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Os pitchings
A prova de fogo, neste ano, ocorreu no sábado, 15 de abril, quando os alunos apresentaram para os professores os 17 curtas-metragens que serão gravados nos próximos meses. É um momento de grande responsabilidade, em que o diretor e o produtor de cada equipe revelam as sinopses e os gêneros dos projetos, exibem as referências visuais em formato de moodboard e indicam os atores e as locações propostas – ou já confirmadas. O pitching, expressão que indica a apresentação verbal da proposta de uma obra audiovisual, é o momento em que os estudantes precisam justificar todas as decisões criativas. Por isso, costuma ser um momento muito pessoal e até emotivo, já que muitos futuros realizadores tiram inspirações de suas próprias vivências. Essa apresentação aos professores segue a mesma lógica usada no mercado audiovisual profissional.
A novidade neste semestre foi a presença das cineastas Iuli Gerbase e Daniela Israel. As convidadas especiais, em conjunto com os professores Gilson Vargas, Jessica Luz, Vicente Moreno, Maurício de Medeiros, Fatimarlei Lunardelli, James Zortéa, André Sittoni, Daniel Pedroso e Renata Heinz, deram sugestões, apontaram inconsistências, pensaram na viabilidade e avaliaram os projetos como um todo.

Egressa da turma de 2004 do CRAV, Daniela é CEO e sócia da Bactéria Filmes. Como ex-aluna, já passou pela experiência de apresentar a proposta de um curta. “Avaliando os pitchings, dá pra ver o desenvolvimento que o curso proporciona aos alunos e o profissionalismo deles”, comenta a cineasta. “É emocionante, porque eu me vejo ali nos alunos, apresentando a proposta. Ao mesmo tempo que avaliava, também queria dizer para eles relaxarem, que tudo vai dar certo e esse é só a primeira apresentação de muitas”.

As produções
Os “cravianos” – como os alunos do CRAV se denominam – apresentaram as propostas de 17 curtas-metragens, ou seja, filmes de até 15 minutos. Cada uma dessas produções possui uma abordagem única, assim como estética e temática. Serão produzidas duas comédias, duas dramédias (mistura de drama com comédia), um sci-fi e 11 dramas.
O momento da apresentação, confessam os alunos, é cercado de nervosismo e diferentes emoções. O roteiro, para muitos cravianos, é um trabalho extremamente pessoal. Por mais que envolva a turma toda, o texto abriga as mais diferentes referências de quem o escreve. Alguns estudantes trazem experiências já vividas, enquanto outros colocam no documento os interesses que os introduziram no mundo do audiovisual, aquilo que desejam ver na telona.
“Quando soube que a gente ia fazer um curta no terceiro ano, tive certeza de que eu faria um terror gótico, que é meu gênero favorito. Por causa dessa influência, me aproximei do cinema”. Foi assim que o diretor de “Hospício Jardim Aurora”, Mel Fernandes, descreveu a origem de seu filme. Para Mel, o roteiro veio de maneira inesperada. Ao analisar a dinâmica entre dois personagens do filme “Drácula”, começou a criar uma história e se apropriou desse material, desvinculando-o do original.

Os estudantes têm agora muito trabalho pela frente. As gravações se iniciarão no meio do mês que vem, sempre aos finais de semana e em duas sessões de 12 horas, com uma hora de intervalo. O término está previsto para setembro.
Ficou curioso para ver o resultado desse esforço? Todo os anos, em dezembro, o CRAV faz uma exibição dos projetos trabalhados. São exibidos na Cinemateca Capitólio, na Capital, os curtas dos alunos do terceiro ano, os documentários produzidos no segundo ano e os clipes criados no primeiro ano. O evento de 2023 ainda não tem data definida, mas é só ficar ligado no portal e nas redes do Mescla, além do Instagram do CRAV, para ficar sabendo assim que sair a informação.
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]]>“É muito legal ver curtas universitários competindo com cineastas experientes dentro dessa mostra”, avalia Daniela Mazzilli, coordenadora de conteúdo do Festival. “É uma oportunidade deles estarem em contato com o mercado em si, conhecendo a realização do Festival e como ocorre a circulação dos filmes, que é extremamente importante para eles”, comenta Daniela.
Com quase cinco décadas ininterruptas acompanhando o cinema nacional, o Festival de Cinema de Gramado é o mais longevo do Brasil. Já apresentou filmes consagrados, como Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor.
O Mescla conversou com alunos envolvidos na produção dos filmes que estarão em Gramado. Confira:
O filme é sobre duas pessoas: um jovem e um senhor. É essencialmente sobre comunicação. Ele mostra pedaços do cotidiano dos dois e como eles se separam e se intercalam, como se comunicam com outras pessoas e como as mudanças da comunicação de hoje influenciam na vida de pessoas de outras gerações
Pedro Valadão, diretor e roteirista
Devia ser apenas mais uma atividade do terceiro ano do curso de Realização Audiovisual (Crav), mas para Pedro Valadão, um jovem de 20 anos que trabalha com edição e montagem, foi mais do que isso. “A gente finalizou o filme em novembro do ano passado. Ele foi concluído como uma atividade acadêmica, mas também era um filme pronto, em que as pessoas assinavam direção, produção e fotografia. Eu inscrevi ele na mostra de curtas nacionais do Festival de Gramado, mas ele não foi selecionado”, conta o estudante. Mas sua chance não se perdeu, pois a Universidade elegeu cinco filmes e inscreveu na mostra de curtas gaúchos. Foram 20 selecionados, entre eles, o filme É assim que você parece.
Em 2017, Pedro já tinha levado um dos seus trabalhos ao festival, uma produção em stop motion, que nasceu durante a disciplina de Animação. Desde 2016, ele trabalha com edição de vídeo e fotografia. Já fez trabalhos para algumas bandas, mas começou a levar a edição de vídeo a sério em 2018. Foi quando se tornou assistente de montagem do longa “Nuvem Rosa”, filmado aqui no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a faculdade o ajudou a confiar na sua produção. “Ao longo do curso, nós encaramos nossos trabalhos como exercícios. Quando um filme que tu faz dentro da faculdade, com pouquíssimo dinheiro e recursos restritos, é elegido pela coordenação para ser indicado ao festival, e o festival seleciona esse filme, é extremamente positivo. Você percebe que o recado dos professores é o seguinte: okay, você pode encarar isso como um exercício, mas se colocar esforço suficiente, você pode fazer mais que isso”, conta o estudante.
Pedro não fez nada sozinho. Ele contou com a ajuda de outros colegas do curso, como Julia Flores, de 21 anos, que fez a produção do filme. “Foi um processo superimportante e de muita aprendizagem para mim, como estudante de cinema. Eu pude colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos durante a faculdade e visualizar melhor todo o processo de realização de um filme”, diz a jovem.
O filme tem dois personagens. A sinopse é de um jovem que começa a ver uma entidade na sua casa. Então, ele passa a tirar fotos com uma câmera analógica, mas ninguém consegue ver, porque somente ele vê a entidade, que não faz nada, só fica parada. Esteticamente, a gente usou muito a referência daquele documentário sobre paralisia do sono chamado The Nightmare
Lucas Reis, diretor e roteirista
Este é o segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. No ano passado, ele participou com o filme Abismo. Agora, o jovem cineasta decidiu apostar no gênero de horror: “Who’s that man inside my house é um filme de horror alegórico. Então, ele não tem uma trama convencional, com um enredo que tenha plot final. Ele fala de uma situação vivida por mim na família durante as eleições de 2018″, revela.
Lucas fez dos seus sentimentos um enredo ficcional, e deu certo. O filme já foi apresentado no Fantaspoa, o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Recentemente, a produção também foi anunciada no Macabro Film Festival, que ocorre no México. “Eu fico muito contente, porque é meu segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado. Este ano, espero que os administradores públicos tenham um olhar mais atento às políticas de fomento ao audiovisual, porque estamos vivendo um momento bem turbulento”, diz o estudante, que, além da direção e do roteiro, foi um dos responsáveis pela produção executiva, trilha musical, trilha sonora original e montagem.
Para Lucas, cinema é um trabalho coletivo que necessita de pessoas para fazer um bom filme. “Felizmente, eu tenho essas pessoas. Sempre que eu convido, eles topam, até mesmo trabalhar de graça. Ser premiado é muito legal, não apenas por mim, mas pela galera que trabalhou junto”, conta Lucas, que também é laboratorista audiovisual na Unisinos.
Coordenador do Curso de Realização Audiovisual, Milton do Prado conta que o Festival é vitorioso por ser um dos únicos garantidos neste ano, oficializado pelo Instituto Nacional de Cinema. A primeira edição ocorreu em 1973, resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Gramado com a Companhia Jornalística Caldas Júnior, a Embrafilme, a Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado. Naquele Verão, de 10 à 14 de janeiro, o Kikito, “deus da alegria”, estatueta criada por Elizabeth Rosenfeld, foi apresentado ao mundo.
A década de 80 trouxe a ascensão do Festival no país. “Quando eu comecei a me interessar por cinema, nos anos 80, mesmo morando fora, a gente tinha uma referência muito grande do Festival de Gramado. Íamos atrás dos filmes que tinham ganho o Festival, como o Homem da Capa Preta“, lembra o coordenador. Para ele, o sucesso se deu graças ao aprimoramento das discussões sobre arte e cultura nos diversos espaços.
Porém, a década de 1990 presenciou a quase extinção da cinematografia nacional, durante o governo de Fernando Collor. Assim, o Festival optou por uma mudança que lhe garantiu a sobrevivência: tornou-se uma edição ibero-americana, a partir de 1992. Segundo Milton, o Festival enfrentou dificuldades no início dos anos 90, quando a Embrafilme foi extinta. “A produção caiu muito Então, o evento se tornou ibero-americano e, depois, latino-americano. Assim, foi encontrando sua cara, mas não voltou a ser somente brasileiro. Foi uma estratégia boa de sobrevivência, mas não sem consequências”, diz Milton.
O coordenador conta que a seleção dos filmes tornou-se questionável: “Se presta pouca atenção nos filmes latinos, porque aparentemente são de pouca relevância”, comenta. Enquanto o Festival de Gramado perdeu parte do seu prestígio, outros festivais nacionais de cinema conquistaram importância, como Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival do Rio, além dos eventos independentes, como a Mostra de Cinema de Tiradentes e a A Janela Internacional de Cinema de Recife.
Para Daniela Mazzilli, o festival é uma grande festa, pois a produção de um filme, dos primeiros esboços do roteiro até sua finalização, demanda tempo. “Ele é uma grande janela de lançamento de filmes. É a oportunidade de realizadores estarem mostrando seus filmes para outros realizadores, para o público em geral, para a mídia especializada e a grande mídia”, conta. Para ela, essa janela também permite que os filmes exibidos tenham uma longa vida de exibição.
O diferencial de lançar um filme em Gramado está na sua carga histórica de mais de 40 anos. “A história do Festival está intimamente relacionada com a história do cinema nacional dos últimos 47 anos. Então, grandes momentos políticos, a descoberta de novas estrelas e rememoração delas é parte disso”, diz Daniela. Para Julia Flores, produtora do filme É assim que você parece, o festival representa essa oportunidade: “Minha expectativa, além de que o filme seja bem recebido, é também ter a oportunidade de troca de experiências com outros realizadores e poder conhecer um pouco mais sobre os outros projetos que estão sendo realizados no nosso país”.
Veja algumas imagens dos filmes




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]]>A carga horária é de 30h. As opções de disciplinas são: Animação; Produção; Montagem 1; e Fotografia. Entre as exigências para realizar a inscrição, estão “ser aluno dos cursos de Comunicação Social e estar regularmente matriculado”, “haver completado, no mínimo, 20 créditos na UNISINOS, no momento de sua inscrição” e “estar matriculado em, no máximo, 28 créditos ou, no mínimo, em 4 créditos”.
Mais informações devem ser checadas no edital que está disponível aqui.
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]]>Os cursos também fazem parte da comemoração de 15 anos do CRAV e ocorrem entre setembro e outubro, no campus Porto Alegre. Interessados podem conferir mais informações e fazer a matrícula clicando aqui.
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