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Dentro desse cenário, a disciplina de Linguagens Artístico-Culturais II, do curso de Pedagogia, promoveu a live “A tv como objeto de estudo da escola”, na última quinta-feira, dia 5 de novembro. O encontro faz parte de uma trilogia de eventos para debater, com convidados especiais, temáticas interessantes à educação.
Os convidados foram Daniel Pedroso, professor dos cursos de Jornalismo e Realização Audiovisual da Unisinos, e Carol Anchieta, jornalista e assessora de Diversidade da Secretaria Estadual da Cultura (Sedac) do Governo do Rio Grande do Sul. A organização foi do professor Maurício Ferreira, responsável pela disciplina. A mediação ficou por conta das estudantes Bianca da Rosa, Eduarda Vieira, Gabriela Cela, Gabriela Mesquita e Isabela Ferreira.
“Ao invés de entrar em uma luta com a televisão, é melhor aprender como apropriar suas linguagens para poder usar isso na comunicação e na educação infantil”, explicou Maurício. Para ele, a percepção de que a televisão ainda é fonte importante de informações torna necessário que se pense, cada vez mais, na forma como ela influencia e educa, mesmo quando não é esse o intuito inicial.
“Fazer TV é um desafio dobrado”, concordou Carol. “Exige responsabilidade e tem que disputar com a internet, que proporciona uma gama grande de conteúdos com trabalho de poucas pessoas. Mas, embora a TV tenha enxugado o seu quadro profissional e os orçamentos de produção tenham baixado, ainda há um espaço nobre de construção audiovisual”, avaliou a jornalista, que é mestranda em Design Estratégico pela Unisinos.
Na opinião das estudantes presentes na live, o espaço nobre da TV ainda não reflete os apelos das pessoas. Para elas, as emissoras produzem um conteúdo, sobretudo de entretenimento, que não consegue captar as nuances da sociedade. A representação na televisão não chega até a realidade. “Eu não me sentia representada, mas só fui ter um olhar crítico quando morei no Rio de Janeiro e fui trabalhar no Futura”, comentou Carol.
Para a jornalista, que participa ativamente de movimentos feministas e antirracistas, a desigualdade racial dentro das emissoras ainda é alarmante. “Em um país que tem a maioria de sua população formada por pessoas negras, não é estranho que se possa contar o número de jornalistas negros nos dedos das mãos? Não é porque eles não querem trabalhar na televisão. Não dá para pensar assim.”
“Um dia, assistindo televisão, comemorei quando vi que vários apresentadores em sequência eram negros”, comentou Daniel, que também é doutor em Comunicação pela Universidade do Texas. “Mas é um absurdo que nós ainda tenhamos que ficar felizes com essas pequenas coisas”, criticou. Carol observou também que é hora de todos se posicionarem: “Enquanto a gente não agir sobre a reflexão, as coisas não vão mudar”.
Esse sentimento se reflete também no universo audiovisual, que hoje, além da TV, têm a presença das plataformas de streaming e dos produtores independentes de conteúdo. “Mais do que assistir e desfrutar da linguagem, temos que colocar mão na massa e fazer junto”, incentivou Daniel. “Como o pesquisador argentino Mario Carlón fala, ‘a televisão tem dois dispositivos atuantes’. Não é só a transmissão, a empresa. É o fazer e praticar esse conteúdo.”
Para o professor, chamar crianças e jovens a participarem faz parte do novo modelo a se pensar. “Assistir um documentário não é mais o suficiente. É preciso colocar as crianças para construir esse produto, explorar o objeto audiovisual, entregar trabalhos em vídeo, entrevistar pessoas”, acredita Daniel.
Para assistir o debate na íntegra, acesse este link e conheça a primeira live da trilogia. Também não esqueça de ficar ligado no canal da Escola de Humanidades para ficar sabendo dos próximos eventos.
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