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Arquivos #letrasinsubordinadas - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/letrasinsubordinadas/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 18 Aug 2021 15:08:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 A vida pelos olhos da arte https://mescla.cc/2021/08/18/a-vida-pelos-olhos-da-arte/ https://mescla.cc/2021/08/18/a-vida-pelos-olhos-da-arte/#respond Wed, 18 Aug 2021 14:50:39 +0000 http://mescla.cc/?p=15446 Não é raro encontrar professores da Escola da Indústria Criativa da Unisinos envolvidos com projetos para além da sala de aula. É o caso de Mariléia Sell. Ela lançou este ano seu primeiro livro, “Letras insubordinadas”, uma coletânea de seis contos autorais. A apresentação é de Márcia Lopes Duarte, e a edição é de Daniel […]

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Não é raro encontrar professores da Escola da Indústria Criativa da Unisinos envolvidos com projetos para além da sala de aula. É o caso de Mariléia Sell. Ela lançou este ano seu primeiro livro, “Letras insubordinadas”, uma coletânea de seis contos autorais. A apresentação é de Márcia Lopes Duarte, e a edição é de Daniel Cunha. “Eu sempre amei a literatura. Desde criança, leio muito, e o meu sonho mais antigo é o de ser escritora”, revela Mariléia. 


“Letras insubordinadas” está disponível como um encarte da Revista Escape, inaugurando uma série de cadernos que serão publicados em formato de livro. A obra, que estreia Mariléia no mundo literário, é composta pela seleção de seus contos favoritos, veiculados originalmente no periódico Visão do Vale. O convite para publicar o livro veio de Daniel, que já tinha uma relação com o trabalho textual da autora, uma vez que é o responsável pela produção do site dela.


O livro “Letras Insubordinadas” não somente carrega o mesmo nome do site de Mariléia, mas também a mesma inspiração: a vida como ela é

Contos sobre o ordinário


Com histórias inspiradas pela vida cotidiana, o livro, para Mariléia, carrega um significado: “A mensagem, se é que há uma, é essa: a vida comezinha é um prato cheio para a arte”, sublinha. Os contos abrangem da realidade vista pelos olhos de Marinalva, uma galinha especial, até uma travessia carregada de esperança, todos os textos abordando um aspecto diferente das narrativas que cercam a existência costumeira. 


Dentre os contos favoritos escolhidos para o livro, a escritora não deixa de ter seus queridinhos, da mesma forma que um leitor costuma ter. O que ela mais gostou do resultado foi “O professor de Português”, que trata sobre a visão de uma aluna com um crush em seu professor. Mariléia acredita ter alcançado nesse texto uma qualidade de escrita mais elaborada. Entretanto, a história que mais estimou contar foi “Quarentena”. “O conto fala de um grupo de idosos que teve que deixar de se encontrar para jogar canastra durante a pandemia. Eu gostei de escrever porque eu contei a história do meu avô nesta quarentena”, comenta a autora.


Entre os contos, por mais diversos que sejam entre si, é possível encontrar duas coisas em comum: a comédia e o feminino. Mariléia diz que a comédia é uma forma de explorar o lado risível da vida, mesmo na tragédia, como forma de expurgar, se desfazer dos sentimentos ruins. Sobre o feminino, é o resultado da maneira que a escritora enxerga sua área. 


“Eu trago muitas personagens femininas e busco, com o meu olhar informado, desconstruir estereótipos de gênero e tantos outros. Penso que a literatura é justamente essa possibilidade de alargar horizontes sobre a vida, sobre as identidades, e possibilidades de existir”, observa Mariléia, que leva essa filosofia para outros aspectos de sua vida. Ela é pesquisadora na área de gênero e identidades e uma orgulhosa ativista feminista. Ela, inclusive, faz palestras sobre a importância de falar sobre gênero como forma de diminuir as desigualdades.


Uma nova fase


Mariléia, que está muito feliz com essa publicação – para ela, significa visibilidade e reconhecimento –, está recebendo convites para realizar workshops sobre escrita. Além disso, pessoas ativamente comentam sobre sua obra. Mesmo assim, segundo ela, isso não significa que já alcançou o que queria. Na verdade, esse foi só o começo. A autora já concluiu seu próximo livro, produzido durante a pandemia.


“Esse período me trouxe mais introspecção, recolhimento, o que não significa, necessariamente, paz, pois, para mim, escrever é um processo de muita angústia, muitas vezes”, explica. Para ela, a única maneira de lidar com essa angústia é escrevendo. Essa ação não é opcional, mas sim uma “necessidade de alma”. 


Seu próximo livro, que tem o título mantido em segredo, vai envolver magia. Narrará a história de uma ordem antiga de curandeiras e a ligação que ela tem com uma herança deixada por uma benzedeira à sua neta, desenrolando, assim, uma trama repleta de mistérios. O romance, que está em fase de revisão, foi finalizado em maio deste ano, e será publicado até o primeiro semestre de 2022.


Enquanto esperamos pelo novo lançamento da autora, é possível conferir mais de seus trabalhos através de outras fontes. “Sugiro o conto “O diabo mora comigo”, que foi premiado e publicado em uma coletânea portuguesa chamada Mulherio das Letras. Fala sobre abuso sexual, um tema pesado”. A escritora também tem uma grande seleção de obras em seu blog.

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