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Nossa agência começou a vida adulta lidando com a sua primeira crise global – bem melhor do que espinhas –, e tem se saído bem. Nessa fase, não é tão estranho ficarmos fechados em nossos quartos, passando horas e horas no computador. Pessoal das origens: o que vocês faziam no quarto quando não existia computador? Brincadeira. Essa também é a nossa forma de lidar com tudo que tem acontecido, tentando aliviar o clima que já é pesado por si só. Na Agex, piadas internas são compartilhadas, assim como o cansaço da tecnologia. Nós sabemos porque estamos longe um do outro, mas ansiamos pelas reuniões com xícaras de café e canetas permanentes na mesa.
Por isso, quando começamos a escavar um pouco a história da agência, desenterramos lembranças e sentimentos. A cada ligação, a cada “pena que a gente não consegue conversar pessoalmente”, fomos desbravando as memórias afetivas das pessoas que ajudaram a criar essa agência, que é adolescente em idade e na alma. Foram ex-estudantes, hoje profissionais nas suas áreas criativas, dando seus passos ousados no mercado de trabalho. Foram professores que passaram por diferentes fases da vida da Agex, lidando com os processos de amadurecimento que nos trouxeram até aqui. Foram os funcionários que sempre se desdobraram para manter a agência de pé, ainda servindo de irmãos mais velhos, pais e mães dos estagiários. Todos sempre começaram com um suspiro e uma pausa, aquela sensação de lembrar de um lugar querido.
Ouvi histórias sobre tantos bebês que daria para escrever um livro sobre as crianças que nasceram na agência. Algumas delas já estão na escola, trilhando seus pequenos passos, que talvez os levem para a comunicação também. Quem sabe? Ouvi tantos relatos sobre animais estranhos que invadiram a agência ou foram trazidos pelos estudantes, que sugiro dar uma checada na sala quando voltarmos ao presencial. Tartarugas só serão admitidas com coleira e identificação. E como esquecer que uma estudante parou de tomar café com açúcar porque a Cybeli, nossa coordenadora, acha “bagaceiro”?! São coisas que só acontecem nesse ambiente, que é sério, porém não desanimado.
Questionar sobre as coisas que foram vividas na Agexcom desperta inenarráveis memórias, que despertam outras, e outras. Assim, as histórias, na verdade, nunca terminam. São 18 anos. É prepotente pensar que 18 semanas dariam conta de relembrar tudo, de homenagear todas as pessoas e todos os acontecimentos que fizeram a Agex ser o que é hoje: um espaço de aprendizagem. Daria mais uma matéria apenas sobre isso: os alunos que tiveram sua primeira experiência profissional ali.
Evoluir da pessoa que não sabia como começar uma entrevista até a que tem coragem de ligar para um nome conhecido nacionalmente e perguntar “e aí, quando podemos conversar?” foi trabalho da Agexcom. E esse nem é o maior crescimento que já testemunhei, mas como é o meu, posso falar com propriedade. Junto com a Agex, eu também devo ter finalmente chegado na vida adulta.
E, como bons adultos, não vamos lamentar por muito tempo não estarmos próximos nesse momento. A nossa vida, como agência, só está começando. E eu sei que todos estão tristes por não podermos realizar as confraternizações de final de ano, nem distribuir prêmios aleatórios com temáticas controversas — o que é o Grammy perto do Agex Awards? Sim, eu também estava esperando ganhar mais prêmios esse ano, mas teremos que esperar. Para os estagiários que estão chegando, eu garanto: quando estivermos todos juntos na nossa sala barulhenta e criativa, vocês vão gostar ainda mais. E para aqueles que já estão aqui há um tempo, obrigado por ficarem e por ajudarem nossa agência ser esse lugar incrível.
E se eu puder pedir um presente de Natal, que todos fiquem saudáveis e seguros até nosso isolamento acabar. Aprendemos neste ano que a Agex não é apenas física, mas feita por todos nós. Então, não pode faltar nenhum pedacinho.
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Que a Unisinos tem uma vida (quase) selvagem bem ativa, todo mundo sabe: patos, lagartos, pássaros e outros seres estranhos, além de cães e gatos. Todo mundo é bem-vindo no campus São Leopoldo. O que nem todo mundo sabe é que às vezes o pessoal da Agexcom também gosta de interagir com esses animais…
“Certa época na Agexcom, durante um período de muito calor, surgiram algumas baratinhas. Sempre que alguém dava um grito inesperado, já se sabia que era uma barata. Uma delas ganhou o apreço de alguns estagiários e até ganhou nome. Quando a barata morreu, fizeram um funeral solene. Enterraram no vaso de plantas da recepção da agência. Tinha até uma lápide.” — Cris Rodrigues, RP que sobreviveu aos insetos.

“Uma vez, no horário do almoço, um grupo de estagiários entrou na agência com uma tartaruga! A princípio, queriam ajudar a coitada, porque acharam que estava perdida. Colocaram ela dentro de uma caixa, mas a bichinha fez xixi na caixa, e depois saiu fazendo xixi pela agência. Acho que ela estava mais apavorada do que perdida.” — Cris Rodrigues (sempre lidando com estagiários que trazem animais estranhos)

Além dos animais, os estagiários da Agexcom também parecem propensos a se envolver em competições das mais absurdas. Toda reunião que envolva três ou mais pessoas, acaba se tornando uma maneira de escolher um novo título a ser disputado. Nem mesmo as comemorações anuais escapam do clima competitivo.
“Na festinha Julina de 2019, na hora da dança das cadeiras, a competição ficou acirrada. Como era um dos dois últimos participantes, a adrenalina estava a mil, mas não estava pensando que, quando a música parasse ia agarrar a outra pessoa e jogar longe. Foi no calor do momento! Não pensei duas vezes, na hora, que tinha que tirar o concorrente do caminho. Acho que estava um pouco competitivo no momento…” — Pedro Hameister, estagiário de Jornalismo que me jogou longe para vencer a brincadeira.
“Um dia, um dos nossos colegas, o Josiel, levantou a questão de que não era possível comer bolacha de água e sal rápido, que se engasgava com os farelos. Isso foi o suficiente para virar uma competição. E eu ganhei! Mas o mais surpreendente na verdade era que o Josiel realmente não podia comer rápido ou engasgava. Tivemos uma longa discussão de como comer sem grudar tudo na boca.” — Cléo Rosa, ex-redatora, vencedora da maior competição alimentícia da Agexcom.

“Na minha segunda semana de estágio, fui mandar um link do Buzzfeed para minha colega e acabei mandando no grupo da agência. O link dizia: ‘Esse cara leu uma fanfic erótica de Harry Potter achando que era o livro cinco’. Quando escutei uma risada coletiva gritei: ‘Grupo errado, galera! Desconsideraaa!’.” — Eduarda Bitencourt, ex-estagiária e leitora assídua de fanfic perigosas.

“No mesmo dia da dança das cadeiras, havia uma cadeia preparada. Era preciso pagar para prender, ou pagar para sair, senão tinha que esperar um tempo. Ficavam me prendendo direto… e eu só queria comer! Pegaram meu celular falso, aí descobriram o verdadeiro e pegaram também. Então liguei o computador e o projetor, abri um site fake de hacker e ameacei derrubar o site. Não funcionou.” — Bernardo Braga, ex-estagiário de programação, alvo de prisões indevidas.

“Tínhamos uma esponja no banheiro feminino da agência, que servia para lavar os potinhos e as canecas. Mas ela ficou lá muito tempo… e quando a Cris foi colocar fora, já tinha coisas vivas morando nela. Foi muito nojento, deixou todas as meninas traumatizadas. Eu passei a limpar minhas coisas com papel.” — Larissa Schmidt, laboratorista traumatizada.

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É lá, na Vanessa, que muitas histórias acontecem. Ou aconteciam, antes da pandemia chegar. Entre uma xícara de café, um pote de pipoca feita na Pipokleide, a pipoqueira à base de ar quente, e um prato de massa bem quente, estagiários, professores e funcionários se espremiam – na época em que ainda dava para se aglomerar – para pequenos momentos de relax. Tá, mas, porque Sala Vanessa?
Vanessa existe de verdade, e se chama Vanessa Cardoso. Ela foi professora da Unisinos dos cursos de Design e de Publicidade e Propaganda. Chegou à Agexcom aos poucos, primeiro como professora orientadora substituta por apenas uma tarde. A experiência deu tão certo que Vanessa, tempos depois, assumiu o Núcleo de Publicidade e Propaganda da Agex.
Rapidinho, Vanessa conquistou a equipe. Gabriele Ferrari, estagiária do Núcleo de Relações Públicas na época, lembra da professora com carinho. “A Vanessa era alto astral, tranquila e divertida. Na hora de questionar, ela sabia ser firme, sempre com o intuito de nos fazer aprender e aberta para aprender com a gente”, conta a estudante. “Era uma relação de amizade mesmo. Não havia tensão ou medo de falar com ela. Pelo contrário, nos sentíamos muito à vontade.”
Segundo recorda a relações-públicas da Agexcom, Cristiane Rodrigues, muitas vezes, Vanessa se mostrava presente em outros momentos da vida dos alunos. “Ela ia nas festas de aniversário. Era parceira dentro e fora da Agex”, destaca. Aliás, em se tratando de trabalho, Vanessa tinha uma habilidade especial. “Para mim, ela ficou marcada como a pessoa que desenhou um dos melhores fluxos de trabalho da Agex”, comenta Cris, entre risos.
Mas a vida passa e novos desafios chegam. Na época que Vanessa anunciou sua saída da Universidade, a agência estava passando por alterações no layout do seu espaço físico. Então, em homenagem à querida professora, batizaram a nova sala de convivência como Sala Vanessa. “Começou como uma brincadeira, mas, no fim, realmente pegou”, conta Gabriele.
Para quem não conhece essa sala, além da cafeteira (sempre bom lembrar dela), existe um sofá perfeito para se recuperar de crises de enxaqueca ou bater um papo antes de começar o trabalho. Foi por causa de uma dessas fortes dores de cabeça que Bianca Nunes, estagiária do Núcleo de Relações Públicas, achou que eu (eu mesma, a repórter) tinha desmaiado no sofá. “Avisei a Lisandra e ela correu até lá. Mas tu só estava tirando uma soneca”, ri ela até hoje.
A Lisandra, aliás, é estagiária do Núcleo de Jornalismo. Ela lembra que foi na Sala Vanessa que aprendeu – ou tentava aprender – a fazer um bom chimarrão. “Tínhamos a tradição das listas de responsáveis pelo café e chimarrão”, explica. “Fazer o café era de boas, mas o meu dia do chimarrão era sempre um pesadelo. Eram muitas possibilidades de dar errado. Ferver demais a água, entupir a bomba, o chima desmoronar em segundos e, é claro, o fato que eu não saber nem começar a fazer o chimarrão…”, enumera a futura jornalista. “Nós trabalhamos muito bem juntas”, acredita Lisandra, depois de rir por mais de cinco minutos sem parar e sem nenhum motivo aparente.
O ar que circula na Vanessa, aparentemente, faz as coisas ficarem mais engraçadas. “Era só virar a cuia de lado, colocar a erva e esperar a água ferver”, analisa, muito seriamente. “Agora, no home office, eu faço tudo igual e não é a mesma coisa. Talvez eu precise fazer uma vídeo aula.”
Fora as discussões sobre aulas e quantidade de café a ser produzido, grandes decisões foram tomadas ali. Foi o aconteceu com a Eduarda Bitencourt, que, certa vez, estava atrás de açúcar, e a professora Cybeli Moraes, coordenadora da agência, disse: “Café com açúcar é muito bagaceiro”. A então estagiária da Área de Jornalismo, que esteve na Agex até 2019, agora comemora três anos tomando café preto e bem amargo.O açúcar é um ingrediente muito presente nas receitas criadas pelos aspirantes a chefs na Sala Vanessa. Em 2018, os estagiários decidiram fazer brigadeiro no microondas, o que quase deu muito errado, porque ninguém sabia a receita. Mas, no fim, deu certo, e o brigadeiro foi apreciado pela galera. As canecas personalizadas usadas na experiência ainda existem e estão guardadinhas no armário de itens culinários da agência.

Existe uma história de terror que envolve um rato que morava no sofá da Sala Vanessa e a morte dele por explosão, mas o ex-estagiário do Núcleo Web Bernardo Alvarez Braga garante que viu o corpo do falecido. Um mito derrubado com sucesso. No entanto, a competição de bolacha de água e sal é verdade, e quase rendeu estudantes engasgados. No meio disso tudo, conversas importantes foram realizadas naquele pequeno espaço, como orientações de TCC e até uma entrevista com um membro da ONU, feita pela Eduarda, via WhatsApp, já que ele estava em Paris.
Enquanto o distanciamento social continua, e toda a galera da Agexcom permanece trabalhando em home office, estagiários, professores e funcionários esperam poder voltar logo a manusear as canecas, a cafeteira, o microondas e sentar naquele sofá, testemunha de conversas absurdas, mas, sobretudo, de momentos de felicidade.
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Os livros do escritor, nascido no Japão em 1954 e radicado na Inglaterra, trabalham temáticas como tempo, memórias e lembranças. Aos 62 anos, Kazuo Ishiguro publicou oito livros de romance. Sua produção literária já foi traduzida para mais de 25 idiomas e dois de seus romances foram adaptados para o cinema – “Os vestígios do dia”, 1989, e “Não me abandone jamais”, 2005.
O Portal Mescla compilou em uma lista cinco obras de Kazuo Ishiguro para você ter na estante:
‘Uma pálida visão dos montes’, 1982
O livro, que foi publicado no Brasil pela editora Rocco em 1988, é o primeiro romance do escritor. Ele conta a história de uma sobrevivente da bomba nuclear de Nagasaki, não por acaso, cidade de origem do escritor.

‘Os vestígios do dia’, 1989
O livro teve sua segunda edição, no Brasil, publicada em 2016 pela editora Companhia das Letras. A obra, vencedora do prêmio Booker Prize, em 1989, conta a história do mordomo Stevens, que já próximo da velhice, rememora os 30 anos dedicados à casa de um nobre britânico, depois ocupada por um milionário americano. “Os vestígios do dia” foi adaptada para o cinema em 1993. Assista o trailer.

‘Quando éramos órfãos’, 2000
Nesta obra o autor conta a história do detetive Christopher Banks, que retorna a Xangai, sua terra natal, onde os pais desapareceram misteriosamente 20 anos antes. No livro, Kazuo Ishiguro retorna a ficção, falando sobre o poder do passado de determinar o presente das pessoas. O livro foi publicado pela Companhia das Letras, em 2000.

‘Não me abandone jamais’, 2005
Este romance ficcional do escritor teve adaptação para o cinema, em 2010, e foi finalista do prêmio Man Booker Prize 2005. Na obra, Kathy relembra os anos em que viveu em um orfanato no qual todos os “alunos” eram clones, produzidos para servir como peças de reposição, na doação de órgãos. A segunda edição do livro publicada no Brasil foi feita pela Companhia das Letras, em 2016. Assista o trailer.

‘O gigante enterrado’, 2015
No livro, publicado em 2015 pela Companhia das Letras, o autor caminha por um mundo de fantasia, onde aborda temas como amor, guerra e memória. Nesta obra, Kazuo Ishiguro, aproximou-se de autores como George R. R. Martin e Tolkien. Na história, os personagens precisam lidar com as indefinições do amor e uma misteriosa névoa do esquecimento.

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