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Na primeira aula, aprendeu a tirar proveito de todas as ideias que estavam a seu alcance. Acostumado a manusear o papel fino próprio para desenho na confecção de plantas baixas nas aulas de Arquitetura, fez recortes até chegar ao formato de que precisava, e escreveu os textos à mão. Igor já tinha um personagem criado por ele que costumava desenhar. Aproveitou para inseri-lo no trabalho, fazendo comentários críticos. A montagem rendeu boas notas. Foi quando percebeu que gostava mesmo disso.
Igor recorda de outro trabalho naquele semestre. Era uma crítica ao livro “O dia em que o povo ganhou”, de Joel Rufino dos Santos. O futuro publicitário faz a resenha em formato pocket (de bolso), utilizando, para isso, um bloco de anotações. “Parecia com aqueles bloquinhos do jogo do bicho”, explica, aos risos. “Para mim, o dia que o povo ganha é quando ganha no jogo do bicho.”
Igor começou a estudar na Unisinos quando o campus ainda era localizado no Centro de São Leopoldo. Para ele, lá, no local conhecido hoje como Antiga Sede, os cursos eram muito mais próximos e os debates aconteciam no pátio da universidade, que reunia estudantes de áreas variadas. Foi nessa época que o então estudante publicou um livro de poesias e fez da escrita outra forma de expressão.
Mudou-se para Caxias do Sul, onde, segundo diz, “encontrou um lugar para si”. Depois de peregrinar bastante, criou sua própria empresa de publicidade. Mas não somente isso. “Fiz um monte de coisas ao mesmo tempo, porque eu acho que trabalhar em escritório é muito enfadonho”, confessa. “Então, eu me divertia com outras atividades. A primeira foi quando um cliente comentou que não havia nenhuma rádio decente em Caxias. No caso, não havia quem tocasse jazz.”
Com o apoio desse cliente, Igor pegou seus discos de vinil e lançou um programa dedicado ao gênero musical nascido em Nova Orleães, nos Estados Unidos. Foram cinco anos no ar. Dali, foi chamado para escrever crônicas no jornal Pioneiro, de Bento Gonçalves. Desse material, surgiu o livro A importância das coisas (2008).
Entre o fim do programa de rádio e a vida como cronista, o publicitário também deu aulas na Universidade de Caxias durante quatro anos. Mas como escrever era um amor muito maior, conta Igor, ele se aventurou como cronista culinário no Jornal de Caxias. Próximo da família Iotti, foi o irmão do famoso cartunista gaúcho quem pediu a Igor que preenchesse uma lacuna no jornal com um texto. E aquela crítica culinária, que era para ser apenas um favor, se tornou semanal.
Uma crise financeira do jornal obrigou Igor a escrever para sites da cidade, até que ingressou no Pioneiro. No rádio, ainda tentou mais um programa, dessa vez de entrevistas, em que conversava com publicitários sobre a área técnica da profissão, trazendo detalhes que as pessoas não conheciam. “Foi bem divertido”, recorda. Depois, vieram mais dois livros: Desejos Urbanos (2010) e Paredes (2011).
Mas não foi só no rádio e no texto que Igor se aventurou. Dedicou-se, durante cinco anos, ao programa Cozinhando na TV, produto da emissora da Universidade de Caxias. “A cozinha ficava em um bloco de salas onde também ocorriam outras aulas. Eu deixava a porta bem aberta para o cheiro chegar até os alunos. Tem pessoas que ainda lembram disso, mesmo depois de tanto tempo”, comenta. A experiência rendeu um livro de receitas: Receitas fáceis e saborosas.
Sempre motivado pelo que despertava seu interesse, o comentário de um ex-professor fez o publicitário pensar em um novo projeto. “Ele tinha saudades da revista literária da faculdade, e eu disse que, então, iria editar um jornal literário”, conta Igor. “Chamei de jornal Lasanha, já que eu ainda estava no programa de TV, e aquela seria uma mistura de camadas de coisas boas. Fui atrás do pessoal que fez a antiga revista literária. Com as colaborações deles e de outras pessoas, conseguimos trabalhos que iam do Piauí ao interior de Não-Me-Toque. O jornal, que começou com contos e poesia, se abriu para artistas plásticos e fotógrafos”, comenta.
Inclusive, um dos cartoons produzidos pelo Iotti para o jornal Lasanha ganhou uma menção honrosa em um festival internacional de humor. Outro trabalho realizado pelo grupo foi uma grande exposição de fotos, que contou com mais ou menos dez colaboradores. Esse encontro aconteceu em 2012.
Durante todos esses acontecimentos, a BAG Propaganda estava em funcionamento. “A agência veio com o foco de não fazer bobagem, de fazer uma comunicação séria, bem pensada”, diz Igor, um dos três sócios-fundadores. “Isso nos cria alguns impasses, porque muitos publicitários gostam de ser alegóricos, como um circo. Não sei fazer circo. Estamos há 38 anos trabalhando seriamente.”
Nesse tempo todo, o publicitário aprendeu que planejamento serve para olhar na direção que se vai, mas não a longo prazo. “Se em seis meses nada mudou, então estou fazendo algo muito errado. As coisas mudam do dia para a noite, e não dá para ficar sempre preso em um planejamento”, avalia. Para Igor, o essencial é uma análise de mercado e trabalhar muito. Mesmo com a perda de alguns clientes durante a pandemia, ele se mantém otimista. “O jeito é olhar para o futuro e tentar superar as dificuldades, escutando tudo que possa colaborar com a nossa continuidade.”
Quer saber como foi o encontro dos formandos dos anos 80? Confere ai como foi um pouco desse momento, eternizado na produção da professora Luiza Carravetta:
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Nossa agência começou a vida adulta lidando com a sua primeira crise global – bem melhor do que espinhas –, e tem se saído bem. Nessa fase, não é tão estranho ficarmos fechados em nossos quartos, passando horas e horas no computador. Pessoal das origens: o que vocês faziam no quarto quando não existia computador? Brincadeira. Essa também é a nossa forma de lidar com tudo que tem acontecido, tentando aliviar o clima que já é pesado por si só. Na Agex, piadas internas são compartilhadas, assim como o cansaço da tecnologia. Nós sabemos porque estamos longe um do outro, mas ansiamos pelas reuniões com xícaras de café e canetas permanentes na mesa.
Por isso, quando começamos a escavar um pouco a história da agência, desenterramos lembranças e sentimentos. A cada ligação, a cada “pena que a gente não consegue conversar pessoalmente”, fomos desbravando as memórias afetivas das pessoas que ajudaram a criar essa agência, que é adolescente em idade e na alma. Foram ex-estudantes, hoje profissionais nas suas áreas criativas, dando seus passos ousados no mercado de trabalho. Foram professores que passaram por diferentes fases da vida da Agex, lidando com os processos de amadurecimento que nos trouxeram até aqui. Foram os funcionários que sempre se desdobraram para manter a agência de pé, ainda servindo de irmãos mais velhos, pais e mães dos estagiários. Todos sempre começaram com um suspiro e uma pausa, aquela sensação de lembrar de um lugar querido.
Ouvi histórias sobre tantos bebês que daria para escrever um livro sobre as crianças que nasceram na agência. Algumas delas já estão na escola, trilhando seus pequenos passos, que talvez os levem para a comunicação também. Quem sabe? Ouvi tantos relatos sobre animais estranhos que invadiram a agência ou foram trazidos pelos estudantes, que sugiro dar uma checada na sala quando voltarmos ao presencial. Tartarugas só serão admitidas com coleira e identificação. E como esquecer que uma estudante parou de tomar café com açúcar porque a Cybeli, nossa coordenadora, acha “bagaceiro”?! São coisas que só acontecem nesse ambiente, que é sério, porém não desanimado.
Questionar sobre as coisas que foram vividas na Agexcom desperta inenarráveis memórias, que despertam outras, e outras. Assim, as histórias, na verdade, nunca terminam. São 18 anos. É prepotente pensar que 18 semanas dariam conta de relembrar tudo, de homenagear todas as pessoas e todos os acontecimentos que fizeram a Agex ser o que é hoje: um espaço de aprendizagem. Daria mais uma matéria apenas sobre isso: os alunos que tiveram sua primeira experiência profissional ali.
Evoluir da pessoa que não sabia como começar uma entrevista até a que tem coragem de ligar para um nome conhecido nacionalmente e perguntar “e aí, quando podemos conversar?” foi trabalho da Agexcom. E esse nem é o maior crescimento que já testemunhei, mas como é o meu, posso falar com propriedade. Junto com a Agex, eu também devo ter finalmente chegado na vida adulta.
E, como bons adultos, não vamos lamentar por muito tempo não estarmos próximos nesse momento. A nossa vida, como agência, só está começando. E eu sei que todos estão tristes por não podermos realizar as confraternizações de final de ano, nem distribuir prêmios aleatórios com temáticas controversas — o que é o Grammy perto do Agex Awards? Sim, eu também estava esperando ganhar mais prêmios esse ano, mas teremos que esperar. Para os estagiários que estão chegando, eu garanto: quando estivermos todos juntos na nossa sala barulhenta e criativa, vocês vão gostar ainda mais. E para aqueles que já estão aqui há um tempo, obrigado por ficarem e por ajudarem nossa agência ser esse lugar incrível.
E se eu puder pedir um presente de Natal, que todos fiquem saudáveis e seguros até nosso isolamento acabar. Aprendemos neste ano que a Agex não é apenas física, mas feita por todos nós. Então, não pode faltar nenhum pedacinho.
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]]>A parceria entre o Instituto Moreira Salles (IMS) e a Casa de Rui Barbosa, que têm os textos nos acervos, foi o que motivou a criação do portal. Mais crônicas e autores ainda serão adicionados ao site, que já tem 2.527 itens. Entre os escritores que entrarão no portal, estão Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Mário Quintana e Vinicius de Moraes.
O acervo dessas instituições é rico com textos de grandes cronistas, mas antes era acessado somente por pesquisadores e especialistas da área. Agora, com o portal, as crônicas ganham mais visibilidade. As décadas de 1950 e 1960 são consideradas a Era de Ouro da Crônica e os autores da época, que ganhavam destaque em jornais, foram os primeiros a entrarem para o site.
Com base nos fatos do cotidiano, as crônicas são um gênero de narrativa em primeira pessoa e tom informal. Em muitas vezes, os leitores se identificam com as situações retratadas nas crônicas, por isso a leitura é leve, divertida e prazerosa. Elas são muito presentes, desde sua origem, em jornais, revistas e livros.
Segundo a professora dos cursos de Comunicação e Letras da Unisinos, Mariléia Sell, as crônicas são bastante trabalhadas em sala de aula, por dialogarem com as áreas da comunicação e terem uma leitura leve.
A argumentação também é algo presente nas crônicas, por isso elas são usadas para ensinar a convencer o leitor e formar um ponto de vista. “Temos cronistas maravilhosos na atualidade, nas diferentes mídias, e é um gênero que os alunos gostam. Sempre trata de questões da atualidade e se presta para infinitas coisas dentro da sala de aula”, relata a professora.

A história das crônicas no Brasil começa no final do século XIX, quando elas apareciam no final de folhetins e jornais. Machado de Assis e Rubem Braga ajudaram a popularizar o gênero, que tem afinidade com o jornalismo por retratar situações de diversos tipos de pessoas. Atualmente, Luis Fernando Veríssimo é um exemplo de escritor de crônicas que publica seus textos em jornais e na internet.
Existem diversos cronistas na atualidade que são jornalistas. Mariléia ressalta que, com esse gênero textual, quem escreve não precisa seguir o rigor jornalístico e tem mais liberdade para se expressar. A professora inclusive escreve crônicas que abordam temas da atualidade, sob esse viés de mais leveza. “A pessoa tem mais liberdade para apresentar um ponto de vista. É um texto que pode trazer todos os temas da atualidade”, comenta.
Estudantes e profissionais que gostam de crônicas já podem conferir os materiais disponibilizados e ter exemplos para suas próprias produções textuais. Com a internet, é possível que acadêmicos publiquem suas próprias crônicas e construam seu portfólio, usando plataformas como o Wordpress, Blogger, Medium ou Tumblr. Por isso sites como Portal da Crônica Brasileira devem ser vistos com frequência para servirem como boas referências.
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]]>Em sua vida, Martha teve três grandes mudanças. Uma delas foi quando se mudou para o Chile, na época acompanhada de seu ex-marido, acabou mudando de país e de profissão. “Trabalhei durante 13 anos como redatora publicitária em agências de propaganda. Foi maravilhosa essa mudança, pois foi uma divisão de águas. Quando voltei larguei a publicidade e comecei a escrever colunas. Isso foi uma grande mudança, imagina, eu era uma pessoa que trabalhava em horário comercial, pressão, junto com equipes, com chefe, e de repente estou trabalhando em casa, sozinha e escrevendo, que era tudo o que eu queria”, contou.
Durante o bate-papo, Carol Anchieta questionou à cronista sobre o que ela está achando do novo momento do caderno Donna. “Eu não participei da mudança editorial do caderno, eu acabei vendo-a como se fosse um leitor. Fiquei muito feliz de permanecer no caderno, ao lado de muita gente boa que está começando, como a Clara Averbuck, por exemplo. Tem tanta gente legal, garotas que estão vindo com uma nova visão da mulher e do mundo. Achei ele muito mais maduro e moderno, mas alinhado com o novo momento que estamos vivendo dentro do feminismo”, declarou Martha.
Observando as mudanças que o caderno Donna está fazendo, se adequando com a sociedade dos dias de hoje, Martha destacou que as mudanças são sempre bem-vindas e muito importantes. “A gente tem que fazer essa mudanças de tempos em tempos. Mudança é uma palavra que as pessoas temem, pois sempre parece que é uma frivolidade, tu deixou de manter uma coisa que foi escolhida para se fazer. Uma mudança sempre cria uma expectativa e um certo temor. Mudança é um risco, tu está predisposto ao erro. Para mim mudança é crescimento. Eu acho obrigatório a gente dar essa instabilidade como prova de amor a vida mesmo”, falou.
No momento a cronista está escrevendo o roteiro de um filme, que, segundo ela, acabou sendo a abertura para se testar em outros papéis. O filme será um drama leve sobre a história de um casal. “Esse cineasta, é casado com uma francesa que aprendeu a falar português através dos meus livros. Me senti muito honrada. Ele leu uma crônica minha, publicada há uns 4 anos, e achou que dali poderia surgir uma história. E então eu criei uma história, a partir de uma parágrafo da crônica, sobre um casal mais maduro, na faixa dos 60 anos, que vive isolado da sociedade em uma praia, e dali surgiu diversas histórias”, declarou Martha.
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