Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos MARGS - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/margs/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 10 Aug 2022 00:07:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Que tal visitar a exposição “Presença Negra no MARGS”? https://mescla.cc/2022/08/09/que-tal-visitar-a-exposicao-presenca-negra-no-margs/ https://mescla.cc/2022/08/09/que-tal-visitar-a-exposicao-presenca-negra-no-margs/#respond Tue, 09 Aug 2022 17:03:58 +0000 http://mescla.cc/?p=16785 A exposição “Presença Negra no MARGS” faz parte de um projeto de mesmo nome do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, iniciado em 2021 pelo Núcleo Educativo da instituição, que apresentou conteúdos, palestras, aulas, encontros, cursos e debates envolvendo artistas, teóricos, pesquisadores, curadores e intelectuais negros e do pensamento negro no Brasil, incluindo […]

The post Que tal visitar a exposição “Presença Negra no MARGS”? appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
A exposição “Presença Negra no MARGS” faz parte de um projeto de mesmo nome do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, iniciado em 2021 pelo Núcleo Educativo da instituição, que apresentou conteúdos, palestras, aulas, encontros, cursos e debates envolvendo artistas, teóricos, pesquisadores, curadores e intelectuais negros e do pensamento negro no Brasil, incluindo agentes de movimentos sociais e ONGs. O primeiro passo foi uma revisão crítica do acervo, que resultou em uma série de postagens nas redes sociais do Museu. 


“Nesta exposição, escolhemos trabalhar apenas com produções que vêm de mãos e mentes negras. Essa é uma posição política que se refere à necessidade de conceber a arte afro-brasileira não como um tema, um estilo ou conteúdos preestabelecidos, e, sim, como a parcela da arte brasileira produzida por sujeitos negros”, sintetizam os curadores da mostra Izis Abreu, Igor Simões e Caroline Ferreira.


Antes da mostra, um evento importante aconteceu: a realização de uma residência artística (o MARGS serve de apoio para o desenvolvimento e criação do trabalho de artistas, ajudando na inserção do contexto cultural e social) com a participação de 23 artistas negros e negras atuantes no Estado.  


A exposição 

Segundo a mediadora do Núcleo Educativo do MARGS, Amanda Barcelos, o acervo do Museu tem cerca de 1,1 mil artistas, no entanto, apenas 22 são negros. “Se a gente entrar na questão de gênero, fica ainda pior a situação, porque são 21 homens e uma mulher”, ponderou Amanda.


“Presença Negra” conta com cerca de 250 obras, organizadas em núcleos, renovados com periodicidade durante a mostra. “Como é muita coisa, a curadora Ízis Abreu criou essa divisão para uma melhor compreensão do público”, explica a mediadora.  


Tem núcleos voltados para temas religiosos, de artistas transexuais, de maternidade, indígena, entre outros. A exposição está instaladas nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, no 1º andar do Museu. Desde maio, a exposição central foi “Relaxamento Afro”. “Traz essa questão de que negros nunca são vistos ou retratados em situações de relaxamento, fazendo algo para o seu bem-estar”, pontua Amanda.


Arte para a transformação social 

Giuliano Lucas é um dos artistas negros que está na exposição do MARGS, com dois vídeos reproduzidos e fotografias expostas nas pinacotecas central e lateral. “Sentimento de conquista, mas também é um sentimento de que é tardio demais”. Para ele, que trabalha com fotografia, cinema, videografismo e outras artes visuais, o processo de entender que fazer arte era uma possibilidade de profissão foi cruel.  


Giuliano conta que, para comprar sua primeira câmera, precisou de um empréstimo, que durou dois anos. “Para uma pessoa preta chegar a ter uma câmera nas mãos, é uma caminhada muito longa”, frisa o artista. “Eu comecei na fotografia muito influenciado pelo trabalho de um fotógrafo negro chamado Januário Garcia”, conta. Januário é autor de capas de discos famosas, como os de Raul Seixas, Leci Brandão, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Belchior e Tom Jobim.


Nos últimos anos, Giuliano conta que começou a desbravar o audiovisual. “Além do Mérito” e “Operárias” são dois documentários seus, sobre médicos negros no Rio Grande do Sul e as relações de trabalho em um prostíbulo de Minas Gerais, respectivamente. Também trabalhou como diretor de fotografia do filme “Pereio, eu te odeio”, que deve ser lançado em breve.

Giuliano ao lado da tríade de fotografias “Rio Negro e seus afluentes”, na exposição (Foto: reprodução do Instagram / @giulianoartist)   



Arte com sobrenome 

Para o artista, o sobrenome herdado abre portas de forma quase automática. “Um conceito de arte que chamo de ‘arte cosmética’, simplesmente ligada à questão plástica e à etimologia da palavra”. “Cosmética” tem origem no termo grego kosmetés, que descrevia um servo designado para cuidar da beleza dos senhores. 


“As pessoas falam em visibilidade, isso me incomoda demais, porque nós não somos invisíveis, o que a gente sofre é silenciamento”, sublinha. Para Giuliano, a geração de novos artistas negros, com cada vez mais nomes, é uma esperança. Para ele, a caminhada é longa e os passos são curtos, mas frisa: “Eu não dou um passo atrás nem para pegar impulso”.  


Ele conta que Januário Garcia dizia que a fotografia é um veículo de transformação social. Sua inspiração aponta a necessidade de promover uma ruptura contra o sistema e de fortalecer novos circuitos. O artista é parceiro do projeto “CapaciTrans”, que promove capacitações para transexuais. Inclusive, uma das alunas faz Libras em um dos vídeos de Giuliano expostos na exposição. 


Atravessamento 

O jovem negro e egresso da Unisinos Leonardo Farias, que trabalha como designer de imagem de moda, visitou a exposição em diversas ocasiões desde que ela foi inaugurada. “Tem várias formas de expressão em que eles contam, pela perspectiva de artista, a questão do contexto e trajetória deles nesse atravessamento de ser negro”, explica.  


A expressão “Obá Oritá Metá”, escrita na etnia africana Iorubá, diz “boas-vindas” e está inscrita na parede em frente à porta de acesso da galeria principal do Museu. A simbologia é de identidade e ancestralidade. Questionado sobre “ancestralidade” ser tema recorrente quando se fala em negritute, Leonardo responde que, para ele, representa a questão da unidade e o “tecido do tempo” no Brasil em diáspora.

Painel de “boas-vindas”, que pode ser visto em frente à porta da galeria (Foto: Paola De Bettio) 


Existe um senso de comunidade na negritude, acredita Leonardo. “A gente não sabe exatamente de onde nós temos descendência no continente africano, mas a gente sabe, quando se fala de diáspora, que, aqui no Brasil, (os que foram sequestrados e trazidos para cá) criaram esse senso de identidade nacional”, pontua.  


“Muitas ideias, reflexões e filosofias estão atrelados às religiões de matriz africana, que são, também, meios que a gente teve de ter ainda um elo com o continente matriz”, argumenta. Leo, como é chamado por onde passa, acredita que isso salvou a comunidade negra da derrota de verdade. “Tu não derrota um povo quando tu usa a força e a violência contra ele. Tu derrota, de fato, quando tu mata mentalmente ele. Foi o que tentaram fazer com a gente.” 


Processo de cura 

Leonardo acredita que a maior parte do público visitou a exposição “Presença Negra no MARGS” no evento Noite dos Museus, que aconteceu no dia 21/5. No entanto, afirma: “A impressão é de que a galera pensa que, por ser uma exposição de pessoas negras e artistas negros, e ter essa questão política muito forte nas obras, não é para elas”. Leonardo se diz incomodado com a falta de repercussão no próprio círculo de conhecidos. “Nós somos artistas antes de sermos negros”, assinala ele, que também se considera artista.


Para ele, assim como uma pessoa branca vai falar sobre alguma coisa que atravessa ela na arte dela, o mesmo acontece com os artistas negros. “Às vezes, também é um processo de cura a gente validar a nossa dor, falar sobre o que nos aflige e, dessa maneira, conseguir refletir, deixar um peso de lado”, comenta.  


SERVIÇO 

Exposição “Presença Negra no MARGS” 

Curadoria de Igor Simões e Izis Abreu, e assistência de curadoria de Caroline Ferreira 

Quando: em exibição até 21/08/2022  

Onde: nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, localizados no 1º andar do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Endereço: Praça da Alfândega, s/nº, em Porto Alegre. 

Visitação: de terça-feira a domingo, das 10h às 19h (último acesso às 18h30), sempre com entrada gratuita, sem necessidade de agendamento. O MARGS também oferece ao público visitas mediadas para grupos de até seis pessoas, de quinta-feira a sábado, em duas faixas de horários (10h30 às 12h e 14h às 15h), mediante agendamento prévio no site do Sympla (www.sympla.com.br/produtor/museumargs).

The post Que tal visitar a exposição “Presença Negra no MARGS”? appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2022/08/09/que-tal-visitar-a-exposicao-presenca-negra-no-margs/feed/ 0
Quando a sala de aula é o museu de arte https://mescla.cc/2022/05/13/quando-a-sala-de-aula-e-o-museu-de-arte/ https://mescla.cc/2022/05/13/quando-a-sala-de-aula-e-o-museu-de-arte/#respond Fri, 13 May 2022 18:28:53 +0000 http://mescla.cc/?p=16471 As saídas de campo são uma ótima oportunidade para alunos poderem aplicar os conhecimentos desenvolvidos na sala de aula.. Com o retorno gradual das aulas presenciais, pouco a pouco as disciplinas voltam a se apropriar de outros espaços não menos educativos. Comunicação e Arte é uma dessas disciplinas que se beneficia das saídas de campo. […]

The post Quando a sala de aula é o museu de arte appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
As saídas de campo são uma ótima oportunidade para alunos poderem aplicar os conhecimentos desenvolvidos na sala de aula.. Com o retorno gradual das aulas presenciais, pouco a pouco as disciplinas voltam a se apropriar de outros espaços não menos educativos. Comunicação e Arte é uma dessas disciplinas que se beneficia das saídas de campo. Neste semestre, a turma foi até o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). A visita ocorreu em um sábado, no final de abril, sob supervisão do professor da Escola da Indústria Criativa, Everton Cardoso que ministra a disciplina. 

Durante a saída de campo, que é sempre prevista no cronograma quando a disciplina é ofertada, há um exercício de apreciação estética, sendo focada na arte contemporânea e suas características peculiáres quando comparadas a outras escolas do movimento artítsitico. Outra questão abordada é o funcionamento de um museu, as curadorias de peças do acervo. No caso do MARGS, o mesmo  se destaca por ter a exposição “Acervo em Movimento” e possuir mais de 5 mil peças armazenadas, além de exposições intinerantes, que muitas vezes chegam com instuções específicas de como a exposição deve ser montada, explicou o professor. 

Para a estudante de jornalismo Torriê Aliê Breier o principal diferencial da saída de campo é expandir os horizontes. “Acho muito importante porque faz com que possamos sair da nossa “bolha”, dessa caixinha do cotidiano e nos permitir ter outras visões, pensamentos, reflexões, sentimentos como algo novo ou que não estamos acostumados”. 

Como o modelo de aula para essa disciplina continua primariamente no formato de ensino à distância, também foi uma oportunidade de integração entre colegas e professores. “Achei muito legal a iniciativa do professor de ter feito essa saída porque além de visitar o museu, tivemos oportunidade de conhecer os colegas e trocar ideia pessoalmente” afirma Emily Apolinario estudante do 5º semestre de Comunicação Digital. Para Torriê “Acho essencial sair da rotina e visitar locais que às vezes parecem ser distantes da realidade corrida. Mas foi muito legal conhecer o museu, ver as obras, “abrir” a mente para questionamentos e para o conhecimento”. 

Para finalizar a saída de campo, os alunos realizaram uma atividade avaliativa que envolve escolher uma obra e relaciona-lá com a letra de uma música. A postagem desse trabalho foi feita no perfil do instagram do projeto da disciplina. O projeto @com.uni.arte ocorre desde 2020 e já tem mais 350 trabalahos de alunos postados. Em cada trabalho o projeto foca em um artísta ou exposição e pode ser acompanhado pelo link: https://www.instagram.com/com.uni.arte/ 

The post Quando a sala de aula é o museu de arte appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2022/05/13/quando-a-sala-de-aula-e-o-museu-de-arte/feed/ 0
A ousadia de não lutar, mas conviver na floresta https://mescla.cc/2020/01/02/a-ousadia-de-nao-lutar/ https://mescla.cc/2020/01/02/a-ousadia-de-nao-lutar/#respond Thu, 02 Jan 2020 18:11:13 +0000 http://mescla.cc/?p=12808 O trabalho Ousadia Majestade foi apresentado no Festival Kino Beat, que ocorreu em meados de dezembro, no Museu de Arte do RS.  O produto, que fica na fronteira entre a fotografia, poesia, prosa, e tem formato documental se baseia na história do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo […]

The post A ousadia de não lutar, mas conviver na floresta appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
O trabalho Ousadia Majestade foi apresentado no Festival Kino Beat, que ocorreu em meados de dezembro, no Museu de Arte do RS.  O produto, que fica na fronteira entre a fotografia, poesia, prosa, e tem formato documental se baseia na história do casal de ambientalistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, mortos em 24 de maio de 2011, em Marabá (PA). José era membro do grupo ambientalista Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS, e vinha recebendo ameaças de madeireiros e criadores de gado devido a sua atuação na defesa da floresta tropical. Em 4 de abril de 2013, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento, foram sentenciados a 42 e 45 anos de prisão pelo assassinato dos defensores de direitos humanos.

O crime que ocorreu no início da década chamou a atenção do artista Tomaz Klotzel. “Eu comecei a ler mais sobre o assunto e entender mais sobre esta região da Amazônia. Então, teria o segundo julgamento do mandante do assassinato de José Cláudio e Maria, fui para o julgamento e acabei indo para a região de Marabá”, conta. Tomaz ficou no local por um mês e meio, conheceu a CPT – Comissão Pastoral da Terra, órgão que dá assistência aos povos da região amazônica e visitou os locais onde tinham ocorrido os assassinatos, afinal, ali havia uma disputa de terras em que outros casos já tinham ocorrido.

Conversou com testemunhas, parentes, sobreviventes e iniciou pesquisas nos registros policiais. Ao ler o texto de julgamento começou a entender os casos. Aos poucos percebeu que o que tinha em mãos poderia ser denunciado. Para isso, usou sua  arte.

“Quando eu chegava nos locais eram lugares sem memória, como uma beira de estrada, uma rua, ou capoeira na mata. Então, o interessante era que os eventos desapareciam, mas os locais davam testemunho do processo de invisibilidade. Um processo violento que tem um objetivo específico, invisibilizar populações. Ao mesmo tempo, eu vi que a coleção de relatos que eu tinha me ajudava a reconstruir essa imagem. Eu comecei a pensar em uma maneira de apresentar um trabalho que unisse a fotografia e o texto e que isso pudesse construir uma imagem” – Tomaz Klotzel 

Assim, nasceu Ousadia, Majestade!

Ousadia para conviver na floresta

Foto do trabalho Ousadia, Majestade! de Tomaz Klotzel

Meu esposo era um sindicalista, vivia na luta, trabalhando, lutando para adquirir um pedaço de terra para trabalhar, ele e a minha filha. E acabou sendo assassinado aqui dentro de casa. E no dia do assassinato a casa aqui estava cheia de gente. Tinha até uma criança recém nascida, deitada na rede. – Cleonira Barbosa da Silva Torres, viúva de Pedro de Oliveira Torres (Foto e Texto: Tomaz Klotzel)

Confira o áudio completo

Foto do trabalho Ousadia, Majestade! de Tomaz Klotzel

Aqui foi aqui que  aconteceu a tragédia. Hoje é uma casa diferente, era uma casa de madeira na época, simples. Eram 7 horas da noite, vieram dois rapazes, bateram na porta, entraram. Executaram a minha mãe, Cleonice, meu pai José e meu irmão caçula que estava na rua. – Edinaldo Campos Lima, filho das vítimas (Foto e Texto: Tomaz Klotzel)

Confira o áudio completo

Foto do trabalho Ousadia, Majestade! de Tomaz Klotzel

A Curva do S é um lugar de tristeza para mim. Porque nós convivemos ali. Eu não sinto aquele lugar ali como a moradia de pessoas alegres. A gente sente a presença, quando chega naquele local – não sei se acontece com outras pessoas, ou se é porque isso não sai da minha cabeça, e acho que só vai sair quando eu morrer mesmo. – Maria Jesuíta de Araújo, sobrevivente do massacre (Foto e Texto: Tomaz Klotzel)

Confira o áudio completo

Foto do trabalho Ousadia, Majestade! de Tomaz Klotzel

A moto saiu da ponte e caiu aqui na frente. O tiro pegou de lado nele. Terminaram de executar ele e depois executaram a Maria. – Zé Rondon, cunhado das vítimas. (Foto e Texto: Tomaz Klotzel)

Confira o áudio completo

Tomaz criou a obra como uma forma de indagar como se constrói uma imagem e sua constituição. Atualmente, está em exposição no Vídeo Brasil, até 2 de fevereiro. 

“A resolução expográfica do trabalho é uma das maneiras de apresentar. A outra é a que apresentei no MARGS, uma palestra com um texto não exatamente explicativo, mas que lida com algumas ideias e questões poéticas. O trabalho é uma coleção de dados que pode ser apresentada de diferentes formas” – Tomaz Klotzel

Por quê Ousadia e Majestade? 

Ousadia era uma expressão que a Maria tinha, ela dizia: “É necessário ousadia para conviver com a floresta”, o que é muito interessante, porque eles enfrentavam grandes madeireiros. Existe uma expressão que é consórcio, quando vários poderes se reúnem nessa violência que visa silenciar, Zé Cláudio e Maria foram assassinados por um consórcio de madeireiros e de outros poderes. Ousadia não era da luta, mas do convívio. A ousadia de ter a coragem de não batalhar. Já Majestade é o nome de uma castanheira centenária, 60m de altura, que está no lote de terras do casal. – Tomaz Klotzel

O Artista

Tomaz ,40 anos,tem bacharelado em Fotografia pelo Senac/SP e se considera um nômade: está onde tem trabalho. Suas andanças incluem São Paulo, Marabá, Buenos Aires, Rio de Janeiro, mas suas raízes estão em Pelotas (RS). O pai assinava a revista National Geographic, cujas fotos o encantavam. A fotografia de guerra era uma de suas aspirações, queria viver coisas extremas e liberar o hormônio da adrenalina.  

Este gaúcho já desgarrado de seu pago levou um tempo até se entender como artista, resultado do trabalho Meteora, no qual fez um cruzamento de investigações sobre o tempo a partir da ativação de ideias como memória, rito e materialidade. “Foi quando eu tive mais contato com a arte contemporânea. Lá eu conheci outros artistas e minha cabeça explodiu”, afirma Tomaz que prefere não delimitar seu trabalho dentro de mídias. “Para mim, nunca fez muito sentido essas divisões (Fotografia, Cinema, Pintura, Música, Poesia), pelo menos na história da arte, século XX, os caras exploravam os limites. Como assim fotografia? Aí eles faziam fotogramas. A fronteira é um lugar específico”, conta o artista. 

O artista também fala sobre ausência. Para ele, as artes visuais sofrem um esgotamento que é do visual, afinal, como podemos fazer uma imagem que seja interessante? Até que ponto podemos trabalhar com ela? “Talvez, assumir uma incapacidade de registro da fotografia, pelo consumo excessivo de imagens algumas coisas se tornam invisíveis”, diz o artista que usa justamente a ausência em seu trabalho Ousadia, Majestade!

The post A ousadia de não lutar, mas conviver na floresta appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/01/02/a-ousadia-de-nao-lutar/feed/ 0