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A coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos, campi Porto Alegre e Unisinos, Anaís Schüler Bertoni, entende que sim. Ela explica que desde o início do currículo da Graduação PRO, em 2019, a Unisinos busca trabalhar a formação a partir de competências estratégicas para o profissional do século XXI, dentre elas “o empreendedorismo, a ética, o propósito pessoal e profissional e o olhar social”. Anaís comenta ainda sobre cadeiras específicas, como a “Tópicos Emergentes de Publicidade em Contextos Digitais”, que trata sobre inteligência artificial, realidade aumentada e virtual, entre outros temas da tecnologia relacionada à publicidade.
Com as medidas de distanciamento social, ainda no início de 2020, os e-commerces tiveram picos de acesso e vendas. Em pesquisa realizada pela Neotrust/Compre&Confie, é estimado que, entre abril e junho, 5,7 milhões de brasileiros fizeram a primeira compra online. O mês de abril teve 81% de aumento no faturamento dos e-commerces nacionais em relação ao ano anterior, sendo 98% de aumento no número de pedidos. Segundo dados do Bank of America, o e-commerce cresceu o equivalente a 10 anos em três meses, ao redor do mundo – ou seja, passou de um crescimento de 16% em uma década para 33% somente no primeiro trimestre de 2020.
Por estarem em ambiente virtual, uma das estratégias-chave para os e-commerces é a divulgação nas plataformas mais acessadas do mundo: as redes sociais. O marketing digital é uma forma de publicidade relativamente nova, dinâmica, baseada em ferramentas de análise de métricas, campanhas direcionadas para públicos de nicho e, muitas vezes, produção de conteúdo de entretenimento ou informação. Uma pesquisa de tendências da publicidade no varejo em 2020 feita pelas empresas Smartly.io e a WBR Insights apontou que, das empresas consultadas, 96% pretendiam aumentar o investimento feito em anúncios no Facebook, 61% no LinkedIn e 56% no Twitter.
Ao mesmo tempo, é estimado um corte global de 8,1% nos investimentos em publicidade, segundo pesquisa do World Advertising Research Center. Essa variação representa cerca de 50 bilhões de dólares a menos. Em meio a isso, as plataformas de vídeo, de busca, e as redes sociais são os únicos meios com previsão de crescimento no ano.
Saul Scheid, 38, é publicitário e sócio fundador da Agência Escape de Novo Hamburgo. Ele conta que, em 2004, a Escape se tornou a primeira agência de publicidade certificada pela Google no Vale dos Sinos. Ele e o sócio, Maicon Fuhr, receberam críticas sobre a ideia de ter uma agência onde o digital estava integrado ao offline. “As pessoas perguntavam: vocês são loucos?”, brinca.

Para ele, o marketing é uma ferramenta de transformação. Formado pela Unisinos, Scheid iniciou o curso em 1999 e trabalhou durante dois anos em uma pequena agência de Estância Velha. Com desejo de empreender, acabou por trancar o curso para investir na própria agência. Foi se formar apenas esse ano, em 2020. Sobre o papel da universidade em sua formação, Scheid acredita que muito se aproveitou, mas, ainda assim, a maior contribuição de todas foram as conexões que ele fez durante a graduação. Nesse tempo, o mundo da publicidade mudou completamente. “O conhecimento do currículo, em si, virou de ponta cabeça cinquenta vezes”, comenta.
Saber fazer boas fotos e um bom design, segundo ele, é o mínimo. Existe a necessidade de competências que vão além do que era o escopo do profissional de publicidade antes: “Hoje, qualquer profissional de comunicação precisa entender de negócios”, afirma. O trabalho do publicitário vai mais a fundo na empresa cliente. “É preciso investir tempo para entender o negócio, o cliente e então chegar na estratégia”, explica, “ao falar com o empresário, ele vai te fazer a seguinte pergunta: ‘como tu vai me fazer ganhar mais dinheiro?’. Isso é o diferencial”.
Scheid defende que o trabalho do publicitário está convergindo para o pensamento estratégico e a visão integrada da comunicação com os negócios. O papel da agência de publicidade, segundo Scheid, passa a ser o de organizar grupos de profissionais de diferentes especialidades para atender aos projetos. “O ‘buffet livre’ de serviços, onde se pagava um fee mensal e se tinha um cronograma de trabalho do ano todo, está morto e enterrado”.
O trabalho está cada vez mais personalizado e novos termos passam a integrar o vocabulário do marketing: “Hoje o que mais cresce são ferramentas de automação, Inteligência Artificial, tecnologia, serviço de atendimento ao consumidor, UX, jornada do cliente – digital e offline. Qualquer um que trabalha no marketing precisa entender destes temas”. Com a união da tecnologia, estratégia e criatividade, Scheid afirma com segurança: “temos nas nossas mãos as ferramentas de transformação do mercado”.
Gustavo Lacerda, VP de Criatividade da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), ressalta outra forma de transformação: “Existe um movimento entre as marcas de mostrarem mais propósito e impacto positivo”, aponta. As empresas passam a se posicionar sobre temas sociais, como a diversidade sexual, de gênero e o movimento Black Lives Matter. As mudanças culturais e de comportamento do consumidor são contempladas pelas produções publicitárias – e por isso, o profissional da publicidade precisa de um repertório mais amplo. “É preciso entender a comunicação como uma área conectada à cultura, às questões sociais, às artes e fazer esse trânsito”, explica, “Tem que conseguir cruzar os campos”.

Há uma maior conexão dos clientes com as marcas por meio dos valores, e o marketing precisa aproveitar isso de forma ética, diz Lacerda: “as pessoas não querem ser enganadas, se eu digo que a marca é inclusiva, ela precisa ser de dentro pra fora”. Assim, a marca não é relevante apenas pelo produto que vende. Ele relembra uma frase que ouviu certa vez: “Cada compra é um voto”, e complementa, “Quando eu compro de uma marca, assino embaixo tudo o que ela representa”.
Andrei Krummenauer, 23, é aluno do curso de graduação em Publicidade e Propaganda da Unisinos e atua como freelancer. Iniciou a graduação em 2017 e teve a primeira experiência de trabalho logo no ano seguinte, em um estágio não obrigatório na Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) – uma agência de comunicação universitária que oportuniza estágio para diversos cursos da Indústria Criativa. Além desse espaço, ele pode ver o curso abrir ainda mais portas para os alunos nos últimos anos.

“Hoje existem diversas oportunidades de entrarmos em contato com o mercado de trabalho”, conta. Apesar de não haver estágio obrigatório previsto no currículo, essas oportunidades que Andrei refere se traduzem em atividades complementares que o curso de Publicidade e Propaganda promove. São palestras, workshops e atividades curriculares em parceria com empresas de diferentes tamanhos e áreas de atuação. Andrei participou (e foi da equipe vencedora) do workshop da marca de calçados Aly554, em 2019, que rendeu uma campanha veiculada em revista, evento mostrado aqui no Mescla. Para ele, a graduação forneceu as bases estéticas e críticas para o trabalho como publicitário.
A coordenadora do curso de PP, Anaís Schüler Bertoni, concorda com o estudante. Ela entende que um dos propósitos da graduação é que o aluno crie uma rede de contatos para a inserção profissional – além de um portfólio sólido. Mas relembra que é preciso interesse e participação do aluno.

“O lado cultural e artístico é essencial para os profissionais da Escola. Temos muitas cadeiras que incentivam esta reflexão, como a de ‘Tecnologias, Imaginários e Estéticas’ e a de ‘Publicidade e Interações Culturais’”, explica. Assim como Gustavo Lacerda, da ARP, Anaís defende que a Publicidade precisa de profissionais que “articulem questões éticas, sociais, humanas, tecnológicas e culturais como parte de seu repertório”.
Por fim, a coordenadora comenta que, além das interações institucionais com empresas e profissionais de publicidade por meio das atividades complementares, muitos professores da Unisinos possuem empresas ou atuam no mercado fora da universidade. Esse é mais uma forma de contato que mantém as disciplinas da graduação conectadas às mudanças da profissão.
Para 2021, os eventos ainda não possuem datas divulgadas. Anaís enfatiza que todos podem acompanhar as novidades do curso através dos canais da Unisinos, ou pelas redes sociais, no Facebook ou no Instagram.
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Segundo a Doutora em Linguística Aplicada e uma das organizadoras do Conexão, Alexandra Müller, o evento é um momento de conexão entre alunos, egressos e professores. “É um evento para mostrar a importância da pesquisa, divulgando aquilo que se faz nos gabinetes, laboratórios, institutos e o que disso fica para a sociedade”, finaliza. Para mostrar o que se faz e o que é pesquisa, os 26 Programas de Pós-Graduação (PPGs) e os cinco Institutos Tecnológicos da Unisinos estão com atividades programadas para os alunos interessados.
Na quarta-feira, 16, a programação está voltada para os PPGs, que tem autonomia para propor atividades focadas no público potencial. O PPG em Comunicação pensou em ações que rendessem um encontro entre os alunos da graduação e da pós-graduação. Com um formato de mesa redonda, a temática “Cultura digital: diversidade na pesquisa em comunicação” será abordada por mestrandos e doutorandos a partir das pesquisas que desenvolvem nas diversas linhas do programa. Além disso, a atividade terá um espaço aberto para o diálogo com os alunos que estarão assistindo. Para a Doutora em Ciências da Comunicação e representante do PPG na equipe de organização, Sonia Montaño, o papel do Conexão Pesquisa para o Programa é conseguir conversar sobre as pesquisas desenvolvidas com um público que não está no PPG. “É uma maneira de buscar outras linguagens e outras formas de apresentarmos nossas pesquisas, o que é altamente enriquecedor, porque se trata da popularização da ciência, abrí-la com uma linguagem que possa ser entendida pelos públicos mais diversos”, completa.
O último dia do evento é festivo e será reservado para premiações. Existem prêmios para alunos da graduação, da pós-graduação e professores, confere aí:
Os alunos de Iniciação Científica que se apresentaram no Pesquisa+ receberão a Menção Honrosa. Destes 59 alunos, apenas um representante de cada Escola receberá o Destaque. Além disso, os alunos notáveis no Minha Pesquisa em 180 Segundos também receberão prêmios. Finalizando as premiações para alunos da graduação, temos o Unicos Pesquisa que foca nos trabalhos acadêmicos da Escola da Indústria Criativa.
Para a pós-graduação, 10 doutorandos são finalistas do Minha Tese em 180 Segundos. Além disso, artigos de alunos, egressos e professores foram escolhidos para os prêmios Melhor Artigo Internacional e Pesquisador Destaque. As avaliações foram feitas por uma Comissão Técnico-Científica e os vencedores serão conhecidos apenas na quinta-feira.

Só no Unicos Pesquisa, 56 estudantes estão concorrendo. Natália Collor é estudante de Jornalismo e está na disputa pela premiação. A formanda analisou, durante o TCC, a maneira como o Mídia Ninja articula a descriminalização do aborto. Ela ficou sabendo da premiação através da orientadora e achou a iniciativa relevante. “É interessante a Unisinos partir para esse lado mais acadêmico, ainda mais nesse momento de cortes no país, porque, se não fomentar, as pessoas vão cada vez menos para essas áreas”, explica. O Conexão Pesquisa acontece entre 15 e 17 de outubro. O evento é aberto ao público em geral, pessoas da comunidade, interessados nos temas e alunos de especialização. Se interessou? Então confere o cronograma completo das atividades aqui.
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Os últimos dias do semestre teve clima de celebração para 150 alunos da atividade de Desenvolvimento Pessoal e Profissional: Colaboração (DPP), uma das que fazem parte da nova Graduação PRO. A finalização das aulas deu origem a um evento chamado Happening Afetivo, que ocorreu na terça-feira (2/7), no saguão da Biblioteca da Unisinos São Leopoldo, e foi totalmente criado pelos alunos. O tema foi inspirado em um hit deste semestre, mas com uma adaptação: “Juntos and Sharing Now”.
A ideia de aproximar os alunos de quatro turmas veio do professor Raimundo Giorgi Filho, dos cursos de Moda, Design e Arquitetura. O tema central era “afetividade”. A iniciativa teve a parceria das professoras da Escola da Indústria Criativa Aline Bueno, Lisiane Cohen e Luciane Wolff, que ministra atividades na Psicologia e no GIL (Gestão para Inovação e Liderança). A ideia era também estarem praticando o que estavam ensinando, já que a disciplina ocorreu pela primeira vez em 2019/1.
Ao longo do semestre, as turmas já tinham se reunido outras vezes, e foram divididas em grupos. Cada um contribuiu para a realização do Happening Afetivo trazendo para a atividade a sua visão de mundo e o seu modo de pensar. “Quando a gente trabalha com colaboração, não existe um controle tão acirrado, tu deixas a coisa fluir, porque é assim que funciona, senão não é colaboração”, afirmou a professora Aline.
Para ilustrar “afeto”, os professores pediram aos alunos que trouxessem dez fotos de coisas que lhes tocassem. Durante o evento, eles produziram um grande painel com as imagens. O evento incluiu ainda uma esquete teatral, declamação de poesia e espaço para pintura. O sentimento de coletividade fez parte do Happening.
Estudante de Administração com ênfase em Comércio Exterior, Marina Muller destacou o fato de ter tido a possibilidade de construir e organizar um evento desse tamanho, a partir do zero. A jovem de 20 anos fez parte do grupo da organização artística, e, nesta função, teve contato com alunos de diferentes cursos. A experiência da atividade acadêmica fez com que Marina pudesse perceber a transformação dos colegas, que passaram a participar, colaborar e se comunicar mais ao longo do semestre.
Transformação é a palavra que define a trajetória da estudante de Ciências Biológicas Alexia Pereira dos Santos, de 18 anos. Antes de começar o curso, ela se interessava por questões sociais, mas não sabia como poderia realizar mudanças. A partir da DPP, resolveu fazer um curso de Impacto e Empreendedorismo Social. Minutos antes de chegar no evento, Alexia recebeu um e-mail que a convidava para trabalhar no projeto social de uma empresa.
“Eu consegui chegar no caminho que eu queria por meio dessa disciplina. E o incrível é que consegui entender que eu não preciso estar só dentro do meu curso, só dentro da minha área. Eu consigo conectar a minha área com a parte social, consigo conectar sustentabilidade, empreendedorismo, com a sociedade. A DPP me fez entender isso”, relatou. “Eu consegui entrar num mundo completamente diferente do meu, essa coisa de explorar o novo, de mudar a tua visão de mundo, isso foi extremamente incrível. E com certeza é uma coisa que na graduação inteira vai estar presente por causa dessa disciplina”, completa.
Confira algumas fotos do evento, feitas por Ângelo Gabriel.
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O andar B foi dividido em espaços, ocupados por professores e graduandos dos cursos participantes. Aparelho de ultrassom, óculos de realidade virtual e impressora 3D foram alguns dos equipamentos que fizeram olhos de muitos estudantes brilharem. Mas a estrela do encontro foram as oficinas, preparadas para ajudar os estudantes, por meio de atividades práticas, a escolher quais carreiras seguir no futuro. Agata Cristina, que participou da oficina Biodiversidade que salta os olhos, achou que o evento foi muito importante. “Ajudou os alunos a conhecerem as áreas que têm interesse”, disse.

João Quaresma estava muito animado ao fim da oficina A construção da imagem publicitária em estúdio. Ele participou também de outros encontros oferecidos pela Escola da Indústria Criativa. “Acho que consegui escolher o curso e a universidade que vou me dedicar no próximo ano”, revelou o estudante.

A oficina Suporte básico de vida deu um empurrãozinho para que Daniele Peixe decidisse qual carreira seguir. Ela participou de oficinas promovidas pelos cursos de Design, Nutrição, Farmácia e Medicina. No Conecta do ano passado, Daniele já havia se interessado por Farmácia. Ela pesquisou mais sobre o curso, já que queria algo na área da saúde, e, depois das oficinas deste ano, ficou mais segura. “Eventos como esse são essenciais, pois ajudam a gente a entrar em contato prático com diferentes profissões”, avaliou Daniele.

Anderson Lecine, aluno de Medicina, foi um dos muitos graduandos que ajudaram na execução das oficinas. “Esse tipo de experiência é fantástica para os alunos de Ensino Médio, porque permite que tenham uma prova do que eles vão estudar e praticar durante o curso”, explicou o futuro médico, que participou da oficina Suporte básico de vida. Ao ouvir as dúvidas dos estudantes, Anderson diz que se reconheceu quando ainda estava pensando em entrar no curso. “O Conecta é significativo, pois os alunos que participam estão prestes a tomar uma decisão importante sobre o futuro profissional deles”, comentou.
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Gastronomia
Estágio Obrigatório
Jornalismo
Empreendedorismo e Inovação: conceitos e práticas
Antropologia Filosófica e Comunicação
Negociação (optativa)
Publicidade e Propaganda
Antropologia Filosófica e Comunicação
Negociação (optativa)
Relações Públicas
Antropologia Filosófica e Comunicação
Negociação (optativa)
Empreendedorismo e Inovação: conceitos e práticas (optativa)
Para os cursos de Humanidades, Artes e Tecnologia, Comunicação Digital, Design, Fotografia, Moda, Produção Fonográfica e Realização Audiovisual, não há oferta de turmas. As disciplinas dos demais cursos precisam ser conferidas no Minha Unisinos.
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https://soundcloud.com/unisinosfm/conexao-unisinos-importancia-dos-cursos-de-humanidades-maura-corcini-lopes
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]]>O coordenador do curso conta que o bacharelado possibilita que cada estudante crie uma trajetória acadêmica diferente, formando “generalistas de alta competência”, ou seja, pessoas que se adaptam conforme as necessidades do mercado. A escolha de atividades optativas, porém, não é feita sem supervisão: “temos uma preocupação constante de acompanhar os alunos durante essas trilhas.
A gente oferece interfaces entre as áreas e uma noção bem fundamentada dos cursos com os quais a gente dialoga”, diz Micael. Além das atividades optativas, que estão dentro das redes previstas pela grade do curso, o bacharelado prevê três disciplinas de livre escolha, podendo ser de qualquer curso de graduação da universidade.
Essa característica de promover a autonomia foi destacada no Unisinos Conecta de 2018, evento voltado aos estudantes de Ensino Médio para apresentar os cursos de graduação. O bacharelado foi apresentado na ocasião com a oficina Hibrid Future. A atividade contou com a execução de um jogo, onde os alunos criaram novas profissões e modificaram as trajetórias acadêmicas, de acordo com as tendências que previram. Cada participante criou um protótipo visual baseado em suas respostas, sendo todos exibidos em uma exposição no Conecta.
A articulação com diferentes áreas e a cultura de projeto também são destacadas pelo coordenador Micael Behs. A cada semestre, os estudantes devem cursar disciplinas chamadas de laboratórios. “Eles são compartilhados entre alunos do bacharelado, da moda e do design, tendo 60 horas teóricas e 60 horas práticas”, explica o professor. Dentro da parte prática, há workshops e uma banca que irá avaliar cada projeto desenvolvido. Nessas atividades devem ser desenvolvidas ideias a partir de necessidades da comunidade.
Entre os possíveis trabalhos para quem conclui o Bacharelado Interdisciplinar de Humanidades, Artes e Tecnologias estão a curadoria de informações, o tratamento de dados, a articulação de soluções de empreendedorismo, inovação e sustentabilidade, além do fomento de novos negócios criativos. O mestrado também é uma opção para quem deseja seguir a área acadêmica após o curso. “Temos perspectivas muito promissoras de onde os graduados no curso vão poder trabalhar”, conclui o coordenador.
Clara Chittolina é estudante do Bacharelado do segundo semestre e está gostando do caráter interdisciplinar do curso: “é muito bom poder estar construindo e participando desse novo formato de graduação, super aberto em possibilidades e que busca derrubar as barreiras entre conhecimentos, mesclando essas fronteiras”.
O ingresso para o curso ocorre por meio do vestibular, e a matrícula mínima é de 12 créditos, sendo o equivalente a três disciplinas. A maioria das atividades é no turno da manhã, mas há a possibilidade de fazer algumas aulas à tarde ou à noite.
O bacharelado não prevê estágio obrigatório e exige a realização de 400 horas de atividades complementares. Essas atividades podem ser cursos, palestras, eventos e publicações de artigos (totalizando 200 horas), além da participação em projetos culturais, voluntariado, trabalhos em espaços de coworking e viagens de estudo (para a outra metade da carga horária). As viagens costumam ser feitas em parceria com o curso de Design da Unisinos e são realizadas duas vezes ao ano.
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João Ricardo de Bittencourt Menezes nasceu em Gravataí, no Rio Grande do Sul. Seus avós eram agricultores da área rural de Porto Alegre. Plantavam, colhiam e vendiam verduras para entregar na porta das casas do centro da Capital. A mãe, cuidava da casa. O pai, técnico em enfermagem, trabalhou no Hospital de Pronto Socorro até se aposentar.
Na escola, o João era um aluno de boas notas. Não gostava de estudar, mas tinha uma excelente memória, o que ajudava a lembrar do conteúdo nas provas. Em casa, era leitor assíduo de quadrinhos, assistia aos programas de tevê dos anos 80 e não perdia uma série animada. Aos oito anos de idade, teve o primeiro vídeo game, uma versão pirata do pioneiro Atari. Também ouvia música e gostava de literatura.

Enquanto jogava no novo console, um Megadrive, é que veio a vontade de trabalhar fazendo jogos. Na época, era difícil comprar um computador e a família não entendia exatamente o que era a máquina, confundiam com o próprio vídeo game.
Aos 16, descobriu o mundo fantástico dos livros de Role-Playing Game (jogo cooperativo em que um grupo de pessoas cria a história a ser jogada em conjunto), o que ajudou a estimular a imaginação e o gosto pelos games. No mesmo ano, comprou seu primeiro computador. “Fui comprar quando eu tinha 16 anos, um 486, mas muito pilhado nessa área, queria entrar em alguma coisa pra fazer jogos”, relembra.
No Ensino Médio, João cursou Química, mas entendeu que não pertencia ao ramo. Fez vestibular na Unisinos para Análise de Sistemas e, como segunda opção, para Publicidade e Propaganda, “porque eu achava que tinha alguma coisa na área da comunicação”, comenta. Conseguiu passar para a primeira opção e iniciou o curso de Análise em 96.
O curso não proporcionava um ensino diretamente para games, então, sempre que podia, envolvia o assunto. “Ah, tem um trabalho de comunicação? Jogos. Tem um trabalho de empreendedorismo? Montava uma empresa de jogos, saca? Pra poder aproveitar ao máximo”, comenta. Se formou em 2002 e o trabalho de conclusão teve o tema esperado: jogos. Inclusive, a banca avaliadora foi composta por três professores que, mais tarde, elaboraram o plano político-pedagógico do curso de Jogos Digitais da Unisinos.
Após concluir a graduação, cursou o mestrado em Ciência da Computação na PUC-RS com a professora Lúcia Maria Giraffa, que pesquisava jogos voltados para a educação. Depois de formado mestre, passou a dar aula na Universidade Franciscana, em Santa Maria, até 2005.
Em 2004, a Unisinos lançava o primeiro curso de Jogos Digitais do país e estava formando o corpo docente. João foi chamado para compor o time de professores e lecionou para a primeira e segunda turma.
Também naquele ano, abriu uma empresa de games. “Entrei um pouco mais nessa parte de empreendedor, comecei a fazer uns jogos mais independentes”, conta. A companhia desenvolvia os jogos e vendia para empresas na Ásia, “Praticamente todos os jogos que a gente fazia aqui, mandava pra Asia. Na época a gente ganhava 10 dólares fazendo os jogos”, comenta.

A distribuição dos jogos na época era muito complicada. Era necessário vender o produto para as operadoras de celular e, para isso, existia um distribuidor que fazia o “meiocampo”. “Fui em feira na Alemanha, no Canadá, tudo pra tentar fazer essa distribuição. Até que um dia a gente conseguiu um cara que era integrador, que recebia jogos de vários lugares e ia mandando para as operadoras”, relata.
Em 2007, o João foi chamado para coordenar o curso de Jogos da Unisinos. Em 2013, porém, com o nascimento do segundo filho e o desejo de fazer doutorado, se afastou da função.
O doutorado foi a chance que João teve para estudar outras áreas. Ingressou na área de Ciências da Comunicação em 2014, com o professor Gustavo Fischer. “Assim eu fui me dando conta do quanto a área de jogos conversa com as outras. Computação, design, comunicação. Quis conhecer outras coisas, outros teóricos, abrir um pouco a cabeça”, fala. Mas nem em outros campos de estudo o João deixou de pensar em jogos. “As Imagens Videográficas nos Jogos” é o título da tese, que defenderá ainda nesse ano. “Tenho vários olhares, mas tô toda hora trabalhando com game”.

João, agora focado na carreira acadêmica, sente saudade de produzir jogos. “Um dos meus orgulhos foi o primeiro game que a gente desenvolveu na empresa, o Shotguns n’ Goblins, relata. O processo criativo do game envolveu um desenhista do Rio de Janeiro, que trabalhou em parceria com a empresa. “Não tinham artistas aqui, então falei com meu parceiro, um cara do Rio. Ele trabalhava de lá e fez todas as sprites, todo o background“, comenta João. Para a trilha sonora, uma banda de Santa Maria estava lançando seu álbum e cedeu as músicas. Cada fase do game era trilhada ao som de uma canção da banda. “A gente pensava numas coisas que estavam bem à frente do nosso tempo”,
reflete.

A maior inspiração de João sempre foi a família. “Meu avô foi uma pessoa que batalhou, bem simples, mas um cara com muita visão e muito honesto, com valores muito fortes”, relembra com carinho. A esposa e os filhos também são fundamentais, “Minha esposa, pela sua garra, e meus filhos, que estão sempre me ensinando novas coisas. São meu laboratório para os experimentos envolvendo games”, brinca.
Seus orientadores foram o norte na sua vida acadêmica. Fernando Osório, na graduação, auxiliou com a iniciação científica de João. “Publiquei um monte com ele na parte de jogos. Foi um cara essencial”, fala. Lúcia Giraffa, no mestrado, e Gustavo Fischer, no doutorado, também fizeram a diferença na vida do coordenador. “O Fischer não foi protocolar, foi um cara que realmente fez a diferença”, relembra.
No mundo dos jogos, considera como referência John Carmak, um dos criadores do lendário Doom (jogo popular em primeira pessoa que combina elementos de duas e três dimensões). João também se considera influenciado pelos grandes nomes da literatura, como Neil Gaiman, Alan Moore e Stephen King. “É difícil de separar em caixinhas, mas são nomes muito importantes”, comenta explicando que, no fim, as referências transcendem suas áreas.

Ao voltar para a coordenação do curso, João fala que esse tempo em que esteve longe fez bem para adquirir novos conhecimentos e refrescar as ideias. “Uma coisa que eu sempre achei da coordenação é que ela não pode ser profissão. A coordenação tem que ser passagem”, explica. Acredita que o coordenador deva passar um tempo na posição, dar seu olhar ao curso e, depois, dar espaço para que outra pessoa possa fazer o mesmo, com ideias novas e com ritmo novo. “Em 2013, eu já tava ficando muito assim, eu fiz as coisas que tinha que fazer e já tava meio que achando que não conseguia mais fazer nada. Então foi boa essa parada”.
João ressalta a parceria com sua colega Rossana Queiroz, que assumiu a coordenação do curso de Jogos no final do passado e mantém o posto. “Muito importante essa parceria e ela é uma pessoa muito legal”, comenta.
Agora, João quer dar mais visibilidade e revitalizar o curso. “São 11 anos desde a última reforma no curso, muita coisa mudou”, fala. Pretende explorar mais o alcance dos jogos dentro da sociedade e dar mais suporte aos alunos, através de cursos de extensão e renovando a parceria entre a Unisinos e a empresa de games, Sony. Acredita que os jogos precisam falar de problemas sociais como racismo, e mostrar movimentos como a causa LGBTQ+ e as questões de gênero. “No cinema é comum falar disso, na literatura é comum falar, agora, nos jogos, as pessoas pensam ‘não, isso é coisa de criança’, relata.

De uma criança que brincava de dar aula, escondida em seu quarto, a uma grande fotógrafa, professora e agora coordenadora do curso de Fotografia da Unisinos. A vida fez com que Marina Chiapinotto escrevesse certo por linhas inesperadas.
Em Santa Maria, quando criança, lecionava para alunos imaginários em um quadro negro que ficava no seu quarto. Gostava tanto da brincadeira, que deixava de fazer os trabalhos da aula para passar horas ensinando o que sabia para o cômodo vazio. Filha de professora, por diversas vezes acompanhava a mãe durante o trabalho, junto da irmã mais velha, já que não tinha quem cuidasse das pequenas em casa.
Com o tempo, foi criando gosto pelo ofício da mãe, que não aprovava uma filha professora. “Uma vez, a minha mãe me pegou dando aula ao invés de fazer meus temas de casa e ela falou ‘vai fazer tuas coisas, tu tens temas’ e eu respondi ‘mas deixa eu brincar, eu quero ser professora’ e ela tirou o quadro de mim”, conta. Sem o quadro, Marina riscava as portas do armário de madeira e não abandonou seu carinho pela profissão.

Marina participava de concursos de redação na escola e era sempre premiada. Nas aulas de português, se destacava. Na hora de escolher um curso superior, pensou no que sabia fazer de melhor e assim ficou em dúvida entre Jornalismo e Relações Públicas. “Eu escolhi o Jornalismo. Sempre fui de complicar e sempre escrevi muito bem. Pra mim, a escrita é fácil, é uma coisa natural”.
“Eu comecei a olhar para o que eu gostava, e exatas eu tinha pavor. Sorte que minha mãe era professora de Matemática, ela estudava junto com a gente em casa”, conta. Apesar de escolher Jornalismo, prestou o primeiro vestibular para Direito, apenas para agradar a mãe. “Eu fui fazer com falta de tesão porque eu sabia que não era aquilo que eu queria pra mim, eu achava tão careta e não convencional pra minha personalidade que eu fiz de qualquer jeito” – e acabou não sendo aprovada. No ano seguinte inteiro, estudou para o vestibular de Jornalismo e ingressou no curso em 2003, no Centro Universitário Franciscano (Unifra).
A irmã mais velha cursava Desenho Industrial e tinha uma câmera analógica para trabalhos da faculdade. “Eu olhava pra câmera dela e tinha muita vontade de pegar e fotografar e ela não deixava”, lembra. Um mês depois de concluir o curso, a irmã se mudou para São Paulo e deixou para Marina a câmera.
Logo no primeiro trabalho da faculdade, Marina recebeu a feira do livro da cidade como pauta. Deveria ser uma cobertura simples, apenas um texto, mas a estudante levou a câmera para a feira e a fotografou. Entregou a matéria com as fotos para o professor. Se surpreendeu quando o retorno chegou, ele havia gostado das imagens. “Ele perguntou se eu já fotografava e eu falei que não, que eu peguei uma câmera, coloquei um filme, botei no automático e fiz as fotos”.
No semestre seguinte, ingressou no jornal experimental da faculdade. Com o presídio da cidade como pauta, Marina levou a câmera novamente, e entregou fotos excelentes. “Eu fotografei e foi algo muito natural porque as minhas fotos ficaram muito boas […], não tinha técnica, mas eu tinha o olhar, que é algo bem importante”. Ao mesmo tempo, fazia a cadeira de fotografia. Uma das saídas de campo, na fábrica de vagões de Santa Maria, rendeu fotos que foram expostas no Museu de Artes do Rio Grande do Sul e a tornou finalista estadual de um concurso.

Em 2004, passou na prova para monitoria da cadeira de foto e, no final do quarto semestre, começou a trabalhar como fotógrafa em um jornal local, através da indicação de uma professora. Na redação, teve um extenso aprendizado, que carrega com orgulho. “Entramos no carro e o editor me deu a câmera na mão, aí eu falei ‘eu nunca peguei uma câmera digital na mão’, ele disse ‘bom, o princípio é o mesmo, olha e te acha até tu chegar lá porque tu vai ter que fotografar essa pauta’”.
Embora trabalhasse no jornal, ela sempre foi engajada com o curso. Manhã, tarde e noite, a Marina sempre estava em alguma atividade, ora na redação, ora na faculdade. Foi em um curso de extensão que ela teve um trabalho que considera muito importante, nem tanto profissionalmente, mas na pessoa que a Marina é. Consistia em ensinar fotografia experimental para crianças carentes por meio da técnica de pinhole. O objetivo era ensinar alfabetização visual.

Em outro momento do curso, trabalhou com assessoria de imprensa. Um dos professores era assessor da Secretaria de Cultura de Santa Maria, e os eventos municipais sempre tinham um pouco do seu suor. “Eu nunca trabalhei formalmente na assessoria, ali não era um estágio, era uma experiência real de assessoria”, comenta. Olhando para a mesa, ela diz que nunca imaginou que seria jornalista e que, dentro da profissão, trilharia o caminho da fotografia. “A vida deu um monte de voltas e eu acabei fazendo coisas que eu não esperava e terminei como professora coisa que eu sempre desejei na infância”.
Agora, como coordenadora do curso de Fotografia da Unisinos, Marina sente gratidão por todo aprendizado e reconhece que ele ainda não acabou. Como docente, acredita que aprende mais do que ensina e, na coordenação, não é diferente. Para finalizar, ela completa “Se tiver que resumir em uma palavra, essa palavra será aprendizado”.

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