wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Eliane Brum, Otávio das Chagas e os refugiados de Belo Monte appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Desde 2011, Eliane acompanha a trajetória dos ribeirinhos no processo de construção de Belo Monte, no Pará. “Dias atrás me perguntaram o que o rio falaria se pudesse falar. Mas o rio fala, a gente que não entende. Eu conto histórias de vidas barradas, porque não entendo o Rio. Minhas histórias nascem desta possibilidade de alcançar a linguagem do Xingu”. E explicou: “Eu escuto as pessoas que mais perto chegaram de habitar o rio”.

Durante a palestra ela contou como Otávio havia sentido sua primeira fome, como fora retirado da ilha em que sempre viveu e como havia se tornado um homem sem palavras, mesmo conseguindo falar. “Eu já conheci um homem arrancado por Belo Monte. Não sei se vocês já viram um homem arrancado. É terrível. O horror não está em sua imagem, mas na sensação que lhe provoca. Porque o corpo está inteiro lá, mas lhe faltam partes”.
Eliane relatou sua própria história e como fora modificada pela experiência. “As palavras cicatrizes de Otávio das Chagas me lançam num banzeiro de águas interiores e é lá onde estou até hoje”. “Eu quero contar para vocês que escuto as vidas barradas do Xingu e fracasso em convertê-las em palavras. Fracassar é a condição de quem escreve. A vida sempre escapa, a vida transborda, a vida é maior. A vida flui na palavra, mas não aceita ser barrada por ela.

Eliane é conhecida por sua sensibilidade em retratar histórias. As reportagens escritas ao longo de sua carreira já viraram livros e motivo de estudo em todo o país. Mas foi em sua fala no TEDxPortoAlegre que ela mais uma vez deixou claro que vive em processo de aprendizagem. “Entendam o que eu demorei para entender. Quando alguém é obrigado a deixar seu país, sua pátria ou sua mátria, há algo que fica, há um resto. Mas quando alguém tem uma ilha afogada, como aconteceu com Otávio das Chagas, a memória vira água. Não há nada que dê materialidade a sua história”
“Quem me ensinou que escrever é um ato do corpo, no corpo, foi o Xingu”, afirmou. As palmas demoraram a sessar após a fala de Eliane. Nelas, estava expressa a gratidão pelo seu relato.

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