wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Luz e som como elemento narrativo appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O processo criativo foi baseado na optical art (obras baseadas na ilusão de ótica) e na confluência entre luz, imagem, música e corpo. Com o tempo foram retirando alguns elementos de cena, como o corpo e a projeção, até restar apenas luz e som.
“Então, começamos a entender uma outra linguagem, um outro modo de utilizar a luz. Ela deixou de ser uma ferramenta para iluminar e começou a ser compreendida, assim como a música, como uma possibilidade de percepção para as pessoas. – Mirella Brandi
Então, a luz ganhou uma importância maior em suas performances. Assim, vieram outros trabalhos como Transtorno, Outro , Rente e Vampyroteuthis Infernalis. Uma parceria que existe até hoje e rendeu prêmios como o Rumos Itaú Cultural (2006), Rumos Música (2010/2012) e Caixa Cultural (2009), além de estabelecer e reconhecer os artistas estabeleceu no nicho do cinema expandido.
Axioma significa uma sentença ou proposição que não é provada, mas considerada como óbvia ou como um consenso inicial para a construção e aceitação de uma teoria. Para Mirella e Muep, Axioma é como uma névoa cerebral. Trata-se de verdades inquestionáveis, uma hipótese inicial, ou um princípio.
A performance que mescla elementos de luz e som traz uma complexa composição musical, o trabalho envolve gravações de piano e instrumentos acústicos propositalmente adulterados com vozes processadas digitalmente em tempo real. Uma experiência imersiva cuja narrativa quem cria é o próprio público.
Confira os vídeos:
O jogo de luz emulado pela artista Mirella Brandi constrói um ambiente propício para se imaginar, afinal, a ideia é fazer um deslocamento. Viajar para outro país ou até mesmo um outro planeta. Quem cria o roteiro é o espectador. A trilha sonora desenvolvida por Muep também é crucial para a imersão, com sons que podem remeter a memórias e lugares. Sobre a história criada pelos artistas, eles preferem manter em segredo.
Se a gente contar o início de onde estas cenas aconteceram, de onde veio a composição musical, a gente está direcionando essas pessoas para que elas entendam o show ou espetáculo como a gente entende. Não é o nosso propósito, nosso propósito é deixar elas livres para levar essas histórias para onde elas quiserem. – Mirella Brandi
A gente vive na era da emulação, não? Então, a gente emula sensações com equipamentos originais. Talvez, possamos emular a ideia do que temos como ponto de partida. Mas, você pode ir para qualquer lugar (com a sua compreensão), você pode ir para a china. – Muepetmo
Em Axioma, Mirella e Muep voltaram a usar a projeção em cena, um elemento que esteve em suas primeiras performances, mas ficou de lado por algum tempo. “A gente foi deixando de usar o projetor, porque ele preenchia demais a cena, quando você projeta um vídeo ou um filme, a projeção é carregada de códigos, então, não sobra espaço para outras linguagens”, conta Mirella. A performance de Axioma recupera o projetor, mas o utiliza como fonte de luz.
Uma das características de Mirella e Muep é criar projetos não destinados a um espaço específico. Por exemplo, a performance VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS, foi exibida ao ar livre, dentro de um bosque, no Sesc Ipiranga, em São Paulo. Este mesmo projeto foi apresentado em uma galeria, na cidade de Berlim.
O espaço em que os projetos são apresentados também influencia na percepção do público. Em uma das exibições de RENTE, o local disponível era muito pequeno. Mirella conta que a situação de estar apertado levou as pessoas a criarem histórias meio sinistras. “Teve um cara que veio falar com a gente, dizendo que tinha entendido a história e se visto naquele barco de refugiados. Ele viu que o barco virou e todo mundo caiu no meio do oceano. Estava escuro. Então, ele ouviu uma criança gritando”, conta a artista. Apesar de esta não ser a história inicial, a performance ocorreu na Europa, onde a situação dos refugiados era muito presente.



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