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Arquivos dança - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/danca/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 18 Sep 2020 16:07:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Um novo ritmo para dançar https://mescla.cc/2020/07/15/um-novo-ritmo-para-dancar/ https://mescla.cc/2020/07/15/um-novo-ritmo-para-dancar/#respond Wed, 15 Jul 2020 19:28:58 +0000 http://mescla.cc/?p=13541 “Eu sempre quis dançar.” Muitos de nós não levam a sério desejos de se envolver com a arte, como o de Camila Caroline Schwaab, aluna da serra gaúcha. Ficamos preocupados com tantas outras coisas — o trabalho, a faculdade, a falta de tempo —  e deixamos de lado a ideia de desenvolver alguma habilidade criativa, […]

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“Eu sempre quis dançar.”


Muitos de nós não levam a sério desejos de se envolver com a arte, como o de Camila Caroline Schwaab, aluna da serra gaúcha. Ficamos preocupados com tantas outras coisas — o trabalho, a faculdade, a falta de tempo —  e deixamos de lado a ideia de desenvolver alguma habilidade criativa, sem saber que isso também é uma competência útil para a vida.


Há três anos, a estudante de Relações Públicas passou a integrar o grupo da Linha Imperial, que completa 33 anos neste mês, e já se tornou a família de muitos jovens de Nova Petrópolis. O grupo já se apresentou no Ceará, Espírito Santo, Paraná, São Paulo, e fora do país, no Japão e na República Tcheca. O grupo da Linha Imperial é um dos sete grupos que fazem parte da Associação de Dança Folclórica Alemã de Nova Petrópolis.


“Eu queria dançar, mas tinha receio, aquela vergonha de começar alguma coisa”, contou Camila, agora completamente segura da escolha. “Algumas pessoas me convidaram e eu pensei, agora vai! Então comecei em 2017 e foi uma das melhores decisões que tomei.”

Além da dança, o convívio com a cultura alemã trouxe também uma coroa para a estudante (Foto: Arquivo pessoal)


Se encaminhando para o oitavo semestre do curso, quase formada, a dança é hoje uma parte importante da sua vida. Mas o início, conta Camila, não foi fácil, a dança folclórica é diferente das danças que já conhecia, e aí vieram as dores musculares próprias de exercícios diferentes. “Tem dias que a gente está um pouco mais preguiçoso, igual frequentar academia”, explicou Camila. “Mas a vontade de encontrar os amigos no ensaio e um objetivo em comum ajuda muito.” A decisão de fazer parte de um grupo artístico só ocorreu algum tempo depois de começar a dançar e sentir que tinha bagagem e experiência o bastante para seguir.


Um dos momentos mais importantes para ela é o Festival de Folclore, que ocorre uma vez ao ano em Nova Petrópolis (metade final de julho ao início de agosto), e engaja toda a comunidade, em especial os dançarinos.  “Sempre apresentamos um espetáculo, então as danças são novas e temos muitos ensaios”, expôs Camila. “Ensaios de 3 a 4 horas. Quanto tínhamos aulas normais, às vezes o ensaio era a meia noite nas sextas-feiras.”

Com idades e experiências diferentes, o grupo de dança se tornou uma forma de confraternização (Foto: Reprodução)


Mas todo o esforço valeu a pena e a estudante lembra com muito carinho  do primeiro Festival que participou. “Sempre ficamos de mão dadas ao final da apresentação, para agradecer ao público. A primeira vez foi muito emocionante, não consegui segurar o choro”, confessou ela. “É muito gratificante se dedicar tanto e as pessoas gostarem e aplaudirem de pé. Com certeza foi um dos momentos mais importantes com o grupo, além das amizades com os nossos integrantes, com os outros grupos. É muito importante.”


Desde seu ingresso no grupo da Linha Imperial, Camila já participou de eventos em Blumenau, Veranópolis e cidades da região de Nova Petrópolis. 


“É claro que às vezes temos alguns perrengues”, brincou Camila. “Mas seguimos, como uma família.”

Os espetáculos apresentados pelo grupo vão além de danças de salão, são uma encenação da cultura alemã (Foto: Reprodução)


Esse sentimento é importante, já que antes do isolamento social, além dos ensaios e apresentações, o grupo ainda realizava outras atividades. Desde a promoção de eventos para arrecadação de fundos até a recepção de turistas, em parceria com um restaurante típico da cidade, ou seja, sobrava poucas horas livres. “Agora com o TCC, não tinha tempo para academia, que eu também gosto.”


O TCC se tornou um símbolo da própria superação e da escolha de um curso que se mescla aos outros fatores da vida. “Por ser de comunicação, se encaixa totalmente”, comentou Camila. No próximo ano ela se forma e vê diante de si novos objetivos. “Dançar me fez perder a vergonha e ajudou a me comunicar melhor. Mesmo sem falar, meu corpo se comunica quando se apresenta. E lidar com públicos grandes faz aprender a lidar com a ansiedade e perder a vergonha de falar com o público.”


A pandemia forçou o cancelamento dos ensaios, e o jeito, para matar a saudade, tem sido os encontros virtuais com o grupo. Embora dançar, não se sabe quando vai ser possível. Por enquanto, resta a saudade de se encontrar com os amigos do grupo. E apesar de tantas incertezas, , Camila não tem dúvida de que a dança vai seguir paralelamente  à carreira dela durante muitos anos, e esperamos, não vão faltar oportunidade desta artista  se apresentar de novo.

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Rafaela Cavion https://mescla.cc/2017/06/20/rafaela-cavion/ https://mescla.cc/2017/06/20/rafaela-cavion/#respond Tue, 20 Jun 2017 19:47:51 +0000 http://mescla.cc/?p=1835 A primeira turma de Moda da Unisinos POA contou com cinco integrantes, um deles é a Rafaela Cavion, de 27 anos. Nascida em Porto Alegre, ela é formada em Física pela UFRGS, em 2010, e em Moda pela Unisinos, em 2016. “A maior dificuldade enfrentada na minha carreira foi me inserir no mercado”, declarou. Atualmente […]

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A primeira turma de Moda da Unisinos POA contou com cinco integrantes, um deles é a Rafaela Cavion, de 27 anos. Nascida em Porto Alegre, ela é formada em Física pela UFRGS, em 2010, e em Moda pela Unisinos, em 2016. “A maior dificuldade enfrentada na minha carreira foi me inserir no mercado”, declarou. Atualmente ela é sócia da Yugen Store, e diz que a marca é a sua maior realização profissional.

Uma de suas maiores lembranças da infância é dançar. Rafa conta que dos quatro aos 19 anos fez ballet, e que isso  foi muito importante, pois a ajudou a desenvolver muitas de suas características de hoje. “A dança me trouxe muita disciplina, e questões de cuidado com o corpo e alimentação”, explicou.

Quando tinha 11 anos seu pai foi diagnosticado com câncer. Segundo ela, essa foi a parte mais difícil de sua infância. “Foi um período bastante delicado, mas que também me ajudou muito a ver quem eu era e o que eu queria para a minha vida, o tipo de pessoa que eu queria ser”, contou.

De acordo com Rafa, ela cresceu vendo duas opiniões: a de seu pai, com a questão da tranquilidade, de buscar o teu futuro de uma forma tranquila, e de saber que um dia as coisas vão dar certo; e de sua mãe com a questão de buscar uma coisa que se ama muito e se esforçar para ir atrás disso. Hoje em dia ela se inspira muito neles e busca em sua profissão fazer o que a motive muito e que sinta que está fazendo algo pelos outros.

Segundo Rafa, ela era uma criança muito tranquila e que prestava atenção em aula. Sempre gostou de disciplinas exatas, como matemática, química e física. “Eu gostava muito de estudar, com isso acabei virando a ‘nerd da turma’. Eu ajudava minhas colegas, principalmente antes das provas. Com isso eu decidi fazer licenciatura em Física, pois sendo professora eu poderia ajudar os outros nas matérias que eles tinham mais dificuldade”, declarou.

Quando começou na física, Rafaela teve a sensação de que tinha se encontrado ali, pois todos eram iguais a ela, gostavam das mesmas coisas e queriam as mesmas coisas. No 3º ano de faculdade chegou em um ponto que ela não gostava mais daquilo. “O preconceito com os professores começa dentro da faculdade”, contou. Mesmo não gostando mais do curso, com 21 anos se formou em licenciatura em Física, pois queria mostrar as pessoas que nem tudo é difícil, que as coisas podem ser feitas de outra forma.

Após a formatura, procurou novos cursos para fazer e, em 2011, navegando o site da Unisinos, onde estava a procura de cursos como engenharias, encontrou uma chamada do bacharel em Moda. “Eu gostava de moda, mas nunca foi algo que eu tinha pensando em trabalhar. Eu olhei o curso e o currículo, achei muito interessante. No currículo abordava não somente a parte de criação, como nas outras faculdades, mas sim englobava muitas coisas, como empreendedorismo, por exemplo.”, contou. “Eu não sei o que que aconteceu ali que eu resolvi me inscrever”, acrescentou rindo.

Ao contrário do curso de Física, Rafa achava que não faria amizade com ninguém na Moda, pois todo mundo era diferente. “Todo mundo ali era diferente, e tinha um background totalmente diferente. A Moda é um ambiente onde o preconceito é muito debatido. Tu te abre para todos os gêneros, cultura e possibilidades. É um local muito aberto a explorar conhecimentos e experiências. E isso me fazia respirar aliviada”, relembrou.

Formandas de 2016/1 do curso de Moda da Unisinos. (Rafaela é a segunda da direita para a esquerda)

“Durante o curso eu fui vendo que a moda não é somente aquilo que a TV passa, que não era só aquela futilidade. Percebi que existe muita coisa por trás daquilo, não tinha noção da profundidade de algumas coisas, mas vi que existia muito mais do que o fútil”, declarou.

De acordo com a Rafa, há uma concepção geral de que as pessoas da moda julgam as roupas que os outros usam. “Na verdade, a gente olha pra ver o que as pessoas estão usando, e não para ficar julgando-as. Chega um ponto em que tu já sabe que a vestimenta é tão uma expressão da pessoa, que tu nunca vai chegar pra alguém e dizer ‘isso tu não pode usar’. Por mais que seja uma coisa estranha para os outros, é uma coisa que é a cara dela. Não existe certo e errado, não existem regrinhas. Tu chega num ponto que fala ‘meu, usa o que tu quiser, seja feliz!’”, explicou.

No final do curso, os estudantes de Moda estudam o sistema e o capitalismo, e como a moda surgiu através dele. Segundo Rafa, os alunos têm que entender de questões políticas para ver como o sistema da moda se criou e se propagou, para entenderem também como podemos mudá-lo.

Em 2014, depois de sair de um emprego estressante, Rafa decidiu que deveria viajar, foi então que fez um intercâmbio na Itália, no Politécnico de Milão. Segundo ela, essa foi a melhor coisa que já fez na vida. “Foi uma experiência maravilhosa, eu indico para todo mundo. Fazer uma disciplina de projeto lá foi muito legal, abriu muito a minha cabeça”, declarou.

Atualmente ela é sócia da marca Yugen Store, que tem como lema “proporcionar a mesma estética em modelagens para o corpo masculino e feminino”. A marca busca por meio das peças a manifestação da personalidade de quem as usa. Para Rafa, a Yugen é a sua maior realização profissional.

Rafaela Cavion e suas sócias Carolina Geremia e Marina Zwetsch no lançamento da sua marca Yugen Store

(Fotos: Arquivo Pessoal)

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