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“É uma atividade eminentemente prática e tivemos que inverter a orientação de sempre”, explica o professor Felipe Boff, um dos editores. “Em vez de pedir aos repórteres para irem às ruas desenvolver suas pautas, buscando fazer as entrevistas pessoalmente, pedimos que fizessem toda a apuração jornalística em casa, respeitando o isolamento social.”
Essa forma alternativa de trabalhar acabou abrindo uma janela nova: a possibilidade de trazer um outro olhar para a Indústria Criativa, ambiente do qual a Beta Redação faz parte. A ideia partiu da professora Luciana Kraemer, também editora do portal jornalístico. A inspiração veio logo após o lançamento do estudo “Impactos econômicos de atividades culturais: o caso da música”, desenvolvido pelo Governo Estadual. “A pesquisa revelou, por exemplo, que eventos musicais são um motor de desenvolvimento local, porque mobilizam comércio, hotelaria e toda uma rede de profissionais que a gente nem imagina”, comenta Luciana.
A ideia, então, seria colocar a música no foco de uma série especial de matérias, o que permitiria também falar sobre cultura, uma área que, para Luciana, vem sendo desprezada pelo Governo Federal. “Tanto em termos de representatividade de gestão, há uma falta total de política pública para o setor”, avalia a professora.
Para Felipe, abordar a cultura dentro da economia gaúcha foi importante para discutirmos sua importância. “É uma das áreas mais impactadas pelas consequências da pandemia. Então, unimos esforços dos repórteres para traçar um panorama de como as atividades criativas — especialmente as ligadas à música — estão enfrentando a crise”, explica o professor. Nas matérias, os alunos buscaram mostrar as alternativas e projeções sob o aspecto do emprego e da geração de renda.
A primeira matéria, “Os desafios da economia criativa na pandemia”, traz um panorama sobre a situação do setor no Estado, além de números levantados por pesquisas, entre elas, o estudo “Covid-19 nos Setores Cultural e Criativo do Brasil”. Outros pontos abordados são: artistas que fazem muito com poucos recursos e pessoas que têm dificuldades com tecnologia, cujo isolamento e o convívio majoritariamente virtual acaba tornando a atividade mais difícil.
A reportagem “No RS, eventos musicais geram emprego para mais de 60 ocupações” aborda como vários setores se beneficiam da música. Em torno de shows, apresentações e concertos, o ramo musical movimenta empregos direta e indiretamente. Em um momento como esse, não são apenas os músicos que sentem o impacto do distanciamento: profissionais ligados à produção, serviços especializados, captação, contabilidade e fiscalização são afetados de uma forma ou outra. Cultura e economia são duas peças importantes que funcionam lado a lado.
Para os músicos, a principal saída foi a adaptação ao mundo digital. Na matéria “Do palco às plataformas digitais”, bandas tradicionais do Estado, como Tchê Guri e Terceira Dimensão, mostram como estão transformando sua própria performance para alcançar o mundo digital e garantir o apoio dos fãs. Nesse contexto, plataformas de streaming, como o Spotify, ajudam as bandas a garantir audiência.
Já em relação à música erudita, a reportagem “Silencia o cenário musical” apresenta dois maestros e uma violinista em busca de novas formas de sobreviver a um momento em que concertos e ensaios no palco não são mais possíveis. Para esses músicos, a adaptação ao meio digital exige uma estrutura que por vezes não consegue ser alcançada. Acrescente às dificuldades a característica do público, que não costuma frequentar lives e encontros virtuais.
E quanto aos outros profissionais, como no caso da matéria “Produtoras de shows ainda não conseguem estipular prejuízo”, o momento ainda é de cautela e cálculos. Um dos primeiros a fechar as portas e provavelmente um dos últimos a reabrir, o setor de entretenimento ficou comprometido neste primeiro semestre, e o cenário futuro não traz promessas de melhora. Sem a venda de ingressos e de eventos, não é possível produzir renda alguma. Em “Adiamento de shows impacta na renda de motoristas particulares”, é possível acompanhar o dilema de quem utiliza a atividade de transporte particular ou por aplicativos para complementar a renda — em alguns casos, todo o sustento é proveniente dali.
Mesmo com todas as dificuldades impostas pelo isolamento social e o trabalho remoto, o saldo foi positivo. “Acredito que foi de enorme aprendizado para todos”, avalia Luciana. “O comprometimento dos alunos com as publicações e o engajamento para enfrentar esse momento contou 110% para que conseguíssemos produzir todo esse material.”
As matérias da Beta Economia podem ser encontradas diretamente nos links dos títulos acima. Todos os semestres, as produções continuam trazendo assuntos do momento e reflexões jornalísticas.
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]]>Mais de 100 palestras ocorreram simultaneamente em diversos pontos do bairro. Dessa forma, ninguém se deu ao luxo de ficar parado. As ruas ofereceram atrações para quem transitava de um ponto a outro da região, com direito a música ao vivo, brechós e food trucks. Definitivamente, um evento para todos os gostos.
Quem chegava no Festival para retirar credencial de imprensa era recebido com uma sacola cheia de lembranças, incluindo lápis, caneta, caderninho, pacotes de bolachas integrais, pó de café instantâneo, entre outros itens. As primeiras palestras do dia incluíam assuntos como realidade estendida, elaboração de roteiro para conteúdo audiovisual a partir de sonhos, o futuro da aprendizagem e a relação entre pessoas e marcas. Com tanto conteúdo para iniciar o festival, era difícil decidir por onde começar.
Porém, havia uma palestra em específico que boa parte do público do festival não tinha dúvidas de que iria assistir, mesmo com tantas outras acontecendo no mesmo horário. Às 10h30, no primeiro piso do Nau Live Spaces, subiu no palco um homem não muito alto, que falava inglês com bastante sotaque e vestia uma camisa branca, calça preta e sapatos sociais muito bem lustrados. Era Orkut Büyükkökten, mais conhecido como a mente por trás da saudosa rede social Orkut. A presença dele na Capital já tinha sido notada alguns dias antes, quando aterrissou em solo gaúcho. Orkut se tornou um assunto muito comentado na internet por ter sido bloqueado no Tinder e reclamado disso no Twitter.
Orkut fez uma palestra muito bem humorada sobre redes sociais e o impacto que elas têm em nossas vidas hoje em dia. Ele também apresentou seu atual projeto, a plataforma hello, que busca incentivar seus usuários a se conectarem não apenas no mundo virtual, mas também na vida real. E, obviamente, não deixou de fora a história sobre o bloqueio que sofreu no Tinder. Encerrada a palestra, Orkut se dispôs a tirar foto com todos que quisessem, sempre com um sorriso no rosto e distribuindo abraços.
E assim seguiu a programação do BS Festival até o final do dia, com atrações de todos os tipos, ideias originais e diversidade. Foi um sábado de muita movimentação, aprendizado e inovação, com espaço para todos que procuram se aprofundar na economia criativa. Agora, só nos resta imaginar que surpresas o festival trará ano que vem.

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