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Arquivos Ficção - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/ficcao/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 23 Dec 2022 17:18:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 O que você anda lendo? https://mescla.cc/2022/12/23/o-que-voce-anda-lendo/ https://mescla.cc/2022/12/23/o-que-voce-anda-lendo/#respond Fri, 23 Dec 2022 17:00:00 +0000 http://mescla.cc/?p=17529 As férias chegaram! Junto com elas, surgem vários momentos leves, que são menos frequentes durante o ano – especialmente na época de aula. Pensando nessas ocasiões, em que você estiver de bobeira no quarto, na beira da piscina, em uma rede na casa de praia ou só dando uma volta no parque, espairecendo tudo o […]

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As férias chegaram! Junto com elas, surgem vários momentos leves, que são menos frequentes durante o ano – especialmente na época de aula. Pensando nessas ocasiões, em que você estiver de bobeira no quarto, na beira da piscina, em uma rede na casa de praia ou só dando uma volta no parque, espairecendo tudo o que viveu em 2022, preparamos uma lista de indicações de leitura para converter o tédio em novas histórias.


Para isso, reunimos a nossa equipe de reportagem, formada pelas repórteres Laura Santiago, Paola De Bettio e eu, Marília Port. Cada uma de nós deu três dicas de livros que merecem muito uma chance nessas férias. São recentes e antigos, de diferentes gêneros, autores e nacionalidades, mas todos têm algo em comum: a arte de pausar a realidade e viver outras vidas através das suas páginas. Bora conferir?


“A árvore generosa” – indicado por Paola De Bettio


A história é de autoria de Shel Silverstein, o mesmo autor de “A parte que falta”. O livro é muito comovente e sensível. Traz dois personagens: um menino e uma árvore. Eles nutrem uma amizade especial, até o menino crescer e desejar usar a árvore ao longo de várias ocasiões da vida dele, em uma atitude oportunista, interesseira e egoísta. Ainda assim, a árvore é uma verdadeira companheira.


Datado de 1964, o livro fala sobre como nos relacionamos com os outros e com o mundo, e traz também um importante ensinamento sobre a natureza e o meio ambiente, tudo isso de uma maneira afetiva. Além de ter escrito a história, Silverstein produziu as ilustrações.


“De amor e outros demônios” – indicado por Laura Santiago


Escrita pelo colombiano Gabriel Garcia Márquez, a história de época acompanha Sierva María, menina de 12 anos que contrai raiva ao ser mordida por um cão. A narrativa envolvente transita entre os diferentes pecados capitais, cujos horrores afligem o leitor do início ao fim do livro.


Tudo acontece em uma pequena cidade latina de colonização espanhola, marcada por dogmas católicos, onde o que não fosse ao encontro dos ideais da Igreja era considerado bruxaria.


Diante dos sintomas da doença, os pais, pouco presentes, acreditam que a menina esteja possuída. Por isso, enviam Sierva a um convento. A situação piora cada vez mais, quando o padre local se envolve com a menina. Agora, sem mais spoilers! Você vai ficar preso na história e, quem sabe, lerá tudo em um único dia.


“A vida secreta das árvores” – indicado por Marília Port


Esse é um livro de história real. Por ter uma vasta experiência trabalhando em uma reserva ecológica na Alemanha, o engenheiro florestal Peter Wohlleben dedica as páginas a um pouco de tudo o que aprendeu observando as árvores. Cada capítulo apresenta algum aspecto em particular sobre a forma como vivem, em suas diferenças e semelhanças com os humanos, além das suas interações com outras formas de vida.


À primeira vista, a ideia pode parecer limitada à botânica ou outras disciplinas que se debruçam sobre o estudo das plantas. Mas não se engane: somos muito parecidos com elas e, ao mesmo tempo, temos muito a aprender com a existência delas ancorada na ancestralidade. É uma leitura inspiradora e tranquila, sobretudo para a hora de dormir – embalará o seu sono ao caminhar entre as árvores dos distantes bosques alemães.


“Morangos mofados” – indicado por Paola de Bettio


A obra mais famosa de Caio Fernando Abreu é especialmente memorável agora, em 2022, ano em que a casa do autor em Porto Alegre foi derrubada. É um livro de contos, dividido em três partes: “O mofo”, que traz a melancolia e frisa diversos elementos para isso, como cigarro, bebida e natureza; “Os morangos”, em que a descrição ainda prende, mas aparentemente sem tanta tensão negativa; e “Morangos mofados”, que encerra o livro com um conto.


Esse último, apresentado com uma música dos Beatles, “Strawberry fields forever”, remete à saudade. Talvez aí fique clara a mensagem do autor, sobre “enfeitar a amargura”, porque o morango, mesmo doce e com aspecto de refúgio, está/é mofado. “A vida não é um morango”, diz um dito popular. Talvez seja um morango mofado. Além de mostrar como “enfeitar a amargura”, oferece várias sensações sobre a vida na década de 1980, momento de tensões políticas e sociais em grande parte provocadas pela ditadura militar.


“Anjo de quatro patas” – indicado por Laura Santiago


Este livro é, na verdade, a memória da amizade entre um cachorro e seu tutor, o dramaturgo brasileiro Walcyr Carrasco. O texto explora a parceria e os momentos épicos da amizade do autor com Uno, um husky siberiano. O livro faz com que o leitor se sinta parte da história entre os dois; seja nos momentos felizes, nos momentos estranhos ou nos momentos tristes.


De todas as indicações, essa é direcionada especialmente para aqueles que têm cães como seus melhores amigos e se emocionam com histórias de amizade e superação, como “Marley & Eu” e “Sempre ao seu lado”. A gente sabe como vocês se sentem! 😭🐶


“Toda poesia” – indicado por Marília Port


Se você já leu algo escrito por Paulo Leminski, sabe o poder que ele tem. Se não leu, que essa seja a oportunidade que lhe faltava. Artista das palavras, o autor das poesias dispostas nessa obra provoca, diverte e emociona. Entre jogos de palavras, o tempo parece outro: são centenas de páginas que duram minutos, em que cada poesia equivale a um segundo.


Esse compilado também é uma ótima pedida para quem deseja desbravar os horizontes desse gênero literário e experimentar algo novo, com uma leitura rápida e fluida. Além de tudo isso, ler Leminski significa prestigiar os escritos de um dos grandes nomes da literatura brasileira que, mesmo falecido há mais de 30 anos, continua sempre necessário, histórico e atual.


“Melhores poemas Torquato Neto” – indicado por Paola De Bettio


Vem mais poesia por aqui! Esse livro tem seleção e prefácio de Cláudio Portella. Torquato Neto foi poeta, jornalista e compositor. Criou várias letras de músicas para o Tropicalismo, movimento cultural surgido na década de 1960, e trabalhou nos jornais Correio da Manhã e Última Hora, em que, por vezes, escreveu sua coluna em formato de poesia. Também se aventurou pelo cinema. Existe em sua obra uma certa psicodelia consciente e sagacidade para capturar o abstrato da vida. Sua linguagem poética consegue ser assertiva quanto a uma série de sentimentos.


Transitou ainda pelo cinema marginal e pela poesia concreta. A Vitrine Filmes lançou “Torquato Neto – todas as horas do fim”, trazendo a carga poética, a personalidade e vários trabalhos dele. O título do documentário é uma referência ao final de um de seus poemas, que termina assim: “Eu sou como eu sou presente, desferrolhado indecente, feito um pedaço de mim. Eu sou como eu sou, vidente, e vivo tranquilamente, todas as horas do fim”.


“Em nome dos pais” – indicado por Laura Santiago


Confesso que ainda estou nas páginas iniciais deste livro. Nas primeiras impressões, tudo indica que será uma leitura para relembrar, ou, no meu caso, descobrir ainda mais detalhes da dura realidade da ditadura militar vivida por aqueles que se opuseram ao sistema que dominou o país por 21 anos.


O livro foi escrito por Matheus Leitão, jornalista investigativo brasileiro e filho da também jornalista Miriam Leitão. O autor narra a história do período que foi comandado por militares no Brasil a partir da perspectiva de seus pais, perseguidos pelo regime autoritário – foi em meio a esse caos que eles se conheceram.


“A casa torta” – indicado por Marília Port


Algum leitor de suspense por aí? Pois bem, para completar a lista, foi inevitável incluir a rainha do crime: Agatha Christie. A renomada escritora britânica deixou um legado de dezenas de histórias publicadas em livro, adaptadas ao cinema, traduzidas para inúmeros idiomas. O livro que ganhou o lugar nessa lista é de 1949, e acompanha a investigação do assassinato do patriarca octogenário de uma família grande.


O problema é que, nessa casa, todos são suspeitos. Essa leitura, por sinal, eu mesma ainda não concluí – vai ser uma leitura de férias para mim também. Cabe a nós, eu e você, conduzidos pelos detetives da Scotland Yard, desvendar o mistério.

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Recesso teve 16ª Mostra Unisinos e mostrou o fôlego da nova geração de cineastas https://mescla.cc/2022/08/02/recesso-teve-16a-mostra-unisinos-e-mostrou-o-folego-da-nova-geracao-de-cineastas/ https://mescla.cc/2022/08/02/recesso-teve-16a-mostra-unisinos-e-mostrou-o-folego-da-nova-geracao-de-cineastas/#respond Tue, 02 Aug 2022 16:58:30 +0000 http://mescla.cc/?p=16757 Por Paola De Bettio e Joana Troian A Mostra ocorreu logo após o término do semestre com a exibição de curtas, vídeo clipes e animações em stop motion feitas pelos alunos.  A edição pode ser feita novamente presencialmente, em uma icônica, clássica e querida sala de cinema portalegrense, na Cinemateca do Capitólio.   Neste semestre, novas produções […]

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Por Paola De Bettio e Joana Troian

A Mostra ocorreu logo após o término do semestre com a exibição de curtas, vídeo clipes e animações em stop motion feitas pelos alunos.  A edição pode ser feita novamente presencialmente, em uma icônica, clássica e querida sala de cinema portalegrense, na Cinemateca do Capitólio.   Neste semestre, novas produções serão realizadas e apresentadas em nova Mostra.


Foi o momento para prestigiar os novos cineastas cheios de talento e criatividade e homenagear o ator Clemente Viscaíno, que acompanha as produções dos alunos “cravianos” desde a primeira turma, iniciada em 2003 e formada em 2006. Clemente participou do curta “O Último Almoço de Domingo”, gravado em 2005. Para alguns estudantes também foi a chance de comemorar o fim de uma importante etapa – a graduação. Sem falar na retomada da vida nas ruas e das salas de cinema. Tudo isso trouxe a energia e a vitalidade da sétima arte.


A mostra incluiu vários gêneros  

Cada um dos dois dias contou com uma programação. Cada programa contava com cerca de três curtas e dois vídeos clipes ou dois stop motions. Ao fim de cada um deles os diretores (alunos) debateram com um professor mediador e um convidado especialista.   


Esta edição tinha trabalhos realizados desde 2020 que não puderam ser mostrados por conta da pandemia. Ao final do ano, está prevista mais uma edição com aproximadamente 28 curtas-metragens.


A escola de cinema do CRAV

O terceiro ano do curso é o momento de criar as produções maiores, onde todo o aprendizado da graduação até então culmina na realização de um curta-metragem de ficção. O quarto ano do curso é dedicado aos estágios supervisionados, quando o aluno experimenta o mercado de trabalho. Cada estudante escreve e dirige seu próprio curta. Além do processo de direção dos próprios filmes, eles ainda vão trabalhar como assistentes de direção e produtores no filme de outro colega. Estas são as funções principais que todos exercem. Para complementar a formação, cada estudante pode escolher duas áreas para se especializar, área esta que vai exercer no curta-metragem dos colegas. As especialidades são direção de fotografia, direção de arte, som, montagem, animação e roteiro.


Um dos coordenadores do curso, Milton do Prado, enfatiza esse aprendizado: “O 3º ano do curso é um ano muito intenso. Eles fazem os filmes nos finais de semana. Eles têm aula durante a semana e todo sábado e domingo eles estão ali. Todo sábado e domingo a gente tem um ou dois filmes sendo feitos e os alunos se revezando nas funções”, comenta Milton.


O gênero documental  

A sala já estava bem ocupada na abertura, para assistir aos documentários.  Ao longo da primeira tarde o gênero documentário foi dominante. De antemão, um dos coordenadores do curso, o Milton, frisou a importância de ocupar o Capitólio para prestigiar o audiovisual. O tradicionalíssimo espaço de cinema porto-alegrense, com arquitetura ímpar no centro da capital, e que vive tempos tenebrosos, por serem espaços públicos de arte e estarem recebendo pouco investimento, precisando sempre resistir.  


Antes dos primeiros documentários serem mostrados, foi a vez dos clipes das músicas “Deságua” pela Kaya Rodrigues e “Desilusão”, da banda Almirantes. Essas produções foram feitas pelos veteranos do curso.

Aliando a arte de contar histórias no teatro e a arte do cinema, foi apresentado “Começar, continuar e Permanecer”. No “cenário” de pandemia, quatro atores estiveram no Teatro de Arena de Porto Alegre para refletir sobre suas trajetórias histórias e como a arte aconteceu em meio ao cenário caótico da pandemia. 

O segundo curta documentário daquela sessão foi “Boombap: poesia viva”, que trouxe Tiatã, Elle P., Rainha Ju e Rafuagi para traçar ritmos da poesia marginalizada dentro do hip hop e do slam. Foi lindo escutar sobre união, representatividade, força e coragem com a sensibilidade destes artistas.   

Para finalizar a sessão, “Esse aqui é o meu lugar” trouxe três gerações para falarem sobre a cena do skate em Porto Alegre. Sérgio Marreta, Fabrício Souza e Clara Strack narraram suas histórias pessoais, e traçaram a jornada por afirmação de espaço na cidade de Porto Alegre.  


O arremate do primeiro programa foi o debate com a documentarista Thaís Fernandes, que trouxe sua veia jornalística para entender o processo de criação dos documentários, desde a concepção da ideia até a pós-produção.


A segunda parte da tarde contou com os clipes das músicas “Drink no Inferno”, da banda Fumaça Urbana, e “Amor Líquido”, do Projeto Hare. Logo depois veio “Geração da Consciência”, que trouxe de forma extremamente sensível e bem elaborada o relato de ex-integrantes de organizações militantes sobre como começaram a lutar contra a Ditadura Militar no final de regime. A grande sacada foi que estes relatos foram contados através do rosto e voz de quatro jovens atores, com a mesma idade que os militantes tinham no período. A música ficou com Nei Lisboa, que teve um de seus irmãos assassinado pela Ditadura Militar e cedeu os direitos para o filme.


Enquadradas pela câmera, Gladis e Julia refletem sobre como é a sua relação com a cozinha, as histórias e receitas familiares em “Histórias de Cozinha”. Por fim, “Uma Nova Sinfonia” trouxe a pulsação linda da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), onde o Maestro Evandro Matté e alguns músicos contaram como foram as atividades durante a pandemia e a retomada das atividades presenciais.   


O debatedor foi o pesquisador e crítico Maurício Vassali, que também quis entender sobre o processo de produção e da relação dos diretores com os atores e suas emoções, além dos desafios inesperados de uma produção audiovisual.  


Os documentários ficaram marcados pelas temáticas musicais, afetivas e poéticas, mostrando uma antítese importante na arte de contar histórias: sensibilidade com força. 



A vez da ficção 


As duas primeiras animações feitas em stop motion foram “Acendi ao vê-la”, da Eduarda Brum, que brinca com as palavras e traz um non-sense divertido e criativo; e “Atrás da Porta”, do Maicon Ferreira dos Santos, que trouxe o suspense e os delírios que os medos podem criar na gente. As duas animações tinham cerca de 1min30.  


“A Valsa” foi o primeiro curta de ficção a ser exibido. Com roteiro sensível, afetivo e amoroso, os personagens Lucrécia e Benedito decidem renovar seus votos de casamento no dia de suas bodas de ouro, mas não esperam os truques que a saudade pode pregar. A plateia também não esperava por esse truque, que ficou arrebatada com a história.

“Abissal” traz a personagem Dora, que encontra o corpo de um mergulhador na beira da praia. No entanto, ela é a única que o vê. Com o passar dos dias, ela não consegue discernir entre a realidade e sua paranoia.  

Por fim, “Pelos Olhos Teus”, também traz brincadeiras sutis com as ideias das palavras, já através do título. O curta traz uma história corajosa de amor e descoberta, através da personagem Amélia, que vive com a mãe cega. Após um encontro cheio de frustração, ela conhece Marjorie, uma mulher que desperta sentimentos nela.   


Estiveram presentes na sessão os atores Clemente Viscaíno e Vilma Loner, de “A Valsa”, Isabella Lacerda, Paulo Flores e Clélio Cardoso, de “Abissal”, e Gabriela Iablonovski, Arlete Cunha, Isadora Pillar e Juliano Rangel, de “Pelos Olhos Teus”, além dos músicos Rafael Kurai, Gabriel Thomsen e Madblush, que junto da diretora Natália Polla compuseram a trilha do curta.


Clemente Viscaíno recebeu uma homenagem, que contou com um clipe de suas participações em diversos curtas do CRAV, no qual ele colabora desde a primeira turma, em 2001, na qual um dos coordenadores do curso, Vicente Moreno se formou, inclusive. Clemente disse que adora colaborar com os alunos do CRAV, porque estes alunos são os diretores, roteiristas e produtores do futuro. Ele contou inclusive que já trabalhou com produções da Rede Globo onde encontrou alunos de outras turmas.  Clemente participou de cerca de 27 filmes, entre eles “Como Nascem Os Anjos”, “Memórias Póstumas”, “Carandiru” e “Nosso Lar” e de novelas como “Dancin’ Days”, “Por Amor”, “Anjo Mau” e “Caminho das Índias”.   


Os três curtas foram o trabalho de final de curso de três alunas-diretoras. Para compor o debate, a pesquisadora e crítica Juliana Costa trouxe questões e análises para a conversa.   


Dois dias de exibições 


O segundo dia de Mostra contou com as apresentações de animações e os curtas-metragens.


Stop motions e curtas ficcionais  


“Elevador”, é animação stop motion dirigido pelo Leonardo Kotz. A única sinopse possível é “Sobe ou desce?”. “Embaçados” é a animação dirigida por Luis Simioni, na qual “um olho” descobre que não enxerga bem. 


Os curtas-metragens exibidos na primeira sessão de quarta-feira foram Astronauta Azul, escrito e dirigido por Nicole Vaz, que conta a história de um menino autista que vive a perda da mãe e os desafios que o pai passa para compreender o filho; Livre Ária, com direção de Gabriel Thomsen e roteiro de Gabriel Thomsen e Felipe Trema, que aborda a história de um jovem que tenta escapar da realidade distópica através de memórias do passado; Esboço, escrito e dirigido por Gabriel Picinatto, sobre um homem que se encontra preso em uma sequência de histórias que confundem realidade com fantasia; e Élan, com direção e roteiro de Felipe Trema, em que o personagem André vive solitário até precisar tomar conta do cachorro da vizinha.   


Os debates tiveram foco nos curtas-metragens de ficção, sendo o principal da Mostra, onde foi foi possível conhecer um pouco mais das histórias e o processo de elaboração dos filmes. Autismo, ficção científica, realidades distópicas e reconexão com o mundo foram os temas principais dos curtas da primeira sessão do dia 13. O debate foi conduzido pelo diretor e roteirista Felipe Lesbick, e participaram Nicole Vaz, Felipe Trema e Gabriel Thomsen


Nicole Vaz, roteirista de Astronauta Azul, diz que se inspirou em seu irmão mais novo, que é autista. Para ela, a elaboração da história seria uma forma de homenagear o irmão e abrir espaço para conversas sobre o autismo: “Eu gostava daquilo e pensei em usar esse espaço para ele, para homenagear ele, colocar um pouco ele na tela. O autismo tem muitas variações, e eu quis botar a minha perspectiva como irmã e em como o autismo funciona com ele. Cada autista tem essa questão de ser muito diferente entre si”, comenta a diretora do curta.


No processo de direção, Nicole priorizou planos que deixassem a câmera na altura dos olhos do personagem, interpretado por Lorenzo Hoffman. Ela frisa o quando seria importante se colocar na altura dele para ouvir e compreender. A captação de som também foi pensada com cuidado, pois o som é percebido de forma muito particular: “A gente não queria somente captar som, porque o som é algo que vai ser percebido de forma totalmente diferente nessa questão do autismo. Quando a pessoa pode estar nervosa, o som aumenta, tudo fica muito alto. Tudo tem uma percepção diferente”, explica. 


A equipe de Astronauta Azul filmando uma cena de Lorenzo Hoffman, interpretando Edu. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



Élan foi o curta-metragem que contou com a Paçoca, a cachorrinha que viveu Peteca na história. André vivia solitário e a vizinha percebeu uma forma de ajudá-lo a se recuperar, com a ajuda de Peteca. O diretor e roteirista Felipe Trema conta que queria uma história que fosse de fácil identificação, que tivesse uma linguagem clara e econômica. Nos ensaios com os atores Fábio Castilhos e Ida Celina a conversa fluía e, para ele, parecia um encontro familiar. “Eles leram o roteiro e quando a gente foi fazer as discussões, eu estava vendo os personagens na minha frente. […] Às vezes eu tinha a sensação de que era um encontro familiar, parecia que eu estava encontrando pessoas que já tinha visto antes”, celebra Felipe.  


Paçoca foi a que mais improvisou, interagindo com um dos seus brinquedos, uma bolinha, em cena. “Quando a gente foi pra filmagem tudo funcionou. A cena da bolinha foi improviso. Ela foi lá e pegou a bolinha sozinha. E pensei “esse cachorro vai ganhar um Oscar”, comenta.  


Bastidores das gravações de Élan, escrito e dirigido por Felipe Trema. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



No curta Livre Ária, o diretor e roteirista Gabriel Thomsen contou que queria criar uma atmosfera futurista, distópica, e abordar a liberdade através da música. O principal, Levi relembrava suas memórias através de uma flauta, e Gabriel conta que o processo de ensaio foi importante para delinearem as intenções dos personagens. “Enquanto a gente revisava o roteiro e falava as falas, a gente conseguia melhorar mais ainda, dar mais nuance e profundidade às personagens”, explica. Pensando no som, Gabriel conta que a ideia era criar uma ambientação de futuro. “Era pra ter uma premissa mais futurista, daí sons que tinham a ver com uma dimensão mais robótica. E o lugar que a gente gravou também ajudava bastante porque dava uma ambientação mais futurista”.  


Para encerrar a programação  


A protagonista do stop motion Memento Mori é uma aranha. A animação teve direção de Ângela Roveda, e a sinopse é “sem essa, aranha”. Em seguida, um peixe atravessa o deserto no stop motion O Peixe, dirigido por Beatriz Potenza.  


A exibição dos curtas da segunda sessão do dia começou com Ruptura, escrito e dirigido por Júlia Heerdt, que conta a história de Sara, uma adolescente que convive com a sensação de não-pertencimento e, em uma festa, se aproxima de Pedro. Em seguida, o curta Eco, com roteiro e direção de Bárbara Lima, que retrata as histórias daqueles que habitaram. Utopia traz a história de Gregor, que vive sozinho e só conversa com Marge, um robô do setor de RH da empresa. Gregor um dia se espanta ao ver uma gravura de si mesmo. Para encerrar a Mostra, o curta Super-Guri trouxe risadas no público com uma comédia em forma de documentário, em que documentaristas acompanham o novo vilão de Porto Alegre, o Gado Gaudério, em sua tentativa de manchar o home do herói da cidade, o Super-Guri. O debate da sessão foi conduzido por Daniela Strack, assistente de direção e produção em diversos projetos de cinema, televisão e publicidade.


Ruptura, escrito por Júlia Heerdt, foi inspirado em uma história real de superação, que ela resolveu levar para as telas. Ela conta que tinha na cabeça algumas das imagens de como seriam as cenas e que quando o roteiro já estava encaminhado e estavam iniciando a pré-produção para as gravações, a pandemia alterou os planos. As filmagens foram adiadas e os estudantes se dedicaram ao TCC para, somente depois, retornarem às gravações. Para ela, a dinâmica de gravações foi desafiadora e ela contou sobre o trabalho em outras produções da turma. 


“A gente roteiriza o filme que a gente dirige, a gente produz um filme, a gente faz assistência de direção em um filme, e cada um participa nas suas especialidades. Eu escolhi arte, então fiz arte em outros filmes. É uma doideira. Enquanto a gente está fazendo nosso filme, já estamos produzindo outro, e já pensando em outro. Então foi meio que uma doideira, mas foi muito legal”. 


O curta Eco trabalhou a memória de um ambiente. A diretora e roteirista Bárbara Lima conta que quis trabalhar as diversas histórias que aparecem no filme a partir de fragmentos: “Eu busquei não explicar nenhuma história, mas dar fragmentos pensando nessa questão de como a gente não conhece a si nem aos outros completamente e quantas coisas não acontecem escondidas entre as quatro paredes que, de uma forma ou de outra, acabam ecoando tanto em outras pessoas como nos próprios ambientes. Então quando você entra num lugar novo, ou se muda, quantas pessoas já não passaram e deixaram pequenas marquinhas?”, explica.  


Filmagem de Eco (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos)



Utopia foi um curta-metragem que surgiu a partir de um desenho. Beatriz Lopes escreveu e dirigiu o curta, e conta que a ideia inicial surgiu de uma ilustração que fez do personagem principal, Gregor. “Eu gostava muito da estética de um filme de ficção científica. Comecei a pensar e surgiu o Gregor, e eu o desenhei”.  Buscando uma motivação para o personagem, ela percebeu que os desenhos poderiam ser uma chave. Na orientação aos atores, Beatriz propôs exercícios aprendidos durante o curso e, por também ser atriz, quis trabalhar a construção do personagem com o ator, Alexandre Vargas. “Sou atriz e gosto muito de direção, de pensar coisas pro ensaio. Eu queria muito trazer um pouco deste peso pro personagem, e no ensaio, deu para passar para ele o peso que eu queria que o personagem carregasse, e ele também contribuiu muito trazendo ideias”.  


Por trás das filmagens de Utopia, com roteiro e direção de Beatriz Lopes. (Foto: reprodução do Instagram / @crav_unisinos) 



O curta que encerrou a Mostra foi Super-Guri, uma comédia que conseguiu trazer risos da plateia com o formato de documentário. O diretor Telson Reis Júnior conta que, no processo de escrita, foi transformando os personagens para que fosse criada uma identificação, para que as pessoas gostassem do vilão Gado Gaudério e seu comparsa Quero-Quero. “No processo de tentar encontrar cada personagem eu tive reuniões online com os atores, pra entender mais ou menos a ideia da cena, qual é a personagem, qual a voz deles”, explica. Telson teve receio na hora da estreia, imaginando se as piadas dariam certo, mas as risadas da sala de cinema puderam comprovar. 


O impacto da pandemia nos roteiros 


Um dos coordenadores do CRAV, Milton do Prado, explicou que a pandemia fez com que muitos roteiros fossem adaptados e as gravações, adiadas. Atenta aos protocolos da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos, a produção tinha que estar sempre de máscara Pff2. se houvesse atores no curta, somente um poderia ficar sem máscara. Uma das produções incorporou as máscaras à história, como foi o caso de Astronauta Azul, em que os personagens as usavam em cena. 


Em alguns curtas, há cenas em que dois atores conversam, sem máscara, e Milton explica como foram gravadas: “Foram filmados separados e, depois, foram juntos na pós-produção. Foi filmado um ator com máscara e o outro sem, com a câmera na mesma posição, mesma luz, aí inverte e filma de novo”, explica Milton. Adaptar seus roteiros, repensar as histórias, tudo isso fez parte da realização das produções no meio de uma pandemia. “Essa turma está muito de parabéns! Eles foram absolutamente fantásticos para fazerem filmes legais apesar de todas essas restrições”, celebra o coordenador. 





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Festival Universitário de Cinema e Audiovisual está com inscrições abertas https://mescla.cc/2018/04/05/festival-universitario-de-cinema-e-audiovisual-esta-com-inscricoes-abertas/ https://mescla.cc/2018/04/05/festival-universitario-de-cinema-e-audiovisual-esta-com-inscricoes-abertas/#respond Thu, 05 Apr 2018 20:47:26 +0000 http://mescla.cc/?p=5243 A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) cedia, nos dias 14 e 16 de maio, a primeira edição do Assimetria – Festival Universitário de Cinema e Audiovisual. O objetivo é difundir a curta-metragem universitária e promover reflexões sobre as produções estudantis, além de fomentar a cultura local. O projeto abrangerá, neste primeiro ano, filmes com […]

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A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) cedia, nos dias 14 e 16 de maio, a primeira edição do Assimetria – Festival Universitário de Cinema e Audiovisual. O objetivo é difundir a curta-metragem universitária e promover reflexões sobre as produções estudantis, além de fomentar a cultura local.

O projeto abrangerá, neste primeiro ano, filmes com até 25 minutos de duração e que tenham sido realizados por estudantes de Instituições de Ensino Superior (IES) da Região Sul do Brasil. As inscrições de trabalhos são gratuitas e podem ser feitas neste link até o dia 16 de abril.

Poderão concorrer curtas-metragens universitários nas categorias de ficção, documentário e experimental. É preciso que os filmes tenham sido finalizados a partir de janeiro de 2016 e realizados, obrigatoriamente, no período de graduação ou pós-graduação.

O Assimetria é um projeto de extensão do Centro de Artes e Letras (CAL) da UFSM, em parceria com a TV OVO, com o Cineclube da Boca e com professores do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Para mais informações, acesse o regulamento aqui.

Contatos com a equipe de organização podem ser realizadas pelo Facebook ou pelo e-mail assimetriacine@gmail.com.

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Como aproveitar o fim dos tempos https://mescla.cc/2018/03/26/como-aproveitar-o-fim-dos-tempos/ https://mescla.cc/2018/03/26/como-aproveitar-o-fim-dos-tempos/#respond Mon, 26 Mar 2018 19:21:03 +0000 http://mescla.cc/?p=5073 Uma única questão é suficiente para instigar o pensamento: “o que significa viver em um mundo que já acabou?”. Discorrer sobre o assunto foi o desafio do doutor em Filosofia Moysés Pinto Neto durante palestra no TEDxPorto Alegre, ocorrida quinta-feira, dia 22, na Fundação Iberê Camargo.  Vivemos em um momento de proliferação de imagens que retratam o fim do mundo, segundo Moysés, que é professor na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Para ele, essas imagens representam o pensamento coletivo de que o nosso modo de viver não pode continuar subsistindo. “Essa sensação […]

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Uma única questão é suficiente para instigar o pensamento: “o que significa viver em um mundo que já acabou?”. Discorrer sobre o assunto foi o desafio do doutor em Filosofia Moysés Pinto Neto durante palestra no TEDxPorto Alegre, ocorrida quinta-feira, dia 22, na Fundação Iberê Camargo. 

Vivemos em um momento de proliferação de imagens que retratam o fim do mundo, segundo Moysés, que é professor na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Para ele, essas imagens representam o pensamento coletivo de que o nosso modo de viver não pode continuar subsistindo. “Essa sensação de fim de mundo, esse mal-estar, […] provoca uma sensação de desconforto inversamente proporcional à nossa capacidade de imaginar alternativas”, afirma o palestrante. 

O século XXI elegeu as crises econômica e política como pautas importantes, porém a crise de imaginação é o foco de Moysés. Na visão do professor, esse tema cria a oportunidade para a origem, especialmente na ficção científica, de vidas futuras, representações do mundo com variações significativas. A ficção, por ser uma área criativa e que permite mais liberdade de criação, se transformou em um dos dois focos de Moysés.  

Foto: Gabriel Aita Ost

A ficção e os estudos decoloniais 

Antropologia Estelar. Foi assim que o professor chamou a capacidade humana de representar a vida por meio de filmes, séries e livros em futuros incertos. Essa antropologia, nas palavras do palestrante, “envolve a superação do corpo humano, […] um projeto de nós transpormos a barreira do nosso corpo. Superarmos a nossa condição mortal”. É a antropologia do progresso. “Envolve acelerar o tempo, intensificar as coisas que vêm sendo desenvolvidas, não só no imaginário, mas também pela ciência.”  

Moysés compara essa antropologia com os filmes ExMachina e Elysiuma série Black Mirror, e a ideia ocidental do que significa a alma. “Todos esses projetos, todas essas imagens são, de certa maneira, a finalização profana do que as religiões prometem. O que essas religiões prometem? A vida eterna, a salvação depois da morte.” 

Foto: Kellen Dalbosco

Em contraponto à ficção científica, surge a Antropologia Terrena. Ela é uma alternativa antagônica que vem dos estudos decoloniais, o segundo foco do professor. Nesse conceito, esquece-se o teor tecnológico e futurístico. “Intensifica nossa maneira de ver o planeta. […] tudo que está na terra abunda de vida. Podemos desconstruir a imagem do ser humano como algo fora da natureza. Não somos o senhor dela”, explica Moysés. No mundo que já acabou, segundo ele, a melhor maneira de aproveitar a vida é usar aquilo que já possuímos.  

Contrariando a Antropologia Estelar, na Terrena, o tempo desacelera. Não há necessidade de velocidade, avanço, superação e dominação. Nas palavras do professor: “Isso pode se traduzir na ideia do bem-viver.  Pode se traduzir em um estranho retorno ao passado, ao antigo”. Ele ressalta questões como dormir e comer bem, o prazer da suficiência.  

Moysés trouxe como exemplo moradores da metrópole abandonando carros e usando bicicletas para a locomoção. Algumas obras que podem representar a Antropologia Terrena são o livro queda do céu e o filme Call me by your name. 

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