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Arquivos análise da conversa - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/analise-da-conversa/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Tue, 23 Jun 2020 21:18:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Conversas difíceis em tempos de Covid-19 https://mescla.cc/2020/06/23/conversas-dificeis-em-tempos-de-covid-19/ https://mescla.cc/2020/06/23/conversas-dificeis-em-tempos-de-covid-19/#respond Tue, 23 Jun 2020 20:27:18 +0000 http://mescla.cc/?p=13388 Com o objetivo de ajudar pessoas, principalmente profissionais ligados à área da saúde, a se comunicarem melhor quando o teor do assunto for muito sensível, o Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PPGLA) da Unisinos traduziu uma série de documentos que tratam da divulgação de notícias difíceis no cuidado de pessoas diagnosticadas com Covid-19. Os […]

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Com o objetivo de ajudar pessoas, principalmente profissionais ligados à área da saúde, a se comunicarem melhor quando o teor do assunto for muito sensível, o Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PPGLA) da Unisinos traduziu uma série de documentos que tratam da divulgação de notícias difíceis no cuidado de pessoas diagnosticadas com Covid-19.


Os materiais trazem algumas orientações e um checklist para profissionais da saúde. Os documentos originais foram produzidos pela professora Ruth Parry, da Universidade de Loughborough, na Inglaterra, que pesquisou milhares de conversas difíceis registradas em vários contextos de saúde e assistência social no Reino Unido, na Austrália e nos Estados Unidos. 

https://www.instagram.com/p/CBym288p01O/
A professora gravou um vídeo explicando a relação dela com a pesquisa.


A tradução para o português foi realizada pelo grupo de pesquisa Fala em Interação (FEI), ligado ao PPGLA. A parceria com a universidade britânica aconteceu porque a coordenadora do grupo, professora Ana Ostermann, tem objetos de pesquisa similares ao de Ruth, com quem interagiu durante a realização do seu pós-doutorado. “Eu sou privilegiada em fazer pesquisas que interessam e que têm um retorno prático no dia a dia”, conta Ana. “Não há como mudar um cenário como o atual, mas é possível comunicar de formas empáticas”, avalia.


Comunicações humanas na vida real


Nunca é fácil noticiar acontecimentos sensíveis. O domínio da fala e a articulação necessária para se comunicar é feita automaticamente, mas, quando se enfrenta uma situação difícil, todas essas habilidades acabam não sendo suficientes. É pensando nessa temática que o FEI busca estudar as comunicações humanas na vida real, observando e pesquisando interações que acontecem no mundo, como uma “anatomia” da questão humana. Com base na teoria da Análise da Conversa, o grupo, atualmente, tem a pesquisa focada na área da saúde. 

As reuniões do grupo acontecem de forma remota, devido à pandemia


Ana Ostermann trabalha na universidade há quase 20 anos e, além das disciplinas no curso de Letras e no PPG, também atua na graduação em Medicina. “O PPGLA tem um viés interdisciplinar, e o ensino é só uma parcela do que temos desenvolvido. Onde há linguagem e interação, existe objeto de análise”, explica a professora.


No momento, o FEI conta com a participação de duas bolsistas de Iniciação Científica alunas da Escola de Saúde da Unisinos. Uma delas, Martina Wissmann , estudante do sexto semestre de Medicina, contou que a universidade foca no processo de humanização da saúde. “Muitas vezes escutamos que algumas coisas vamos aprender ‘na prática’. Contudo, acredito que existam maneiras de nos prepararmos para que não seja necessário o erro de, eventualmente, machucarmos o paciente com as nossas palavras”, explica a aluna, apontando a diferença de atuação entre os estudantes que se dedicam à comunicação médico-paciente e os que não.


Resultados práticos para a sociedade


As traduções foram feitas por Martina e pela colega Stefanie Weber, além da doutoranda em Linguística Aplicada Paola Konrad e da professora Daniela Andrade, com a supervisão de Ana Ostermann. O processo, que foi colaborativo, passou pela revisão de todas para a adequação de termos. As pesquisadoras compartilham de um mesmo sentimento: pesquisar para, de alguma forma, entregar resultados práticos para a sociedade. “Percebemos uma sensibilização maior para a pesquisa. O que se aprende hoje, se implementa hoje, e essa sensibilização ajuda de forma direta”, diz Daniela.


Com o intuito de divulgar o conhecimento já adquirido, além da tradução e disseminação dos documentos, o Fala em Interação está organizando uma oficina sobre a comunicação de notícias difíceis. No dia 30 de junho, às 18h, o grupo estará apresentando a metodologia da Análise da Conversa e uma observação conjunta de trechos de conversas reais na área da saúde. O curso de extensão será realizado pelo Teams e as inscrições podem ser feitas aqui.

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Bons ouvintes e meias-palavras https://mescla.cc/2020/03/10/bons-ouvintes-e-meias-palavras/ https://mescla.cc/2020/03/10/bons-ouvintes-e-meias-palavras/#respond Tue, 10 Mar 2020 20:13:55 +0000 http://mescla.cc/?p=12970 — Vamos sair hoje? — Bah, tenho aula… Não vai dar. Recusar um convite. Tarefa árdua que exige muito mais do que uma palavra para poder ser compreendida. Diferente de poder dizer um animado “sim!”, a negação – socialmente – requer uma explicação elaborada, um tom de voz pesaroso, uma atuação que acompanhe a resposta. […]

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— Vamos sair hoje?


— Bah, tenho aula… Não vai dar.


Recusar um convite.


Tarefa árdua que exige muito mais do que uma palavra para poder ser compreendida. Diferente de poder dizer um animado “sim!”, a negação – socialmente – requer uma explicação elaborada, um tom de voz pesaroso, uma atuação que acompanhe a resposta. É tão rica em detalhes que, se para bom entendedor meia palavra basta, na primeira hesitação, já é possível compreender que ao silêncio se segue um “não”.


Se comunicar nunca é simples, apesar de ser uma atividade comum. O que parece um caos de palavras e interações sem ordem, é, na verdade, uma rica teia de ordem e encadeamentos cronológicos. E essa ordem comunicacional, que recebeu o nome de Análise da Conversa, vem sendo estudada desde os anos 60. No Brasil, um dos pesquisadores é o professor Roberto Perobelli de Oliveira, que realizou seu pós-doutorado na Unisinos, sob orientação da professora Ana Cristina Ostermann. Roberto atua como professor na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, no departamento de Línguas e Letras, e no Programa de Pós-graduação em Linguística. 


Para ilustrar do que se trata a Análise da Conversa, Roberto explica que existem dois fatores importantes: o contexto no qual essa comunicação acontece e a relação de poder que emerge entre os participantes. Pensando assim, parece uma coisa complicada, mas não é tão difícil perceber nas interações do dia a dia. “Se eu for até o setor de Atendimento da Unisinos, a pessoa que me atender possui mais informações do que eu. Ela detém mais conhecimento do que eu”, exemplifica o professor. Por isso, também, ele prefere dizer que o poder “emerge” em cada interação, ao invés de dizer que ele seria fixo para determinadas personagens.


Como no pequeno diálogo no início desta matéria, poderia se dizer, caso fosse analisado mais a fundo, que a pessoa que faz o convite faz emergir o poder de determinar os tópicos da conversa. Mas durante a conversação, esse poder de guiar os assuntos pode passar ao outro envolvido. 


Para a execução de Análise da Conversa, os pesquisadores transcrevem as falas, anotando pausas, variações de voz, e, quando possível, gestos e outros elementos do contexto. “Nós entendemos que os detalhes compõem o contexto da interação. Nessa medida, temos a intenção de mostrar nossa compreensão e a importância de compreender esse  contexto”, esclarece Roberto. “Em outros campos, a Análise da Conversa pode auxiliar na hora de se desenvolver uma análise de dados. Nossa perspectiva é qualitativa, não tem nenhuma pretensão estatística, nenhuma pretensão generalizadora. Nós fazemos afirmações depois de olhar para os dados, e não o contrário.”


Talvez agora você pense que análises de dados e interpretações são temas de dissertações e pesquisas as quais não está tão próximo, mas o interesse qualitativo da Análise da Conversa pode ser usada em Trabalhos de Conclusão,  entrevistas e pesquisas de grupo focal. Esses são apenas alguns dos exemplos de interações onde é possível utilizar a metodologia para enriquecer dados. Se ficou curioso para desbravar o mundo teórico da Linguística Aplicada, o (Nem) Sempre às Quintas é o evento perfeito para isso. Nesta quinta-feira, dia 12, o professor Roberto Perobelli estará presente na Unisinos para debater o uso da Análise da Conversa entre Linguística e outras disciplinas. O evento ocorre às 10h no Labtics (prédio D01, no campus São Leopoldo), e é gratuito. Mas, se você quiser garantir horas complementares, precisa se inscrever.

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