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Arquivos Pedagogia - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/pedagogia/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 09 Nov 2020 19:33:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 O audiovisual a favor da inclusão https://mescla.cc/2020/11/09/o-audiovisual-a-favor-da-inclusao/ https://mescla.cc/2020/11/09/o-audiovisual-a-favor-da-inclusao/#respond Mon, 09 Nov 2020 19:33:23 +0000 http://mescla.cc/?p=14318 A televisão ainda é um dos meios de comunicação mais presentes nas casas brasileiras, alcançando audiência em locais onde a internet mal sonha em chegar. Esse papel ficou ainda mais claro no cenário de pandemia que vivemos. A presença e confiabilidade da televisão foram postas à prova quando todos os olhos se voltavam para os […]

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A televisão ainda é um dos meios de comunicação mais presentes nas casas brasileiras, alcançando audiência em locais onde a internet mal sonha em chegar. Esse papel ficou ainda mais claro no cenário de pandemia que vivemos. A presença e confiabilidade da televisão foram postas à prova quando todos os olhos se voltavam para os telejornais, esperando que eles pudessem, mais uma vez, indicar “a verdade”. 


Dentro desse cenário, a disciplina de Linguagens Artístico-Culturais II, do curso de Pedagogia, promoveu a live “A tv como objeto de estudo da escola”, na última quinta-feira, dia 5 de novembro. O encontro faz parte de uma trilogia de eventos para debater, com convidados especiais, temáticas interessantes à educação. 


Os convidados foram Daniel Pedroso, professor dos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos, e Carol Anchieta, jornalista e assessora de Diversidade da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac) do Governo do Rio Grande do Sul. A organização foi do professor Maurício Ferreira, responsável pela disciplina. A mediação ficou por conta das estudantes Bianca da Rosa, Eduarda Vieira, Gabriela Cela, Gabriela Mesquita e Isabela Ferreira.


“Ao invés de entrar em uma luta com a televisão, é melhor aprender como apropriar suas linguagens para poder usar isso na comunicação e na educação infantil”, explicou Maurício. Para ele, a percepção de que a televisão ainda é fonte importante de informações torna necessário que se pense, cada vez mais, na forma como ela influencia e educa, mesmo quando não é esse o intuito inicial. 


“Fazer TV é um desafio dobrado”, concordou Carol. “Exige responsabilidade e tem que disputar com a internet, que proporciona uma gama grande de conteúdos com trabalho de poucas pessoas. Mas, embora a TV tenha enxugado o seu quadro profissional e os orçamentos de produção tenham baixado, ainda há um espaço nobre de construção audiovisual”, avaliou a jornalista, que é mestranda em Design Estratégico pela Unisinos.


Na opinião das estudantes presentes na live, o espaço nobre da TV ainda não reflete os apelos das pessoas. Para elas, as emissoras produzem um conteúdo, sobretudo de entretenimento, que não consegue captar as nuances da sociedade. A representação na televisão não chega até a realidade. “Eu não me sentia representada, mas só fui ter um olhar crítico quando morei no Rio de Janeiro e fui trabalhar no Futura”, comentou Carol.


Para a jornalista, que participa ativamente de movimentos feministas e antirracistas, a desigualdade racial dentro das emissoras ainda é alarmante. “Em um país que tem a maioria de sua população formada por pessoas negras, não é estranho que se possa contar o número de jornalistas negros nos dedos das mãos? Não é porque eles não querem trabalhar na televisão. Não dá para pensar assim.”


“Um dia, assistindo televisão, comemorei quando vi que vários apresentadores em sequência eram negros”, comentou Daniel, que também é doutor em Comunicação pela Universidade do Texas. “Mas é um absurdo que nós ainda tenhamos que ficar felizes com essas pequenas coisas”, criticou. Carol observou também que é hora de todos se posicionarem: “Enquanto a gente não agir sobre a reflexão, as coisas não vão mudar”.


Esse sentimento se reflete também no universo audiovisual, que hoje, além da TV, têm a presença das plataformas de streaming e dos produtores independentes de conteúdo. “Mais do que assistir e desfrutar da linguagem, temos que colocar mão na massa e fazer junto”, incentivou Daniel. “Como o pesquisador argentino Mario Carlón fala, ‘a televisão tem dois dispositivos atuantes’. Não é só a transmissão, a empresa. É o fazer e praticar esse conteúdo.”


Para o professor, chamar crianças e jovens a participarem faz parte do novo modelo a se pensar. “Assistir um documentário não é mais o suficiente. É preciso colocar as crianças para construir esse produto, explorar o objeto audiovisual, entregar trabalhos em vídeo, entrevistar pessoas”, acredita Daniel.


Para assistir o debate na íntegra, acesse este link e conheça a primeira live da trilogia. Também não esqueça de ficar ligado no canal da Escola de Humanidades para ficar sabendo dos próximos eventos.

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#TEDxUnisinos: Lui Nörnberg https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-lui-nornberg/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-lui-nornberg/#respond Wed, 01 Aug 2018 17:45:03 +0000 http://mescla.cc/?p=7063 “As fronteiras para mim são sempre móveis, se entrecruzam. E quem dá a grande mobilidade para as fronteiras somos nós. Eu sou um espírito inquieto e sempre tive esse sentimento de busca muito grande dentro de mim, embora eu não soubesse direito o que, nem para quê”, apresenta-se Lui Nörnberg, 47 anos. A história dele […]

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“As fronteiras para mim são sempre móveis, se entrecruzam. E quem dá a grande mobilidade para as fronteiras somos nós. Eu sou um espírito inquieto e sempre tive esse sentimento de busca muito grande dentro de mim, embora eu não soubesse direito o que, nem para quê”, apresenta-se Lui Nörnberg, 47 anos. A história dele confunde-se, entrecruza-se e, por quase 46 anos, foi contada por Nara Nörnberg, mulher que guerreou com o mundo e consigo mesma até decidir o melhor momento de tornar-se Lui.   

Lui nasceu no corpo de uma mulher, habitou em Nara, como foi chamado em seu batismo. Canguçu, cidade do interior do Rio Grande do Sul, o viu nascer. Mas ele cresceu em Pelotas, a cerca de 40km distante. Mudou-se para São Leopoldo aos 17 anos a fim de cursar o magistério e ingressar na universidade. Permaneceu em São Leopoldo, tornando-se aluno do curso de Pedagogia na Unisinos.   

Lui tentou, em um último esforço desesperado, ser mulher. Casou-se com um homem e viu-se desmoronando junto ao matrimônio. Depois de um ano, atravessou a fronteira mais significativa de sua vida e, também geograficamente, mudou-se para Ji-Paraná, Rondônia, no norte do Brasil. Juntou o que restava de sua mudança, colocou as malas em cima de sua camionete e, na companhia de seu cachorro atravessou o país para, enfim, encontrar-se.   

Lá, Lui terminou a faculdade, trabalhou como professor e, ao descer novamente o país, levava consigo uma mala a mais, preenchida com lições de vida e experiência. “Rondônia permitia, como é típico da fronteira, viver cada um dentro da sua necessidade, necessidade da sua natureza. Então, por isso, Rondônia foi muito marcante para mim, me deixou muito confortável em estar olhando para mim, para as minhas escolhas, para quem eu estava sendo naquele momento, e para o que eu poderia vir a ser. Foi um marco neste sentido, tanto que eu vim pra cá fazer o mestrado e queria voltar para lá”, conta.  

Voltou ao Rio Grande do Sul, e à Unisinos para adquirir o título de mestre e doutor – e as contingências da vida o fizeram ficar. Dentro da universidade, construiu uma carreira sólida na docência e esteve à frente de diversos projetos pedagógicos. Lui saiu de Pelotas em 1988 como Nara, e, como que no fechamento de um ciclo, regressou quase 30 anos depois como Lui. Em 2017 passou no concurso da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e no ano de 2018 assumiu a coordenação do curso noturno de Pedagogia.   

Para falar no TEDxUnisinos, dia 17 de agosto, Lui enxerga-se diante de uma nova fronteira, e ultrapassá-la significa abrir-se para um novo e grande desafio.  “Eu nunca participei de nenhum movimento social ligado aos grupos LGBTs, eu não estudo esse tema. E tenho sido desafiado, desde que eu entrei na Federal de Pelotas, a conversar com esses grupos, trazer a experiência, a minha trajetória”, conta.   

Lui Nörnberg sobe ao palco do Teatro da Unisinos desafiando-se a compartilhar e traspor suas fronteiras. “Quando eu optei por isso (transgenia), eu optei por atravessar essa fronteira, não no intuito de ser visível para os outros, para os outros me verem, mas pra eu me ver, pra eu poder ver, espelhado no meu corpo, aquilo que eu via no meu espírito”, finaliza.

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