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Na última sexta-feira, dia 7/10, os repórteres do Mescla estiveram na Casa de Cultura Mário Quintana (CCMQ), no Farol Santander, no Memorial do Rio Grande do Sul e no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) para experimentar as impressões da 13ª Bienal do Mercosul. O evento começou no dia 15 de setembro e permanece até 20 de novembro. Abaixo, nossas impressões.

A caminho de Porto Alegre, a luz amarela do sol da manhã já nos encontrava através das janelas do metrô. Saímos cedo de São Leopoldo e, antes das 9h, já estávamos (Gabriel e eu) no vagão rodeados por pessoas com e sem máscara. Um pão de queijo no café à frente da Casa de Cultura Mário Quintana ofereceu a energia que eu precisava para a extensa rota que realizaríamos ao longo do dia.
Entre turmas escolares de diferentes cidades e alguns poucos entusiastas da arte com tempo disponível na manhã de sexta, passeamos por cada andar da Casa de Cultura, depois pelo Farol Santander, pelo Memorial do Rio Grande do Sul e finalmente pelo Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). A cada nova sala, a nossa curiosidade ressurgia e parecia preencher o ambiente – em cada entrada, um portal para os recomeços.
As obras compunham o roteiro de visita, como se peças e ambientes se fundissem em uma coisa só, potencializando o impacto. Enquanto em alguns lugares um certo caráter social era o fio condutor que arrematava a harmonia do todo, em outros, esse elemento central tinha um quê mais emotivo e provocava o sentir – o que poderia ser representado por uma completa confusão ou profunda compreensão.

Saí de lá pensando que o tempo parece insuficiente. Não existe medida cronológica para dar conta tudo que gostaríamos de ver, na Bienal e na vida. Um registro desta experiência foi o passaporte que recebemos no início do passeio: dos nove espaços culturais, quatro foram carimbados. No percurso da volta, percebemos que caminhamos mais de oito quilômetros. Nossos pés, cansados e doídos, foram testemunhas. Passamos por mais lugares do que pretendíamos e, ainda assim, queríamos mais. Combinamos novas coberturas, antes da despedida. Ao sentarmos no vagão do trem, um misto de sono e assimilação, ao final de um dia produtivo. E então retornamos, um pouco mais iluminados, pelo sol dourado que caia no horizonte e também por dentro.
Indizível. Intraduzível. Incomum. Extraordinário. É o enigma tramado entre o Trauma, o Sonho e a Fuga que a 13ª Bienal do Mercosul tenta evidenciar. Como diz o panfleto da edição: “Trauma, sonho e fuga são fenômenos daquilo que não se pode ser dito. Diante da latência de um espírito do tempo que se manifesta no inconsciente, nos deparamos às perguntas cujas respostas não têm uma forma verbal”.
Poéticas visuais são tramadas entre os espaços. Isso foi, inclusive, de certa forma, materializado pelo tecido vermelho que se estende por diversas ruas e prédios da capital, uma instalação que se confunde pela cidade e representa as batidas do coração. Às vezes, é uma emoção latente e linda, como quando adentramos o Farol Santander e nos deparamos com o conjunto de 3 mil lâmpadas suspensas em diferentes alturas, cuja instalação foi encabeçada pelo artista mexicano Rafael Lozano-Hemmer, intitulada de “Pulse Topology”. Entre as lâmpadas estão sensores de batimentos cardíacos, na qual os visitantes são convidados a colocar a palma da mão e ver as milhares de lâmpadas piscarem conforme a nossa pulsação enquanto ouvimos o som desses batimentos. Quando um novo participante interage com a instalação, seu pulsar se soma com o “movimento já em curso”, produzindo uma “coreografia de sobreposição de pulsares”.
O conjunto de luz e som busca traduzir uma força interior invisível para quem nos vê em um registro perceptível, e dessa forma possa tornar “tangível o registro invisível”. Perceber a força do invisível parece ser um convite para todos os dias, ainda mais depois de toda a pandemia, onde precisamos reavaliar o que é essencial na nossa vida em meio a tantos de pensamentos que precisam ser deixados de lado. É sobre ouvir a força no nosso coração num pulsar em conjunto com tantos outros corações.
Ainda no Farol Santander, há uma sala com uma projeção de uma cachoeira. Em baixo, bem rente ao chão, cinco imagens de personagens históricos estão presas, entre elas Margaret Thatcher, Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev. A obra de autoria do artista libanês Walid Raad explica que durante os conflitos no Líbano muitas milícias se formaram com o apoio bélico e financeiro de vários países. Para homenagear esses países aliados, as milícias decidiram batizar três cachoeiras com o nome de líderes dos países aliados.
No Memorial do Rio Grande do Sul, apesar de não integrar a Bienal, a exposição sobre os 200 anos de independência do Brasil, chamada “Independência para quem?” é uma excelente possibilidade de reflexão. É forte e me fez refletir sobre os privilégios brancos que carrego ao longo de séculos. Para além de todo o conjunto, foi forte a experiência de ver uma família visitante formada pela mãe e a vó negras, mostrarem para duas crianças as correntes e os navios negreiros e apontar “teu avô era obrigado a usar isso” e “o bisavô de vocês veio através de um navio como esse.”
A Bienal mexe com a gente e com os nossos sentidos. Ouvimos, vemos, caminhamos e nos mexemos pelas obras, e até sentimos cheiros, como a sala com cheiro de chás, no MARGS. Tudo isso serve para produzir novos sentidos na gente, e tentar tornar tangível o invisível. Ir a Bienal é como ir em uma sessão de psicanálise e mapear o “nó na garganta, o grito abafado, o segredo guardado”, como diz o texto de abertura, configurados nas possibilidades do lugar poético.

O que eu tenho em comum com um menino de quatro anos que se encontrava no mesmo espaço? Seu nome eu não sei, mas o entusiasmo e o brilho no olhar dele por estar (literalmente) rodeado de arte era o mesmo que o meu. Tenho certeza disso porque, assim que entrei no Farol do Santander e me deparei com todas aquelas luzes em sincronia com os nossos batimentos cardíacos, viajei no tempo e voltei para a infância. Fiquei simplesmente fascinada com aquele movimento e com o som das batidas do meu coração acompanhando tudo.
Essa foi a minha primeira vez na Bienal do Mercosul, e a minha estreia como repórter na cobertura de um evento. A vivência do jornalista é ainda muito nova para mim, mas já consegui experimentar o que considero o melhor do ofício: a pluralidade.
Durante as visitas aos quatro museus procurei manter atenção plena aos detalhes, às sensações e percepções, não só às minhas, mas especialmente de quem estava a minha volta observando o mesmo que eu. Como era possível a mesma obra ter o poder de despertar impressões tão diferentes em cada pessoa?

Com o tema Trauma, Sonho e Fuga, as exposições da 13ª Bienal do Mercosul conseguiram despertar em mim sensações e pensamentos que há tempo não sentia. Algumas obras requerem mais atenção e tempo para que sua mensagem seja captada. Outras, como a “Quase oração”, conseguiam causar arrepios em questão de segundos.
Trata-se de uma performance artística que se constitui de 500 horas de gravação com 200 artistas e que veio como uma forma de sensibilizar as pessoas sobre a magnitude e gravidade da pandemia da covid-19, homenagear as vítimas e suas famílias e propor de alguma maneira uma cura para esse trauma que é coletivo. Ao enunciar cada morte, a performance dá voz aos crescentes dados numéricos aos quais fomos diariamente nos habituando.
A sensação é única. Do lado de fora é possível escutar diferentes vozes se sobrepondo. Sem saber se poderia entrar naquele espaço ou não- afinal, estava lotado- perguntei ao segurança que ficava ao lado. Com a cabeça, fez um sinal positivo. Passei pelas cortinas pretas e, em um ambiente completamente escuro, meu primeiro receio foi esbarrar em alguém. Para minha surpresa, a sala estava completamente vazia. Segui o pequeno corredor, ainda na escuridão, guiada pela luz que viria a ser um telão. Cinco segundos foram suficientes para eu me envolver completamente obra. Imediatamente senti um arrepio pelo corpo. Todas aquelas vozes ecoando diferentes números já era claro do que se tratava.
Me perguntei, então: como algo tão simples pode ao mesmo tempo ser tão impactante? Acho que é esse mesmo o sentido da arte. Provocar sentimentos, bons ou ruins. As obras, de modo geral, conseguem contar com diversos elementos para fazer com que a experiência do visitante fosse a melhor possível. Fosse através de cheiros, vídeos, fotografias, palavras ou até mesmo da interatividade.

O meu tour pela Bienal segue incompleto, uma vez que é quase impossível visitar todos os espaços em um único dia. Mas é claro que todos merecem um “replay” porque sei que cada visita pode ser uma vivência completamente nova.
Eu acredito que encontrar-se com a arte é sempre uma aventura, principalmente quando não sabemos o que esperar das obras. Sentimento que à primeira vista parecem conflitantes nos dominam, enquanto os olhos batalham para compreender como todos os trabalhos expostos em uma única sala conversam entre si. Vivenciamos isso cada vez que uma nova sala é descoberta, no caso da Bienal, vagamos também por diferentes museus.
As obras complementavam-se e interagiam com o ambiente. Na Casa de Cultura Mário Quintana as obras estão em todos os andares do antigo Hotel Magestic. Ambientes iluminados pelas grandes janelas apresentavam um tom de rosa suave, resultado também da luz externa sendo refletida das paredes da construção. Uma obra composta de terra, folhas e mudas se estendia por dois andares e deixava o ambiente com cheiro de terra molhada. Esculturas, fotos, pinturas e desenhos apresentavam os mais diversos assuntos, em geral uma sensação de conforto e aconchego. Em contraste com os ambientes para as experiências audiovisuais, que traziam a baixa iluminação, áudios e vídeos. Tudo nos convidava a refletir, e para mim, o efeito foi angústia: efeito dos números de mortos pela da pandemia de COVID-19 somada às lâmpadas sob pesado blocos de concreto.
Já no Farol Santander, o panorama era outro. Apesar do espaço inteiro estar com iluminação reduzida, lá o brilho nos olhos era imediato. Centenas de lâmpadas penduradas em um padrão aparentemente aleatório, brilhavam em intervalos irregulares, até alguém colocar a mão debaixo de um dos três sensores espalhados pela obra. Assim que isso acontecia, os batimentos eram reproduzidos em luz e som. Se houvesse mais de uma pessoa estivesse participando, os batimentos se misturavam, tornando a experiência ainda mais mágica. No Farol Santander todas as obras tinham este toque tecnológico, desde obras com sensores de movimentos, até obras que serão colocadas em órbita no início do ano que vem. No Memorial do Rio Grande do Sul, o destaque eram as obras, documentos, fotos e registros dos últimos 25 anos da Bienal em Porto Alegre.
Por fim, nos dirigimos ao MARGS, que trazia obras que estimulavam a visão, audição e até o olfato. As obras, apesar de interessantes, marcavam sua presença devido à combinação de aromas e sons presentes no ambiente. Vagar de ambiente para ambiente dentro do MARGS trazia essa complementação das obras expostas. Ainda lá, a obra que me chamou mais a atenção é uma montagem fotográfica chamada Over do brasileiro Cássio Vasconcellos. Acredito que ela deve ter mais de 10 metros de largura, por dois ou três de altura, sendo uma composição de ferros-velhos, nos mostrando que no final, não existe “fora”.
Depois de um dia de arte, era hora de retornar. Cansado? Com certeza, mas aquela confusão mental, de tentar entender o que tinha visualizado, sentido e absorvido, só passou depois de chegar em casa e tirar um tempo para conseguir organizar o que foi aprendido neste dia.

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“Nesta exposição, escolhemos trabalhar apenas com produções que vêm de mãos e mentes negras. Essa é uma posição política que se refere à necessidade de conceber a arte afro-brasileira não como um tema, um estilo ou conteúdos preestabelecidos, e, sim, como a parcela da arte brasileira produzida por sujeitos negros”, sintetizam os curadores da mostra Izis Abreu, Igor Simões e Caroline Ferreira.
Antes da mostra, um evento importante aconteceu: a realização de uma residência artística (o MARGS serve de apoio para o desenvolvimento e criação do trabalho de artistas, ajudando na inserção do contexto cultural e social) com a participação de 23 artistas negros e negras atuantes no Estado.
Segundo a mediadora do Núcleo Educativo do MARGS, Amanda Barcelos, o acervo do Museu tem cerca de 1,1 mil artistas, no entanto, apenas 22 são negros. “Se a gente entrar na questão de gênero, fica ainda pior a situação, porque são 21 homens e uma mulher”, ponderou Amanda.
“Presença Negra” conta com cerca de 250 obras, organizadas em núcleos, renovados com periodicidade durante a mostra. “Como é muita coisa, a curadora Ízis Abreu criou essa divisão para uma melhor compreensão do público”, explica a mediadora.
Tem núcleos voltados para temas religiosos, de artistas transexuais, de maternidade, indígena, entre outros. A exposição está instaladas nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, no 1º andar do Museu. Desde maio, a exposição central foi “Relaxamento Afro”. “Traz essa questão de que negros nunca são vistos ou retratados em situações de relaxamento, fazendo algo para o seu bem-estar”, pontua Amanda.
Giuliano Lucas é um dos artistas negros que está na exposição do MARGS, com dois vídeos reproduzidos e fotografias expostas nas pinacotecas central e lateral. “Sentimento de conquista, mas também é um sentimento de que é tardio demais”. Para ele, que trabalha com fotografia, cinema, videografismo e outras artes visuais, o processo de entender que fazer arte era uma possibilidade de profissão foi cruel.
Giuliano conta que, para comprar sua primeira câmera, precisou de um empréstimo, que durou dois anos. “Para uma pessoa preta chegar a ter uma câmera nas mãos, é uma caminhada muito longa”, frisa o artista. “Eu comecei na fotografia muito influenciado pelo trabalho de um fotógrafo negro chamado Januário Garcia”, conta. Januário é autor de capas de discos famosas, como os de Raul Seixas, Leci Brandão, Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Belchior e Tom Jobim.
Nos últimos anos, Giuliano conta que começou a desbravar o audiovisual. “Além do Mérito” e “Operárias” são dois documentários seus, sobre médicos negros no Rio Grande do Sul e as relações de trabalho em um prostíbulo de Minas Gerais, respectivamente. Também trabalhou como diretor de fotografia do filme “Pereio, eu te odeio”, que deve ser lançado em breve.

Para o artista, o sobrenome herdado abre portas de forma quase automática. “Um conceito de arte que chamo de ‘arte cosmética’, simplesmente ligada à questão plástica e à etimologia da palavra”. “Cosmética” tem origem no termo grego kosmetés, que descrevia um servo designado para cuidar da beleza dos senhores.
“As pessoas falam em visibilidade, isso me incomoda demais, porque nós não somos invisíveis, o que a gente sofre é silenciamento”, sublinha. Para Giuliano, a geração de novos artistas negros, com cada vez mais nomes, é uma esperança. Para ele, a caminhada é longa e os passos são curtos, mas frisa: “Eu não dou um passo atrás nem para pegar impulso”.
Ele conta que Januário Garcia dizia que a fotografia é um veículo de transformação social. Sua inspiração aponta a necessidade de promover uma ruptura contra o sistema e de fortalecer novos circuitos. O artista é parceiro do projeto “CapaciTrans”, que promove capacitações para transexuais. Inclusive, uma das alunas faz Libras em um dos vídeos de Giuliano expostos na exposição.
O jovem negro e egresso da Unisinos Leonardo Farias, que trabalha como designer de imagem de moda, visitou a exposição em diversas ocasiões desde que ela foi inaugurada. “Tem várias formas de expressão em que eles contam, pela perspectiva de artista, a questão do contexto e trajetória deles nesse atravessamento de ser negro”, explica.
A expressão “Obá Oritá Metá”, escrita na etnia africana Iorubá, diz “boas-vindas” e está inscrita na parede em frente à porta de acesso da galeria principal do Museu. A simbologia é de identidade e ancestralidade. Questionado sobre “ancestralidade” ser tema recorrente quando se fala em negritute, Leonardo responde que, para ele, representa a questão da unidade e o “tecido do tempo” no Brasil em diáspora.

Existe um senso de comunidade na negritude, acredita Leonardo. “A gente não sabe exatamente de onde nós temos descendência no continente africano, mas a gente sabe, quando se fala de diáspora, que, aqui no Brasil, (os que foram sequestrados e trazidos para cá) criaram esse senso de identidade nacional”, pontua.
“Muitas ideias, reflexões e filosofias estão atrelados às religiões de matriz africana, que são, também, meios que a gente teve de ter ainda um elo com o continente matriz”, argumenta. Leo, como é chamado por onde passa, acredita que isso salvou a comunidade negra da derrota de verdade. “Tu não derrota um povo quando tu usa a força e a violência contra ele. Tu derrota, de fato, quando tu mata mentalmente ele. Foi o que tentaram fazer com a gente.”
Leonardo acredita que a maior parte do público visitou a exposição “Presença Negra no MARGS” no evento Noite dos Museus, que aconteceu no dia 21/5. No entanto, afirma: “A impressão é de que a galera pensa que, por ser uma exposição de pessoas negras e artistas negros, e ter essa questão política muito forte nas obras, não é para elas”. Leonardo se diz incomodado com a falta de repercussão no próprio círculo de conhecidos. “Nós somos artistas antes de sermos negros”, assinala ele, que também se considera artista.
Para ele, assim como uma pessoa branca vai falar sobre alguma coisa que atravessa ela na arte dela, o mesmo acontece com os artistas negros. “Às vezes, também é um processo de cura a gente validar a nossa dor, falar sobre o que nos aflige e, dessa maneira, conseguir refletir, deixar um peso de lado”, comenta.
Exposição “Presença Negra no MARGS”
Curadoria de Igor Simões e Izis Abreu, e assistência de curadoria de Caroline Ferreira
Quando: em exibição até 21/08/2022
Onde: nos ambientes Foyer, Pinacotecas, Salas Negras e Sala Aldo Locatelli, localizados no 1º andar do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Endereço: Praça da Alfândega, s/nº, em Porto Alegre.
Visitação: de terça-feira a domingo, das 10h às 19h (último acesso às 18h30), sempre com entrada gratuita, sem necessidade de agendamento. O MARGS também oferece ao público visitas mediadas para grupos de até seis pessoas, de quinta-feira a sábado, em duas faixas de horários (10h30 às 12h e 14h às 15h), mediante agendamento prévio no site do Sympla (www.sympla.com.br/produtor/museumargs).
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]]>The post Fotógrafo organiza exposição virtual de seus trabalhos appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A ideia de organizar esse trabalho surgiu quando o fotógrafo se deparou com fotos antigas que ele fez. Isso levou Goelzer a refletir sobre o que aquelas imagens representaram para ele no período em que foram registradas e o que representam agora, com toda a vivência que ele teve desde então. Então, ele decidiu fazer um recorte do seu período como fotógrafo do DDC. “Isso é uma coisa que eu gosto na fotografia: a possibilidade de voltar para algo que aconteceu, mas com a experiência e vivência que a gente tem agora”, comenta o fotógrafo.
A exposição foi realizada por meio de cinco vídeos curtos onde são mostradas as fotos juntamente com depoimentos de Goelzer sobre como ele se sentiu durante as apresentações expostas. O fotógrafo escolheu esse formato para agregar sua voz com as fotografias e, com isso, dar um sentido para elas além do que é captado pelos olhos. “Se eu trouxesse palavras escritas, eu me expressaria pela voz de outra pessoa que estivesse lendo. Colocar a minha voz na imagem é algo muito mágico para mim”, explica.

Para Goelzer, é importante manter a produção e os eventos culturais em meio à pandemia do novo coronavírus para os artistas deixarem claro que ainda estão vivendo. “É muito importante para colocar o corpo da obra e o corpo do artista em um lugar, mesmo que seja um lugar pandêmico. É isso o que a gente pode fazer agora, depois a gente não sabe ainda”, defende.
Porém, segundo o fotógrafo, exposições culturais são um desafio em meio a esse cenário. “É muito difícil para quem vive de cultura estar preso nessa realidade, enfrentando dificuldades que vão desde emocionais até sanitárias, e mesmo assim atuar na criação, produção e difusão da arte”, lamenta Goelzer. “E em exposições virtuais, é muito complicado fazer com que ela aconteça e seja consumida, compreendida e apreciada pelo público. A arte, agora, precisa de mais força do que antes.”
Quem tiver interesse em conferir os vídeos que compõem a exposição “Imagens sentidas, imagens vividas”, pode acessá-los através do YouTube, Instagram, Twitter e Facebook do DDC da UFRGS.





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]]>The post Fotógrafa egressa da Unisinos é selecionada em duas premiações appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Formada em dezembro de 2019, Vitória apresentou em ambas premiações trabalhos produzidos durante sua trajetória acadêmica que abordam vivências pessoais dela como mulher negra. Por exemplo, uma vez em que ela viajou para São Paulo e as pessoas ficaram chocadas quando ela disse que é gaúcha, pois diziam conhecer gaúchos que afirmavam que no sul não tem negros. “Gaúchos saindo daqui para afirmar lá fora que no sul não tem negro quer dizer duas coisas. Um: a gente é invisível aqui; dois: um estado que supostamente não tem negros se torna socialmente higienizado, consequentemente melhor do que o resto do Brasil”, explica a fotógrafa.
Para retratar isso, Vitória apresentou um trabalho analógico feito para a Unisinos que não deu certo, pois na revelação as imagens ficaram muito esbranquiçadas. Mesmo assim, ela guardou as fotos, que acabaram servindo como uma representação metafórica do processo de apagamento e do domínio do branco sobre o preto. Além desse, também foram apresentadas fotografias retratando inseguranças que ela teve com sua aparência, seu desejo por um mundo onde as mulheres não sofram assédio e pesquisas que ela fez sobre a diáspora africana.

Vitória diz que sempre acreditou que artistas nascem com sua criatividade e talento, mas o curso de fotografia da Unisinos foi fundamental para ela entender que existe um processo entre querer expressar algo e conseguir executar isso. “Geralmente os meus projetos vêm de acontecimentos cotidianos e de coisas que eu fico pensando durante muito tempo, até que eu vou pesquisar sobre o assunto e procurar referências visuais e teóricas”, diz. Porém, ao buscar referências teóricas, Vitória sentiu que havia pouco material produzido por pessoas negras, o que dificultou seu trabalho.
A fotógrafa já havia sido selecionada em 2019 para o prêmio da Aliança Francesa de Artes. Ela acreditou que levaria anos para ter um trabalho exposto, e ficou muito feliz não apenas por ter sido selecionada pela segunda vez esse ano, mas também por ver um crescimento na diversidade entre os selecionados da premiação. “Esse ano a seleção da mostra está trazendo artistas bem diversos em suas representatividades, como a Mitti Mendonça e o Xadalu, que ficaram com as duas primeiras colocações. Isso demonstra que há o interesse e o esforço por parte dos organizadores em dar visibilidade e espaço de inclusão a todos”, afirma.
A professora e coordenador do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, diz que sente um orgulho enorme de ver uma fotógrafa que foi sua aluna selecionada nessas premiações. “A Vitória é uma aluna que representa, como todos os outros, um pouco do que é a construção da Fotografia na Unisinos. Ela desenvolveu múltiplas habilidades durante o curso, e possui uma voz importante dentro da representatividade”, conta a coordenadora.
Atualmente, Vitória trabalha como fotógrafa freelancer e pretende se especializar em direção de arte para cinema. Ela conta que essas premiações servem como incentivo tanto para ela quanto para outros fotógrafos no início da carreira para que sigam com suas produções.
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]]>The post Professora de Fotografia da Unisinos é indicada em premiação appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A professora Rochele Zandavalli, do curso de Fotografia da Unisinos, foi indicada na categoria “destaque em exposição individual”, pelo trabalho “Nosso lugar ao Sol”. O projeto ficou exposto no Centro Cultural da UFRGS de novembro de 2019 até março deste ano, trazendo uma narrativa dividida em três eixos que questiona desde a relação humana com a natureza até a censura e a fetichização do corpo feminino.
Rochele conta que “Nosso lugar ao Sol” consiste em recortes de diversas produções que ela fez desde 2009. Na primeira sala da exposição, a fotógrafa trouxe retratos da relação humana com a morte, do pertencimento à natureza e da efemeridade da vida. Na segunda sala, Rochele trabalhou com a figura feminina e a força que as mulheres podem dar umas para as outras por meio da união. Aqui, foram expostos retratos de grupos de mulheres felizes e unidas em meio à natureza. Por fim, na terceira sala, a exposição de Rochele trouxe um vídeo com imagens de mamilos censurados que ela pegou no Instagram.
“É um trabalho muito voltado para a expressão do corpo feminino, da liberdade, do comportamento. Também há uma crítica à forma como a gente se relaciona com as imagens nas redes sociais, principalmente quando envolvem corpos femininos, e com o quanto a gente naturaliza uma certa violência contra esses corpos”, explica a professora. “O corpo feminino está sempre sendo jogado entre a censura e a pornografia. E nesse jogo, as mulheres perdem dos dois lados.”
Para produzir a exposição, Rochele utilizou, principalmente, a fotografia analógica e algumas técnicas de pintura, como aquarela e até esmalte de unha. A fotógrafa diz que se sente muito grata pela indicação ao Prêmio Açorianos de Artes Plásticas e pela oportunidade de ter realizado essa exposição juntamente com a UFRGS. Principalmente por ela ter sido feita em 2019, um ano em que, conforme Rochele, a universidade sofreu muitos ataques ideológicos, políticos e estruturais contra a educação e a cultura.
“E este ano, essa indicação ao prêmio também é um grande feito. Por conta da situação de isolamento social em que estamos, a exposição acabou sendo quase que profética, até de uma forma irônica. Ela se chama ‘Nosso lugar ao Sol’, fala sobre um lugar amplo, externo, livre e coletivo, que é justamente o que menos estamos tendo agora. ‘Nosso lugar ao Sol’ é tudo o que estamos querendo recuperar nesse momento”, finaliza.
O resultado do XIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas será divulgado nesta sexta-feira, dia 19. A equipe Mescla deseja boa sorte para a professora Rochele Zandavalli!










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]]>The post Festival de games expõe trabalhos de alunos de Jogos Digitais appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O festival traz uma variedade de games criados pelos alunos de Jogos Digitais ao longo do curso para serem testados e avaliados pelo público. Além disso, um júri composto por profissionais nacionais e internacionais da indústria dos games – inclusive egressos do curso de Jogos Digitais – estarão presentes para fazer uma avaliação técnica dos jogos expostos. Serão feitas duas rodadas de apresentações, uma das 16h às 19h e outra das 19h às 22h.
Serão expostos games de todos os estilos para serem jogados em computador e celular. Confira abaixo a lista de jogos criados pelos estudantes ao longo do curso selecionados para o Festival Atômico:

Além dos games, também serão expostos jogos em fase de protótipo, que estão fora da competição e estarão no Festival Atômico apenas para serem avaliados pelo público. São eles: Find Home, Last Profecy, Last Swap, Light, Speed.io e Warehouse Madness.
Serão escolhidos três jogos vencedores com base na avaliação do público geral e do júri técnico. Os ganhadores serão divulgados na segunda-feira, dia 21, e receberão certificados pela sua participação no evento. O festival é aberto e tem entrada franca. Acompanhe as redes sociais do curso de Jogos Digitais da Unisinos se quiser ficar por dentro do que acontece no Festival Atômico.
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]]>The post Retratos de amor e diversidade em família appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Priscila teve a ideia de fazer esse trabalho depois de ter se dado conta de que nem sempre ela e seu marido poderiam estar presentes na vida da filha dela, que tem dois anos de idade. Independentemente do motivo, há sempre a possibilidade de se delegar a criação da menina, mesmo que por um breve período, a pessoas de fora do núcleo biológico dela, como seus avós. Isso levou Priscila a querer explorar como é a vida de famílias em que os filhos não são criados por pais com vínculos genéticos.
A fotógrafa passou um período do dia com cada uma das seis famílias retratadas na exposição e fotografou o cotidiano delas. O resultado, diz ela, “ficou exatamente como o imaginado”. Os retratos revelam que o cotidiano dessas famílias é igual ao de todas as outras e que o amor e o afeto são tão presentes naqueles lares quanto em qualquer outro.
“Minha ideia era ir nas casas dessas famílias e não fazer nenhuma foto posada. Eu expliquei para eles fazerem o que sempre fazem durante o dia. Então, fiz fotos deles brincando, jantando, se arrumando para levar as crianças na escola, etc”, explica Priscila.

Priscila comenta que, no geral, a recepção está sendo bastante positiva. “A maioria das pessoas está gostando, muita gente está se sentindo representada. Mas o pessoal daqui da Casa das Artes me contou que muita gente veio e reclamou que era uma ‘propaganda gay’ o que estou fazendo, que antigamente as pessoas eram gays, mas não se mostravam desse jeito, coisas assim”, conta a fotógrafa.
A fotógrafa diz não se incomodar e que sua exposição pode ser considerada um ato político:. “A gente está em 2019 e parece que há um retrocesso da população, que ainda afirma que certas coisas não devem ser mostradas, não devem ser ditas”, lamenta Priscila.
Além de conferir a exposição, quem for na Casa das Artes de Novo Hamburgo na tarde desta terça-feira, 24 de setembro, poderá fazer uma oficina de fotografia para iniciantes com ela. Para mais informações sobre a exposição ou a oficina, entre em contato com a Casa das Artes, pelo telefone (51) 3593-2013.
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]]>The post Exposição gratuita Subversão da Forma vai até janeiro appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>As obras da exposição são figuras quase mitológicas, seres sobre-humanos e objetos que transcendem a função para alcançar um plano místico. Segundo a descrição do projeto, feita pelo curador Bernardo José da Souza, “esta exposição é sobre o fim; e sobre o começo de um novo tempo, irreconhecível, inominável, inefável”.
As visitações são aos sábados e domingos, das 14h às 19h, na Fundação Iberê Camargo (Av. Padre Cacique, 2000). Mais informações podem ser obtidas na página do evento no Facebook.
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]]>The post Exposição celebra 80 anos de Olhai os Lírios do Campo appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A visitação é gratuita e a mostra é realizada pela Associação Cultural Acervo Literário de Érico Veríssimo e pela UFRGS, por meio do Instituto de Letras e do Departamento de Difusão Cultural. A abertura da exposição é no dia 10 de dezembro e o encerramento, no dia 17. As visitas podem ser feitas das 10h às 18h. Mais informações no evento no Facebook.
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