certa” e “O descontentamento da democracia: uma nova abordagem para tempos periculosos”. Com 70 anos de idade, ele é reconhecido por continuar muito ativo e influente em seus questionamentos e contribuições para diferentes áreas do conhecimento. O livro “Justiça…”, inclusive, se tornou um curso de Harvard, que está disponível gratuitamente na Internet – já foi acessado por mais de 15 mil alunos.

O autor defende a ideia de que a filosofia pertence não somente às universidades e ambientes acadêmicos, com palavras rebuscadas e difíceis de entender, mas, sim, à cidade, onde os cidadãos se reúnem, raciocinam e debatem juntos sobre como organizar a vida coletiva.
Como perseguir uma justiça na busca do bem comum, tentando descobrir o que devemos uns aos outros enquanto cidadãos? Com essa pergunta, Sandel iniciou a conferência. Para ele, há uma forte polarização que atrapalha esse processo. “Mas o que traz essa polarização? Grande parte do discurso público está esvaziado. É tecnocrático, que não interessa a ninguém, dispostos aos gritos, ideologias de partido, membros dos congressos que gritam uns com os outros, sem escutar-se. O próprio projeto democrático está em risco”.

Com isso, Sandel afirmou que os “vencedores” tiveram ganhos, mas que contemplaram apenas os 20% da “classe de cima”. “A maior parte das pessoas tiveram os salários estagnados por décadas, enquanto a desigualdade aumentou. Isso é uma fonte do que nos dividiu. A frustração com a política que provocou a raiva contra a elite e os políticos”, observou o palestrante.
O professor apontou ainda para uma força dos trabalhadores, que veem as elites os menosprezando, elites essas acadêmicas, intelectuais e da mídia. Porque, segundo Sandel, mesmo com as desigualdades aumentando devido à globalização, os principais partidos políticos respondem a isso dizendo “se você quiser competir e vencer, faça faculdade. O que você ganha depende do que você estudar”. “A resposta é sempre ‘melhorar a você mesmo’”, criticou.
Para Sandel, as oportunidades não são iguais. As pessoas não começam a corrida no mesmo local de partida. “Imaginem que possamos corrigir isso: promover uma corrida e fornecer a todos os competidores o mesmo treinamento, acesso a bons treinadores, os mesmos sapatos de corrida, nutrição, para que estejam preparados para correr sem possuir alguma desvantagem. Teríamos uma meritocracia perfeita”, avaliou o filósofo.
A partir desse cenário, Michael interagiu com a plateia, requisitando opiniões e explicações dos participantes. “Nesse cenário meritocrático perfeito, o vencedor da corrida mereceria a vitória, um prêmio maior?”. Com a pergunta, o palestrante permitiu um espaço para o público literalmente dialogar com ele, que ouvia e considerava os pontos levantados. “Liguem as luzes, para que eu possa ver quem está falando comigo”, pediu Michael.

“Os vencedores esquecem a sua sorte. Isso nos leva a esquecer a nossa dívida com as pessoas que nos levaram às nossas conquistas: professores, treinadores… Uma meritocracia perfeita produziria uma arrogância daqueles que estão no topo, levaria a menosprezar os menos afortunados”, comentou Sandel, reforçando o fato de que todo o trabalho tem dignidade. “Um médico e um gari são igualmente importantes, pois se o médico não tratar as doenças, a situação urbana piorará, e se o gari não fizer o seu trabalho, as doenças irão se alastrar”.
Segundo o conferencista, nós perdemos a capacidade de ouvir uns aos outros, especialmente através das nossas diferenças. “Os feeds das redes sociais reforçam isso, nos mantêm em bolhas fechadas. Isso é corrosivo para a virtude cívica”, enfatizou. Para Sandel, é preciso escutar os princípios morais por trás das falas das pessoas. “Temos que ir contra o poder das grandes empresas de mídia social e encontrar uma forma de termos um discurso público mais robusto sobre a moral”.
“É difícil ser otimista”, disse o professor, que fez uma distinção entre otimismo e esperança. “O que me dá esperança é que todos querem uma vida pública melhor, especialmente os jovens. Existe uma fome de se engajar sobre as diferenças, coisas contestáveis. Temos que aprender a fazer isso”.
Sobre isso, Tulio Milman comentou com o filósofo sobre a tarde que ele passou na comunidade Morro da Cruz, na Capital gaúcha. “Eu passei três horas em uma mesa redonda com membros locais e do poder público. Mesmo com recursos limitados, havia uma força e criatividade para criar uma comunidade, fazer com que suas vozes sejam ouvidas. O governador estava lá também. Algumas vozes eram mais inflamadas, com raiva. Mas eram legítimas. Às vezes, a raiva desse tipo é necessária e pode ser saudável”, disse o jornalista.
Michael, então, chamou Vitor, estudante do Ensino Médio, morador da comunidade que ele havia visitado mais cedo ontem. Vitor contou que quer trabalhar com Relações Internacionais e entrar para a política, e a conversa durante a tarde foi uma oportunidade de ter sua voz ouvida.
Essa foi a quarta conferência do evento, que é realizado presencialmente também no campus de Porto Alegre da Unisinos. O Notícias Unisinos esteve presente nos três primeiros encontros, que contaram com a jornalista espanhola Rosa Montero, com a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Nadia Murad e com o neurocientista espanhol Rafael Yuste. Ainda serão recebidos o documentarista norte-americano Douglas Rushkoff, no dia 13 de setembro, e o arqueólogo britânico David Wengrow, para encerrar a temporada, no dia 4 de outubro.
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Ensaísta, escritora, jornalista, Rosa já realizou mais de 2 mil entrevistas ao longo de sua carreira. Entre elas, se destacam as conversas com a ativista paquistanesa Malala Youszafai e com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon. Aliás, entrevistar dois nomes como esses, que representam culturas tão diferentes, requer algumas estratégicas, comentadas por Rosa durante o bate-papo com professores, funcionários e estudantes presentes.
“Uma entrevista é sempre um ato dramático, drama aqui, como ação”, afirmou a jornalista. Segundo ela, em uma entrevista para um jornal ou televisão, fala-se sobre o que se sabe, documentando o assunto, relatando ao público o que aprendeu, afinal, “tu não escreves para ensinar nada, escreves para aprender”. A escritora também pontuou que, para uma boa entrevista, o mais importante é a verdadeira, pura e genuína curiosidade, pois só assim consegue-se saber mais da outra pessoa e “enxergar” através da mente do outro como ele percebe o mundo. Para isso, ensina Rosa, é preciso ter muito preparo, e guiar a conversa de maneira meticulosa e, é claro, de forma respeitosa.

Ser transparente sobre o que se sabe é o que vale para o jornalismo. Já na ficção, se escreve sobre o que não se sabe, o que vem do inconsciente, “como um sonho que se sonha acordado”, explica. No texto jornalístico, quanto mais claro se é, mais o leitor ganha. Na ficção, a dubiedade, o implícito são elementos que valorizam o texto.
Outro tema abordado pela jornalista foi a questão da saúde mental e o comportamento humano. Rosa, que já enfrentou crises de pânico, angústias e emoções desenfreadas, chegou a estudar Psicologia. Por diversos motivos, achava que estava ficando louca, afinal, faltava-lhe compreensão de todas as questões que lhe afetavam diariamente. Ela diz ainda que é muito provável que todos nós experimentemos algum tipo de transtorno na mente em algum período de nossas vidas. Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, em estudo, que uma a cada quatro pessoas tem ou terá um transtorno mental. O problema, diz Rosa, é que esse é um tema tabu, mesmo que seja tão constitutivo do humano.

O Fronteiras do Pensamento é um evento que há mais de 15 anos tem o objetivo de questionar, colecionar respostas e explorar ideias que impactam e alimentam toda a sociedade a partir de diferentes perspectivas, como arte, empreendedorismo, tecnologia e demais áreas que se relacionam diretamente com o cotidiano.
O evento começou oficialmente ontem à noite, com a conferência da jornalista e escritora Rosa Montero, no Teatro Unisinos, anexo à Torre Educacional Unisinos (TEDU), em Porto Alegre. A programação, que se estende até outubro, irá contemplar conferências tanto no formato presencial quanto no online. Para ter mais informações, é só clicar aqui.
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