wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Palhaçaria: um encontro com o seu melhor humor appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Inicialmente, os alunos se apresentaram. Muitos deles eram estreantes nas artes cênicas e outros, apesar de estudarem teatro, estavam pela primeira vez numa aula sobre palhaçaria. Participantes de todas as idades e até uma mãe que levou a filha para partilharem do momento juntas. Então, Melissa contou um pouco sobre as origens dos palhaços. “O mais conhecido é o bobo da corte. O que fala as verdades para o rei, mas sempre se policiando para não acabar perdendo a própria vida. Afinal, se tirar muito o rei, vai pra forca”, relembrou.
Segundo ela, o nariz é como um portal que a leva a ser uma outra persona: a palhaça. “Ele traz outro estado, que não é do nosso cotidiano”, completa. Depois de todos se apresentarem e contarem suas perspectivas sobre a palhaçaria, iniciou uma meditação em grupo. Com uma música ao fundo, eles buscaram “sentir” – palavra de Melissa – o palhaço que tem dentro de si. Depois, com uma coreografia, todos seguiram em sintonia, apenas sentindo a música, quase como um mantra.
Após o exercício de concentração, eles fizeram uma atividade de interação entre si. Caminhavam rápido e interagiam. Uns com caretas, outros dando tapas na bunda de outros, mas o fato é que deveriam interagir de alguma forma inesperada. “Sente o teu corpo. A liberdade. Ele é teu guia. Teu mestre”, bradava Melissa para os alunos.
Divididos em duplas, com os narizes de palhaço já colocados, os alunos tinham de interagir contando de um a cinco para o outro. Entretanto, aos poucos, os números foram sendo trocados por ações definidas em conjunto com a turma. Aí, passou a se notar uma diferença entre eles: o ridículo do palhaço começou a transparecer naturalmente. Ao final da atividade, as duplas se apresentaram para o resto do grupo, cada um com seu trejeito.
Já com a performance da palhaçaria tomando conta, os alunos trocaram de duplas e a atividade mudou. Um virava as costas e o outro deveria fazer algo para que essa pessoa risse, sem que ela visse de frente. Ao rir, o aluno deveria virar e fazer o outro rir, também de costas. Ali, surgiram tentativas criativas de surpreender o colega, o que gerou muitas risadas entre todos os participantes.
Estudante de Teatro e Cinema no Galpão das Artes, Joana Caspar, 19 anos, era estreante em oficinas de palhaçaria e conta que sempre teve um “q” para a área. “Sempre fui bastante palhaça. Não tive dificuldade em colocar isso para fora. Gostei muito. As primeiras atividades te dão uma leveza e logo de cara tinha que fazer todo o público rir, né?”, lembra. Entretanto, ela conta que também se sentiu um pouco desconfortável. “Tu sente aquele desespero das pessoas não rirem de ti e buscar um outro caminho. Descobrir o teu palhaço é bastante difícil”.
“Com uma oficina só, não tem como eu saber de tudo. Mas pelo que eu percebi no final, o palhaço mais sério, que se acha mais, é o que mais tem a ver comigo”, tenta decifrar Joana, apesar de dizer que este lado, mesmo fazendo com que ela se sinta bem como palhaça, não é habitual dela.
Como se forma o palhaço?
Segundo um dos ministrantes da oficina, Fábio Castilhos, a ideia do palhaço é encontrar o teu lado ridículo. “Dizem que o nariz de palhaço é a menor máscara do mundo. Ela revela o teu lado ridículo. É uma visão tua sobre isso”, explana.
Fábio conta que a atividade foi conduzida para que eles chegassem a esse ponto de extrapolar e se exporem ao ridículo. “O palhaço é um estado. Tem a ver com a condução da oficina. Ao repetirem os números e errarem entre si, o exagero e a inadequação começam a aparecer”, esclarece.
Para ele, o palhaço funciona como uma linguagem. E compartilhar esse estado causa o efeito de humor nas pessoas. “Um palhaço bom está aqui jogando seus sentimentos e sua percepção ao público. Trazendo uma leveza. Ele é a própria graça”, acredita o artista. Castilhos também comenta que não há diferença entre o palhaço de circo do teatro ou do hospital. Eles têm apenas abordagens diferentes para com o público. “Um palhaço de circo é mais chamativo, pois tem que atrair o olhar da grande plateia e o de hospital, por exemplo, precisa ser mais sensível”, define.
“Trabalhamos muito com educação. É um braço que parte da nossa alma de artista. A formação de palhaços é reciclar o conhecimento e experimentar visões. A gente cresce junto”, explica Castilhos.
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