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Arquivos jornalismo digital - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/jornalismo-digital/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Tue, 02 Jun 2020 21:11:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 O deserto de notícias floresce https://mescla.cc/2020/06/02/o-deserto-de-noticias-floresce/ https://mescla.cc/2020/06/02/o-deserto-de-noticias-floresce/#respond Tue, 02 Jun 2020 19:59:47 +0000 http://mescla.cc/?p=13192 Todos os dias, geralmente pela manhã, as caixas de e-mail recebem newsletters atualizadas com as notícias do dia e o desenrolar de problemas de grande escala. Basta cadastrar seu endereço de e-mail para que muito material, inclusive gratuito, seja entregue de maneira eficiente e econômica. Sem papel, sem necessidade de aplicativo próprio, para ler no […]

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Todos os dias, geralmente pela manhã, as caixas de e-mail recebem newsletters atualizadas com as notícias do dia e o desenrolar de problemas de grande escala. Basta cadastrar seu endereço de e-mail para que muito material, inclusive gratuito, seja entregue de maneira eficiente e econômica. Sem papel, sem necessidade de aplicativo próprio, para ler no celular. Grandes jornais, como O Globo e El País, além de publicações exclusivamente digitais, como o Nexo, disponibilizam aos leitores as newsletters, um trabalho de curadoria das notícias que saem nos veículos.


O grupo Matinal Jornalismo aposta na newsletter como formato de envio de informações jornalísticas, e como espécie de gênero, que envolve compilação de notícias focadas no Rio Grande do Sul, especialmente em Porto Alegre. Trata-se de um projeto independente de jornalismo digital que oferece uma ampla curadoria dos assuntos do Estado, com foco nos interesses dos porto-alegrenses. Além do compilado de notícias diárias, o Matinal ainda inclui mais dois produtos: a revista Parêntese e o blog do jornalista Roger Lerina, tudo elaborado por uma equipe de 15 pessoas. Marcela Donini, que já trabalhou para a Zero Hora e é co-fundadora da Farol Jornalismo, é a editora-chefe do Matinal. Ela explica a dinâmica da newsletter:


“Fazemos uma curadoria com recorte daqui, sobre os impactos do Rio Grande do Sul, mas nossas produções são locais”, comenta Marcela. “Muitas das grandes redações não conseguem dar conta porque cobrem a agenda nacional, que neste momento está muito turbulenta. Esse não é o nosso foco.”

Com uma vasta experiência como jornalista, Marcela agora está à frente da edição do Matinal (Foto: Reprodução/Alice Vergueiro)


O Matinal, apesar de trazer notícias de âmbito nacional, faz uma curadoria que privilegia o olhar sobre o Rio Grande do Sul e os reflexos que as notícias de fora causam para o Estado. “Eu acho que trabalhar com o local traz uma peculiaridade que é o impacto na vida das pessoas”, conta Marcela. “É possível ter impacto com uma cobertura nacional, mas a mudança é mais imediata com esse jornalismo local. Publicar uma matéria denunciando um problema na prefeitura, na câmara de vereadores ou alguma coisa que aconteceu no teu bairro. A mudança é mais rápida do que uma investigação em amplitude nacional.”


Em épocas sem isolamento social, é trabalho do repórter estar nas ruas, conversando diretamente com a fonte, e essa é outra questão importante para Marcela. “Quando tu mora ali, tu cultiva as tuas fontes de uma maneira mais próxima, tem respostas mais rápidas. O repórter cidadão tem esse olhar de morador para percorrer as ruas.”

Desertificação de fontes


Deserto de notícias é o nome dado aos municípios onde não existem meios de imprensa. Em geral, são cidades pequenas, com uma população em torno de 7 mil habitantes. Segundo o Atlas da Notícia, na Região Sul do país, 54% dos municípios não têm nenhum veículo jornalístico. Apesar de ser mais da metade das cidades, ainda ocupa a segunda melhor posição.

Reprodução: Tabela Atlas da Notícia


Na Região Sul, o Rio Grande do Sul é o Estado com o maior número de desertos de notícias – 55% dos 497 municípios não possuem jornais. Não é uma porcentagem muito diferente de Santa Catarina ou do Paraná, mas está em uma posição infinitamente melhor se comparado com o Tocantins, que chega a ter 80% das cidades sem jornais próprios. Mesmo assim, o fato de mais da metade das cidades gaúchas não contarem com veículos de notícias pode explicar questões muito mais profundas. 


Porto Alegre não é uma cidade pequena, longe disso. São quase um milhão e meio de habitantes e, para acompanhar tantas histórias, existem oito grandes jornais e um mercado efervescente de web jornais. E, ainda assim, não é o suficiente. Para Taís Seibt, doutora em Comunicação e professora da Unisinos, esse jornalismo focado em localidades é essencial. Taís é pesquisadora sobre jornalismo de checagem e idealizadora da iniciativa Afonte Jornalismo de Dados.


“Estamos vendo o efeito dessa falta de cobertura. Nos últimos anos, percebemos o crescimento da desinformação”, acredita a jornalista. “Nacionalmente, ainda conseguimos encontrar referências, porque temos essas atuações voltadas para o macro. Mas no nível hiperlocal, com quem vamos confirmar se as informações são verificadas e apuradas?”

Pesquisadora de jornalismo de checagem, Taís avalia os veículos hiperlocais como essenciais (Foto: Reprodução Medium)

De volta à caixa de entrada


Com as assinaturas de jornais se reduzindo em todo o Rio Grande do Sul – e também no país e no mundo –, as newsletters assumem um papel importante, mas é preciso entender que essas medidas não competem com grandes veículos. Como lembra Taís, isso é outra esfera. 


“Cada vez mais, a busca de informações está em outros canais, está nas redes sociais, no próprio e-mail. Se pensar no cenário regional, Zero Hora, Correio do Povo estão cada vez cobrindo menos as questões hiperlocais. E essa porta está aberta para informações, mas não acho que elas deveriam estar em canais tradicionais.”


Para a jornalista, as newsletters cumprem bem o seu papel de alcançar o leitor e romper com meios tradicionais. Outro ponto positivo levantado por ela é o caráter organizador que os e-mails apresentam. “Apesar de ser um bombardeio de informações em todas as redes, organizar a leitura da newsletter acaba sendo melhor. Nesse momento de pandemia, por exemplo, mesmo os veículos que não tinham, e aqueles que tinham newsletters pagas, estão fornecendo material gratuito para que o leitor possa ter um resumo do dia. Até mesmo as agências de fact checking estão utilizando as newsletters como forma de facilitar a organização da cobertura para o leitor.”

O valor do impacto


Mesmo com o encolhimento das redações, veículos que se aventuram a trabalhar com pautas estritamente locais ainda são poucos. “Há alguns anos, houve um movimento dos jornais trabalharem mais com o local, mas não conseguiram se desprender do noticiário nacional”, observa Marcela. “Não acho que se tenha que fazer uma escolha, é possível ser um jornal generalista e fazer as duas coisas. Mas pode não dar conta do jornalismo local se tem tantas pautas mais amplas para cobrir.”


Taís relembra o encolhimento drástico das redações em meados de 2015 e 2016, que jogaram de volta para o mercado uma grande parcela de profissionais especializados. “Muitos desses profissionais tomam essas iniciativas mais hiperlocais, mais segmentados ou especializados em um determinado tema. Na falta de espaço, é preciso encontrar alternativas, e muitas dessas iniciativas surgiram nesse período.”


O novo jornalismo hiperlocal faz frente à diminuição ou extinção de correspondentes no Interior do Estado e, pensando nacionalmente, de correspondentes de fora dos estados de origem do veículo. Com uma maior ligação com a região, novas relações surgem. Para Marcela, o impacto proporcionado pela proximidade é uma tendência no jornalismo.


“Como medir o impacto das matérias? No fim das contas, para quem a gente faz jornalismo? Por que investimos nisso? É para empoderar as pessoas para que exerçam sua cidadania mais plenamente?”, pondera a editora-chefe do Matinal. “Ligando ao impacto do jornalismo local ser mais ágil, pode ser que se torne uma tendência. As pessoas cada vez têm mais acesso à informação com as redes sociais e começam a se empoderar dessas ferramentas. Elas mesmas denunciam problemas.”


Ela lembra que, se no passado as pessoas mandavam cartas ou se dirigiam até as redações para denunciar problemas no seu bairro, hoje as redes sociais tornam esse contato mais efetivo. E essa participação também é hiperlocal, com problemas que acontecem ali, na sua rua, e isso empurra para um jornalismo que siga essa linha de demanda.


Mas apesar de ser uma boa alternativa, a pesquisadora Taís Seibt acredita que esse modelo ainda precisa se fortalecer. Fatores como a falta de investimento do capital privado no negócio e uma queda na economia pessoal de possíveis assinantes são alguns dos fatores. “É muito mais uma alternativa para os profissionais se recolocarem no mercado, mas ainda enfrentam dificuldades para crescer.”


No Matinal, a busca é por uma receita diversificada. “Ter um pouco de assinaturas, um pouco de receita publicitária e que vem de eventos. A pandemia mudou um pouco esse cenário. Chegamos a fazer um evento com cobrança de ingresso, mas com o isolamento não foi possível dar seguimento”, lamenta Marcela. Com a economia afetada de uma forma geral, a receita publicitária sofreu uma queda acentuada. Mas, para a jornalista, as dificuldades também mostram um lado bom. “Tem muita história local que gostaríamos de acompanhar e ainda não conseguimos por ser uma rede pequena. Isso denota que a imprensa local não está cobrindo todas as histórias e indica que ainda temos um caminho para crescer.”

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O dia em que a pauta foi intercept-ada pelo Jornalismo Investigativo https://mescla.cc/2019/06/11/vazajato-o-furo-de-reportagem-do-intercept-brasil/ https://mescla.cc/2019/06/11/vazajato-o-furo-de-reportagem-do-intercept-brasil/#respond Tue, 11 Jun 2019 21:04:33 +0000 http://mescla.cc/?p=9869 No domingo (9), às 17h57, o Brasil se deparou com uma bomba jornalística. A versão brasileira do The Intercept deu início a uma série de publicações que revelam conversas pessoais entre o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da república, Deltan Dallagnol. Das matérias já divulgadas, foram exibidos diálogos entre ambos nos […]

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No domingo (9), às 17h57, o Brasil se deparou com uma bomba jornalística. A versão brasileira do The Intercept deu início a uma série de publicações que revelam conversas pessoais entre o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o procurador da república, Deltan Dallagnol. Das matérias já divulgadas, foram exibidos diálogos entre ambos nos anos de 2015 a 2017.

À época, Moro era o juiz responsável por analisar o caso do Tríplex do Guarujá, que envolve o esquema de corrupção entre o ex-presidente Lula e a empresa OAS. Dallagnol era um dos procuradores que denunciou o ex-presidente.

Trending topic no Twitter de segunda (10)
VazaJato, hashtag criada para propagar as matérias do site, tornou-se o assunto mais comentado do mundo no Twitter / Imagem: Reprodução

Mas o que é o The Intercept?

Já conhecidos pelo meio jornalístico, mas ainda novos na visão popular, o The Intercept se autodefine como uma agência de notícias. Ela tem origem americana, tendo sido criada pelo filantropo e fundador do eBay, Pierre Omidyar, em 2013. The Intercept é uma publicação da First Look Media, mas o site também se sustenta com doações e assinaturas digitais. Na terça-feira (11), constavam registradas na publicação 3381 assinaturas e um total mensal arrecadado de R$ 93.029.

De acordo com a pesquisadora da Unisinos, Maria Clara Bittencourt, o The Intercept não pode ser entendido como uma mídia alternativa quando se pensa na maneira como é financiado. Por fazer parte de uma agência, Maria Clara classifica a publicação como de Jornalismo Investigativo. Segundo ela, o site tem um histórico de trabalho com “jornalismo de dados, informações disponíveis online e pedidos de Lei de Acesso à Informação (LAI)”.

Um escândalo internacional

As publicações do site The Intercept Brasil (conhecido também como TIB) já são comparadas aos grandes furos de reportagem, como a icônica entrevista com Pedro Collor de Mello, publicada na revista Veja, que denunciava o irmão, Fernando Collor de Mello. Todo o alvoroço criado culminaria no impeachment do, à época, presidente.

O TIB é um veículo novo, e nos últimos três dias foi responsável por pautar não só todos os veículos da imprensa brasileira, como Folha de São Paulo, O Globo e Estadão, mas alguns dos mais populares no mundo.

Matéria no El País
Publicação do site El País / Imagem: Reprodução
Matéria no The New York Times
Publicação do site The New York Times / Imagem: Reprodução
Matéria na Reuters
Publicação do veículo Reuters / Imagem: Reprodução
Matéria no The Guardian
Matéria do jornal The Guardian / Imagem: Reprodução

O anônimo digital

Alexandre de Santi, editor, repórter do TIB e participante ativo das matérias publicadas no domingo (9), conta que o papel da agência foi apenas receber o material (textos, chats, áudios e vídeos). A fonte anônima, que entrou em contato com Glenn Greenwald (editor fundador e colunista do The Intercept) e outros jornalistas da redação do site será mantida em sigilo – que é um direito constitucional (artigo 5º, XIV, da Constituição Federal).

Artigo 5º da Constituição
Artigo 5º da Constituição / Imagem: Reprodução

Segundo Maria Clara, todas as publicações do The Intercept levantam “uma discussão sobre o papel da fonte”. Alexandre também comenta que a pessoa responsável por vazar as informações é um whistleblower (pode ser traduzido como “denunciante”), alguém que, na definição de ambos os entrevistados, decide, por razões pessoais, divulgar informações interessantes e reveladoras para o público, pois elas, em algum nível, afetam diretamente a vida de todo cidadão.

“A democracia precisa desses sujeitos para a gente saber o que está acontecendo nos bastidores, porque isso influencia muita coisa”, Alexandre de Santi.

O repórter imerso em dados

Algumas das pesquisas feitas pelos jornalistas do TIB resultaram em documentos com mais de 1700 páginas. Interpretar e checar a quantidade imensa de dados é um desafio, em especial pelos documentos entregues à agência serem únicos: não há como encontrá-los em outro lugar. Mas, para Alexandre, apurar o conteúdo não representa uma dificuldade: “dentro das conversas, eles se referem a eventos, pessoas reais e fatos que aconteceram, e sobre esses fatos, há documentos públicos com os quais a gente pode checar. A gente faz essa verificação externa sempre que possível”.

Uma das decisões do veículo foi não contatar as pessoas citadas nas matérias antes da publicação das mesmas. Essa escolha rendeu críticas, especialmente por parte dos envolvidos, mas Alexandre ressalta que, no entendimento da agência, os envolvidos são pessoas de muita fama e influência, e havia a chance de uma tentativa de bloquear o conteúdo antes de ele ser vinculado ao público. Para evitar esse tipo de barreira, os repórteres mantiveram-se focados nos documentos e afastados das fontes.

“Não é uma obrigação nossa ouvir o outro lado. Na verdade, é só uma boa prática jornalística, mas não tem nenhuma lei ou coisa do tipo que nos obrigue a fazer”, Alexandre de Santi.

A construção da matéria levou algumas semanas e contou com o apoio dos advogados do TIB e do The Intercept nos Estados Unidos, especialmente para que a agência pudesse definir uma posição geral sobre como tratar todo o material. Alexandre lembra que “tinham muitas questões jurídicas, os nossos advogados leram o material várias vezes, e tivemos muita discussão interna sobre o tom, o que nós estamos apresentando”.

“A nossa intenção foi tentar publicar os diálogos da forma mais direta possível. Dizer o que aconteceu, o que tem ali, mas sem abrir mão de colocar os pingos nos is, de dizer o que está errado, não só reportar de um jeito frio e deixar que o leitor vire-se para entender se é ilegal ou antiético”, Alexandre de Santi.

O que diz Glenn Greenwald

O jornalista Glenn Greenwald ganhou notoriedade após o caso Edward Snowden. Glenn, hoje, é uma das figuras mais conhecidas dentro do The Intercept. Ele vem manifestando-se em entrevistas e redes sociais sobre o caso. Abaixo, estão algumas falas do norte-americano, que vive atualmente no Rio de Janeiro:

Publicação do twitter de Glenn
Glenn menciona todos os repórteres envolvidos na apuração e publicação das reportagens / Imagem: Reprodução
Publicação no Twitter de Glenn
As pessoas e órgãos envolvidos já se manifestam publicamente / Imagem: Reprodução

“Temos mais materiais envolvendo o papel do Moro na Lava Jato, mostrando que ele é um chefe da força-tarefa, que criou estratégias para botar Lula e outras pessoas na prisão, e atuou quase como um procurador, não como juiz” – Glenn Greenwald, em entrevista ao Uol.

O que diz Leandro Demori

Editor executivo do The Intercept Brasil, Leandro Demori concedeu entrevistas na manhã de segunda-feira (10), às rádios Gaúcha e Guaíba. Abaixo, estão algumas das falas do repórter:

“É direito do público e da população brasileira ser informado de como a Lava Jato operou; muitas vezes, de maneira bastante duvidosa, por trás da máscara de isenção” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Guaíba, transcrita no site do Correio do Povo.

“A gente não está divulgando o tamanho do arquivo, mas é maior que o arquivo (do Edward) Snowden (ex-agente da Agência de Segurança Nacional dos EUA). Só para vocês terem uma ideia, em uma das reportagens a gente fala de um dos grupos, que é dos procuradores da Lava-Jato em Curitiba, que gerou 1.700 páginas de pesquisas. E tem centenas de grupos e conversas” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Gaúcha, transcrita no site da Zero Hora.

“O procurador ontem falou que as conversas são descontextualizada, negou veemente. O contexto está absolutamente claro, os chats são detalhados, extensos, com horários, com data. Não há dúvidas sobre o que eles estão falando. Agora estamos olhando para essas outras histórias” – Leandro Demori, em entrevista à Rádio Gaúcha, transcrita no site da Zero Hora.

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Serginho Groisman transforma palestra em bate papo animado https://mescla.cc/2017/08/28/serginho-groisman-transforma-palestra-em-bate-papo-animado/ https://mescla.cc/2017/08/28/serginho-groisman-transforma-palestra-em-bate-papo-animado/#respond Mon, 28 Aug 2017 19:39:39 +0000 http://mescla.cc/?p=2827 (Texto por: Eduarda Bitencourt e Kellen Guaragni Dalbosco) Transformando o Teatro do Sesi em uma grande plateia, no melhor estilo “Altas Horas”, o apresentador e jornalista Serginho Groisman provocou as quase 1,7 mil pessoas presentes a pensar no empreendedorismo de um modo diferente. Animado, passou o tempo todo caminhando e conversando com o público. Fez […]

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(Texto por: Eduarda Bitencourt e Kellen Guaragni Dalbosco)

Transformando o Teatro do Sesi em uma grande plateia, no melhor estilo “Altas Horas”, o apresentador e jornalista Serginho Groisman provocou as quase 1,7 mil pessoas presentes a pensar no empreendedorismo de um modo diferente. Animado, passou o tempo todo caminhando e conversando com o público. Fez perguntas, respondeu curiosidades e  até mesmo tirou selfies com os mais empolgados.

A palestra fez parte da programação da 36ª Convenção Gaúcha de Supermercados – Expoagas 2017, no Centro de Eventos da FIERGS. O evento reúne anualmente supermercadistas do Rio Grande do Sul e  fora do Estado. O apresentador reforçou a importância do setor na economia brasileira. “O supermercado sempre foi a referência jornalística da economia do Brasil. Se o supermercado vai mal, o Brasil vai mal”, disse.

Serginho interagiu com o público presente. Foto: Eduarda Bitencourt

No início da palestra, o apresentador lembrou a história da família, contando que seus pais chegaram ao Brasil refugiados da II Guerra Mundial e criaram raízes, iniciando aqui uma jornada empreendedora. O pai de Serginho foi um empresário no setor têxtil e aprendeu a lidar com os imprevistos quando a família precisou recomeçar a vida depois de um incidente no negócio. Persistência foi o legado passado para o apresentador. 

Foi o trabalho árduo da família Groisman que proveu a educação de excelência dos filhos. Serginho passou por três cursos na faculdade até encontrar seu caminho no jornalismo. Formado pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, disse que os erros não significam a desgraça das pessoas e, fazendo uma analogia com sua caminhada acadêmica, falou que errar talvez seja o caminho da mudança.

Foto: Eduarda Bitencourt

“Você deve acreditar no que vê, não deixe que os boatos e ondas pessimistas desanimem o seu trabalho”, disse o apresentador,  apontando que sua trajetória foi construída com muito trabalho e dedicação e que nem por um momento ele imaginou ocupar o lugar em que está hoje. Sobre o fato de empreender, afirmou que sempre trabalhou como empregado e que se sente satisfeito com isso. “Empreendedor não é somente a pessoa que quer o seu próprio negócio, mas também é aquele que empreende dentro da empresa”, observou o jornalista.

Como última interação com a plateia, foi questionado sobre a ética nos negócios e sua resposta foi clara e objetiva. “Ética é uma das principais questões da vida. Se você for ético, não vai ser desonesto e isso é o mais importante”, finalizou Serginho. Neste momento, o jornalista pontuou que no seu trabalho, a ética sempre foi essencial, pois na televisão, a busca pela audiência deve ter um limite e deixou a questão: “até onde você deve ir?”

O futuro da comunicação

Antes do início do bate-papo, Serginho recebeu o Portal Mescla para uma conversa sobre oportunidades e o futuro do jornalismo. “O mercado não anda fácil, mas não anda fácil para ninguém, principalmente para as pessoas que estão iniciando. Então, você precisa ter paciência e talento. São as duas coisas que vão levar você para frente”, aconselhou.

Serginho é um jornalista multiplataforma. Na carreira jornalística foi produtor musical e cultural, trabalhou em rádio, jornal impresso e hoje atua exclusivamente na televisão. “Dei aula, fui diretor de rádio, diretor de faculdade, eu só fiz o que eu realmente gostei. Eu procurei fazer isso na minha vida e ainda estou aprendendo e tentando fazer o melhor”, disse o apresentador que comanda o programa “Altas Horas”, na Rede Globo, há 17 anos.

Serginho recebeu o Portal Mescla para um bate-papo antes da palestra. Foto: Eduarda Bitencourt

“Muita gente diz que o jornal impresso vai acabar. Eu espero que não. Hoje o digital está presente em todas as formas. A televisão se transforma também muito rapidamente, ela depende de equipamentos que a cada dia são renovados, inclusive graças ao digital”, falou ao comentar sobre a abrangência do meio digital, afirmando que ele veio para ficar. “Eu sempre acredito no espaço de cada um, acredito muito mesmo. E hoje as coisas elas se conversam, elas não são mais separadas como se achou que seria”, pontuou.

Tendo muita experiência com o público jovem, Serginho falou que o futuro do jornalismo é incerto e que a internet é um grande meio para o comunicador que está ingressando no mercado. Para ele, com o auxílio da internet, o empreendedor no jornalismo tem diversas formas de trabalho, pois ela ajuda tanto na busca de informações quanto na procura por oportunidades. O jornalista apontou que hoje o jovem pode utilizar a web como um canal e eventualmente servir de referência para alguém que o vê.

Serginho deixou um recado final aos jovens que estão ingressando no mercado de trabalho e que buscam oportunidades para o seu futuro, não só na comunicação, mas de uma maneira geral. “O futuro é muito difícil, porque o futuro vai depender muito da gente também. Da gente enquanto protagonista político, votando, a gente como consumidor e também como protagonista nos meios de comunicação”, finalizou.

 

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Autores e autoras que futuros jornalistas precisam conhecer https://mescla.cc/2017/06/12/autores-e-autoras-que-futuros-jornalistas-precisam-conhecer/ https://mescla.cc/2017/06/12/autores-e-autoras-que-futuros-jornalistas-precisam-conhecer/#respond Mon, 12 Jun 2017 17:31:28 +0000 http://mescla.cc/?p=1679 Um exercício que ajuda na hora de escrever é ler obras que ajudem no aperfeiçoamento da escrita. Quando se trata de jornalismo, as obras publicadas são diversas e ler  ajuda a estar em constante crescimento intelectual e melhorar a técnica para produzir textos. O Mescla separou dicas de autores que jornalistas e futuros profissionais da […]

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Um exercício que ajuda na hora de escrever é ler obras que ajudem no aperfeiçoamento da escrita. Quando se trata de jornalismo, as obras publicadas são diversas e ler  ajuda a estar em constante crescimento intelectual e melhorar a técnica para produzir textos. O Mescla separou dicas de autores que jornalistas e futuros profissionais da área vão se interessar:

 

Eliane Brum

Eliane é uma jornalista gaúcha, documentarista e escritora. Trabalhou 11 anos como repórter na Zero Hora, de Porto Alegre, e 10 como repórter especial na Revista Época, em São Paulo. Publicou cinco livros de não ficção e um romance, escreveu crônicas, contos e ensaios. Disponíveis em seu site.

Livros que indicamos: Uma Duas, Coluna Prestes – O Avesso da Lenda, A vida que ninguém vê, O Olho da Rua e A Menina Quebrada.

Leitor indica: A nova edição de “O Olho da Rua”, com reportagens que ela fez para a revista Época e que, nessa nova versão, apresenta um posfácio inédito tratando sobre o tema “reportagem”, recomenda a professora de Jornalismo, Thais Furtado.

 

 

Fabiana Moraes

A pernambucana é jornalista e socióloga, tem quatro livros publicados e já dirigiu um documentário.

Livros que indicamos: Os Sertões, Nabuco em Pretos e Brancos, No País do Racismo Institucional e O Nascimento de Joicy.

Leitor indica: “Ela escreveu o fabuloso ” O nascimento de Joicy”. O livro traz na íntegra a reportagem de mesmo título que conta a história de um ex-agricultor que procura o serviço público de saúde para fazer a cirurgia que adequaria seu corpo masculino ao feminino. Nos capítulos seguintes, Fabiana reflete sobre o seu fazer jornalístico especificamente nesta reportagem e propõe o conceito de jornalismo de subjetividade”, explica Thais Furtado sobre a obra.

 

Caco Barcelos

O jornalista gaúcho é repórter e escritor, especializado em jornalismo investigativo, documentários e grandes reportagens sobre injustiça social e violência. Trabalhou como repórter para as revistas Veja e Istoé e atuou como correspondente internacional na cidade de Nova Iorque. Foi apresentador na Globo News, repórter no Jornal Nacional, Fantástico, Globo Repórter e recentemente no Profissão Repórter.

Livros que indicamos: Rota 66 e Abusado

Leitor indica: A estudante de Jornalismo e apaixonada por livros, Graziele Iaronka indica o livro Abusado. “ Adorei a forma detalhada como o caco abordou no livro, dá a impressão de que tu tá dentro da história”, conta.

John Hersey

John foi um escritor e jornalista norte-americano, falecido em 1993, aos 78 anos. Ele escreveu artigos para Time, Life e para o The New Yorker. Tem 25 obras publicadas, entre elas a mais famosa, Hiroshima.

Livros que indicamos: Hiroshima, A Bell for Adano e The Algiers Motel Incident

Leitor indica: Thais Furtado sugere Hiroshima, em que o autor reconstitui o dia da tragédia  da explosão da bomba a partir do relato de seis sobreviventes. “É perfeito para ver a construção de perfis e provocar a reflexão sobre o absurdo que é uma guerra”, aconselha.

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Projetos digitais estimulam cultura e transmidialidade https://mescla.cc/2017/05/12/projetos-digitais-estimulam-cultura-e-transmidialidade/ https://mescla.cc/2017/05/12/projetos-digitais-estimulam-cultura-e-transmidialidade/#respond Fri, 12 May 2017 20:50:57 +0000 http://mescla.cc/?p=1203 As iniciativas Trilha Hip Hop e Rota Pop nasceram na atividade acadêmica Editoração em Novas Mídias e Narrativas Transmidiáticas, do curso de Jornalismo, com orientação da professora Marlise Brenol. Ambos projetos são empreendimentos digitais e partiram de um exercício em sala de aula em que os alunos deviam criar um produto jornalístico voltado para a […]

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As iniciativas Trilha Hip Hop e Rota Pop nasceram na atividade acadêmica Editoração em Novas Mídias e Narrativas Transmidiáticas, do curso de Jornalismo, com orientação da professora Marlise Brenol. Ambos projetos são empreendimentos digitais e partiram de um exercício em sala de aula em que os alunos deviam criar um produto jornalístico voltado para a web.

O objetivo do Trilha Hip Hop é mostrar artistas e bandas do cenário Hip Hop da região metropolitana de Porto Alegre. São 11 estudantes que se propuseram a realizar gerenciamento de redes sociais, produção de conteúdo, planejamento de ações presenciais e onlines como alguns afazeres durante o semestre. Eles estão presentes no medium, facebook e instagram.

“Como todos do grupo são apaixonados por música, queríamos algo relacionado com ritmo e gênero musical”, afirma Carolina Schaefer, membro do relacionamento no projeto. Receosos de não conseguir abranger todos os estilos de uma mesma forma, a estudante de Jornalismo conta que assim se deu a decisão de optar pelo Hip Hop.

Já no projeto Rota Pop, a ideia é mostrar e falar sobre lugares (bares, cafeterias, bibliotecas) que trazem o contexto da cultura pop, seja essa representada por meio da música, filme, livros ou jogos. Neste caso são 12 estudantes e a iniciativa está presente no , facebook e instagram.

“A escolha do assunto está relacionado com os gostos pessoais do pessoal do grupo. Essa questão de séries, filmes, enfim, do mundo fandom era algo comum. Queríamos algo diferente e que iríamos curtir também”, conta Thamyres Thomazini, responsável pelo relacionamento do Rota.

Ações na universidade

Na próxima terça-feira, 16 de maio, será a primeira atividade na Universidade. O Trilha Hip Hop trará dois grupos de rap, o primeiro pilar explorado pelo Trilha Hip Hop. Serão dois grupos que se apresentarão no palco do DCE, antes e durante o intervalo das aulas.

Através do rap, as meninas da Negas da Batalha falam sobre o empoderamento negro nas suas letras e suas vivências na comunidade de São Leopoldo. Elas representam as mulheres do Rap na região do Vale dos Sinos e voltam para a Unisinos depois de terem aberto o show do Tonho Crocco, em 2014, na Calourada.

Siga os projetos nas redes sociais para se manter por dentro das próximas ações.

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