wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Blogs: um meio de inclusão appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O Blogger (hoje pertencente ao Google) foi a primeira empresa a fornecer sistemas automáticos de publicação de blogs. Assim, qualquer um poderia se tornar um blogueiro. Os blogs nasceram do desejo dos indivíduos de expressarem suas opiniões e serem lidos. Vinte anos depois, novos canais surgiram, como Instagram, Twitter e Facebook. Então, qual o papel dos blogs atualmente?
Na tentativa de unir teoria com o objeto, como se diz no jargão acadêmico, e trazer um olhar mais reflexivo sobre um elemento importante da comunicação digital, o Mescla ouviu o professor da Escola da Indústria Criativa Daniel Pedroso. Doutor em Comunicação, na linha de pesquisa “Midiatização e Processos Sociais”, Daniel usa essa teoria para explicar o fenômeno dos blogs.
“A midiatização é um processo. Neste caso, enquanto uma teoria, ela teria o objetivo de explicar a realidade social a partir da mídia. Isso começa a ocorrer com mais vigor após a Segunda Guerra Mundial, com a aceleração e intensificação da presença da mídia na sociedade, o que causa consequências culturais e sociais. Ela também serve para analisar como a sociedade interage entre si e vai influenciar na forma como a gente se comunica. Tudo isso, fomentado por um ambiente de grande desenvolvimento tecnológico. Hoje, percebemos que coexistem as mídias tradicionais, os novos meios – com uma característica transmídia – e a gente enquanto ator social. Eu, com meu telefone, computador ou dispositivo móvel tenho um potencial meio para gerar discursos sociais. A teoria da midiatização nos ajuda a entender o fenômeno dos blogs a partir do deslocamento do ator social simples para o âmbito da produção”.
Por que o Mescla está problematizando (olha o jargão acadêmico novamente) os blogs? Para contar aqui quatro exemplos de pessoas que usam seus blogs para falar de temas como autismo, Alzheimer e deficiência física. São histórias muito legais que você conhecerá a seguir. Para ajudar a entender a atualidade e as especificidades desse fenômeno, conversamos com outro pesquisador também da área da midiatização: o argentino Mario Carlón, professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA). Carlon já esteve na Unisinos participando de bancas de mestrado e doutorado, além de ter ministrado a aula magna do PPG em Comunicação. Nossa sugestão: leia os cases e, logo em seguida, acompanhe a entrevista.
Formada em Ciências Sociais pela UFRGS, especialista em Saúde Pública pela USP e, atualmente, estudante de Jornalismo na Unisinos. Mas Fernanda gosta de dizer que é, antes de tudo, a irmã do Mateus. Um jovem de 24 anos que possui autismo severo, não verbal. “Eu sempre digo que eu não seria essa Fernanda se o Mateus não fosse esse Mateus”, conta a jovem.
Fernanda sempre teve o sonho de criar um blog, mas não se sentia confiante para escrever. Foi quando surgiu a ideia de comunicar pelo irmão, que não podia falar por si. O blog Eu Sou a Irmã do Mateus nasceu no dia 5 de setembro de 2016, o dia do irmão no Brasil. Podemos chamar de um desacontecimento, como a jornalista Eliane Brum refere-se às coincidências da vida.
“O blog é uma forma de eu falar sobre autismo de um jeito mais pessoal. Eu digo que o irmão está em um não lugar, ele não é tão família quanto o pai e a mãe, mas também não tem um olhar de fora como o terapeuta, médico ou qualquer especialista”
Fernanda Ferreira
Tanto em suas redes sociais como no blog, a irmã do Mateus compartilha suas vivências com ele. O blog também é um canal de informação para alertar sobre os direitos das pessoas com autismo e dos seus familiares. Seu objetivo é conscientizar, sensibilizar e mostrar que a causa do autismo não pode ser tratada como questão privada, afinal, estima-se que existam 2 milhões de pessoas que possuem o mesmo transtorno de Mateus no Brasil.
Autismo ou Transtorno do Espectro Autista é um transtorno neurobiológico do desenvolvimento que acomete duas áreas principais: déficits na comunicação e interação social e comportamentos repetitivos e interesses restritos. – Associação Americana de Psiquiatria, 2013.
Em 2013, Fernando Aguzzoli deixou o empreendimento que estava criando e a faculdade de Filosofia quando descobriu que sua Vovó Nilva fora diagnosticada com Alzheimer. Passou a se dedicar exclusivamente a ela. Até escreveu um livro sobre a experiência,“Quem, eu? Uma avó, um neto, uma lição de vida”. Para ele, não foi um amor incondicional, pois é um amor que sempre esteve condicionado ao tempo e ao carinho que recebeu da avó.
“Claro que quando nos dispomos a cuidar de alguém, ainda mais no Alzheimer, que requer 24 horas de atenção, a única janela pro mundo acaba sendo a virtual.” Foi assim que Fernando teve a ideia de compartilhar sua rotina e da avó em uma página no Facebook. Com bom humor, construiu uma grande família de seguidores, da qual tem muito orgulho. Seu propósito é mostrar que o Alzheimer não é o fim, mas um novo recomeço todos os dias.
“A gente pensa que o diagnóstico é uma sentença de morte, mas não é! Tem muita vida pela frente. Por isso, criei um canal para auxiliar outras famílias a entender a doença e saber aquilo que está ao seu alcance”
Fernando Aguzzoli
O escritor, selecionado como uma das 20 lideranças em envelhecimento no mundo em 2019 pelo Global Brain Health Institute, indica sites como Alzheimer Association, Alzheimer Society e Alzheimer Disease International, que falam sobre a doença com responsabilidade. “Hoje em dia, estamos vivendo no mundo das fake news, e qualquer um pode criar um blog. Isso é maravilhoso, quando compartilhamos opinião e emoção, mas é perigoso quando decidimos compartilhar informação”, afirma.
Para ele, é preciso entender que Alzheimer não é um processo intrínseco do envelhecimento, e não existe caduco. O processo pode variar, como terapias farmacológicas, para dar mais qualidade de vida ao paciente, ou alternativas psicossociais dos familiares, para melhorar a aceitação do diagnóstico, além de promover uma boa comunicação entre familiares, idosos e também profissionais da saúde.
O Alzheimer, que é a forma mais comum de demência, é uma doença degenerativa incurável. Os neurônios, em certas partes do cérebro, são destruídos, o que pode levar a déficits nas funções cognitivas, como a memória, as habilidades linguísticas e o comportamento. – World Alzheimer Report, 2015
Ivone de Oliveira teve poliomelite seis meses após o seu nascimento. As sequelas lhe impediram de poder caminhar com os próprios pés. Sua melhor amiga tornou-se a cadeira de rodas e, com ela, pode correr atrás dos seus sonhos. Hoje, é palestrante, militante e ativista pela diversidade sexual da pessoa com deficiência. Mas toda essa história começou em 2012, quando criou o blog Gata de Rodas.
A ideia era compartilhar as experiências e os desafios de uma mulher cadeirante, mas o projeto cresceu e acabou abrangendo temas transversais. O blog tornou-se um importante instrumento de visibilidade e emponderamento não só da mulher com deficiência, mas também da pessoa com deficiência, em um contexto geral.
Tudo o que o Gata de Rodas mais quer é quebrar tabus. Principalmente, em relação à sexualidade da pessoa com deficiência. Desde 2017, ela leva pessoas com deficiência para a abertura da Parada LGBTQI+ de São Paulo, a maior do mundo, que reúne, em média, 3 milhões de pessoas.
“Eu recebo muitas mensagens dos meus seguidores com e sem deficiência dizendo que estão mais autoconfiantes para irem atrás de seus projetos e sonhos depois que conheceram o blog Gata de Rodas” Ivone de Oliveira
Para o Gata de Rodas, o uso excessivo das redes sociais em decorrência da necessidade de estar sempre conectado poder resultar na falta de socialização e visibilidade da pessoa com deficiência na sociedade. Ela também lembra que, nas redes sociais, é comum retratar a pessoa com deficiência apenas como alguém que tem dificuldades, e não como um cidadão comum.
De acordo com a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Organização das Nações Unidas – ONU / 2006): “A pessoa com deficiência possui impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual (mental), ou sensorial (visão e audição), os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. É um cidadão com os mesmos direitos de autodeterminação e usufruto das oportunidades disponíveis na sociedade”.

Explicamos os cases da reportagem para o professor Carlon, e o resultado deste papo, por e-mail, nos ajudam a enxergar as possibilidades dos blogs. Acompanhe:
Mescla – Como os blogs se integram na teoria da midiatização?
Mario Carlón – Não conheço muitos trabalhos específicos em blogs de teorias da midiatização. Conheço análises que lidaram com blogs no âmbito de outras análises mais gerais. Do meu ponto de vista, constituem um momento importante, anterior às redes sociais da mídia, em que surgem outras vozes além daquelas privilegiadas pela mídia de massa. Obviamente, muitos dos enunciadores que apareciam nos blogs pertenciam à mídia de massa, ou haviam feito parte deles: jornalistas que, enquanto ainda trabalhavam na mídia, abriram seus próprios blogs ou que deixaram a mídia, mas já eram conhecidos. O importante é que eles permitiram, para muitos enunciadores individuais, novos espaços de comunicação, gerenciados por eles mesmos: mídia gerenciada por novos enunciadores. Isso é para mim os blogs da história da mediação. Algo difícil de identificar e sobre o qual resta estabelecer consenso, porque são meios, mas diferentes dos meios de comunicação de massa. E as definições da era da mídia de massa ainda são muito importantes nas teorias das midiatizações.
O fato de muitos enunciadores que surgiram nos blogs serem indivíduos muito interessantes e abrir muitas questões ainda não totalmente elucidadas pela análise dos discursos, porque a questão do estatuto do enunciador (se é um enunciador individual, coletivo ou uma instituição) geralmente tem sido um dado adquirido (e não discutido) ou encapsulado. Em geral, é algo que foi dividido mais do que algo que foi teorizado e discutido.
Nos blogs apareceu fortemente através de novos enunciadores, principalmente amadores, a exibição de uma vida privada e íntima que rapidamente inundou a rede. Essa mudança foi registrada, mas raramente discutida teoricamente. E muito menos analisou a dimensão que liga aqueles que enunciaram através de blogs e aqueles que os seguiram e comentaram.
A diversidade de blogs tem sido grande e, embora se possa pensar que eles desapareceriam quando as redes de mídia social aparecessem (Facebook, Twitter, YouTube etc.), mas continuam sendo importantes em áreas específicas, como arte, jornalismo ou política .
Mescla – Como figuras até então anônimas podem se tornar representantes de causas por meio das mídias?
Mario Carlón – Porque os blogs fazem o que todas as mídias fazem: eles estabelecem processos de mudanças de escala. E, ao estabelecer esses processos, discursos que antes não tinham visibilidade pública começaram a ter. O que aconteceu então é que muitos enunciadores individuais, com vozes excluídas dos espaços públicos, representando causas específicas ou um ângulo específico de uma causa de interesse público, começaram a mostrar que eram capazes de construir coletivos. A forma como esses grupos são construídos não tem sido um processo privilegiado para os estudos, mas nesses anos fizemos muitos avanços. Do meu ponto de vista, eles são estabelecidos em fases, em processos diacrônicos, geralmente primeiro nas redes sociais e depois em saltos de escala em direção à mídia de massa. É aqui que a história continua: porque muitas vezes hoje em dia esse processo não é realizado através de blogs, mas através de redes de mídia social, que são redes de mídia que permitem a muitos enunciadores a possibilidade de circular seus discursos em espaços públicos.
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]]>The post Crítica musical sai do papel e domina a internet appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Conhecidos por trabalharem expondo pontos de vista sobre músicas, álbuns, shows ou EPs (gravação que possui mais de uma faixa inédita, mas não o suficiente para ser considerada um álbum), os críticos musicais têm procurado desbravar novas formas de tecer suas opiniões. A internet levou profissionais experientes a mudarem a forma de como exercem seu trabalho, e deu espaço para novas pessoas exporem suas impressões sobre música, tudo isso somado ao amplo alcance de audiência.
Um tipo de conteúdo muito encontrado atualmente no YouTube é o chamado react, em que uma pessoa ouve uma música ou assiste a um clipe musical e diz o que achou. Muitos dos que produzem esse tipo de conteúdo audiovisual não possuem qualquer conhecimento teórico sobre música, opinando apenas tendo como base o seu gosto musical.
Porém, esse tipo de espaço encontrado na internet – de comentários sobre música com base nos próprios critérios – não deixa de dar vazão à crítica musical. Pelo menos essa é a visão de Rômulo Konzen, uma das mentes por trás do site Crazy Metal Mind, que publica conteúdos em forma de vídeos, textos e podcasts sobre música. Mais especificamente sobre rock e metal. O podcast Crazy Metal Mind conta com mais de 400 episódios, em que Rômulo conversa sobre bandas, cantores e álbuns ao lado do colega Daniel Iserhard e de outros membros da equipe.

“Querendo ou não, nos textos, podcasts e vídeos do Crazy Metal Mind, a gente critica positiva ou negativamente músicas, discos e artistas. Então, na prática, sim, nosso conteúdo é de crítica musical. Porém, não nos apresentamos como críticos musicais”, explica Rômulo. Ele afirma também que o diferencial da equipe do Crazy Metal Mind é a paixão pelo rock, e que as opiniões expressas são apenas pontos de vista de fãs do gênero musical.
Quem concorda com Rômulo é o colunista Juarez Fonseca, que escreve crítica musical para jornais desde 1972. Atualmente, trabalha como colaborador na GaúchaZH, onde redige notícias e textos opinativos sobre artistas, shows e álbuns. “Assim como o mercado musical é aberto para todos, qualquer pessoa pode criticar e comentar. Não precisa ser tecnicamente formado em música para escrever sobre isso. Grande parte dos críticos musicais da minha geração entraram nisso por gostarem de música”, afirma o jornalista.

Juarez e Rômulo possuem trajetórias diferentes dentro da crítica musical: um está no mercado há décadas e faz suas críticas em colunas opinativas na grande imprensa, enquanto o outro trabalha há bem menos tempo e com conteúdo em diversos formatos multimídia independentes. Apesar disso, ambos concordam que a internet é o presente e o futuro não só da crítica, mas de tudo o que cerca a comunicação. O próprio Juarez passou a escrever suas colunas para o site da GaúchaZH.
Em meio a tantos textos, podcasts e vídeos postados na internet opinando sobre a cena musical, um elemento permanece o mesmo em todos eles: a paixão pela música. Seja vindo de alguém que possui larga experiência e entendimento de música ou de apenas mais um fã, a crítica musical, ao que parece, não vai deixar de existir. Apenas vai seguir passando por metamorfoses, conforme vão surgindo novas formas de consumi-la.
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]]>The post O caminho para ganhar dinheiro produzindo conteúdo appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Quem ministrará o curso “Como criar conteúdo digital de forma rentável para as redes sociais” é a graduada em Moda pela Unisinos Andressa Martins. Ela tem um canal no Youtube, que leva o seu nome, com mais de um milhão de inscritos. A youtuber irá ensinar sobre planejamento, aumento de seguidores e dicas para trabalhar com marcas.
As aulas ocorrem nos dias 20 e 21 de fevereiro, das 18h às 22h, na Unisinos Porto Alegre. Alunos e diplomados da Universidade pagam R$ 167 pelo curso. Mais informações e matrículas podem ser obtidas neste site.
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]]>The post “Era de Ouro” das crônicas é disponibilizada de graça appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A parceria entre o Instituto Moreira Salles (IMS) e a Casa de Rui Barbosa, que têm os textos nos acervos, foi o que motivou a criação do portal. Mais crônicas e autores ainda serão adicionados ao site, que já tem 2.527 itens. Entre os escritores que entrarão no portal, estão Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Mário Quintana e Vinicius de Moraes.
O acervo dessas instituições é rico com textos de grandes cronistas, mas antes era acessado somente por pesquisadores e especialistas da área. Agora, com o portal, as crônicas ganham mais visibilidade. As décadas de 1950 e 1960 são consideradas a Era de Ouro da Crônica e os autores da época, que ganhavam destaque em jornais, foram os primeiros a entrarem para o site.
Com base nos fatos do cotidiano, as crônicas são um gênero de narrativa em primeira pessoa e tom informal. Em muitas vezes, os leitores se identificam com as situações retratadas nas crônicas, por isso a leitura é leve, divertida e prazerosa. Elas são muito presentes, desde sua origem, em jornais, revistas e livros.
Segundo a professora dos cursos de Comunicação e Letras da Unisinos, Mariléia Sell, as crônicas são bastante trabalhadas em sala de aula, por dialogarem com as áreas da comunicação e terem uma leitura leve.
A argumentação também é algo presente nas crônicas, por isso elas são usadas para ensinar a convencer o leitor e formar um ponto de vista. “Temos cronistas maravilhosos na atualidade, nas diferentes mídias, e é um gênero que os alunos gostam. Sempre trata de questões da atualidade e se presta para infinitas coisas dentro da sala de aula”, relata a professora.

A história das crônicas no Brasil começa no final do século XIX, quando elas apareciam no final de folhetins e jornais. Machado de Assis e Rubem Braga ajudaram a popularizar o gênero, que tem afinidade com o jornalismo por retratar situações de diversos tipos de pessoas. Atualmente, Luis Fernando Veríssimo é um exemplo de escritor de crônicas que publica seus textos em jornais e na internet.
Existem diversos cronistas na atualidade que são jornalistas. Mariléia ressalta que, com esse gênero textual, quem escreve não precisa seguir o rigor jornalístico e tem mais liberdade para se expressar. A professora inclusive escreve crônicas que abordam temas da atualidade, sob esse viés de mais leveza. “A pessoa tem mais liberdade para apresentar um ponto de vista. É um texto que pode trazer todos os temas da atualidade”, comenta.
Estudantes e profissionais que gostam de crônicas já podem conferir os materiais disponibilizados e ter exemplos para suas próprias produções textuais. Com a internet, é possível que acadêmicos publiquem suas próprias crônicas e construam seu portfólio, usando plataformas como o Wordpress, Blogger, Medium ou Tumblr. Por isso sites como Portal da Crônica Brasileira devem ser vistos com frequência para servirem como boas referências.
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]]>The post Luísa Zottis Moraes appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>“Nas fotos da formatura da minha mãe, tem um bebê rechonchudo, de um ano de idade. Esse bebê sou eu. Então, fui às aulas ainda na barriga dela”, brincou. Nascida em Porto Alegre e criada em Canoas, Luísa conta que sempre cultivou paixão pela língua portuguesa e por escrever. “São dois requisitos essenciais para quem está considerando seguir carreira em comunicação”, acrescentou a gaúcha.
Desde pequena, Luísa cultivou interesse pela área da Indústria Criativa. Amor esse que se manifestava nas brincadeiras em casa e no incentivo da mãe, Adriana. “Criava histórias em quadrinhos, brincava de estilista e lia bastante. Gostava muito de ir à Feira do Livro, a exposições e ao teatro. Todas as experiências pelas quais tive oportunidade de passar certamente moldaram quem sou hoje, como pessoa e como profissional”, relembrou.

A relação com a internet começou cedo. Para ela, sua trajetória e o fato de ser uma millennial – como são chamados os nascidos entre o início dos anos 1980 e meados da década de 1990 – foram essenciais. Com 12 anos, criou seu primeiro blog. Aprendeu HTML sozinha e produzia seus próprios templates. Outro de seus interesses é o inglês. “Aos 13 anos, pedi para que a minha mãe me matriculasse na escola de idiomas. Ela não hesitou, e estudei por sete semestres até me formar”, contou. Luísa aprimorou seu inglês por meio de leitura – ela tem uma preferência pelos sites Forbes e Washington Post – e assiste a filmes e seriados em inglês. “Felizmente, agora não preciso mais de legenda”, brincou.
Dentre as memórias dos tempos de universitária no curso de Jornalismo da Unisinos, que frequentou de 2009 a 2014, Luísa destaca as aulas preferidas: Redação Jornalística, ministrada pela professora Anelise Zanoni; Assessoria de Imprensa, com a professora Cybeli Moraes; e Mídia e Cultura, cadeira cuja professora era Jiani Bonin. Foi dessa aula, aliás, que surgiu o tema “identidade cultural”, utilizado no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) dela.
Luísa, ainda estudante, foi estagiária da World Resources Institute Brasil (WRI), organização que atua em problemas de mobilidade urbana nas cidades brasileiras. Efetivada após formada, viajou por todo o país. Entrevistou líderes locais, entre eles os ex-prefeitos Fernando Haddad, de São Paulo, e Eduardo Paes, do Rio de Janeiro. Também encontrou figuras internacionais, como a diretora do Bloomberg Philanthropies, Kelly Larson, e o gestor de demanda de viagens da Steer Davies Gleave, Stuart Anderson.
Hoje, com 26 anos, Luísa vive em Washington, nos Estados Unidos. A fluência em inglês pesou muito na decisão de Luísa em sair do Brasil. A família apoiou a escolha, mesmo sofrendo com a saudade. A jovem jornalista largou o emprego no Brasil e foi em busca de oportunidades nos Estados Unidos. “Sabe quando a gente pensa que, por estar em um país diferente, não vai conseguir trabalho na área? Tive muita insegurança. Mesmo assim, mantive o foco na procura por vagas em comunicação. Todos os dias mandava pelo menos duas ou três inscrições para vagas no meu perfil. Em dois meses, recebi a proposta de emprego como analista de comunicação digital na Alliance to Save Energy“, contou.
Luísa foi contratada pela Alliance, trabalhou lá por quase dois anos, como analista sênior da organização, que tem 25 funcionários. Redes sociais, websites, newsletters, hot sites e projetos especiais fizeram parte de sua rotina na empresa. Em setembro de 2017, foi chamada pela The Brookings Institution, uma think tank internacional – instituição que realiza pesquisas nas mais variadas áreas relacionadas à sociedade e promove recomendações em políticas públicas – que supera a casa dos 500 funcionários. É coordenadora de mídias digitais. Além da estratégia digital, começou a trabalhar com relatórios, infográficos e vídeos.
Luísa percebeu, com o tempo, que era uma brasileira vivendo em um país que adota políticas não favoráveis aos imigrantes. “Felizmente, nunca me senti prejudicada ou discriminada. Pelo contrário, desde que cheguei, sempre fui tratada de forma amigável e com muito profissionalismo”. O idioma é a maior barreira, segundo Luísa. “Em termos culturais, os americanos em geral são mais resguardados, e as relações no trabalho são estritamente profissionais”, avaliou.
Contudo, também há diferenças positivas: “Aqui, os profissionais mais seniores encaram os jovens como grandes assets (funcionários jovens que são muito prezados) e valorizam sua opinião. No Brasil, não somos tão levados a sério”. Entretanto, um costume chama a atenção da jornalista: “Ninguém sai para o horário de almoço. Inclusive, reuniões são marcadas ao meio dia!”

No dia 25, no miniauditório D02 216, no campus Unisinos São Leopoldo, Luísa Zottis apresentará a palestra “O desafio de trabalhar com mídias digitais nos Estados Unidos”, às 19h30min. Ela disse estar animada com seu retorno à Unisinos. “Quando eu ainda era aluna, a professora Anelise Zanoni organizou uma palestra com a jornalista gaúcha Larissa Roso, que atuou como repórter no Washington Post. Achei tão legal conhecer sua perspectiva que sugeri a possibilidade de também vir compartilhar a minha experiência com os alunos atuais”, relatou.
Luísa Zottis deixou uma dica para futuros jornalistas que queiram se aventurar no jornalismo de mídias digitais: “Antes de começar a criar conteúdo digital, elabore uma estratégia. A primeira pergunta a fazer é ‘quem é o público que quero atingir?’ A partir daí, estabeleça sua voz”.
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]]>The post Projeto Nuvem é apresentado à comunidade acadêmica appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias, carinhosamente chamado de Nuvem, deu seu primeiro passo ontem à noite (19) no Teatro Unisinos Porto Alegre. Com a plateia lotada de estudantes, os painelistas Drª Anna Christina Bentes (Unicamp), Dr. Ricardo Campos (Universidade de Frankfurt), Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes (Unisinos) e o jornalista Luis Nassif apontaram diferentes abordagens para temas como fake news, uso das redes sociais, desinformação e cidadania. O projeto propõe uma educação para as mídias por meio de palestras, cursos de extensão, debates e programas de formação. O Prof. Dr. Guilherme de Azevedo, do curso de Direito da Unisinos, fez a mediação das falas dos debatedores.
Com uma fala curta, Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes, vice-reitor da Unisinos, louvou o projeto e seus idealizadores, que formaram um grupo de professores e pesquisadores das escolas do Direito, Educação, Comunicação e Design. Ele explicou que o projeto busca colocar em discussão uma realidade que está mudando o modo de ser no mundo das pessoas e, portanto, precisa de próprios e novos paradigmas para ser analisada. “Quando a universidade monta e apoia um como este, ela diz: ‘tem algo grande acontecendo aqui'”, afirmou. Ele sustentou a ideia de que o grande desafiou apresentado é compreender esta nova ambiência, onde as pessoas não têm nenhum compromisso com a verdade e aprender com ela.

Drª Anna Christina Bentes, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da linguagem da Unicamp, trouxe tópicos de reflexão e exemplos de colegas que exemplificam as relações entre linguística e redes sociais, além de conceitos e ideias do que se chama de texto. “Os aspectos práticos das redes dependem fundamentalmente da produção, circulação e recepção ativa de textos. No caso do Facebook, uma das práticas mais presentes, está relacionada ao que Manuel Cassius denomina autocomunicação, que seria a capacidade de cada ator social fazer as vezes de uma fonte de informação”
Ao encaminhar-se para o final de sua frase, ela abordou o caso da vereadora Marielle Franco, executada na última semana e as diferentes narrativas e discursos formados em torno do fato. Para ela, o caso exemplificou o funcionamento linguístico textual e discursivo das práticas de linguagem em rede. No seu ponto de vista, as redes sociais funcionam de forma massiva a partir de práticas comunicativas bem recorrentes, como denúncia e polemização.

O professor Dr. Ricardo Resende Campos, assistente de docência na cátedra de direito público e teoria do direito da faculdade alemã Goethe Universität, comentou alguns dos problemas enfrentados pelo direito no combate às fake news. No Brasil, segundo ele, existem sete projetos na Câmara dos Deputados que tentam controlar essa questão. Quatro destes, em que ele teve acesso, são “horríveis”, palavra usada por ele, pois não produzem o efeito de regulamentação, e sim menções a censura. Nesse contexto, ele questiona como a jurisdição do país legisla, verifica e pune a difusão da desinformação.
“Onde fica o direito de resposta?” O professor comenta que em tempos de mídia tradicional sem a presença de redes sociais, era concedido ao cidadão o direito de resposta, caso uma notícia, considerada por ele como falsa, fosse divulgada. Com a internet, e consecutivamente as redes sociais, as fake news ganham muita força de alcance. Uma mentira publicada, mesmo que futuramente desmascarada, pode causar danos irreversíveis.
“O meio cria uma nova demanda”, afirma. Campos também traz para o debate essa reflexão. O advento da internet modifica a forma como compreendemos a demanda por informação. A possibilidade de anonimato aumenta as chances de conteúdo calunioso. “Talvez fake news seja só um produto”, produto esse que se liga diretamente ao fator visualização. A necessidade de acessos comercializa a informação. “Dado não é mercadoria”.

O jornalista Luís Nassif, no jornalismo desde os 13 anos de idade, criou e trabalha no GGN, “o jornal de todos os brasis”. Fake news, na visão de Nassif, são uma tentativa de separação. Incentivam o ódio e causam a manipulação. Mesmo o tema sendo visto com amplitude na internet, ele vem da velha mídia, forma usada pelo jornalista para representar o jornal impresso, rádio e televisão. Repleto de dados históricos, Nassif coloca a eleição americana de 1876 entre o republicano Rutherford B. Hayes e o democrata Samuel J. Tilden como a primeira fraude eleitoral. Uma interferência causada, em parte, pelo editor do The New York Times.
Mesmo colocando a internet como nova mídia para disseminar informação, Nassif afirma que os principais sites responsáveis pela tarefa pertencem a grandes veículos de comunicação. O jornalista faz a reflexão de que esses grandes meios têm parcela de culpa na disseminação das fake news. Mesmo assim, há uma tentativa da velha mídia de se colocar como fonte de razão, fonte confiável em que a informação é mais bem apurada. A internet, principalmente redes sociais, são postas como o inimigo, o lugar em que a desinformação perpetua.

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]]>The post Luís Nassif conversa com professores e alunos da Unisinos appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Quem vê o jornalista Luís Nassif entrando pela porta da sala não imagina a trajetória dele dentro do jornalismo nacional. De camisa social listrada, caneta no bolso e sapatos brilhosos, ele atendeu a estudantes de Jornalismo, professores e a imprensa na tarde desta segunda-feira (19) na Unisinos Porto Alegre. Ele está na universidade para o lançamento do Projeto Nuvem: Núcleo Universitário de Educação para as Mídias.
Com muito repertório, brincadeiras e sempre com sorriso no rosto, abordou temas atuais, que misturam política e práticas jornalísticas. Para os jornalistas em formação, ofereceu dicas valiosas para o ofício. Veja alguns tópicos comentados pelo profissional:
Para Nassif, o mito de que “em seis meses de redação aprende-se mais do que numa faculdade”, foi quebrado. Ele conta que avaliou bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso e que viu um grau de complexidade que não existe dentro das redações. Os grandes “jornalões”, como ele chamou, ainda não perceberam as mudanças do jornalismo e mantêm a sistemática ao invés de mudar o enfoque de suas redações e, portanto, as grandes redações vão deixar de existir, acredita.
Lembrando das chamadas “matérias caça cliques”, ele chama a atenção para o papel do jornalista, principalmente para aqueles que estão saindo da graduação. “Nunca foi tão fácil fazer jornalismo”, exclamou, principalmente o jornalismo investigativo. Para ele, basta buscar as informações que estão disponíveis 24h na internet e o desafio é saber usá-las com coerência. “Conforme os dados vão aparecendo, você adapta a narrativa”, explicou. O segredo é contar uma história interessante, adaptando a narrativa aos fatos, conforme eles vão surgindo. “O segundo desafio é encontrar um jornal que queira publicar a história”, brincou.
“Nessa fase de internet, todo mundo é jornalista”, afirmou Nassif. Para ele, a liberdade de expressão e de informação é de extrema importância para a democracia, assim como o debate de ideias. Contudo, essa liberdade também expõe problemas. Um deles está ligado à opinião pública nas redes sociais. Segundo Nassif, há banalização da opinião do especialista. Uma opinião, vinda de uma fonte com autoridade, pode confrontar ideais adquiridos e cultivados durante anos. Bloquear novas ideias através de redes sociais e manifestar as próprias com objetivo de autoconfirmação é a fórmula que produz muitos dos comentários falsos, raivosos e preconceituosos online, uma “volta à selvageria”, como ele definiu.
No jornalismo, a opinião surge através dos colunistas. Na visão de Nassif, o cargo possui um número exagerado de profissionais em uma “luta” pela audiência, pelo ouvinte, pelo leitor e pelo clique, jornalistas tendem a abandonar a especificidade de um assunto, tornando suas colunas, e consecutivamente opiniões, em algo raso e de fácil disseminação. “O pensamento é guiado por clique ou patrocínio”, disse afirmando que deve haver um compromisso com o fato, não com o lucro que ele pode gerar.

Nassif posicionou-se quanto ao papel dos grandes veículos brasileiros quando se diz respeito às fake news, e ajudou a esclarecer como elas devem ser combatidas. Segundo ele, as redes sociais mudaram o comportamento dos jornais impressos, como o caso da saída da Folha de S. Paulo do Facebook. “A Folha como jornal não se deu conta das mudanças. Com a internet, vai mudar o jornal diário, e este tem que cumprir diariamente o papel do que era semanal. Para isso, que mudar totalmente o enfoque das redações, tem que trabalhar com sistemas que permitam fazer pesquisa. O jornalista tem que saber juntar informação, consolidar”, afirmou.
A respeito das notícias falsas, Nassif afirmou que o jornalista tem o papel de contrapor e explicar os fatos falsamente noticiados. Com a ascensão da internet, qualquer um se diz jornalista, e compartilham a notícia com a qual tem mais afinidade. “O público quer ler o que lhe convém”, esclareceu. Ele falou também sobre o papel que a grande imprensa teve nos últimos dez anos, ao martelar um discurso de ódio e jogando com a opinião pública. Ele afirma que as fake news integram uma guerra midiática desde 2005 e que foi possível ver resultados nas eleições presidenciais de 2006.
Nassif opinou também sobre os grandes veículos que hoje tentam vender uma imagem de referência contra as fake news, mas que escondem uma história de disseminação de notícias falsas. “Neste momento que você tem essa desorganização completa no mercado de informação, os jornais tentam recuperar, tentam vender que são uma referência”, afirmou. Para ele, este movimento é uma jogada para tirar de cena os blogs independentes que fazem o contraponto.
Durante o debate, foi proposta a discussão sobre diversas notícias ao redor de um mesmo tema e em diferentes meios de comunicação. Nassif acredita que o “efeito-manada” é um dos grandes problemas que a imprensa vem passando, principalmente na era digital. Ele afirma que o uso de perfis falsos na internet e, às vezes, as próprias colunas em jornais impressos acabam se detendo em poucas fontes de informações, deixando de expor mais de um lado da história.
O jornalista acredita que os valores aprendidos no jornalismo vêm se perdendo, e que dia após dia, os veículos se acomodam às situações, seguindo a linha de publicação de outros veículos, sem muitos questionamentos. “A mídia tem medo de corrigir os erros e, a partir do momento em que não se assume o erro, não é mais um jornalista”, conclui Nassif.
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]]>O professor de Jornalismo Bruno Lima Rocha, acompanhado dos estudantes de Relações Públicas Marina Rossetto e Ricardo Câmera ministrará a oficina “Fake News: possibilidade de interferência russa e espionagem eletrônica em escala mundo”. O debate está agendado para o dia 19 de março, na sala 611 do campus de Porto Alegre da Unisinos. O início está previsto para às 17h. O evento é gratuito e não exige inscrições prévias.
Bruno, Marina e Ricardo farão exposições curtas, com dados e exemplos, seguidas de debate e aprofundamento. A palestra tratará sobre a necessidade de exibir mecanismos de controle cibernético e telemático (da internet), e as maneiras de espionagem eletrônica exercida pelos Estados Unidos. Tudo faz parte do avanço da chamada “Guerra de 4ª Geração”, conflito definido pelo uso de outros métodos de guerrilha além dos tradicionais, como guerra cibernética, informática ou eletrônica.
O trio de palestrantes falará também sobre os riscos trazidos pelas potências rivais aos norte-americanos, especialmente a Rússia, apontada como uma das responsáveis por influenciar midiaticamente a eleição presidencial de 2016, vencida por Donald Trump. Serão expostas operações de compra de espaços no Facebook e Google, além do montante de movimentação financeira e volume de notícias falsas gerados, supostamente, pelos russos. “Eu acredito que Google e Facebook são grandes interessados em indexar qualquer coisa em seus algoritmos”, comenta o professor Bruno sobre as tentativas das duas empresas em interromper o fluxo de informações adulteradas.
A oficina será um aquecimento para o evento seguinte, à noite, no Teatro Unisinos. Trata-se do lançamento do Programa Nuvem: Núcleo Universitário de Educação para as Mídias, que promoverá debates, palestras, cursos de extensão e programas de formação ligados aos temas da informação, liberdade de expressão e liberdade de imprensa.
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]]>Vitória, no Espírito Santo, é a capital do país com maior número de ouvintes, com o consumo diário de 4 horas e 39 minutos. Em segundo lugar, é Goiânia, com 4h38min e ocupando o terceiro lugar é Recife, com 4h36min. Porto Alegre ocupa o sexto lugar, e o tempo médio de consumo do ouvinte é de 3h46min.
A pesquisa também traz informações quanto ao tipo de programação escutada. Em 65% dos casos, os ouvintes buscam notícias ou prestação de serviços. Na continuidade de interesse estão as programações de música sem intervalos (47%), programas religiosos (19%), esportes, humor e entretenimento (18%), entrevistas e opiniões (11%) e último lugar, participação de ouvintes e promoções (7%).
O uso do rádio é feito geralmente por aparelhos comuns (65%) e 24% dos entrevistados acompanham no carro e 16% em telefones celulares.
Rádio mantém-se como importante veículo
Para a professora de Radiojornalismo da Unisinos, Patricia Weber, a importância do rádio na sociedade deve-se principalmente devido ao fato de algumas empresas de telefonia atuarem como receptoras de rádios.
Na opinião dela, os ouvintes não estão buscando somente músicas, mas também jogos de futebol e prestação de serviços. O uso desse serviço é feito enquanto estão em deslocamento, como dentro do carro. “Dificilmente, colocam música para ouvir no celular”, opina.
Patricia afirma que está previsto o fim das rádios AM a partir do ano que vem. Por esse motivo, as emissoras passarão a transmitir maiores assuntos voltados ao esporte nas rádios FM.
De acordo com a professora, a busca pelas rádios em todo o Brasil surge porque não são todas as pessoas que têm acesso a um bom serviço de internet. No interior há uma evolução no uso, mas nem todos têm a capacidade de ouvir via web. “Rádio se mantém muito firme”, declara.
Segundo Patricia, estamos em um momento de transição, no qual ocorreu uma mudança de linguagem entre as emissoras de rádios, pois o público que ouvia músicas está se perdendo. Um exemplo é a rádio Cidade, que saiu do FM para dar lugar à Farroupilha, que é transmitida através da frequência 680 AM.
Mudanças no decorrer da história do rádio
Houve dois momentos de adaptação do rádio. A primeira delas foi quando surgiu a TV e a outra foi no momento em que apareceu a Internet. Estamos em transformação nas rádios e isso dependerá do número de ouvintes no futuro. “O rádio se mantém equilibrado”, explica Patricia.
Conforme a professora de Radiojornalismo da Unisinos, Sabrina Franzoni, a sociedade está vivendo um momento de migração de plataforma, no qual as emissoras de rádio podem ser escutadas através de tabletes e dispositivos móveis. “O que acontece é a transição”, acrescenta.

Na opinião da educadora, na década de 50, surgiu a TV e o rádio não teve fim, mesmo com o televisor tendo maior poder publicitário. As pessoas ainda precisam do rádio para distrair-se no transporte público, que leva horas para percorrer caminhos. Sendo assim, tem programação o dia inteiro. “Blocos de informações no rádio, durante 24 horas, são extremamente atualizados”, comenta.
Para Sabrina, o rádio se adaptou rápido com a nova tecnologia, pois agora os ouvintes podem se comunicar em tempo real com os locutores através do aplicativo Whatsapp e a rede social, Twitter, dando a possibilidade de se atualizar com os outros dispositivos e ter todas essas opções no mesmo espaço. “Está mais presente de forma ao vivo e online”, salienta.
Na opinião do professor de Radiojornalismo da Unisinos, Sergio Endler, o rádio ao longo da história, tem sido protagonista em cenários distintos. Nas suas primeiras décadas, tinha como rivais os jornais impressos e o cinema. “Foi protagonista importante em tempos de paz, na difusão de entretenimento. E foi importantíssimo em tempo de guerra, sobretudo na Segunda Guerra Mundial e no Pós-Guerra”, relata.
Para Endler, atualmente, o momento é de multiplicidade de oferta e cenário multimídia, repleto de tecnologias, o rádio novamente adapta-se e ressurge na telefonia celular, nos suportes móveis em redes se moldando aos novos recursos tecnológicos.
“Sobre o futuro, é difícil falar. No entanto, pode-se apostar que o ato de civilização – a fala humana – deve perdurar, sem dúvida. E será comunicada em diferentes suportes. E também os atos de ouvir, de escutar – tão preciosos para o humano, devem permanecer”, opina Sergio.
De acordo com o professor, no Brasil, o rádio tem muito a contribuir. “O rádio pode ter protagonismo junto à população mais pobre e junto aos cerca de 14 milhões de analfabetos”, explica.
Jornalista, radialista e comentarista na rádio Guaíba, Nando Gross, afirma que o rádio já foi ameaçado várias vezes, e a Internet só amplificou esse meio de comunicação. “Não vejo Internet como concorrente”, diz.
Na opinião do Gross, é um veículo que mais tem troca de informações, pois apresenta maior intimidade e transmite confiança nos ouvintes, um exemplo disso é que a sociedade somente acredita em veículos conhecidos e com credibilidade.
Quando o assunto é sobre o aumento ou diminuição do número de ouvintes no futuro, o radialista esclarece que esse número pode aumentar, pois há serviços ruins de Internet. A consequência será ouvir as emissoras nos locais que estiver presente, possibilitando mais alternativas para esse fenômeno. Portanto, irá depender muito da tecnologia e há a expectativa da rádio web aumentar também.
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