Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos cultura pop - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/cultura-pop/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 18 Dec 2020 18:43:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 No ar: a música, o mercado e a indústria fonográfica https://mescla.cc/2020/12/18/no-ar-a-musica-o-mercado-e-a-industria-fonografica/ https://mescla.cc/2020/12/18/no-ar-a-musica-o-mercado-e-a-industria-fonografica/#respond Fri, 18 Dec 2020 18:43:48 +0000 http://mescla.cc/?p=14655 Como forma de divulgação da ciência, os alunos da disciplina Tópicos da Cultura Pop, ministrada pela primeira vez no curso de Produção Fonográfica, desenvolveram uma série de podcasts. A disciplina foi de responsabilidade da professora Adriana Amaral e, durante o Grau A, os estudantes realizaram artigos para a disciplina – alguns já iniciados em cadeiras […]

The post No ar: a música, o mercado e a indústria fonográfica appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Como forma de divulgação da ciência, os alunos da disciplina Tópicos da Cultura Pop, ministrada pela primeira vez no curso de Produção Fonográfica, desenvolveram uma série de podcasts. A disciplina foi de responsabilidade da professora Adriana Amaral e, durante o Grau A, os estudantes realizaram artigos para a disciplina – alguns já iniciados em cadeiras anteriores. Depois, a partir dos temas escolhidos, decidiram apresentar as pesquisas sobre a área de música pop e indústria fonográfica para o público em geral. “Optamos pelo formato podcast para passar a mensagem, então, o desafio era fazer essa adaptação”, conta a professora.


O processo de produção dos podcasts ocorreu ao longo das aulas e os alunos utilizaram entrevistas e conversas que já tinham sido realizadas com músicos e produtores no material. 


São oito episódios e os temas variam, envolvem desde a criminalização da música negra no Brasil, a presença das mulheres na indústria fonográfica, passando pelos usos do instagram no marketing de artistas, entre outros. Para Adriana, foi um semestre de muito aprendizado, mesmo à distância.


Os episódios dos oito podcasts podem ser conferidos no Spotify do Mescla.

The post No ar: a música, o mercado e a indústria fonográfica appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/12/18/no-ar-a-musica-o-mercado-e-a-industria-fonografica/feed/ 0
Era uma vez um jornalista, um psicólogo e um cientista da computação que gostavam de blues e podcast… https://mescla.cc/2020/07/16/era-uma-vez-um-jornalista-um-psicologo-e-um-cientista-da-computacao-que-gostavam-de-blues-e-podcast-conheca-o-o-blues-do-fim-dos-tempos/ https://mescla.cc/2020/07/16/era-uma-vez-um-jornalista-um-psicologo-e-um-cientista-da-computacao-que-gostavam-de-blues-e-podcast-conheca-o-o-blues-do-fim-dos-tempos/#respond Thu, 16 Jul 2020 20:58:45 +0000 http://mescla.cc/?p=13555 Blues do Fim do Tempos, esse é o projeto de podcast que nasceu da amizade de um jornalista, um psicólogo e um cientista da computação. Com esse nome bem propício para o momento em que vivemos, Lucas Schwantes (LS), 29, Tobias Linden (Tobi), 30, e Thiago (Tôca) Santos, 34, aproveitaram a quarentena para tirar do […]

The post Era uma vez um jornalista, um psicólogo e um cientista da computação que gostavam de blues e podcast… appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Blues do Fim do Tempos, esse é o projeto de podcast que nasceu da amizade de um jornalista, um psicólogo e um cientista da computação. Com esse nome bem propício para o momento em que vivemos, Lucas Schwantes (LS), 29, Tobias Linden (Tobi), 30, e Thiago (Tôca) Santos, 34, aproveitaram a quarentena para tirar do papel essa ideia que compartilhavam há muito tempo, criando assim o BFT, como é carinhosamente chamado. Com muito bom humor eles abordam da cultura pop à culinária. Cada um em um estado diferente, LS de Florianópolis (SC), Tobi de Novo Hamburgo (RS) e Tôca de São Paulo (SP).

Mas Segundo eles, com o tempo o programa foi ganhando certo direcionamento. O podcast é dividido em três momentos, e cada um deles é comandado por um integrante. O jornalista LS é o âncora geral; Tobi fica com a pergunta do ouvinte, onde todos respondem às perguntas (das mais diversas) que recebem nas redes sociais. Já o psicólogo Tôca, ou o Guru Misterioso,  como foi apelidado por um ouvinte, fica a cargo do momento existencial, onde ele faz com que os outros tenham sempre que fazer uma escolha muito difícil para levar para o resto da vida. 

O processo de criação

Toda terça e quinta tem episódio novo do Blues do Fim dos Tempos, trazendo assuntos variados, mas com o mesmo bom humor de sempre (Foto: Arquivo BFT)

LS que trabalha em uma agência de publicidade, é o único que já tinha alguma experiência, pois em seu trabalho desenvolve outros projetos de podcast. Ele ainda lembra que o primeiro que participou, ainda como estudante de jornalismo na ULBRA, é de 2010,  e foi gravado nos estúdios da Unisinos. E assim, no amadorismo mesmo, gravaram o primeiro episódio que… não foi ao ar. Apesar da primeira tentativa falha, seguiram com o plano e no dia 18 de maio, lançaram o primeiro ep oficial titulado A Primeira Dança, onde falaram sobre séries, lives e Michael Jordan. “Cada um de nós trouxe um assunto que rendeu, sempre focado nas questões da rotina, do dia a dia, vivências nossas, aquilo que a gente gosta de fazer, assistir e ouvir”, lembra Tobi.

Eles comentam que para escolher as pautas levam ao grupo do whatsapp os assuntos que viram durante a semana, e juntos decidem sobre o que falar. Comentam ainda que não seguem nenhum tipo de roteiro, e que se guiam muito pelo tempo, a média é de 50min para cada cada episódio, “Deixamos a conversa solta rolando e não editamos praticamente nada”, observa LS. Apesar de ser um programa bastante livre, eles dizem que não é desorganizado, e buscam sempre diversificar para não engessar. Tanto é que a partir do episódio 9 começaram a trazer convidados ao podcast. “Já temos muitas entrevistas legais marcadas, que assim como a interação da galera, a gente não esperava que ia fazer entrevistas tão legais, tão rápido”, comenta o jornalista.

Apesar da baixa expectativa sobre o potencial de audiência, para o episódio 17, com uma média de mais ou menos 100 pessoas diferentes em cada episódio. Segundo Tôca, pessoas que eles nem imaginavam que pudessem ouvir o BFT vem falar com eles sobre o podcast. Eles sempre pedem o feedback dos ouvintes para saber onde melhorar, mas afirmam que a ideia é manter a essência do início de tudo, três amigos falando sobre suas rotinas. “Essa troca, para não ser simplesmente um ouvir por ouvir e não causar nada, esse é um cuidado que a gente tem, gerar algum tipo de conteúdo”, destaca o psicólogo Thiago. 

Mesmo com anos de amizade, eles dizem estar descobrindo coisas novas sobre os outros em cada episódio. Buscam manter uma continuidade, criando aproximação com o ouvinte através de piadas internas que vão se criando a cada semana, como o fã clube de Charlie Brown JR, ou então já deixando marcado episódios futuros, onde devem fazer coisas específicas. No episódio 134, por exemplo, esperam que a pandemia já tenha acabado para que possam tocar o Blues juntos também de forma física. 

São dois episódios por semana, lançados, toda terça e quinta. Eles estão sendo gravados pela plataforma Zencastr, que foi disponibilizada gratuitamente durante a pandemia (#ficaadica). Você pode ouvir o Blues do Fim dos Tempos no Spotify e no Apple Podcasts. Para conhecer um pouco mais sobre esse projeto do LS, Tobi e Tôca, ouça na íntegra o meu bate-papo com eles.

The post Era uma vez um jornalista, um psicólogo e um cientista da computação que gostavam de blues e podcast… appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/07/16/era-uma-vez-um-jornalista-um-psicologo-e-um-cientista-da-computacao-que-gostavam-de-blues-e-podcast-conheca-o-o-blues-do-fim-dos-tempos/feed/ 0
A representatividade LGBTQI na cultura pop https://mescla.cc/2020/07/07/a-representatividade-lgbtqi-na-cultura-pop/ https://mescla.cc/2020/07/07/a-representatividade-lgbtqi-na-cultura-pop/#respond Tue, 07 Jul 2020 18:49:50 +0000 http://mescla.cc/?p=13497 Primeiro capítulo de uma novela do horário nobre. Um casal branco hétero tem relações sexuais. A trama tem recordes de audiência. Na mesma novela, três meses depois, um casal homossexual troca um beijo. Discursos de ódio entoam por todo o país. Ameaças de boicote são registradas nos quatro cantos. Só então se preocupam no que […]

The post A representatividade LGBTQI na cultura pop appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Primeiro capítulo de uma novela do horário nobre. Um casal branco hétero tem relações sexuais. A trama tem recordes de audiência. Na mesma novela, três meses depois, um casal homossexual troca um beijo. Discursos de ódio entoam por todo o país. Ameaças de boicote são registradas nos quatro cantos. Só então se preocupam no que as crianças vão pensar.


A situação acima, apesar de hipotética, é uma realidade na vida de LGBTQIs. Não raro, grupos autoentitulados “conservadores” se aproveitam desses momentos para propagar mensagens de medo e ódio, em que defendem um discurso contra a chamada “ideologia de gênero”. Adeptos chegam a falar sobre questões de gênero e sexualidade de forma pejorativa, defendendo que LGBTQIs vão contra os valores da família tradicional. 


“Pensam que um personagem LGBTQI pode influenciar muito, ao passo que toda uma sociedade que fala todo dia para não ser ‘viado’, para ser ‘machinho’, não traz forte influência”, disse o professor da Universidade Federal de Ouro Preto Felipe Viero Kolinski Machado. Ele participou, na sexta-feira, 3 de julho, de uma aula aberta do Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento (LIC), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos. O evento contou também com a presença do doutorando do PPGCOM Christian Gonzatti e mediação da professora do PPGCOM Maria Clara Aquino Bittencourt.


Tu já tentou não ser?


Felipe abriu a conversa citando o livro “Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria queer”, de Guacira Lopes Louro. O professor explicou que antes mesmo do nascimento de um indivíduo já existem lugares marcados e cenários pré-definidos. “Habitamos corpos que existem e resistem em uma sociedade que é heteronormativa. A gente nasce, cresce, se desenvolve, existe e resiste, como eu tô dizendo, nesse cenário que é extremamente pré-definido”, disse Felipe. O acadêmico explicou que frases como “é uma menina” ou “é um menino” produzem estereótipos de gênero e não são tão inofensivas como parecem.


A identidade LGBTQI, segundo Felipe, é construída como algo inferior, dentro de uma sociedade heteronormativa. Com isso, ele levantou o questionamento: “Como é que a criança ‘viada’ consegue, de fato, aprender que a sua existência é válida se a sociedade o tempo todo diz que não é?”. A cultura pop, explicou o professor, opera como um importante lugar para a resistência e existência dessas identidades. Para exemplificar, Felipe e Christian mostraram diversos exemplos de personagens e histórias da cultura pop para ilustrar como a representatividade é um fator importante para o fortalecimento dessas identidades inferiorizadas.


“Todo saber é localizado e, historicamente, os saberes estiveram localizados em um lugar que é da branquitude, da masculinidade, da cisgeneridade e da heterossexualidade”, explicou Christian. O doutorando comentou que esse discurso surge disfarçado por uma neutralidade, mas que é através dos estudos queer e dos feminismos que ocorre o rompimento dessa ideia.


Felipe e Christian avaliaram que a representatividade se choca com uma sociedade marcada pelo machismo, a LGBTfobia e o racismo. É em rede que ideias conservadoras e discursos de ódio se fazem presentes. Mas, segundo eles, ao mesmo tempo, essas plataformas em rede também são utilizadas para visibilizar as narrativas de resistência, por meio da identificação LGBTQI com a cultura pop. “Muitas vezes nos interpelam: ‘Tu já tentou não ser?’. Como se esse espaço, no qual habitam nossa sexualidade e nosso gênero, não devesse existir”, comentou Christian ao citar uma cena de um dos filmes da franquia X-Men como uma metáfora para a “saída do armário”. “E isso vem sendo usado em X-Men para pensar esse lugar de subalternidade e precariedade no qual LGBTQIs são colocados”, destacou.


O lugar de fala do jornalismo


Na conversa, também foi discutido o papel do jornalismo na questão da representatividade. O local de fala dos jornalistas se faz presente, na opinião de Felipe e Christian. Se uma redação é composta majoritariamente por homens brancos heterossexuais, assuntos relacionados ao feminismo, aos LGBTQIs e à negritude não estarão em pauta tão frequentemente. “O jornalismo, para além de gênero, também tem raça. A gente tá pensando em um lugar muito marcado para pensar esse saber”, explicou Felipe.


A dupla defendeu que, assim, quando um personagem LGBT, reconhecido na cultura pop, rompe essa barreira e aparece nas mídias hegemônicas, a narrativa muda. Se antes era considerado um ícone, agora sua identidade choca. Isso acontece nas HQs, quando personagens se assumem, nos livros e até em virais na internet. Felipe trouxe o exemplo de Leona Vingativa – um viral de 2009. Como webcelebridade, Leona é uma diva. Mas a mídia não tem sequer termos para falar sobre a personagem. “Esse jornalismo não dá conta nem de definir o que é Leona – o que seria muito fácil se perguntassem para ela, né?”, completou.


A representatividade, conforme explicaram Felipe e Christian, acaba sendo importante para abrir um diálogo sobre questões que são inferiorizadas na sociedade. A cultura pop se transforma em uma ferramenta para que esses temas ganhem visibilidade. Dessa forma, cenas como o beijo da novela ou o termo correto para se referir à Leona se tornam naturais. O debate pode ser acessado na íntegra pelo canal do LIC.

The post A representatividade LGBTQI na cultura pop appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/07/07/a-representatividade-lgbtqi-na-cultura-pop/feed/ 0
Christian Gonzatti https://mescla.cc/2017/12/15/christian-gonzatti/ https://mescla.cc/2017/12/15/christian-gonzatti/#respond Fri, 15 Dec 2017 17:10:33 +0000 http://mescla.cc/?p=4660 A camiseta do Harry Potter já dá o tom do encontro. Publicitário com o pé no jornalismo, Christian Gonzatti tem uma história de vida que poderia muito bem protagonizar os filmes de J. K. Rowling. Um menino que sofre com preconceitos, não desiste e usa os ensinamentos para crescer, vencer os monstros do passado e […]

The post Christian Gonzatti appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
A camiseta do Harry Potter já dá o tom do encontro. Publicitário com o pé no jornalismo, Christian Gonzatti tem uma história de vida que poderia muito bem protagonizar os filmes de J. K. Rowling. Um menino que sofre com preconceitos, não desiste e usa os ensinamentos para crescer, vencer os monstros do passado e reescrever a própria história. Analogias à parte, não é exagero falar que a vida de Christian renderia um grande roteiro.

Formado há dois anos pela Unisinos, Christian nasceu em Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre, onde passou os primeiros anos da infância. No início do Ensino Fundamental, mudou-se com a família para Sapucaia. Seus pais, sem estudo e com poucas condições financeiras, sempre trabalharam muito para não lhe deixar faltar o essencial: comida, roupa e educação.

É aqui que um traço marcante da personalidade de Christian começa a ser traçado. Mesmo com todas as dificuldades, ele sente-se privilegiado. “Eu sou um menino pobre, vim de uma escola precária. A única comida que meus colegas tinham no dia era a merenda, mas eu tive sempre alguns privilégios”, refletiu.

Fotos: Reprodução Facebook

Mesmo criança, ele sempre soube quem era. A percepção de mundo que Christian carrega existe desde seus primeiros anos de vida, quando já tinha consciência do discurso social no qual estava inserido. E se no seu filme tivesse uma cena inicial, antes mesmo da introdução, seria a de uma “criança viada”, no sentido mais literal da palavra, brincando escondido com seus bonecos do Power Ranger, porque já sabia que aquilo seria mal interpretado pelas pessoas ao seu redor.

É muito engraçado porque eu fui uma criança ‘super viada’. Desviada das normas, dos padrões masculinos. Eu sempre soube que era gay, e quando eu tinha cinco ou seis anos, eu já tinha essa noção, eu já percebia nos discursos pessoais, nos discursos midiáticos aquela coisa que ser gay é errado. Aí eu escondia, mas com os meus bonequinhos, do Ranger vermelho e do Ranger azul, eu fazia eles namorarem sem ninguém saber”, contou aos risos.

“A maior criança viada que você respeita!” escreveu Christian em uma postagem no Facebook

O consumo de produções da cultura pop começou a fazer parte de sua vida, quando ele desenvolveu práticas fãs e virou consumidor assíduo de Harry Potter, visitando diariamente sites de notícias, esperando eternidades na internet discada de casa para baixar pôsters em HD do filme, lendo livros e participando de comunidades nas redes sociais sobre a saga do menino bruxo.

Com jeito mais afeminado – modo de portar-se destinado às mulheres – aprendeu desde cedo que teria que enfrentar um mar de preconceitos por sua orientação sexual. Com 12 anos, em uma apresentação no show de talentos da escola, uma música do Rouge – grupo formado pelo programa Popstar, que Christian acompanhou incessantemente com sua mãe – o expôs a homofobia do ambiente.

“No final falaram ‘a gente vai colocar uma música para as meninas e uma para os meninos”. E aí, a música das meninas era justamente ‘Ragatanga’, e minha mãe super ingênua disse ‘vai lá, tu sabe a coreografia’ e eu fui na frente das meninas, de  toda a escola, e comecei a dançar toda a coreografia. Todo mundo riu e foi a saída do armário porque depois disso não pararam de me infernizar”, relatou.

Aliás, um dos únicos assuntos capazes de tirar o brilho no olho de Christian é a adolescência conturbada. As agressões físicas e verbais foram desencadeadas diversas vezes a partir do consumo de produções da cultura pop. “ A primeira vez que apanhei de um colega, ele me perguntou se eu preferia comprar uma revista da Playboy ou um pôster do Harry Potter. Eu falei que o pôster do HP. Ele começou a dar tapas na minha cara, dizendo ‘tu é muito viadinho mesmo’”, contou, lembrando do episódio ocorrido enquanto ainda frequentava o Ensino Fundamental.

Sua mãe passou a ver que o consumo de produções como Harry Potter, incentivava o filho a buscar conhecimento. Sem condições de custear a graduação em uma universidade privada e tendo convicção que queria estudar, Christian decidiu que entraria no Ensino Superior por meio do Enem. Para isso, procurou instituições de Ensino Médio com boas colocações na prova.

Christian com seu namorado Guilherme.

Em sua busca, encontrou uma escola técnica em eletromecânica e eletrotécnica, que no ano anterior ao seu ingresso, esteve na segunda colocação entre as escolas estaduais no Enem. Para buscar o sonho de cursar o Ensino Superior, encarou o desafio de estudar em uma escola majoritariamente masculina, e decidiu tentar.

“Dada a forma como a sociedade sempre impôs um binarismo para as profissões, ela só tinha meninos. Nessa escola foi horrível porque eu me sentia muito excluído, eu não conseguia apresentar um trabalho, eu não conseguia falar, foi a pior experiência da minha vida”, confessou. 

“Eu fazia coisas de me cortar, eu ficava muito triste e não podia falar nada pros meus pais porque se falasse pra eles eu teria que dizer que eu era gay. Eu já tinha aceitado pra mim mas é tanto preconceito que a gente tenta negar. ‘Eu não sou, é uma coisa da minha cabeça, vai passar’ ou ‘eu posso casar com uma menina e fingir que sou hetero’ eu dizia”, revelou.

Harry Potter é ciência

Ainda no Ensino Fundamental, Christian decidiu desenvolver um trabalho na feira de ciências da escola sobre Harry Potter. Vestido como o protagonista e contando com a ajuda de uma amiga, que trajou a roupa de Hermione Granger, mudou a lógica que perseguia as feiras tradicionais da escola, que geralmente exibiam trabalhos sobre dinossauros, drogas etc. “Colocamos umas capas bem bregas de TNT mesmo, e foi o máximo, amaram. A partir daquilo minha mãe viu que Harry Potter me estimulava a estudar, porque ela sempre falou assim “se tu quer ser alguém, estuda’”, contou.

Ao ingressar na Iniciação Científica, já no seu primeiro ano no curso de Publicidade e Propaganda na Unisinos, o primeiro livro que recebeu para leitura foi o “Cultura da Convergência” de Henry Jenkins. A obra trata de produções como Matrix e o próprio Harry Potter , o que o fascinou e lhe deu a possibilidade de enxergar a cultura pop como pesquisa. O grupo de pesquisa foi encerrado no mesmo ano, mas já encantado pelo mundo acadêmico, Christian iniciou uma busca por professores com vagas na equipe.

“Foi aí que eu conheci o professor Ronaldo. Eu estava terminando o ‘Cultura da Convergência’ e não queria parar. Ele estava iniciando uma pesquisa sobre ciberacontecimento. Deu umas duas semanas e aconteceu um ciberacontecimento em torno de Harry Potter e essa foi a minha primeira apresentação em uma amostra de Iniciação Científica. Eu comecei a ver esses processos como uma possibilidade de trazer toda essa questão de gênero e sexualidade articulada a cultura pop”, contou.

Apresentação no evento “Mapeando Cenas da Música Pop”

Além da saga do bruxo em Hogwarts, Glee, uma série de televisão americana, participou ativamente da vida de Christian e apareceu na iniciação científica como pesquisa. Quando a série estreou, foi sua mãe que o incentivou a assistir, usando uma frase de quem conhece as preferências do filho: “Cris acho que tu vai gostar muito dessa série”.

“Tinha um adolescente que era gay, o Kurt, e tinha toda a representação da homofobia no ensino médio. Minha mãe amava o Kurt, ela defendia o Kurt, torcia pro Kurt. Aí eu pensei ‘peraí, se ela tá adorando o Kurt porque ela não amaria o próprio filho?’ Aí foi que caiu a ficha que havia uma brecha para que eu me aceitasse. Que contasse para as pessoas o que eu realmente era”, relatou. Coincidência ou não, o primeiro artigo científico produzido por Christian, foi em torno do universo Glee.

Apresentação no I Encontro de Diversidade Sexual e de Gênero

Os rostos que estampavam os pôsters que a mãe de Christian trazia para o filho, sempre muito fã de alguma coisa, tornaram-se nomes que ilustraram trabalhos acadêmicos, recheados pela convivência difícil com o fato de ter crescido homossexual em comunidades preconceituosas. Analisar produções de sentido e acionamentos que comunidades LGBTQs e demais minorias provocam nas redes sociais remete às interações dos fandoms no Orkut, lugar no qual Christian buscava apoio e um ambiente para se encaixar.

Justamente por pesquisar questões de gênero, sexualidade e o mundo pop – universos que ele conhece muito bem – traz para a pesquisa a vivência e intensifica a sua fala quando o assunto é tocado. Apaixonado pela sala de aula, teve a oportunidade de ministrar aulas para os alunos da graduação, em seu estágio docente. Na disciplina de Teorias da Comunicação, levou seu projeto e sua experiência para a sala de aula e foi capaz de inspirar diversos alunos.

Queer

“Queer” é uma expressão utilizada no inglês para denominar, de forma pejorativa LGBTQs, podendo ser traduzida como “bixa”, “viado” ou “sapatão”. Na tradução literal ela significa estranho. Seja por uma ou outra, queer é algo que Christian sempre foi, e faz questão de ser.

Durante sua performance em uma disciplina do mestrado

Publicitário por formação, sempre esteve próximo ao jornalismo. Desde o primeiro grupo de iniciação científica, no qual ingressou, sempre pesquisou assuntos jornalísticos. Mesmo no mestrado, também na Unisinos, essencialmente por estar envolvido na área de jornalismo pop, é visto como um estranho dentro do grupo. “As pessoas tendem a ler este jornalismo pop como não jornalismo. ‘Isso não é jornalismo, divulgar o clipe da Lady Gaga, isso não é notícia, não é acontecimento’, só que os fãs precisam disso, as comunidades da cultura pop consomem esse tipo de informação”, problematizou.

Em sua curta experiência no mercado de trabalho, foi a pessoa que não aceitou normas de produção das empresas. Questionou trabalhos e chefes. Levantou questões de gênero e preconceitos. Não foi refém da lógica de produção dentro da publicidade e nunca acreditou que questões incômodas para a sociedade devessem ser deixadas de lado em vista do lucro. Dentro de seus estágios afrontou assuntos que achasse pertinente debater. “Eu tive uma trajetória infeliz no mercado, mas que eu considero necessária. O incômodo é importante, a crítica perturba mas transforma, quando a gente está aberto a refletir”. 

Um ticket para o sucesso

Neste ano, um dos grandes acontecimentos da vida de Christian foi uma viagem para a Europa, onde apresentou uma pesquisa em um evento exclusivo de Game of Thrones. Foram 15 dias de viagem acompanhado do namorado, Guilherme.

Pausa para a foto em Londres

“A academia tem sido uma transformação para mim. Inclusive no sentido de ter esses privilégios de poder conhecer outras culturas, desenvolver outras pesquisas”. Ele conseguiu levar algo próximo do que pretende estudar em seu doutorado, que são os coletivos midiáticos feministas de cultura pop que fazem críticas sobre as produções midiáticas.

Além da visita mágica ao antigo continente, o mais gratificante foi ver o reconhecimento do trabalho pelos pesquisadores locais, que acharam fantástica a pesquisa que vem sendo desenvolvida por aqui. Aliás, internacionalizar a pesquisa é um dos grandes objetivos de Christian.

Representando a Unisinos na Game of Thrones: An International Conference, na Inglaterra

Christian finaliza o mestrado no final deste ano, mas já pode ser considerado mestre em ensinar empatia para as pessoas ao seu redor. Quando fala em minorias, sempre se coloca na fala, se referindo as lutas delas como “nossas lutas” e de suas vitórias como “nós conseguimos”. Ele coloca na mochila uma carga de sentimentos e experiências adquiridas ao longo de seus 24 anos. Pouca idade aos olhos de quem olha para a certidão de nascimento, mas para quem conhece sua história, parece que 1993 aconteceu há 50 anos atrás.

The post Christian Gonzatti appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2017/12/15/christian-gonzatti/feed/ 0