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Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube.
O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies).

“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.”
Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.

Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.
Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamada “Três ondas de impacto”, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo?

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.
A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.
“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.

Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.
Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação.
“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas.
“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa

Conforme estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando?
As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!
Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação.
Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.
O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”.
Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.
Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele.
“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”

“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.”

Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada.
“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.”

“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”

No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”
Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.”

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio).
O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.”

“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.”

A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.”

“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.”

Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.
“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.”
“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.”

A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.
“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.”

O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.
Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST.

A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.

A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.

A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição!
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]]>Egresso do curso de Publicidade e Propaganda, Kim é Head of Hesearch na Aerolito, que reúne um conjunto de iniciativas que ajudam empresas e sociedade a usarem os futuros. Ele é responsável pelo Futures Studio, um dos braços da Aerolito dedicado a projetos corporativos, como o desenvolvimento de metodologias autorais de pesquisa e inovação.
A participação de Kim será transmitida pelo canal do Mescla no YouTube e os interessados podem fazer a inscrição na plataforma eventos Unisinos. A palestra terá início às 20h. Mas, se você é ansioso como a gente, já poderá ter um gostinho antecipado do que o publicitário abordará em sua apresentação. Confira, a seguir, uma rápida conversa que o Mescla fez, via e-mail, com Kim Trieweiler:
Mescla – Quais são os principais tópicos que serão abordados por você na palestra que abrirá a Semanada da Comunicação?
Kim Trieweiler – A espinha dorsal será o tema “Futuros”, no plural. Costumamos achar que o futuro é um só e, por isso, precisa ser previsto para nos adaptarmos e reagirmos a ele. Mas não é verdade. Pelo menos, não é a única verdade. Durante a conversa, quero abordar temas como “futures literacy”, ou “alfabetização para futuros”, como uma habilidade fundamental para que as pessoas sejam capazes de imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos e para diferentes fins. Quero compartilhar um pouco a metodologia de pesquisa de futuros da Aerolito, a “3 Ondas de Impacto”. Com ela, conseguimos entender melhor os objetos do amanhã que nos cercam e o que eles testemunham sobre futuros para nós e, talvez, nos letrarmos um pouco mais neles.
Mescla – De estudante de Publicidade e Propaganda na Unisinos até se tornar Head of Research na Aerolito, o que você pode destacar na sua carreira que hoje fez a diferença?
Kim Trieweiler – É difícil fazer esse exercício de olhar no retrovisor e destacar algo que acho que fez a diferença. Acredito que seja mais a soma de fatores do que qualquer outra coisa. Dito isso, talvez algo que me ajudou foi sempre enxergar o que eu estava fazendo no momento como infraestrutura para algo que eu queria no futuro. A gente faz isso muito com curso e educação: escolhe ele querendo alguma coisa, mas faz isso pouco pensando a nossa carreira de forma mais ampla. Tudo sempre era uma oportunidade para outra coisa. Pode parecer meio utilitarista, mas não acho que era. Eu sempre tive algum desejo de algo futuro que me movia, me fazia traçar planos do que eu precisava para estar lá e o resto ia acontecendo naturalmente. Durante a minha vida profissional, me apaixonei por pesquisa e, dentro da pesquisa, por processos metodológicos de pesquisa. Fui plugando pontos e hoje, na Aerolito, desenvolvo, junto com a minha equipe, metodologias autorais de estudos de futuros. A Unisinos foi fundamental nessa jornada, com professores e colegas inspiradores que me faziam querer fazer e entregar sempre mais.
Mescla – Poderia nos explicar um pouco como funciona a Aerolito?
Kim Trieweiler – A Aerolito é um ecossistema de letramento de futuros. Funcionamos a partir de iniciativas que, através de diferentes meios, ajudam as empresas e a sociedade como um todo a usarem os futuros. Temos uma unidade de cursos para o público final. Talvez algumas pessoas conheçam a Aerolito pelo curso Friends of Tomorrow, que foi responsável por trazer muitos conceitos de futurismo para o Brasil. Outro braço é um laboratório de experimentação tecnológica. Nos próximos meses, inclusive, iremos lançar uma loja de consumo consciente que servirá como um meio para que consumidores reflitam no ato da compra, enquanto utilizam ela. Apesar de atuar transversalmente em todos esses projetos, em maior ou menor grau, sou um dos responsáveis pela unidade chamada Futures Studio, um estúdio de projetos corporativos onde atuamos com metodologias autorais de pesquisa e inovação, além de projetos de educação corporativa, em que atendemos empresas como Ambev, 99, Boticário, São Martinho, Vibra, MRV e muitas outras, de diferentes mercados.
Mescla – A comunicação é uma área que se modificou muito com o avanço da tecnologia nas últimas décadas. Você acha que ainda há espaço para mudanças nessa área?
Kim Trieweiler – Definitivamente. Estamos arranhando a superfície das transformações que ainda estão por vir, muitas delas vinculadas às novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas por empresas e por laboratórios em universidades ao redor do mundo. Para dar um exemplo e deixar essa resposta mais tangível, posso citar a Synthesia, uma empresa que aplica a inteligência artificial para editar vídeos, e até gerar vídeos e áudios em tempo real a partir de inputs de texto. Algumas pessoas podem chamar isso de deep fake, uma denominação que pode levar a gente a pensar em aplicações mais danosas da tecnologia. Mas podemos imaginar, por exemplo, gravar um telejornal que se assemelha ao transmitido ao vivo, mas com avatares no lugar de apresentadores e apresentadoras. Podemos considerar um futuro em que a edição de vídeo poderá ser usada para que alguém fale algo diferente do que foi dito originalmente, como o exemplo de uma ação da marca Lays, que usou essa tecnologia com o jogador de futebol Messi. E poderíamos ir muito mais longe para pensar isso, como a edição de filmes em tempo real nas plataformas de streaming. Costumo falar que a tecnologia é uma habilitadora de futuros. Ela nos possibilita explorarmos um campo de possibilidades novo, que, sem ela, não existia. Isso tudo sem falar de novos meios de comunicação. Marshall McLuhan afirma que “o ‘meio’ é a ‘mensagem’. Temos muitas mudanças para acompanharmos ainda.
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Ligado na história e principalmente nas tendências lançadas todos os anos no festival, o aluno do curso de Comunicação Digital da Unisinos Shahin Nasrabadi viu no curso de extensão e intercâmbio para o SXSW, promovido pela Unisinos, a oportunidade de ver de perto o que há de novo no mundo da tecnologia. “Quando fiquei sabendo que ia rolar esse curso, já fiquei pilhadão. É um lugar para ver onde o futuro tá indo e de que forma a gente pode se preparar para direcionar nossas ideias e pensamentos para essas tendências”, contou. O próximo passo foi programar o quesito financeiro e arrumar as malas.

Foram centenas de eventos integrando a programação do festival e acontecendo simultaneamente no SXSW. São diversos pontos da cidade recebendo atrações, o que exigiu muita organização por parte dos participantes. Apesar de integrar um grupo de alunos e professores, Shahin comentou que é preciso pensar em uma organização “por conta”, focando nos interesses pessoais de cada um. “Muitas vezes o pessoal do grupo se dividia, cada um ia para uma palestra ou painel diferente e depois a gente trocava uma ideia”
Além da participação efetiva nos painéis e discussões, a troca de ideias nos bastidores proporciona muita informação e troca de conhecimento entre os participantes. No depoimento de Shahin não foi diferente. Ele contou que, apesar da organização divergente de cada um, rolou muita conversa sobre os tópicos abordados. “A gente conversava a respeito do que viu, previsões para o futuro, se é assustador ou não. Enfim, foi muito bacana essa troca de experiências com a gurizada”.

A bagagem do estudante voltou para o Brasil um pouco mais pesada do que foi, e não é culpa dos brindes e compras feitas por lá! O festival que lançou empresas como o Twitter, Airbnb e Wikipedia, foi uma fonte inesgotável de conhecimento e é este aprendizado que volta para casa com ele. “A cada palestra ou painel, a cabeça saia pipocando de tanta ideia de aplicação pra fazer nos nossos projetos pessoais e trabalho de conclusão, enfim, realmente ver pra aonde a tecnologia tá nos levando, o comportamento das pessoas e tudo mais”. “Toda a vez que a gente viaja a gente tem uma visão de mundo diferente, vai abrindo os horizontes”, garantiu.
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