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Rosana Paulino é bacharel em gravura e doutora em Artes Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), e tem especialização em Gravura pelo London Print Studio, de Londres. Ela conta que, na época em que iniciou a graduação, havia um “achatamento da formação” em que não se questionava o papel da arte na sociedade brasileira.
“Quando eu entro na USP, eu percebo que não há essa presença do simbólico na formação do artista, ou não era aceitado que o artista trouxesse outras camadas dentro da sua obra”, conta. Para ela, esse achatamento de origens artísticas era inconcebível. As raízes católicas e africanas e suas respectivas materialidades faziam parte de quem Rosana era e, assim, também de sua produção. Ao tentar trabalhar com obras manuais, ela ouvia que a questão da manualidade na arte contemporânea “já estava superada”. Então, questionava: “superada por quem?”

O simbolismo virou marca da arte de Rosana. Usando tintas, linhas, costura, esculturas e fotografia, ela abraça questões sociais, étnicas e de gênero. Nesse contexto de tensionamento das obras da artista, surgem trabalhos que colocam o papel da mulher negra no centro da discussão. Um dos exemplos é a série “Bastidores”, em que Rosana utiliza de forma irônica o bordado.

“Quando a gente pensa em uma mulher bordando, surge uma imagem idílica de um ambiente protegido. Mas o que acontece dentro dessas quatro paredes? Qual a violência vivida que não se vê?”, questiona. Rosana transformou essa dúvida em arte ao utilizar fotografias de mulheres de sua família e bordar por cima de bocas e olhos para representar o silenciamento da violência doméstica. “Como são imagens da minha família, são mulheres negras e a gente vai tomar outra faixa de leitura para eles, que é a questão do racismo institucional”, complementa.

O racismo também é foco da obra de Rosana no livro ¿História Natural?, lançado em 2016. Segundo ela, o livro representa uma confluência de seus 23 anos de trabalho. Ao analisar as imagens que representavam o Brasil no período da colonização, ela percebeu que ciência e arte ajudaram a construir o racismo que perdura até hoje.
“Nós somos um país que se formou a partir dos olhos dos outros. Essas imagens eram feitas para ser enviadas, muitas vezes, para fora do país”, explica a artista. Dividido em três capítulos, nomeados “O Progresso das Nações”, “A Salvação das Almas” e “O Amor pela Ciência”, o livro mistura fotografias com costuras, tecidos e linoleogravura.

Ela explica que as abas costuradas por cima das imagens representam as questões do racismo vedado no país, mas também sobre realidades díspares “suturadas” a força nas mesmas páginas da história. As gravuras também são uma forma de trabalhar a imagem do país, quesito que a artista considera não estruturado. “No Brasil, a gente desconhece um pouco o contexto que a imagem tem sobre a formação de identidades”, comenta.
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“Um rato da cultura universal, mas rato no bom sentido”. Foi com essa frase que o professor e editor na AGE, Paulo Flávio Ledur, descreveu o amigo Felipe. O escritor, na carreira profissional, atuou em áreas distintas da literatura. Foi trabalhando como piloto civil que descobriu a vontade de viajar. Viagens essas que, acompanhadas de pesquisa e escrita, deram origem aos Ventos.
A ficção conta a história de Michael Müller, o espião e empresário protagonista da narrativa. Michael vai perambular pelas entranhas do Oriente Médio, presenciando o surgir e a queda do Estado Islâmico, o conflito entre shiitas e sunitas e o levante pela criação do Estado Curdistão. A personagem também vivencia os extremismos da região, tanto políticos quanto religiosos. Uma mistura que, há séculos, ocorre no islamismo, pois “a religião islâmica une o poder político ao religioso”, nas palavras do autor.
Paulo Ledur, editor do “Ventos do deserto”, teceu inúmeros elogios sobre o livro e o amigo Felipe. Segundo Paulo, a capacidade da obra de ficção de tocar o leitor está na veracidade das informações apresentadas. “A boa ficção não é aquela que não é verdade, é aquela que poderia ser”, ressaltou.
Historiadores classificam o período entre 711 a 726 (ambos d.C.), como a época da invasão muçulmana, ou islâmica, na península ibérica – território que hoje abrange Portugal, Espanha e uma porção da França. Foram quase 800 anos de dominação, até a reconquista do território, por volta de 1492, pelos Reis Católicos, Fernando II & V e Isabel I.
Houve tempo suficiente para que a cultura islâmica aderisse o território ibérico. A Espanha recebeu influências diretas e que permanecem até hoje, mesmo existindo, na época, esforços para esquece-la ou ignorá-la. Um exemplo foi a destruição de mesquitas (local de culto do muçulmano) e posterior construção de igrejas cristãs.

Existem regiões espanholas que mantém influências muçulmanas, como Sevilha, Granada, Málaga e Córdoba, todas relacionadas com a Comunidade Autónoma da Andaluzia. As recordações islâmicas são vistas, em especial, através das artes e arquitetura. Uma das maiores obras arquitetônicas e artísticas feitas por muçulmanos foi o palácio e fortaleza de Alhambra (seu nome, em árabe, significa “a Vermelha”).

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