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Arquivos diversidade - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/diversidade/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 04 Jul 2022 12:50:40 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 As vozes que (ainda) não ouvimos https://mescla.cc/2022/07/01/as-vozes-que-ainda-nao-ouvimos/ https://mescla.cc/2022/07/01/as-vozes-que-ainda-nao-ouvimos/#respond Fri, 01 Jul 2022 19:58:07 +0000 http://mescla.cc/?p=16582 Ilustração de capa: Marcela de Bettio (especial para o Mescla) Nossa maior meta ainda é reduzir a branquitude no Portal. Esta é uma das conclusões a que se chega após realizar o segundo levantamento que pretende fazer um mapa da representatividade de fontes entrevistadas pelo Portal Mescla em 2021. Se em 2020 o Portal foi […]

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Ilustração de capa: Marcela de Bettio (especial para o Mescla)


Nossa maior meta ainda é reduzir a branquitude no Portal. Esta é uma das conclusões a que se chega após realizar o segundo levantamento que pretende fazer um mapa da representatividade de fontes entrevistadas pelo Portal Mescla em 2021. Se em 2020 o Portal foi 95% branco, em 2021 foi para 91%. É uma redução baixa, mesmo levando em conta o processo de sensibilização que a equipe vem experienciando para tentar garantir maior equilíbrio de visibilidade não branca


Indo diretamente aos números, de abril de 2021 a abril deste ano, foram 150 fontes consultadas pelo Mescla, mais da metade delas em matérias sobre acontecimentos provocados pelos cursos de graduação da Unisinos; E aí vem uma questão necessária de ser levada em conta do ponto de vista metodológico. No ano passado, começamos a enviar um Formulário para as fontes entrevistadas, após a publicação ir ao ar. Ele questiona como a fonte se identifica em relação a raça, gênero e orientação sexual. Das 150 fontes, bem menos do que a metade (46) respondeu ao questionário. A fonte responde voluntariamente, não sendo obrigada a preencher com o e-mail ou mesmo o nome, ou seja, pode escolher ficar totalmente anônima.  O número de respostas que obtivemos (as 46 respondentes) equivale a 30% de todos os entrevistados


Abrimos esses registros, e aqui vão os resultados: 

Desta amostra, cerca de 91% são pessoas brancas. Pretos e pardos somam cerca de 9%. Vale ressaltar uma constatação da edição anterior: como o Mescla é um Portal que traz muitos assuntos ligados à Escola da Indústria Criativa da Universidade, uma universidade particular, sabemos que estamos inseridos em um contexto extremamente privilegiado (e branco).  





Em relação ao gênero, cerca de 61% dos respondentes se declararam mulheres cis e outros 35% homens cis, ou seja, 96% das vozes ouvidas pelo Mescla fazem parte da cisgeneridade. Este é outro desafio que o levantamento mostrou: como escapar do padrão cis. 




Diferentemente da primeira edição, nesta foi incluída uma questão referente à orientação sexual. Neste primeiro levantamento acerca do tema, os autodeclarados bi e homossexuais somaram quase 22%, e o predomínio é de heterossexuais (78,3%).  


No entanto, o Portal considera este um resultado positivo em relação as porcentagens das outras categorias. Ainda mais, como contraposição ao levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de 2019, que aponta que apenas 2% da população brasileira se autoidentifica como homo ou bissexual no país. 





Dos 19 aos 82  

Outra questão que as fontes respondem diz respeito à faixa etária. Aqui, o Portal fica contente em saber que escuta pessoas que vão dos 19 aos 82 anos. Pessoas em diferentes etapas da vida, que vai desde aquelas que estão ingressando na universidade até aos experientes sêniores acadêmicos e profissionais da indústria criativa.  


Apesar de os números mostrarem novamente uma realidade não tão diversa como o Portal deseja, continuaremos confrontando com nós mesmos. Como jornalistas, somos inquietos, e a inquietação é chave fundamental como ferramenta de transformação social. 


Uma metodologia que segue sendo aprimorada 

Algumas observações precisam ser feitas para que se possa interpretar melhor os dados encontrados. Como trata-se de um levantamento customizado, ou seja, organizado pelo Mescla sem referência prévia, a metodologia de coleta de dados precisou ser aprimorada. Na primeira edição (referente à 2019 e 2020), as fontes foram classificadas por gênero (homens e mulheres) e raça (brancos, negros ou não identificados). “Não identificados” foi a forma encontrada para resolver a falta desta informação, já que não houve envio de questionário para as fontes. A categorização foi realizada a partir da visualização dos repórteres que conversaram com as fontes presencialmente, via videochamada. (pandemia) ou telefone. Neste sentido as fotos nas redes destas pessoas entrevistadas também ajudaram.  


Dessa forma, a grande mudança neste segundo levantamento, é que em 2021 passou a ser prática interna obrigatória (por parte da reportagem) enviar o formulário para as fontes que ajudaram a construir as matérias, conforme já explicado. Este formulário é um pedido, portanto, nem todas as fontes podem ou querem responder. Ele passou a ser enviado no mês de julho, em 2021. Também conforme já citado, se obteve apenas 46 respostas até este segundo relatório.  


Em 2020 foram contabilizadas 336 fontes ouvidas nas diferentes produções jornalísticas do Mescla e todas elas contaram para o levantamento. Nossos resultados não são positivos, apesar de entendermos que eles mostram apenas uma parcela. Esta é uma construção, um projeto maior do Mescla, por isso, iremos sempre “prestar contas”. Nosso dever e responsabilidade de diversificar e inclusificar nos desafia e exige mudanças.   




Como o Mescla tem utilizado os resultados para aumentar a representatividade  

Em março de 2020, quando a equipe que produz o Portal Mescla parou para refletir e realizar uma autocrítica sobre o nosso papel e responsabilidade como grupo para garantir mais diversidade de raça, gênero e classe em todos os espaços, e como um portal jornalístico, entende-se que se trata de um dever relacionado a um direito humano de lutar por uma sociedade menos discriminatória. Portanto, é preciso manter a coerência com o que se acredita e compartilhar a reflexão sobre as práticas profissionais incluídas na rotina de trabalho do grupo. Naquele momento, começamos a “olhar com lupa” nossas produções, e o foco foram as três principais editorias abastecidas por nós: Por Dentro, Deu Certo e Especial. Os resultados estão aqui


De lá para a cá, foram diversos debates e momentos de autocrítica e planejamento de ações para aumentar as vozes representativas no Portal. Para além do trabalho como sujeitos mediadores da informação, aprendemos muito sobre nosso papel como cidadãos, e continuamos refletindo sobre nossas posições sociais. Como jornalistas, a inquietação não acaba. Entramos em 2021 analisando nosso processo de produção de conteúdo e resolvemos produzir um Levantamento de Raça e Gênero, inspirados pela iniciativa do Grupo Matinal Jornalismo, para que pudéssemos identificar quem eram as fontes escolhidas pelo Mescla para falar sobre os mais diversos assuntos e quem eram os profissionais que convidávamos a “ocupar a cena” do Portal.


Nesse sentido, os números servem para acompanharmos e entendermos como o Portal Mescla tem se relacionado com a diversidade de gênero, étnica e racial em relação às suas fontes. Para transformarmos a percepção em números, e os números em ações que ampliem nosso papel contra a desigualdade social e racial.  


Além de convidarmos à todes para dialogar com o Mescla, nos dando dicas de conteúdos e atividades e apontando quais podem ser nossas falhas, criamos um banco de fontes interno. Além da inclusão de fontes que ampliem a diversidade, estamos pensando em pautas mais inclusivas e qual a melhor forma de trabalhar com elas, visto que o Mescla é feito por pessoas em posições privilegiadas e normativas. Dessa forma, uma espécie de banco de pautas foi também criado. 


Em nossas reuniões de pauta semanais comentamos sobre publicações, eventos, espaços de formação e debates sobre o que tem acontecido ao nosso redor. Além dessas pesquisas e diálogos, a Agexcom – agência na qual o Portal está inserido – tem abraçado este compromisso também. Dessa forma, participamos de uma oficina sobre diversidade na comunicação com a Alteritat e um bate-papo com a professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unisinos, Maria Cláudia Dal’Igna

Conforme escreveu a filósofa, professora, pesquisadora e escritora Djamila Ribeiro, em seu livro “Pequeno Manual Antiracista”, “Fala-se muito em empatia, em colocar-se no lugar do outro, mas empatia é uma construção intelectual, ética e política”. 


Por fim, convidamos a todes a acompanhar nossos próximos passos e a conferir nossos conteúdos do Portal. Toda e qualquer observação é bem-vinda. 



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Semana da Comunicação 2022: um apanhado do que rolou https://mescla.cc/2022/05/06/semana-da-comunicacao-2022-um-apanhado-do-que-rolou/ https://mescla.cc/2022/05/06/semana-da-comunicacao-2022-um-apanhado-do-que-rolou/#respond Fri, 06 May 2022 17:36:46 +0000 http://mescla.cc/?p=16405 A programação estava recheada de temas relevantes que passaram pelas possibilidades de “futuros”, diversidade e “inclusificação“, fotojornalismo e fotografia documental, movimentos sociais, influenciadores digitais, além de uma conversa com o Núcleo de Tecnologia do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em […]

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A programação estava recheada de temas relevantes que passaram pelas possibilidades de “futuros”, diversidade e “inclusificação“, fotojornalismo e fotografia documental, movimentos sociais, influenciadores digitais, além de uma conversa com o Núcleo de Tecnologia do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).


Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube. 


SEGUNDA-FEIRA, 25/4 

Futuros: modos de fazer 

O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies). 




“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.” 


O que se transforma quando a gente pensa em “Futuros no plural”? 

Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.  





Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.  


Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamadaTrês ondas de impacto, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.



Selo Comemorativo  

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo? 




TERÇA-FEIRA, 26/4

Criando oportunidades para uma comunicação diversa e inclusificadora  

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.  


A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.  

“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.  





Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.  


Não escreveram “inclusificar” errado?  

Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação. 


“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas. 

“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa  




Os dados provam  

Conforme  estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando? 


As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!  


Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação. 


Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.  



QUARTA-FEIRA, 27/4 

A fotografia documental de movimentos sociais 

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.


O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”. 


Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.


Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele. 


“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”  





“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.” 





Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada. 



“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.” 





“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”





No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “​Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”   


Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.” 




QUINTA-FEIRA, 28/4 

Workshop Influenciadores digitais no TCC 

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio). 


O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.” 




“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.” 




A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.” 




“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.” 



Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.  



“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.” 


“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.” 




A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.  






SEXTA-FEIRA, 29/4 

Apresentação do Núcleo de Tecnologia do MTST + Projeto Contrate Quem Luta 

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.



“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.” 





O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.  


Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST. 



A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.




A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.  




A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição! 

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Inovação e criatividade tomam as ruas de Porto Alegre https://mescla.cc/2019/08/23/inovacao-e-criatividade-tomam-as-ruas-de-porto-alegre/ https://mescla.cc/2019/08/23/inovacao-e-criatividade-tomam-as-ruas-de-porto-alegre/#respond Fri, 23 Aug 2019 20:24:34 +0000 http://mescla.cc/?p=11085 O dia 17 de agosto, um sábado, foi atípico para os moradores do bairro São Geraldo, em Porto Alegre. Um calor fora de época, com muito sol, deu boas-vindas às milhares de pessoas que ocuparam as ruas para prestigiar a terceira edição do BS Festival. As atrações, que ocuparam o dia inteiro, vieram recheadas de […]

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O dia 17 de agosto, um sábado, foi atípico para os moradores do bairro São Geraldo, em Porto Alegre. Um calor fora de época, com muito sol, deu boas-vindas às milhares de pessoas que ocuparam as ruas para prestigiar a terceira edição do BS Festival. As atrações, que ocuparam o dia inteiro, vieram recheadas de diversidade, inovação e pluralidade de conteúdos.

Mais de 100 palestras ocorreram simultaneamente em diversos pontos do bairro. Dessa forma, ninguém se deu ao luxo de ficar parado. As ruas ofereceram atrações para quem transitava de um ponto a outro da região, com direito a música ao vivo, brechós e food trucks. Definitivamente, um evento para todos os gostos.

Quem chegava no Festival para retirar credencial de imprensa era recebido com uma sacola cheia de lembranças, incluindo lápis, caneta, caderninho, pacotes de bolachas integrais, pó de café instantâneo, entre outros itens. As primeiras palestras do dia incluíam assuntos como realidade estendida, elaboração de roteiro para conteúdo audiovisual a partir de sonhos, o futuro da aprendizagem e a relação entre pessoas e marcas. Com tanto conteúdo para iniciar o festival, era difícil decidir por onde começar.

Orkut em pessoa

Porém, havia uma palestra em específico que boa parte do público do festival não tinha dúvidas de que iria assistir, mesmo com tantas outras acontecendo no mesmo horário. Às 10h30, no primeiro piso do Nau Live Spaces, subiu no palco um homem não muito alto, que falava inglês com bastante sotaque e vestia uma camisa branca, calça preta e sapatos sociais muito bem lustrados. Era Orkut Büyükkökten, mais conhecido como a mente por trás da saudosa rede social Orkut. A presença dele na Capital já tinha sido notada alguns dias antes, quando aterrissou em solo gaúcho. Orkut se tornou um assunto muito comentado na internet por ter sido bloqueado no Tinder e reclamado disso no Twitter.

Orkut fez uma palestra muito bem humorada sobre redes sociais e o impacto que elas têm em nossas vidas hoje em dia. Ele também apresentou seu atual projeto, a plataforma hello, que busca incentivar seus usuários a se conectarem não apenas no mundo virtual, mas também na vida real. E, obviamente, não deixou de fora a história sobre o bloqueio que sofreu no Tinder. Encerrada a palestra, Orkut se dispôs a tirar foto com todos que quisessem, sempre com um sorriso no rosto e distribuindo abraços.

E assim seguiu a programação do BS Festival até o final do dia, com atrações de todos os tipos, ideias originais e diversidade. Foi um sábado de muita movimentação, aprendizado e inovação, com espaço para todos que procuram se aprofundar na economia criativa. Agora, só nos resta imaginar que surpresas o festival trará ano que vem.

Muito simpático, Orkut abraçou e tirou fotos com todos que tinham interesse

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Mil Tons de masculinidades https://mescla.cc/2019/08/02/mil-tons-de-masculinidades/ https://mescla.cc/2019/08/02/mil-tons-de-masculinidades/#respond Fri, 02 Aug 2019 20:17:15 +0000 http://mescla.cc/?p=10768 Sobre os MilTons  O coletivo MilTons é formado por 12 homens negros que representam diversos tons de negritude, com suas sexualidades, religiões e masculinidades. A ideia foi do jornalista Airan Albino há quase dois anos, e o objetivo é debater temas como racismo, paternidade, religião, agressividade e relacionamentos. “Idealizei o projeto por conta de questões […]

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Sobre os MilTons 

O coletivo MilTons é formado por 12 homens negros que representam diversos tons de negritude, com suas sexualidades, religiões e masculinidades. A ideia foi do jornalista Airan Albino há quase dois anos, e o objetivo é debater temas como racismo, paternidade, religião, agressividade e relacionamentos. “Idealizei o projeto por conta de questões pessoais. Descobri o que era masculinidade vendo um filme e fui atrás de estudos sobre o tema. Achei massa e quis começar um projeto em Porto Alegre sobre isso”, diz. O filme que ele se refere é Moonlight, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017, formado por um elenco todo negro e revelador de uma temática que envolve diversidade sexual e racismo.

Airan reuniu amigos, conhecidos e parentes e deu início ao projeto cujo único requisito para o ingresso era que os integrantes se identificassem como homens negros. Desde então, o grupo se reúne mensalmente no Ponto de Cultura Africanamente e no Odomodê para compartilhar pensamentos e experiências. “São espaços geridos por pessoas negras. Preferimos apoiar espaços como esses do que fazer nossas reuniões em um local onde não-negros estão se beneficiando”, explica Airan. 

Ubuntu

Ubuntu = Eu sou porque nós somos. (Foto: Guilherme Machado)

O Mescla acompanhou uma roda de conversa mediada pelo psicólogo Cainã Nascimento, além de outros membros do MilTons. O papo não tinha um tema específico. A ideia era deixar que a própria roda pautasse o encontro. Assim como nas reuniões mensais do coletivo, cada pessoa presente na roda fez uma apresentação sucinta de si: nome, idade e o motivo que o trouxe até lá.

Meu nome é Pedro. Já ouvi falar do Miltons há um bom tempo. Minha irmã e uma galera sempre me falavam: “Você tem que colar neles, e eu nunca tive a oportunidade de colar no grupo”. Aí surgiu a oportunidade eu eu disse: “Vou lá, aprender bastante, ouvir bastante e agregar de alguma forma”. 

Gabriel Muniz, 34 anos, é baiano e filho da contadora de histórias Cris Muniz. Eles chegaram ao evento por acaso. Queria aproveitar as atividades da Virada Sustentável (evento que abrigou a roda) e trazer a mãe para conhecer um pouquinho de Porto Alegre. “É interessante continuar tendo esse debate, porque realmente é algo muito necessário. Ainda mais num contexto em que os homens negros estão sendo exterminados”, diz. “Aqui, no Rio Grande do Sul, eu percebo que ainda existem algumas questões bem delicadas entre mulheres negras e homens negros que a gente precisa compreender de uma maneira geral e de uma maneira específica”, completa. 

Ao longo do debate, temas como educação e representatividade nas escolas foram surgindo. Em um ambiente de confraternização, mulheres negras pautavam os homens na busca de respostas coletivas. A fala de uma das jovens, que não entendia a dificuldade do irmão de 13 anos para chorar, representava o que por muitos anos foi imposto ao homem negro: ser forte. Mas sim, o homem negro também chora! Aos poucos, a roda foi desconstruindo a persona daquele que resiste a tudo e a todos. 

Mais do que a força, é a fragilidade da condição de homem negro que aparece nas estatísticas. Segundo o Atlas da Violência de 2018, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com dados de 2016, os “não negros” tiveram taxa de 16 mortes a cada 100 mil pessoas, enquanto a taxa da população negra foi de 40 óbitos a cada 100 mil pessoas. 

O Atlas também revela que mais de meio milhão de vidas foram perdidas devido à violência em apenas 10 anos, a maior parte jovens de 15 a 29 anos, negros e habitantes da Região Norte e Nordeste do Brasil. Além disso, precisamos ressaltar que 55% da população brasileira é negra, segundo o IBGE.

Durante a roda de conversa, cada fala era recebida sem julgamento; todos eram reconhecidos e humanizados ao compartilhar suas visões. A prática do ubuntu, termo que veio dos países sul-africanos, era constante. Ubuntu pode significar “humanidade para com os outros” ou “eu sou porque nós somos” e é uma expressão chave dos encontros mensais do coletivo.   

O evento que ocorreu na Virada Sustentável foi apenas uma amostra dos constantes debates, com tema específicos, que ocorrem a cada mês reunindo os 12 integrantes. A delimitação dos temas serve para que os organizadores leiam bibliografias específicas, ou ainda se preparar emocionalmente para assuntos que possam tocar em questões íntimas.

Quem são eles?

Cainã é psicólogo e amante da sua profissão. (Foto: Guilherme Machado)

Cainã Nascimento, 27 anos, psicólogo, é o mediador do grupo e se vê como uma ponte nas rodas de conversa. “Meu papel dentro do coletivo é de facilitação de rodas de partilha e conversas. Pela minha formação enquanto psicólogo, eu tenho um pouco mais de bagagem para ajudar com que, nos momentos de troca e de conversa, a gente possa fazer isso sem se machucar”, explica. 

Dono de uma fala serena e cheia de alteridade, Cainã também é reconhecido pelo abraço confortante que dá a quem chega. “Eu sou psicólogo clínico, trabalho com clínica privada, mas também atuo em processos de grupo e meditação. Sou uma pessoa muito afortunada por encontrar um trabalho que me deixa gratificado e que é coerente com os meus valores”, conta.

Para Cainã, o mito da democracia racial faz com que pessoas negras não enxerguem o racismo sutil e até explícito que acontece ao seu redor. O grupo é uma maneira de desvelar o racismo estrutural, honrando aqueles que já foram e criando um lugar melhor para os que estão por vir. “O coletivo dá uma oportunidade para que homens falem o que pensam e o que sentem em um espaço seguro, que os desafia sem os torturar por serem quem são”, diz. 

Bruno apresenta o podcast “Coisa de Preto” da Rádio Gaúcha. (Foto: Guilherme Machado)

Bruno Teixeira, 27 anos, jornalista, mora no bairro Menino Deus, mas cresceu no Belém Velho, em Porto Alegre. Sua construção pessoal está muito relacionada a esse bairro e as pessoas que moravam lá. Hoje, ele sente a importância de levar os debates sobre masculinidades para as periferias, para que essas falas não fiquem fechadas a grupos que já vem da academia. 

Bruno foi um dos fundadores do grupo, e conta como surgiu o coletivo: “No início, tivemos a ideia de fazer um ensaio fotográfico sobre questões de masculinidade, e o Airan resolveu chamar o pessoal. Na época, teve um clipe do Kendrick Lamar da música “Element”, que se inspirava em fotos de um fotógrafo negro chamado Gordon Parks. A ideia do ensaio veio a partir dessas imagens”, lembra. 

“Durante as primeiras reuniões para o ensaio fotográfico, começamos a discutir alguns temas, e foi aí que o grupo começou a tomar forma”, diz Bruno. “A gente tenta quebrar muitos estereótipos do que é ser um homem negro, de dizer para uma criança que ela vai ter que ser forte e aguentar tudo, que o homem negro consegue fazer tudo na cama. Aquilo que é ensinado e dito ao homem negro faz com que a gente tenha alguns comportamentos durante a vida que vão nos trazer sofrimento e levar esse sofrimento a outros”, comenta. 

Atualmente morando em São Paulo, Airan é um dos fundadores do coletivo. (Foto: Guilherme Machado)

Airan é jornalista e se vê como o líder do coletivo por assumir a responsabilidade de organização dentro do MilTons. Para ele, a masculinidade negra tem que ser colocada no plural. “Há pontos em comum na forma como o corpo masculino negro é visto. Suspeito, perigoso, agressivo, hiperssexualizado também. Mas esses estereótipos não podem dizer que o negro é apenas isso. Então, o debate sobre masculinidades negras procura levar outras possibilidades de ver um homem negro”, reflete.

Airan diz que o coletivo não se coloca como entidade que tem uma missão, valores ou objetivos. “Nós descobrimos que conversar sobre as nossas questões em grupo nos faz bem, é terapêutico. Então, por que não levar essa experiência para outras pessoas? Levar essa terapia de grupo para jovens negros, pais negros, para mais homens negros? Ou, também, para pessoas que têm homens negros em seus círculos. O nosso papel é compartilhar conversando”, avalia.

Airan busca agregar diversas vozes no coletivo, sejam elas jovens, velhas, héteros, gays, trans, magras, gordas ou acadêmicas. “É importante falar de subjetividade para pessoas que são vistas, julgadas como corpos apenas. Existem muitos estudos sobre o negro não ser visto como humano, e como isso o coloca em um nível inferior perante o padrão (branco)”, explica.

Tudo começou com “Moonlight”

https://www.youtube.com/watch?v=I9Si4dQw9-E

Lançado em 23 de fevereiro de 2017, Moonlight: sob a luz do luar acompanha a trajetória de Chiron, um jovem negro dos subúrbios de Miami, nos Estados Unidos, que descobre sua identidade e sexualidade ao longo da vida, enfrentando preconceitos, da infância à vida adulta. O filme foi escrito e dirigido por Barry Jenkins, e levou três estatuetas do Oscar: Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali (primeiro ator muçulmano a ganhar um prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana). Uma história que fala de amor, masculinidade e racismo, trazendo um elenco só de mulheres e homens negros.

Para Airan, esse foi o gatilho necessário para a criação do coletivo Miltons. “Eu amei o filme, mas não soube expressar o que estava sentindo. Só comecei a perceber quando conversei com gurias sobre o longa, e elas me disseram na hora que se tratava de masculinidades”, diz ele na descrição da página do coletivo. No início, em julho de 2017, veio a pergunta: o que é ser homem? 

Em algum momento, você tem que decidir quem quer ser. Não pode deixar que ninguém decida por você. (Moonlight: sob a luz do luar – 2016)

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Nossa viagem pela Fábrica do Futuro https://mescla.cc/2019/06/03/nossa-viagem-pela-fabrica-do-futuro/ https://mescla.cc/2019/06/03/nossa-viagem-pela-fabrica-do-futuro/#respond Mon, 03 Jun 2019 20:56:01 +0000 http://mescla.cc/?p=9585 A Fábrica do Futuro nasceu do desejo de colocar Porto Alegre no mapa da inovação mundial: um ecossistema que reúne e impulsiona iniciativas inovadoras. O que está dito no próprio site do espaço. Para lançar a Fábrica, os organizadores bolaram o Tech Art Festival, um evento cheio de cultura, tecnologia, arte e educação. Minha missão […]

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A Fábrica do Futuro nasceu do desejo de colocar Porto Alegre no mapa da inovação mundial: um ecossistema que reúne e impulsiona iniciativas inovadoras. O que está dito no próprio site do espaço. Para lançar a Fábrica, os organizadores bolaram o Tech Art Festival, um evento cheio de cultura, tecnologia, arte e educação. Minha missão como repórter do Mescla foi cobrir a inauguração ao lado do  professor Daniel (Pedroso) e meu colega no Mescla Gabriel (Ost).

Foto: Guilherme Machado

O espaço fica no bairro Floresta, uma área que já foi uma verdadeira mata virgem, no século XIX (servindo de matéria-prima para as madeireiras da região). O prédio também já abrigou uma antiga fábrica de enfeites de Natal chamada Wanda Hauck, cuja  estrutura foi reaproveitada pelo herdeiro para construir um ambiente totalmente inovador. Na entrada, o som dos músicos dava ritmo às pessoas, alguns agitados e dançando, outros preferiam apenas apreciar a música sentados, bebendo algo.

Dentro da fábrica, na parede do lado direito, fotografias projetavam corpos nus e sem padrões: magros, gordos, negros, brancos, altos e baixos. Naquele momento senti que o ambiente também era de liberdade, havia uma democracia de ideias, corpos e pensamentos, tudo junto e misturado. A feira maker, por exemplo, era um espaço formado por mentes criativas (expositores) dispostas a instigar aqueles que transitavam pelos corredores. A galera do Design da Unisinos, marcava sua presença com a impressora 3D.

A ideia era interagir. Os simuladores de corrida transformavam seus jogadores em pilotos com os óculos 3D, e os movimentos da cadeira davam um tom de realidade ao jogo. A arte do grafite convidava crianças e adultos que passavam pela mesa colorida na entrada da fábrica a produzir suas próprias pinturas. No final do primeiro andar, em uma imensa parede, se projetava um formigueiro, uma analogia ao conceito da Fábrica do Futuro, que só fui capaz de compreender com a fala do fundador Francisco Hauck: muitas formigas vivendo juntas e colaborando umas com as outras para criar um ambiente de inovação.

Evelyn Mendes, programadora, mulher trans, usava um boné vermelho escrito “Deusa”. Era bem humorada e tinha uma fala eloquente. Perguntamos a ela sobre a importância do evento; silêncio: “Sabe que eu nunca havia pensado nisso” disse. Então, resolvemos dar um tempo, deixá-la pensar. Evelyn contou que a imersão proporcionada pela Tech Art trazia muito mais coesão às palestras e atividades que estavam acontecendo. Em sua palestra “A importância da diversidade no universo tech”, falou sobre como o respeito deve ser gradativo, se não respeitamos o gênero feminino como podemos respeitar transexuais, travestis e intersexuais, a intolerância nunca é uma só e sim um conjunto.

Confere o teaser do evento e clica aqui para assistir à matéria em vídeo!

Vídeo: Gabriel Ost

Seguimos; mais pessoas, vozes e agitação. Cada exposição carregava o desejo de mostrar algo inovador, experiências imersivas em 3D maravilhavam quem se arriscava a entrar em outras realidades. No segundo andar, o espaço Zen aliava meditação e tecnologia: enquanto corpos humanos permaneciam na terra, a mente viajava pelo universo digital. O pianista encantava ao som de comptine d’un autre été, a melodia suave do filme ˜O Fabuloso Destino de Amélie Poulain˜. Tentei registrar sua imagem, mas ele virou o rosto, queria ser apenas a trilha sonora.

No meio da multidão a voz que mais ecoava era a da mulher. Cynthia Zanoni, fundadora da WoMakersCode, uma comunidade técnica dedicada ao protagonismo feminino na tecnologia, estava lá para provar. Era gigante em sua objetividade e conhecimento, não à  toa foi reconhecida como uma das mulheres mais influentes da América Latina, na área digital. Sua palestra era um convite a todas aquelas que já sonharam em trabalhar com tecnologia: “Mulheres na tecnologia – a hora é agora!”.

Marina Bortoluzzi, co-fundadora do Instagrafite, a maior galeria de arte de rua do mundo, falou sobre “A arte de interagir”. Para ela, hoje, a arte deixa de ser contemplação e passa a ser conteúdo, conceito conhecido como Spect-Actor, que envolve o espectador com a arte. Seu sorriso transcendia em cores, assim como seu projeto que buscava mudar realidades e criar um mundo mais próximo da cultura.

Foto: Guilherme Machado

No terceiro andar, In Hsieh, sócio da China Innovation, empresa que fomenta a aproximação entre mercados do Brasil e China, falava sobre como criar unicórnios binacionais. Fiquei um pouco confuso até descobrir que se tratava de startups capazes de arrecadar valores muito altos antes mesmo de vender suas ações ao público.

O estúdio Audio Porto, com uma área de mais de 900m², destacava-se por sua acústica impecável. O músico Ian Ramil, filho de Vitor Ramil, encantava o público com sua melodia autêntica e provocadora. Ao som do violão, Ian, que já levou o Prêmio Açorianos de melhor compositor em 2016 e o Grammy Latino de melhor álbum de rock em língua portuguesa, quebrava o silêncio do público que o ouvia atentamente.

O ambiente era de compartilhamento, interação e principalmente de aprendizado. Apesar de ser um espaço descontraído o papo era sério! A ideia era falar do futuro, sobre ideias e expectativas a serem realizadas. Estava em um universo de possibilidades, onde a transformação começava a partir de si. Todos sabiam que aquele evento era apenas o início de uma série de mudanças em busca de um mundo cada vez melhor.

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Alunos promovem evento para conhecer a cultura dos imigrantes e refugiados https://mescla.cc/2018/11/06/alunos-promovem-evento-para-conhecer-cultura-dos-imigrantes-e-refugiados/ https://mescla.cc/2018/11/06/alunos-promovem-evento-para-conhecer-cultura-dos-imigrantes-e-refugiados/#respond Tue, 06 Nov 2018 20:34:11 +0000 http://mescla.cc/?p=8697 Vivemos em um país conhecido pela diversidade de povos e culturas. Pensando nisso e nos debates que trazem à tona imigrantes e refugiados, estudantes da Unisinos desenvolveram um projeto que trabalha representatividade e conscientização: trata-se do “Migre-se”.  Organizado por alunos da disciplina de Gestão e Ambientação de Eventos, o evento tem como objetivo trazer uma análise à […]

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Vivemos em um país conhecido pela diversidade de povos e culturas. Pensando nisso e nos debates que trazem à tona imigrantes e refugiados, estudantes da Unisinos desenvolveram um projeto que trabalha representatividade e conscientização: trata-se do “Migre-se”. 

Organizado por alunos da disciplina de Gestão e Ambientação de Eventos, o evento tem como objetivo trazer uma análise à comunidade acadêmica sobre a receptividade com a chegada de pessoas de diferentes nacionalidades.  

Estudante do último semestre de Jornalismo, Eduarda Rocha acha que a iniciativa tem um tema importante para a universidade: “como profissionais da área da comunicação, precisamos estar atentos e compartilhar informações para que estas pessoas, que deixam seus países, consigam se estabelecer e ter um acolhimento no Brasil”, comenta. 

Professora da Universidade, Gabriela Gonçalves fala sobre o engajamento dos professores e cursos da Unisinos com o evento “Migre-se”: “é de suma importância este tema estar em nosso ambiente universitário. Acredito que todos ganhamos com isso: em humanidade”, ressalta.  

Quem comparecer ao evento também poderá participar de uma roda de conversa. A atividade conta com a participação de Rafael Pereira, Júlia Ozorio, Alison Rogrigues e Giovana Parise, todos integrantes do Coletivo Iguana de jornalismo independente. Além da participação da educadora social de imigrantes, Janarina de Menezes.  

O músico haitiano Alix Georges também fará uma apresentação no evento, que divulga seu primeiro disco Musica’mente, lançado pelo selo Sigmund Record da Unisinos. 

 

Informações 

Migre-se, na Unisinos campus São Leopoldo 

Dia 7 de novembro  

Às 20h45, em frente ao DCE  

Entrada franca.

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Feira do Livro de Porto Alegre abordará feminismo e política https://mescla.cc/2018/10/23/feira-do-livro-de-porto-alegre-abordara-feminismo-e-politica/ https://mescla.cc/2018/10/23/feira-do-livro-de-porto-alegre-abordara-feminismo-e-politica/#respond Tue, 23 Oct 2018 19:48:08 +0000 http://mescla.cc/?p=8412 Com o slogan “Livro livre, um mundo na praça”, a capital gaúcha recebe a 64ª Feira do Livro. Com 104 bancas e mais de 800 atividades gratuitas, o evento dará espaço para mais de 650 sessões de autógrafos. Entre os dias 1º e 18 de novembro, o público vai poder conferir uma programação diversificada com destaque às autoras nacionais e […]

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Com o slogan “Livro livre, um mundo na praça”, a capital gaúcha recebe a 64ª Feira do Livro. Com 104 bancas e mais de 800 atividades gratuitas, o evento dará espaço para mais de 650 sessões de autógrafos. Entre os dias 1º e 18 de novembro, o público vai poder conferir uma programação diversificada com destaque às autoras nacionais e internacionais, e atividades que propõem reflexões através da perspectiva do feminismo, das mulheres LGBTIs e negras. 

Temas como meio ambiente e política também terão espaço para debate na Feira. Entre as atividades previstas estão: “Leituras de História Cultural: memória, patrimônio e políticas culturais”; “Cidade e democracia: aprendizados de vida. Homenagem póstuma a Cezar Busatto”; “O Clímax da década de 1960” e “Precisamos falar sobre 2013”. 

Em sua 64ª edição, a Feira do Livro terá também a República Tcheca como o país convidado de honra. Datas marcantes do país serão lembradas com exposições temáticas, como “50 anos da Primavera de Praga” e “100 anos da fundação da Tchecoslováquia”, além de recitais de poesia, saraus, exibições de filmes e um estande próprio no primeiro andar do Memorial do Rio Grande do Sul. 

Para conferir a programação completa, acesse o site. 

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1ª Copa de Futsal LGBTI https://mescla.cc/2018/07/18/1a-copa-de-futsal-lgbti/ https://mescla.cc/2018/07/18/1a-copa-de-futsal-lgbti/#respond Wed, 18 Jul 2018 20:49:22 +0000 http://mescla.cc/?p=6930 No frio do inverno, típico da Serra Gaúcha, um evento chega para aquecer o sentimento de representatividade na cidade de Gramado. A 1ª Copa Gramado de Futsal LGBTI ocorre de 24 a 26 de agosto e reunirá equipes formadas por integrantes da comunidade LGBTI, simpatizantes e apoiadores de todo Brasil. O evento ocorre no Ginásio Perinão.   Além da competição esportiva, dra. Maria Berenice Dias ministrará […]

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No frio do inverno, típico da Serra Gaúcha, um evento chega para aquecer o sentimento de representatividade na cidade de Gramado. A 1ª Copa Gramado de Futsal LGBTI ocorre de 24 a 26 de agosto e reunirá equipes formadas por integrantes da comunidade LGBTI, simpatizantes e apoiadores de todo Brasil. O evento ocorre no Ginásio Perinão.  

Além da competição esportiva, dra. Maria Berenice Dias ministrará um workshop sobre homoafetividade e direitos LGBTI. Advogada especializada em direitos homoafetivos, a palestrante é autoridade internacional no assunto e promete integrar, ainda mais, os competidores com a comunidade.  

As equipes Quero-Quero, de Gramado, Magia e Pampacats, de Porto Alegre, Sereyos, de Floripa, Taboa, de Curitiba, Diversus e MBB, de São Paulo, já confirmaram presença.  

“Teremos equipes com jogadores gays, bis, lésbicas, trans. As equipes técnicas podem ser formadas por héteros. Ou seja: ninguém estará excluído. É a união pelo esporte promovendo a inclusão”, aponta o organizador do evento, Flávio L. Prestes.  

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Alunos do Colégio Farroupilha publicam o jornal O Clarim https://mescla.cc/2018/06/29/alunos-do-colegio-farroupilha-publicam-o-jornal-o-clarim/ https://mescla.cc/2018/06/29/alunos-do-colegio-farroupilha-publicam-o-jornal-o-clarim/#respond Fri, 29 Jun 2018 20:37:25 +0000 http://mescla.cc/?p=6776 Texto: Giulia Godoy e Luiza Soares Depois da retomada do projeto no ano passado, 2018 veio com mudanças nas edições do jornal escolar O Clarim, uma parceria entre a Unisinos e o Colégio Farroupilha. Durante o ano, os estudantes participantes do projeto têm o desafio de elaborar dois jornais por semestre. A primeira edição será […]

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Texto: Giulia Godoy e Luiza Soares

Depois da retomada do projeto no ano passado, 2018 veio com mudanças nas edições do jornal escolar O Clarim, uma parceria entre a Unisinos e o Colégio Farroupilha. Durante o ano, os estudantes participantes do projeto têm o desafio de elaborar dois jornais por semestre. A primeira edição será lançada na primeira semana do mês de julho.

Durante o processo de estruturação do jornal, os estudantes das unidades Três Figueiras e Correia Lima do Colégio Farroupilha participaram de uma aula de Introdução ao Jornalismo, no Campus Unisinos Porto Alegre, com a professora Anelise Zanoni. Foram abordados assuntos como valores-notícia, critérios de noticiabilidade e elaboração de pauta. O tema escolhido para o primeiro jornal O Clarim de 2018 foi diferentes nacionalidades.

Mas por que esse tema? Em clima de Copa do Mundo, os alunos se inspiraram e enxergaram uma oportunidade de mostrar o grande número de alunos da escola que participam de competições fora do país, professores e funcionários estrangeiros, intercambistas e muito mais.

Fotos: Luiza Soares

Expectativas

Para a estudante do Ensino Fundamental Luisa Schneider, a ideia de os alunos criarem um jornal foi estimulante, já que ela se interessa em cursar Jornalismo no futuro. “Eu espero que possa ser uma coisa que todo mundo goste e que a gente possa fazer novamente”, afirmou a estudante.

A aluna Julia Heller, do segundo ano do Ensino Médio, vê a atividade como uma oportunidade de empolgar os alunos a terem a cultura de ler jornal e incentivar a escrita. Julia acha que o trabalho mostra as realidades do colégio e o de faculdade: “Porque no colégio, querendo ou não, é muito diferente da faculdade. A gente tem contato com outro universo, uma outra rotina e até outro tipo de modo de vida”.

De acordo com o psicólogo da escola, Fábio Parise, a atividade é vista como um espaço de representatividade para os alunos das unidades Correia Lima e Três Figueiras: “O espaço é de poder possibilitar mais esses espaços políticos de atuação, dentro desse contexto. Tem todo esse cuidado, mas é cada vez mais estimular esse lugar de representatividade, de espaço de escrita, espaço de comunicação, deles para eles, inclusive a unidade Correia Lima”.

Quase lá

Nesta sexta feira (29), algumas estudantes estiveram novamente no Campus Unisinos Porto Alegre para revisar os últimos detalhes e conferir a diagramação do jornal O Clarim, feita pelo diagramador Marcelo Garcia. O veículo será entregue pelos alunos para toda a comunidade escolar nas duas sedes do Colégio Farroupilha.

A segunda edição do jornal está programada para o mês de setembro, ainda sem tema definido.

Foto: Giulia Godoy

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