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Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube.
O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies).

“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.”
Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.

Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.
Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamada “Três ondas de impacto”, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo?

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.
A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.
“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.

Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.
Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação.
“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas.
“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa

Conforme estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando?
As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!
Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação.
Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.
O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”.
Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.
Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele.
“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”

“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.”

Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada.
“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.”

“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”

No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”
Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.”

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio).
O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.”

“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.”

A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.”

“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.”

Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.
“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.”
“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.”

A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.
“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.”

O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.
Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST.

A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.

A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.

A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição!
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Com sede em Bengaluru, na Índia, a IT for Change busca uma sociedade em que as tecnologias digitais contribuam para os direitos humanos, a justiça social e a equidade. A entidade, que tem status consultivo especial com o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, atua nas áreas de educação, gênero, governança, informática comunitária e políticas de internet/digital.
A pesquisa é realizada pelo coordenador do DigiLabour, professor Rafael Grohmann, e por um dos pesquisadores do laboratório, o mestrando em Comunicação na Unisinos Fabricio Barili. Participa em conjunto Paola Ricaurte Quijano, professora associada de pesquisa na Escola de Humanidades e Educação do Tecnológico de Monterrey, no México. Os pesquisadores estão procurando analisar o papel que as condições sociotécnicas desempenham no estabelecimento de dados comuns voltados para a comunidade. O estudo avalia os cenários tanto no Brasil quanto no México.
O DigiLabour, que nasceu em fevereiro de 2019 apenas como uma newsletter – que conta hoje com 2.500 assinantes –, produz investigações em torno das conexões entre o mundo do trabalho e as tecnologias digitais. Em dois anos de atuação, já entrevistou mais de 100 pesquisadores internacionais. O laboratório lançará em junho um compilado de entrevistas já realizadas. Intitulado Os laboratórios do trabalho digital, o livro terá o carimbo da editora Boitempo. O DigiLabour também mantém parceria com o Nexo Jornal produzindo conteúdos para o projeto Nexo Políticas Públicas.

O Mescla conversou com o professor Rafael Grohmann sobre o DigiLabour e seus projetos, incluindo a repercussão do anúncio de que terá uma de suas pesquisas financiadas pela ONG IT for Change. Confira:
Mescla: O DigiLabour nasceu como uma newsletter?
Grohmann: Sim. Foi em fevereiro de 2019. Em agosto, assumi como professor na Unisinos, e a newsletter seguiu neste mesmo formato, como uma curadoria de conteúdo e uma extensão da ciência. Desde o final de 2020, o DigiLabour passou a atuar oficialmente como um laboratório de pesquisa. Ele é certificado como um grupo de pesquisa pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), e dedica sua atenção às questões de impacto social, internacionalização e de comunicação da ciência.
Mescla: De que forma ocorreu o financiamento da IT for Change para o projeto de pesquisa sobre infraestrutura de dados, data commons e cooperativismo de plataforma no Brasil e no México?
Grohmann: O financiamento vem em conjunto de outros projetos de pesquisa ligados ao laboratório com recursos garantidos. Um deles trata das cooperativas de jornalistas e possui financiamento do CNPq. É a primeira experiência ligada ao cooperativismo na comunicação. Outro projeto com verba aprovada é chamado de Fairwork, que estamos coordenando nacionalmente. Ele tem acordo de cooperação entre Unisinos e a universidade de Oxford, na Inglaterra. É ligado a mais de 12 países e tem entre os objetivos pressionar as plataformas digitais a buscar melhores condições de trabalho. O Fairwork está ligado a políticas públicas e impacto social e quer ajudar a mudar algumas políticas das plataformas no Brasil e no mundo. Com relação à pesquisa sobre infraestrutura de dados, data commons e cooperativismo de plataforma no Brasil e no México, a inscrevemos em um edital do IT for Change. Em dezembro de 2020, foi aprovado o financiamento, e agora, em março de 2021, foi oficializado. O IT for Change representa um pedaço desse mosaico que estamos construindo, com uma série de dimensões e articulações.
Mescla: Quais são suas expectativas para esse projeto?
Grohmann: Propomos um estudo que tenha a ver com o nosso interesse, sobre infraestrutura e economia de dados no Brasil e no México, com fins de descentralizar a cadeia de dados relacionados ao trabalho em plataformas. Entregamos um relatório parcial sobre a infraestrutura no Brasil e no México. A ideia é propor políticas públicas para esses campos nos dois países, que vão além das tecnologias e estruturas comerciais.
Mescla: Como você avalia a importância desse financiamento não somente para os Programas de Pós-graduação (PPGs) da Unisinos, mas também para a Indústria Criativa?
Grohmann: Acho que colocamos tanto os PPGs da universidade quanto a própria Indústria Criativa em um primeiro plano de referência nacional nesses assuntos que o DigiLabour trata, com destaque internacional cada vez maior. Também coloca a Indústria Criativa como um pólo articulador do conhecimento com outras áreas. Isso é o mais bacana. Nos coloca em contato com pessoas de outras áreas. Esse é o futuro da pesquisa e da universidade, em que temos a área da comunicação como uma articulação de diferentes saberes.
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]]>Na primeira década dos anos 2000, sites de hospedagem de fanfics – histórias ficcionais criadas por fãs – proliferaram, principalmente em inglês. Logo surgiram categorias em espanhol e português, mais ou menos na época em que se consolidaram as versões puramente brasileiras. Com a facilidade de ler e publicar suas próprias histórias, fãs dos mais variados tipos de cultura pop passaram a reunir um acervo de textos que hoje gira em torno dos milhões. One Direction, Justin Bieber e Selena Gomez foram propulsores de uma produção em massa de fanfics a partir de 2010. Mas o ambiente não ficou restrito à música, dando espaço também para livros, filmes e animes.
Nos últimos anos, com o fenômeno da música coreana, o k-pop, alcançando o mundo todo, as fanfics tiveram uma nova explosão de produção. Liderando as listas, grupos como BTS, EXO e Blackpink somam quase meio milhão de histórias, só em dois dos sites mais utilizados pelos fãs brasileiros. Esse montante considerável levanta questões que extrapolam o ambiente virtual ou os fandoms (grupos de fãs), alcançando inclusive as pesquisas científicas.
Mais do que um fenômeno adolescente restrito à internet, as fanfics representam um movimento de subcultura, um conceito que significa barulho, quebra de códigos de comportamento. Essa mudança de códigos forma um campo no qual os indivíduos que se identificam com ele atuam e se reconhecem, elegendo valores simbólicos que só funcionam dentro desse campo.
Os valores simbólicos não têm ligação com valores monetários, justamente porque as fanfics se caracterizam por serem gratuitas. É o elemento da gratuidade que garante que os autores das obras originais não possam processar os produtores desse material derivado. A interação dentro desse campo varia de autor para autor, mas é papel inicial na inserção dos membros, sejam eles produtores ou consumidores dos textos.

O pesquisador Eloy Santos Vieira, doutorando em Ciências da Comunicação na Unisinos, aponta, porém, que a ideia de ambiente democrático foi amplamente vendida, mas não deu certo. “No caso do Brasil, precisamos lembrar sempre que o acesso à Internet ainda é um problema em boa parte do país. Além disso, temos que salientar a necessidade de haver competências e letramento midiático para que uma pessoa esteja incluída na cultura digital”, diz Eloy, que integra também o Grupo de Pesquisa em Cultura Pop.
Eloy é professor convidado na especialização em Redes Sociais e Cultura Digital da Unisinos, e atualmente pesquisa o uso de memes. Para ele, a apropriação desses objetos digitais e produções de fãs podem ser usadas de forma benéfica, inclusive para o letramento nas escolas.
“Existe uma série de trabalhos validando o uso de fanfics em sala de aula, então, acredito que não só são ferramentas importantes para se trabalhar pedagogicamente a questão do letramento, mas também das competências midiáticas”, explica o pesquisador. Para ele, as produções de fãs articulam competências midiáticas e extra-midiáticas, que podem ser articuladas inter e transdisciplinarmente.
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]]>The post Jardel Orlandin: o TCC que ganhou a Espanha appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Jardel Orlandin e mestrando em Ciências da Comunicação da Unisinos e tem uma história legal para ser contada. No final de 2017, após apresentar o seu TCC no curso de Publicidade e Propaganda decidiu, por indicação de seu orientador Sergio Trein, inscrever a monografia no Prêmio de Investigação em Comunicação Digital 2018, promovido pela Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha.
Para sua surpresa, após um ano, veio a notícia. “Quando recebi o e-mail que informava que o resultado do concurso foi anunciado, me surpreendi. Nesse intervalo de quase um ano, eu já havia esquecido do concurso, ainda mais por conta do trabalho que venho produzindo no mestrado”, destaca.
O trabalho tinha ficado em segundo lugar, o que resultou não apenas em uma bela referência no Lattes, mas também no incremento de 200 euros na sua conta bancária. O TCC aborda a política na web, com foco o processo de impeachment da então presidenta, Dilma Rousseff. No site do Prêmio é possível conhecer todos os trabalhos inscritos. Os temas são variados, como redes sociais, linguagem e produção audiovisual. Jardel era um dos quatro brasileiros inscritos – desses, três eram gaúchos. O concurso teve 69 trabalhos inscritos, todos de estudantes de comunicação da Espanha e América Latina.

A coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos, Anaís Bertoni foi professora de Jardel durante a disciplina de Redação Publicitária I e já observava um perfil de pesquisador no estudante. Ela salientou que o aluno sempre teve um reportório vasto buscando contribuir e fazendo além do solicitado.
A dedicação para a construção do TCC não foi demonstrada apenas com a distinção do prêmio. Anaís participou da banca avaliadora de Jardel e comentou a qualidade do estudo . “Foi um trabalho que mostrou que ele tinha muita competência para se tornar um pesquisador em Comunicação”, pontuou.
Hoje, o mestrando direciona suas pesquisas para o audiovisual, em especial a plataforma do YouTube. “No mestrado, tenho pesquisado construtos midiáticos na tecnocultura vigente, utilizando o YouTube como suporte empírico para investigar produções acerca da América Latina”, comenta.
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]]>O Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) é a modalidade que mais abrange adolescentes dentre todos os programas do CNPq. Mesmo assim, ele não é suficiente. Escolas e entidades desenvolvem métodos próprios que visam incentivar a pesquisa científica entre alunos e interessados. No Rio Grande do Sul, o Colégio Luterano Concórdia e a ONG Cientista Beta são exemplos disso.
Em São Leopoldo, o Colégio Luterano Concórdia conta com atividades que fomentam a pesquisa científica. Uma delas, idealizada pelo professor Nelci Naor Senger, Diretor do Colégio, é a Feira Regional de Iniciação Científica do Colégio Luterano Concórdia (FEICICC) que em 2018 irá para a sua quarta edição. Desde 2015 foram apresentados 169 trabalhos por 458 alunos expositores. Os projetos da FEICICC podem ser escolhidos para participar da Mostratec, a maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, que ocorre na cidade vizinha Novo Hamburgo, e também da CIENTEC, realizada anualmente em Lima, Peru.
A Coordenadora Pedagógica do Colégio, Francini Scipioni Belau, explica que a pesquisa científica da escola não é um componente curricular a mais e nem uma atividade extracurricular. O Colégio trabalha a ideia da pesquisa como um projeto inserido, e diluído, na carga horária regular. Desse modo, afirma, os professores trabalham junto com os grupos de alunos na construção teórica e prática da pesquisa e, após terem os projetos avaliados por diferentes bancas, a nota é compartilhada entre todas as disciplinas.

Para a Coordenadora, é importante incentivar a pesquisa científica porque ela amplia a visão dos alunos para questões sociais e do mundo. Ela comenta ainda que “muitas pesquisas partem do social, de algum problema que a gente tem na comunidade e que, de alguma forma, os alunos querem entender e propor uma solução. Proporcionar esse conhecimento é importante para que eles possam ter essa formação para vida, e não só para dentro da escola”.
O Colégio Luterano Concórdia tem a pesquisa inserida na rotina escolar desde a Educação Infantil. A partir do 6º ano do Ensino Fundamental os alunos precisam observar com maior rigor os passos do método científico. Anualmente o Colégio propõe um tema para as pesquisas. Neste ano, aproveitando reflexões realizadas pela ONU, o assunto gira em torno do plástico e a poluição causada pelo mesmo. Para estudantes do ensino médio, entretanto, o tema é livre
Mesmo com todo o incentivo, os estudantes ainda enfrentam problemas ao colocar em prática a pesquisa científica. “A grande dificuldade da questão científica, não só aqui, mas em várias escolas, é o tempo. Os alunos terem a disponibilidade dentro de tudo que eles ainda precisam vencer, toda a área do estudo que eles precisam dar conta, esse é um dos principais desafios”, explica a Coordenadora Francini.

O Colégio Luterano não tem vínculos com universidades. Isso faz com que os estudantes tenham que desenvolver as pesquisas em casa e não em laboratório. Por não ter ligação com o poder público, o trabalho feito pelo Colégio é inteiramente autoral. Sobre a possibilidade de implementar algum projeto do CNPq, como o ICJ, a Coordenadora diz que “é algo a ser buscado. Sabemos que a burocracia é grande, mas temos interesse, sim.”
O Instituto Cientista Beta é uma ONG cuja finalidade é fomentar a pesquisa científica. Dentro dela, há um projeto independente, o Programa de Iniciação Científica Decola Beta (PICDB), apelidado de Decola Beta. Tudo foi idealizado pela cientista Kawoana Vianna. O DB já fez parte da vida de 245 jovens em todo o Brasil. O programa foca em adolescentes a partir do 9º ano do ensino fundamental e todo o ensino médio.
A Coordenadora do PICDB, Mariana Rau, conheceu o Cientista Beta em 2016, na época em que a iniciativa ainda era um blog. Diz ter ficado encantada com o ambiente, “um espaço que tratava de ciência, mas de uma forma mais acessível e diferente”. Em pouco tempo, Mariana já era coordenadora do time de colunistas do blog. A partir de 2017, juntou-se ao grupo que coordenava e aprimorava o projeto Decola Beta, que em 2018 completa 3 anos.
Mariana teve contato com pesquisa científica só na graduação em Biotecnologia, pela Ufrgs. Ela conta ter se deparado com um ambiente diferente do que imaginava. “Eu vi um negócio totalmente louco. Pessoas dentro do mesmo laboratório competindo, sendo rivais. Fiquei meio desacreditada”, relata.
Depois de vivenciar essa realidade, Mariana viu no Decola Beta a chance de evitar que futuros pesquisadores ajam como os antigos colegas de curso. “Os jovens ainda não foram estragados e a gente tem uma chance de contagiar eles com isso. Aí, eles vão levando essa mensagem adiante, depois vão chegar na universidade e já contagiar essas pessoas porque eles têm o jeito deles de fazer pesquisa”, explica.

Ainda assim, a coordenadora não deixou de tecer críticas à educação brasileira. “A escola, hoje, não ensina jovens a pensar, ensina a passar em provas. Ensinar o jovem a fazer pesquisa é um jeito de ensiná-lo a pensar, criticar coisas, entender o porquê das coisas. Ensinar a ser um cidadão com pensamento crítico que vai saber, ao longo de toda a vida, como resolver problemas.”
O Decola Beta divide seus participantes em mentorados, ou jovens cientistas, e mentores, cuja função é orientar e auxiliar o estudante. Para participar do programa, é preciso pagar uma quantia na inscrição. O preço da edição 2018 foi de R$ 300 reais. Contudo, mais da metade dos jovens não paga. Existe um sistema de arrecadamento. Doações vindas da sociedade que são revertidas em bolsas de estudo e financiam os seis meses de pesquisa do adolescente.
Outra forma de subsistência é participar de editais produzidos por entidades como o Instituto Serra Pilheira e a Petrobras. “A gente tá buscando isso. O nosso sustento vem principalmente de prêmios em que a gente se inscreve e ganha”, conta Mariana. Alguns deles são o Social Good Brasil, Prêmio Citi Jovens Microempreendedores e SciBr Foundation.
Aluna do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Luterano Concórdia, Maria Eduarda de Castro Estrella é apaixonada por ciência. Tem 16 anos e já participou de três feiras científicas fora do país, além de ser autora de oito projetos. O mais atual é uma parceria com o SAMU de São Leopoldo. O objetivo é a criação de um aplicativo que ajude a salvar vidas. Esse app vai possuir um geolocalizador para agilizar o início das manobras de ressuscitação em casos de paradas cardiorrespiratórias.
Nos anos passados, a estudante desenvolveu pesquisas em diferentes áreas: captação de água da chuva para regar plantas; reciclagem de resíduos; biomas do Brasil; Steve Jobs e a influência digital no mundo; doenças causadas pelo uso incorreto de agrotóxicos; câncer de mama e alimentação saudável; e hipotermia capilar. Um dos principais trabalhos de Maria, realizado em 2017, corresponde à hipotermia capilar. Trata-se da criação de uma touca térmica que reduz em 80% a queda de cabelos em pacientes durante o tratamento quimioterápico.

Todo o trabalho em pesquisa resultou em viagens pelo Brasil e internacionais. Maria participou da FEICICC, realizada no próprio Concórdia. Participou da Cientec em Lima, no Peru. Da Exporecerca em Barcelona, na Espanha. Da Milset em Fortaleza, no Ceará. Para este ano, já está credenciada para a FEBIC em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.
A estudante possui no repertório histórias sobre o alcance dos projetos realizados. Em Barcelona, um taxista agradeceu pela touca térmica. “A cunhada do taxista estava iniciando o tratamento de quimioterapia e ela não queria que os cabelos caíssem. Ele (taxista) pediu uma touca para ela utilizar e eu dei. Além deste fato, a primeira paciente que utilizou (a touca) tinha a minha idade e isso me marcou muito”, revela.
Maria Eduarda pretende seguir carreira na pesquisa, afinal, segundo ela, “nossa vida é baseada em pesquisas”. Ela até já decidiu a graduação. Vai fazer medicina e atuar na área desportiva. Pretende pesquisar e melhorar o desemprenho de atletas, auxiliando o Brasil a conquistar mais prêmio e medalhas. “Ver o sofrimento das pessoas e conseguir diminuir um pouco não tem preço, fico muito feliz”, conta.
Jaqueline Dahmer Steffenon, 20, foi mentora do projeto Decola Beta em 2017. Acostumada com a prática da pesquisa durante o ensino médio, na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, comentava com uma amiga sobre sentir falta de trabalhar com ciência. Durante essa conversa, Jaqueline descobriu o DB. Mentorou o trabalho do carioca Eder Luiz Gomez.

“Quando eu terminei o ensino médio, senti que aquela experiência tinha sido tão boa que eu precisava fazer com que outras pessoas também tivessem”, lembra Jaqueline. Hoje, além da graduação, ela atua no time de tecnologia do Cientista Beta. “Eu acho que a cabeça de quem faz pesquisa no ensino médio muda muito. Eu não vejo como seria a minha vida agora se eu não tivesse feito pesquisa. Eu não vejo mais as coisas como algo desafiador, mas algo que eu consigo fazer”, explica.
Tendo como modelo a frase “O pesquisador vale mais que a pesquisa”, Jaqueline conta que nenhuma pesquisa teve mais valia do que o crescimento pessoal que obteve. “As pesquisas me impactaram muito mais do que eu impactei elas”, reflete. Mesmo tendo atuado na área, Jaqueline não tem certeza sobre seguir carreira na pesquisa. Com um pé na ciência e outro no empreendedorismo, em 2017 tentou formar uma startup para um projeto pessoal, um aplicativo para pessoas surdas chamarem o SAMU.
Amanda Bihenck Mendes, 18, e Luisa Adams Fank, 17, são estudantes da Fundação Liberato, de Novo Hamburgo. Em 2018, via internet e colegas, ambas conheceram o projeto Decola Beta e resolveram, juntas, participar. Tendo como mentora a paulistana Mariana Teixeira, a dupla desenvolve um projeto para combater Biofilmes.
Biofilmes são micro-organismos em conjunto e enredados. Na indústria alimentícia, essas formações são comuns e causam problemas quando consumidas junto do alimento. Durante o processo de fabricação de carnes embutidas, como o patê, biofilmes ficam encrustados nos equipamentos e dificultam todo o processo. O projeto de Amanda e Luisa visa otimizar esse trabalho ao acrescentar cloreto de magnésio na carne, evitando a formação dos biofilmes no alimento e equipamentos.

O projeto, que pode causar grande impacto, vem do gosto por ciência e pela pesquisa. Luisa teve contato com a prática durante a matéria de Projeto de Pesquisa. No caso de Amanda, o ensino fundamental não incentivou a área. Ela relata que “você não tem conhecimento desse mundo, e daí te apresentam pra uma coisa nova onde o que você pensa é importante. Você pode mudar alguma coisa. Acho que isso é o que mais motiva”.
Ela acredita que o contato com outros projetos e ideias é uma maneira de ver a ciência com outros olhos, em especial porque os primeiros incentivos escolares mostram uma ciência automática, engessada. Amanda também ressalta que, através do projeto DB, é comum encontrar adolescentes que, mesmo sem estrutura, fazem o possível para manter a prática. “Às vezes, eu paro pra pensar nas pessoas da escola que não aproveitam as oportunidades. A gente tem tudo que precisa ali ou a gente recorre pra Unisinos ou pra UFRGS”.

O apoio familiar, ou a falta dele, também serve como o combustível que incentiva as garotas. No caso de Luisa, mesmo que ela tente explicar, a família não compreende com clareza o projeto no qual trabalha e o que significa lidar com ciência. Mesmo assim, quando Luisa demonstrou interesse em participar do Decola Beta, a mãe foi firme ao incentivar, mesmo tendo de pagar. “Acho que no que podem, eles tentam ajudar”, comenta.
Para Maria Eduarda, o incentivo à ciência sempre existiu. Filha de um médico e de uma enfermeira, já nasceu com um pé na pesquisa. “Eles sempre estão me apoiando, seja financeiramente nas inscrições e viagens, seja através de apoio intelectual”, relata.
A realidade de Amanda é diferente. Em casa, quando se trata de pesquisa científica, a mãe não presta atenção na prática. “Ela não está muito presente, não faz muita questão”. Ainda assim, a falta de apoio não é motivo para desistência. “Isso não é uma coisa que me desmotiva. Pelo contrário, eu vou tentar crescer e mostrar pra ela. Eu me sinto desafiada”.
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