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Com 22 anos, ela estava infeliz com a faculdade de Design Gráfico e foi convidada a trabalhar no estúdio de foto da tia. Na época, retocava as imagens e não podia fazer fotos no estúdio. O amor pela fotografia nasceu e ela decidiu registrar os momentos com as amigas no final de semana. “Gostei muito das fotos e resolvi que queria estudar isso”, conta. Logo após, iniciou a graduação em Fotografia na Universidade Luterana do Brasil, em Canoas.
Formada em 2012, trabalhou por algum tempo em um estúdio em São Paulo e, em 2014, virou freelancer. “Há quatro anos eu realmente comecei a viver das minhas fotos. Antes já vivia disso, mas não do ato de fotografar.” No mesmo ano, morou seis meses na Índia e lá deu aula de fotografia para crianças. Utilizando o Instagram como diário pessoal, Luisa percebeu que retratava diversas mulheres ao redor do mundo. Apaixonada pela topografia dos rostos femininos em suas fotos, criou a hashtag e projeto #womantopography. Ela resume a iniciativa em “mulheres de diferentes idades, de diferentes lugares, de diferentes raças, com diferentes paisagens atrás de si.”
Foi em um de seus trabalhos independentes que Luisa conheceu Maysa Leite, uma menina que sonhava em ser Miss. Acompanhando a jovem desde 2014, Maysa também representa um dos grandes projetos de fotografia documental dela. Por suas lentes é possível observar as transformações, conquistas e empoderamento da jovem, hoje, com 15 anos. “Quando você quer ser fotógrafa, se torna mais empática. Maysa me ajudou a ser muito mais consciente sobre a realidade do meu país. A fotografia faz isso, permite conviver com pessoas e entrar em lugares que talvez não entraria por conta própria”, afirma.

Através das imagens de Maysa, a editora da Time, Kira Pollack, encontrou o Instagram de Luisa. Após conhecer o projeto #womantopography, Kira a colocou à frente de um dos projetos multimídias mais ambiciosos da revista. Firsts retratou 46 mulheres que foram as primeiras em diversas atividades, desde concorrer à presidência ou ter 100 milhões de seguidores no Instagram. Todas as fotografias foram produzidas por Luisa com três versões do iPhone e luz natural. Hillary Clinton, Aretha Franklin e Oprah Wilson foram algumas das mulheres convidadas. “O que eu gosto desse projeto é que quando você vê o resultado, as fotos parecem mais reais. Quando uma foto é toda produzida se torna difícil reconhecer o ser humano por trás da imagem e se inspirar nele. Nesse caso, é o contrário que acontece”, explica.

A escolha do celular se deu pela estética desejada e, segundo Luisa, o aparelho permite mais adaptabilidade. “O que importa é o resultado final do produto e não a ferramenta que você escolheu para criar”, explica. Hoje, Luisa soma no currículo diversos veículos, trabalhando principalmente para publicações internacionais. Entre os nomes para os quais já trabalhou estão Vice, CNN, Vogue, El País e Weird New Yorker. Atualmente, ainda é freelancer e desenvolve projetos autorais de imersão em comunidades sub-representadas.
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]]>Criados na década de 60 e desenvolvidos apenas para fins militares, os drones demoraram a se incorporar na nossa cultura, sendo mais procurados a partir de 2010. Vistos com desconfiança por sua capacidade de filmagem e alcance quase ilimitado, os VANTs foram regulamentados no Brasil em 2017 pela Agência Nacional de Aviação Civil, a ANAC. Hoje, é comum ver esses aparelhos sobrevoando grandes eventos e a reprodução de fotos feitas com eles em redes sociais.
Para o fotógrafo e professor Bruno Alencastro, os drones trouxeram inovação no campo fotográfico e a facilitação da imagem aérea. “Sempre foi uma possibilidade fazer fotografias e imagens aéreas no jornalismo, mas era muito caro. Eu lembro de uma vez que voei de helicóptero para cobrir uma enchente. O jornal pagou R$ 2 mil por um voo de uma hora de duração. Hoje, com R$ 2,5 mil você consegue comprar o equipamento e ter voos e possibilidades infinitas de produzir conteúdo, seja foto ou vídeo”, conta ele.

Segundo Bruno, os drones trazem diversas alternativas estéticas que não são alcançadas com um equipamento fotográfico comum. São grafismos, plongées, imagens com zero absoluto e elementos visuais da paisagem, que podem ser identificados através do Google Earth. Na área de produção audiovisual, o drone cumpre o papel de um guindaste e possibilita o movimento travelling, um recurso que executa imagens panorâmicas contemplativas de deslocamento, comuns no cinema. Uma das principais mudanças também acontece na forma da capturação. “O equipamento é fotográfico, mas ele é principalmente um equipamento de aeromodelismo, por isso é preciso uma formação técnica para quem vai comandar do drone”, explica o fotógrafo. “Existe uma limitação de tempo de voo, bateria, da própria condição técnica de ser uma lente fixa, sem zoom na maioria dos casos”, completa.
Entretanto, algo que não muda é a necessidade de pensar na imagem e na necessidade dela. Bruno já trabalhava desde 2012 com drones, quando em 2017 realizou um ensaio durante sua especialização em fotografia, em Barcelona. Morando perto da Sagrada Família, um ponto turístico famoso do país, o profissional via milhares de turistas fazendo as mesmas fotos todos os dias. “Eu fiquei muito provocado com isso. Pensando em como produzir uma imagem diferente da Sagrada Família. Fazia pouco tempo que eu tinha comprado o drone e estava querendo testar o recurso de 360 graus. Fotografei esses lugares com uma técnica em que eles parecem planetinhas. São fotografia aéreas apresentadas de forma esférica, parecendo um globo terrestre”.
Bruno também fotografou outros pontos turísticos da cidade. O ensaio ganhou fama e foi publicado em centenas de jornais e portais, em mais de 15 países. “Para mim, o desafio da fotografia e da imagem de hoje é isso, testar, levar o formato ao limite, experimentar e correr riscos. Não ficar aceitando a crise da imagem, mas tentar responder a ela com inovação. O drone para mim serviu para isso, para testar novas linguagens e formatos, salienta.
A revista americana Time lançou em maio desse ano a reportagem especial “The Drone Age“. Entre as diversas matérias sobre as novas perspectivas que os drones trouxeram para vários setores da sociedade, a maior inovação da edição é a própria capa. Em uma iniciativa ousada a Time reuniu 958 drones para reproduzir a diagramação da capa no céu e fotografar essa imagem com o equipamento também. Segundo o professor Bruno, a iniciativa é o “o ápice da metalinguagem de fotografia aérea”. No vídeo abaixo (em inglês) há o making off da produção:
O projeto da Time abre espaço para os drones em mais veículos tradicionais e mídia impressa. “Eu acho que o desafio agora é usar ainda mais os recursos que o drone pode oferecer. Por enquanto se utiliza muito ele como produtor de imagens (fotos e vídeos aéreos), mas o equipamento, o software, no quesito da programação pode oferecer muito mais. Tudo o que a Time fez foi programado a partir de um comando. Os drones já estão mapeados, eles sabem como têm que ficar dispostos para gerar aquela imagem. Tem uma série de coisas que se pode fazer programando o drone, mapeando e criando infográficos”, explica Bruno. “Com o perdão do clichê, o céu é o limite agora”, finaliza.
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