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Arquivos blogs - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/blogs/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Sat, 23 Nov 2019 04:13:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Blogs: um meio de inclusão https://mescla.cc/2019/11/22/os-blogs-um-meio-de-inclusao/ https://mescla.cc/2019/11/22/os-blogs-um-meio-de-inclusao/#respond Fri, 22 Nov 2019 18:24:30 +0000 http://mescla.cc/?p=12285 Foi em 1997 que o estado-unidense Jorn Bergem criou o “weblog”, um sistema para que as pessoas pudessem escrever sobre qualquer assunto na internet. Isso incluía atividades cotidianas que poderiam ser interessantes para amigos e familiares. Ainda antes da virada do milênio, ser blogueiro se tornou uma febre, e quem exercia essa atividade merecia respeito.  […]

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Foi em 1997 que o estado-unidense Jorn Bergem criou o “weblog”, um sistema para que as pessoas pudessem escrever sobre qualquer assunto na internet. Isso incluía atividades cotidianas que poderiam ser interessantes para amigos e familiares. Ainda antes da virada do milênio, ser blogueiro se tornou uma febre, e quem exercia essa atividade merecia respeito. 

O Blogger (hoje pertencente ao Google) foi a primeira empresa a fornecer sistemas automáticos de publicação de blogs. Assim, qualquer um poderia se tornar um blogueiro. Os blogs nasceram do desejo dos indivíduos de expressarem suas opiniões e serem lidos. Vinte anos depois, novos canais surgiram, como Instagram, Twitter e Facebook. Então, qual o papel dos blogs atualmente? 

Estou me sentindo midiatizado

via GIPHY

Na tentativa de unir teoria com o objeto, como se diz no jargão acadêmico, e trazer um olhar mais reflexivo sobre um elemento importante da comunicação digital, o Mescla ouviu o professor da Escola da Indústria Criativa Daniel Pedroso. Doutor em Comunicação, na linha de pesquisa “Midiatização e Processos Sociais”, Daniel usa essa teoria para explicar o fenômeno dos blogs. 

“A midiatização é um processo. Neste caso, enquanto uma teoria, ela teria o objetivo de explicar a realidade social a partir da mídia. Isso começa a ocorrer com mais vigor após a Segunda Guerra Mundial, com a aceleração e intensificação da presença da mídia na sociedade, o que causa consequências culturais e sociais. Ela também serve para analisar como a sociedade interage entre si e vai influenciar na forma como a gente se comunica. Tudo isso, fomentado por um ambiente de grande desenvolvimento tecnológico. Hoje, percebemos que coexistem as mídias tradicionais, os novos meios – com uma característica transmídia – e a gente enquanto ator social. Eu, com meu telefone, computador ou dispositivo móvel tenho um potencial meio para gerar discursos sociais. A teoria da midiatização nos ajuda a entender o fenômeno dos blogs a partir do deslocamento do ator social simples para o âmbito da produção”. 

Por que o Mescla está problematizando (olha o jargão acadêmico novamente) os blogs? Para contar aqui quatro exemplos de pessoas que usam seus blogs para falar de temas como autismo, Alzheimer e deficiência física. São histórias muito legais que você conhecerá a seguir. Para ajudar a entender a atualidade e as especificidades desse fenômeno, conversamos com outro pesquisador também da área da midiatização: o argentino Mario Carlón, professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires (UBA). Carlon já esteve na Unisinos participando de bancas de mestrado e doutorado, além de ter ministrado a aula magna do PPG em Comunicação. Nossa sugestão: leia os cases e, logo em seguida, acompanhe a entrevista.  

Amor de irmãos

Fernanda Ferreira: “Eu sempre digo que eu não seria essa Fernanda
se o Mateus não fosse esse Mateus”

Foto: Arquivo Pessoal

Formada em Ciências Sociais pela UFRGS, especialista em Saúde Pública pela USP e, atualmente, estudante de Jornalismo na Unisinos. Mas Fernanda gosta de dizer que é, antes de tudo, a irmã do Mateus. Um jovem de 24 anos que possui autismo severo, não verbal. “Eu sempre digo que eu não seria essa Fernanda se o Mateus não fosse esse Mateus”, conta a jovem.

Fernanda sempre teve o sonho de criar um blog, mas não se sentia confiante para escrever. Foi quando surgiu a ideia de comunicar pelo irmão, que não podia falar por si. O blog Eu Sou a Irmã do Mateus nasceu no dia 5 de setembro de 2016, o dia do irmão no Brasil. Podemos chamar de um desacontecimento, como a jornalista Eliane Brum refere-se às coincidências da vida.

“O blog é uma forma de eu falar sobre autismo de um jeito mais pessoal. Eu digo que o irmão está em um não lugar, ele não é tão família quanto o pai e a mãe, mas também não tem um olhar de fora como o terapeuta, médico ou qualquer especialista”
Fernanda Ferreira 

Tanto em suas redes sociais como no blog, a irmã do Mateus compartilha suas vivências com ele. O blog também é um canal de informação para alertar sobre os direitos das pessoas com autismo e dos seus familiares. Seu objetivo é conscientizar, sensibilizar e mostrar que a causa do autismo não pode ser tratada como questão privada, afinal, estima-se que existam 2 milhões de pessoas que possuem o mesmo transtorno de Mateus no Brasil. 

Autismo ou Transtorno do Espectro Autista é um transtorno neurobiológico do desenvolvimento que acomete duas áreas principais: déficits na comunicação e interação social e comportamentos repetitivos e interesses restritos. – Associação Americana de Psiquiatria, 2013.

Uma lição de vida

Fernando Aguzzoli: “Foi a maior aventura da minha vida. Sempre considerei minha avó minha melhor amiga, e ela sempre foi muito coruja e presente. Por conta disso, nunca achei que deixar a faculdade e o trabalho para cuidar dela significaria deixar minha vida de lado”
Foto: Arquivo Pessoal 

Em 2013, Fernando Aguzzoli deixou o empreendimento que estava criando e a faculdade de Filosofia quando descobriu que sua Vovó Nilva fora diagnosticada com Alzheimer. Passou a se dedicar exclusivamente a ela. Até escreveu um livro sobre a experiência,“Quem, eu? Uma avó, um neto, uma lição de vida”. Para ele, não foi um amor incondicional, pois é um amor que sempre esteve condicionado ao tempo e ao carinho que recebeu da avó. 

“Claro que quando nos dispomos a cuidar de alguém, ainda mais no Alzheimer, que requer 24 horas de atenção, a única janela pro mundo acaba sendo a virtual.” Foi assim que Fernando teve a ideia de compartilhar sua rotina e da avó em uma página no Facebook. Com bom humor, construiu uma grande família de seguidores, da qual tem muito orgulho. Seu propósito é mostrar que o Alzheimer não é o fim, mas um novo recomeço todos os dias.

“A gente pensa que o diagnóstico é uma sentença de morte, mas não é! Tem muita vida pela frente. Por isso, criei um canal para auxiliar outras famílias a entender a doença e saber aquilo que está ao seu alcance”
Fernando Aguzzoli

O escritor, selecionado como uma das 20 lideranças em envelhecimento no mundo em 2019 pelo Global Brain Health Institute, indica sites como Alzheimer Association, Alzheimer Society e Alzheimer Disease International, que falam sobre a doença com responsabilidade. “Hoje em dia, estamos vivendo no mundo das fake news, e qualquer um pode criar um blog. Isso é maravilhoso, quando compartilhamos opinião e emoção, mas é perigoso quando decidimos compartilhar informação”, afirma. 

Para ele, é preciso entender que Alzheimer não é um processo intrínseco do envelhecimento, e não existe caduco. O processo pode variar, como terapias farmacológicas, para dar mais qualidade de vida ao paciente, ou alternativas psicossociais dos familiares, para melhorar a aceitação do diagnóstico, além de promover uma boa comunicação entre familiares, idosos e também profissionais da saúde. 

O Alzheimer, que é a forma mais comum de demência, é uma doença degenerativa incurável. Os neurônios, em certas partes do cérebro, são destruídos, o que pode levar a déficits nas funções cognitivas, como a memória, as habilidades linguísticas e o comportamento. – World Alzheimer Report, 2015

A Gata de Rodas

Ivone de Oliveira: “O blog Gata de Rodas tornou-se um importante instrumento de visibilidade e emponderamento não só da mulher com deficiência, mas também da pessoa com deficiência, em um contexto geral”
Foto: Arquivo Pessoal

Ivone de Oliveira teve poliomelite seis meses após o seu nascimento. As sequelas lhe impediram de poder caminhar com os próprios pés. Sua melhor amiga tornou-se a cadeira de rodas e, com ela, pode correr atrás dos seus sonhos. Hoje, é palestrante, militante e ativista pela diversidade sexual da pessoa com deficiência. Mas toda essa história começou em 2012, quando criou o blog Gata de Rodas

A ideia era compartilhar as experiências e os desafios de uma mulher cadeirante, mas o projeto cresceu e acabou abrangendo temas transversais. O blog tornou-se um importante instrumento de visibilidade e emponderamento não só da mulher com deficiência, mas também da pessoa com deficiência, em um contexto geral.

Tudo o que o Gata de Rodas mais quer é quebrar tabus. Principalmente, em relação à sexualidade da pessoa com deficiência. Desde 2017, ela leva pessoas com deficiência para a abertura da Parada LGBTQI+ de São Paulo, a maior do mundo, que reúne, em média, 3 milhões de pessoas. 

“Eu recebo muitas mensagens dos meus seguidores com e sem deficiência dizendo que estão mais autoconfiantes para irem atrás de seus projetos e sonhos depois que conheceram o blog Gata de Rodas” Ivone de Oliveira

Para o Gata de Rodas, o uso excessivo das redes sociais em decorrência da necessidade de estar sempre conectado poder resultar na falta de socialização e visibilidade da pessoa com deficiência na sociedade. Ela também lembra que, nas redes sociais, é comum retratar a pessoa com deficiência apenas como alguém que tem dificuldades, e não como um cidadão comum.

De acordo com a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Organização das Nações Unidas – ONU / 2006): “A pessoa com deficiência possui impedimentos de longo prazo de natureza física, intelectual (mental), ou sensorial (visão e audição), os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. É um cidadão com os mesmos direitos de autodeterminação e usufruto das oportunidades disponíveis na sociedade”. 

Momento com o pesquisador 

Mario Carlón é autor do livro “Do cinematográfico ao televisivo”
Foto: Marcelo Ribeiro

Explicamos os cases da reportagem para o professor Carlon, e o resultado deste papo, por e-mail, nos ajudam a enxergar as possibilidades dos blogs. Acompanhe: 

Mescla – Como os blogs se integram na teoria da midiatização?

Mario Carlón – Não conheço muitos trabalhos específicos em blogs de teorias da midiatização. Conheço análises que lidaram com blogs no âmbito de outras análises mais gerais. Do meu ponto de vista, constituem um momento importante, anterior às redes sociais da mídia, em que surgem outras vozes além daquelas privilegiadas pela mídia de massa. Obviamente, muitos dos enunciadores que apareciam nos blogs pertenciam à mídia de massa, ou haviam feito parte deles: jornalistas que, enquanto ainda trabalhavam na mídia, abriram seus próprios blogs ou que deixaram a mídia, mas já eram conhecidos. O importante é que eles permitiram, para muitos enunciadores individuais, novos espaços de comunicação, gerenciados por eles mesmos: mídia gerenciada por novos enunciadores. Isso é para mim os blogs da história da mediação. Algo difícil de identificar e sobre o qual resta estabelecer consenso, porque são meios, mas diferentes dos meios de comunicação de massa. E as definições da era da mídia de massa ainda são muito importantes nas teorias das midiatizações.

O fato de muitos enunciadores que surgiram nos blogs serem indivíduos muito interessantes e abrir muitas questões ainda não totalmente elucidadas pela análise dos discursos, porque a questão do estatuto do enunciador (se é um enunciador individual, coletivo ou uma instituição) geralmente tem sido um dado adquirido (e não discutido) ou encapsulado. Em geral, é algo que foi dividido mais do que algo que foi teorizado e discutido.

Nos blogs apareceu fortemente através de novos enunciadores, principalmente amadores, a exibição de uma vida privada e íntima que rapidamente inundou a rede. Essa mudança foi registrada, mas raramente discutida teoricamente. E muito menos analisou a dimensão que liga aqueles que enunciaram através de blogs e aqueles que os seguiram e comentaram.

A diversidade de blogs tem sido grande e, embora se possa pensar que eles desapareceriam quando as redes de mídia social aparecessem (Facebook, Twitter, YouTube etc.), mas continuam sendo importantes em áreas específicas, como arte, jornalismo ou política .

Mescla – Como figuras até então anônimas podem se tornar representantes de causas por meio das mídias? 

Mario Carlón – Porque os blogs fazem o que todas as mídias fazem: eles estabelecem processos de mudanças de escala. E, ao estabelecer esses processos, discursos que antes não tinham visibilidade pública começaram a ter. O que aconteceu então é que muitos enunciadores individuais, com vozes excluídas dos espaços públicos, representando causas específicas ou um ângulo específico de uma causa de interesse público, começaram a mostrar que eram capazes de construir coletivos. A forma como esses grupos são construídos não tem sido um processo privilegiado para os estudos, mas nesses anos fizemos muitos avanços. Do meu ponto de vista, eles são estabelecidos em fases, em processos diacrônicos, geralmente primeiro nas redes sociais e depois em saltos de escala em direção à mídia de massa. É aqui que a história continua: porque muitas vezes hoje em dia esse processo não é realizado através de blogs, mas através de redes de mídia social, que são redes de mídia que permitem a muitos enunciadores a possibilidade de circular seus discursos em espaços públicos.

Confira a entrevista do pesquisador Mario Carlón para o Mescla.

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Luís Nassif conversa com professores e alunos da Unisinos https://mescla.cc/2018/03/19/luis-nassif-conversa-com-professores-e-alunos-da-unisinos/ https://mescla.cc/2018/03/19/luis-nassif-conversa-com-professores-e-alunos-da-unisinos/#respond Mon, 19 Mar 2018 20:32:35 +0000 http://mescla.cc/?p=4959 Texto: Kellen Dalbosco, Natan Cauduro, Luiza Soares e Giulia Godoy Quem vê o jornalista Luís Nassif entrando pela porta da sala não imagina a trajetória dele dentro do jornalismo nacional. De camisa social listrada, caneta no bolso e sapatos brilhosos, ele atendeu a estudantes de Jornalismo, professores e a imprensa na tarde desta segunda-feira (19) na Unisinos Porto Alegre. Ele está na universidade para […]

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Texto: Kellen Dalbosco, Natan Cauduro, Luiza Soares e Giulia Godoy

Quem vê o jornalista Luís Nassif entrando pela porta da sala não imagina a trajetória dele dentro do jornalismo nacional. De camisa social listrada, caneta no bolso e sapatos brilhosos, ele atendeu a estudantes de Jornalismo, professores e a imprensa na tarde desta segunda-feira (19) na Unisinos Porto Alegre. Ele está na universidade para o lançamento do Projeto Nuvem: Núcleo Universitário de Educação para as Mídias.

Com muito repertório, brincadeiras e sempre com sorriso no rosto, abordou temas atuais, que misturam política e práticas jornalísticas. Para os jornalistas em formação, ofereceu dicas valiosas para o ofício. Veja alguns tópicos comentados pelo profissional: 

A universidade e a formação de jornalistas 

Para Nassif, o mito de que “em seis meses de redação aprende-se mais do que numa faculdade”, foi quebrado. Ele conta que avaliou bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso e que viu um grau de complexidade que não existe dentro das redações. Os grandes “jornalões”, como ele chamou, ainda não perceberam as mudanças do jornalismo e mantêm a sistemática ao invés de mudar o enfoque de suas redações e, portanto, as grandes redações vão deixar de existir, acredita.  

Lembrando das chamadas “matérias caça cliques”, ele chama a atenção para o papel do jornalista, principalmente para aqueles que estão saindo da graduação. “Nunca foi tão fácil fazer jornalismo”, exclamou, principalmente o jornalismo investigativo. Para ele, basta buscar as informações que estão disponíveis 24h na internet e o desafio é saber usá-las com coerência. “Conforme os dados vão aparecendo, você adapta a narrativa”, explicou. O segredo é contar uma história interessante, adaptando a narrativa aos fatos, conforme eles vão surgindo. “O segundo desafio é encontrar um jornal que queira publicar a história”, brincou.

Opinião Pública nas redes sociais x colunistas  

“Nessa fase de internet, todo mundo é jornalista”, afirmou Nassif. Para ele, a liberdade de expressão e de informação é de extrema importância para a democracia, assim como o debate de ideias. Contudo, essa liberdade também expõe problemas. Um deles está ligado à opinião pública nas redes sociais. Segundo Nassif, há banalização da opinião do especialista. Uma opinião, vinda de uma fonte com autoridade, pode confrontar ideais adquiridos e cultivados durante anos. Bloquear novas ideias através de redes sociais e manifestar as próprias com objetivo de autoconfirmação é a fórmula que produz muitos dos comentários falsos, raivosos e preconceituosos online, uma “volta à selvageria”, como ele definiu. 

No jornalismo, a opinião surge através dos colunistas. Na visão de Nassif, o cargo possui um número exagerado de profissionais em uma “luta” pela audiência, pelo ouvinte, pelo leitor e pelo clique, jornalistas tendem a abandonar a especificidade de um assunto, tornando suas colunas, e consecutivamente opiniões, em algo raso e de fácil disseminação. “O pensamento é guiado por clique ou patrocínio”, disse afirmando que deve haver um compromisso com o fato, não com o lucro que ele pode gerar. 

Foto: Kellen Dalbosco

Grandes jornais e as fake news 

Nassif posicionou-se quanto ao papel dos grandes veículos brasileiros quando se diz respeito às fake news, e ajudou a esclarecer como elas devem ser combatidas. Segundo ele, as redes sociais mudaram o comportamento dos jornais impressos, como o caso da saída da Folha de S. Paulo do Facebook. “A Folha como jornal não se deu conta das mudanças. Com a internet, vai mudar o jornal diário, e este tem que cumprir diariamente o papel do que era semanal. Para isso, que mudar totalmente o enfoque das redações, tem que trabalhar com sistemas que permitam fazer pesquisa. O jornalista tem que saber juntar informação, consolidar”, afirmou. 

A respeito das notícias falsas, Nassif afirmou que o jornalista tem o papel de contrapor e explicar os fatos falsamente noticiados. Com a ascensão da internet, qualquer um se diz jornalista, e compartilham a notícia com a qual tem mais afinidade. “O público quer ler o que lhe convém”, esclareceu. Ele falou também sobre o papel que a grande imprensa teve nos últimos dez anos, ao martelar um discurso de ódio e jogando com a opinião pública. Ele afirma que as fake news integram uma guerra midiática desde 2005 e que foi possível ver resultados nas eleições presidenciais de 2006. 

Nassif opinou também sobre os grandes veículos que hoje tentam vender uma imagem de referência contra as fake news, mas que escondem uma história de disseminação de notícias falsas. “Neste momento que você tem essa desorganização completa no mercado de informação, os jornais tentam recuperar, tentam vender que são uma referência”, afirmou. Para ele, este movimento é uma jogada para tirar de cena os blogs independentes que fazem o contraponto.  

Efeito manada 

Durante o debate, foi proposta a discussão sobre diversas notícias ao redor de um mesmo tema e em diferentes meios de comunicação. Nassif acredita que o “efeito-manada” é um dos grandes problemas que a imprensa vem passando, principalmente na era digital. Ele afirma que o uso de perfis falsos na internet e, às vezes, as próprias colunas em jornais impressos acabam se detendo em poucas fontes de informações, deixando de expor mais de um lado da história. 

O jornalista acredita que os valores aprendidos no jornalismo vêm se perdendo, e que dia após dia, os veículos se acomodam às situações, seguindo a linha de publicação de outros veículos, sem muitos questionamentos. “A mídia tem medo de corrigir os erros e, a partir do momento em que não se assume o erro, não é mais um jornalista”, conclui Nassif.

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