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Arquivos memória - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/memoria/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 26 Apr 2019 16:11:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 A revista que foi começo, e hoje é memória https://mescla.cc/2018/10/18/revista-que-foi-comeco-e-hoje-e-memoria/ https://mescla.cc/2018/10/18/revista-que-foi-comeco-e-hoje-e-memoria/#respond Thu, 18 Oct 2018 18:04:27 +0000 http://mescla.cc/?p=8222 Existem protagonismos na história do curso de Jornalismo da Unisinos. Um deles, que hoje é pouco conhecido, foi a criação e implementação da Revista Zum Zine. Ela carrega consigo um importante título: foi a primeira revista eletrônica universitária do país.  No Brasil, na segunda metade da década de 90, a internet já dava os primeiros passos rumo à expansão massiva pelo […]

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Existem protagonismos na história do curso de Jornalismo da Unisinos. Um deles, que hoje é pouco conhecido, foi a criação e implementação da Revista Zum Zine. Ela carrega consigo um importante título: foi a primeira revista eletrônica universitária do país. 

No Brasil, na segunda metade da década de 90, a internet já dava os primeiros passos rumo à expansão massiva pelo país. Seu uso ainda era restrito e era utilizada para trocas de e-mails e conversas em chats, contudo, isso não impedia que pessoas enxergassem possibilidades nela para a difusão de informação e conteúdo. Anterior a esse processo, antes mesmo dos anos 90, pelo mundo, surgiram as e-zines. 

O termo é uma abreviação de electronic magazine (revista eletrônica). Também foi chamada de fanzine (mesmo essa não se prendendo unicamente à web), pois a produção desses periódicos em muito era associada ao indivíduo conhecido como fã. O processo era muito simples: alguém tinha apreço por um tema, criava uma publicação online que abordava o assunto e a divulgava para outros fãs. É dentro dessa definição, porém enraizada no jornalismo, que surgiu a Zum Zine. 

Página principal da revista Zum Zine, com nove editorias e o expediente. Hoje, todos os textos e fotos são domínio mundial

A revista, na época, era uma iniciativa inovadora do curso de Jornalismo para a universidade. Não por ter sido a primeira, mas por ser uma das iniciativas que usava a internet como ferramenta para disseminar informação ao aluno-leitor. Os responsáveis pelo periódico não eram fãs nem amadores. Idealizada e comandada por professores da Unisinos, a revista abrigava colunistas e repórteres que, mensalmente, produziam o jornalismo eletrônico. 

O projeto, que nunca foi patenteado, surgiu pelos esforços dos professores Beatriz Marocco, Lara Espinosa e Mauro Steigleder, dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Informática, respectivamente. E revista pertencia à Agexjor (Agência Experimental de Jornalismo) – atual Agexcom. A primeira publicação foi lançada em 1997 e contemplava nove editorias: cotidiano; viagens; London connection (internacional); trova; palco e plateia; Zum cine; tecno Zum; Zum sport; dez. As publicações da revista eram mensais, e as edições, temáticas. As pautas eram decididas em conjunto entre editores, designers e repórteres.  

 “Era um processo muito artesanal. As pessoas estavam aprendendo sobre como fazer. Não tinha velocidade, não tinha som, a imagem não tinha movimento. Era tudo uma transposição do linear (impresso) pro digital”, conta Beatriz.

Todas as artes da Zum Zine foram feitas à mão

O nome da revista veio da ideia de movimento, o Zum representando uma onomatopeia de velocidade. O conceito de rapidez era muito buscado pelo periódico. Segundo Beatriz, o tipo de texto trabalhado pelos repórteres escapava do tradicional. Não havia o uso constante do lide comum, mais conhecido pelo uso da fórmula 3Q+COP. O texto tinha dinâmica, os jornalistas se preocupavam com a estética. Para a professora, criar algo diferente era necessário, pois “um projeto novo não pode ser regido por técnicas tradicionais e já conhecidas”. 

Professor de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Gilmar Hermes foi editor da revista a partir de 1998. Para ele, o periódico era uma forma de experimentar o webjornalismo, as novas formas de trabalhar a notícias na internet junto do design. Segundo ele, é função das universidades prestar atenção nas tendências de cada curso. “Uma instituição de ensino tem de projetar suas atividades e seus conhecimentos para o futuro, de forma a preparar os estudantes que deverão ingressar no mercado de trabalho ou serem empreendedores”, afirma.   

Os estudantes que por ela passaram   

André Luiz Benedetti, 42, Janaína Camara da Silveira, 40, e Rafael Dalla Porta Pavin, 36, são ex-estagiários da revista. André e Janaína trabalharam como repórteres – ou webwriters -, Rafael foi webmaster (organizava a hierarquia das páginas, códigos fontes e todo trabalho de TI do site).  

Janaína descreve o ambiente da Zum Zine como maravilhoso e descontraído. Segundo ela, tanto alunos quanto professores aprendiam juntos. “Além das discussões de pauta, estilos de texto, novos formatos de apresentação do conteúdo, havia muita troca cultural. Era a construção de uma nova plataforma que hoje já é tão trivial”, comenta.

Uma das matérias produzida pelo repórter André Benedetti

Em 1999, a revista ganhou o segundo lugar no prêmio de jornalismo, na modalidade revista online, da 6ª Expocom. Segundo Benedetti, na época, o grupo não acreditava que poderia vencer. Ainda assim, decidiram encaminhar o material para análise. O processo de envio, no entanto, não foi fácil. O grupo chegou atrasado ao correio, o estabelecimento já havia fechado. Por bondade do funcionário presente no dia, a revista foi enviada. “Algumas semanas depois, recebemos a notícia de que estávamos entre os finalistas da Expocom. Mais adiante, anunciaram a Zum Zine como a grande ganhadora. A partir daí, começamos a ver que estávamos produzindo um produto bem mais diferenciado do que imaginávamos”, conta Benedetti. 

Esse não foi o único Prêmio recebido pelo periódico. Em uma lista recuperada pela professora Beatriz, Zum Zine faturou 1º lugar na 5ª Expocom, em 1998, na categoria Jornalismo – Melhor Revista Online. No mesmo ano, foi primeira colocada no SET Universitário da PUCRS, na categoria Revista Digital.

Prêmio ganho em 1999, mencionado por André Benedetti

Nas lembranças, vivem as experiências   

O projeto pioneiro da Unisinos marcou a vida pessoal e profissional dos estudantes que por ela passaram. O trio de estagiários diz sentir saudades da época em que trabalhava na revista. Para Rafael Pavin, conviver com pessoas que estavam fora de sua área de formação trouxe a ele uma nova visão acadêmica e de vida. Para ambos os repórteres, a Zum Zine foi a porta de entrada para o mercado de trabalho.  

Janaína foi contratada, na época, para trabalhar no projeto embrião do clicRBS. Benedetti foi chamado pela Zero Hora – trabalhou como redator no segundo caderno. Pavin participou, em 2001, da cobertura da produção do filme “A Paixão de Jacobina”. O webmaster produziu um site específico para o longa-metragem. Na página, eram divulgadas imagens dos bastidores.  

“Fazíamos uma revista on-line, mas nenhum de nós tinha acesso à internet em casa, apenas na universidade. E aqui faço uma confidência: era começo de 1998 quando fui selecionado pra ser repórter da Zum Zine. E foi no meu primeiro dia de trabalho na revista que naveguei na internet pela primeira vez na vida”, revela Benedetti, hoje assessor de imprensa da Unimed Nordeste-RS.

Matéria produzida pela repórter Cristina de Marco

Janaína também comenta que a Agência Experimental de Comunicação da Unisinos (Agexcom), que já existia nos últimos anos de Zum Zine, era uma referência dentro do curso de Jornalismo, principalmente por ofertar a possibilidade de criar a notícia na web. “Trabalhar em internet era um misto de desconfiança e aprendizado. Havia ainda um apego grande pelo jornalismo nas mídias tradicionais”, explica a jornalista, atual editora de mídias sociais e repórter da agência de notícias chinesa Xinhua.   

Gilmar Hermes ainda relembra que os professores, através da revista, acompanhavam o desenvolvimento tecnológico e criativo do jornalismo. Com a criação da Agexcom e os portais de notícias que dela surgiram, o mais atual sendo o Mescla, a revista Zum Zine foi encerrada. A data específica da finalização da revista é incerta, mas ocorreu em Como bem definiu Beatriz Marocco: “isso aqui é pré-história da internet, cara”. 

As publicações 

Não é possível acessar o site da revista, que, assim como as publicações, não existem mais. Entretanto, utilizando a ferramenta Wayback Machine, foi possível recuperar partes da memória da Zum Zine e, consequentemente, da história do Jornalismo da Unisinos. Entre o material recuperado está o expediente do periódico. Clicando aqui, é possível conferir um pouco do trabalho pioneiro de professores e alunos na internet.

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Kazuo Ishiguro para ter na estante https://mescla.cc/2017/10/11/kazuo-ishiguro-para-ter-na-estante/ https://mescla.cc/2017/10/11/kazuo-ishiguro-para-ter-na-estante/#respond Wed, 11 Oct 2017 17:57:28 +0000 http://mescla.cc/?p=3420 O escritor inglês Kazuo Ishiguro foi anunciado no início deste mês como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. A Academia Sueca, responsável pela premiação, que teve início em 1901, disse ter feito a escolha por Ishiguro conter em seus romances “grande força emocional, que revelaram o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com […]

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O escritor inglês Kazuo Ishiguro foi anunciado no início deste mês como o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. A Academia Sueca, responsável pela premiação, que teve início em 1901, disse ter feito a escolha por Ishiguro conter em seus romances “grande força emocional, que revelaram o abismo sob nossa sensação ilusória de conexão com o mundo”.

Os livros do escritor, nascido no Japão em 1954 e radicado na Inglaterra, trabalham temáticas como tempo, memórias e lembranças. Aos 62 anos, Kazuo Ishiguro publicou oito livros de romance. Sua produção literária já foi traduzida para mais de 25 idiomas e dois de seus romances foram adaptados para o cinema –  “Os vestígios do dia”, 1989, e “Não me abandone jamais”, 2005.

O Portal Mescla compilou em uma lista cinco obras de Kazuo Ishiguro para você ter na estante:

‘Uma pálida visão dos montes’, 1982

O livro, que foi publicado no Brasil pela editora Rocco em 1988, é  o primeiro romance do escritor. Ele conta a história de uma sobrevivente da bomba nuclear de Nagasaki, não por acaso, cidade de origem do escritor.

‘Os vestígios do dia’, 1989

O livro teve sua segunda edição, no Brasil, publicada em 2016 pela editora Companhia das Letras. A obra, vencedora do prêmio Booker Prize, em 1989, conta a história do mordomo Stevens, que já próximo da velhice, rememora os 30 anos dedicados à casa de um nobre britânico, depois ocupada por um milionário americano. “Os vestígios do dia” foi adaptada para o cinema em 1993. Assista o trailer

‘Quando éramos órfãos’, 2000

Nesta obra o autor conta a história do detetive Christopher Banks, que retorna a Xangai, sua terra natal, onde os pais desapareceram misteriosamente 20 anos antes. No livro, Kazuo Ishiguro retorna a ficção, falando sobre o poder do passado de determinar o presente das pessoas. O livro foi publicado pela Companhia das Letras, em 2000.

‘Não me abandone jamais’, 2005

Este romance ficcional do escritor teve adaptação para o cinema, em 2010, e foi finalista do prêmio Man Booker Prize 2005. Na obra, Kathy relembra os anos em que viveu em um orfanato no qual todos os “alunos” eram clones, produzidos para servir como peças de reposição, na doação de órgãos. A segunda edição do livro publicada no Brasil foi feita pela Companhia das Letras, em 2016. Assista o trailer

 

‘O gigante enterrado’, 2015

No livro, publicado em 2015 pela Companhia das Letras, o autor caminha por um mundo de fantasia, onde aborda temas como amor, guerra e memória. Nesta obra, Kazuo Ishiguro, aproximou-se de autores como  George R. R. Martin e Tolkien. Na história, os personagens precisam lidar com as indefinições do amor e uma misteriosa névoa do esquecimento.

 

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