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]]>Vivemos em um momento de proliferação de imagens que retratam o fim do mundo, segundo Moysés, que é professor na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Para ele, essas imagens representam o pensamento coletivo de que o nosso modo de viver não pode continuar subsistindo. “Essa sensação de fim de mundo, esse mal-estar, […] provoca uma sensação de desconforto inversamente proporcional à nossa capacidade de imaginar alternativas”, afirma o palestrante.
O século XXI elegeu as crises econômica e política como pautas importantes, porém a crise de imaginação é o foco de Moysés. Na visão do professor, esse tema cria a oportunidade para a origem, especialmente na ficção científica, de vidas futuras, representações do mundo com variações significativas. A ficção, por ser uma área criativa e que permite mais liberdade de criação, se transformou em um dos dois focos de Moysés.

Antropologia Estelar. Foi assim que o professor chamou a capacidade humana de representar a vida por meio de filmes, séries e livros em futuros incertos. Essa antropologia, nas palavras do palestrante, “envolve a superação do corpo humano, […] um projeto de nós transpormos a barreira do nosso corpo. Superarmos a nossa condição mortal”. É a antropologia do progresso. “Envolve acelerar o tempo, intensificar as coisas que vêm sendo desenvolvidas, não só no imaginário, mas também pela ciência.”
Moysés compara essa antropologia com os filmes Ex–Machina e Elysium, a série Black Mirror, e a ideia ocidental do que significa a alma. “Todos esses projetos, todas essas imagens são, de certa maneira, a finalização profana do que as religiões prometem. O que essas religiões prometem? A vida eterna, a salvação depois da morte.”

Em contraponto à ficção científica, surge a Antropologia Terrena. Ela é uma alternativa antagônica que vem dos estudos decoloniais, o segundo foco do professor. Nesse conceito, esquece-se o teor tecnológico e futurístico. “Intensifica nossa maneira de ver o planeta. […] tudo que está na terra abunda de vida. Podemos desconstruir a imagem do ser humano como algo fora da natureza. Não somos o senhor dela”, explica Moysés. No mundo que já acabou, segundo ele, a melhor maneira de aproveitar a vida é usar aquilo que já possuímos.
Contrariando a Antropologia Estelar, na Terrena, o tempo desacelera. Não há necessidade de velocidade, avanço, superação e dominação. Nas palavras do professor: “Isso pode se traduzir na ideia do bem-viver. Pode se traduzir em um estranho retorno ao passado, ao antigo”. Ele ressalta questões como dormir e comer bem, o prazer da suficiência.
Moysés trouxe como exemplo moradores da metrópole abandonando carros e usando bicicletas para a locomoção. Algumas obras que podem representar a Antropologia Terrena são o livro A queda do céu e o filme Call me by your name.
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]]>O trabalho da filósofa francesa Catherine Malabu foi a principal influência para a escolha do tema desta edição do TEDxPortoAlegre. O conceito de plasticidade estudado por ela fala sobre o trabalho do tempo através do sistema e a maneira pela qual um sistema pode se transformar de dentro sem se dissolver. Esta “transformabilidade imanente de uma totalidade fechada”, como Catherine explica, é o que norteará a fala dos palestrantes no dia 22.
Nesta edição, entre os nomes que subirão ao palco do TEDxPortoAlegre estão a jornalista gaúcha Eliane Brum, o filósofo Rodrigo Duarte, o músico e escritor Castello Branco, a escritora Veronica Stigger, o professor Rodrigo Nunes, o também jornalista Leo Felipe e o filósofo, escritor e blogueiro Moyses Pinto Neto.
Dedicado a espalhar ideias que merecem ser compartilhadas, o TED é uma organização não lucrativa criada em 1984. Com formato que permite palestras curtas, mas poderosas, o TED circula o mundo disseminando iniciativas inspiradoras.
O TEDx, onde x = evento TED organizado de forma independente, é um programa de eventos locais auto organizados. Geralmente nos eventos TEDx, os vídeos do TEDTalks e os speakers (palestrantes) usam o palco para compartilhar histórias. O TED tem um canal no Youtube com quase 10 milhões de inscritos, onde são disponibilizadas as palestras dos eventos.
Evento: TEDxPortoAlegre – “Plasticidade Destrutiva: perspectivas sobre realidades em colapso”.
Palestrantes: Eliane Brum, Rodrigo Duarte, Castello Branco, Veronica Stigger, Rodrigo Nunes, Leo Felipe e Moysés Pinto Neto.
Data: 22 de março.
Horário: das 9h às 13h.
Local: Átrio da Fundação Iberê Camargo – Avenida Padre Cacique, 2000
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