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Bruna Schlisting Machado esteve presente no evento, realizado na sexta-feira, 5 de maio, para representar o grupo, e recebeu o certificado e o prêmio de R$ 1.000,00. Ela foi acompanhada pela professora da disciplina, Luciana Kraemer, a coordenadora do curso de Jornalismo do campus Porto Alegre, Débora Lapa Gadret, e a representante discente, Paola de Bettio.

Os estudantes investigaram casos de violência de gênero nas 34 câmaras de vereadores da região metropolitana de Porto Alegre. “O grupo foi muito original em propor um tema que, apesar de urgente, é pouco investigado pelo jornalismo. Muito se fala da falta de mulheres nos espaços da política, mas pouco se apura sobre as condições de trabalho das mulheres que resolvem se candidatar e assumir cargos no Legislativo, especialmente o Municipal. É na esfera micro que a discriminação é mais difícil de ser denunciada e, por consequência, responsabilizada”, enfatiza a professora Luciana.

Levantar os dados da reportagem foi um desafio para a equipe de repórteres aprendizes. Das 34 câmaras municipais investigadas, 21 delas não responderam às perguntas feitas através da Lei de Acesso à Informação (LAI). “Obter todas as informações necessárias não foi uma tarefa simples. Nós ligamos, mandamos mensagens, falamos com vereadoras, tentamos contato com um vereador que estava sendo acusado de assédio, investigamos sessões legislativas e documentos. Tudo isso para podermos encontrar dados sobre violência política de gênero e entender melhor o que realmente estava acontecendo dentro das casas legislativas”, comenta Maria Carolina Steques, hoje egressa do curso, sobre o processo de produção da matéria.
Na abertura da premiação, o presidente do TRE-RS, desembargador Francisco José Moesch, destacou a importância da cobertura jornalística e da liberdade de imprensa para a democracia e para o processo eleitoral. “Muito além de reconhecermos e premiarmos o destacado trabalho desses comprometidos profissionais na cobertura jornalística da atuação da Justiça Eleitoral, esse é o momento de lembrarmos a importância da existência de uma imprensa livre, pautada na ética profissional, como sustentáculo do Estado Democrático de Direito. E sem o trabalho dos profissionais e das empresas jornalísticas, que garantem notícias e informações às pessoas, vamos continuar a ver a proliferação da desinformação, o desmanche das ligações cívicas, a erosão do reconhecimento das normas democráticas e o enfraquecimento da confiança nas instituições, que são essenciais à nossa sobrevivência como sociedade”, disse em sua fala aos presentes.
Além de destacar os trabalhos em nível acadêmico, o Prêmio também distinguiu reportagens profissionais. O primeiro lugar nessa categoria foi para a matéria “Como se organizam e agem os manifestantes que pedem intervenção militar”, de Humberto Trezzi, de GZH. O jornalista, aliás, foi o convidado para abrir a Semana Acadêmica do Jornalismo, na última segunda-feira, na Unisinos Porto Alegre, e contou detalhes dos bastidores dessa matéria.
A lista de premiados está aqui:
Categoria Profissional
1º LUGAR – Humberto Trezzi, com a reportagem “Como se organizam e agem os manifestantes que pedem intervenção militar” (GZH)
2º LUGAR – Mauren Xavier, com a reportagem “Os jovens e a desconfiança com a política” (Correio do Povo)
3º LUGAR – Débora Ertel, com a reportagem “Projeto Grupo Sinos Explica” (NH)
4º LUGAR – Eduardo Matos, com a reportagem “8 de Janeiro: a tentativa de golpe” (Rádio Gaúcha)
Destaque Acadêmico
1 º LUGAR – Bruna Schlisting Machado, Carol Steques, João Teixeira, Laura Blos e Laura Rolim, com a reportagem “A violência política de gênero no Legislativo Municipal” (Unisinos)
2º LUGAR – Juliana Hoff Affeldt e Fabiana Damian, com a reportagem “Últimos dias para regularizar o Título Eleitoral: como pensam os jovens brasileiros” (PUCRS)
3º LUGAR – Arthur Carvalho Vieira e Fernando Ramires, com a reportagem “A surpreendente corrida eleitoral de Edegar Pretto” (Uniritter)
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]]>As vaias sofridas pelo professor durante o discurso, e o fato de ter sido acompanhado na saída do púlpito até a parte externa do anfiteatro em que ocorria a cerimônia, provocou uma reação crítica de diversas organizações ligadas a jornalistas, pesquisadores e professores. Assim que as primeiras notícias saíram ainda no domingo a partir do Sul 21 e do Congresso em Foco, jornalistas como Eliane Brum e Cecília Oliveira tuitaram sobre o caso nas suas redes sociais.
Além de noticiar o ocorrido, veículos da imprensa diária, como Folha de S.Paulo e Zero Hora, trouxeram trechos do discurso do professor. “A imprensa brasileira vive seus dias mais difíceis desde a ditadura militar”, replicou a Folha de S.Paulo. Durante uma entrevista para o programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, o professor Felipe contou que alguns sites caracterizados pela propagação de fake news o citaram como petista e relataram que ele havia sido expulso da cerimônia, o que não foi verdade.
Várias organizações lançaram notas de apoio ao professor. A Associação dos Docentes da Unisinos (Adusinos) disse lamentar o ocorrido, se posicionando a favor da democracia e da “autonomia da comunidade universitária e a liberdade da docência”. Para a Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), “o fato de ter mobilizado uma escolta para garantir a segurança do professor na saída da cerimônia de formatura evidencia que o clima de beligerância recrudesceu e que é preciso repensar, com urgência, o lugar da cultura acadêmica de respeito ao pensamento do outro dentro das salas de aula, principalmente no ensino do jornalismo, para que isso se reflita nas práticas cotidianas, dentro e fora da universidade”.
Para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors), em nota conjunta com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a “ação ocorrida na Unisinos representa uma intimidação à atividade profissional e é condenável”. Já a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) também manifestou seu apoio em nota.
Outra manifestação de apoio envolvendo quase 200 pessoas de todo o país, dentre pesquisadores, intelectuais, incluindo professores da Unisinos, usou trechos do discurso de Felipe Boff para se posicionar contra o ocorrido: “No ano passado, segundo levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas, o presidente da República atacou a imprensa 116 vezes em postagens nas suas redes sociais, pronunciamentos e entrevistas. Um ataque a cada três dias”, destacou o professor. O manifesto foi compartilhado nas redes de diversos pesquisadores da área e está postado também no blog do professor da UFRGS e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Marcelo Träsel.
Outros veículos que cobriram o caso foram Jornal Extra Classe, Mídia Ninja e Instituto Humanitas (IHU).
Além de terem apoiado o paraninfo durante o discurso – todos os formandos, incluindo os de Fotografia e Comunicação Digital, se levantaram e começaram a aplaudir o professor quando as vaias iniciaram -, os alunos de Jornalismo lançaram uma campanha nas redes com a hashtag #SomosTodosBoff e #NãoExisteDemocraciaSemJornalismo.
Para Leonardo da Silva Francisco, formado em Comunicação Digital, “as interrupções durante o discurso do professor refletem a situação do jornalista brasileiro. Em tempos de perseguição, desrespeito e autoritarismo, a fala dele foi necessária e o momento foi muito oportuno”, opinou. Tamires Souza, graduada em Jornalismo, mostrou consternação: “Fomos representados por tamanha coragem do início ao fim da leitura. Vimos, ao vivo, o quanto a nossa jornada será difícil, uma vez que lutar pela verdade é motivo de vaias e agressões. Estamos iniciando uma nova fase e fechar os olhos para todas as ameaças à imprensa não é algo que irá acontecer”.
A ação inesperada de alguns presentes causou sentimentos múltiplos, que foram do medo ao orgulho pelo posicionamento dos professores, representando a classe dos comunicadores. “Na hora, eu senti um misto de revolução, mas muita adrenalina e nervosismo, muito pelo momento, mas principalmente com medo de que acontecesse algo pior”, comentou Maria Carolina de Melo, também formada em Jornalismo. “O evento significou e reforçou o nosso papel diante dessa sociedade com tanto fluxo informativo distorcido. Ficou na história, e eu espero que sirva para algo maior. É difícil entender porque nós somos tão atacados se somos tão necessários para a sociedade”, comentou.
“Quando eu vi todos os meus colegas apoiando o professor, não apenas meus colegas, mas a maioria dos formandos, me senti mais forte para levantar e aplaudir seu discurso. Concordo plenamente com o que ele trouxe à tona”, explicou Bernardo Dal’Bó Barbosa, que se formou em Comunicação Digital.
“O professor abraçou essa causa e transformou em uma supermensagem, eu senti muito orgulho do Felipe”, concordou o recém-formado jornalista Matheus Miranda. “O discurso do professor em nenhum momento foi partidário, pelo contrário, ele apenas reforçou o que os jornalistas há muito tempo ouvem.”
Tamiris Dietrich disse não esperar menos do que isso do professor de jornalismo. Mesmo tendo se formado em Fotografia, se sentiu representada pelo discurso. “Se em uma universidade, que tem o papel de ensinar e formar profissionais pensantes, não se pode ter esse tipo de posicionamento, então não podemos ter em mais nenhum local.”







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