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Arquivos jornalismo investigativo - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/jornalismo-investigativo/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 16 Dec 2022 17:13:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Alunas de Jornalismo da Unisinos recebem Prêmio MP de Jornalismo https://mescla.cc/2022/12/16/alunas-de-jornalismo-da-unisinos-recebem-premio-mp-de-jornalismo/ https://mescla.cc/2022/12/16/alunas-de-jornalismo-da-unisinos-recebem-premio-mp-de-jornalismo/#respond Fri, 16 Dec 2022 17:07:38 +0000 http://mescla.cc/?p=17524 O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) anunciou na quarta-feira, 14/12, os vencedores do 24º Prêmio de Jornalismo do RS. Nesta edição, um grupo de alunas de Jornalismo da Unisinos ganharam o 2º lugar na categoria “Reportagem Universitária”.  A matéria sobre casais de mulheres que precisam entrar na Justiça para registrar a dupla […]

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O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) anunciou na quarta-feira, 14/12, os vencedores do 24º Prêmio de Jornalismo do RS. Nesta edição, um grupo de alunas de Jornalismo da Unisinos ganharam o 2º lugar na categoria “Reportagem Universitária”.  A matéria sobre casais de mulheres que precisam entrar na Justiça para registrar a dupla maternidade de filhos gerados a partir de inseminação caseira, foi realizada pelas estudantes Milena Silocchi, Júlia Möller e Vitória Drehmer na atividade de Jornalismo Investigativo, ministrada pela Profª Luciana Kraemer. Você pode conferir a reportagem aqui.  


A disciplina teve parceria com a atividade de Projeto Experimental, orientada pelo Prof. Flávio Dutra no primeiro semestre de 2022. Os ensaios fotográficos produzidos pelos alunos da atividade de PE ilustram as reportagens. Foi também naquele semestre, o início de outra parceria inédita com o jornal Extra Classe. Os alunos que fizeram o ensaio fotográfico para a reportagem sobre dupla maternidade foram Douglas Glier, Marília Port e Sofia Goulart.   


 
A cerimônia de premiação 

Quem foi receber o prêmio foi a estudante Júlia Möller, já que o restante do grupo mora longe da capital. A Júlia está se encaminhando para o 7º semestre e contou um pouco sobre a experiência: “Foi muito legal, porque nenhuma de nós é formada, nenhuma de nós ganhou o diploma de jornalismo, então, receber um prêmio assim antes mesmo de se formar, acho que mostra, muito nítido, que a gente está no caminho certo”. A Júlia disse que a sensação de ouvir, no dia da premiação, os nomes do grupo serem chamados, canalizou a emoção e mostrou que era concreto o que parecia loucura.  






A premiação do Ministério Público tem seis categorias: Patrimônio Público, Proteção Social, Saúde e Educação, Segurança Pública, Sustentabilidade e Reportagem Universitária. Cada categoria tem 1º, 2º e 3 º lugar. Na categoria Reportagem Universitária, os autores dos três melhores trabalhos receberam certificados, nas demais categorias, o prêmio é um troféu.  


O coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, comentou que o prêmio conquistado a partir de reportagem produzida na atividade de Jornalismo Investigativo significa muito para o curso. “Indica que estamos produzindo conteúdo relevante e comprometido com a vocação social da profissão”, disse. Micael parabenizou as alunas e a professora e deseja que o prêmio conquistado incentive outros estudantes a inscreverem suas produções em concursos.   


Além disso, a Caroline Garske Rosa, egressa de Jornalismo da Unisinos, também recebeu um prêmio. Ela conquistou o segundo lugar com reportagem sobre o programa “Busca Ativa Escolar e Recuperação de Aprendizagens e o impacto no Vale do Rio Pardo”, publicada no jornal Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul. Foi um belo dia para o Jornalismo da Unisinos.  

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Os efeitos do Cablegate quase 11 anos depois https://mescla.cc/2021/05/21/os-efeitos-do-cablegate-quase-11-anos-depois/ https://mescla.cc/2021/05/21/os-efeitos-do-cablegate-quase-11-anos-depois/#respond Fri, 21 May 2021 17:06:24 +0000 http://mescla.cc/?p=15079 O convite veio de forma misteriosa e sucinta por uma colega de mestrado inglesa: “Infelizmente não posso enviar detalhes por e-mail. Mas estamos trabalhando com muitos jornalistas ao redor do mundo e adoraríamos ter você na equipe. Eu quero te dizer, por ora, que esse é um projeto extremamente excitante e que vai ser gigantesco […]

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O convite veio de forma misteriosa e sucinta por uma colega de mestrado inglesa: “Infelizmente não posso enviar detalhes por e-mail. Mas estamos trabalhando com muitos jornalistas ao redor do mundo e adoraríamos ter você na equipe. Eu quero te dizer, por ora, que esse é um projeto extremamente excitante e que vai ser gigantesco no mundo todo. Tenho certeza que qualquer jornalista ia querer estar envolvido nele.” Foi o suficiente para a paulista Natalia Viana partir para o Reino Unido em 2010.


Natalia é cofundadora da Agência Pública, especializada em jornalismo investigativo, que recentemente publicou uma reportagem trazendo acusações de crimes sexuais praticados por Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. Há onze anos, porém, seu desafio era outro. Como uma responsabilidade tão grande quanto a enorme quantidade de informações que estavam sendo disponibilizadas, a jornalista encabeçou a frente que revisou os documentos que envolviam o Brasil no Cablegate, o mais emblemático dos vazamentos de dados militares de governo que se tem informação.


Entre os meses de outubro e novembro de 2010, o WikiLeaks, em parceria com os principais jornais do mundo, publicou cerca de 640 mil documentos sigilosos do  Pentágono envolvendo relações diplomáticas dos Estados Unidos com vários países do mundo. Era outro momento da geopolítica mundial, época em que os Estados Unidos, estavam totalmente imersos na Guerra ao Terror, após os atentados em 11 de setembro de 2001. O inimigo estava em todos os lugares, e era ainda mais suspeito se fosse do Oriente Médio. A guerra desencadeou uma série de ações militares e de contrainformação estadunidenses ao redor do mundo, tornando estas uma das prioridades da política externa do país na primeira década do século 21.


Para Natalia, foram meses analisando milhares de documentos juntamente com quatro jornalistas (um sueco, um islândes e dois ingleses) e muitas histórias de bastidores que agora começam a ser compartilhadas.


São impressões, dificuldades, anseios que assumem uma narrativa autoral e passaram a ser publicadas em 11 episódios no formato newsletter em parceria com o canal Meio. Seguindo um modelo seriado, cada episódio traz um título e uma história. O primeiro é A mansão e os vazamentos, em que a jornalista também contextualiza a situação de Julian Assange e o alto preço que tem pago por radicalizar a transparência de dados: “Há anos que não tenho contato com Julian. Há um ano e meio ele está preso na prisão de segurança máxima de Belmarsh, na Inglaterra, onde recebe poucas horas de sol por dia e é mantido isolado e sem acesso à internet, à qual dedicou sua vida. Os relatos que recebo são de uma pessoa em avançada fase de deterioração física e mental”, revela a jornalista em trecho.


Ao voltar ao passado, Natalia revela histórias de bastidores ainda desconhecidas pelo público, e conta sua passagem e participação no vazamento que pode ter mudado a forma em como o Jornalismo dialoga com informações sigilosas e de interesse público.

Entre os meses de outubro e novembro de 2010, o WikiLeaks, liderado por Julian Assange, em parceria com os principais jornais do mundo, publicou cerca de 640 mil documentos sigilosos. (Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)


A newsletter, que ainda pode ser recebida por e-mail para quem se inscrever, traz aspectos pessoais da experiência, como o constante contato da jornalista com toda uma estrutura de segurança tecnológica digna de uma agência da CIA ou da antiga KGB, e o convívio com uma lógica colaborativa de trabalho com as informações.


Natalia comenta no primeiro episódio, por exemplo, que Assange teve influência ao implantar esta tecnologia para o campo do jornalismo. “Julian inaugurou uma tendência. Foi a primeira parceria entre dois grandes jornais brasileiros (Folha e O Globo) em um furo dessas proporções, algo realmente novo naquela época, e que hoje parece tão normal”, compartilha a jornalista na newsletter.


Por outro lado, ela também explorou suas próprias dúvidas sobre os limites éticos das publicações de diálogos da diplomacia, salvaguarda estratégica para qualquer país. “Eu tinha direito de ler aquelas correspondências? E se o conteúdo não fosse de interesse público? Onde termina o jornalismo e começa o voyeurismo? E como avaliar se o que diziam os políticos, a portas fechadas, era verdade ou mentira? Quais os limites factuais de um relato escrito por um embaixador gringo em terras alheias?” questiona ela no episódio 3: O WikiLeaks no Brasil.

A newsletter, dividida em 11 episódios, foi lançada entre os meses de dezembro de 2020 a março de 2021 e segue disponível. (Foto: Reprodução/Newsletter)


Graças ao WikiLeaks, algumas práticas que violavam direitos humanos se tornaram públicas, forçando o país a dar explicações. Um pouco antes do Cablegate, as atenções já se voltaram para os Estados Unidos quando o WikiLeaks divulgou um vídeo feito em julho de 2007, que mostrava civis iraquianos sendo mortos em Bagdá, após um ataque aéreo. Segundo o próprio WikiLeaks na época, as imagens foram capturadas através de câmeras em helicópteros Apache dos Estados Unidos.

Divulgado no início de 2010, o vídeo mostra um ataque aéreo em Bagdá realizado pelos Estados Unidos, em julho de 2007. (Vídeo: Reprodução/Youtube)




Conversamos com a jornalista para saber um pouco sobre a sua participação no projeto e, também, sobre sua visão diante de algumas questões que o WikiLeaks trouxe, como, por exemplo, a decisão da justiça britânica em janeiro deste ano, que optou pela não extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. Na entrevista, ela comenta que houve erros na condução final do Cablegate, tanto por parte da imprensa, quanto do WikiLeaks. Natalia também fala sobre a real intenção dos Estados Unidos em manter Assange nesta situação. “Eles querem manter ele neste ‘limbo’ como um exemplo para outras pessoas não fazerem a mesma coisa”, explica. Confira a entrevista.

No WikiLeaks, Natalia colaborou na revisão dos documentos que envolviam o Brasil no Cablegate. (Foto: Montagem/Agência Pública)

Dilemas novos para antigas práticas


No momento em que a newsletter recupera as experiências de Natalia e contextualiza todos os desdobramentos de Cablegate, após 20 anos de ocupações e espionagem, os Estados Unidos preparam o encerramento das operações no Afeganistão, país que há duas décadas é ocupado pelas tropas estadunidenses. É mais um capítulo na história dos vazamentos de informações que sempre estiveram presentes no cotidiano da sociedade e, principalmente, dos jornalistas e profissionais da área de informação e tecnologia. Porém, nas últimas duas décadas, com a digitalização do mundo, esta prática tornou-se mais recorrente, além de trazer consigo uma série de novos desafios e também dilemas, que envolvem tanto o campo do Jornalismo, quanto do Direito.


Se lá nos anos 1970 os vazamentos destituíram um presidente estadunidense e também revelaram segredos de guerra do país ianque, hoje um único vazamento pode criar uma crise geopolítica entre diversos países, de diferentes continentes. Dentre os vazamentos contemporâneos que envolveram a sociedade civil e o jornalismo, estão o caso Snowden e a Vaza Jato, aqui no Brasil.


Em 2013, o então funcionário da CIA Edward Snowden se encontrou com o jornalista Glenn Greenwald e a cineasta Laura  Poitras, em Hong Kong, para entregar uma série de documentos secretos que confirmavam a existência de programas de vigilância em massa da NSA. Na época, Snowden afirmou que sentiu a obrigação de denunciar ao mundo, mesmo isso afetando sua vida pessoal, os enormes poderes de vigilância acomulados pelo governo dos EUA.

Famoso por expor o enorme aparato de vigilância estadunidense, Snowden concedeu entrevista exclusiva à jornalista brasileira Sonia Bridi, em 2014. (Foto: Reprodução/Globoplay)


Os dilemas variam, conforme os diferentes entendimentos éticos dentro de um caso, e vão desde o recebimento de materiais, obtidos pelos ‘vazadores’ e repassados aos jornalistas, até o uso de tais materiais em decisões jurídicas. Se por um lado a opinião pública pode ser um fator preponderante, do outro, a legalidade ou ilegalidade de uma prova é determinante em um processo.


Já na Vaza Jato, foram vazadas conversas realizadas no aplicativo Telegram entre o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol, além de outros integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. A divulgação dessas conversas foi feita também pelo jornalista Glenn Greenwald no portal jornalístico The Intercept Brasil. Até o atual momento, o Intercept mantém a fonte dos vazamentos em sigilo. As conversas indicam que Moro cedeu informação privilegiada à acusação, auxiliando o Ministério Público Federal (MPF), além de orientar a promotoria, sugerindo alterações nas fases da Lava Jato.

A Vaza Jato expôs conversas entre o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol, além de outros integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato. (Foto: Nelson Almeida/AFP/Getty Images)

Um único vazamento, diferentes percepções éticas


Para o pesquisador e co-fundador do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS), Rogério Christofoletti, iniciativas como o WikiLeaks são um marco para a vida cívica contemporânea, atuando de forma direta na liberdade de expressão e no direito à informação.


Porém, Rogério comenta que os dois campos compreendem diferentes percepções éticas. “O WikiLeaks não segue necessariamente uma ética jornalística quando publica os conteúdos em seu site. Eles fazem isso custe o que custar, doa a quem doer”, reforça Rogério, que também é doutor em Ciências da Comunicação pela USP.


Já o jornalismo tem algumas regras distintas. Como explica o pesquisador, além de verificar a autenticidade dos conteúdos e também de confirmar informações antes de publicá-las, os jornalistas também editam estes mesmos conteúdos, levando em conta preocupações como a de não expor e a de colocar em risco a vida das fontes. “O processo de edição também pode resultar na publicação de parte do material recebido e não a sua integralidade, tendo em vista alguns critérios como a relevância, o contexto, a oportunidade, a proximidade geográfica, entre outros”, explica Rogério.

Para Rogério, o campo do jornalismo e o projeto WikiLeaks compreendem diferentes percepções éticas. (Foto: Reprodução/Objethos)


De forma legal ou ilegal, os vazamentos acontecem e os jornalistas recebem os documentos. Por isso, é necessário cuidados antes de classificar um determinado pacote de informações. “É sempre muito fácil qualificar um vazamento inoportuno de “vazamento ilegal”. Afinal, ao fazê-lo, você deslegitima a prática e, por consequência, os conteúdos que ela revela”, comenta o pesquisador, que também alerta para os cuidados que os jornalistas devem ter ao receber estes materiais. “Quando recebem conteúdos vindos de um vazamento, jornalistas precisam estar atentos à origem do material, à sua autenticidade e veracidade, à natureza do conjunto dos dados, e seu alcance em termos de repercussão. Não é um trabalho fácil nem rápido, mas necessário. Jornalistas e ativistas pela transparência – como o WikiLeaks – podem trabalhar juntos.” O que de fato ocorreu, pois as matérias foram publicadas pelo Der Spiegel, Le Monde, The New York Times, The Guardian e El País em uma parceria histórica.

“Não existe na história da humanidade avanço sem esse conflito do legal e do ilegal”


Segundo o professor da Escola de Direito da Unisinos e doutor em Filosofia pela UNICAMP, Jose Rodrigo Rodriguez, há uma constante relação de tensão entre o Jornalismo e o Direito. “É bom que esta tensão permaneça. O padrão do jornalismo não precisa ser o mesmo do direito. O Jornalismo trata da questão do interesse público, já o Direito varia de processo para processo. No Direito, existe a questão de uma prova (vazamento) ser considerada legal ou ilegal durante um julgamento”, contextualiza o professor, que também reforça que sempre existirá um eterno conflito entre as duas áreas, enquando o poder existir. Para ele, a tendência do poder é sempre sair dos seus próprios limites.

“O padrão do jornalismo não precisa ser o mesmo do direito”

Jose Rodrigo Rodriguez


Conquistas de direitos na história do ocidente jamais foram feitas sem questionar esta fronteira entre o lícito e o ilícito, segundo o professor. “Por exemplo, houve um momento na história em que era proibido criar e organizar sindicatos. Isto era considerado uma violência contra a propriedade privada. Não existe na história da humanidade avanço sem esse conflito do legal e do ilegal”, exemplifica.

Para o professor Jose Rodrigo Rodriguez sempre existirá o conflito entre o jornalismo e o direito. (Foto: Reprodução/Unisinos)


Rodriguez comenta que é necessária uma discussão para encontrar formas de proteger os chamados whistleblowers, termo utilizado para mencionar pessoas que vazam as informações para a imprensa ou para o público, como Chelsea Manning e Edward Snowden. “É necessário criar um sistema internacional de proteção, pois eles lidam com pessoas muito poderosas. Isto está no limite da tensão entre direito nacional e internacional.” Atualmente, Assange está preso no Reino Unido, enquanto Snowden está em asilo político na Rússia.

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Alunos do curso de Jornalismo publicam reportagens investigativas https://mescla.cc/2020/12/17/jornalismo-investigativo-termina-o-semestre-com-reportagens-de-peso/ https://mescla.cc/2020/12/17/jornalismo-investigativo-termina-o-semestre-com-reportagens-de-peso/#respond Thu, 17 Dec 2020 20:45:35 +0000 http://mescla.cc/?p=14638 Todos os semestres, a disciplina de Jornalismo Investigativo produz reportagens profundas sobre assuntos importantes para a sociedade, mesmo que algumas vezes não sejam o foco da mídia tradicional. Sob a tutela da professora Luciana Kraemer, os alunos deste semestre abordaram alguns temas que passam despercebidos e outros que estão obtendo repercussão nacionalmente, sempre se baseando […]

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Todos os semestres, a disciplina de Jornalismo Investigativo produz reportagens profundas sobre assuntos importantes para a sociedade, mesmo que algumas vezes não sejam o foco da mídia tradicional. Sob a tutela da professora Luciana Kraemer, os alunos deste semestre abordaram alguns temas que passam despercebidos e outros que estão obtendo repercussão nacionalmente, sempre se baseando nos dados disponíveis pela Lei de Acesso à Informação. 


Todas as matérias, deste e dos semestres passados, podem ser acessadas na página de Jornalismo Investigativo no portal da Beta Redação. E para quem quer ficar ainda mais interessado nas matérias, o Mescla foi conversar com os participantes do grupos.


As faces do racismo no Rio Grande do Sul

As implicações jurídicas e os crimes que não são punidos por não terem um desfecho são abordados na reportagem (Arte: Daniela Gonzatto)


No ano que mais de uma vez as pessoas se mobilizaram para protestar contra o racismo, o grupo composto por Andressa Morais, Daniela Gonzatto, Sara Nedel Paz, Tainara Pietrobelli e William Martins usou dados de órgãos do estado para descobrir o perfil das vítimas de crimes de racismo e injúria racial, na matéria que pode ser lida aqui. “Tivemos dificuldade em encontrar vítimas recentes que tivessem levado adiante na Justiça esses crimes”, relata Sara. “Isso é justamente uma das hipóteses que levantamos na produção, do porquê desses casos caírem no esquecimento.” 


Devido ao distanciamento, todas as entrevistas foram feitas de modo remoto, o que também dificultou essa interação dos estudantes. “Provavelmente nossos maiores obstáculos envolveram o contato com as fontes e o fato do trabalho ser completamente de forma online”, concorda Daniela. “Precisamos nos adaptar, fazendo entrevistas por videochamadas e áudios, por exemplo, o que resgatou um pouco da proximidade que perdemos momentaneamente em função da pandemia.”


“Foi uma forma de aprendermos bastante sobre as diferenças legais entre racismo e injúria racial”, conta Andressa. Para a estudante, a matéria acabou tendo um peso ainda maior quando, em novembro, ocorreu o assassinato de João Alberto Freitas, no mercado Carrefour em Porto Alegre. Um fato lamentável, que acabou fazendo parte das estatísticas da matéria.


Para o grupo, essa foi uma oportunidade única de escavar e analisar dados de uma área sensível, que apenas recentemente começa a ser debatida abertamente. “Esse assunto tem uma relevância social imensa”, observa a estudante. “Pudemos trazer um pouco da dimensão e do panorama dos crimes raciais no estado em que vivemos com a visão de profissionais com propriedade no assunto combinando com dados relevantes, o que também mostra a realidade, sem achismos.” 


“Estamos felizes com o resultado. Pudemos pode trazer indagações relevantes sobre o assunto”, conclui Sara. “ Conseguimos mostrar para as pessoas a relevância que isso tem e que não pode ficar apagado. Tem que ser falado sobre. As pessoas vão poder se enxergar na matéria, ver as dificuldades e o que poderia mudar isso.”


A avalanche de ações trabalhistas movidas contra os times de futebol no RS

A árdua luta dos atletas que têm os contratos rescindidos sem direitos (Foto: Gustavo Machado)


Existem muitas matérias sobre vários aspectos do futebol, mas os estudantes César Weiler, Emerson Santos, Frederico Wichrowski, Gustavo Machado e Kévin Sganzerla uniram o amor pelo esporte com a preocupação com o cenário dos atletas no estado. A matéria, que pode ser lida aqui, traz à tona as relações trabalhistas, muitas vezes bem conflituosas entre os jogadores e os clubes de futebol/


“Desde o início nosso grupo queria falar sobre algo relacionado ao futebol, e com a pandemia afetando principalmente os clubes do interior, pensamos em entender como os atletas que recebem pouco são afetados pelas quebras contratuais”, explica Emerson. Na reportagem eles mostram que uma maioria gritante dos atletas vive bem distante da realidade luxuosa da televisão, e o cenário de competições apenas no primeiro semestre do ano dificulta ainda mais.


“Tivemos dificuldades porque, como envolve processos trabalhistas, alguns jogadores não quiseram se identificar, foram usados alguns nomes fictícios”, explica César. “Até mesmo conseguir o número de atletas cadastrados na federação se torna um detalhe demorado.” Para o colega Frederico, a experiência concluiu com ganhos para todos os envolvidos. “É maravilhoso poder entrar em contato com informações tão importantes da carreira de atletas que muitas vezes não são famosos como os que estamos acostumados a presenciar e o quão duras são suas realidades”, diz. “Acredito que trazer à tona dados tão importantes é uma missão imprescindível e contribui para mostrar um lado que muitas vezes não é abordado sobre as coisas.”


“Eu me sinto muito feliz. Diante de todas as limitações, nós fizemos um excelente trabalho”, concorda Gustavo. “Conseguimos informações exclusivas, que nós apuramos diante das fontes e isso por si só já satisfaz muito a vida de qualquer repórter. Obter por conta própria uma informação é muito prazeroso. Conseguimos entrevistas muito importantes com presidentes de clubes. A principal voz da instituição nos atendeu. Foram declarações polêmicas que apimentaram muito a reportagem.”


Falta de bibliotecários e de fiscalização atrasa cumprimento de lei no Estado

Mais de 30% das escolas no estado não possuem biblioteca (Foto: Reprodução/Pixabay)


Não é mais uma novidade, mas os dados continuam a alarmar. Em todo o estado, 39% das escolas não possuem biblioteca, e quando possuem, muitas vezes não são abertas por falta de funcionários. Esse é o tema da reportagem feita por André Cardoso, Clarice Almeida, Isabelle Castro, Lucas Lanzoni e Mateus Friedrich, disponível aqui.


“Tivemos dificuldade num ponto que não esperávamos, que foi foram as fontes estudantis”, conta Lucas. “Além disso, a própria Secretaria da Educação nos respondia com respostas fechadas, que não respondiam os questionamentos.” Os dados com a Secretaria de Educação foram conseguidos graças à Lei de Acesso, mas os estudantes tiveram que correr, já que só chegaram na última semana da produção.


“Por se tratar de educação, já esperávamos que seria um tema que renderia bons resultados”, comenta Isabelle. “A pandemia prejudicou um pouco, e a falta de interesse de alguns órgãos, mas no geral acho que nos saímos muito bem.”


Quem é assassinado em Porto Alegre e por quê?

Uma escalada das mortes na capital e o perfil das vítimas foi o desafio da reportagem (Foto: Reprodução)


As estudantes Jéssica Mendes, Kellen Dalbosco e Vitorya Paulo apostaram em um tema audacioso, que desde a idealização trazia grandes expectativas. “Queríamos um assunto que expressasse uma problemática”, explica Kellen. “O que causam os homicídios? Os números estão diminuindo? Se sim, por quê? Quem são as pessoas que estão morrendo?”


“Desde que escolhemos o tema, já estávamos apreensivas com a amplitude, e ela se confirmou na produçao”, confessa Jéssica. Falar sobre o caminho dos homicídios na capital exigiu determinação e esforço em grupo. As estudantes cruzaram os dados de homicídios dos últimos dez anos na capital, tendo que reestruturar e criar tabelas que atendessem a nova demanda.


Acostumadas a trabalhar com entrevistas, a quantidade massiva de dados foi o ponto alto nas dificuldades. “A gente trabalha com informação, mas pegar uma planilha com dados de homicídios no estado, por ano, entender os padrões, as estatísticas… É complicado”, concorda Vitorya.


Finalizando o curso de Jornalismo, as estudantes compararam a disciplina a produção de um TCC. “Me vi exausta. Teve um momento do semestre que pensei em cancelar, mas como meu grupo todo estava passando pelas mesmas angústias, seguramos uma a mão da outra”, relembra Vitorya. “Nessa disciplina, se não tiver um grupo engajado, não vai para frente. E fica a lição de não desistir na primeira. Acho que fizemos um trabalho lindo, bem feito e apurado, mesmo com as limitações da pandemia.”


“Falar sobre homicídios é sempre delicado, e sem esse contato presencial, foi ainda mais difícil”, assinala Jéssica. “Mas todas estamos felizes em entregar um trabalho com essa qualidade. Conseguimos um bom resultado e se tornou motivo de orgulho.” 


“Jornalismo investigativo é a chama do jornalismo. São dados e histórias, e tu quer entregar para o mundo uma informação, que de alguma forma seja útil”, resume Kellen.


A matéria pode ser lida na íntegra aqui.


Apenas 5% das pessoas com deficiência têm emprego formal no RS

Os números alarmantes revelam o desinteresses das empresas (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Um assunto muito pouco abordado a nível regional foi o tema escolhido pelos alunos Régis Viega, Lucas Ott e Guilherme Santos, que você pode ler aqui. Motivados pela dificuldade encontrada pelo próprio Régis que é cadeirante desde 1999, os alunos foram investigar sobre as vagas de emprego para PCD’s e os dados foram surpreendentes.


“Para mim foi um baque bem grande, já no início da pesquisa”, comenta o colega Guilherme. “As empresas pouco empregam pessoas com deficiências, só fazem isso porque existe uma lei que as obriga.” Uma realidade conhecida de Régis, que é cadeirante, ainda tiveram dificuldade na falta de fontes oficiais que pudessem orientar sobre o assunto. “Também é complicado encontrar cases com portadores de diferentes deficiências. Cegos, por exemplo, são os mais excluídos do mercado de trabalho.” 


Com a finalização da matéria, os estudantes comemoram o resultado e a possibilidade da reportagem se tornar uma referência para abordagem do tema. “Não existem muitas reportagens sobre o assunto, parece que não há interesse em saber por que esses números são tão baixos”, concorda Guilherme. Uma hipótese levantada durante a produção se confirmou no contato com as fontes, como conta Lucas. “Não é o mercado de trabalho a raiz do problema. Muitas das vagas não são ocupadas porque essas pessoas enfrentam dificuldades desde a educação. O problema está em toda a sociedade.”


Depredação e abandono marcam os monumentos da Redenção


Para descobrir o estado em que se encontram os monumentos na capital, o grupo de Porto Alegre, Carolina Santos, Jessica Montana, Josi Skieresinski e Luiza Soares, teve que cruzar dados e desbravar a falta de informação. A matéria que pode ser lida aqui é um trabalho de investigação sobre o estados dos monumentos históricos e a verba destinada para tal. “Nossa ideia era fazer uma relação das homenagens a pessoas escravocratas ou fascistas, da mesma forma que houve esse movimento em outros países”, conta Luiza. “Queríamos fazer uma relação de quantas pessoas homenageadas eram mulheres, ou negros, mas os dados são poucos e dezatualizados.”


O passo seguinte foi encontrar um novo foco para a investigação, e dessa mudança, os alunos se depararam com a falta de manutenção e preservação desses bens históricos. Com o trabalho realizado, o grupo formou um panorama que também serve de referência. “Estamos realizados. Apesar das mudanças, conseguimos fazer uma reportagem de cultura que é também de denúncia”, conclui Luiza.


Nos bastidores


Para a professora Luciana, apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, o semestre foi produtivo, com temas de grande interesse e um aprofundamento nas técnicas que são usadas no mercado. “Se por um lado o distanciamento social foi  obstáculo para o convívio presencial, por outro favoreceu a ambientação para a busca de dados”, observa Luciana. “Estamos todos mais em casa e na frente do computador. Além de ter contribuído para que tivéssemos palestras importantes.”


Durante o semestre, os estudantes puderem conversar com nomes como o jornalista e criador do Lagom Data, Marcelo Soares, radicado em São Paulo; a jornalista Naira Hoffmeister, do Grupo Matinal Jornalismo, e o repórter Marcel Hartmann, ambos recentemente premiados no 62º Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo. “Foram contribuições importantes que deram mais estímulo para os grupos, que se engajaram muito nas suas investigações”, diz Luciana. “Acho que produziram um belo portfólio para a carreira, e ainda vão  inspirar as turmas que virão.”


Com os vários grupos e novas realidades, a monitoria acabou tendo papel ainda mais importante no auxílio à organização e suporte dos grupos. O estudante Natan Cauduro foi monitor da disciplina e acompanhou de perto o desenvolvimento dos grupos, apesar das dificuldades.


“Todas as reportagens têm qualidades muito interessantes”, comenta ele. “Foi muito trabalhoso, mas talvez tenha sido mais no sentido de se entender no ambiente virtual, já que todos entregaram matérias bastante positivas.”

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Alunas de Jornalismo da Unisinos recebem prêmio por reportagem investigativa https://mescla.cc/2019/11/22/alunas-de-jornalismo-da-unisinos-recebem-premio-por-reportagem-investigativa/ https://mescla.cc/2019/11/22/alunas-de-jornalismo-da-unisinos-recebem-premio-por-reportagem-investigativa/#respond Sat, 23 Nov 2019 00:56:01 +0000 http://mescla.cc/?p=12325 “Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-RS), obtidos via Lei de Acesso à Informação para esta reportagem, os delitos relacionados à pedofilia representam 80% dos crimes virtuais no estado.” É esse dado alarmante que norteia a reportagem premiada das estudantes Caroline Tentardini e Luana Rosales, ambas do 8° semestre de Jornalismo. A matéria […]

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“Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-RS), obtidos via Lei de Acesso à Informação para esta reportagem, os delitos relacionados à pedofilia representam 80% dos crimes virtuais no estado.” É esse dado alarmante que norteia a reportagem premiada das estudantes Caroline Tentardini e Luana Rosales, ambas do 8° semestre de Jornalismo. A matéria foi realizada na disciplina de Jornalismo Investigativo, ministrada pela professora Luciana Kraemer. 


Criado em 1998, o Prêmio Jornalismo Ministério Público do Rio Grande do Sul é um incentivo à divulgação de ações que retratam o trabalho do Ministério Público. As matérias que concorrem são das áreas de Segurança Pública, Sustentabilidade, Proteção Social, Combate à Corrupção, Saúde e Educação. As estudantes receberam o segundo lugar na categoria relativa à produção de estudantes de jornalismo publicadas em veículos universitários. A reportagem “80% dos  crimes virtuais investigados no RS estão ligados à pedofilia” está disponível no medium da Beta Redação, além de ter sido replicada pela publicação independente Ponte Jornalismo, voltado aos Direitos Humanos, Segurança Pública e Justiça e ainda no jornal Sul 21


A disciplina de Jornalismo Investigativo trabalha com pesquisa de dados, geralmente fornecidos pelos órgãos via Lei de Acesso à Informação  e foi com essa premissa que as estudantes começaram a investigar. “A Lei de Acesso é um direito de todo cidadão brasileiro. No caso dos jornalistas, tem sido uma ferramenta cada vez mais utilizada para identificar dados macro, de contexto.”, explica Luciana, professora nos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos. 


“A ideia inicial era fazer uma matéria sobre os crimes virtuais mais freqüentes, porém, ao solicitar esses dados via lei de acesso à informação, nos deparamos com a porcentagem de que 80% dos crimes cometidos virtualmente estão ligados à pedofilia.”, explica Caroline. Para Luana, esse foi o ponto crucial na decisão. “Nos deparamos com esse número impactante e pensamos, ta aí a nossa pauta”,  concorda. 


As estudantes solicitaram a informação à Secretaria de Segurança Pública (SSP) e se depararam com outra situação. “Esses dados não estavam disponíveis no portal transparência.”, conta a professora. “Como elas entraram com o pedido e foi um volume de dados interessantes, a própria secretaria acabou disponibilizando esses dados no portal. Uma solicitação de duas estudantes, de uma atividade de faculdade, acabou beneficiando vários pesquisadores e outros jornalistas.”, diz Luciana. “A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) estimula esta ferramenta, e nós, professores, também temos indicado cada vez mais este caminho para os alunos”, comenta. 


Por se tratar de um assunto delicado, o cuidado foi em dobro e metódico para chegar às fontes. “Tivemos que buscar pessoas que concordassem em falar e que  também sustentassem um indicador tão grave.”, diz Caroline. Mesmo com o suporte de delegacias e estatutos responsáveis e os dados da SSP-RS, ainda foi necessário construir uma espécie de confiança com os envolvidos na matéria. “Entramos em contato por telefone, informamos que tínhamos recebido esses dados da Secretaria e com isso tentamos deixar o assunto fluir naturalmente para que conseguíssemos as informações necessárias. É um assunto muito delicado por tratar de crimes que envolvem crianças e adolescentes.”, comenta.


Com a dificuldade de encontrar vítimas que pudessem contar suas experiências, já que geralmente pessoas que sofreram abusos preferem não falar sobre, as estudantes foram atrás de casos registrados no Tribunal de Justiça. Como eles correm em segredo de justiça, recorreram aos acórdãos, que é quando os processos vão para segunda instância. Nesses casos, um resumo é anexado ao processo e pode ser visualizado. “Alguns têm detalhes tão sórdidos que não daria para colocarmos nas matéria”, conta Luana.


Para falar sobre o assunto e evitar uma compreensão errônea, a matéria também se preocupou em explicar os conceitos de estupro de vulnerável, pornografia e de pedofilia, que não consiste por si só em um crime. Depois de todo o trabalho, o retorno veio na forma do prêmio do Ministério Público.  


“É um sentimento muito bom de reconhecimento do nosso trabalho, de saber que estamos fazendo algo de qualidade e relevante. Ter esse aval de pessoas que entendem de jornalismo e desse tema jurídico representa um reconhecimento sincero de que a matéria está bacana.”, confessa Luana.


“O sentimento foi de dever cumprido, porque além de nenhum meio de comunicação ter feito uma matéria parecida, os dados também não estavam disponíveis antes de solicitarmos. Depois que ela foi publicada, alguns veículos e órgãos replicaram nos seus sites,  e agora o prêmio. Ficamos muito orgulhosas pelo nosso trabalho”, concorda Caroline. 


A cerimônia de entrega da premiação ocorrerá no dia 12 de dezembro, em local e horário a serem divulgados.

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A poderosa indústria do tomate https://mescla.cc/2019/09/12/a-poderosa-industria-do-tomate/ https://mescla.cc/2019/09/12/a-poderosa-industria-do-tomate/#respond Thu, 12 Sep 2019 18:59:46 +0000 http://mescla.cc/?p=11268 Colaborador do jornal Le Monde Diplomatique, o jornalista francês Jean-Baptiste Malet esteve em Porto Alegre no último domingo, dia 8/9, para participar de um debate sobre o documentário “O Império do Ouro Vermelho”, do qual é autor. Está aproveitando a viagem, que terá paradas também em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife […]

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Colaborador do jornal Le Monde Diplomatique, o jornalista francês Jean-Baptiste Malet esteve em Porto Alegre no último domingo, dia 8/9, para participar de um debate sobre o documentário “O Império do Ouro Vermelho”, do qual é autor. Está aproveitando a viagem, que terá paradas também em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, para lançar o livro sobre o assunto, de mesmo nome, que originou o filme, publicado pela editora Vestígio e disponível para venda em todas as lojas.

O debate é uma realização da Aliança Francesa, que conta com ajuda da Lei de Incentivo à Cultura para promover os eventos pelo país. Na capital gaúcha, ainda contou com a parceria do Curso de Realização Audiovisual (Crav) da Unisinos. 

O coordenador do Curso de Realização Audiovisual, Milton do Prado, foi o responsável pela mediação durante o debate. (Imagem: Estephani Richter)

No documentário, o jornalista mostra as diversas formas de produção do tomate ao redor do mundo. Jean-Baptiste traz o contexto histórico do fruto, que hoje alcança o título de um dos produtos mais consumidos mundialmente. Logo nos primeiros minutos, o jornalista diz que a história a ser contada, na verdade, não é sobre esse alimento que consumimos diariamente, mas sim sobre o nosso mundo globalizado. Comportamento esse que acabou mudando os hábitos alimentares. 

O filme revela que os três maiores produtores de tomates, atualmente, são Estados Unidos, Itália e China. Esse último, aliás, chamou a atenção de Jean-Baptiste, pois é um país onde a população não consome o produto. Mesmo assim, está entre os mais poderosos produtores do planeta. Foi lá que o jornalista iniciou sua investigação. 

No país mais populoso do mundo, encontrou um general no comando das produções de tomate. Dali, o produto seguia para a Itália, onde era vendido. Na China, Jean-Baptiste também encontrou uma fábrica que adicionava fibra de soja na receita, sem especificar o ingrediente no rótulo, tornando, assim, o produto mais barato. Nos Estados Unidos, que possui máquinas mais automatizadas, um liberal é quem domina o mercado. Já na Itália, encontrou produções mais orgânicas, mas também uma espécie de trabalho escravo com imigrantes.

Toda essa investigação, que durou dois anos, resultou primeiro em uma grande reportagem, com denúncias e dados ilustrativos. Em 2017, o relato se transformou em livro e, pouco tempo depois, virou documentário. Segundo Milton do Prado, coordenador do Crav, o filme segue um formato bem jornalístico. “Na produção audiovisual, ele foca apenas na fabricação dos molhos de tomate, mas no livro, traz mais exemplos desse sistema, que visa mais produção do que o bem-estar humano”, avalia o professor. 

Durante o debate, Jean-Baptiste indicou qual seria a solução para o problema da produção, muitas vezes desumana, de tomates. É preciso, segundo ele, encontrar um modelo econômico que pense também no ser humano, colocando mais racionalidade no sistema produtivo. O jornalista explicou que sua intenção com a investigação não era encontrar uma solução, mas mostrar que o problema existe. “O trabalho do jornalista é questionar os poderosos, trazer informação de qualidade, para que as pessoas processem isso e encontrem uma solução”, disse. 

Jornalismo investigativo

Jean-Baptiste Malet é atualmente colaborador do Jornal Le Monde Diplomatique, e está no Brasil lançando seu livro. (Imagem: Estephani Richter)

Jean-Baptiste acredita que ainda existe espaço para o jornalismo investigativo, mas é preciso encontrar algum modelo econômico que possa financiá-lo. Os grandes donos de mídias, pensa o jornalista, veem isso como algo sensacionalista, o que não corresponde com a realidade. Além disso, é um nicho do jornalismo que demanda tempo, dedicação e muita leitura. Para Jean-Baptiste, é preciso ser idealista e não buscar o lucro financeiro, deixando de lado o mito do jornalista super-herói. “Nós precisamos do jornalismo investigativo, mas não devemos esperar que os poderosos das mídias nos deem esse lugar”, declarou.

É preciso denunciar a corrupção, na opinião de Jean-Baptiste. Mas o que muitos jornalistas fazem é transformar a denúncia em um espetáculo, sem deixar claro o funcionamento do sistema. “Até mesmo no Brasil, o jornalismo denuncia muito mais a corrupção política do que a industrial, e isso diz alguma coisa sobre o modo de se produzir notícias”, comentou. Com isso, os partidos políticos instrumentalizam a imprensa, criando apenas intrigas entre si. “Na França, é mesma coisa: o partido de direita e o de esquerda competem para ver qual é o mais corrupto. Com isso, a população associa política com corrupção, e passam a desejar uma figura forte e autoritária para comandar o país. E vocês conhecem a consequência disso”, enfatizou. 

A nova diretora da Aliança Francesa, Mélanie Le Bihan, acompanhou do documentário na Cinemateca Capitólio. (Imagem: Estephani Richter)

A diretora da Aliança Francesa, Mélanie Le Bihan, explica que a associação está sempre organizando eventos com diversos autores e artistas da francofonia. “Me chamou a atenção que, mesmo não sendo um filme em português ou inglês, teve um bom número de pessoas presentes”, disse Mélanie, que acredita que o conteúdo pode servir para todos pensarem a respeito. 

O pesquisador e neurocientista Jessie Gutierres participou do debate. Disse que gostou muito do documentário, principalmente por trazer uma realidade pouco comum no Brasil envolvendo a indústria. “Eu não imaginava que a produção de tomate era tão poderosa e tão corrupta, igual a tantas outras”, ponderou. Para ele, o filme deixou como reflexão a forma como desejamos que a humanidade evolua tecnologicamente no comércio neste século.

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Jornalista e documentarista francês participa de debate em Porto Alegre https://mescla.cc/2019/09/06/jornalista-investigativo-frances-participa-de-debate-em-porto-alegre/ https://mescla.cc/2019/09/06/jornalista-investigativo-frances-participa-de-debate-em-porto-alegre/#respond Fri, 06 Sep 2019 19:34:33 +0000 http://mescla.cc/?p=11220 O vencedor do prêmio Albert-Londres, o mais importante de jornalismo francês, estará apresentando seu documentário O Império do Ouro Vermelho, na capital. A obra de Jean-Baptiste Malet mostra os segredos da indústria alimentícia dos molhos de tomate no mundo.  Foi em 2007 que Jean-Baptiste Malet iniciou sua carreira como jornalista, com investigações para o jornal […]

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O vencedor do prêmio Albert-Londres, o mais importante de jornalismo francês, estará apresentando seu documentário O Império do Ouro Vermelho, na capital. A obra de Jean-Baptiste Malet mostra os segredos da indústria alimentícia dos molhos de tomate no mundo. 

Foi em 2007 que Jean-Baptiste Malet iniciou sua carreira como jornalista, com investigações para o jornal satírico La Revi. Em 2011, ele lançou seu primeiro livro “Atrás das linhas do Front”, que fala sobre o partido francês de extrema direita, Frente Nacional. De 2008 a 2014 passou por várias jornais. Neste período, o jornalista se candidatou para uma vaga no centro logístico da Amazon em Montélimar, onde investigou as regras as quais os funcionários da empresa estão sujeitos. Malet também realizou investigações sobre o chamado business da espiritualidade, ao publicar uma investigação no Le Monde Diplomatique sobre o guro indiano Mata Amritanandamayi.

O professor Milton Do Prado, que é o coordenador do Curso de Realização Audiovisual (CRAV) da Unisinos, vai ser o mediador do debate. Segundo ele, é importante que os alunos e professores da Indústria Criativa participem de eventos como este que trazem para a área o que está acontecendo no mundo. “A universidade não  deve ser fechada em si, por isso estamos sempre incentivando os alunos a participarem destes eventos”, afirma. 

O evento é uma parceria entre a Aliança Francesa e o CRAV, por meio da Lei de incentivo à Cultura e será realizado no próximo domingo, dia 8, na Cinemateca Capitólio, no Centro Histórico, às seis da tarde. O programa se inicia com o documentário e será seguido de debate. Você pode ver o trailer do filme aqui.

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Os bastidores da reportagem de dados https://mescla.cc/2019/08/28/as-experiencias-de-um-jovem-jornalista-investigativo/ https://mescla.cc/2019/08/28/as-experiencias-de-um-jovem-jornalista-investigativo/#respond Wed, 28 Aug 2019 21:05:50 +0000 http://mescla.cc/?p=11166 Estudantes do curso de Jornalismo da Unisinos receberam uma visita especial na última sexta-feira, dia 23. O repórter multimídia da Zero Hora e GaúchaZH Marcel Hartmann visitou a turma da disciplina de Jornalismo Investigativo para contar aos alunos um pouco de sua trajetória. Ele também explicou como foram feitas algumas de suas reportagens e fez […]

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Estudantes do curso de Jornalismo da Unisinos receberam uma visita especial na última sexta-feira, dia 23. O repórter multimídia da Zero Hora e GaúchaZH Marcel Hartmann visitou a turma da disciplina de Jornalismo Investigativo para contar aos alunos um pouco de sua trajetória. Ele também explicou como foram feitas algumas de suas reportagens e fez apontamentos sobre o presente e o futuro da profissão.

Assim que passou pela porta, Marcel surpreendeu os estudantes por sua juventude. Com apenas 26 anos, o repórter já carrega um currículo bastante extenso, que inclui grandes veículos de imprensa, como Portal Terra, TVE e Estadão. Na Zero Hora e GaúchaZH, ele cobre áreas como educação, saúde e meio ambiente, muitas vezes produzindo grandes reportagens.

Marcel também já conquistou espaços internacionais. Na faculdade, ele fez um intercâmbio de um ano na França, onde estudou Comunicação e Letras. Ele também passou 40 dias no The Dallas Morning News, jornal sediado no Texas, Estados Unidos, para estudar o caminho de uma reportagem de dados em uma redação norte-americana.

O objetivo de Marcel na Unisinos era contar um pouco sobre os bastidores de uma grande reportagem, principalmente daquelas que se baseiam em dados numéricos para aprofundar um fato ou informação – conhecidas também como “reportagens de dados”. Marcel não só possui bastante experiência em produzir matérias desse tipo, como também já recebeu prêmios por alguns de seus trabalhos.

Ao pegar de exemplo a reportagem “Não é só mérito”, de autoria dele, publicada na Zero Hora no dia 27 de julho, Marcel trouxe uma perspectiva inédita aos alunos: a de que, mais do que nunca, é necessário para um bom jornalista ter entendimento de programação. Para essa matéria, o repórter, juntamente com uma equipe de programadores, elaborou uma inteligência artificial para analisar o desempenho das quase 4 milhões de pessoas que realizaram a prova do Enem de 2018. “Utilizamos o recurso porque é humanamente impossível analisar um número tão grande de notas”, explicou Marcel.

Um dos pontos essenciais da reportagem de dados, segundo Marcel, é a necessidade de humanizar as informações numéricas trazidas no texto para que ela não fique com cara de um relatório. Para essa matéria, que mostra a relação entre as notas obtidas pelos alunos no Enem 2018 com questões como sexo, etnia e renda familiar dos candidatos, Marcel se encontrou com alguns estudantes que prestaram a prova. A ideia era conhecer como eram suas vidas e rotinas de estudo. “Foi muito trabalhoso encontrar esses candidatos. Meus editores sugeriram que eu realizasse as entrevistas por telefone, mas preferi fazer pessoalmente”, disse.

Além de programação, Marcel ressaltou aos alunos que a leitura é uma peça fundamental na formação de um jornalista. Não apenas de livros, mas também de jornais e revistas. “A leitura deixa a gente mais apto para fazer nosso trabalho e também ajuda a encontrar novas possibilidades de pautas para reportagens”, ensina o repórter.

Como exemplo disso, Marcel citou uma reportagem dele que fala sobre Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), um medicamento que reduz em mais de 90% o risco de se contrair o HIV, vírus causador da Aids. A ideia para escrever essa matéria veio após o jornalista ter lido uma outra reportagem sobre esse mesmo medicamento. “Li e considerei o texto preconceituoso. Então, decidi falar sobre o mesmo assunto, mas trazendo um novo ponto de vista”, comenta Marcel, que foi o vencedor, com esse material jornalístico, do Concurso de Jornalismo Investigativo sobre HIV e Aids na América Latina e no Caribe 2019.

“A visita de Marcel Hartmann foi muito proveitosa e esclarecedora. Os estudantes com certeza tiveram ampliados os entendimentos sobre a produção de uma reportagem de dados”, avalia a professora Luciana Kraemer. “Acredito que os futuros jornalistas se sentem mais confiantes em produzir matérias investigativas de relevância para a sociedade”.

Os estudantes do curso de Jornalismo tiveram um aprendizado intenso sobre a produção de reportagens investigativas

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O dia em que a pauta foi intercept-ada pelo Jornalismo Investigativo https://mescla.cc/2019/06/11/vazajato-o-furo-de-reportagem-do-intercept-brasil/ https://mescla.cc/2019/06/11/vazajato-o-furo-de-reportagem-do-intercept-brasil/#respond Tue, 11 Jun 2019 21:04:33 +0000 http://mescla.cc/?p=9869 No domingo (9), às 17h57, o Brasil se deparou com uma bomba jornalística. A versão brasileira do The Intercept deu início a uma série de publicações que revelam conversas pessoais entre o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da república, Deltan Dallagnol. Das matérias já divulgadas, foram exibidos diálogos entre ambos nos […]

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No domingo (9), às 17h57, o Brasil se deparou com uma bomba jornalística. A versão brasileira do The Intercept deu início a uma série de publicações que revelam conversas pessoais entre o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da república, Deltan Dallagnol. Das matérias já divulgadas, foram exibidos diálogos entre ambos nos anos de 2015 a 2017.

À época, Moro era o juiz responsável por analisar o caso do Tríplex do Guarujá, que envolve o esquema de corrupção entre o ex-presidente Lula e a empresa OAS. Dallagnol era um dos procuradores que denunciou o ex-presidente.

Trending topic no Twitter de segunda (10)
VazaJato, hashtag criada para propagar as matérias do site, tornou-se o assunto mais comentado do mundo no Twitter / Imagem: Reprodução

Mas o que é o The Intercept?

Já conhecidos pelo meio jornalístico, mas ainda novos na visão popular, o The Intercept se autodefine como uma agência de notícias. Ela tem origem americana, tendo sido criada pelo filantropo e fundador do eBay, Pierre Omidyar, em 2013. The Intercept é uma publicação da First Look Media, mas o site também se sustenta com doações e assinaturas digitais. Na terça-feira (11), constavam registradas na publicação 3381 assinaturas e um total mensal arrecadado de R$ 93.029.

De acordo com a pesquisadora da Unisinos, Maria Clara Bittencourt, o The Intercept não pode ser entendido como uma mídia alternativa quando se pensa na maneira como é financiado. Por fazer parte de uma agência, Maria Clara classifica a publicação como de Jornalismo Investigativo. Segundo ela, o site tem um histórico de trabalho com “jornalismo de dados, informações disponíveis online e pedidos de Lei de Acesso à Informação (LAI)”.

Um escândalo internacional

As publicações do site The Intercept Brasil (conhecido também como TIB) já são comparadas aos grandes furos de reportagem, como a icônica entrevista com Pedro Collor de Mello, publicada na revista Veja, que denunciava o irmão, Fernando Collor de Mello. Todo o alvoroço criado culminaria no impeachment do, à época, presidente.

O TIB é um veículo novo, e nos últimos três dias foi responsável por pautar não só todos os veículos da imprensa brasileira, como Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, mas alguns dos mais populares no mundo.

Matéria no El País
Publicação do site El País / Imagem: Reprodução
Matéria no The New York Times
Publicação do site The New York Times / Imagem: Reprodução
Matéria na Reuters
Publicação do veículo Reuters / Imagem: Reprodução
Matéria no The Guardian
Matéria do jornal The Guardian / Imagem: Reprodução

O anônimo digital

Alexandre de Santi, editor, repórter do TIB e participante ativo das matérias publicadas no domingo (9), conta que o papel da agência foi apenas receber o material (textos, chats, áudios e vídeos). A fonte anônima, que entrou em contato com Glenn Greenwald (editor fundador e colunista do The Intercept) e outros jornalistas da redação do site será mantida em sigilo – que é um direito constitucional (artigo 5º, XIV, da Constituição Federal).

Artigo 5º da Constituição
Artigo 5º da Constituição / Imagem: Reprodução

Segundo Maria Clara, todas as publicações do The Intercept levantam “uma discussão sobre o papel da fonte”. Alexandre também comenta que a pessoa responsável por vazar as informações é um whistleblower (pode ser traduzido como “denunciante”), alguém que, na definição de ambos os entrevistados, decide, por razões pessoais, divulgar informações interessantes e reveladoras para o público, pois elas, em algum nível, afetam diretamente a vida de todo cidadão.

“A democracia precisa desses sujeitos para a gente saber o que está acontecendo nos bastidores, porque isso influencia muita coisa”, Alexandre de Santi.

O repórter imerso em dados

Algumas das pesquisas feitas pelos jornalistas do TIB resultaram em documentos com mais de 1700 páginas. Interpretar e checar a quantidade imensa de dados é um desafio, em especial pelos documentos entregues à agência serem únicos: não há como encontrá-los em outro lugar. Mas, para Alexandre, apurar o conteúdo não representa uma dificuldade: “dentro das conversas, eles se referem a eventos, pessoas reais e fatos que aconteceram, e sobre esses fatos, há documentos públicos com os quais a gente pode checar. A gente faz essa verificação externa sempre que possível”.

Uma das decisões do veículo foi não contatar as pessoas citadas nas matérias antes da publicação das mesmas. Essa escolha rendeu críticas, especialmente por parte dos envolvidos, mas Alexandre ressalta que, no entendimento da agência, os envolvidos são pessoas de muita fama e influência, e havia a chance de uma tentativa de bloquear o conteúdo antes de ele ser vinculado ao público. Para evitar esse tipo de barreira, os repórteres mantiveram-se focados nos documentos e afastados das fontes.

“Não é uma obrigação nossa ouvir o outro lado. Na verdade, é só uma boa prática jornalística, mas não tem nenhuma lei ou coisa do tipo que nos obrigue a fazer”, Alexandre de Santi.

A construção da matéria levou algumas semanas e contou com o apoio dos advogados do TIB e do The Intercept nos Estados Unidos, especialmente para que a agência pudesse definir uma posição geral sobre como tratar todo o material. Alexandre lembra que “tinham muitas questões jurídicas, os nossos advogados leram o material várias vezes, e tivemos muita discussão interna sobre o tom, o que nós estamos apresentando”.

“A nossa intenção foi tentar publicar os diálogos da forma mais direta possível. Dizer o que aconteceu, o que tem ali, mas sem abrir mão de colocar os pingos nos is, de dizer o que está errado, não só reportar de um jeito frio e deixar que o leitor vire-se para entender se é ilegal ou antiético”, Alexandre de Santi.

O que diz Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald ganhou notoriedade após o caso Edward Snowden. Glenn, hoje, é uma das figuras mais conhecidas dentro do The Intercept. Ele vem manifestando-se em entrevistas e redes sociais sobre o caso. Abaixo, estão algumas falas do norte-americano, que vive atualmente no Rio de Janeiro:

Publicação do twitter de Glenn
Glenn menciona todos os repórteres envolvidos na apuração e publicação das reportagens / Imagem: Reprodução
Publicação no Twitter de Glenn
As pessoas e órgãos envolvidos já se manifestam publicamente / Imagem: Reprodução

“Temos mais materiais envolvendo o papel do Moro na Lava Jato, mostrando que ele é um chefe da força-tarefa, que criou estratégias para botar Lula e outras pessoas na prisão, e atuou quase como um procurador, não como juiz” – Glenn Greenwald, em entrevista ao Uol.

O que diz Leandro Demori

Editor executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori concedeu entrevistas na manhã de segunda-feira (10), às rádios Gaúcha e Guaíba. Abaixo, estão algumas das falas do repórter:

“É direito do público e da população brasileira ser informado de como a Lava Jato operou; muitas vezes, de maneira bastante duvidosa, por trás da máscara de isenção” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Guaíba, transcrita no site do Correio do Povo.

“A gente não está divulgando o tamanho do arquivo, mas é maior que o arquivo (do Edward) Snowden (ex-agente da Agência de Segurança Nacional dos EUA). Só para vocês terem uma ideia, em uma das reportagens a gente fala de um dos grupos, que é dos procuradores da Lava-Jato em Curitiba, que gerou 1.700 páginas de pesquisas. E tem centenas de grupos e conversas” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Gaúcha, transcrita no site da Zero Hora.

“O procurador ontem falou que as conversas são descontextualizada, negou veemente. O contexto está absolutamente claro, os chats são detalhados, extensos, com horários, com data. Não há dúvidas sobre o que eles estão falando. Agora estamos olhando para essas outras histórias” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Gaúcha, transcrita no site da Zero Hora.

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Por um jornalismo Inovador, Inspirador e Independente https://mescla.cc/2018/09/24/por-um-jornalismo-inovador-inspirador-e-independente/ https://mescla.cc/2018/09/24/por-um-jornalismo-inovador-inspirador-e-independente/#respond Mon, 24 Sep 2018 21:23:01 +0000 http://mescla.cc/?p=7762 Cerca de 120 pessoas, entre profissionais e estudantes de Jornalismo, prestigiaram o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, versão Porto Alegre. O evento, que teve a primeira edição em 2017, no Rio de Janeiro, é uma realização de oito organizações jornalísticas independentes: Agência Lupa, Agência Pública, BRIO Hunter, JOTA, Nexo, Nova Escola, Ponte Jornalismo e Repórter […]

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Cerca de 120 pessoas, entre profissionais e estudantes de Jornalismo, prestigiaram o Festival 3i – Jornalismo Inovador, Inspirador e Independente, versão Porto Alegre. O evento, que teve a primeira edição em 2017, no Rio de Janeiro, é uma realização de oito organizações jornalísticas independentes: Agência Lupa, Agência Pública, BRIO Hunter, JOTA, Nexo, Nova Escola, Ponte Jornalismo e Repórter Brasil, além de contar com a parceria da Google News Initiative 

Na versão pocket, sediada pela Unisinos Porto Alegre, três mesas discutiram como é possível inovar na cobertura das eleições fugindo dos métodos tradicionais. Sob os títulos “Os santinhos: o que investigar, como investigar?”, “Corpo a corpo: como novos eixos e perspectivas de cobertura podem renovar a agenda eleitoral?” e “Temos um vencedor: e agora, jornalismo?”, os debates reuniram desde representantes da imprensa tradicional, como o jornal O Globo, a veículos independentes, como o The Intercept Brasil 

As mesas seguiram uma linha crescente de acontecimentos nas eleições, o antes, o durante e o depois do resultado das urnas. A primeira mesa, “Os santinhos: o que investigar, como investigar?”, centrou-se no debate investigativo das eleições, buscando mostrar iniciativas inovadoras na área. Os integrantes Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil, Taís Seibt, co-fundadora do Filtro Fact-Checking e Francisco Leali, coordenador da sucursal de Brasília do jornal O Globo, apresentaram-se sobre a mediação de Breno Costa, da BRIO 

Alguns dos integrantes das mesas de debate | Foto: Reprodução Facebook Festival 3i

A seguir, a mesa “Corpo a corpo: como o jornalismo pode renovar a agenda eleitoral”, foi integrada pelas convidadas Rosane Borges, doutora em comunicação, da Universidade de São Paulo, Flavia Marreiro, editora do El País Brasil, e Geórgia Santos, do Portal Voz, com a mediação de Antônio Junião, da Ponte Jornalismo. Elas trouxeram exemplos de como abordar os temas de interesse público, mesmo estes sendo chamados de “espanta-votos” pelos candidatos. A mesa discutiu também temas como a neutralidade e a responsabilidade do jornalismo.  

A terceira mesa trouxe para o debate como inovar na cobertura jornalística depois de passadas as eleições. Sob o tema “Temos um vencedor: e agora, jornalismo?”, Alexandre de Santi, cofundador da Agência Fronteira, Sylvio Costa, diretor do Congresso em Foco, e Jineth Prieto, editora do La Silla Vacía, iniciativa colombiana, debateram o assunto sob a mediação de Moreno Osório, do Farol Jornalismo. 

Para ser possível inovar no jornalismo, de maneira geral, as mesas concordaram que é necessária uma autocrítica das instituições e, a partir de então, construir novas maneiras de atuar. Com uma pluralidade de vozes, o Festival 3i deixa Porto Alegre com o desafio de repensar a profissão. 

Para quem perdeu o evento, mas não quer ficar de fora do debate, os vídeos estão disponíveis no Facebook do Festival 3i.

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