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]]>Eternizado pela interpretação de Caco Antibes, no programa Sai de Baixo, Falabella subiu ao palco, no qual atuou e dirigiu diversas vezes, lembrando muito a irreverência do personagem. Sorriu, brincou e emocionou-se com as histórias que moldaram seus 61 anos de vida. Mas mais que suas narrativas únicas, a palestra “Viver e sonhar em voz alta” tratou de sonhos.

“Eu pensava: ‘eu preciso lutar por esse sonho, eu preciso dizer para eles (família) diariamente que o meu sonho é esse e que eu vou realizar. Então todo dia eu sentava na mesa e dizia ‘eu quero ser ator’. Eu vivi em um mundo de ‘nãos’. A máxima era: ‘você não pode dar um passo maior que a sua perna’. Mas você nem sabe qual é o tamanho da minha perna, eu quero dar esse passo”, lembrou.

Carioca da Ilha do Governador, não aceitou ter seus sonhos diminuídos ou até mesmo desacreditado. Para ele, os sonhos são espaços pessoais, inviolados e que é necessário deixar o aviso de ‘não perturbe’ na porta. “É ali que guardamos os nossos desejos mais secretos, os nossos sonhos”, acredita. E ele guardou o seu sonho com carinho, mas não o limitou a uma gaveta secreta, tratou de realizá-lo.

Aos 18 anos, depois de frequentar aulas de tablado secretamente, teve, enfim, a chance de apresentar-se como um profissional. E ali, naquela primeira experiência, que conheceu a perversidade e a sentiu a desistência bater na porta. “15 dias depois que eu havia começado a fazer a peça, o diretor me chamou e disse que ia me mandar embora. E disse: ‘Acho que você não tem talento, acho que você não tem o que é preciso para ser um ator de palco’”, contou.
Na volta para casa, de cabeça baixa, Falabella entendeu uma valiosa lição sobre a vida e fez questão de afirmá-la veementemente para quem o escutava na plateia. “Em nenhum momento da sua vida você pode se definir pelo olhar de uma outra pessoa”. E foi depois de uma longa viagem pela Europa que ele iniciou, de fato uma busca incessante por atingir seus objetivos.
Miguel Falabella não parecia acreditar no ditado que diz, “um passo de cada vez”. Voltou ao Brasil com uma mala carregada de sonhos ávidos por realização e com uma peça de teatro escrita, sobre a vida da mesma Emily Dickinson, que ele recita até hoje. Entregou a peça nas mãos da atriz Beatriz Segall, eterna Odete Roitman, convidando-a para atuar.
“Eu não tinha feito nada, mas precisava começar de algum lugar e eu não queria começar mal, eu queria começar com o que há de melhor”. “Emily”, o espetáculo sobre a vida da poeta de mesmo nome, rendeu a Falabella, e a Beatriz, o Prêmio Molière – concedido aos melhores do teatro no Rio de Janeiro e em São Paulo – e abriu as portar para o, então, jovem diretor.

Tantas vezes questionado qual a fórmula para o sucesso, Miguel Falabella disparou: “essa fórmula não existe”, mas desafiou-se, junto ao público, a criar aquilo que chamou de receita inexistente pata o sucesso.
Em primeiro lugar: poesia, muitas colheres de poesia. Com um fã assíduo dos poemas, Miguel Falabella, no palco, o ingrediente inicial para fictícia, mas funcional, fórmula do sucesso recitada não poderia ser outra. “Por um momento a gente tem a possibilidade de ver a vida por outro ângulo. Olhar o mundo fora da caixa”
Depois, e extremamente importante: disciplina. “Eu escrevo todos os dias, uma hora por dia. Às vezes eu não aproveito nada, às vezes eu só aproveito uma frase de tudo aquilo que eu escrevi, mas todo dia eu escrevo”, conta. Todos os ingredientes vêm temperados com histórias de vida de Falabella.

Jogo de cintura e adaptabilidade, mais algumas pitadas na receita. Com tantos papéis, desafios, espetáculos e prêmios na carreira. O diretor acredita que nos momentos em que o mundo desabou em uma noite, conseguir de adaptar e pensar rápido na solução é imprescindível. “É possível, sim, transformar uma realidade em uma coisa mais positiva”.
Do mesmo pote dos últimos dois ingredientes, é necessário adicional praticidade. “A gente precisa ser prático na vida. A gente não tem tempo de a perder, o mundo corre muito rápido, então é fundamental a gente saber tomar decisões. Em vez de ficar no problema, eu resolvo ele”, incentiva.
Logo após realizar a palestra, Miguel sairia em direção ao aeroporto Salgado Filho e, de lá, desembarcaria em São Paulo onde passaria o restante do dia no teatro. E, para organizar sua vida, é necessário planejar-se. “Na vida a gente não faz nada sem planejamento. Eu tenho que dosar, senão eu não consigo fazer tudo o que eu tenho para fazer.
Originalidade. Talvez seja esse o ingrediente que mais encanta o diretor, e é característica fundamental para os integrantes de seus elencos. “Ser original, pensar diferente, trazer sempre um novo ângulo”. Seguir o fluxo, repetir padrões, trancar-se na caixa do pensamento, segundo ele, não interessam.
Já finalizando a receita, Falabella aconselha adicionar doses de “transmitir a todas as pessoas envolvidas no projeto o sentimento de que são donos do projeto”. E disso ele entende bem. No espetáculo que está dirigindo no momento, trabalha com mais de oitenta pessoas, e diz conhecer não somente o nome de cada uma delas, mas a história de vida. “É tão melhor trabalhar com educação, com gentileza”.
O último ingrediente é o mais forte, aquele que dá um gosto especial e essencial na receita: a persistência, grandes doses de persistência, sem moderação. Depois de compartilhar a sua história de vida, ninguém que estava naquela plateia seria capaz de duvidar que Falabella é um produtor de persistência.

Depois de dezenas de peças teatrais, Falabella ainda carrega o sonho de transformar um de seus espetáculos em filme. Emocionado, contou que “Veneza”, depois de 20 anos, está prestes a sair do papel. E, como uma ironia, a história da gravação do filme faz um paralelo com sua, passando pela quase desistência, aos enormes desafios e medos, para chegar enfim, ao sucesso.
A receita “inexistente do sucesso” funcionou para Miguel Falabella, que se denomina como um amante do trabalho, como alguém que apesar de uma rotina conturbada, não trabalha um único dia de sua vida. E, por fim, ele aconselhou: “A grande obra é a gente ser autor de si mesmo”.
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]]>Transformando o Teatro do Sesi em uma grande plateia, no melhor estilo “Altas Horas”, o apresentador e jornalista Serginho Groisman provocou as quase 1,7 mil pessoas presentes a pensar no empreendedorismo de um modo diferente. Animado, passou o tempo todo caminhando e conversando com o público. Fez perguntas, respondeu curiosidades e até mesmo tirou selfies com os mais empolgados.
A palestra fez parte da programação da 36ª Convenção Gaúcha de Supermercados – Expoagas 2017, no Centro de Eventos da FIERGS. O evento reúne anualmente supermercadistas do Rio Grande do Sul e fora do Estado. O apresentador reforçou a importância do setor na economia brasileira. “O supermercado sempre foi a referência jornalística da economia do Brasil. Se o supermercado vai mal, o Brasil vai mal”, disse.

No início da palestra, o apresentador lembrou a história da família, contando que seus pais chegaram ao Brasil refugiados da II Guerra Mundial e criaram raízes, iniciando aqui uma jornada empreendedora. O pai de Serginho foi um empresário no setor têxtil e aprendeu a lidar com os imprevistos quando a família precisou recomeçar a vida depois de um incidente no negócio. Persistência foi o legado passado para o apresentador.
Foi o trabalho árduo da família Groisman que proveu a educação de excelência dos filhos. Serginho passou por três cursos na faculdade até encontrar seu caminho no jornalismo. Formado pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, disse que os erros não significam a desgraça das pessoas e, fazendo uma analogia com sua caminhada acadêmica, falou que errar talvez seja o caminho da mudança.

“Você deve acreditar no que vê, não deixe que os boatos e ondas pessimistas desanimem o seu trabalho”, disse o apresentador, apontando que sua trajetória foi construída com muito trabalho e dedicação e que nem por um momento ele imaginou ocupar o lugar em que está hoje. Sobre o fato de empreender, afirmou que sempre trabalhou como empregado e que se sente satisfeito com isso. “Empreendedor não é somente a pessoa que quer o seu próprio negócio, mas também é aquele que empreende dentro da empresa”, observou o jornalista.
Como última interação com a plateia, foi questionado sobre a ética nos negócios e sua resposta foi clara e objetiva. “Ética é uma das principais questões da vida. Se você for ético, não vai ser desonesto e isso é o mais importante”, finalizou Serginho. Neste momento, o jornalista pontuou que no seu trabalho, a ética sempre foi essencial, pois na televisão, a busca pela audiência deve ter um limite e deixou a questão: “até onde você deve ir?”
Antes do início do bate-papo, Serginho recebeu o Portal Mescla para uma conversa sobre oportunidades e o futuro do jornalismo. “O mercado não anda fácil, mas não anda fácil para ninguém, principalmente para as pessoas que estão iniciando. Então, você precisa ter paciência e talento. São as duas coisas que vão levar você para frente”, aconselhou.
Serginho é um jornalista multiplataforma. Na carreira jornalística foi produtor musical e cultural, trabalhou em rádio, jornal impresso e hoje atua exclusivamente na televisão. “Dei aula, fui diretor de rádio, diretor de faculdade, eu só fiz o que eu realmente gostei. Eu procurei fazer isso na minha vida e ainda estou aprendendo e tentando fazer o melhor”, disse o apresentador que comanda o programa “Altas Horas”, na Rede Globo, há 17 anos.

“Muita gente diz que o jornal impresso vai acabar. Eu espero que não. Hoje o digital está presente em todas as formas. A televisão se transforma também muito rapidamente, ela depende de equipamentos que a cada dia são renovados, inclusive graças ao digital”, falou ao comentar sobre a abrangência do meio digital, afirmando que ele veio para ficar. “Eu sempre acredito no espaço de cada um, acredito muito mesmo. E hoje as coisas elas se conversam, elas não são mais separadas como se achou que seria”, pontuou.
Tendo muita experiência com o público jovem, Serginho falou que o futuro do jornalismo é incerto e que a internet é um grande meio para o comunicador que está ingressando no mercado. Para ele, com o auxílio da internet, o empreendedor no jornalismo tem diversas formas de trabalho, pois ela ajuda tanto na busca de informações quanto na procura por oportunidades. O jornalista apontou que hoje o jovem pode utilizar a web como um canal e eventualmente servir de referência para alguém que o vê.
Serginho deixou um recado final aos jovens que estão ingressando no mercado de trabalho e que buscam oportunidades para o seu futuro, não só na comunicação, mas de uma maneira geral. “O futuro é muito difícil, porque o futuro vai depender muito da gente também. Da gente enquanto protagonista político, votando, a gente como consumidor e também como protagonista nos meios de comunicação”, finalizou.
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]]>Bem humorado e com respostas práticas na ponta da língua, o historiador e professor gaúcho Leandro Karnal participou na última quarta-feira da Expoagas. A feira é voltada para os supermercadistas e está na sua 35ª. Karnal lotou o auditório do Teatro do Sesi, em Porto Alegre, e ministrou a palestra “Olhando a Crise com perspectiva”.
O portal Mescla acompanhou o encontro e elencou as principais dicas que Karnal abordou durante o evento.
1 . O primeiro pensamento que deve-se ter durante a elaboração e execução de um projeto é que os políticos passam, e os projetos ficam.
2 . Um projeto não pode ser marcado pelo pessimismo. Para ele, pessoas pessimistas não produzem e não têm boas referências.
3 . Precisa-se de gente otimista para trabalhar. “Os otimistas estão sempre dispostos a realizar novos projetos.”
4 . Mudanças são necessárias. Portanto, saia da sua zona de conforto. “Nós não gostamos de mudança, pois ela nos tira do que estamos acostumados.”
5 . Estude línguas, mas comece pelo português. “Sempre escuto que tenho jeito para línguas, na verdade, não tenho jeito, estudei muito. Mas sempre que alguém pede dicas, eu digo para começar estudar o nosso português.”
6 . Tenha racionalidade estratégica. “Se entro no avião e tem uma pessoa na minha frente e ela espera chegar até o último banco para olhar no bilhete que seu assento era o 2A percebo que tem algum problema. Essa pessoa não teve estratégia na hora do embarque. Tenha isso pra sua vida.”
7 . Pensamento positivo não produz nada além de pensamentos. Ou seja, supere os pensamentos mágicos.
8 . Tenha visão além do horizonte. Custo: esforço. Esforço é a base de tudo.
9 . Tenha em mente que somos livre para escolher, mas as consequências não são. “Quando estou andando por São Paulo e passo pela Cracolândia, eu lembro que um dia aquela pessoa que está suja e maltrapilha teve a oportunidade de escolher. Porém, a consequência dessa escolha não foi o melhor para ela.”
10 . Seja autônomo com inteligência, iniciativa e criatividade. “Olhe o que as pessoas fazem e faça diferente. Pensar diferente tem um custo e esse custo precisa de coragem.”
11 . Produza conhecimento e procure estar sempre atualizado em assuntos de interesses da sua área. “Meus alunos costumam a falar que daqui uma semana vão começar a estudar. Eu digo: comece hoje. Não deixe seu conhecimento esperar a próxima semana chegar.”
12 . Dialogue entre o novo e o velho. “Tenha na sua empresa, baby boomers e pessoas da geração Y e Z, pois você terá clientes dessas gerações. É importante alguém que entenda a demanda de cada cliente.”
13 . Tenha administração do tempo. “Entenda que o acesso às redes sociais é a maior armadilha já criada para fracassar uma carreira. Não passe o dia atualizando seu feed.”
14 . Trabalho não é castigo, é oportunidade de transformação. “O trabalho é o que insere em uma ordem maior, trabalho é aquilo me deixa socialmente relevante. É aquilo me coloca a frente de batalhas e que me leva a rua para produzir.”
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