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A história dessas publicações é extensa. Existem autores que afirmam que as revistas e jornais que dialogam sobre literatura são tão importantes quanto a produção literária do período. Nas páginas desses impressos, autores, poetas, artistas e pensadores divulgam suas ideias e se tornam parte intrínseca da cultura do país.
Dentro da história cultural brasileira, duas revistas marcam a história pela relevância, resistência e pelos autores e artistas que passaram por lá. A Klaxon circulou entre 1922 e 1923 mesclando arte com literatura. A publicação contava com colaboradores como Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Sérgio Buarque de Holanda e Tarsila do Amaral. Estudada hoje como força do movimento de cultura moderna, a Klaxon deixou legado na cultura brasileira de publicações culturais. A Revista de Antropofagia sucedeu a Klaxon na divulgação de literatura nos anos de 1928 e 1929. Nela, se uniram antigos colaborados da Klaxon e nomes como Carlos Drummond de Andrade.

As publicações literárias contemporâneas carregam a herança de disseminação cultural destes antigos periódicos. Nesses espaços, leitores e autores se encontram para debater e produzir literatura.
Atualmente, o jornal Rascunho é uma dessas publicações que se destaca no cenário nacional. Segundo o editor, Rogério Pereira, o jornal surgiu de um “tédio” quando ele voltou de sua pós-graduação em 2000. Em 2004 o Rascunho se emancipou do Jornal do Estado de Curitiba, onde era inicialmente publicado. “O suplemento saiu e começou a se manter por conta própria. Na época, já haviam alguns anunciantes, parcerias e pessoas assinando, mas foi tudo muito artesanal, muito tirado do nosso bolso para sustentar a produção. Eu brinco que o Rascunho foi feito na teimosia cooperativa”, comenta Rogério.

Atualmente, o periódico conta com 220 edições publicadas e cerca de 2.500 assinantes e diversos colaboradores. “Durante todos esses anos nosso público só cresce, assim como nossos colaboradores. Ainda falta espaço para todo mundo que me envia texto. Todo dia eu recebo e-mail de gente pedindo para participar do Rascunho”, conta o editor.
Segundo dados do Instituto Pró-Livro, apesar dos números de leitores ter aumentado nos últimos anos, o Brasil é um país que lê muito pouco – são apenas 5 livros por ano, sendo que desse número metade é em partes. Por causa de números tão baixos, várias publicações literárias brasileiras assumem o título de “movimentos de resistência”.
Entretanto, para o editor do Rascunho, é preciso pensar antes sobre o que essa resistência se refere. “Nós somos um jornal de nicho, então a nossa busca por leitores é dentro de um espectro já definido. Existem as pessoas que gostam de ler e debater sobre literatura e existem pessoas que apenas gostam de ler. O movimento de resistência que existe é contra um Estado que não valoriza a literatura e a produção literária do jeito que ela deveria ser valorizada”, explica Rogério.
Outra publicação que se destaca nesse contexto é o Suplemento Pernambuco. Para o editor-assistente do periódico, Igor Gomes, é instigante trabalhar com leitura no Brasil. “Não temos qualquer intenção de resolver os problemas de leitura do país, mas deixar disponíveis leituras pertinentes sobre dinâmicas mais específicas do campo literário, sobre a literatura em relação com as principais questões do contemporâneo. Apesar de suas especificidades, o campo literário reflete e reproduz incontáveis questões da sociedade, então às vezes abordamos um e acabamos tocando no outro” afirma.

O Suplemento Pernambuco surgiu em 2007 e conta com 150 edições publicadas. Assim como o Rascunho nasceu dentro de um jornal, o Diário Oficial do Estado de Pernambuco, e hoje funciona como um produto independente. Além da literatura, o Suplemento também é referência no setor de design gráfico. Igor ressalta que o projeto gráfico demonstra como literatura e imagem podem trabalhar juntas. “A preocupação com a imagem é uma forma de atrair atenções – de leitoras/es, de livrarias, dos diversos atores do campo literário. Também é uma forma de mostrar que é possível usar imagens como forma de abordar a literatura – ainda que, em nosso caso, ela não seja a protagonista das abordagens”, explica ele.
Apesar de um cenário cultural que pouco valoriza a leitura, Igor afirma que existe uma grande força no meio e é necessária incentivá-la. “Apostamos sem medo nas potências da literatura porque sabemos, como leitores e pelo contato com colaboradoras/es e leitoras/es do Pernambuco, de sua força na vida das pessoas, de que ela é uma necessidade social”, finaliza.
Tanto o jornal Rascunho, quanto a Suplemento Pernambuco trabalham no meio impresso e digital. A Revista Pessoa é um veículo exclusivamente digital de propagação de literatura que atua há 8 anos. Segundo sua editora, Mirna Queiroz, “a revista Pessoa surgiu como espaço de criação, experimentação e divulgação da literatura de língua portuguesa. Ela evoca um dos maiores poetas de todos os tempos numa proposta simples, que é a de promover a experiência de leitura literária, com todas as suas implicações políticas e estéticas.”

Por ser um veículo apenas web, não é possível contabilizar as edições da revista, mas Mirna afirma que nos oito anos existem atualizações diárias no site. “A revista procura dialogar com um público amplo, de diferentes gerações, não busca especificamente um público alvo. Sabemos é que as mulheres representam 52% dos nossos leitores, que, em sua maioria, tem entre 25 e 50 anos”, assinala ela.
Assim, como os outros editores, Mirna também reforça as dificuldades de trabalhar com literatura no Brasil. “Não há solução mágica [para esse cenário]. O mundo inteiro assiste atônito à redução de leitores de literatura. O problema do Brasil é que passou a concorrer com as facilidades tecnológicas antes mesmo de universalizar a alfabetização e o acesso ao livro. Ou seja, a nossa derrota é dupla”, explica a editora.

A editora tem esperança na ampliação dos espaços dedicados a leitura em todos os equipamentos culturais. Para Mirna, não é só necessária a publicação de textos, mas espaços para debates, sessões com escritores, manifestações de leitores etc. “Formar leitor de literatura é formar leitor de todas as expressões artísticas, culturais. E formar leitor do mundo”, fala Mirna.
Ela explica que a revista contribui no cenário atual através de questões importantes de nosso tempo. “É fundamental para ir na contracorrente de um pensamento raso que se propaga por aí e de um desprezo profundo por tudo que não seja o próprio umbigo. Além desse exercício de alteridade, a literatura permite aos sujeitos se desenvolverem como pensadores autônomos, com capacidade para assumir protagonismo no seu espaço e tempo, a partir da tomada de ciência das suas complexidades, criando e recriando sentidos para as suas práticas sociais”, finaliza.
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]]>Os encontros, antes presenciais, agora se dão via aplicativos e redes sociais que não têm agenda fixa, o que permite que os assinantes tenham seus próprios ritmos para a leitura de cada obra.
No Brasil há diversos clubes que seguem este modelo. Para o público infantil, o Leiturinha traz diversas histórias no formato físico e digital e dicas pedagógicas para os pais. O Turista Literário e a TAG – Experiências Literárias são os clubes para jovens e adultos que trazem livros dos mais diversos assuntos.
O Turista Literário foca seu nicho em jovens adultos. O clube funciona como uma assinatura, pagando um valor mensal, o assinante recebe em casa uma caixa que contém um livro recentemente lançado do gênero young adult além de vários brindes.

Com a missão de proporcionar uma viagem a cada livro lido, o Turista traz em seu kit elementos da história para o leitor se sinta ambientado no cenário descrito durante a leitura. Uma playlist no Spotify, um guia de viagem pelo mundo narrado no livro, um item de cheiro ou sabor e um presente aos leitores são itens obrigatórios em toda caixa. Após a leitura, os assinantes possuem um grupo exclusivo no facebook para compartilhar suas impressões sobre a obra e um canal no youtube com o diário de bordo daquela viagem.
A TAG – Experiências Literárias é atualmente o maior clube de assinaturas de livros do Brasil para o público adulto, são aproximadamente 20 mil assinantes e as projeções são de crescimento para o resto do ano. Baseada no Círculo do livro, um clube famoso nos anos 80, a TAG traz a seus assinantes uma edição exclusiva dos livros além de uma revista especial.
Arthur Dambrós, um dos fundadores da TAG atribui o sucesso ao fato de eles serem leitores e entender os anseios de seu público.”Não somos literatos, nunca fomos, nós somos leitores na essência. Então temos essa interface de troca legal, em que estamos ao lado do leitor, não acima deles. Valorizamos a boa literatura, a literatura que o leitor busca para se divertir, para descobrir coisas novas e aprender “, comenta ele.

O clube conta com uma curadoria especial, todo mês é escolhido um curador externo que irá indicar a obra a ser enviada naquele mês. Nas 34 edições já enviadas pela TAG passaram curadores como Mario Vargas Llosa, Luis Fernando Verissimo, Martha Medeiros e Mário Sérgio Cortella. Além do livro, a TAG também produz uma revista com os dados do curador daquela edição e sobre o livro enviado além de um brinde para os assinantes.
Arthur ressalta que as edições da TAG são um dos diferenciais da empresa, sempre em capa dura e com capa e diagramação exclusiva elas agradam aos leitores. “Nós temos muito esmero com o objeto livro então queremos que a nossa edição seja a melhor, a mais bonita, mesmo que que já existam outras no mercado”, afirma ele.
São clubes através de clubes assim, que mais leitores chegam a cada dia no mercado literário e se apaixonam pela leitura. Arthur comenta que “O Brasil é um mercado em desenvolvimento, principalmente no setor da leitura” e a expectativa é mudar o cenário nacional nesse meio, um dos objetivos da TAG é fazer parte dessa mudança.
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