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]]>Algumas dessas matérias se tornam marcantes para quem as faz, e seguem sendo lembradas mesmo após os repórteres terminarem a faculdade. Pensando nisso, nós, do Portal Mescla, entramos em contato com cinco jornalistas que se formaram em Jornalismo pela Unisinos (São Leopoldo e Porto Alegre) para nos contar um pouco sobre matérias produzidas na Beta que são fonte de orgulho.
Leonardo Vieceli, repórter na GaúchaZH
“Em 2015, o ex-deputado estadual e vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu, Diogo Paz Bier (mais conhecido como Mano Changes) assumiu a diretoria do Badesul, e concedeu uma entrevista para a Beta Redação sobre seu trabalho lá.
Essa entrevista que fiz, combina assuntos pelos quais tenho interesse (economia e política) com um dos gêneros mais bacanas do texto jornalístico, o perfil. Quando produzi a matéria, a intenção era mostrar como um personagem conhecido como músico e deputado enfrentava uma nova função: a de diretor de um banco público.”

Jean Peixoto, repórter no Jornal VS
“Entre todas as experiências maravilhosas que tive ao longo da graduação em Jornalismo, como os jornais Babélia e o Enfoque Vicentina, por exemplo, a Beta Redação foi, sem sombra de dúvidas, o melhor laboratório para a minha preparação como jornalista. Ali, tive a oportunidade de entrevistar o governador do Estado, de aprimorar meus conhecimentos sobre edição de vídeo e contar muitas histórias.
No entanto, penso que o grande mérito da Beta é a possibilidade de fazer jornalismo em grupo, simulando uma redação, de fato. Editar o trabalho do outro é uma responsabilidade imensa, assim como ter o seu trabalho editado por outra pessoa também é um exercício de aceitação, aprendizado e de construção coletiva, que vem me acompanhando em todas as minhas experiências profissionais e de vida desde lá. Por esta razão, escolhi a entrevista que fiz com o então governador do RS, José Ivo Sartori, que foi um trabalho coletivo. Trabalhamos com texto e vídeo para propor uma cobertura multiplataforma. Aprendi muito fazendo essa entrevista e me orgulho do resultado dela, especialmente, porque foi feita com colegas queridos que também são excelentes profissionais.”

Victória Lima, social media na Usina de Notícias
“De todas as matérias que fiz para a Beta Redação, essa foi a que mais me proporcionou a sensação de estar inserida em uma redação jornalística. A decisão do STF (de acabar com a prisão após condenação em segunda instância) saiu justamente naquela noite em que eu estava em aula na Beta Política, era por volta das 21h. Assim que eu soube da decisão, comecei a apurar as informações e contei com a ajuda da minha editora Caroline Tidra para levantar as fontes. Foi uma adrenalina, e em 1h30min a matéria estava no ar.
Diferente de outras reportagens que realizei na Beta, essa me proporcionou uma conexão maior com o fato, com a notícia em si, do que com a estética do texto final. Não que o jornalista não deva se preocupar com sua escrita, mas até ali eu não havia experimentado esse outro lado do jornalismo.”

Paulo Egídio, repórter de política na GaúchaZH
“Essa reportagem expôs uma proposta legislativa que estava tramitando na Câmara de Porto Alegre, cujo teor ainda não havia sido noticiado por veículos de imprensa e cujo tema provocou um debate sobre a possibilidade ou não de os vereadores terem mais controle sobre o orçamento da cidade.
Foi importante para minha formação produzir esse conteúdo porque, durante a realização, pude entender melhor como funciona a articulação de bastidor no poder Legislativo. Essa compreensão contribui muito para minha atividade profissional, que é o jornalismo político. Além disso, pude jogar luz sobre um tema que é de interesse público, conceito que considero um norteador da nossa profissão.”

Tainá Rios, redatora na agência de conteúdo Doxxa
“Eu tenho dois grandes momentos de matérias que fiz na Beta. O primeiro que gosto muito de lembrar é a “#OcupaTudoJulinho”, que fiz com meu colega Vinicius Ferrari para a editoria de Geral. As escolas estaduais estavam em greve e fazendo ocupações, e a gente conseguiu entrar no colégio Júlio de Castilhos porque éramos uma mídia independente e universitária. Eles deixaram a gente entrar e passar uma tarde lá dentro com eles. Os alunos e professores foram muito receptivos com a gente, assim que entramos eles nos mostraram a escola e como estava funcionando a ocupação. Na matéria tem um mini documentário com filmagens lá de dentro, e a gente colocou os alunos como protagonistas para explicarem como estavam se organizando naquele momento.
Outro momento muito especial foi na editoria de Cultura, onde participei da cobertura do “Cássia Eller – O Musical”. Eu sou muito fã da Cássia Eller e estava esperando ansiosamente por esse musical. Já assisti ele três vezes, e a primeira vez foi como repórter de Cultura da Beta. Conversamos com uma das atrizes principais, com o produtor e roteirista da peça, acompanhamos o musical e fizemos uma crítica. Foi muito legal porque conseguimos colocar vários formatos de linguagem do jornalismo cultural.”

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]]>Muito conhecida (e, às vezes, temida) pelos estudantes de Jornalismo, o Laboratório de Jornalismo, ou a Beta Redação, é um projeto nascido em 2015 com a proposta de dar aos futuros jornalistas a experiência de imersão própria de um veículo de imprensa. No caso, um jornal multiplataforma alimentado pelos alunos, com propostas de pautas trazidas e elaboradas por eles próprios e sob orientação dos professores. No currículo do curso, há cinco Laboratórios de Jornalismo (Beta Redação), divididos em cinco editorias jornalísticas: Esporte, Geral, Economia, Política e Cultura.
Depois de 5 anos, a Beta já passou por inúmeras transformações, sempre na perspectiva de aprimorar o ensino e a experiência prática de aprendizagem. Quem estiver cursando a Beta Redação pode exercer a função de repórter, editor, editor das mídias sociais e, ainda, a de ombudsman da publicação. Todo trabalho realizado dentro da Beta é supervisionado pelos professores alocado nas editorias, mas a produção fica toda nas mãos dos estudantes.
Para marcar esse aniversário, nós, do Portal Mescla, preparamos uma série de matérias sobre a Beta Redação, nas próximas semanas. As reportagens mostrarão seu surgimento, suas parcerias e suas principais produções.

Os coordenadores do curso de Jornalismo da Unisinos, Micael Behs e Débora Gadret, contam do orgulho que sentem ao ver o que a Beta Redação se tornou após estes 5 anos. Behs afirma que a atividade da Beta é um diferencial da Unisinos em relação a outros cursos de Jornalismo e que os professores seguem fazendo reuniões regulares para aperfeiçoar esse projeto e para torná-lo sempre atualizado em relação às tendências e perspectivas da área.
“Mas talvez o mais significativo de tudo é perceber a Beta Redação como uma fonte de informação confiável para a comunidade acadêmica da Unisinos, para os próprios estudantes e para tantos leitores que tiveram um primeiro contato com o projeto e seguem acompanhando o nosso fluxo de publicações diárias”, diz o coordenador.
Débora acrescenta que, como a Beta é um laboratório experimental, ela está sempre se transformando a partir de experiências passadas, e hoje ela é o resultado de um trabalho tanto dos professores quanto dos alunos, que trazem novas ideias e perspectivas para o veículo. Ela cita como exemplo disso a pandemia do novo coronavírus que estamos enfrentando.
“Semestre passado, quando a pandemia iniciou e tivemos que migrar as aulas da Beta para o regime remoto, foi bastante difícil a adaptação do modelo de funcionamento das atividades inicialmente. Mas por meio de tentativas e de troca de ideia com os alunos, conseguimos experiência para melhorar o ensino para esse semestre”, comenta Débora.
Já o professor Felipe Boff, que dá aula em quatro, das cinco atividades da Beta Redação, diz que se sente muito gratificado ao ver o que esse veículo representa hoje em dia. Tendo uma longa trajetória trabalhando em redação de jornal, ele considera que segue no mesmo ramo ao coordenar os alunos da Beta.
“O que é feito na Beta é, de fato, jornalismo. Claro, é um pouco diferente de uma redação do mercado de trabalho pois é uma sala de aula e meu primeiro compromisso lá é pedagógico, mas é um espaço comprometido com o jornalismo”, defende o professor.
Para registrar toda essa trajetória da Beta, o curso de Jornalismo da Unisinos está produzindo um e-book, ainda sem data prevista de lançamento, que trará a história de como essa publicação surgiu e se aprimorou com o passar do tempo. Além disso, também foi elaborado um relato de experiência explicando detalhadamente o funcionamento da Beta. Esse relato será apresentado no 19º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), nos dias 25, 26 e 27 de novembro, para que outras universidades conheçam e se inspirem com a iniciativa da Unisinos.

Ângelo Gabriel da Silva Santos, estudante do sexto semestre de Jornalismo, está conhecendo agora a Beta Redação, como repórter na editoria de Esporte. Ele conta que já tinha ouvido vários comentários sobre o fato das cadeiras na Beta serem muito trabalhosas e cansativas. Isso fez com que ele ficasse bastante nervoso.
Porém, agora que está cursando a Beta, ele diz que esse veículo é uma experiência prática muito boa para os alunos. O estudante ressalta que os professores, além de darem aos alunos todo o auxílio necessário, também dão liberdade e os incentivam a explorar novas ideias e formatos para suas matérias.
“É importante termos um trabalho como o da Beta Redação no nosso curso para que a gente possa experimentar o jeito que a gente escreve, as matérias que produzimos e toda essa parte prática do jornalismo”, comenta.
Emerson dos Santos, do oitavo semestre, entrou para a Beta Redação pela primeira vez indo direto para três editorias: Geral, Economia e Política. Ele conta que os colegas até o chamaram de louco por causa disso, alegando que ele não daria conta por ser muita produção sem pausa. Mas não tem sido esse o caso.
“Eu entrei na Beta esperando justamente o que ela é: produção e atividade prática. Eu não tenho experiência profissional no jornalismo, nunca trabalhei na área, apenas estudei. E a Beta vem sendo muito boa pra mim nesse quesito. O impacto dela na minha vida e na minha formação está sendo bem positivo”, diz o estudante.
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