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A conversa aconteceu na última quinta-feira, 26 de agosto, através de uma videoconferência, com participação de 130 pessoas da Unisinos e do público em geral. Mesmo de forma remota, a conversa foi marcada por muita interação e assuntos importantes para o contexto atual político e informacional
“Os governos anteriores nunca ‘amaram’ a imprensa. Mas, agora é diferente. É muito hostil”
Patrícia Campos Mello

Apesar de ultimamente estar ligada a coberturas políticas relacionadas ao governo federal, Patrícia foi, por muito tempo, repórter de coberturas internacionais. Atualmente, a jornalista é repórter e colunista na Folha de S. Paulo, além de comentarista na TV Cultura. O seu contato com a política nacional e a desinformação começou em 2018, nas eleições presidenciais, quando a jornalista assinou uma série de matérias sobre o financiamento de disparos em massa no WhatsApp e em redes de disseminação de notícias falsas, na maior parte das vezes, em benefício do então candidato Jair Bolsonaro.
Desde então, Patrícia sofre com perseguições e ataques de ódio, tudo relatado em seu mais recente livro “A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, lançado no ano passado. Para a jornalista, hoje em dia há um excesso de informação. Por isso, mais do que nunca, informação de qualidade é extremamente importante.
“Sim, o jornalismo errou lá em 2018. Até pouco tempo, era um ‘parto’ para a imprensa dizer que fulano mentiu, quando ele de fato estava mentindo”
Patrícia Campos Mello
Ao analisar o cenário para 2022, a jornalista mostra-se preocupada. Segundo Patrícia, estes ataques ao jornalismo irão se intensificar com a proximidade da disputa política de 2022, principalmente, ataques contra jornalistas mulheres. “Existem diferentes estratégias de governo para deslegitimar o trabalho de jornalistas mulheres”, frisa.
Em 2020, jornalistas mulheres foram as maiores vítimas de ataques na internet, é o que mostra levantamento feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). De 72 registros de ataques contra a liberdade de expressão em meios digitais, 40 tiveram como alvo as mulheres, 56,76% do total.
Porém, parte deste cenário de desinformação e de tensões na política é culpa da própria imprensa, que cometeu diversos erros em 2018, assim como grande parte da imprensa dos Estados Unidos, em 2016, é o que pensa Patrícia. “A imprensa tratou ele (Bolsonaro) mais como uma pessoa folclórica, do que propriamente como um candidato de extrema direita, que poderia causar sérios danos à democracia”, avalia.
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