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Arquivos antirracismo - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/antirracismo/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Tue, 31 Aug 2021 19:01:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 “O legado da escravidão continua a beneficiar os brancos” https://mescla.cc/2021/08/31/o-legado-da-escravidao-continua-a-beneficiar-os-brancos/ https://mescla.cc/2021/08/31/o-legado-da-escravidao-continua-a-beneficiar-os-brancos/#respond Tue, 31 Aug 2021 18:26:54 +0000 http://mescla.cc/?p=15499 Na terça-feira (24), a doutora em Ciências Sociais (Unicamp) Patrícia Pinho apresentou a palestra “A ‘casa grande’ surta quando a senzala aprende a ler”, promovida pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCOM/UFMG). Patrícia, hoje professora e pesquisadora da UC Santa Cruz, na Califórnia (Estados Unidos), discutiu a questão racial e suas […]

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Na terça-feira (24), a doutora em Ciências Sociais (Unicamp) Patrícia Pinho apresentou a palestra “A ‘casa grande’ surta quando a senzala aprende a ler”, promovida pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCOM/UFMG). Patrícia, hoje professora e pesquisadora da UC Santa Cruz, na Califórnia (Estados Unidos), discutiu a questão racial e suas dimensões no Brasil e na América Latina.


Além de exercer a docência e a pesquisa no Departamento de Estudos Latino-Americanos e Latinos da UC Santa Cruz, Patrícia é escritora. Suas publicações mais recentes são “Mapping diaspora: african american roots tourism in Brazil”, de 2018, e “Mama Africa: reinventing blackness in Bahia”, de 2010, ambas ainda sem publicação em português. Recentemente, Patrícia publicou um artigo na revista italiana Confluenze intitulado “A ‘casa grande’ surta quando a senzala aprende a ler’: resistência antirracista e o desvendamento da branquitude injuriada no Brasil”, que se relaciona com a temática da palestra. Além disso, sua tese de doutorado “Reinvenções da África na Bahia” foi publicada em 2004 no formato de livro. Em 2021, escreveu um capítulo para o livro “Precarious democracy: ethnographies of hope, despair, and resistance in Brazil”, com previsão de lançamento para setembro. 


A palestra foi mediada pela professora da UFMG Paula Guimarães Simões, que conheceu Patrícia em fevereiro de 2020 em San Diego, na Califórnia, quando a escritora debatia sobre a democracia no Brasil e seus desafios. Na apresentação de terça-feira, Patrícia abordou principalmente sobre os propulsores do neoconservadorismo no Brasil, e como a branquitude pode ser considerada um deles. Para isso, ela fez uma mediação do que produziu em duas das suas publicações recentes. 


Patrícia durante a apresentação e as duas publicações utilizadas na mediação (Imagem: Reprodução)




A ‘casa grande’ surta

Para ilustrar a apresentação, Patrícia citou o caso de estudantes de Medicina que criaram a sentença “A casa grande surta quando a senzala vira médica”. Com a divulgação da nova versão, as alunas foram fortemente criticadas em suas redes sociais. A pesquisadora trouxe também o exemplo retirado do livro “Eu, empregada doméstica: a senzala moderna é o quartinho da empregada”, de Joyce Fernandes, conhecida como Preta Rara. A obra, que denuncia o tratamento às empregadas no Brasil, foi fundamental na construção de suas produções escritas.


Para Patrícia, o uso das palavras “senzala” e “escravidão” são elucidativos na continuidade das condições de vida e trabalho do passado e do presente. Além disso, segundo a pesquisadora, matérias jornalísticas que, na época, trataram da questão “qualificação das empregadas domésticas” e escolheram o termo “escassez” para definir a dificuldade de contratação mostram o racismo presente nos veículos de imprensa, que ajudam, assim, a manter preconceitos e fomentam a chamada “branquitude injuriada”.


Patrícia explicou melhor o termo com novos exemplos: a repressão aos “rolezinhos” em 2013, o preconceito com os médicos cubanos, falas como “aeroporto virou rodoviária”, e o mais emblemático: as reações às cotas raciais nas universidades públicas. “À medida que as fronteiras de classe, historicamente muito rígidas no Brasil, passaram a ser minimamente suavizadas, a classe média e tradicional se posicionou rápida e energeticamente em defesa dessas fronteiras”, observou.


A pesquisadora explicou que a origem da expressão “A casa grande surta quando a senzala aprende a ler” e do binômio “Casa grande” – “Senzala” surgiu na obra homônima de Gilberto Freyre,  e que é, na verdade, racista, segundo Patrícia, porque serviu durante muito tempo como argumento  de uma suposta “dinâmica democratizante”, ou “mito da democracia racial”.


“O binômio expressa, assim, o famoso equilíbrio entre antagonismos, em que a intimidade teria superado a hierarquia e a “brasilidade” teria dissolvido as fronteiras raciais”, comentou a pesquisadora. Para ela, esse significado do binômio difere profundamente do sentido que possui hoje ao ser mobilizado por intelectuais e militantes antirracistas. “O binômio não mais expressa a suposta capacidade brasileira de superação dos conflitos raciais, mas exalta, agora, o oposto: o antagonismo entre pretos e brancos e como o legado da escravidão continua a beneficiar os brancos material e simbolicamente”, pontuou. 


Por meio do chat da transmissão da palestra, surgiu uma questão importante: o debate antirracista deve se sensibilizar através da fala, e isso se dá nos mais diversos ambientes. A comunicação exerce um papel fundamental na ponte entre o tema discutido e a sociedade, para que efetivamente se obtenha respostas e práticas antirracistas. “O antirracismo tem que ocorrer por parte dos brancos mais ainda. Pensar em branquitude tem que ter esse objetivo final”, destacou Patrícia.



O debate, com duração de aproximadamente uma hora, está disponível aqui.

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Erradicação da pobreza, educação e ideias fervilhando por mudança https://mescla.cc/2018/04/09/erradicacao-da-pobreza-educacao-e-ideias-fervilhando-por-mudanca/ https://mescla.cc/2018/04/09/erradicacao-da-pobreza-educacao-e-ideias-fervilhando-por-mudanca/#respond Mon, 09 Apr 2018 21:17:29 +0000 http://mescla.cc/?p=5273 (Colaboração: Luiza Soares) Em 2015, a União das Nações Unidas (ONU) lançou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) para serem alcançados por todos os países até o ano de 2030. A 3ª edição da Virada Sustentável, sediada na cidade de Porto Alegre, reuniu painéis de debates e atividades sobre todas as ODSs. Na sexta-feira (06/04), […]

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(Colaboração: Luiza Soares)

Em 2015, a União das Nações Unidas (ONU) lançou 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs) para serem alcançados por todos os países até o ano de 2030. A 3ª edição da Virada Sustentável, sediada na cidade de Porto Alegre, reuniu painéis de debates e atividades sobre todas as ODSs. Na sexta-feira (06/04), um dos pontos de encontro foi o campus da Unisinos na cidade, onde o oitavo andar do prédio reuniu dezenas de pessoas em diferentes salas, com o objetivo de compartilhar conhecimentos e ideias sobre diferentes temas.

Na mesa “Erradicação da Pobreza e Redução das Desigualdades”, o engenheiro metalúrgico e professor da Unisinos Carlos Moraes mediou a fala de três participantes, que abordaram temas como desigualdade, pobreza, desafios da educação e oportunidades. A ideia era que cada convidado realizasse uma fala inicial, com cerca de 20 min, e lançasse questionamentos ao público. Depois deste primeiro momento, foram feitos grupos de debate e, ao final, ideias foram lançadas para a turma.

Fotos: Luiza Soares

O professor Antonio David Cattani abriu a conversa. Ele trouxe problemáticas quanto ao entendimento comum de que a riqueza é almejada e a pobreza desprezada. “A riqueza é vista como algo positivo e a pobreza um problema. Até um tempo atrás, a própria ONU falava em ‘combate à pobreza'”. Ele intrigou os presentes ao levantar a dúvida sobre a verdadeira origem das grandes fortunas no Brasil, o pagamento de impostos dos retentores desta riqueza e a distribuição de renda.

“Como resolver este problema (pobreza) se ele depende do mesmo sistema político que protege os ricos?”. Cattani trouxe a ideia de que este quadro dificilmente será mudado com pequenas atitudes individuais e contou sua experiência com projetos com este objetivo. Ele disse que cada sistema tem suas dificuldades de mudança por ser macro, mas não desestimulou os presentes em almejarem mudanças.

Professor Antonio David Cattani

Seguindo a linha de pensamento, a gestora ambiental Joice Pinho Maciel trouxe dados sobre catadores de resíduos do Brasil e, em especial, do Vale do Rio dos Sinos. O perfil socioeconômico e político da classe de trabalhadores, trazido por ela, ajudaram os presentes a pensar em sustentabilidade. Ela trouxe os dados de que 90% de todo material reciclado no Brasil passa pelas mãos de catadores, e lançou a certeza de que estes profissionais são explorados ao longo da cadeia.

Gestora ambiental Joice Pinho Maciel

Para finalizar as falas, o professor de história Rodrigo Nickel apresentou a rede Emancipa, que é um movimento social de emancipação escolar. Uma das principais ideias defendidas pelo grupo é universalização da universidade, que poderia ser conquistada através da extinção de vestibulares para o ingresso em cursos de educação superior. Ele proporcionou ao público uma dimensão do trabalho da rede, que hoje conta com cerca de 10 mil pessoas envolvidas com o trabalho em todo o Brasil. O projeto, que começou com cursinhos pré-vestibulares, hoje trabalha com temáticas como feminismo e antirracismo.

Professor de história Rodrigo Nickel

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